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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Vivre sa vie

Prometem demais pra gente com esse lance todo de amor. Quando é a nossa vez, pra valer, nos decepcionamos pra vida inteira. Divórcios são só o mais comum, mesmo entre aqueles que não aprova(va)m. Trata-se de uma geração terrivelmente mal preparada para se sacrificar, para admitir que a vida não é curtição, Coca-Cola, etc e tal.

Quer dizer, na maior parte do tempo estaremos só tranquilos, depois entediados, aliás muito entediados; e se não estivermos entediados, então será um inferno e estaremos à procura de paz, porque alguém ou alguma coisa nos enche muito o saco, talvez nos atormente mesmo. É, a alternativa será essa, ou tédio, ou perturbação. Mas às vezes felicidade, pura e simples, algum sucesso, aquela sensação de triunfo, que tem de ser ocasional, e depois a morte. As vidas são assim, todas iguais, e pelo que eu sei não mata, ou quase.

Frustrar-se é inevitável, os mais sensíveis se frustram por completo, terminando amargos; e quem diz que não é frustrado, é conformista, talvez cínico, talvez conivente. “O mundo está contra nós” é papo de adolescente, mas que não colobora, isso não.

O amor é das maiores promessas jamais cumpridas. Depois vem trabalho, formando os dois eixos fundamentais da vida; realização profissional, dizem. Quer dizer, depois que você descobre que não devia se casar, porque achava que era uma coisa que não era, e inventa de ter filhos pra “preencher a vida”, volta-se pro serviço, se pode. Às vezes, antes mesmo de se casar, ou em vez de se casar. É uma tentativa válida, alguns conseguem, como sempre existe quem consiga alguma coisa, levando o resto a imaginar que também pode.


O romântico em mim diz que há uma saída, que tem a ver com os idealismos mais inconsequentes, porque desprovidos de cartão de crédito, estabilidade financeira, implicando algum tipo vago de revolução social, não socialista, mas mais puxada pra ação social, tipo aquele desejo fofinho e nem um pouco prático de “ajudar as pessoas”. Se você conseguir transformar esse slogan em algo parecido com uma vida em tempo integral, talvez seja menos frustrado e egocentricamente entediado que a maioria acima descrita. Boa sorte.

E tem que a gente só acha o mundo tão tosco por causa das pessoas nele. Isto é, não são os furacões e terremotos que nos aborrecem, ou câncer, ou crianças nascendo sem braços e outras deficiências, isso tudo a gente aceitaria muito bem. O que torna a vida eventualmente miserável são os outros, que somos nós. Por isso, a conclusão é que a maioria das pessoas está contra nós, que estamos contra as pessoas, pela razão de sempre: por nós mesmos. Yes, that same old song, chap: a tragédia do nosso egoísmo em quantos atos você queira.

Minha tendência é achar que 70% das pessoas são toscas e que as poucas pessoas legais que existem são exatamente aquelas que eu chamo de amigos, com algumas exceções, que reconheço porque sou muito razoável a ponto de saber que nem todo o mundo que presta vai gostar de mim, porque nem todo o mundo combina e então é melhor seguir cada qual o seu caminho. A tosquice das pessoas consistindo não tanto em maldade intencional, ou seja, crueldade, mas ignorância e acomodação diante do sofrimento e do mal com argumentos incrivelmente razoáveis e superficiais. Amém.

domingo, 27 de setembro de 2009

Pra coisa não esfriar

1 Descobri que todas as frases que eu escrevo são esquisitinhas, mas tudo bem, que isso é estilo. Eu, como aqueles motoristas que, obrigados pela empresa, colocam um adesivo na traseira do veículo perguntando como estão dirigindo, pergunto: como estou escrevendo? As minhas frases são esquisitinhas mesmo? Ou estou só tendo mais um surto de TOC, se é que é adequado falar em surtos, mas é o que eu sinto.

2 Aí depois eu invento um esquema e me acalmo. A frase – sim, falo como Flaubert, “na frase” – fica ok, e eu descanço até ser novamente tomado de uma desconfiança horrível até do artigo “a”, que não devia ser usado. Logo estarei como Perec, que, segundo ouvi, mergulhou tão fundo naquele experimento de escrever um romance inteiro sem usar a letra “e”, que no francês é onipresente, a ponto de começar a achar que a letra estava perseguindo-o. Sim. Mas vocês já viram a cara do Perec? Explica muita coisa.

3 Mas eu queria mesmo era me sentar e escrever algo bombástico sobre o amor. Queria escrever O Segredo do amor, O Código da Vinci do amor, A Cabana do amor, o Ninguém é de Ninguém do amor. Pessoas no metrô lendo sobre o amor segundo eu. Que contribuição. Que megalomaníaco. Mas minha, er, vida amorosa está parada desde janeiro. Isso não é bom nem ruim. Nesse meio-tempo pessoas muito próximas, que acreditavam no amor, deixaram de acreditar ou pelo menos sossegaram, e outras que não acreditavam, se não passaram a acreditar, pelo menos ficaram bem promíscuas em nome do amor. Quer dizer que todo o mundo continua tateando, literalmente ou não, nos relacionamentos. Eu vos lamento, senhores.

4 A única coisa que nos tem salvado, como sempre, é a amizade. Se em todo o resto nós somos absolutamente desastrosos, o que não chega a ser verdade, pelo menos – o que é muito – temos sido amigos. Se querem uma definição de amor honesta, é isso: amor é amizade, amizade é amor. Um amigo é a expressão do amor desinteressado e incondicional que esperamos dos relacionamentos amorosos, até agora sem sucesso, quase sempre por nossa culpa. CULPA.

5 E essa semana eu vi A Onda, um filme alemão excessivamente esquemático. É um High School Musical sobre as origens e natureza dos regimes fascistas. O problema é que é uma obra de tese. E teses são carnívoras: comprometem desde complexidade psicológica até desenvolvimento dramático. Os personagens não são pessoas, de carne e osso, mas ideias. Eles ilustram pontos. Em vez de se expressar, eles argumentam. Todas as suas palavras e atos são silogismos. Tudo se curva ao esquema. É a única forma de comunicação da tese. E é raso demais. Mas aprendi que é fácil ser Führer. Semana que vem, tento.

sábado, 19 de setembro de 2009

Cabelo crespo, cabelo ruim, cabelo pixaim

Tenho uma opinião sobre gente normal. Gente normal é ruim. Não biologicamente, como se genética e determinismo entrassem na história. A princípio eu ia dizer que era uma escolha. Que era moral. Mas seria supor que as pessoas andam pensando mais do que realmente pensam. Que ingênuo.

Aí eu comprei um sorvete e, enquanto tomava, vi que normalidade tem a ver com higiene. Porque o sorvete escorria todo pelo meu braço, que eu era obrigado a lamper desde o cotovelo.

Daí que ser normal é uma questão de limpeza. Você precisa estar limpo. Sem meleca nem mistura. E sujar-se é muito fácil. Envolver-se suja. Trocas em geral. Mesmo de ideias, que podem subverter convicções antigas. Imagine de emoções, que talvez te inutilizem pra sempre.

E gente limpinha é só gente esquisita disfarçando. Porque gente normal é absolutamente limpa. Pura. Por isso é que é ruim. Bondade suja. Bondade despenteia. Tanta coisa nessa vida despenteia. Beethoven despenteia. E muito. Mas bondade mais. Porque bondade tem a ver com curvar-se e deixar a nuca à mostra. Gente normal anda ereta. E nunca corre. Correr é indigno. Fosse possível, gente normal nem comeria. Quem come é obviamente inferior a quem não come. E quem está de pé, a quem está sentado. Gente normal prefere ficar sentada.


E você precisar ter certeza. Dúvidas são como manchas no cérebro. Corre-se o risco de se aprofundar alguma coisa. Aprofundar-se é como enfiar a mão no ralo do banheiro pra tirar tufos de cabelo acumulados ao longo de semanas e procedentes de várias partes do corpo humano. Gente normal já é aos 20 o que vai ser pelo resto da vida. Gente normal fica pronta rápido. É muito prático ser normal.

E gente normal não incomoda. Não incomoda porque não se importa. Importar-se é anti-higiênico. Ser normal é não pôr a mão. O problema em gente esquisita é que elas vivem colocando a mão em tudo, inclusive onde não se deve. Pensar muito, por exemplo. É como pegar em corrimão de metrô e depois colocar a mão na boca. Nojo.

Gripe suína não se espalha em ambiente cheio de gente normal. Quem transmite doença é gente esquisita. Claro. Gente esquisita não lava as mãos depois de ir ao banheiro. Anda com as unhas pretas. E despenteada. Por mais limpa que possa estar, gente esquisita sempre está despenteada. Tem a ver com a gravidade. A natureza querendo jogar gente esquisita pra fora do planeta Terra. A natureza é bem normal.

Por tudo isso é que o meu filho vai ser normal. E de proveta. Ou clonado. Senão, suja.

domingo, 13 de setembro de 2009

On love for men

A maioria das pessoas inteligentes que eu li não acredita no amor. E a maioria das pessoas inteligentes que eu conheço finge que não acredita no amor. Essa disparidade pode ser facilmente explicada. Escrever é um modo de antecipar a morte. Quem tem um pingo de senso só escreve algo que imagina que não fará as pessoas rirem do defunto na posteridade. As pessoas inteligentes escrevem então para serem lidas depois de mortas. É um padrão de qualidade. Mórbido. Mas eficiente.

“Pois é, o amor não existe, e agora estou morto, etc, etc, fim.”

Quando estão mortas, as pessoas inteligentes se sentem livres para admitir que aquilo que era a maior promessa de felicidade de suas vidas não existia. Podem admiti-lo sem se sentirem humilhadas por serem tão burras. Estão mortas.

Você só será feliz se encontrar a garota certa. A garota certa é a promessa do amor em sua vida. E o amor, por sua vez, é a maior promessa de felicidade de sua vida.

Todo o mundo vive dizendo que não acredita no amor verdadeiro. Mas nem 10% das pessoas se perguntam o que é o amor verdadeiro. Isso porque mais de 90% das pessoas não são nem um pouco filosóficas. Não que a vida ficasse melhor ou mais fácil se as pessoas decidissem se perguntar pelo significado das coisas. As coisas no máximo demorariam mais pra acontecer. As pessoas levariam quinze minutos para cometer cagadas que normalmente aconteceriam em cinco.

Mulher bonita.

Mulher bonita é o aceno do diabo de auto medieval quando você só está de passagem. Todo pimpão por ser um jovem solteiro com a vida toda pela frente. A vida cheia de promessas é como uma flor que você leva ao nariz para sentir seu perfume numa manhã quente de janeiro. E depois um hálito gelado que sussurra muito perto da sua jugular sugere que você está deixando a vida passar. E você se perturba intimamente com o fantasma do carpe diem negligenciado. Burrão.

Mulher bonita é o depósito de ideal de todo homem pra manter a sanidade e não ceder ao cinismo debilitante da época. Ele pode desperdiçar seus dias num emprego que subestima sua inteligência e ignora seus valores e anseios mais básicos. Ele pode vender sua alma a cada sorriso forçado e aperto de mão contrariado. Ele pode – na verdade, se permite – isso e muito mais. Tudo porque no final ele será redimido pelo amor. Essa é a sua crença. Consciente ou não. E certamente brega. É ela que explica sua vidinha, ele ter uma vidinha. O que há de melhor nele é adiado pela expectativa permanente do amor que só uma mulher bonita pode realizar.

Feminilidade é ideologia. Doçura também.

Você só será feliz se encontrar a garota certa. A garota certa é a promessa do amor em sua vida. E o amor, por sua vez, é a maior promessa de felicidade de sua vida. (2)

A garota certa é bonita. A garota certa não é bonita porque você é fútil. A garota certa é bonita porque você não tem tempo nem paciência pra descobrir que a verdadeira beleza é interior. Como você é homem, e homens são muito práticos, você é muito prático e quer o pacote completo. A garota certa poderia até ser feia se não houvesse a mínima chance de a garota certa ser bonita. A mínima chance de a garota certa ser bonita faz a garota certa ser bonita.

Culpa.

Você se sente culpado porque a garota certa é bonita. O fato de a garota certa ser bonita e de você não querer parecer fútil pelo fato de a garota certa ser bonita faz com que você se torne excepcionalmente eloquente e articulado ao romantizar o fato muito simples de que a garota certa é bonita. Então você não diz que esta ou aquela garota é certa porque é bonita. Mas porque ela lembra uma atriz numa cena de um filme qualquer. A garota supostamente certa lembrar uma atriz numa cena de um filme qualquer é o máximo de romantismo num homem.

Romantismo macho.

Quando vou ao cinema ou quando fico em casa lendo um livro, só estou interessado em saber se o herói e a mocinha vão ficar juntos. É o que prende a minha atenção em qualquer história. Não importa o gênero. Não importa se é Henry James ou uma comédia romântica com Zooey Deschanel. Outro dia mesmo eu estava lendo Os espólios de Poynton, um Henry James da fase tardia, ou seja, uma coisa bem abstratamente esquisitinha, que eu não queria parar de ler até descobrir se Flora Vetch, a protagonista, ia ficar com Owen Gereth, filho de Miss Gereth.

O problema é que qualquer porcaria acaba me convencendo se tiver um cara e uma garota que não se sabe se vão acabar juntos. Lois & Clark – As novas aventuras do Super-Homem, por exemplo.

Estudo de caso - Lois & Clark – As novas aventuras do Super-Homem.

Outro dia eu estava assistindo Lois & Clark – As novas aventuras do Super-Homem quando comecei a me perguntar o que aconteceria se Clark Kent casasse com Lois Lane e nunca revelasse sua identidade secreta de Super-Homem. O que aconteceria quando o casamento começasse a se desgastar, o que levaria menos de três anos, porque Lois é o tipo de mulher que manda no marido e se irrita por ele obedecer e Clark é o tipo de cara que obedece se perguntando onde é que estava com a cabeça ao se casar com aquela megera. Lois continuaria se metendo em confusões e precisando ser salva pelo Super-Homem. E o Super-Homem continuaria salvando Lois.

É muito fácil salvar alguém por quem você está apaixonado. Estar apaixonado é inclusive a maior razão pra você querer salvar a vida de alguém. Mesmo que isso custe a sua própria vida ou a destruição do planeta Terra. E esta é justamente a questão. Quantas vezes o Super-Homem teve que escolher entre salvar o planeta Terra ou salvar Lois Lane? Muitas. E em todas elas ele conseguia fazer as duas coisas. E conseguia porque fazia um esforço danado nesse sentido. Só alguém muito apaixonado tem energia pra fazer esse tipo de esforço.

Lois Lane testemunha contra misoginia de comediante.

Imaginemos então que no mesmo dia em que o planeta Terra e Lois Lane novamente corriam perigo, Clark Kent saiu de casa pra salvar o mundo depois de uma discussão incrivelmente longa e sem sentido sobre a tampa do vaso aberta. E então ele se acha no impasse de sempre entre salvar toda a humanidade ou a garota. Só que a garota não é mais aquela que ocupava seus sonhos de adolescente babão. Com o frescor e o fascíncio que só a distância proporciona a uma pessoa. Ela se transformou na mulher que todas as manhãs o recebe na cozinha com uma carranca e a pele em torno dos lábios avermelhada porque acabou de depilar o buço. Porque essa garota tem um bigodinho. (O machismo inutilizou o homem para o bigodinho. Homens simplesmente não conseguem lidar com essa realidade. Claro que o bigodinho é só uma metáfora para as representações sexistas de gênero.)

Lois Lane está presa em uma fábrica de pregos em Metrópolis que vai explodir em menos de dois minutos. Super-Homem está tentando deter quatorze mísseis nucleares que acabaram de ser lançados para diferentes pontos da Terra. Ele pensa no bigodinho. Super-Homem está na Sibéria. Faltam três mísseis. Bigodinho. Super-Homem voa para deter o último dos mísseis. Bigodinho. O míssil está a menos de um quilômetro da superfície da Terra. Bigodinho. Ele segura o míssil com seus superbraços. Bigodinho. Bigodinho. Bigodinho.

Conclusão.

Muitas vezes a grandeza de um homem se resume a saber se ele é capaz de passar por cima de um bigodinho e amar a garota. Mas o problema é que nesse caso o bigodinho é como a manifestação física do gênio horrível da mulher com quem eu nunca devia ter me casado. Você vai me perguntar se não bastava o divórcio. Se era realmente necessário deixá-la morrer na explosão de uma fábrica de pregos. Mas o fato é que eu não disse que Super-Homem escolheu salvar o planeta Terra.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Fantástico mundo novo tem menos de 140 caracteres

A internet é um lugar incrível. Qualquer idiota com algum senso de perseverança pode, de um dia para outro, sair da sua mediocridade pessoal e expandir sua esfera pessoal além dos limites nunca dantes imaginados. Sabemos que, no início, tudo era bom, até Deus nos ensina isso: "Não coma daquela árvore, malandrão". A internet no seu começo era um lugar pacato e tranquilho cheio de frames e gifs mal recortados, tórrida inocência perdida e espurgada; onde cada site mal estruturado com um efeito malandrinho de html poderia nos assustar com seu dinamismo e cores vindas diretas da década de 80. Aqui uso o epíteto velho da nossa querida humanidade: mas o que é bom sempre pode piorar.


Isso era social media

Mircs, web pages pessoais, e-mail, icq, odigo para os mais nerds: não existia nenhum conceito por trás dessas coisas. Minto, existia uns malucos idealistas que pré-diziam toda a massaroca que seria os nossos tempos modernos, mas ninguém além daqueles circuitos acadêmicos estranhos dava oportunidade de fala aos coitados. Voltando, todo aquela parafernália digital existia como perfumaria para a real função da internet: trocar informações e facilitar ações colaborativas. Se avião era meio de transporte, virou arma precisa nas guerras; a energia atômica salvaria o mundo e não apenas ajudaria caras gordos e crianças pequenas a terem exito. Daí regurgito: por que logo a internet seria diferente?

Um revolução digital, sim senhor!


Que tal um sorvete social?

Desde então, meus caros, a internet virou um negócio, legal, cool, moderno. Antes remota e cheia de reclusos com abundância de acnes; agora moderna, antenada(posso twittar do meu celular, cara!). Tão radical quanto Nescau ela cresceu e ganhou várias teorias de caras descolados e jovens que diziam saber tudo sobre ela, caras que dispensavam todos aqueles velhos, mesmo aqueles que falavam dela há muito tempo. Surgiram muito nomes, designações, alcunhas e muitos outros temas vindos dos cientistas de mídias sociais, é, esse é o nome: mídias sociais. Diferente da visão orwelliana das faculdades de jornalismos e mais próxima das veredas pollianas dos cursos de publicidade, a cibercultura tingidas pelas cores dos nossos amigos publicitários, que bonitinho...

Blogs, videos e podcast inundaram a internet; o padeiro da minha rua tem um twitter(alguma coisa com pãozionhosquentesopa!), cheguei a conhecer mendigos com blog(será que ele sobrevivia de adsense?). A dança do quadrado está aí ao mesmo tempo que a saudosa Stephany com seu possante envenenado. Mas cá entre nós, cheguem mais perto, e a parte boa da internet: cadê a rede de convergência de idéias, conteúdo colaborativo, ações sociais? A tal da inteligência coletiva que as vezes surge como relâmpago no meio da tempestade? O ponto é justamente esse, perca tempo: os nossos amigos da social media, nós dizem para nós mantermos antenados onde surge uma mídia social nova a cada segundo... gostaria de saber cadê aquele negócio bonito que não era toda essa perfumaria e somente ela?

Alguém lá no fundo grita: "A Wiki! A Wiki!" Tá... mas e as outras coisas... e alguns me enumeram um monte de coisa, entretanto esse monte quem sabe é aqueles ratos de internet que postam viciadamente até pelo seu ipod(estou falando com vc). Meu tio não sabe procurar no google, não usa rss e nunca ouviu falar de torrent. Caímos em outro controle e mal uso onde aquele vilão não é só o conglomerado do Tio Disney, nem a Rede Globo, mas seu vizinho, seu colega de faculdade que tem 100 seguidores no twitter; quem sabe, dá uma olhada no espelho., não está se sentindo um tanto maquiavélico hoje?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Rsrsrsrsrs

O fim politicamente correto da opressão depende do começo da opressão politicamente correta. Acusar o humor como refúgio de racistas e fascistas é um exemplo. Perco a libertação que os politicamente corretos buscam, mas não perco a piada. Mas isto não é um manifesto.

O que aborrece nas almas sensíveis responsáveis pela instituição do politicamente correto como conduta crítica, e não como moralismo rasteiro – o que ele de fato é –, é, no mínimo, a falta de educação. É ser presunçoso da maneira mais grosseira possível. A certeza arrogante de sua própria justiça faz cada palavra sair de sua boca no familiar tom da ameaça. Você se faz juiz do seu irmão. Primeiro sobe num banquinho e do alto da sua superioridade moral recém-adquirida clama contra o fascismo e a discriminação nas entrelinhas de recados em porta de geladeira. Ô, ele está alimentado o ódio e o preconceito contra as minorias fazendo esse tipo de piada, temos que pará-lo, temos que denunciá-lo. Vem cá, nunca ouviu falar em: o sujo falando do mal-lavado?


Me deixa ser profético agora. Ser justo aos próprios olhos acaba sendo o único pecado que cristão e não cristão cometem que vai levá-los para o inferno, se não se corrigirem. Com toda a certeza. E o humor, que é justamente o remédio contra esse tipo de postura obtusa, é o que mais tem sido vigiado e atacado por essa gente justa.

A beatitude do humor se assenta em suas intenções. Quem faz uma piada não quer convencer ninguém da superioridade ariana e/ou masculina. A piada de loira não é um panfleto incitando as mulheres a saírem e afogarem oxigenadas, como no fundo e de fato elas querem fazer. Nem contar piada de português significa que você não vai deixar o Manoel operar o cérebro do seu unigênito. Aliás, se dermos ouvido a esse tipo de correção extrema – promovida pela hipersensibilidade moral dos politicamente corretos –, olhar de cima pra baixo racistas merece a guilhotina, já que contraria o postulado da igualdade entre os homens. E maldizer o indivíduo que preenche todos os requisitos do esteriótipo da loira burra vulgar que rouba namorado é preconceito.

O que estou dizendo é que todos estão condenados. Inclusive você. Inclusive eu. Então, seja mais humilde. E não um fascista ao contrário. Porque estão simplesmente inventando um fascismo arco-íris multiculturalista para combater o fascismo old school. É a mesma imposição que suprime, com simplismo desumano, o longo e difícil processo de aprender a viver e conviver, substituído pela força da lei.

O humor serve pra gente dizer o que não pode dizer. Num lance só, você confessa o pecado e se salva da hipocrisia. Porque, sob a chave do ridículo, as coisas se veem libertas de seu poder de dominação. O humor recontextualiza o mal e assim o neutraliza. Sua função é exorcizar. É uma verdade tão velha que é constrangedor ter que repeti-la. É hermenêutica básica, que estão jogando no lixo. Feminista acusando comediante é tão fascista como quem ri da piada porque é “assim mesmo que preto faz”. Porque ambos estão levando a piada a sério – que seria uma boa definição de fascismo: a piada levada a sério.


Rir não é o problema, e muito menos a piada. O problema é por que se ri. Eis a ambiguidade do humor. Que é a ambiguidade da arte. É perigosa porque a inteligência é perigosa. Esse perigo consiste em deixar que as pessoas tirem suas próprias conclusões, em não tomá-las pela mão com condescendência paternalista ou, se não funcionar, à força mesmo, para que pensem da maneira correta.

A piada não é inimiga. A piada é na verdade o diagnóstico de que as coisas não vão bem. Ela ridiculariza o opressor, e não o oprimido. Porque humor não é desculpa pra ser cretino sem censura. É, ao contrário, autorreconhecimento. A essência da ironia. Um instantâneo do ridículo, e do ridículo da nossa mediocridade. Quem faz a piada se inclui no problema na medida em que expõe o mal, e não o pratica. O piadista não se coloca acima, mas no lugar do opressor. Essa é a humildade do humor.

Estão querendo transformar falta de senso de humor em esclarecimento. Nunca pensei que ficaria do lado dos nazistas. Mas chegou a hora. Hoje vou sair e bater nuns pretos. E comprar minha Playboy.

domingo, 23 de agosto de 2009

Meu amigos e eu conversando sobre arte – tipo um poema modernista

Ih, indie.


I.

Fui lá na exposição do Degas.
Ôôô. E aí?
Degas, meu. Sensorial.
Cezanne.
Cezanne.
E aquele tecido lá da saia da escultura?
Pô, tecido de bailarina. De roupa mesmo.
Sacada do cara.
Pffff.

II.

Saca os pré-rafaelitas?
É, tipo vi uma vez numa aula de História da Arte na FAU.
É muita informação mesmo.
Matisse.
Puuuuuuutz, Matisse. Toca aqui.

III.

E Kandinsky.
Bauhaus, é.
Tem Dalí.
Velásquez.
Muita renascença.

IV.

Meu preferido é Van Gogh. Aquele fogo todo, tipo um fogo mesmo.
A pincelada que queima, né?
Éééé, toda uma mistura. A representação mesmo.
Arte é mesmo o que vem de dentro.

V.

Sabe do que eu gosto? De abstracionismo.
Meu, Pollock!
Pollock!
Tem aquele filme com aquele carequinha.
Issssssso.
O carequinha, como é que o nome dele?

Pô, Matisse.

Dá até uma fome.

Nota: a ausência de palavrões é puramente ficcional.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Preenchendo o perfil

Percebi que eu não dou a mínima. Assim, absolutamente, em geral. A totalidade da indiferença ou indiferença à totalidade. Radicalismos assim pedem explicação. Bom. Estava lendo uns blogs; é sempre assim, a pessoa está bem, mas de repente entra em crise porque foi à academia, ou porque estava lendo uns blogs, ou porque tomou um sorvete de casquinha. Bom, lendo uns blogs, notei como as pessoas se interessam pelas coisas. Poxa, as pessoas se interessam mesmo, e muito, pelas coisas. Escrevem posts enormes sobre notas de escândalos com parlamentares. Linkam matérias de revistas científicas norte-americanas sobre como os gays estão tentando dominar o mundo (verdade). Analisam, em profundidade, cretinices em textos postados por outros blogueiros. Divulgam bandas obscuras, com faixa a faixa de toda a discografia, que você nem podia imaginar que já vem desde a década de 1970. Enfim, é “de uma grande efervescência cultural essa blogosfera”, pra arremedar estilo novela das oito.

Mas eu não dou a mínima. Não tenho vontade nem de escrever sobre filmes, que eu vejo só por prazer. Sem profissionalismo nem disposição maníaca. Escrever sobre filmes me dá um bode terrível justamente porque milhões de pessoas estão fazendo isso com muito mais vontade e instinto assassino. Se empenhando mesmo em analisar e fundamentar suas impressões sobre um filme. Ou seja, fazendo a coisa com aquela seriedade que te faz levantar da mesa e dizer que está ficando tarde.

Na faculdade o pessoal está aprendendo justamente isso, né? Esse instinto assassino que também chamam de paixão pela vida, mas que eu no fundo só acho uma obrigação autoimposta de ser intrometido porque disseram que isso é sinal de inteligência. E porque disso depende seu emprego. Daí o sujeito ler muito pouco, e com mínima retenção de conteúdo, mas ter um milhão de referências, como verbetes que ele saca numa conversa, só por uma muito contemporânea compulsão por citar. Você quer conversar com um ser humano, mas ele só tem nomes, e não ideias próprias, coisas que geralmente não têm muito glamour, porque ainda não foram devidamente lapidadas. Ou seja, não são bonitas de se dizer. É preferível dizer alguma platitude pomposa disponível no Wikipedia.

A ideia é que você lê Dostoievski e assiste filmes do Bergman porque assim que entrou na faculdade descobriu que é isso que pessoas do seu curso fazem. Você está preenchendo lacunas de seu perfil. Você está preenchendo um perfil. Nossa. No fundo, gosta de literatura beat, que é o mesmo que não gostar de literatura, e de filmes como Magnolia. Filmes sensíveis assim. Assuma-se então. A verdade é que fomos criados diante da televisão, certo? Isso faz de toda esta geração uma farsa no que diz respeito à arte. Mas isso é justificar, o que eu não quero. Vou pular isso então.

Camarada Moderado, Rogério L. e Paulo Nishihara com umas meninas esquisitas do tempo do colégio.

Gente como a gente não deveria fazer faculdade. Deveria vender coco na praia, entardecer de calção, essas coisas que não forçam muito e que constituem a vida boa. Certas vocações não se expressam em carreiras profissionais. Mas disseram que a gente tem que ser diplomado. Então...

Mas naturalmente são os blogs bons, com ideias e pensamento autônomo, bem escritos e divertidos que me fazem me sentir mal por ser tão desinteressado. Inclusive as pessoas interessantes têm mais interesse que eu. Uma pista? A maioria é católica. Precisa então defender o papa. O nível geral de estupidez do mundo se mede pela quantidade de ataques ao papa, ou mesmo pelo fato de atacarem o papa. É o common sense da intelectualidade: pra ser intelectual, você tem que “apreciar” Godard (até você sabe que Godard no máximo se aprecia; Godard e umas tantas outras coisas foram feitas não para serem amadas, mas apreciadas) e ser contra o papa. Ser contra o papa é o tipo de ideia tão idiota que mesmo a forma de enunciá-la te constrange a não o fazer. Afinal, o que é que você é? Baygon? Contra moscas e baratas. Bom lembrar que gente como a Madonna protesta contra o papa. De que vale ter um QI de 150 quando você o usa como a Madonna? Protestar contra o papa, pff.

Mas essa é a minha tese. Ter de estar contra um mundo contra o papa e de certo modo defendê-lo de seus terríveis detratores (estou pensando na Madonna; quantos jovens católicos apostataram por causa dela? Certamente toda uma geração.) é que torna as pessoas interessadas. Mas eu não sou católico nem a favor do papa. Tem gente que é a favor do papa, que é tão idiota quanto... Nesse nível de reflexão e inteligência, o melhor é ser o papa. Ele tem curso superior e fala várias línguas.

E os não católicos? Os protestantes sem medo no coração, como eu, e os designers, e as cheerleaders que leem Gatsby às escondidas no quarto depois da meia-noite, e as menininhas mordazes em geral que vão se casar com um cara bem goiaba, com cara de pochette e cérebro de pudim? E gente que ouve Rossini da única maneira que dá pra ouvir Rossini – sorrindo? Estes não terão interesses nem a segurança de se enquadrarem, ao mesmo tempo sem serem desajustados, com o privilégio boboca de ser um desajustado, de ser incompreendido, snif, snif.

A coisa mais legal em designers, pelo menos os que eu conheço na base da idealização, é não terem o compromisso de ser intelectualizados. São como eu, querem entreter. Um dia você desencanta, disse a tia Judite. Nem quero, tia.

Nham, será que ele tem mesmo uma tia chamada Judite?

sábado, 18 de julho de 2009

HEART-SHAPED BOX

Seria eu também um indivíduo profundo tentando pronunciar nos intervalos do inteligível o inefável que mal se pode sustentar, como quem tenta apanhar estrelas com uma rede? Teria eu mãos delicadas ao escrever, capazes de dedilhar as saliências fugidias da coberta da alma? Ó, amigos, procedo eu do mesmo Espírito cuja fecundidade infinita torna cada gota pesada demais de sentido, sempre prestes a se espatifar no fundo onde nos confinamos?

Não, é claro que não.

Porque é isto que descobri, ainda ontem e quase todo o dia, que: apesar de sofisticado, fino e educado, muito ético mesmo, com espiritualidade ok (que quer dizer espiritualidade a caminho, com os cinco solas e tudo), ouvindo Rachmaninov e me emocionando, eu não sou profundo. O indivíduo profundo é emocionalmente complexo demais pra mim.

Enquanto eu acho bebês fofinhos, mulher bonita e tenho dó de criança na rua, o indivíduo profundo sofre: sofre porque os bebês não são suficientemente amados, porque as mulheres são cidadãos de segunda classe, porque as crianças, de rua ou não, se tornarão adultos cínicos e materialistas, mas também – e principalmente – porque a miséria é como agulhas penetrando em seu coração sangrento e o afeto é senão uma ilusão que se alimenta do clarão evanescente da alma torturada do poeta sufocado dentro de mim.

A selva de desesperança que é a minha alma.

Ter uma alma torturada e sofrer apaixonadamente sua inadequação no mundo têm nome: chama-se adolescência. Evocar a adolescência é quase como apelar a um absoluto capaz de encerrar a discussão na hora; as pessoas dizem “ah, sim, é por causa da adolescência”. Pois na minha época esse negócio de adolescência não existia, nós usávamos sapatos com solado de madeira, as meninas casavam aos quatorze anos e poligamia era incentivada.

A profundidade é como a torneira da pia da cozinha pingando sobre três pratos amontoados um sobre o outro num equilíbrio perfeitamente instável, tec, tec, tec, a noite inteira, e você com preguiça de levantar no frio e ter que pisar no chão gelado só pra apertar bem a porcaria que deixaram mal rosqueada. O indivíduo profundo está condenado a vagar pelo mundo com um coração vasto demais e por isso deixando por aí uma melequinha como se fosse um caramujo. Isso porque o eu profundo não é nada higiênico; não pode colocar a mão e depois coçar o olho, porque se corre o risco de perder as vistas.

O sentimento profundo de não querer ser um clichê gigantesco tatua na testa das pessoas como elas são tão oblíquas ao sentir e pensar que perguntar pra elas onde é que fica uma rua pode te conduzir à viagem trascendental aos subitamente não fictícios nove círculos do Inferno, mas sem Virgílio com pinta de Classic Hollywood actor by Gustave Doré.

Mas você realmente sabe que é profundo quando para de falar de pessoas com nomes de verdade e endereço físico e se pega falando do SER HUMANO.

O SER HUMANO SOFRE é também arte.

Ler Crepúsculo aos 16, 17 anos é gracinha em meninas, acho que porque eu sou muito condescendente com as menininhas, que me lembram a filha que eu nunca tive. Mas ser emo é como transformar a profundidade num desses chaveirinhos que a molecada carrega na mochila com a foto do Bush ou da suástica cortada no meio, porque a molecada é contra o imperialismo militarista e o nazismo. Por isso, a gente que é cínico e materialista, com a boca cheia de Coca e pipoca com manteiga de golfinho do Cinemark, a gente tem que cuidar da molecada, tão perdida nesse mundo e dentro de si. Amém.

E não percam o próximo post, no qual falarei sobre crianças de colo forçadas a usar dreads.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Twitterianas

http://twitter.com/rainnwilson Rainn Wilson com twitter me fez pensar no assunto.

Tchau, blog imundo; adeus, mundo cruel.

Agora, eu twitto onde deveria blogar e blogo onde deveria twittar. E fica tudo pela metade.

Ele acordou e se viu transformado num blogueiro gigantesco. Tentou blogar e percebeu que estava analisando filmes. Era horrível.

A gente tá na moda. E a moda é felicidade. Uma amiga minha disse que tá todo mundo falando de felicidade. Sei não.

Escrever sobre felicidade. Mas minha ideia de felicidade é muito simples e prática. Feliz é quem faz dancinha. Vide os clipes da Feist. Ó: http://www.youtube.com/watch?v=xvOOegxKIoI

Prometo um post-dancinha quando puder.

A forma mais autêntica de felicidade é a dancinha. Só é realmente feliz quem faz dancinha.

Tem também amizade. Pra mim, felicidade é amizade.

Resolvi então escrever sobre amizade.

Os filmes de Judd Apatow provam que amizade é um tema atual.

http://www.youtube.com/watch?v=kRLf04gH7mc Eu te Amo, Cara é outro exemplo. Paul Rudd do bem. E Rashida Jones é amorzinho. Passou batido pelos cinemas daqui. Falta de amor no coração das pessoas.

Não me olha assim. Tô blogando, não tô?

Me preocupa que tudo o que traz uma mensagem o faça a custo da própria dignidade. Inspirar pessoas acaba implicando o sacrifício da inteligência.

Revi Beleza Americana, e aquilo é uma droga. Quando moleque, adorava. Ganhou cinco Oscar e é como um Use Filtro Solar incrivelmente longo, com o Pedro Bial e tudo.

A vida sem amigos é impensável. Li isso em Cícero ou no papel de uma bala de hortelã.

Amigos são melhores que namoradas. (O preço de ser honesto é que a gente acaba, sem querer, admitindo que é gay.)

Namoradas deveriam ser amigos que a gente pode beijar.

Não tem problema algum em ser gay.

O amor é uma coisa ruim porque obviamente não pode ser uma coisa boa.

Amizade é ter alguém a quem contar sem medo no coração que a gente gosta de Los Hermanos.

Não conta pra ninguém que eu gosto de Los Hermanos. Mesmo porque eu nem gosto.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Мы любим умеренного

Мы не пойдем к театру кино были очень точным блогом, до приезжать вмеру камрада, и его ужасными текстами. Он всасывает очень неудачу как сочинитель, и его тексты и слова всегда плох написаны и нужданы любом виде фокуса или ценных и толковейших идей. дебил A.S., и его друзья все пук тупоумных болванов претендованных для того чтобы быть частью интеллектуальной элиты, и тягостно нуждаться любом виде юмористики. Я и фундаменталист очень защитны умеренного, даже если он don' t заслужил его. Мы слова никогда не отвечаем когда он атакует нас, снимать ужасные и плох написанные и предложения на нас, мы препятствовали ему положить в тексты и фото блога которые был бы более соответствующи если сделал некоторым студентом 4 рангов, и не мальчик коллежа 25 лет стары. унылый, очень унылый, что мы должны препятствовать эт несправедливостям пойти прочь, и делает что-нибыдь против их. Но что-то правосудие звонока божественное. Рай упаденных сломленного и. Мы точные мальчики. Да, мы. Но, вы знаете, всегда присутствующий и безошибочный нюх несправедливости принимает управление наших инстинктов, и водить нам к действиям которые, в любом случае, представляют наши очень существования собственной личности. Мы стали мусорными баками, мы спускаем к thiefs и убийцам, мы бросаем вызов людские конвенции и сделанными ими стали наши. Оно что как оно случается.


Фото израильской актрисы!

Но, препятствуйте нам себя не протухшим. Влюбленность он совсем вокруг нас. Препятствует для того чтобы простить умеренному, и его действиям. Он ребенок на сердце. Тупоумный, эгоцентричный, низкоуровневый ребенок функции, но, под конец, всегда ребенок. Стали сумашедшими на ем середины спустить к его уровню. И, как взрослые, мы не можем сделать то. Он очень просто. Мы претендуем что он не существует. Что он изобрело волшебниками, некоторым видом дешевой выходки сыгранным при наши разумы, очень суть человеческой природы. к головоломка, несомненно. Но это разрешенное навсегда, по мере того как мы можем относиться.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Y The Last Man e todas outras coisas

Brian K. Vaughan é um gênio. Não daqueles gênios com alta inteligência estressadinhos com direito a cabelo dessarumado. Muito menos aqueles superprodutivos que atuam em áreas diversas e parecem não dormir ou comer. Afirmo sua genealidade, pura e simplesmetente, graças a uma história escrita pelo autor: Y The Last Man. Minha argumentação baseia-se apenas num roteiro que ele escreveu durante 60 edições para linha Vertigo da DC Comics.

comentei brevemente o trabalho desse sujeito nesse blog. Naquela época não esperava que a história me surpreendesse tanto, sabia do bom argumento, da boa condução da narrativa. Logo na primeira edição ele nos mostra que domina muito bem uma condução da narrativa: apresentando primeiramente o fato maior, que todos os homens morreram, para depois apresentar os personagens principais momento antes do incidente e, em contagem regressiva, até o momento que todos os homens começam a morrer e apenas Yorrick Brown parece sobreviver, completamente ileso.

Ele trabalha muito bem também com conceito de mídia associativa e mídia convergentes. Esses novos autores de quadrinhos são carcterizados por esse estilo: conta uma história ao mesmo tempo que nós mostra vários outros materias relacionados; histórias ocultas, cultura pop; etc.

Mas ele amarra a história através das histórias pessoais daqueles personagens apresentados e não por fatores externos ou acessórios da trama. Todos os personagens principais são nos apresentados por algum trecho ou vários das suas respectivas infâncias. Esses flashbacks nunca são gratuitos, alías, são sempre elementos que nos fazem entender melhor as motivações daquelas pessoas e comprender melhor o porquê daquela atitude naquele momento.

No final das contas, a grande trama: o porquê morreram tantos homens, parece algo tão pequeno comparado a história daquelas pessoas numa situação caótica. A morte de quase todos os homens só serve para pano de fundo para contar uma história fantástica e bem amarrada sobre relacionamentos e fugas.

domingo, 26 de abril de 2009

Pornografia e Erotismo: um adendo

Perguntaram-me uma vez se sabia a diferença entre essas duas modalidades; sim, era um conversa de bar.


“Bem...”


A conversa durou duas horas: da explicação minha veio a argumentação dos outros, logo da argumentação passamos para uma calorosa discussão e, por fim, uma confusão local. Aqui como a réplica vem através de comentários e ninguém vai ficar gritando comigo “offlinemente”, assim explanarei algumas teorias sobre o assunto.


1)Quando temos o predomínio de planos super-close e detalhe estamos falando de uma produção do ramo do entretenimento do sexo, caso seja o oposto; as pessoas demoram para tirar a roupa, nem isso, muitas vezes transam com as roupas do corpo, aí passamos levemente para o imagético erótico. Considerando que meias, sapatos saltos agulha e adornos de ouro nunca foram roupas e se aparecerem invalida completamente o viés erótico. Exceção para filmes de malandro e rappers, nessas particularidades valem os adornos de ouro.


2) Entregadores de pizzas, encanadores, bombeiros, enfermeiras, aeromoças e colegias não costumam ter uma vida louca cheias de tramas sexuais, muito menos costumam, todas eles, serem adeptos do sexo casual relâmpago com desconhecidas(os) esquecendo assim que deveriam estar trabalhando ou quem sabe fazendo a lição de Estudo Sociais. Caso aparece em abundância tais elementos. voltamos ao universo da pornografia.


3)Se existe algo no mínimo parecido com um enredo,um roteiro onde os personagens movam alguma trama em busca de superação/eliminação de um problema. Se caso aja um mínimo desenrolar de uma trama que não pareça burlesca demais até para a média de filmes B de terror, então parece-me um filme erótico


O Mestre: animando os cinemas do centrão


4) Trilhas incidentais dificilmente são colocadas nos momentos íntimos das personagens, caso ocorra, será algo condizente com a trama e não um clone bêbado do Kennie G com dor de barriga a tocar o saxofone da trilha inteira.


5)As protagonistas costumam ter motivações. E as vezes aparecem, caso a motivação não seja fazer sexo o tempo todo e todos os personagens tenham tal motivação, exceção caso seja um filme do Andy Kaufman, com o título Quero Ser Michael Douglas.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

J.G. Ballard, RIP: 1930-2009


E o mundo da literatura sofreu uma forte perda no dia 19 de Abril. J.G. Ballard, aclamado escritor inglês (embora nascido em Xangai, na China, por culpa do emprego do pai), autor de clássicos da literatura contemporãnea como Império do Sol, Crash - Estranhos Prazeres e Exibição de Atrocidades, faleceu de uma doença não especificada, a qual ele vinha sofrendo a alguns anos, segundo o seu agente. Ballard foi uma influência marcante para diversos escritores, poetas e músicos das novas gerações, já que suas obras ( predominantemente trabalhos de ficção científica) eram marcadas por suas distopias e temáticas urbanas. No mundo do cinema, Ballard causou momentos de grande comoção, ao ter obras como Império do Sol e Crash sendo filmadas por diretores de porte, como Steven Spielberg e David Cronenberg. Ballard, um viúvo desde a morte de sua esposa, Helen Mary Matthews, em 1965, deixa 3 filhos. Sua perda será sentida.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O idoso, nosso amigo

A velocidade e a competitividade do mundo contemporâneo são formas inevitáveis de exclusão. Quem mais sofre nisso são os idosos, os popularmente chamados velhinhos. Somos levados a crer que a democracia não é, afinal, para todos quando os membros mais frágeis de nossa sociedade são submetidos ao descaso das autoridades, em filas quilométricas de hospitais ineficientes, e à indiferença da sociedade civil, enredada em sua sanha consumista que não leva a lugar nenhum.

É nesse cenário desolador, no entanto, que mudanças são sempre possíveis, por mais incrível que pareça. É tempo de refletirmos juntos, reconhecermos deficiências e encontramos soluções. Abrir-se-á então uma grande oportunidade de nos colocarmos no lugar do outro e vivenciarmos a experiência do abandono e da tristeza. E, perplexos, nos perguntaremos: será que não somos também os culpados? Será que, no fim das contas, não tratamos o velhinho como um animal, que deve se contentar com os nossos restos de afeto e – por que não dizer? – de comida?

Basta um dia nas ruas de uma metrópole rica e impessoal como São Paulo para sermos confrontados por uma realidade muito mais atroz que aquela pintada nas cores opacas da mais pungente obra literária. Eu mesmo fiz essa experiência e percorri, em nome dos jovens muito ocupados com seus estudos e suas carreiras, os becos absurdos a que idosos são empurrados pela marcha desumana dos negócios. Em suas fisionomias, contemplei as escolhas que fizemos, escolhas que passam por cima de direitos que qualquer legislação do mundo supõe inalienáveis. Em suas fisionomias, a decadência de nosso modo de vida estava escrita com traços irregulares e fibrosos que apenas o silêncio e a reflexão nos permitem ler.

Os idosos são hoje subumanizados, são cidadãos de segunda classe, vivendo numa marginalização sem nome. A verdade é que convenientemente esquecemos que também nós seremos idosos um dia. Mas, em vista de como vão as as coisas, também nós seremos vítimas de uma sociedade que não valoriza a experiência de vida, que não cuida dos fragilizados. O individualismo insano que praticamos é a sentença de morte futura que pesa sobre nossas cabeças. Quem nos acolherá? Quem olhará por nós quando somos incapazes de olhar por estas criaturas inúteis em que se transformaram os jovens de outrora? Rezemos para que nossos filhos e netos demonstrem a compaixão que nós mesmos não demonstramos.

sábado, 21 de março de 2009

Cuidado! Sua família corre perigo!

Muita gente tropeça em nós ou porque digitou no Google o nome de algum filme errado, ou porque estava procurando Orlando Bloom Costinha piores atores pegando pinguim indie. Eu não sou advogado, mas isso aí deve ser ilegal.

Mas a maioria desses pervertidos (olha, teve uma época em que todo internauta [do grego, marinheiro do meio] era pervertido; tipo, a Polícia Federal deveria checar todo o mundo que já teve ICQ, mas enfim) tem a mentalidade totalitária.

A mentalidade totalitária é parecida com bócio ou crista de galo. Dá pra pegar em corrimão de escada, banheiro público ou se não enxaguar direito.

Um dos benefícios sociais de alcance universal do monoteísmo (anota isso aí, que é intelectualmente chique) é acabar com a idolatria. Ninguém está acima da crítica senão Deus. E isso por definição. Deus pode ser, dependendo de onde se nasce, aquele que traz a chuva, ou quem segura a grande massa de águas. Para nós, é aquele que está acima da crítica. Se você diz que, por exemplo, o Coldplay é absolutamente sensacional, então o Coldplay é Deus. Pessoal, eu não sou teólogo, mas isso aí é blasfêmia. Chris Martin andando sobre o Canal da Mancha, Chris Martin criando o mundo em seis dias, Chris Martin entregando o Decálogo: Não farás cuecão atômico em mim; Não dirás que o Coldplay é o Radiohead descafeinado, etc e tal.

Ha! Eu não sabia!

"Quem é competente faz sucesso." E não pode criticar quem faz sucesso, porque isso é inveja. Ditaduras são construídas sobre muito menos, pessoal. É hora de botar a mão na consciência, porque o metrô está lotado e ninguém vai saber que foi você.

Agora vou usar o argumento Hitler ou argumento nazista.

Antes, a explicação do argumento Hitler:

Toda vez que se quer encerrar a discussão ou, o que é quase a mesma coisa, ganhar a parcela judia da plateia, deve-se apelar a um paralelo dramático, chamado argumento Hitler. "Nossa, mas foi a mesma coisa com o nazismo", ou "Hitler chegou ao poder assim", ou ainda as formas simplificadas "Isso é nazismo" e "Que nem o Hitler".

Pessoal, se a gente não pode falar mal do Coldplay, logo, logo o nazismo está de volta. E digo mais: se a gente não falar mal do Coldplay, o nazismo vai voltar. O que é que os fãs do Coldplay preferem? Ouvir Coldplay ou o nazismo? Pessoal, eu não sou médico, mas o nazismo matou muita gente!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Empiristas e bizantinos

No primeiro mundo da mente ou na vida do Espírito existem dois tipos de pessoas dos quais se pode fazer parte simultaneamente, mas no geral ou se é de um ou de outro: gente burrinha de bom gosto e gente que gosta de filosofia e se veste mal. Vestir-se mal subentende ler coisas chatíssimas; gente pra quem não se pode solicitar dicas de leitura, e falo a quem realmente gosta de ler e entende o que lê: conselho, afastem-se de pessoas que carregam a Fenomenologia do Espírito debaixo do braço.

Gente burrinha de bom gosto é espirituosa e tudo, e zomba dos filósofos, mas no fundo é ressentida porque só consegue ler Chesterton, que é inglês, e todo o mundo sabe que inglês pensa como quem desentope privada. Mas admiro como anglo-saxões escrevem; é tudo muito claro e concreto. É por isso também tudo muito simplista, bom pra gente que não tem tempo a perder; seu chefe, por exemplo. Acho mesmo que gente burrinha de bom gosto, que lê Evelyn Waugh e acredita que o espírito pode e deve principalmente se divertir, são todos ingleses ou queriam ser. Bom lembrar que foram os ingleses que inventaram o jornalismo. Não foram?

Evelyn Waugh era homem.

Mas gostam mesmo de livros e de literatura; não é só por afetação. Tá, bobagem, todo o mundo que gosta de livros gosta por afetação. Como ser diferente tendo crescido ouvindo grunge diante de uma TV?

Já gente que gosta de filosofia e se veste mal não é muito ligada em diversão; é mesmo meio masoquista. Não tem muita sensibilidade pra poesia e literatura em geral. Gosta de Chico Buarque, que é poeta, e acha cinema chinês a melhor coisa do mundo. Mas estuda Hegel, lê Heidegger e entende; sempre entra na sua casa com os pés sujos de idealismo alemão. Tende a achar existencialismo coisa de bicha, e burra, e Camus junkie food, mas não é raro ter O Estrangeiro entre os favoritos (também leu pouco; convenhamos, quem realmente lê Hegel só lê Hegel, não teria tempo pra outra coisa). E nem preciso falar o que é que acham de Schopenhauer e filósofos legíveis em geral. Grande chance de gostarem de Zíbia e Clarice, só não sei se vão se referir a elas desse jeito, pelo primeiro nome, a não ser que sejam alunos de Letras.

Quem diz que o Chico é fanho não ama o Brasil.

Acho que o que mais me importa nisso tudo é perceber como os dois grupos entendem a linguagem de maneira muito diferente e que eu acabo concordando com os últimos nesse ponto. Pois gente burrinha e de bom gosto acha que é possível falar sobre qualquer assunto com simplicidade e elegância. Qualquer. Só porque são muito práticos e não estão nem aí para o Ser. Mas gente que gosta de filosofia e se veste mal entende que o objeto requer sua forma, que claro que será truncada e complexa se o tema o for.

Não preciso dizer que ser chato é escrever mal, mas que equacionar chato e difícil é coisa de gentinha.

sábado, 29 de novembro de 2008

Elementos para uma História do High-five

[Prólogo à História do High-five entre os Povos do Ocidente, circa este sábado, à tarde.]

Dentre tantos que já pensaram em escrever sobre tantos assuntos que há, jamais houve quem se interessasse por escrever uma história do High-five, tendo eu pesquisado muito e nada encontrado, o que muito me surpreendeu, se não chocou de fato. Porque o High-five é coisa que precede em valor e importância a muitas outras a respeito das quais, no entanto, muitos livros já foram escritos por homens nobres. Foi pensando nisso que decidi escrever esta história do High-five entre os povos do Ocidente porque, se não há livros, não se poderá ler a respeito de assunto algum, seja lá como for. E porque grandes homens praticaram este High-five em momentos que agora e sempre serão lembrados pelo benefício que trouxeram aos homens, uma história do High-five é a história dos homens que o fizeram para que sem o High-five o mundo não afundasse em discórdia e mexerico. Mesmo havendo quem torcesse o High-five e dele fizesse veículo da injustiça e da opressão, porque o que é bom foi feito mal para que o mal fosse muito pior do que é e se mostrasse sumamente mau, como as escrituras dizem. Mas o High-five, todos o sempre souberam desde que há na terra homens, é paz, justiça, amor, fraternidade, união, igualdade, dancinha, liberdade, e porque é tudo isso é que resolvi escrever e assim garantir que jamais outra vez o High-five seja usurpado pelos homens ímpios que há aos montes.

E para que esta história do High-five seja devidamente composta, achei por bem visitar todos os locais onde o High-five foi feito em momentos decisivos, conforme me fosse possível, e quando não, procurei documentos e testemunhos de outros que porventura testificassem quem e por que fez o High-five em qualquer circunstância que me parecesse importante que o tivessem feito, e dessa maneira conferir por mim mesmo a veracidade do High-five. E é nesse grande espírito que é o do High-five que dou fé de que o que aqui vai escrito não é só verdade, como também não mente, e se o faz, é por engano meu; e por isso peço que quem o note o corrija, porque isto me será bem, e não mal, para que o High-five seja conhecido como deve ser, não só aqui, mas em toda a parte em que é feito, e mesmo onde não o é, para que assim passe a ser, e faça o seu bem conforme é.

***


Também o High-five pode ser vítima da institucionalização, esfacelando-se seu espírito de celebração democrático e fraterno. A alegoria imperial nazifascista, tirada diretamente à mente do Führer, sabidamente fascinado pela Antiguidade Clássica, apropriou-se do já apropriado High-five romano. O nazifascismo só se beneficiou em sua mística com o ancestral apelo do cumprimento, cuja origem é incerta, remontando à Palestina abraâmica.


Churchill era adepto do hoje ultrapassado High-two, de natureza aristocrática (note-se que não há contato físico). Não podia imaginar ele que o High-two seria descaracterizado justamente pelo movimento hippie. Imagem oportuna para lembrar que o estabelecimento do High-five contemporaneamente não se fez sem a concorrência de um sem-número de gestos a que, embora exercendo perfeitamente seu papel comunicativo, falta a energia e riqueza simbólica do que se tornaria uma postura face à vida, transcendendo o mero cumprimento.


A recuperação do pequeno Timmie sem dúvida alguma não seria possível sem o suporte terapêutico do High-five, como a comunidade médica vem experimentando com sucesso cada vez maior entre os mais diversos pacientes.

Nesta ilustração extraída de um manual de medicina, ensina-se como fazer o High-five corretamente, de modo a não lesionar qualquer músculo ou prejudicar a coluna, obtendo um efeito eufórico pleno.

A grande influência do High-five sobre a cultura pop. Neste episódio de Seinfeld o High-five é recontextualizado e apresentado como sinal de parvoíce, imbelicidade, inépcia, obtusidade. Era a consagração do personagem David Puddy, intepretado por Patrick Warburton. Nada mais afinado com o espírito democrático e aberto do High-five que a sátira social inteligente.

domingo, 28 de setembro de 2008

Ainda os homens do amanhã

Sábado, 14 de fevereiro de 2047. 13h26. Eu estou em apuros, mamãe. Acabei de chegar em Buenos Aires e não me lembro onde mora o tio Val... Ô, sim, lembrei. Tá bem. Te ligo quando chegar lá. Beijo.

14h41. Oi, mamãezinha, cheguei. Estou bem. Tio Val também. A nova cabeça de Gustav Mahler que colocaram nele, apesar do ar severo e das novas mas esperadas fixações com a morte, lhe ficou muito bem. Prefiro-o assim, realmente. A senhora tem de conferir. Tia Marta é que não se conforma; discutem o dia todo porque a cabeça cheira esquisito, e quando brigam, ela começa a gritar “Sinfonia dos Mil, Sinfonia dos Mil!”, e ele quer morrer.

Maman aos 14.

Segunda, 16 de fevereiro de 2047. 20h51. Acabei de voltar do Museu. Ouvimos algumas gravações do que era música há 30, 40 anos. Um horror. Um dos fragmentos, intitulado "Bildam n° 14", devo confessar que era chatíssimo, tinha quatro minutos que pareciam se estender por horas. Tá, o interesse arqueológico, pff. Agora entendo o ditado de que “civilização e energia elétrica são incompatíveis”. Por Diomedes, pensar que já fizeram música com computador. Computador, mamãe! Graças ao bom Calímaco, abandonou-se a guitarra elétrica, a bateria eletrônica e outras obscenidades mais.

Quinta, 19 de fevereiro de 2047. 17h03. Desculpe a demora, é que estive envolvido com a caça a coalas, que se tornaram uma praga nas pradarias. Ah, a senhora sempre me fala de amor. Estou vendo uma moça chamada Helena, muito dócil e prendada. Acho que a arrematarei hoje à noite. Pediram $15 por ela, mas eu não tinha trocado comigo na hora. Mandei reservar. Me deseje sorte, maman.

Me (third from the left) and my mates at... rsrsrsrs Love u guys!

Sábado, 21 de fevereiro de 2047. 11h23. Ô, mamãe querida, estou correndo hoje. Mais tarde, tio Val – que agora insiste em falar alemão, vá bem – vai reger um coro de setecentas crianças carentes entre 21 e 37 anos, todas sem as presas. Lindas. Acredita que ainda não me acostumei com as cebolas daqui, que todos dizem ser as melhores. Ainda me sangra o nariz, mas dizem que é normal. Ah, a tal Helena era uma bela de uma enrascada. Tinha os olhos castanhos, mamãe. Castanhos! Não tinha reparado na hora. Por sorte a senhora que me atendeu era honesta e gentil, e me mostrou devidamente todas as características da moça. Claro, certamente previa devolução futura, sob protestos e reclamações, de que eu não a pouparia. Enfim, ainda espero o amor...

E todo o mundo tem o seu own private dâimon.

sábado, 27 de setembro de 2008

Sweet about me, nothing sweet about me

Quando parece que tudo vai dar errado, começo a pensar na beleza de Claudia Abreu, que é brasileira e atriz, duas coisas que são absolutamente terríveis justamente por poderem ter sido tão boas; provavelmente num outro mundo. E a participação dela no pior e o fato dela continuar sendo tão bonita, meu, acho que sou um romântico.

Fiz um trato com a Martha Suplicy que era o seguinte: se ela não mostrasse a cara durante a campanha ou mesmo depois, votava nela, apesar de tudo. Porque no começo eu estava com essa esperança de que ela não apareceria nenhuma vez. Mas ela descumpriu o nosso trato, desfilando com o surrado tailleur petista e falando que o fato de ser mulher gera preconceito, daí que, se ela se divorcia, então é vagabunda. E eu fiquei sensibilizado nessa hora. Ah, a sociedade paulistana: conservadora e machista. Malufista. E não perde um programa da Hebe.

Ficar sensibilizado por causa de um político – um que é por acaso uma mulher de garra, que diz o que pensa – é como ter pena do Dunga, porque, coitado, o povo brasileiro cobra muito dele. O gênio peripatético do leitor certamente não ignorará como sofismamos no período anterior.

Ser autêntico, dizer o que se pensa. A inversão dos valores. Nietzsche, atacando Sócrates, reclamava que a dialética é uma grosseria; que era indigno argumentar. Mas era ateu. E era também indigno ser ateu. Como não tomar banho ou falar de boca cheia. Richard Dawkins não é o capeta; só alguém que arrota à mesa.

Quando tudo fica feio e ruim, aí tudo fica bonito e legal.

Claudia Abreu civiliza o estilo, pra eu, falando de eleições, envilecê-lo. Sócrates, após ser condenado à morte pelos quinhentos, assim finaliza seu discurso: “Mas agora é hora de partirmos: eu, para morrer; e vocês, para viver. Quem de nós vai para melhor é a todos inaparente, mas não ao deus”. Pois eu queria que nos importasse ser políticos como o era Sócrates: sendo teóricos e, portanto, fazendo da lucidez, que costuma quase sempre vir da reflexão, nossa prática em relação ao cachorro correndo atrás do próprio rabo, a.k.a. mundo das pessoas ser humanas. Porque ser lúcido é olhar o cachorro, e só assim, o que não é um truísmo, porque eu sei que tem muita gente querendo ser o cachorro. (E a forma de dizê-lo é truncada porque precisa.)

Mas também sei que tem gente que defende lucidez no cachorro. Relativistas, é claro. Mas se depois de ouvir os últimos quartetos de Beethoven, ainda continuo achando felicidade em ouvir Gabriella Cilmi cantando “Sweet about me”, como não ser um relativista? Como não justificar posições contraditórias? Mas é culpa da televisão, e de Bergman em DVD. A gente acaba com sensibilidade artística de comercial de desodorante.

Bergman em DVD: o cúmulo da civilização. Em todos os sentidos. Entenda como quiser.

Mas conservadores é que acham bom ser lúcido. Eu acho.

Essa Gabriella Cilmi, ela é um pão. (Isso de dizer que alguém é um pão: só cabe pra quando o dito pão é homem?) E a maquiagem e a produção do clipe induzem o pobre marmanjo à pedofilia sem culpa, disfarçando ainda mais os 16 anos da menina, esses 16 anos de hoje em dia, na base de muita proteína na alimentação. O que faria Sócrates?

Também os homens do amanhã dirão que não sabiam?

E a velha questão se ainda é pedofilia se tem 16. Os que dizem “já” – “se tem 16” – se entregam nessa hora. E como os lamentamos, tsc, tsc, tsc. Mas são os homens do amanhã que hão de decidi-lo, se é, a partir de critérios o mais objetivos possível.

Mas e você, caro leitor, que tem 20 e poucos, poucos... e namora uma colegial, que pensa? Nabokov era Humbert Humbert, como Flaubert Madame Bovary? Ou Lolita? Aliás, Flaubert era Madame Bovary?