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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Em defesa da coisa chamada Jack White

Agora que Jack White acabou com a sua banda (duo) ruim, eu acho que posso finalmente corrigir uma injustiça que cometi contra o talentoso guitar hero e produtor. Escrevi muitos anos atrás um texto baixo, injusto e ultrajante contra o rapaz de Detroit (tão baixo, injusto e ultrajante que eu nem vou passar o link para o texto), em que eu questionava a sua eficiência como compositor, guitarrista, produtor, irmão, marido e homem como um todo. O texto gerou uma série de críticas de leitores e turistas de plantão. Comentários que questionavam a minha eficiência como escritor, comentarista, cronista, romancista, irmão, filho, marido e homem como um todo. Dançamos então eu e os fãs de White uma valsa de ofensas, escárnios, dentes rangidos e cóleras em geral. Uma baixaria, que deve ter soado divertida para observadores de fora da polêmica, que são as pessoas que não dão a mínima nem para o Jack White, nem para os fãs do Jack White, nem para mim e nem para os fãs (?) do Fomos ao Cinema. Ou seja, 99,99%  da população mundial. Que coisa triste.

Mas o tempo voa, e o mundo muda, e o homem cresce e entende coisas. Muitas coisas. Coisas que o cercam de todos os lados. Que o atingem como um chute no queixo de um lutador de UFC (TRAZIDO A VOCÊ PELA REDE TV, A REDE QUE MAIS CRESCE NO BRASIL. NÃO PERCAM UFC NO RIO  EM SETEMBRO). Que o levantam da cadeira, como os choques que avassalam o corpo de um homem em uma cadeira elétrica. Eu acordei ontem, e eu entendi. Finalmente eu entendi. Eu não odiava o Jack White. Eu não odiava os White Stripes. Eu não odiava o Raconteurs. Eu ODIAVA O HYPE. Eu, que nunca fiz parte do Public Enemy, não belivava (meu neologismo inglês-português-babaca) no hype. Don’t, don’t, don’t. Mas eu entendi.

Os mano, pow, as mina, pá

O Flavor Flav teve 48 reality shows na VH1, o Chuck D só aparece em palestras do Partido Verde americano ou em participações em shows do Rage Against The Machine, e todo o resto seguiu em frente. Cresceu e entendeu coisas. Jack White não pode ser a coisa mais importante da humanidade, mas dentro desse pequeno universo de pessoas que preferem uma guitarra alta e estridente castigando o martelo do ouvido, ele é uma coisa. Ele transcende o objeto, e chuta o indireto e direto no queixo como um lutador de UFC (Steven Seagal diz: “eu apoio o UFC RIO, e quero ver  todos vocês lá em Setembro). Ele é um sujeito, e ele carrega a sua quantidade justa de predicados nos ombros. Ele tem uma gravadora indie; ele produz bandas punks de riot girls, cantoras veteranas de country music, e grupos alternativos de polca porto-riquenha; ele casa, EM MANAUS, NO NOSSO BRASIL-SIL-SIL-SIL, com uma supermodel; ele se separa da mesma supermodel dando uma festa em conjunto com ela para comemorar a ocasião; ele participa de um documentário de guitarras com Jimmy Page e The Edge (aka David Evans) dirigido pelo homem que dirigiu bem dirigido a festa de pijamas do Protocolo de Kyoto que foi Uma Verdade Inconveniente; ele monta uma banda com e coloca uma garota linda no vocal (isso sim é pro atividade, e deveria inspirar mais e mais roqueiros a tomar a mesma atitude, formando milhares de bandas com mulheres lindas nos vocais); ele faz participações engraçadas no gringo The ColbertReport, se aproveitando do seu status de guitar god (o herói que virou Semideus) e do seu timing cômico estritamente sério, que bem se contrastou com o histrionismo intencional do apresentador. Jack White faz um monte de coisas, e todas essas coisas não são donas dele.

Frost/Nixon (há uma piada interna perdida no infinito particular)
Ele é dono de todas as coisas da sua vida, ele comanda o seu exército bem particular de coisas e coisas que cercam as coisas que em conjunto formam um pequeno mundo de atividades baseadas em várias coisas diferentes. Ele conseguiu uma reação. Ele conseguiu uma reação em vocês, e em mim. Ele lá, bem longe com as suas coisas. Viram como ele é maior que eu e vocês? Nem se pularmos como um lutador de UFC se preparando para um kickflip no queixo do adversário (Jean Claude Van Damme endossa Steven Seagal, e também apóia o UFC RIO: “se fosse por mim, Setembro chegaria amanhã já, de tão ansioso que estou pelo UFC RIO), nem assim conseguiremos alcançá-lo, ele e suas coisas. Que coisas inúteis somos nós.

Marcadores: Elefante, Meg White, Billy Corgan, Green Jelly, Itamar Franco, Neymar

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O Belchior sumiu


Volta, Belchior!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Vá ao show do Radiohead, mas não me chame.

É isso ai, cambada. A crise está batendo na canela de todos. O Fomos ao Cinema, esse blog mais procrastinado que aluguel de malandro, não será afetado pelo tumulto que assola a realidade econômica da geopolítica internacional, já que não somos uma sociedade anônima em busca de lucros fáceis, o que significa que nós não buscamos a renda de títulos, ações e capitais, e por isso não estamos sujeitos a cobranças de impostos,encargos trabalhistas e outras ferramentas. O máximo que poderia acontecer seria alguém confiscar os nossos computadores, mas ai nós poderíamos pedir uns trocados nos faróis para postarmos nas lan houses da vida. A velha rotina do "boa tarde senhores motoristas, eu poderia estar roubando, mas estou aqui, pedindo alguns minutos do seu tempo para mostrar para vocês essa deliciosa novidade, o Chocobis de morango e blá, blá, blá". Uma vez eu fiz uma piada assim para uma ex-namorada, e ouvi um "isso foi muito insensível da sua parte". Pô, fiquei constrangido. Mas o relacionamento estava indo para a tumba mesmo, e a menina tinha tanto humor quanto o Hitler, então tudo ficou bem depois.

Mas, já pedindo para vocês esquecerem essa digressão irritante, venho aqui colocar o dedo na cara do Thom Yorke e dizer que eu estou boicotando o show que a banda mais mala do hemisfério norte fará aqui na terra dos modernistas (nós te amamos, Oswald de Andrade) domingo. Sim, Radiohead, da minha bufunfa vocês não verão nem a sombra! Sei que a banda nem dormirá de preocupação com isso, mas preciso alertar todos os indies que se deslocarão até a longínqua Chácara do Jóquei (é tão longe que nem São Paulo é mais), no bairro da Vila Sônia. Todos vocês que atravessarão a cidade até as fronteiras do oeste precisam ter em mente que esse show poderá ter dois cenários distintos. Peguei a lista de músicas tocadas nos dois shows que a banda fez na Cidade do México (solto um estereotipado arriba para os mexicanos) dias atrás, e a coisa vai ser feia. Quer dizer, se a banda resolver seguir a lista do primeiro show, veremos um suicídio coletivo da indieaiada, no melhor estilo Reverendo Jim Jones, de tão chato que seria o negócio. Se a banda seguir o set-list do segundo dia, ai vai melhorar um pouco só, mas ainda sim veremos um "eu não aguento mais!" aqui e acolá. Lógico que ainda haverão os shows do Kraftwerk (o krautrock morreu, antes ele do que eu) e a volta do Los Hermanos, mas eu vou me concentrar no cardápio principal. Manda ai garçom, dois filés com fritas, morô? Vamos aos dois cenários então:



Radiohead, no melhor estilo Judas Priest. Breaking the law, Breaking the law

Primeiro Cenário
Set-List do primeiro show na Cidade do México

1. 15 Step
2. Airbag
3. There There
4. All I Need
5. Nude
6. Weird Fishes/Arpeggi
7. The Gloaming
8. National Anthem
9. Faust Arp
10. No Surprises
11. Jigsaw Falling Into Place
12. Lucky
13. Reckoner
14. Optimistic
15. Idioteque
16. Fake Plastic Trees
17. Bodysnatchers

Primeiro Bis
18. Videotape
19. Paranoid Android
20. House of Cards
21. My Iron Lung
22. Street Spirit (fade out)

Segundo Bis
23. Pyramid Song
24. Just
25. Everything In Its Right Place

Esse set-list é o mais comum na turnê da banda, e é provável que seja o seguido no show. A sequência inicial (as 17 músicas antes do primeiro bis) é assustadora. Sério, pagar 200 pilas para ver um show dominado por músicas dos soporiferos Kid A, Amnesiac, Hail to the Thief e In Rainbows (que tem TODAS AS MÚSICAS na lista) é de corar. As três do Ok Computer perdidas ali (Airbag, No Surprises e Lucky) são lindas de morrer (ui!), mas ao vivo provocam apenas o sono dos espectadores. Idioteque é uma excelente canção (a melhor do Kid A), mas ao vivo faz a galera toda procurar o bar. E Fake Plastic Trees... blergh. A pior música do The Bends é sempre tocada ao vivo pelo Radiohead como se a banda estivesse fazendo por pura obrigação, jogando para os fãs. Quando menos se espera, é ai que não sai nada mesmo.

O primeiro bis pode acordar finalmente a galera, já que Videotape é a melhor música do In Rainbows (e ao vivo normalmente soa muito bem), My Iron Lung garante boas guitarradas, e Paranoid Android é espetacular, e ao vivo, por mais letárgica que a banda seja, sempre fica apocalíptica. House of Card é um lixo e Street Spirit é uma musica que jamais deveria ser cogitada para se tocar em qualquer show. Mas o Radiohead... Mas o Thom Yorke...
O último bis tem Just apenas para salvar os incautos, já que Pyramid Song é música de elevador da pior qualidade, e Everything in Its Right Place encerrando um show é uma ofensa de uma banda que acha que qualquer arroto que solta é divino. Sério, é piada. Isso é um show, caramba, não um funeral. Se esse for o set-list do show em Sampa, eu repito, temo pelo pior. Mas as coisas podem ser um pouco melhores.




Segundo Cenário
Set-list do segundo show na Cidade do México

01-- 15 Step
02-- There There
03-- The National Anthem
04-- All I Need
05-- Kid A
06-- Karma Police
07-- Nude
08-- Weird Fishes/Arpeggi
09-- The Gloaming
10-- Talk Show Host
11-- Videotape1
12-- You and Whose Army?
13-- Jigsaw Falling Into Place
14-- Idioteque
15-- Climbing Up The Walls
16-- Exit Music (For a Film)
17-- Bodysnatchers

Primeiro Bis
18-- How to Disappear Completely
19-- Paranoid Android
20-- Dollars and Cents
21-- The Bends2
22-- Everything In Its Right Place

Segundo Bis
23-- Like Spinning Plates
24-- Reckoner
25-- Creep

Não é um grande alívio, mas os mexicanos que foram no segundo show tiverem muito mais sorte que os seus conterrâneos que foram no primeiro. Esse set-list é melhor. Longe do ideal, mas um cenário menos catastrófico. Tirando a mania da banda de começar os shows com a inqualificável 15 Step (zzzzzzzzz), temos 3 grandes canções do OK Computer que soam bem ao vivo (Karma Police, Climbing Up The Walls e Exit Music), as músicas dos quatro últimos discos estão melhor colocadas, Paranoid Android permaneceu na lista (se a banda não tocar, quebrem tudo por lá) e, por um milagre divino, a banda incluiu The Bends, canção que garante um bom momento "vamo pulá", como diria SandyeJunior, e Creep. E é aqui que mora o grande mistério do negócio todo. Todo mundo sabe que a banda detesta a música que a lançou ao estrelato, que eles tocam raríssimas vezes ao vivo (normalmente em cidades importantes), e que, quando o fazem, normalmente rola uma má vontade do tamanho de um bonde, ou eles esculhambam tudo de uma vez mesmo, mudando o ritmo e andamento, o Yorke mudando a letra, entre outras molecagens.

Ainda sim, Creep é a única canção do Pablo Honey (primeiro disco) que a banda vem tocando esparsamente nos últimos 10 anos. O resto do álbum simplesmente é ignorado em todas as turnês. Realmente, é de emocionar o carinho que a banda trata o álbum que fez os seus integrantes poderem pagar as suas contas. Só porque ele tem uns clichezinhos do rock alternativo (a velha alternância calmaria-distorção da cartilha Nirvanista assola as músicas) e umas letras meio "mamãe, o mundo é feio", a banda tem vergonha dele. Mas vocês virariam as costas para um filho? Mesmo que, sei lá, ele fosse boca suja, ou batesse em vocês e tudo mais? NÃO! Já passou da hora do Radiohead perder a guarda do moleque. Mas voltando à grande questão, o negócio é saber se eles vão tocar Creep em São Paulo ou não. Se tocarem, por mais safada ou não que seja a execução, vai ser o bicho.

Vi uma vez um vídeo bem maltratado com eles tocando a canção num festival chumbrega dos Estados Unidos em meados de 94, e foi, usando uma expressão batidíssima, catártico. Se eu fosse apostar, colocaria o show do Rio (que será hoje) na questão. A banda vai tocar Creep no Brasil, mas apenas em uma das cidades. Portanto, caso amanhã, meu caro indie paulistano, você leia nos periódicos (momento de época do dia) que a banda tocou Creep na Praça da Apoteose (arrepia Salgueiro!) no Rio, pode colocar a cabeçinha nos braços e chorar. Se não, esfregue as mãos. Aviso do seu melhor amigo, Camarada Progressista, esse insuspeito detrator de Yorke e cia.


Essa foto prova as minhas intenções de amizade com os fãs dos Los Hermanos.

Notas dos discos do Radiohead:
Pablo Honey - 7
The Bends - 9
OK Computer - 10
Kid A - 7,5
Amnesiac - 0
Hail To The Thief - 2,5
In Rainbows - 5

Obs: em breve, tudo sobre os shows da Liza Minelli no Brasil. Músicas, reação do público, depoimentos dos famosos presentes, bastidores, e muito mais.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Mallu Magalhães e Marcelo Camelo - Uma Farsa em dois atos

Folsom Prison Blues

Ato Um: Samba a Dois

Mallu Magalhães chega em casa. Marcelo Camelo está sentado no sofá, ouvindo um disco velho do Weezer no último volume. Mallu não reconhece a banda, mas nota a sonoridade pesada e as melodias babaquentas. Curiosa, resolve perguntar:

Mallu Magalhães: -Ouvindo rockinho, hein, amor? E a sua procura pelas raízes da música popular brasileira? Achei que você estivesse em outra.

Marcelo Camelo: -Faço o melhor do que sou capaz, só para viver em paz

M.M: -Essa capinha azul... nossa, é o blue album, do Weezer! Quando esse disco saiu, eu tinha dois anos de idade, né? Eu realmente estou estranhando, achei que você tivesse amadurecido essa coisa emepebista dentro de si, que tivesse deixado a sua fase ska-roqueira no passado, mas pelo jeito, está tendo um ataque de nostalgia, né?

M.C.: -O mal vai ter fim, e no final assim calado, eu sei que vou ser coroado rei de mim.

M.M: -Ah? Bebeu de novo, amor? Se o meu pai souber... já foi difícil convencer ele que seria uma boa idéia namorar um barbudão com o dobro da minha idade e sem muito gosto para banhos e outras ferramentas de higiene pessoal, mas isso ainda... Olha, eu sei que o seu álbum solo está sendo malhado, o meu elogiado e o do Amarante com o cara dos Strokes também, mas isso não é motivo para desespero. Não é porque você se enfiou nessa persona "compositor quietamente angustiado das bossas-ressaquentas-contemporãneas" que significa que está num beco sem saída. Entende?

M.C.: -Dá-me luz, ó Deus do tempo, dá-me luz.

M.M. -Eu estou te entediando com essa conversa, né? Eu sei que não sou muito madura. Mas olha, se você quiser, eu posso fazer uns desenhos nossos! É, seria legal, desenhar eu e você barbudos, com pêlos em baixo dos braços, essas coisas que fazem a sua cabeça! O que você acha?

M.C.: -Tiro sarro só pra ver se eu consigo despertar o seu amor. Deixa estar.

M.M.: -Ah, eu sabia, amor! Você estava apenas de brinks! Olha, deixa eu pegar o meu violãozinho, você ai com o seu, ai você desliga esse disco feio, que nós vamos compor juntinhos! Já tenho um teminha, mesmo sabendo que você não gosta de compor em inglês, seria algo como "My Beard Love"! O que você acha da idéia?

M.C.: -Eu que nunca amei ninguém, pude, então, enfim, amar! Vai!

M.M.: -Está me mandando embora, môr? Quer saber de uma coisa? Cansei! Fica com a sua melancolia roqueira, que eu vou embora! Fui!


É de lágrima



Ato 2: Tchubaruba

Marcelo Camelo está sentado na varanda de casa, esperando notícias. Enfim, depois de uma espera angustiante, o telefone toca.

Marcelo Camelo: -Olá, amor! Desculpe pelo meu comportamento naquele dia, estava de pá virada. Olha, eu adoraria passar ai na sua casa, se você e os seus pais não se importassem, logicamente. E ai, posso?

Mallu Magalhães: -If you come over i will say tchubaruba

M.C.: -Ok, já entendi, você está se vingando de mim. Isso não é uma atitude madura. Sei que você tem apenas 16 anos, mas espero ensinar você sobre certos aspectos no seu comportamento que denotam uma clara e sensível falha emocional. Vamos crescer juntos?

M.M.: -Well i have to try again. Say papapapapaaaa, for you to understand.

M.C.: -Ok, eu estou bem hoje. Estou muito paciente, com um astral muito bom. Por isso, sinto que tenho toda a neutralidade e calma para poder voltar a dizer que, sim, estou muito incomodado com esse seu comportamento. Nós não podemos responder a comportamentos errõneos daqueles que amamos com uma sublimação tão desproposital. Entende?

M.M.: Old, old sissy, tries, tries, tries, i know he can't.

M.C.: -OK, agora chega! Já deu, mina! Eu era um Los Hermanos, eu apanhei do Chorão, mas eu sou macho! Se o seu pai não te educou, é a minha vez, moleca! Respeite a minha barba! Fala comigo, MORENA! Fala comigo! Diz pra mim, diz! Moleca malvada! Sem criancices, se não faço contigo o que o Dado fez com a Luana!

M.M: -Uhm...Me tá subindo uma coragem... levantar minha bandeira, de tão simples tecelagem.

M.C.: -TALK TO THE HAND!


Dromedário cala. Pena.

Obs: Esse texto é dedicado aos proletariados do sul. Viva o Rio Grande. Viva.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Educativo, apenas:

Mas deixa eu me mostrar antes que as festas venham a me constranger a ser bonzinho, abandonar o estilo arrevesado e passar a escrever como jornalista, isto é, murchinho e acessível, com listas de lugares aonde você pode ir comprar os ingredientes pra uma ceia de Natal bem baratinha e gostosa.

O Word é tão inteligente que sabe o que quer dizer “capitulo”. Tanto que quando eu, que sou bem mais simplesinho que o programa, quero dizer “capítulo”, mas me esqueço de acentuar a proparoxítona, ele fica quietinho, imaginando que eu na verdade quisesse dizer que capitulei. E capitulei mesmo.

A seguir, cenas do próximo capítulo:

Em que tento lhes explicar por que Igor Stravinsky é absolutamente necessário para entender quem somos.



Aqui temos o primeiro link (ah, os precedentes que abro) do YouTube deste blog (porque aprecio pioneirismos), sob protestos apaixonados de todos quantos sempre nos viram como um blog arte, praticamente artesanal e resistente a modinhas, com nojo de Orkut e tudo. Mas descobri o prazer de ver concertos e balés pelo YouTube. E o link é necessário e justificável, uma vez que nenhum de vocês, saudáveis e filistinos, sentirá o mínimo interesse por ver um balé que inaugurou a música moderna, sabe, David Bowie, pós-punk, Britpop.

Trata-se da tentativa pelo The Joffrey Ballet de reconstituir a estréia da Sagração, com coreografia de Nijinsky e cenários de Stravinsky.

A Sagração da Primavera é a música da catástrofe que no ano seguinte se iniciaria com a Primeira Guerra Mundial e que até hoje não terminou, porque finalmente compreendemos, graças a Stravinsky e ao século XX, que a civilização é um adiamento cada vez menos eficaz e convincente de um fim prometido desde o início.

O balé de Stravinsky é a imagem exata do legado do século XX à história subseqüente. A saber, a consciência da catástrofe e um sentido histórico que não é senão uma escatologia. Já não podemos ignorar que sempre estivemos e que sempre estaremos a caminho do desastre. Não é pessimismo, contudo. Pessimista seria dizer que as coisas já foram melhores. É necessário dar ouvidos a Benjamin e rejeitar progresso e decadência, conceitos que se implicam. O que existe é a miséria na qual temos vivido muito bem. Mas que ainda é miséria. E a ruína completa é sempre iminente.

Sensibilidade moderna, de que todo artista deve ser dotado para de fato ser um artista, é isso. E por isso todo político honesto, por mais inteligente que fosse, seria burro: ele quer mudar o mundo, ele acha que pode. Que é só uma hipótese o tempo verbal empregado deixa claro.

Mas não existe redenção. Neste ponto, discordo de Benjamin. Redenção é algo anistórico. Significaria, de fato, o tão falado fim da história. Jesus descendo em glória com seus anjos para julgar a humanidade.

Aliás, o Richard Dawkins que me ler certamente me lançará em rosto o inconfessado estofo cristão dessas considerações. XP



E aos quarenta e cinco do segundo tempo, enfim a beleza. Não, não Hilary Hahn.

Aqui, puro impressionismo meu. Em seu Concerto para violino #1, Prokofiev manifesta o embate entre a emoção intelectualizada, tipicamente moderna, e o arrebatamento senão pela retomada da tradição melódica popular, freqüentemente folclórica.

O segundo movimento disseca essa tradição, cuja melodia é mutilada, servindo suas partes a um procedimento comum aos modernos. Trata-se de destacar o detalhe e torná-lo maior que o todo, provocando o efeito do grotesco recorrente nas obras. Operação que é responsável pelo caráter intelectual da poética moderna. Tanto que a concessão ao belo clássico, o belo por excelência, ocorre apenas a custo de uma elaboração que o argumente. Na peça de Prokofiev surge senão aos dois minutos do último movimento, sob muitas ressalvas. Daí esta definição: É moderno tudo que se veja obrigado a justificar a beleza.

Mais um pouco de arte, agora:


Aqui temos um palhaço fumando num café. É um quadro de Hopper de um palhaço fumando num café. Próximo slide.


Sim. Podemos ver que Yeats tinha mesmo, além do nome, cara de literato. Um homem com essa fisionomia certamente haveria de consolar velhotas com poemas imortais.




Por fim, Vanessa Carlton ao vivo, “A Thousand Miles”, que é absolutamente emocionante, absolutamente apaixonante.

sábado, 11 de outubro de 2008

Se Superman é Clark Kent, Tyler Durden é Tyler Durden

Os nomes que adotamos na internet são todos pseudônimos, só pra constar. E no mundo real nossas identidades permanecem secretas, ainda que, entre si, nos conheçamos e nos freqüentemos, nós que escrevemos, cantamos e posamos para internautas do mundo inteiro. Somos como uma liga da justiça que, em dia de semana, é gente como a gente, que pega ônibus e passa mal se come maionese vencida. Quando nos encontramos pelas ruas de São Paulo, por exemplo, como outro dia em que encontrei Mallu Magalhães no metrô, nos cumprimentamos discretamente, às vezes apenas com um olhar cúmplice.

Eram umas três e meia da tarde, e eu embarquei na estação Ana Rosa, a caminho de..., para me deparar com Mallu, sentada com o violão no colo. Ela quase não conseguiu disfarçar a surpresa e contentamento ao me ver:

- Oi, Camarada Fundamentalista! – um tom de voz quase que alto demais, que ela já diminuiu pela metade ao prosseguir: - Que bom te ver, rsrsrs.

- Bom te ver também, Mallu Magalhães, rsrsrsrsrsrs – respondi, me ajeitando entre um cara enorme, de sobretudo, e uma mulher cheia de sacolas, que me fizeram pensar que Mallu Magalhães era o tipo de pessoa que não segurava sacolas nem mochilas para os outros em ônibus e metrôs, tsc, tsc, tsc. Mas eu sou muito julgador, por isso afastei esse pensamento da cabeça e ia perguntar não sei quê pra ela, quando o trem parou bruscamente, e o cara enorme oscilou como um carvalho golpeado por um guindaste, e me perdoem a eloqüência inesperada da imagem.

"Mallu, que surpresa!"

(Um fã da Mallu que leu a primeira versão deste relato observou que provavelmente ela não se oferecera para segurar as sacolas da mulher das sacolas porque estava com seu inseparável violão no colo, como eu mesmo mencionei. Plausível, mas mantive o original, compensando-o com este adendo, por achar mais honesto registrar minha possível precipitação. Agradeço ;) especialmente, portanto, a Wilson F., o fã, que me garantiu que Mallu Magalhães não só segura bolsas e sacolas, como cede seu assento para idosos, gestantes e deficientes físicos.)

Ô, sim, era naquela época de constantes falhas mecânicas do metrô, que não suportava o aumento excessivo de usuários com a integração metrô-ônibus possibilitada pelo Bilhete Único. O vagão lotado, e quente como é na Linha Verde, já imaginem, porque, não sei se lembram, mas as paradas devido a falhas mecânicas então podiam durar de vinte a trinta minutos, como de fato se deu.

Passados dez minutos, e nada, as pessoas se abanando, bufando e resmungando, como uma purulenta galé de degredados, Mallu e eu tivemos a idéia de salvar o dia, principalmente considerando que havia ali muitos dos internautas que tanto nos amavam em segredo. Demos uma piscadela, e ela já foi tirando o violão da capa. Não foi preciso mais nada para que meia dúzia – dentre os quais, um casalzinho indie e um rapaz com um Dom Casmurro do Estadão nas mãos – a reconhecesse, mas, contidos como são os jovens bem-nascidos, procuraram apenas chegar mais perto, porque sabiam que dali sairia aquele folk gostoso e intimista, ora entranhado, que fez a fama de Mallu Magalhães.

"Essa aqui é pro meu grande rsrs camarada rsrsrsrs, Camarada Fundamentalista."

A pedido meu, que considerava a mais representativa cover de seu repertório e especialmente adequada à ocasião, sem dizer que a de Mallu era a melhor interpretação desde a versão original de Johnny Cash, ela começou a introdução de “Folsom Prison Blues”:

“I hear the train a comin'

It's rolling round the bend

and I ain't seen the sunshine since I don't know when,
I’m stuck in Folsom prison, and time keeps draggin' on
but that train keeps a rollin' on down to San Anton.
When I was just a baby my mama told me:
Son, always be a good boy, don't ever play with guns.
But I shot a man in Reno just to watch him die
When I hear that whistle I hang my head and cry.”

E que olhar era aquele no rostinho de Mallu, da angústia negra de Memphis, da revolta estudantil do Quartier Latin, da sanha assassina das Bolsas em 1997, era o puro espírito maldito! Arrepiado, dizia comigo mesmo que já não estávamos num vagão de metrô entre as estações Paraíso e Brigadeiro, aquilo era a Caverna de Adulão, referência que os leitores versados nas Escrituras não deixarão passar. E continuou, prodigiosa:

“I bet there's rich folks eating in a fancy dining car
they’re probally drinkin' coffee and smoking big cigarrs.
Well I know I had it coming, I know I can’t be free
but those people keep a movin'and that’s what torture means.”

(Muitos blogueiros me perguntam, em congressos de que participo, se a introdução de letras de música, mesmo quando devidamente contextualizadas, como “é o caso de seus posts”, eles contemporizam, se mesmo assim é legítima. A pergunta procede desde que muitos amadores, notadamente miguxinhas não filiadas, fazem disso um expediente gratuito e preguiçoso. Costumo dizer que a subversão fraudulenta de um recurso legítimo depõe, por certo, tão-somente contra o subversivo, como se diz que a lei é boa, nós é que somos corruptos.)

“Well if they'd free me from this prison,
if that railroad train was mine
I bet I'd move just a little further down the line
far from Folsom prison is where I long to stay
and I'd let that lonesome whistle blow my blues away.”

Aquilo era um canto da terra, profundo e verdadeiro apenas como um produto da natureza podia ser. E eu tinha certeza de que todos naquele cubículo haviam transcendido, nem que por quatro minutos, porque quando desembarcaram, minutos mais tarde, na Trianon-Masp e na Consolação, iam com um semblante como que purificado por uma grande fúria finalmente liberada pela voz e violão de Mallu Magalhães. Ela, que também o pressentira, quando nos despedimos no Sumaré, onde ela ia descer, me confessou, renunciando por um instante a sua grande humildade de artista folk:

- E pensar que eu nunca estive em Folsom Prison, rsrsrsrsrsrsrs.

– Nem nós, Mallu, nem nós.

A Arte, e somente a Arte, é capaz de nos unir tanto na miséria aviltante, como na glória excelsa.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

De como Jewel e eu salvamos a Augusta

Jewel e eu. A Jewel de 95 é um dos meus 14 grandes amores. É uma lista fixa que foi inaugurada muito antes de eu saber que seria uma lista, quando eu vi um dos irmãos Hanson, aquele, e achei que era uma garota, pelo que me lembro, mas isso não vem ao caso.

Depois mais equívocos, quando eu me apaixonei pela Victoria (então) Adams, ainda Posh Spice, por causa de “2 Become 1”, que eu cantava junto, em falsete, apontando com o dedinho que nem ela fazia no clipe.

Mas se é natural sentir atração por um homem, achando que é uma mulher, e mesmo depois de descobrir, não querer acreditar, bem, e gostar de Jewel?

Em Pieces of You, seu debut, ela expôs sua alma dilacerada, ecoando a dor de multidões que comprariam o disco, garantindo um colinho milionário para suas lamentações intermináveis, mas totalmente justificadas. Porque ela não negociaria seus sentimentos para agradar ninguém. Aqui, o paralelo com Marilyn Mason é evidente e inevitável, como muito bem assinalado pelo Wikipedia.

Mas Jewel e eu. Talvez nossa história tenha começado apenas por causa da rua Augusta. Sim, acho que é isso mesmo. Já posso me lembrar...

Jewel de 95.

De como eu desci a Augusta, sentido centro, e provei um pouco do mundo cão. Como descesse a Augusta, sentido centro, muito, muito longe de casa, logo ficou claro pra mim que seria difícil viver o lado Coca-Cola da vida ali. E a coisa só piorou, quando a Bichinha Pobre, perto de mim, disse detestar cinema nacional. Nesse instante, devastado, pela quinta vez naquela semana jurei vingança ao Capital, que fazia do homem proletário, e do proletário consumidor, e do consumidor bichinha, aquela bichinha.

Um menino como eu, criado a leite com pêra, conhecia lugares como a Augusta apenas de ver Amarelo Manga ou Baixio das Bestas. Aliás, assistir Baixio das Bestas é um tipo de obra social.

De como eu me juntei com o dono do Feliciano’s Bar para trazer Jewel pra Augusta e salvar aqueles desgraçados. Com essas noções de degradação social do cinema brasileiro misturando-se na minha cabeça, é que eu me lembrei do clipe de “Who Will Save Your Soul”, em que a Jewel salvava um bando de excluídos incontinentes num banheiro público só tocando violão. Foi aí que eu tive a idéia de trazê-la pra cá, e então era só ela tocar violão e fazer aquele bando de pederastas e meretrizes mudarem de vida.

Parei pra tomar uma Coca num boteco, eu, um menino criado a leite com pêra, mas que, àquele ponto, já não tinha mais escrúpulo algum. O dono do bar, que era uma espécie de Paul Newman paraibano, chegou-se pro meu lado e disse: – Eu sei o que você tá pensando, que isso aqui não tem jeito. Mas você, um menino criado a leite com pêra, não veio parar aqui por acaso. Não podem imaginar como aquelas palavras me devolveram toda a vontade de mudar o mundo. Puxei na hora um santinho do Glauber Rocha que eu carregava comigo, junto ao peito, e beijei-o.


Terminei a Coca de um só gole e disse àquele clarividente comerciário:

- Eu acho que sei o que fazer, mas preciso da sua ajuda.

- Opa – ele respondeu e bateu o paninho encardido contra o balcão.

Contei então pra ele o meu plano de trazer Jewel pra Augusta. Nessa hora fizemos o Hi-5.

De como eu não tinha idéia de como trazer Jewel pra Augusta e salvar aqueles desgraçados e acabei desacreditado pelo dono do Feliciano’s Bar. Então, o dono do bar me perguntou como traríamos a “Jiu” e seu violão pra Augusta. Respondi que eu não era um indivíduo particularmente prático. – E não particularmente? – ele me perguntou. Desconversei, falando que uma coisa dessas não acontecia assim, da noite pro dia, a-ham.

De como o acadêmico falha miseravelmente em alcançar o Homem Comum. O problema todo do Homem Comum é esse: a incapacidade de deter-se no plano das idéias, viver uma experiência puramente teórica, por mais paradoxal que pareça. Ele quer ver logo os resultados, quer partir pra ação quando não é hora. E, aliás, quem pode saber qual é a hora? Era o que eu procurava explicar ao dono do bar. Inutilmente.

De como tudo acabou inesperadamente comigo cantando pro dono do Feliciano’s Bar “Who Will Save Your Soul”, porque também ele era um desgraçado. Então, eu comecei a cantar, arriscando inclusive um falsete:

People living their lives for you on TV
They say they're better than you and you agree
He says "Hold my calls from behind those cold brick walls"
Says "Come here boys, there ain't nothing for free"
Another doctor's bill, a lawyer's bill
Another cute cheap thrill
You know you love him if you put in your will
Who will save your soul when it comes to the flower
Who will save your soul after all the lies that you told, boy
Who will save your soul if you won't save your own?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Sobre o show da Madonna e Lobos

É isso ai, turma. Em Dezembro, a garota material que vive num mundo material virá à terra de Machado e Alencar pela segunda vez, para fazer cinco shows no Rio de Janeiro (onde tem o Corcovado) e em São Paulo (onde tem o Fura-Fila). Que delícia. Para entrar no clima de tamanho acontecimento pop, preparo aqui um guia completo sobre o show, para vocês que querem ir, mas não são familiarizados com o universo da diva cinquentona. Bruaca!

Sobre o show
Os ingressos são mais caros que a fome. As filas para comprá-los são maiores que as de sopão de mendingo. O povinho descolado que se interessa pelo mundo fashion infestará as fileiras do Maracanã e do Bambódromo, ops, Bambineira, er, ops, quer dizer, Morumbambi, er, ups, tá, tá, eu falo o nome correto, Morumbi (mas deveria chamar Vila Sônia, verdadeiro bairro no qual se localiza o estádio do São Paulo Futebol Clube). Definitivamente, não é um show para o povão, tipo a Ivete no maraca. Mas se você for do proletariado e estiver arriscando guardar o salário de cinco meses para poder comprar ingresso para o show, eis algumas informações para você não passar vergonha quando for paquerar aquela menina riquinha de Moema (ou da Tijuca, se você for carioca) no meio do show. As meninas também, logicamente, se quiserem arrumar um riquinho, vão em frente. Sim, é uma excelente oportunidade para os alpinistas sociais finalmente tirarem a barriga da miséria. Show da Madonna, também um evento de cunho sociológico.


Parte do show que será visto no Brasil. Ou, como diria o outro, Madonna brincando de Príncipe Adam.


Sobre os discos da Madonna
O disco lançado nesse ano e sobre o qual toda a turnê está baseada, Hard Candy, é um lixão. Não dá mais para aguentar os Timbs (Timbaland e Justin Timberlake) assombrando todo disco pop lançado nos últimos anos. Chega. Se houver no show mais de duas canções dessa porcaria, vocês já sairão lesados, e deveriam cogitar pedir a devolução da grana. Se houver mais de duas canções do disco anterior, Confessions on a Dance Floor, que também era pior do que bater na mãe, vocês sairão mais lesados ainda, e poderiam cogitar um processo criminal contra a produção do show. Se houver cinco segundos de qualquer canção do antepenúltimo disco, a tragédia grega American Life, vocês deveriam cogitar o suicídio, esse subestimado. É, como se pode ver, a carreira da Madonna anda de vento em popa. Sugestões para a bruacona não sacanear os fãs brazucas e fazer um show minimamente decente: tocar o Like a Prayer inteiro, metade do True Blue, algumas canções do Erotica (mas com sacanagem!), Like a Virgin, Material Girl, Bordeline, Vogue, Ray of Light e, tá, vai, Don't Tell Me, musiquinha graciosa que salvou o Music. E, pelos céus, NENHUMA música do disco mais chato da história da humanidade, Bedtime Stories. Se isso acontecer, quebrem tudo! Sério, taca pipoca na moringa da véia. E dá-lhe coro: BRUACA! BRUACA!


Sobre a carreira cinematográfica da Madonna
Hahahahahahahahahahahahahaha! O Framboesa de Ouro agraciou a nossa diva pop com o título de pior atriz do século XX. Justíssimo. Mas se você quiser se exibir, diga para a mina da Vila Madalena a qual você estiver dando em cima que a Madonna é casada com o Tarantino inglês, o Guy Ritchie. O quê? Eu disse Tarantino inglês? HAHAHAHAHAHAHAHAHA! Eu não me aguento. Um brinde para todos aqueles que acharam Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes uma obra-prima. É, se hoje em dia até privada no meio da Avenida Paulista é considerada arte...


Sobre a amizade dela com o Michael Jackson
Eles foram juntos a uma cerimônia do Oscar em 1991. De mãos dadas e tudo. Ela achou ele esquisito. Ele achou ela velha demais para os, er, digamos, padrões de idade dele. A amizade terminou assim, intensa e breve como uma chuva de verão. Pena.

Não, ele não pegou. Com toda a certeza desse mundo.



Sobre ela e o Prince
Ele ajudou a Madonna a escrever uma canção no Like a Prayer, a bela Love Song. E foi só. Pena.


Sobre ela e a Bjork
A Bjork compôs a canção título do horrendo Bedtime Stories e ajudou na produção de outras faixas (o resto ficou por conta do péssimo produtor Babyface). Mas isso não importa. O que realmente conta é que na época existiram rumores de um possível caso amoroso entre as duas. Cole aqui então sua piada de lesbianismo favorita. Mas ficou nisso apenas. Pena.

Sobre ela e o Elton John
Pouco tempo atrás o Elton John criticou a Madonna, dizendo que ela não cantava ao vivo nos seus shows e sempre fazia uso de playbacks. Disse ainda que por isso ela não mandaria mais cartões de Natal para ele, mas que ele estava pouco se lixando. Depois ele se arrependeu e disse ser um falastrão, e que iria pedir desculpas para ela. Não sabemos se ela aceitou ou não, o que não deixa de ser uma pena.

Sobre ela e a Cabala
Madonna é adepta dessa "religião". Irrelevante. Pena.

Sobre ela e a Gwyneth Paltrow
Eram amigas, mas a amizade terminou porque a Paltrow disse não aguentar o estilo de vida Madonniano, as Cabalas e tudo mais. Sei. Cano alto brabo que acabou mal. Paltrow ficou tão arrasada que apelou para o coxinha-mor, Cris Martin. Dignidade? Necas. Pena.

Sobre o livro infantil que ela escreveu
Pais que comprarem um livro infantil escrito pela Madonna para os seus filhos deveriam levar umas bicudas nos coturnos. Agora, se eles comprarem o outro livro dela, o Sex, para dar uma levantada no casamento, ai eu dou o maior apoio. Melhor do que ir em terapias de casal.

Cala a boca, criançada, que eu tô falando!


Sobre ela e o aquecimento global
A Madonna finge que se preocupa com isso, nós fingimos que achamos a preocupação dela sincera, e todo mundo fica feliz.

Sobre ela e o conflito Israel-Palestina
Não existem informações oficiais sobre a opinião de Madonna em relação a esse conflito.

Sobre ela e o conflito Rússia-Geórgia
Não existem informações oficiais sobre a opinião de Madonna em relação a esse conflito.

Sobre ela e a eleição americana
Madonna é pró-Barack Obama. Pegou mal quando ela mostrou num vídeo na abertura da turnê que vem ao Brasil em dezembro uma montagem com o Obama junto com Gandhi e outros símbolos da paz, e o John McCain junto com Hitler e outros símbolos do mal. É, de sutileza e política a Madonna realmente entende. Por essas e outras que a campanha do Obama anda de mal a pior. Democratas, sempre prontos para jogarem na privada as chances que aparecem.

Sobre Madonna e Lobos
Ela não estava no filme, nem tem qualquer tipo de relação com o Clint Eastwood. Mas ela foi casada com o ator principal. O que me lembra de entrar no último tópico, que é...

Sobre ela e o Sean Penn
Madonna e Sean Penn foram casados por um curto período de tempo nos anos 80. Casamento esse que foi marcado por uma cobertura insana da imprensa, tiros do doidaço Sean em helicópteros de paparazzis no dia do casamento, e agressões físicas de parte a parte (parece que eles adoravam trocar uns tapas). Legal ver o Sean Penn bancar o pacifista hoje, e lembrar que ele adora dar uns tapas em mulheres e atirar por ai. Mas isso ficou no passado, e hoje eles são amigos. São mesmo? Vocês que me dizem.

PORRADA! PORRADA!


Para encerrar, dois Top-5:

Piores músicas da Madonna:
5-Take a Bow
4-Secret
3-Bedtime Stories
2-Frozen
1-American Life


Melhores músicas da Madonna:
5-Live to Tell
4-Ray of Light
3-Open Your Heart
2-Vogue
1-Like a Prayer


Obs: dedico esse texto à minha irmã, que faz aniversário hoje e é fã da Madonna. Come on, Vogue, let your body move to the music!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Madonna, adooooooooro

O filisteu da cultura diz assim: os modernos (Stravinsky, Shostakovich e cia.) são inferiores aos clássicos, de classicismo, porque exageram nos pianíssimos. E é verdade. Meu, como você vai ouvir os pianíssimos no busão? Vou te dizer: música moderna (não, não e não; de novo, estou falando de Stravinsky, e não de Madonna) é elitista, porque a gente que é marrom e ouve música no caminho pro trabalho/faculdade/casa/etc, fica como, se não tem a melhor acústica do mundo no Vila das Mercês 4632 e no Terminal Pq. D. Pedro 4506 sacolejando, mas com toda a dignidade proletária no fundo do peito amigo?

Mozart, amigos, é um menino que alegra os dias dos mais pobrinhos como eu, porque, olha, qual foi a última vez que eu ouvi um pianíssimo dele? Ah, você quer saber o que é um pianíssimo? Ora, um piano bem fininho, seu cretino!

Hediondo o blogueiro xingar o leitor. Mesmo que farsescamente. Vai que ele se transforma em comentador de blog, com as mãos peludas e coração de monstro. Nessa hora, entra uma velhinha que grita: ó, mooooonstro! E a turba se acanalhava antigamente com essas coisas. Hoje, com Kevin Smith, gênio. Ah, quer que eu desenhe o que quer dizer “farsescamente”?

Além de Mozart, Brahms, não a cerveja.

Cotas no blog: agora estou ouvindo jazz.

Mas acanalha mesmo o leitor é subestimá-lo, supor que o máximo que ele pode fazer é ouvir jazz, que pra ele jazz é erudito. Jazz não é erudito, gente. Jazz é chato. Tá, estou só brincando, Britney. Porque, por exemplo esse álbum que eu ouvi, Sarah Vaughan with Clifford Brown: era jazz e não era chato. Vocês ouçam aí, que faz bem ouvir de vez em quando gente que não berra. Sarah Vaughan vocalista, mulher e negra; e Clifford Brown, trompetista, homem e negro, só pra situar.

Madonna não é o máximo, esse é o ponto mais controverso do meu pensamento, a que eu sempre tenho que voltar quando as menininhas me param na rua. Porque, ora, vejam, ela canta mal e ela dança mal. Tá, Narcisa, finge que eu estou só brincando. Amo muito tudo isso.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Resenha: Coldplay - Viva la Vida

Mês passado, no meio do nosso recesso, o Coldplay, vulgo "banda de rock mais importante do planeta", lançou o seu mais novo petardo (seria essa a palavra correta?). Viva la Vida (Or Death And All His Friends), nome inspirado numa obra da pintora mexicana-bigoduda Frida Kahlo. O nome apenas, já que na capa do CD a banda colocou uma pintura do artista do romantismo francês, Eugene Delacroix, inspirada na revolução de 1830. Nossa, o nome do disco e o fato da pintura na capa corresponder a uma cena de batalha, e não à pintura da senhorita Kahlo, indicam dualidade! Quanta inteligência! Chris Martin, que já pode ostentar o título de maior burocrata do rock (e o fato de sua banda ser a mais famosa hoje diz muito sobre a era que vivemos), provavelmente deve querer lançar uma batida discussão sobre os valores de vida e morte ante um mundo doente e carente de amor. Amor, meu! Lógico que ninguém poderia ligar menos ou dar a mínima para isso, mas pelo menos temos que reconhecer que o nosso compositor abobado favorito tentou, digamos, ser mais ambicioso. Não deu, mesmo. A banda tem sido acusada de chupar vergonhosamente o U2 da fase Joshua Tree, inclusive contando com o produtor dos discos da banda irlandesa na época, Brian Eno. Eno, ex-membro do grande Roxy Music, era um músico de grande relevância. Nos anos 70 e 80. Hoje, soa deslocado demais, e sua produção obviamente não consegue o mesmo efeito, já que tecnicamente falando o Coldplay é muito inferior ao U2 (pois é, acreditem se quiser). O álbum falha miseravelmente no âmbito artístico apenas, já que comercialmente falando, o disco fez um barulho danado.
O single Viva La Vida conseguiu a façanha de liderar a parada americana e inglesa ao mesmo tempo, algo não conseguido por uma banda de rock desde... desde... é, faz tempo mesmo. Mas chega de papo furado, farei um faixa-a-faixa para entender melhor o que Martin e seus asseclas quiseram passar com o disco. Não que isso faça muita diferença. Sério, alguém sabe o nome dos outros três integrantes do Coldplay além de Martin? No meu tempo, banda boa de rock era aquela a qual nós sabíamos o nome até dos roadies. Hoje... Bom, vamos lá, faixa-a-faixa para essa galera linda, esperta, bacana, malhada e parruda, e que faz, sim, a diferença. Ergh...

Life in Technicolor
Instrumental que usa desavergonhadamente a introdução de Where The Streets Have No Name como mote para a canção inteira. Sim, os órgãos de igreja e o climão "senta que o pregador vem aí". Como o Coldplay não poderia bancar uma reprodução do que vinha depois na música do U2, ficou mesmo somente com a intro. Banda de categoria é assim mesmo, rói os ossos e pede mais.

Cemeteries of London

Música morosa, que usa uma cama preguiçosa de teclados para versar sobre cavaleiros medievais. Cavaleiros medievais. É, tá difícil mesmo. Quando Dylan usava do mesmo artifício em músicas como All Allong the Watchtower, era fácil entender o ponto. Mas Martin... Ele soava melhor quando cantava as velhas bobagens sobre consertar a parceira e tudo mais. Era meio doentio, mas ia de acordo com o "talento" do mesmo como compositor.

Lost!

Outra música construída em cima de órgãos. Tem um clima hipnótico, nada memorável, mas que ao menos mexe com algo. Eno deve ter os méritos. Méritos? Uhm..

42
Lembra Keane, Damien Rice e outras coisas de igual calibre. "Vamos tocar um piano e cantar sobre aquele amor lá?". Sabe aquele filme irlândes, o Apenas Uma Vez? Vocês viram?

Lovers in Japan/Reign of Love

O Radiohead anda com a mania de dar o nome de suítes para todas as suas canções. Como o Coldplay segue todos os passos da banda de Thom Yorke, acharam bom repetir essa rotina em algumas canções do Viva la Vida. Essa é a primeira delas. A primeira parte, Lovers in Japain, tem um bom tema de guitarra, mas a melodia é elíptica demais (roda, roda, e não sai do lugar) para nos envolver. Algo que é uma constante na carreira do Coldplay. A segunda parte, Reign of Love, é uma arrastada balada levada por um piano e a famosa cama de teclados de Eno, em cima da qual Martin murmura as bobagens de sempre.

Yes
A primeira parte da canção nada tem demais. A parte escondida, entretanto, Chinese Sleep Chant, é um dos poucos pontos altos do disco. Único momento do disco dominado por guitarras, e o punch de canções como Yellow se faz sentir aqui.

Chris Martin, e sua equipe de guarda-costas. Não que alguém se importe.



Viva la Vida

Melhor música já feita pelo Coldplay. O que, em termos práticos, não significa absolutamente nada. Mas, deixem eu tentar ser bonzinho. O trabalho de Eno na música é o seu melhor desde a sua fase áurea como produtor, com um bom trabalho de cordas e dando o tempo exato para Martin encaixar a sua letra mais ambiciosa da carreira em cima de uma bela melodia. Há apenas um problema: eu duvido que Martin realmente tenha o domínio sobre as metáforas e figuras de linguagem que ele levanta na música. Vejamos o refrão: "Eu ouvi os sinos de Jerusalém tocando/Coros de Cavalarias Romanas cantando/seja o meu espelho, minha espada, meu escudo/meus missionários em campos estrangeiros/e por algum motivo que não posso entender/eu ouvi São Pedro chamando o meu nome/nunca uma palavra honesta/ e foi ai que eu dominei o mundo". Sério, alguém ai acha que ele realmente tem o total domínio sobre a suposta complexidade dos temas levantados? As supostas alegorias políticas (Bush Jr. como alvo, obviamente). Acho que ele pegou umas imagens bonitas e misturou tudo. Usar Bob Dylan como inspiração é, repito, perigoso. Principalmente para um chorão como Martin. O Oasis tentou no Be Here Now e quebrou a cara lindamente. Mas darei o benefício da dúvida.

Violet Hill

Primeiro single e clipe do disco. Dizem que Violet Hill é uma rua que fica próxima da Abbey Road. Entenderam? Abbey Road? Mas a escolha é inexplicável, a música tem uma boa batida de piano e um surpreendente trabalho de guitarras, mas perde muito sua força no fraco e diluído refrão. Viva La Vida é uma música bem mais forte, tanto que quando foi lançada em seguida, produziu um impacto bem maior nas paradas.

Strawberry Swing

Música que mais lembra o velho Coldplay. Que não era nem melhor, nem pior que esse novo sobre a aba do Brian Eno. O que também, como sempre quando tratamos da banda, não faz a menor diferença. O negócio é vender cds (o que der no mercado combalido dos dias de hoje) e garantir um bom número de downloads para se conseguir dar suporte a uma turnê gigantesca, que é aonde as bandas realmente ganham dinheiro hoje em dia.

Death and All His Friends

Música que fecha o disco no melhor estilo "vamos cantar todos juntos sobre a morte e todos os seus amigos". Destaque para a bonita (bonita?) frase de guitarra que acompanha a melodia. Depois ainda tem uma faixa escondida, The Escapist, que é verdadeiramente a última faixa do disco. Momento no qual o climão Brian Eno se faz sentir com mais força, com camadas de teclados vindo de todos os lados, enquanto Martin diz um monte de coisas que, sério, não fazem a menor diferença.


Veredicto: sério, who cares? O Coldplay quer ser o novo U2, porque o U2 vende bem e o Radiohead é complicadinho demais para ser copiado. Mas é impossível desassociar a imagem do Coldplay com coisas como a Apple, Steven Jobs, Pixar, Bob Geldof, Bono, Bill Gates, Al Gore, dívidas dos países do terceiro mundo e aquecimento global. Esse é o mundo asséptico, limpinho e babaquento. E ai, lembramos que existem coisas como a Guerra do Iraque, George W. Bush, Osama Bin Laden, Kim Jong II, Silvio Berlusconi, tsunamis, terremotos em São Paulo. Viva La Vida, ou Death and All His Friends? Não que alguém se importe.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Fui ao cinema ver Shine a Light, e fiquei triste. O por quê? Explico.

"Shine a Light é um documentário que retrata uma performance artificial de uma banda de sexagenários milionários sem muito mais o que dizer, dirigido por um diretor abastado que a muito tempo desistiu de tentar, preferido se acomodar perante a ribalta dos caminhos seguros e previsíveis. Quando a idade deveria ter produzido sapiência, reflexão e contemplação, produziu conveniência. Rolling Stones e Martin Scorsese, antes artifícies de uma revolução, hoje são burocratas de uma máquina de lucros, marcial em sua implacável eficiência."



Se eu fosse um daqueles idealistas -utópicos- ingênuos -tontos, teria começado esse texto com a descrição acima. Mas eu não sou. Então, vou mandar a real. Martin Scorsese e Rolling Stones, vocês são velhos e não possuem mais relevância alguma. Considerem seriamente a possibilidade da aposentadoria, por favor. Vou transcrever algumas impressões que tive no decorrer do filme, devidamente anotadas no meu bloco de notas favorito, que é todo amarelo e tem uns números irados em cima. Meu, se eu tivesse scanner, mostrava pra vocês. Mas eu não tenho, então, para dar uma idéia de como ele é, achei uma foto que dá uma idéia da composição do bloquinho. É mais ou menos assim:


É, eu sei. Demais mesmo, ligadão nele. É como se eu escrevesse diretamente em cima do Sol. Sim, o nosso astro-rei. Podem me chamar de Ícaro, the writer? Ya bet, dawg. Ok, ok, chega, ai embaixo vão algumas impressões instantâneas do filme. Vou colocar todas aqui, das mais idiotas até as mais... é, todas eram idiotas, mas não vou esconder nada! Há que não vou!

"Nossa, que tanto o Martin Scorsese tinha que aparecer no documentário? Parece o Michael Moore. Tipo, olha eu aqui, sou um diretor mitológico e sou fã dos Rolling Stones, então, aplausos, por favor!".

Essa primeira anotação denota já um grande desconforto (podem chamar de constrangimento mesmo) com a sutileza de elefante com a qual Martinho conduziu o documentário. Nos últimos anos, Scorsese tem feito de tudo para embaraçar ao máximo possível seus fãs, que um dia viram as glórias de um Taxi Driver e um Touro Indomável e agora aguentam o velho babando. Antes seus filmes nos deixavam sem fôlego. Hoje, olhamos para o relógio, esperando os exercícios de futilidade do melhor amigo do Robert De Niro acabarem.

"O Keith Richards é um guitarrista subestimado, e o Charlie Waitts é um baterista subestimado, o Ron Woods é um guitarrista-base subestimado, e o Mick Jagger é um cantor subestimado, e eu sou um cínico deveras (YES!) subestimado"

Talvez seja culpa do marketing brutal da banda. Fazem décadas que não prestamos mais atenção em como os Stones tocam ou deixam de tocar, de tanto que eles querem que compremos suas camisetas com a bocona. Deixem rolar as pedras que não criam limbo?

"Mick Jagger é um ser amoral. Merece uma antologia da maldade bussiness-type. Nada deve a um Gates da vida"
Sim, toda vez que via Jagger falando alguma bobagem no filme, não podia deixar de notar seu olhar demoníaco, suas feições perversamente dissimuladas, sua alegria milimetricamente calculada. E também impossível não notar seus comparsas de banda, Richards principalmente, olhando com um ar de descrédito para o seu vocalista. Eles sabem que tocam com o capeta. Pobres almas.


"Onde eles gravaram esse show? No teatro Procópio Ferreira? Sério, cadê as marcações? To be or not to be?"Apertado demais! Os velhos parecem que vão trombar e capotar, de tão perto que tocam"

Sei que é difícil fazer show em lugares amplos quando a média de idade da sua banda é 2.000 anos, mas realmente o impacto que o show poderia ter foi pelo nariz do Keith Richards, junto com o seu estimado pai.


", o documentário sobre o grupo The Band que ele fez nos anos 70, The Last Waltz, dá de 10 nesse. Havia um distanciamento naquele, algo vital para qualquer documentário que se preze"

É, essa anotação ai foi meio, tipo, pagando um pau pro The Last Waltz mesmo. Será que eu precisaria de um distanciamento, também? Não, lógico que não. É cada uma que eu digo, que vou te contar...

"NÃO, JACK WHITE NÃO! MIL VEZES NÃO! MISERICÓRDIA! EU FAÇO O QUE VOCÊS QUISEREM! EU FAÇO A DANÇA DO QUADRADO! JURO!"

Sim, escrevi com maiúsculas. Foi como tomar a famosa anestesia do dentista do bairro. Parece que ele ficou umas três horas, ao invés dos reais poucos minutos. Se eu soubesse, nem teria... bom, vocês já sabem.

"A Cristina Aguilera lembra uma Betty Boop platinada."

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"Nossa, aquelas duas minas no canto são bem decentes.. o que fazem assistindo um documentário de cunho geriátrico, como esse?"

Putz, esse ai escapou, não tem muito a ver com o tema, e desconsiderem, e, tipo, olha, não foi de propósito, e... é, não deu.

"Bill Clinton não gosta de rock, é um entusiasta do Jazz, então mais uma vez estava brincando de ser popstar. Lewinski perva"

Alguém ai acha que a Hillary daria uma boa tetéia? Eca! O quê, a Tetéia da Semana acabou? Por que ninguém me avisou? Quem fez isso? Sério, dá o endereço do palhaço que eu vou lá fazer a vida dele ficar um pouco mais triste. I can't get no! Pampam, paranam, parararapam!

"Eu era neném; não tinha talco; mamãe passou açúcar em mim"

E alguém ousaria discordar?


Antes de encerrar, mais uma vez, a foto de um bloquinho amarelo que lembra o meu bloquinho amarelo, só para vocês verem mais uma vez o quão irado ele é:

terça-feira, 10 de junho de 2008

Jackson Conti - Sujinho (2008)

Já que falamos de música por aqui, só dar uma olhada no último post do camarada fundamentalista. Agora ele resolveu ficar ouvindo ópera, estou pensando em comprar uma vitrola pro meninão. Depois, uma bengala, de brinde com a vitrola, talvez aumente a idade do veinho camarada. Depois é só colocar uma mantinha quando ele estiver ouvindo suas "Carminas Buranas da vida" enquanto deixamos a música rolar até ele adormecer. Pronto.


Verdade, eu gostava mais quando ele ouvia umas bandas descoladas holandesas e o saudoso Jorge Ben, fazer o quê, não é mesmo? Bem, eu continuo ouvindo as mesmas porcarias, inclusive uma delas lançou um novo álbum, por isso comecei a escrever este post.


Jackson Conti lançou o álbum chamado Sujinho. Mas quem diabos é Jackson Conti? Ele é um dos muitos heterônimos musicais de Madlib, o grande produtor workaholic da costa oeste estadunidense; seu enfoque é sobretudo em pesquisar músicas e criar hip-hop alternativo baseado nelas, o famoso sampler que tanto adoro. Da suas experimentações: criando músicas para filmes imaginários( The Beat Conducta Vols 1-4), a criação de dez bandas imaginárias( Yesterday Universe); Madlib sempre demonstrou um apurado senso musical e uma técnica impressionante, pra quem não sabe ele toca todos os intrumentos, pior, ele toca todos os instrumentos necessários de uma banda pop muito bem.


Voltando, Jackson Conti é uma dessas bandas que ele criou no Yerterday. Junto de Mamão, baterista do Azymuth, ele apresenta dezoito faixas de tirar o fôlego. Inclusive algumas são samplers de famosas músicas brasileiras. As pérolas se distanciam da dificuldade musical do Yesterday New Quintet: banda base que gerou esse projeto; as músicas se aproximam mais de funk e jazz do que as experimentações frequentes dele.


A admiração pela música brasileira vem de tempos, por isso ele insistiu com Mamão de fazer esse projeto e o Yesterday Universe que também conta com a participação do baterista. Depois de ouvir e gostar bastante bateu uma dúvida: o nome "Sujinho" deve-se a uma homenagem ao famoso restaurante paulistano? Ouçam e digam o que vocês acham.



Você deseja saber mais?
Mais sobre o Madlib

Um pouco sobre sampler

Um bom site sobre o álbum: Original Pinheiros Style

domingo, 8 de junho de 2008

Rigoletto

Você sabia que Renata Tebaldi e Maria Callas eram rivais nas décadas de 1950 e 1960? Mas que as duas fizeram as pazes em 1968, porque cada qual sabia que era melhor que a outra, mas que isso é coisa que se guarda do lado esquerdo do peito? Mais uma rivalidade que você desconhecia, viu?

Mas ópera é a coisa mais bonita do mundo. Naturalmente, depois disto:


Passei a tarde ouvindo Verdi: Rigoletto e Aida. Rigoletto é sempre Rigoletto, desde a primeira vez que a ouvi pela Cultura FM, em transmissões diretas do MET. Mas Aida não me convenceu. Ainda. Dãããã.

Rigoletto é uma ópera em quatro atos sobre um nigger que resolve folgar com quem não deve, ou seja, um branco rico. Rigoletto tem uma filha que é um estouro, Gilda, interpretada por Rita Hayworth no famoso filme homônimo de 1946, de Charles Vidor.

As célebres rotinas de Rigoletto, na melhor tradição bufa da denúncia pelo humor, recurso muito sagaz do libretista.

No final, [spoiler] Gilda é assassinada por engano no lugar do Duque de Mântua, dando a entender que a opressão continua. Rigoletto ouve o Duque de Mântua cantando “La donna è mobile”, então imediatamente abre o saco onde deveria estar o corpo do nobre e encontra sua filha Gilda agonizante.

A versão de Rigoletto que estive ouvindo é de 1964, com Dietrich Fischer-Dieskau no papel de Rigoletto e Renata Scotto no papel de Gilda.

Estava procurando fotos da Renata Scotto no Google só pra descobrir que ela parece um Muppet. Isso estraga um pouco a minha imagem da Gilda no duo com o Duque de Mântua, de “E il sol dell’anima”. Em compensação, imaginar a Miss Piggy agonizando dentro de um saco é mais divertido, mesmo que suprima um tantinho a tragicidade.

Rita Hayworth dentro do saco é uma das cenas mais emocionantes do cinema mundial.

E aonde eu vou as pessoas me vêm falar de Puccini, como se Puccini fosse mais pop que Verdi. Rigoletto, meus queridos, Rigoletto.

Minha objeção a Puccini é, no fundo, senão uma defesa de Verdi, pois se Rocco e i Suoi Fratelli me provoca lágrimas, High Noon me comove muito mais.

No libreto, baseado na peça de Vitor Hugo, Le Roi S’amuse, Francesco Maria Piave, por causa da censura da época, recorreu à maldição que o Conde Monterone lança sobre Rigoletto como metáfora para a discriminação sofrida pelos pretos.

Maldição do Conde sobre Rigoletto:

“e tu serpente, tu che d'un padre ridi al dolore, sii maledetto!”

E é claro que eu me lembrei de In the Heat of the Night, com Sidney Poitier e Rod Steiger, quando o velho aristocrata sulista leva do Poitier um tapa na cara e fica todo melindrado.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Top 5- Grandes Façanhas dos Popstars Oitentistas

Anos 80. Que delícia. Época dourada. Diversão pura. Nós não vivíamos; nós escrutávamos. O que isso significa? Não tenho a menor idéia. Mas aquela foi uma era de megastars. Megastars, e ainda por cima engajados. Sim, as preocupações com o meio ambiente, hoje tão em voga, começaram a existir naquela época. A África também ardia as estrelas de preocupações, e um sem-número de eventos dedicados a cobrir as necessidades básicas do continente mais negligenciado do planeta foram colocados em prática. Tudo lindo mesmo. Mas, olhando agora, de maneira isenta, passados tantos anos, quais foram os maiores sacrifícios feitos pelas estrelas daquela época, que vive febril e mais viva do que nunca nas nossas mentes, assoladas pela impessoalidade da era da internet? Cabe a mim, Progressista, revelar a verdade, num Top-5 justo e imparcial. Porque eu sou justo e imparcial. Namasté.

5- Nome do Popstar: George Michael
Nacionalidade: Inglesa
Hits mais bacanudos naquela década: Faith, I Want Your Sex, Careless Whisper, One More Try
Façanha: manter sua homossexualidade escondida por propósitos comerciais


Vamos fazer um exercicío básico de administração voltada para o mundo do entretenimento. Qual o target, o alvo, a parcela de consumidores mais procurada pelo mundo pop? Sim, são elas, as garotas aborrescentes, ainda longe de se ocuparam com algo mais produtivo como trabalho e contas para pagar, e que torram a mesada dada pelos pais em discos, ingressos para filmes e tudo mais. George Michael tinha atingindo em cheio essa fatia do público nos loucos anos 80. Vamos, então, ir mais longe nesse exercício. Normalmente, o apelo das canções pop para essa parte do público implica numa espécie de, digamos, "cooptação de papéis" por parte das jovens donzelas. Elas ouvem as canções, como se o alvo das lamúrias cantadas pelo seu ídolo fossem dirigidas para si próprias. Sim. Elas não separam as coisas. A música ouvida versa sobre elas, e tão somente elas, e pronto. "Ai, que romântico!", ouvimos por ai. Agora, então, vem a última parte do exercício. Imaginem que uma garota devote sua existência em torno de um determinado cantor. Ai, então, ela descobre que todas aquelas músicas que lhe provocavam rios de lágrimas, na verdade não eram cantadas para "ela". Nem para outra mulher, que o seja. Eram cantadas para outro homem. Pois o seu ídolo, na verdade, é gay. Não, a tonhice delas jamais permitiria tamanha "traição". E lá se iam os dólares embora. George Michael enfrentou essa condição até onde pôde para poder seguir sua carreira. Deixou pistas aqui e acolá (como na música Freedom do seu segundo álbum, Listen Without Prejudice), evitava gravar clipes em determinado ponto de sua carreira, brigou com gravadoras e tudo mais. Só foi sair do armário, como se diz da famosa expressão, em 1998, quando foi pego no escândalo do banheiro no parque em Los Angeles. Foi por um triz. Hoje, Michael está quase esquecido, mas o seu sacrifício em nome dos dólares sempre será lembrado. Outros como Montgomery Clift não suportaram. Ele ficou em pé. Ponto pra ele.



4-Nome do Popstar: Paul McCartney
Nacionalidade: Inglesa
Hits mais bacanudos naquela década: No More Lonely Nights, Take It Away, Spies Like Us, Ebony and Ivory (é, não foi uma década das mais brilhantes para o Macca)
Façanha: Virar vegetariano


A carreira de Paul McCartney nos anos 80 foi como a grossa maioria das estrelas das duas décadas anteriores (Eric Clapton, David Bowie, Rolling Stones e outros mais): constrangedora no âmbito artístico, muito mais voltada para factóides e ativismos do que para a criação de músicas e álbuns minimamente decentes. McCartney aborreceu o mundo na época com seu ativismo barulhento em favor dos direitos dos animais, campanha que abraçou ao lado de sua mulher, Linda McCartney (in memorian). A consequência mais profunda desse comportamento foi sua conversão para o vegetarianismo. Como eu não posso sequer imaginar como deve ser uma vida na qual alguém abre mão de comer carne, digo aqui que imagino, sim, o ato de Macca como uma grande façanha. Mas precisava ter aporrinhado tanto? Lembram do show dele no Maracanã, em 90? Proibiu a venda de hamburgeres e outros produtos derivados de carne bovina, suína ou o escambau. Mala. Mas repito: foi uma façanha.





3-Nome da Popstar: Tina Turner
Nacionalidade: Americana
Hits mais bacanudos naquela década: We Don't Need Another Hero, What's Love Got to Do With It
Façanha: dar um belo chute no traseiro do seu marido insano e violento, Ike Turner


Tina Turner já era um mito da música quando a década de 80 chegou, mas sua imagem ainda permanecia presa ao lado da do seu marido, Ike Turner, que controlava sua carreira a ferro e fogo, e com algumas bolachas na cara também. Cansada de apanhar do maluco, e querendo escrever sozinha seu nome no rol das estrelas, Tina resolveu bancar um improvável divórcio, pessoal e profissional, do abusivo Ike. A sua coragem se pagou, e Tina acabou vendendo quintilhões de discos na época, disassociando de vez seu nome da figura sombria de seu ex-marido. Embora ele alegasse até a hora de sua morte, no ano passado, que batia, mas também apanhava um bocado dela. A sua auto-biografia foi apropriadamente entitulada "Quero o Meu Nome de Volta". Mas a vingança de Tina contra os abusos cometidos por ele foi doce. A imagem de Ike Turner sempre será a do marido violento, em detrimento dos seus dotes como compositor, uma imagem que traz antipatia à simples menção do seu nome, enquanto Tina terá sempre seu nome colocado ao lado das lendas da música. A verdade? Jamais saberemos.



2-Nome do Popstar: Michael Jackson
Nacionalidade: Americana
Hits mais bacanudos naquela década: Thriller, Billie Jean, Bad e o escambau
Façanha: abrir mão da sua sanidade


Não deve ser fácil ter o seu nome na capa do disco mais vendido da história da humanidade. Isso deve trazer muita pressão para o indivíduo em questão. Michael Jackson, jogado desde criança sobre a luz dos holofotes, e sempre sofrendo abusos físicos e psicológicos do pai, não poderia jamais ter sido o sorteado, por culpa de sua baixíssima auto-estima. Mas alguém tinha que ser dono dessa marca. Jackson então resolveu o que fazer depois de ter atingindo tal nível de estrelato. Despediu-se de sua sanidade, e resolveu assumir as vestes de Napoleão Bonaparte. Sim, Michael ficou é maluco de uma vez, daqueles de carteirinha, que ficam olhando por horas seguidas para uma parede, rindo indefinidamente. Sua insanidade persiste firme até hoje, e provavelmente será sempre dominante na vida do cidadão que possue o nome escrito na capa do disco mais vendido da história da humanidade. Pois alguém tinha de assumir essa marca. Mesmo que às custas da sua sanidade. Michael entendeu o jogo. Mas não posso parabenizá-lo, por motivos óbvios. Mas fica aqui o registro.



1-Nome da Popstar: Sinéad O'Connor
Nacionalidade: Irlandesa
Hit mais bacanudo naquela década: Nothing Compares To You (a música é de 1990, então faz parte tecnicamente dos anos 80)
Façanha: raspar a cabeça, ficando carequinha da Silva


O clipe abria com uma bela cantora com o cabelo raspado, em close-up, na frente de um desolador fundo negro. Um arranjo arrastado de cordas entrava quase que ao mesmo tempo. Segundos depois, uma voz cristalina e poderosa emendava os seguintes versos: "It's been seven hours and fifteen days, since you took your love away". Sim, meus amigos, foi uma devastação. Nothing Compares to You, música escrita pelo também popstar Prince (ausente desse ranking, embora também tenha cometido suas façanhas) especialmente para ela. Ele deve ter pegado. Mas a música tocava em todos os cantos. Lembro-me claramente de uma vez, quando minha mãe levava eu e minha irmã para a escola, e a música estava tocando no rádio de um boteco fétido pelo qual nós sempre passávamos em frente no caminho. Mesmo tão criança, pude jurar que os bebuns estavam mergulhados na melancolia classuda da canção, que hoje percebo ser perfeita para esse tipo de ambiente. Mas por que Sinéad O'Connor, irlandesa tão lindinha que poderia ter facilmente virado Tetéia (e por que não virou, então, Progressista?), resolveu cortar suas melenas e assumir a imagem de "cantora-rebelde-confessional-careca" para o mundo? A explicação é simples: sua crença no budismo, e na imagem de pureza que ela imagina passar uma cabeça sem cabelos. Seria lindo se houvessem explicações mais intricadas, mas no caso de uma louca de pedra como O'Connor (queimou a foto do Papa João Paulo II num episódio do Saturday Night Live, ato que arruinou sua carreira), a explicação mais simples é a mais correta. Com as tretas envolvendo a independência do Tibete e o governo chinês, e o boicote às Olimpíadas de Pequim em solidariedade ao Dalai Lama, podemos dizer que O'Connor, além de tudo, foi visionária? Não. Seria um exagero. Mas um brinde à maior façanha dos popstars oitentistas.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Resenha: Rockferry

Rockferry (2008) é o primeiro álbum da cantora galesa Duffy, sensação entre a imprensa internacional. “Comprei” ontem e já o ouvi umas três vezes. De recepção muito fácil, aliás. Com excelente produção e uma sonoridade deliciosa que nos remete à encantadora vida dos mendigos, Duffy realmente tem uma voz “mais branca” que a de Amy Winehouse, a quem é naturalmente comparada. A batida é também mais suave, com uma levada bem característica desse pessoalzinho que revira lixo atrás de restos de comida e assim tira a barriga da miséria.

Baladenha de mindingo.

Eu me vi encapuzado numa noite fria, caminhando pelas ruas ainda molhadas pela chuva e vendo o rosto da minha amada nas vitrines, nos outdoors, em toda a parte. Quando, de repente, um mendigo me estende a mão, mas eu digo que não tenho nada e sigo adiante, transtornado, com as mãos no bolso. Mas então surge outro mendigo, e depois outro, e depois mais outro. Num instante, estou cercado por uma multidão de mendigos com as mãos estendidas em minha direção, e eu tentando me desvencilhar deles. É quando começa a tocar “Stepping Stone”, quarta faixa de Rockferry.

Os mendigos que dançavam na minha análise impressionista de Rockferry.

Todos nós cantamos. Rola uma coreografia básica, e começa a circular um fuminho pra rapaziada relaxar. E na última faixa, “Distant Dreamer”, já tá todo mundo bem doido. Jogando os braços pro alto, daqui pra lá, de lá pra cá, a gente canta “I'm a dreamer / A distant dreamer / Dreaming for hope / From today”, antes da polícia vir e dispersar a gente na base da porrada. Bem bonito.

Esse espírito gregário se traduz principalmente na voz de Duffy, que seduz tanto o povo das ruas como engravatados querendo chegar logo em casa. O lirismo soul, falando de amores mal curados, completa o pacote aquecendo os corações solitários debaixo dos trapos enxovalhados.

Vale por uma obra social. Recomendado.