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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Origem (Inception)

"Mamãe, olha como eu sou bom e ninguém vai entender meu filme"


É uma tal de ideia que é vírus. Tem o Cara do Titanic. Tem o diretor do Batman. Eles roubam e implantam informações. A primeira é normal, já a segunda é difícil. Tem o Cara do 500 dias com a atriz que faz o mesmo papel. Tem a Juno, mas ela não está grávida mais. Tem um amigo do Guy Ritchie. Tem ação e efeitos, mas não tem trilha. Todo filme fala sobre sonho. O final tenta ser aberto onde o diretor fechou todas as portas. FIM

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O bom, o mau e o bobo

Bastardos Inglórios é um filme do Tarantino. Não há dúvida, assim como A Prova de Morte e Kill Bill. Agora, saber se Pulp Fiction e Cães de Aluguel pertencem ao mesmo diretor, ao menos, merece uma explicação para fazer tal afirmação.

Cães de Aluguel foi pé na porta de um atendente de videolocadora no mainstream de Hollywood. A trama é simples: quando um assalto dá muito errado; a trama se desenvolve, pois e somente, num galpão velho onde vemos os diálogos transcorrerem rapidamente, como também magistralmente. Um porra de um galpão se desenrola um bom filme. Simples, sem muitos exageros e nem fala espertinhas: assim como uma boa piada: rápida e, porque não, rasteira.

Sua segunda direção foi Pulp Fiction, filme que impressiona pela montagem. Um filme pode ser definido em três elementos: roteiro, direção e montagem. Dessas diretrizes e das suas relações pode-se fazer um bom filme ou concorrer a uns prêmios Framboesa. Pulp Fiction abusa e utiliza da montagem a seu favor. Apresenta uma boa história, sim; direção de um novato bem executada e engraçadinha, sim; mas é na montagem que o filme se define e revela sua beleza, Cannes percebeu isso, assim como todos aqueles que costumam citar quando lembram de Tarantino.

Parla! Pero no mucho.

Taranta teve outras empreitadas, onde o roteiro era a peça fundamental do filme: Assassinos Por Natureza e True Romance. Assim como Cães de Aluguel histórias bem amarradas onde a trama é bem desenvolvida e o clímax bem executado.

Temos dessa forma uma mudança nos filme dele: primeiro se priorizou o roteiro; em um instante depois a montagem, qual seria a evolução? Logicamente os leitores adivinharam, a porcaria da direção e todos os seus filmes tributos oriundos dessa fase. A partir de Jack Brown, ele se apoiou em uma sólida direção que trabalha todas as suas influências misturadas em uma única embalagem.

Jack Brown foi o seu filme blackexplotation mal executado: pegou o pior de todos os filmes da década de setenta e reuniu de uma só vez, ainda acho que Jackie Brown foi dirigido por um quarto do cérebro dele, algo tão ruim, mas ruim. Kill Bill é uma mistura de kung fu com wester spaguette. Divetido, plástico. Mas fica por aí. Muito bom, mas quando comparado aos seus trabalhos iniciais ele parece um tanto regular. Não gosto de falar de A Prova de morte, filme bizarro e pronto.

Continuando sua senda, onde há valorização da direção, temos Bastardos Inglórios: tributo a Segunda Guerra e a Sergio Leone. Antes vi que todos os críticos elogiavam essa nova película, TODO lugar que li algum rascunho de crítica rasgava seda para Bastardos Inglórios. Não gosto de ser diferente, só porque todo mundo fala bem, logo eu blogueiro, vou falar mal? Resolvi assistir o filme novamente e ainda assim não me surpreendeu, não é um filme ruim, entretanto até quando Quentin Tarantino ficará preso na sua obsessão por direção, obsessão boba: Um bom roteirista que fez miséria na edição, se prende nesse tipo de direção, até quando?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cinecontraste: A orfã/ Arrasta-me para o inferno

Não é de hoje que o cinema nos dá suspense e terror, fazer as mocinhas pularem no colo dos seus acompanhantes é truque antigo do cinema, se pensarmos, as mocinhas pulam no colo dos rapazes muito antes do próprio cinema(ainda bem). O cinema funcionando como catarse e ajudando namoros: quantos relacionamento não se firmaram ou se formaram depois de uma sessão de sustos? Incontáveis...
Hoje estamos infestados dos ditos cujos “filmes de sustos” e no pacote aqueles filmes ultra violentos como Saw e seus derivados. Cansado de assistir Saw 5 e ficar sem entender nada porque não assisti os quatro anteriores, cansado das seqüências e das pré seqüência de O grito, como também de todos aquelas variantes copiadas de filmes japoneses onde tem uma menina morta que sair de um poço, TV ou qualquer buraco que um alma penada pode sair. Enfim, fui ao cinema e acabei pegando um sessão dupla: um filme atrás do outro, lembrando muito aquilo que existia na remota década de 70 que tentou ser revivido por Tarantino e Robert Rodriguez em Grindhouse. Tal projeto aqui, na terra brasilis, foi retalhado pelos nossos adorados e venerados distribuidores... vergonha e idiotice, pois uma pessoa em sã consciência e com posse das suas escolhas dificilmente se aventura a assistir um filme que seja dirigido somente pelo parceirão 100% do Tarantino.

Lado “A”: A menina má.com conhece o anjo malvado
Filme de suspense que se preze, além de uns sustinhos guardados em cada momento, precisa ter um bom vilão: carisma e afeição pelo público são quase requisitos mínimos. O problema foi quando Hollywood achou que poderia colocar qualquer criança com uma faca de rocambole e provocar sustos no público. É o seguinte; se ela não estiver possuída por nenhum demônio/alienígena/serial killer , como alguém que não alcança a prateleira de cima do armário da cozinha pode ser terrivelmente perigoso e fatal? No máximo a criança é uma peste insuportável, você dá um bica que ela se afasta, pode ser mais cruel e afastá-la segurando a cabeça: a pobre coitada vai tentar te pegar, mas com aqueles braços curtinhos vai ser difícil.


Pensava que o argumento da “A órfã” era esse: pais desgraçadamente azarados adotam uma criança que na verdade esconde um terrível segredo que prejudicará todos os alicerces desta já fragilizada família que acabara de perder um filho. De certa forma, não é bem esse, eles não apelaram para ocasional e freqüente possessão. Ainda sim o filme escorrega em muitos erros bobinhos, de gente pequena. A menina que adotaram, expatriada do Leste Europeu, começa a fazer suas estripulias e o filme vai ganhando ares de suspense, até tentar assustar a platéia com uma menina de onze anos, soa cômico e não é que a menina não é convincente; as crianças são o que há de melhor no filme, ótimas interpretações desses pequenos atores, com especial destaque para a protagonista; agora, os pais, estes deveriam fazer algum cursinho de verão de Artes Cênicas urgente.


No final das contas o filme não é tão ruim, comparado aos filmes de terror que se levam a sério, está numa boa posição. E o que aprendi com esse filme? Nunca adotar refugos do Leste Europeu...


Lado B, que lado B por sinal: o feijão com arroz de Sam Raimi
Homem Aranha 3 estreiou em algum período funesto de 2007: um filme que mostra a transformação de Peter Parker em revoltado(emo?) ao mesmo tempo que quase acabara com jovem carreira do diretor do filme, Sam Raimi. Dizem que o dedo de Tobey Maguire contribuiu para aquela merda que foi e é o terceiro filme do aranha, discussões a parte, depois disso nunca mais ouvira falar de Sam Raimi. Até anunciar que resolvera abandonar por um tempo a viúva emo, Peter Parker, e recomeçar realmente da onde parou e fazer o que sabia fazer melhor: filme de terror com grandes sacadas de humor negro.


Sam Raimi começou sua carreira de cineasta de fato com a trilogia de Ash, interpretado pelo fantástico Bruce Campbell. O protagonista de Noite Alucinante era cativante, o filme tinha monstro, zumbis, demônios e sempre com um tom de certa irreverência: apresentando cenas inusitadas e muito engraçadas. Ao fazer um filme de terror se aproveitava e zomba descaradamente da fórmula que nos fazia engolir, até o começo da década de 90; Jason, Freddy, Hallowen com sua safra interminável de sustos e seqüências que demonstravam que nem se o universo se extinguisse, aquelas monstros continuariam voltando. O ponto mais fortes nas obras de começo de careira de Raimi era nunca se levar tão a sério, atitude que não fez quando realizou o terceiro filme do cabeça de teia.

Grande filme sem ser poser e nem se levar a sério


Arrasta-me para o inferno é um roteiro manjadíssimo: mulher que recebe uma maldição de um cigana tem três dias( chupa essa, garotinha do Chamado) para tentar se livrar antes que um demônio surja e faça o que diz no título. Todas as convenções e clichês são utilizados e abusados de maneira criativa, inclusive para provocar risos: o filme é uma grande montanha russa alternando altos picos, onde impera o gênero terror com grandes declives, onde apresenta cenas fantásticas de humor negro.

Com uma trilha muito boa, assim vem pergunta: um filme faz a trilha ou seria o contrário? Com duas teclas Steven Spielberg teve seu vilão apresentado no melhor filme da sua carreira. Hitchcock com cenas rápidas e uma trillha dramática, um dos melhores momentos do cinema. Sam Raimi extremamente auxiliado pela trilha consegue fazer Arrasta-me para o inferno um dos melhores filmes de terror dos últimos tempos, sem se esforçar, trazendo o seu já manjado feijão com arroz sangrento.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Fantástico mundo novo tem menos de 140 caracteres

A internet é um lugar incrível. Qualquer idiota com algum senso de perseverança pode, de um dia para outro, sair da sua mediocridade pessoal e expandir sua esfera pessoal além dos limites nunca dantes imaginados. Sabemos que, no início, tudo era bom, até Deus nos ensina isso: "Não coma daquela árvore, malandrão". A internet no seu começo era um lugar pacato e tranquilho cheio de frames e gifs mal recortados, tórrida inocência perdida e espurgada; onde cada site mal estruturado com um efeito malandrinho de html poderia nos assustar com seu dinamismo e cores vindas diretas da década de 80. Aqui uso o epíteto velho da nossa querida humanidade: mas o que é bom sempre pode piorar.


Isso era social media

Mircs, web pages pessoais, e-mail, icq, odigo para os mais nerds: não existia nenhum conceito por trás dessas coisas. Minto, existia uns malucos idealistas que pré-diziam toda a massaroca que seria os nossos tempos modernos, mas ninguém além daqueles circuitos acadêmicos estranhos dava oportunidade de fala aos coitados. Voltando, todo aquela parafernália digital existia como perfumaria para a real função da internet: trocar informações e facilitar ações colaborativas. Se avião era meio de transporte, virou arma precisa nas guerras; a energia atômica salvaria o mundo e não apenas ajudaria caras gordos e crianças pequenas a terem exito. Daí regurgito: por que logo a internet seria diferente?

Um revolução digital, sim senhor!


Que tal um sorvete social?

Desde então, meus caros, a internet virou um negócio, legal, cool, moderno. Antes remota e cheia de reclusos com abundância de acnes; agora moderna, antenada(posso twittar do meu celular, cara!). Tão radical quanto Nescau ela cresceu e ganhou várias teorias de caras descolados e jovens que diziam saber tudo sobre ela, caras que dispensavam todos aqueles velhos, mesmo aqueles que falavam dela há muito tempo. Surgiram muito nomes, designações, alcunhas e muitos outros temas vindos dos cientistas de mídias sociais, é, esse é o nome: mídias sociais. Diferente da visão orwelliana das faculdades de jornalismos e mais próxima das veredas pollianas dos cursos de publicidade, a cibercultura tingidas pelas cores dos nossos amigos publicitários, que bonitinho...

Blogs, videos e podcast inundaram a internet; o padeiro da minha rua tem um twitter(alguma coisa com pãozionhosquentesopa!), cheguei a conhecer mendigos com blog(será que ele sobrevivia de adsense?). A dança do quadrado está aí ao mesmo tempo que a saudosa Stephany com seu possante envenenado. Mas cá entre nós, cheguem mais perto, e a parte boa da internet: cadê a rede de convergência de idéias, conteúdo colaborativo, ações sociais? A tal da inteligência coletiva que as vezes surge como relâmpago no meio da tempestade? O ponto é justamente esse, perca tempo: os nossos amigos da social media, nós dizem para nós mantermos antenados onde surge uma mídia social nova a cada segundo... gostaria de saber cadê aquele negócio bonito que não era toda essa perfumaria e somente ela?

Alguém lá no fundo grita: "A Wiki! A Wiki!" Tá... mas e as outras coisas... e alguns me enumeram um monte de coisa, entretanto esse monte quem sabe é aqueles ratos de internet que postam viciadamente até pelo seu ipod(estou falando com vc). Meu tio não sabe procurar no google, não usa rss e nunca ouviu falar de torrent. Caímos em outro controle e mal uso onde aquele vilão não é só o conglomerado do Tio Disney, nem a Rede Globo, mas seu vizinho, seu colega de faculdade que tem 100 seguidores no twitter; quem sabe, dá uma olhada no espelho., não está se sentindo um tanto maquiavélico hoje?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Blockbusters e o moderado - Harry Potter

Cinema de quarta-feira tem o péssimo hábito de ser cheio; ônibus as seis horas da tarde numa véspera de feriado são mais agradáveis, te garanto, já estive nas duas situações.

Resolvi esquecer momentaneamente da primeira premissa e arrastar minha pobre irmã numa jornada blockbuster. Cheguei em casa com os bilhetes já comprados e fomos ao cinema. Antes, discutíamos, pelo telefone, qual dos malditos arrasa quarteirão iríamos ver: 17 outra vez já foi descartado de imediato; estava cansado de ver Era do Gelo 3, inclusive, com direito a sessão 3d; nem comentei sobre A Proposta(meus pêsames, progressista); Bay e seu cinema deixaria para outra hora. Restou o bom e velho Harry Potter, o sexto e antepenúltimo filme(assim espero).

Com os ingressos comprados com uma certa antecedência, não tinhamos preocupações com filas, pressa e todo pacote da vida urbana. Poderíamos passear sossegados até próximo do horário do filme. Tanta ingenuidade a minha.



Abracadabra! Shazam!

Blockbuster em estréia é a mesma coisa que desfile de escola de samba com final de jogo do Corinthians. Você pensa que aqueles meninos e meninas vestidos de bruxinhas, tão bonitinhos, são inofensivos? Engana-se, a molecada é capaz de passar a rasteira em você por um lugar um pouco melhor do que aqueles que estão ocupando no momento. Antes que você diga qualquer termo em latim( deixo esse espaço para o fundamentalista inserir alguns) sua bunda está no chão e você perdeu o seu lugar( comprado com certa antecedência).
Após conseguir me acomodar(acho que vi uma menina ser atropelada, deu pra ver a vassourinha voando...) poderia relaxar e dormir... esperei passar os ciquenta e oito trailers... mas nada de sono: ok, vou assistir o filme.

Tirando os hormônios de todos os jovens do filme a flor da pele, as coisas que só os viciados nos livros entendem e alguns exageros dramáticos; o filme não é de todo mal. Para alguém que estava esperando o pior, posso dizer que fui surpreendido.

Um pouco da história primeiro: o tal Harry já bem velhinho descobre segredos sobre o bruxo do Mal( vc-sabe-quem, brrr.....) enquanto vai virando mocinho e cheio das más intenções com as meninas do internato de bruxinhos.

Agora posso voltar e dizer o que achei interessante: não é o filme da soberba da pirotecnia especial; os efeitos, quando utilizados são na medida, sem exageros. E nesse filme há cenas engraçadinhas que conseguem manter os pais acordados enquanto a molecada se diverte.

Só não entendo: hoje em dia os filmes tem que ser tão grandes? Harry Potter e o Príncipe Mestiço extrapola fácil as duas e meia. Entendo que certos filmes realmente demandem muitas horas. A saga de Senhor dos Anéis por exemplo, tirando os noventa e sete finais do último filme, foi bem executado e justificou todas aqueles horas anteriores(ainda que alguns afirmem que as pessoas gostam de caminhar na Trilogia de Tolkien). Pergunto: não existe mais cine pipoca com uma hora e vinte? E com a mesma premissa de diversão? Acredito que é um problema de edição, e muito grave, todos editores parecem ter sido afetados. Eu que faço um trabalho de merda com um material horrível num emprego péssimo, as vezes, me animo e faço uma edição inspirada que reduz horas de material bruto em trechos de apenas dois ou três minutos, esses caras que ganham uma grana legal não podem fazer uma mágica de vez e quando e enxugar os filmes? Caso não seja possível, sabem onde eu moro.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Melhores filmes de 2008, em 2009. Parte 1

Tranformers já estreiou. Harry Potter se avizinha. Nesse tempos costuma acontecer o que muita gente teme: blockbusters de verão. Sintomático, sazonal; por conseqüência, irritante. O período que temos para desfrutar um bom cinema acompanhado de uma gordurosa pipoca, todo esse tempo fugaz, pois é justamente aquele que estamos mais livres. Livres para aqueles que trabalham e tiram férias justamente nesse período, são alijados, quando ensaiam uma ida ao cinema, pelos campeões de bilheteria freqüentes desse período.
As pessoas poderiam tirar férias nos meses anteriores ou nos meses posteriores, contudo a freqüência também nos afeta, digo em primeira pessoa, pois faço parte desse grande esquemão chamado trabalho. A solução mais clara seria tirar férias em outros períodos e não os que são contemplados pelo recesso escolar. Mas seria trabalhoso, provavelmente seus amigos/familiares não acompanharão sua estranha empreitada, pior, provavelmente estará ainda estudando ou preso ao seu segundo trabalho, aqueles que tem segundo trabalho.

Claro, você pode muito bem não ouvir o que disse e tirar suas férias distante desse período, quiçá um Agosto "cachorro louco", um Setembro "florido" e em tantos outros meses disponíveis. Mas certifique-se do seguinte: na melhor da hipóteses, digo melhor, perceberá uma estranheza enquanto desfruta seus momentos de alforria e terá a companhia de pessoas solitárias de 30 a 50 anos que costumam também programar suas férias para meses que não são Julho,Dezembro ou Janeiro. Caso não se importe ou faça parte dessa faixa etária e tenha a solidão como sua maior companheira, então, meu amigo, ignore tudo que eu disse até agora e pare de ler esse post.

Enfim, como evitar ou suavizar todas as mazelas dos filmes que entopem todas as salas de cinema? Na verdade, não sei. O que estou fazendo é evitar o cinema e concentrar em dvds e filmes que passam nos canais de Tv por assinatura. Não resolve o problema, eu sei. Mas posso assistir alguma coisa interessante. A certeza da decepção não garantida já é uma vitória, além de não gastar com gasolina ou passagem de ônibus. Bom, vamos aos filmes. Nota: a ordem é aleatória dos filmes que serão apresentados.

1) Cinturão Vermelho(2008), de David Mamet.

Até esse filme nunca tinha ouvido falar de Mamet, nunca havia consultado seu nome no imdb ou qualquer outra base de dados. E de certa forma, agradeço por isso, houve uma boa surpresa nesse filme.


É o seguinte: acompanhamos a vida de Mike Terry (Chiwetel Ejiofor) um professor de jiu-jitsu que evitou o circuito de premiação, preferindo cuidar de uma academia de defesa pessoal e seguir o código de um samurai. Ele e sua esposa Sondra (Alice Braga) lutam para manter o negócio em funcionamento, mesmo que renda o mínimo possível. Tudo vai normal até Mike salvar um famoso astro de cinema de uma briga...

Um filme que achei que fosse de artes marciais, me surpreendeu pelo tom narrativo, forte, duro, com pouca trilha e bem conduzido até seu desfecho. Me lembra muito uma narrativa de uma peça de teatro clássica, lógico sem um banho de sangue no seu desfecho.


Sondra Terry ou coadjuvante no Blindness

Até o próximo post onde escreverei sobre outro filme e um pouco mais das mazelas do cotidiano.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Y The Last Man e todas outras coisas

Brian K. Vaughan é um gênio. Não daqueles gênios com alta inteligência estressadinhos com direito a cabelo dessarumado. Muito menos aqueles superprodutivos que atuam em áreas diversas e parecem não dormir ou comer. Afirmo sua genealidade, pura e simplesmetente, graças a uma história escrita pelo autor: Y The Last Man. Minha argumentação baseia-se apenas num roteiro que ele escreveu durante 60 edições para linha Vertigo da DC Comics.

comentei brevemente o trabalho desse sujeito nesse blog. Naquela época não esperava que a história me surpreendesse tanto, sabia do bom argumento, da boa condução da narrativa. Logo na primeira edição ele nos mostra que domina muito bem uma condução da narrativa: apresentando primeiramente o fato maior, que todos os homens morreram, para depois apresentar os personagens principais momento antes do incidente e, em contagem regressiva, até o momento que todos os homens começam a morrer e apenas Yorrick Brown parece sobreviver, completamente ileso.

Ele trabalha muito bem também com conceito de mídia associativa e mídia convergentes. Esses novos autores de quadrinhos são carcterizados por esse estilo: conta uma história ao mesmo tempo que nós mostra vários outros materias relacionados; histórias ocultas, cultura pop; etc.

Mas ele amarra a história através das histórias pessoais daqueles personagens apresentados e não por fatores externos ou acessórios da trama. Todos os personagens principais são nos apresentados por algum trecho ou vários das suas respectivas infâncias. Esses flashbacks nunca são gratuitos, alías, são sempre elementos que nos fazem entender melhor as motivações daquelas pessoas e comprender melhor o porquê daquela atitude naquele momento.

No final das contas, a grande trama: o porquê morreram tantos homens, parece algo tão pequeno comparado a história daquelas pessoas numa situação caótica. A morte de quase todos os homens só serve para pano de fundo para contar uma história fantástica e bem amarrada sobre relacionamentos e fugas.

domingo, 26 de abril de 2009

Pornografia e Erotismo: um adendo

Perguntaram-me uma vez se sabia a diferença entre essas duas modalidades; sim, era um conversa de bar.


“Bem...”


A conversa durou duas horas: da explicação minha veio a argumentação dos outros, logo da argumentação passamos para uma calorosa discussão e, por fim, uma confusão local. Aqui como a réplica vem através de comentários e ninguém vai ficar gritando comigo “offlinemente”, assim explanarei algumas teorias sobre o assunto.


1)Quando temos o predomínio de planos super-close e detalhe estamos falando de uma produção do ramo do entretenimento do sexo, caso seja o oposto; as pessoas demoram para tirar a roupa, nem isso, muitas vezes transam com as roupas do corpo, aí passamos levemente para o imagético erótico. Considerando que meias, sapatos saltos agulha e adornos de ouro nunca foram roupas e se aparecerem invalida completamente o viés erótico. Exceção para filmes de malandro e rappers, nessas particularidades valem os adornos de ouro.


2) Entregadores de pizzas, encanadores, bombeiros, enfermeiras, aeromoças e colegias não costumam ter uma vida louca cheias de tramas sexuais, muito menos costumam, todas eles, serem adeptos do sexo casual relâmpago com desconhecidas(os) esquecendo assim que deveriam estar trabalhando ou quem sabe fazendo a lição de Estudo Sociais. Caso aparece em abundância tais elementos. voltamos ao universo da pornografia.


3)Se existe algo no mínimo parecido com um enredo,um roteiro onde os personagens movam alguma trama em busca de superação/eliminação de um problema. Se caso aja um mínimo desenrolar de uma trama que não pareça burlesca demais até para a média de filmes B de terror, então parece-me um filme erótico


O Mestre: animando os cinemas do centrão


4) Trilhas incidentais dificilmente são colocadas nos momentos íntimos das personagens, caso ocorra, será algo condizente com a trama e não um clone bêbado do Kennie G com dor de barriga a tocar o saxofone da trilha inteira.


5)As protagonistas costumam ter motivações. E as vezes aparecem, caso a motivação não seja fazer sexo o tempo todo e todos os personagens tenham tal motivação, exceção caso seja um filme do Andy Kaufman, com o título Quero Ser Michael Douglas.

domingo, 8 de março de 2009

Rorschach e os Piratas

Terry Gilliam uma vez disse que seria infilmável a obra de Alan Moore e Dave Gibbons, pelo menos para os padrões comerciais de algumas horas sentado numa poltrona de cinema devorando raivosamente um saquinho de pipoca. Senhores, ele afirmara que seria necessário horas, na verdade doze, para realizar a façanha satisfatoriamente. Até aí, Terry Gilliam sempre foi um brincalhão, não conhecia Zack Snyder e dizia isso em pleno auge da década de noventa.

"Do revolucionário diretor de 300", como diz na chamada, vemos o quadrinho virar filme e sem as exageradas 12 horas de duração: Watchman não é filme para mostras de cinema, é um filminho pipoca mesmo; sentar a bunda na cadeira e devore sua pipoca com mais parcimônia; duas horas e 45 minutos, pois, demorará então até chegar nos créditos.

E sinceramente, 300 me decepcionou muito: não por colocar maquiagem e efeitos para deixar todos os espartanos parecendo ratos de academia ou adoradores de fitness, mas sim por demonstrar, devido a uma certa preocupação de fidelidade, todos os buracos daquela história de Frank Miller, mostrar pelo menos para mim. Agora Madrugada dos Mortos foi uma boa refilmagem. E parece que o Zackinho, amigo de colégio e que adorava suco de pera e ovomaltino, tomou um poquinho de coragem e resolveu tentar alguma coisa mais ousada e "revolucionária" que os gregos de tanga que se amavam antes das batalhas.

1986. São duas décadas e alguns anos, muita gente que vai assistir o filme nem tinha nascido. Desses, alguns nem saberão que Nixon era um cara legal, nem sempre usava nariz falso e só saiu do cenários político graças ao Forrest Gump e nem Dr. Manhattan conseguiu salvar o escândalo na época, ele deve ter ficado verde de inveja: um retardado conseguiu fazer uma coisa que nem cara que cria brinquedinhos de vidro em Marte com a mente, invejinha do homenzinho azul. Depois de duas horas de filme, percebi que o peladão superpoderoso era nosso queridos Billy, sempre se escondendo nas suas atuações, acabei nem percebendo esse detalhe. Penso que talvez porque sua atuação é tão boa que nem percebi que era um ator, era tão boa que parecia efeito especial. Os dias já são outros, vemos tudo do azulão e nada da Rebecca Romijn-Stamos quando ela participou do filme do Brian Singer: peladão pode, mas mulher não, realmente os tempos são outros. E se tratando de uma adaptação bem que poderia ser Doutora: ao invés do expressivo pequeno billy, a estonteante Rebecca Romijn-Stamos. Nós já sabemos que ela sabe interpretar com bastante tinta azul pelo corpo.

Ah.. se você fosse azul nesse filme também

A mancha psicológica de Rorschach estava maneira, eu quero ter uma camiseta daquela, no final me perguntaram se tinha gostado do filme. Calmamente eu disse:

"E os piratas?"

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Direito ao anonimato

Depois de um período de férias, logo antes do carnaval, voltei. Percebi que meus colegas, parceiros nessa empreitada, num momento, colocaram suas verdadeiras identidades no blog. Mas pra que isso caros colegas? Gostaria de saber: estavam com medo que alguém roubasse a genialidade de cada texto de vocês? É isso?

Sempre brinquei a respeito do blog; caso alguém perguntasse se fazia parte do "Fomos ao cinema", provavelmente, daria uma das três opções como resposta: sim, sou todos; não, só conheço de vista; bem, posso ser um deles, porque vc não adivinha?

Agora qual será a graça de escrever num blog onde as pessoas se levam tão a sério? Camaradas, qual será o próximo movimento? Assinar o nome de vocês em cada texto?

A alegria e a inventividade dão lugar a burocracia e o habitue. E o Camarada Moderado foi comprar cigarros...

sábado, 27 de dezembro de 2008

Cinema em Casa - Jumper(2008)

Advertência: Esse post contêm spoilers e as opiniões nele contidas não condizem com a totalidade do "Fomos ao Cinema", assim todas as baboseiras e pseudo-intelectuliadades são de responsabilidade somente do autor.



A capacidade de teletransportar sempre foi um negócio bacana. A moçada que acompanhava a série clássica de Jornada nas Estrelas deveria delirar em pensar nisso. Nos quadrinhos nós temos Noturno um personagem bacana que quando se teletransporta deixa um cheiro de enxofre estiloso. Há referências na literatura também: quem lembrará autor e obra é o fundamentalista já que este livro eu peguei no seu nome numa biblioteca municipal há muito tempo.

Enfim, a concepção está na cultura, igual querer voar, na verdade até melhor. Voar ainda é limitador; pois, um espaço fechado pode te prender. Teletransporte acaba sendo mais libertador que ficar invisível, como também, amoral. O filme "Jumper" começa bem nesse viés: o protagonista rouba bancos depois que foge de casa aos quinze anos. Família desestrurada, bullying, loser: os elementos justificadores para a rebeldia estáo bem representados. Comecei a gostar do filme.

Nocaute, Billy!

O longa dá um salto de oito anos, mostrando que um misterioso cara, interpretado por Samuel "Mace Windu" L. Jackson, está no encalço dele e não na melhor das intenções: a partir daí os roteiristas esqueceram de escrever e o filme, a partir daí, parece feito todo no improviso de tão ruim que fica o roteiro. E vai piorando, pulando de um lado para outro, o filme, resultando numa participação de "Billy Eliot" e uma luta final tosquissíma.

"Anakin Skywalker" não parece ser um bom ator. O personagem de Mr. L. Jackson parece um mistura de Mace Windu com um Blade bêbado, nem a aparição do saltitante Billy Elliot salva a película, no final pareceu que tinha levado um chute no estômago. O que me deixa um pouco contente é que não paguei para ver Jumper no cinema e a locação foi de graça, posso até pular um pouco de alegria...

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Chuck Barris, criatividade e um video

Em alguns momentos nesse blog nos falamos sobre cinema, em casos mais raros falamos de cinema e algo educativo. Não sei se cumprerei bem as duas premissas, mas não custa nada tentar.

Chuck Barris, cara esperto, geminiano(camarada progressista agora diria "a ha!"), foi um dos mais criativos produtores da tv yankee. Pérolas como Gong Show e Treasure Hunt são exemplos de suas criações, mas que diabos são esses programas e quem é esse indivíduo? Imagine o seguinte: todos aqueles enlatados de jurados e games-show que infestaram a televisão a partir da década de 80 no Brasil foram bastante "inspirado" nos quadros e programas idealizado por esse americano. Mais detalhes sobre sua carreira é só consultar a página da Wikipedia em inglês sobre Chuck Barris. Há alguns anos, saiu um filme inspirado em sua biografia não autorizada, Confissões de uma mente perigosa, dirigido pelo nem sempre competente ator e bom diretor George Clooney onde demostra que as idéias dos seus programas, muitas delas, foram tiradas de suas experiências durante o período que trabalhava para CIA. Suas experiências e treinamentos foram transformados em programas e games-show que todo mundo copiou durante muito tempo.

A criatividade aplicada a circustâncias sui generis sempre demostra que é possível tirar das banalidades algumas idéias geniais. De Chuck Barris parto para Syd Field, "guru de roteiros", que atualmente deu uma entrevista ao Fiz TV, canal de tv parecido com Youtube do grupo Abril, onde fala sobre roteiros e um pouco do processo de criação. Bem, assista e veja o que acha. Já que estamos nos aproximando do oscar, vale a pena cultivar os futuros bons roteiristas que ainda lêem nosso blog.



domingo, 7 de dezembro de 2008

Notas sobre notas

Adorno não faz minha cabeça, nem como antagonista. Antes de tudo Adorno é um chato, agora ele tá morto, infelizmente ele fora chato antes de morto, esta situação seria mais aceitável caso ocorresse o contrário: quando há morte somos condescendentes ao defunto, mesmo ele sendo chato, pois morto ele está.

Excluindo as possibilidades de alguém ser chato depois de morto(diga que isso não existe para a máfia e profissionais do ramo), volto aqui para deixar de lado todo essa dialética negativa, herança hegeliano que Adorno leva na bagagem, essa mala que o fundamentalista tanto adora. Ora, no lugar que vamos não precisamos de tanta bagagem assim, meus caros leitores, não, a bagagem que necessitam está já dentro de vocês.

E não sou nenhum Capitão Planeta ou assecla de uma filosofia de auto-ajuda. Digo que até poderia, pois parece que filosofia é tanto futebol como arte é culinária, não é? As coisas se misturam, e Kant agora me dá um tapa na cara quando digo essa frase: "As coisas se misturam". Flap!(barulho de um tapa de um alemão). Verdade, deixei meu imperativo categórico de lado, mas tenho um? Nunca disse isso, enfim, abandonando outra vertente do pensamento clássico alemon e toda as repercussão e influência que Emmanuel deu ao ciclo cibernético e derivados, resta-nos um membro, nosso amigo Hurserl.

Agora volto a minha premissa do segundo parágrafo: pra que diabos você precisa saber algo sobre "Notas de Literatura"? Adorno fala que a pontuação textual aproxima o léxico da música, parabéns, qualquer analfabeto com um pouco de ensino perceberia isso( escrevendo bem menos já que aprendera a escrever faz pouco tempo), como já abandonei o velho Theodor e não é possível se falar de filosofia sem incluir um germânico nos autos; no meu time o capitão seria o bom e velho Husserl, Edmund. Pronto. Está escalado.

Husserl, Walter Benjamin, Flusser, Goethe, Heidegger. Mais alguns e coloco o Sarte para dar os petardos nos penâltis, já disse, filosofia é futebol, agora grite gol, mas antes saia desse torre de marfim e sem usar o maldito elevador.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O Gênio de Michael Bay - Parte 1 - A Rocha e Antígona


Uma direção sempre genial. De filme a filme Michael Bay nos brinda com explosões cataclísmicas, estética maravilhosa, roteiros bens costurados, direção de atores sempre eficiente. Enfim, grandes obras de arte que humilhariam até os nossos velhos amigos helenos barbudinhos. E é justamente aonde nosso grande diretor tira as idéias para suas melhores peças cinematográficas; afirmo, pois, foi onde o garoto Benjamin passou suas tardes no gramado da sua casa: lendo. Da costa ensolarada da Califórnia todos seus amiguinhos divertiam-se na praia enquanto ele transitava sua mente pelas maiores peças clássicas gregas e justamente Antígona foi a influência de sua primeira obra de destaque: A Rocha( The Rock [1996]).

Logo no início a trama prende o espectador, não se sabe o que acontece direito, nem mesmo o que vê, mas já se anucia a ação que vingará mais breve onde as duas frentes se digladiarão: a primeira vem através de militares insatisfeitos, chefiado pelo sempre expressivo Ed Harris, pois muito deles não recebem todas as glórias que merecem, pior, alguns nem são enterrados como americanos já que estavam em missões secretas; a outra representa o governorepresentantes, oriundos dessa parte temos uma missiva composta de Nicholas Cage e "o ex-james bond" Sean Connery: o novato idealista e o velho sábio. O esquema composto por estas duas frentes representa a dicotomia indivíduo/coletivo onde Bay sempre demostra que bebeu da fonte de Sófocles: enquanto Antígona/Ed Harris defende os direitos individuais clamando justiça e do outro lado temos Creonte/Sean Connery afim de assegurar sua sobrevivência e o status quo.


O filme elimina todas as bobagens que contêm as tragédias gregas, optando por uma ação desenfreada e diálogos espertos e rápidos; uma mistura do melhor de John Woo com Quentin Tarantino, mas mantém a principal característica das tragédias gregas, ora o bom e velho banho de sangue quando o desfecho se vislumbra. Uma discussão acalorada, e por sinal, muito condizente com militares desobedientes ocasiona a vitória inesperada de um velho espião e um jovem cdf do FBI contra o melhor das forças armadas. Assim sem nenhum erro de continuidade e um roteiro bem costurado. Benjamin Bay eleva a já velha dramaturgia grega trazendo a atmosfera helênica para o pragmatismo americano, mas com certa sutileza que pouco se percebe tal relação

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O que ando lendo - Um pouco de quadrinhos

Há tempos que não falo de quadrinhos nesse espaço. Lembro de promessas não cumpridas, resenhas fracassadas, enfim, todos meus projetos de tornar este blog talvez algo que se comprometesse mais com o universo da arte sequencial.

Deixando as mágoas pessoais de lado, consegui, depois de muito esforço, escolher alguns
quadrinhos bem curiosos que ando lendo. Algo de bom gosto, na pior, pelo menos, meu gosto.

Planetary - De Warren Ellis e John Cassaday
Imagine um quadrinho onde os protagonista estão a procura da história secreta do mundo, essa busca é realizada por seres com algumas habilidades sobre-humanas e tais seres, no decorrer da saga, se deparam com situações que remetem a vários elementos da cultura pop do século vinte: de personagens de histórias pulps, teorias de física surreais até personagens bem conhecidos. Inclusive, os vilões da trama, são inspirados no Quarteto Fantástico.

Apresentados os clichês e um pouco da trama pode-se imediatamente pensar que dessa história não se tirará muita coisa, nada muito interessante. Pelo contrário, Ellis é competente no andamento da narrativa: cada elemento da grande trama é apresentando cuidadosamente, lembra um jogo de xadrez onde o embate final dos protagonistas contra os Quatros(os personagens inspirados no Quarteto que são os grandes vilões) é, num dado momento, eminente, e como tal, anucia-se como grande motor do enredo e o desfecho da obra.

Planetary foi publicado por duas editoras no Brasil: a Devir publicou dois encadernados que ainda estão em circulação e abrange os 12 primeiros números. O resto do material foi publicado pela Pixel na sua revista mensal Pixel Magazine até a número 14 da mesma revista.

DMZ - De Brian Wood e Ricardo Burchielli
A Colômbia enfrenta uma guerra civil; as Farcs e o governo vigente travam uma batalha espaço por espaço, uma batalha minuciosa pelo território colombiano e o mais importante nele: os civis que tentam levar um vida normal em meio ao caos da situação bélica.

Agora vamos aumentar esse exemplo; transportando uma guerra civil para o coração do Estados Unidos da América e a Ilha de Manhattan como uma zona desmilitarizada, palco das ações da trama. Temos de um lado os exércitos do Estados Unidos; de outro, os Exércitos Livres, uma milícia que funciona como uma idéia e não apresenta um centro passível de ser aniquilado pelo exército americano, contudo o avanço da milícia foi barrada em New Jersey. No centro desse impasse temos uma ilha de Manhattan habitada por 400.000 pessoas que ficaram depois da evacuação da ilha.

Matthew Roth, aspirante a jornalista, se depara com esse universo caótico e devido a eventos acidentais será a fonte de notícias para aqueles que ainda são americanos. O autor, inclusive, trabalha muito bem com o cotidiano das pessoas que tentam sobreviver em DMZ; um ponto forte da obra: ao mesmo tempo que somos apresentados a lugares que conhecemos(pelo menos em fotos) completamente modificados, a civilização yankee que conhecemos modificada pela guerra parecendo um terra de ninguém de fazer inveja a muitos filmes apocalípticos; ele traça a evolução do próprio protagonista durante o percurso, pois ele é obrigado a tomar decisões éticas e morais muito difíceis para sobreviver e continuar escrevendo as notícias sobre DMZ.

DMZ é publicado pela Pixel na Revista Pixel Media.

Y: The Last Man - De Brian K. Vaughan e Pia Guerra
Os seres com cromossomo Y foram exterminadas da face da Terra. Além de quase 50% da população humana estar extinta, muitos cargos e funções vitais para a sobrevivência da humanidade eram redutos quase exclusivo dos homens. Contudo, e para infelicidade de algumas mulheres, sobrou um ser do sexo masculinio: Yorick Brown. Na verdade dois, ele e seu macaco de estimação Ampersand.

Por enquanto, pelo menos o que foi publicado pela Pixel na sua pérola Pixel Media, temos Yorrick, auxiliado pela única agente mulher da Culper Ring afim de tornar possível a reabitação dos homens na Terra enquanto é perseguido pelas amazonas(sim, elas tiraram um dos seios) e também por outras radicais(que permanecem com os gêmeos intactos).

Uma conclusão, se possível.
Além do espaço de publicação comum, pelo menos aqui, esses quadrinhos compartilham um mesmo universo de referências; trabalhando com elementos da cultura pop de maneira coesa. Não só colocando referência atuais como construindo outras através desse processo. Os autores são pessoas bastante modernosas, inclusive eles tem blogs pessoais e até, pasmem, twitter. Quem sabe após dar um olhada, nem que seja via pdf ou jpeg nesses quadrinhos, quem sabe se não vai encher o saco dos autores com perguntas específicas sobre episódios particulares? Isso me lembra outra referência e uma outra história em quadrinhos, mas esta fica para outro post.

Um pouco mais, talvez?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Nosso amigo, o Azeredo

Querendo ou não, em algum momento, num blog, alguém resolve dar uns escapadelas e arriscar uns pitacos na esfera política. Não que nossos compadres eleitos mereçam nenhum destaque, pois muitas vezes suas ações repercutem em qualquer outra esfera, ora, quando fazem seu trabalho e não são muito apoiados nem por aqueles que colocaram os indivíduos no poder. Por ventura as discussões acaloradas de futebol são timidamente substituídas pela boa e velha política, sobretudo quando estamos em período eleitoral.

As eleições já acabaram, como o termíno é recente, as luzes ainda estão muito forte nas repartições públicas, assim podemos acompanhar mais de perto não só o novo político eleito, vamos mais fundo: tanto na memória, como na história. Enfim, procuramos aquele velho camarada que votamos em eleições anteriores, aqueles que ainda estão nos seus respectivos cargos.

Tenho um cara que admiro muito, lá no Senado, verdade. Seu nome é Reinado Azeredo(PSDB): gente boa, altivo, sempre preocupado em não andar com a nova corja de governantes que assola nossa terra brasilis. Enfim, acho o cara bem boa praça. Mas muita gente não gosta muito dele, na verdade por causa de duas leis dele que estão aparecendo recentemente na grande mídia.

A primeira é a famigerada substituta a PLC 89/2003: a lei que pune cibercrimes e derivados. Derivados aí se inclui fansubber e todos aqueles preocupados em disseminar a horrível pirataria, pois sei que aquele que copia o cd na sua casa é o mesmo que produz a pirataria em larga escala, ainda mais este mesmo é o vilão que é associado com o tráfico de drogas, sei porque vi tudo na propaganda da televisão. A lei sofreu umas mudanças, pena, mas ainda é a lei que muitos de nós estavam esperando, ora, eu pelo menos, assim a internet fica mais segura e sem esses pedófilos!

A segunda leva de críticas é sobre o projeto encabeçado pela conterrânea de partido de Azeredo: Marisa Serrano(PSDB), cujo esboço do projeto é do nosso amigo; o projeto pretende unificar as carterinhas escolares, em âmbito nacional, e ir além: coibir os usos das carterinhas nos feriados e fins de semanas. E essa restrição abrange também os idosos. Outra boa proposta, pois sabemos que a pirataria de carterinha acontece diante de nossos olhos, quiça os responsáveis costumam ser os mesmos que traficam drogas e falsificam programas de computador. Provavelmente deva existir muitos idosos que falsificam com este cartel do mal e assim os verdadeiros idosos, já que são aposentados, poderão desfrutar sossegados seus filmes, em dias de semana, acompanhados dos adolescentes que matam aula, pois muitas das escolas públicas tem péssimas grades curriculares.


"O que se espera é que haja uma redução do preço dos ingressos", diz o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), autor do projeto

Azeredo não deve ter pensando em nada disso, mas suas propostas de leis são realistas e simples: eliminar a maldade de dentro de certos homis.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Um texto sem refresco


Um calor absurdo atinge nossa metrópole. Uns dizem que a primavera chegou de vez e outros gostam de ressaltar o período de calor com a famosa conversa de elevador "que calor não?"; deixando os idiotas da obviedade e a retórica de lado, pensei em muitas coisas para postar neste blog no meu período de retiro espiritual forçado, em verdade, até rascunhei uns trechos sobre temas interessantes abrangendo desde música até fenomenologia aplicada ao cinema. Poderia, inclusive, colocar uns trechos desconexos com a finalidade de denotar que não fiquei sem fazer nada, mostrando assim que minha cabeça não é um deserto de idéias, mas quer saber: não vou falar nada, principalmente porque não sei como dizer e justificar as minhas frequentes escapadas e ausências. Posso ter ido para Paris, Texas...




sábado, 20 de setembro de 2008

Brothers, Casa dos Artistas, Roberto Justus

Silvio Santos é um cara esperto. Poucos não admitem isso, até eu, pra quem pensa que nós nos nutrimos de boa literatura e canal de filmes cult, gosto de zapear bastante pelos canais da televisão aberta, sobretudo quando esqueço a conta da Sky escondida em algum canto. Voltando, o nosso amigo do Sbt é um cara deveras sábio: lembro que muito antes de Big Brother 7 e tramas desenrolando por baixo das cobertas na globo. Nosso Sílvio lançou um "genérico" do grupo holandês, mas com um diferencial: nada de idiotas desconhecidos e gostosas  querendo aparecer, pelo contrário, tínhamos alí velhos conhecidos esquecidos oriundos de besteiróis da década de 80; músicos apagados, atores esquecidos, coquetes já nem tão reluzentes. O sumo de outrora, um sucesso passado agora remixado para as novas gerações e mais: seriam todos como eles realmente são, sem falsas e péssimas interpretações. Se bem me lembro até ser pressionado pela Endemol e a cia do senhor Roberto Marinho, a empreitada de nosso amigo ia muito bem, era divertido também; pois, ainda tinha o senhor de cerimônias bilhonário de outro muitas personalidades interessante, sobretudo o tal do Supla.

Nossa amigão em dos seus momentos mais descontraídos no seu programa dominical

Roberto Justus é um cara com bastante grana. Um homem letrado e já falei que tem bastante dinheiro? Percebendo a atual eclosão dos reality shows resolveu se divertir um pouco aproveitando a tendência. Mostrar os erros e mandar os outros embora da empresa era um hábito corriqueiro de nosso mecena publicitário; cara legal, contudo, nunca tolerou incompetentes, ainda mais nas suas empresas que trabalham com quantias gigantescas de dinheiro; em algum momento percebeu que poderia atuar da mesma maneira em cadeia nacional através de um programa que simulasse suas empreitadas, lógico, sem comprometer seu próprio conglomerado, então o nosso homem de madeixas brancas bem cuidades deixou-se levar pela mass media, mas quem disse que coordenar um programa sobre aprendizes era seu intento? Ele queria música nas suas veis, mostrar todo o seu lirismo, aproveitando da sua imagem na televisão, demostrar seu lirismo exacerbado através da música.

De dois homens endieirados, chegamos, através da musicalidade, em um menos milionário, contudo com a mesma verve para o estrelato: Supla. O amigo cabeludo que nos divertia apaixonado pela garota japonesa enquanto ensaiava seu triunfo nos corredores da Casa dos Artistas, nos divertinho e nós fazendo verter lágrimas modestas. Era aquele que, num futuro próximo, viria a ter seu próprio programa, quiça uma rede de televisão junto com uma agência publicitária.

Do seu álbum com uma publicidade agressiva para os reality shows até o seu próprio programa, quiça a prefeitura em pleitos futuros? o governo?

O Charada Brasileiro enfim deu seus primeiros passos rumo a seu domínio midiático: resolveu juntar as bandas com seu irmão, também de alcunha Suplicy- entretanto mais conhecido como João, e criar um entreterimento digno de final das tardes de sábado. Com o título  criativo de "Brothers" e com o apoio de exibição da Rede TV  conseguiu começar sua grande empreitada nos televisores brasileiros. Sem muita apelação, sem muita crítica social, apenas acompanhado do estilo rock and roll e pitadas de bossa nova. Com a premissa de trazer diversão e interatividade( vc pode conversar com um tal de Betty Net, via chat, nada de telefones e beijinhos pra mamãe) para solavancar o público brasileiro de sua poltrona, resta saber se será de raiva o felicidade... bem wap-bop-loola-Brothers!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Bons tempos onde nossos pais pagavam tão pouco para nossa diversão

Tempos atrás, digo algum tempo atrás, já que não sou tão novo: precisamente em meados da confusa década de 90; entre grunges, mangue beat e o bom e velho michael bay em cada esquina nos divertindo, consigo tirar da memória o pequeno valor que se pagava num cine. Alguém mais lembra?

Banda que influenciou o Nirvana e todos os cabeludos de Seattle

Lembro da lotação concorrida rumo ao Shopping Plaza Sul, afinal lotação estava na moda e era bem barata, coisas pequenas como segurança e bem estar dos passageiros eram deixados de lado em prol da efetividade; gastava-se menos tempo dentro de uma lotação comparado até o tempo de um elevador. Afinal, até a chegada do local de exibição passava-se cinco minutos e gastava R$ 1,60, como na época não existia notas de dois reais assim tudo parecia mais barato.

No cinema em si não existia lugares reservados, numerados, cinemark, multiplex, combos e milhares de salas coladas umas a outras, com sorte tinhamos duas salas com som modesto. Poltronas confortáveis eram bem mais raras. Sentava-se no chão, na frente da tela, se necessário. A pipoca era ruim e os jujubas proliferavam, os esnobes compravam Amandita( com modestos R$ 2,00) e a moça da lojinha com seu mau humor habitual.


Cinema hoje que nos brinda com três películas de arte por apenas R$ 1,00



Os poucos trailers, eram sempre feitos pelo mesmo narrador e ainda assim como conseguiram ser tão bons? O filme que num futuro próximo iria assistir por causa daquele trailer se mostraria uma porcaria que o nosso amigo Bay executaria de maneira mais promissora, mas quando a voz clamava "This summer", pena que no período não podia comprar os ingressos tão antecipados.

No final da sessão as pessoas saiam sem pressa, algumas ficavam para ver mais uma vez, quiça duas, havia tal possibilidade: você pagava menos de cinco reais,caso fosse estudante, e tinha a opção de assistir uma vez mais, se quisesse. No fim, após ver duas reprises daquele lançamento do verão, tinha ainda fôlego para encarar um lanche do grande "MC", finalizando seus gastos em menos de R$ 14 reais, lógico sendo esnobe e pagando uma Amandita para sua namorada.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Wally E - Solidão novamente no cinema

Deveria ter falado sobre Wally E há tempos, verdade. Fui na pré-estreia da animação arrastando minha pobre irmã a tiracolo. Pensei em escrever muitas vezes sobre o filme da Pixar, mas qual seria o tema para "o robozinho que cata lixo"? Consumismo? Capitalismo? Comunicação? A possibilidade de um bom tema sobre o desenho eram muitas, apesar de algumas serem muita punhetação intelectual de terceiros; deixando o filme, o mais importante, no segundo plano.

Dessa vez queria escrever quase que uma resenha atrasada. É, deixar uma informação sobre aquilo que vi e percebi no filme, apenas. Deixar as comparações e todas as intelectualidades de lado, para os post dos meus camaradas espertinhos e mais hábeis com a escrita e com o labor da palavra quase frequente. Sozinho; enfim, eu e uma película animada, apesar de início parecer difícil, pois logo me vi igual o protagonista: desmunido do contacto, mas sem saber qual era o sabor daquele contacto. Resolvi apenas continuar, independente dos resultado: lance de dados e vamos ao filme.

A solidão que denota logo no começo do filme, quando somos apresentados ao cotidiano do robô, é apenas nossa: nenhuma vez ele deixa transparecer que se sinta sozinho, solitário. Ele nem percebe sua solidão, ou semi-solidão, pois tem a presença constante de seu bichinho de estimação: uma barata, talvez a mais imortal de todas. A terra desolada, para ele, é apenas um trabalho, ainda que vejamos com falta de esperança e com certo compadecimento.

A virada no roteiro padrão seria adicionar algum elemento que desequilibrasse o status da situação, clichê e usado em inúmeros filmes de mesma qualidade: um elemento feminino em cena, aquele que dará o impulso ao nosso robozinho; antes de qualquer falação, acho surpreendente como o filme se segura por muito tempo sem nenhum diálogo. O pessoal da Pixar conseguiu acertar nessas cenas, são sensacionais: a narrativa não perde nenhuma vez a mão e temos de volta aqueles filmes mudos acompanhado do piano.

Se a solidão é sentida, até um robô percebe, ela existe. Assim o filme toma seu rumo, onde cada personagem tenta claramente fazer o que acha certo( desde o clone do HAL até o panaca do capitão da nave) e a procura do robô por sua parceira. O filme se desenvolve, ainda que o autor afirme que não é uma alegoria ao consumo, as pontadas são sentidas. Isso porque eu sou um latino-americano; não imagino como foi quando um intelctualóide americano levou seu filho no cinema, lembro de ter pego o saquinho de pipoca e colocado para reciclar.

Como em Kung Fu Panda parece que o desenho foi mais feito para o adultos que para as crianças: em verdade, houve um inversão no esquema do roteiro: antes nas animações as piadas eram destinadas aos adultos, assim poderiam se divertir um pouco. Em Wally E percebe que as piadas, são mais destinadas ao público infantil e também o aspecto de desenho com carater mais infatilizado, mesmo com as revoluções que a tecnologia digital sofreu. Restando a estrutura do roteiro mais adulta, por fim pode-se afirmar que Wally é um filme que os adultos podem levar seus filhos, com certeza as crianças podem até gostar e os pais agora, podem até dizer que gostam de desenhos, pelo menos um.


Um pouco mais?

Entrevista Na Wired

Presto: O curta antes do filme