Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Música. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 7 de agosto de 2007

TOP 5 - Morrissey

Cinco melhores letras escritas pelo Morrissey (na época dos Smiths):
5- Cemetery Gates

4- Pretty Girls Make Graves

3-The Boy With The Thorn In His Side

2-What Difference Does It Make

1-How Soon Is Now?

Cinco letras mais engraçadas escritas pelo Morrissey (de novo,na época dos Smiths):

5-Girlfriend in A Coma - Toda a graça da ambiguidade

4- Panic - Pobre do DJ que ousou tocar Wake Me Up Before you Go-Go numa gélida manhã londrina

3- Bigmouth Strikes Again - O "pedido de desculpas" para a Margaret Tatcher não poderia ter sido mais hilário

2-The Queen Is Dead - Nunca a Rainha foi tão zoada, nem no South Park. E pobre Charles...

1- Barbarism Begins At Home - Em quatro estrofes, Morrissey explica como devemos educar nossos filhos.

sábado, 4 de agosto de 2007

O camarada progressista não gosta de sampler ou a evolução da música atual

“Não gosto de sampler!”, disse o camarada quando conversávamos sobre o rumo da música. Eu, como o meio moderninho do grupo, não posso dizer o mesmo: adoro sampler e música eletrônica, mas boa música eletrônica, e isso existe, acreditem!

Tudo começou - em veias pop lógico; pois a música clássica faz tudo antes e de modo mais chato, com o Krautrock e as respectivas bandas Can e Faust. Essas bandas, em meados da década de 70, resolveram gravar uma quantidade enorme de sons e depois, na edição, fazer colagens com as músicas( na época se fazia realmente colagem, pegava as fitas cortava e grudava uma na outra). Essa brincadeira, influenciou o Kraftwerf e uma pancada de gente até hoje em dia, sobretudo o pós-rock.

Passamos pela colagens, começo da música digital e chegamos no hip-hop: base fundamental da música eletrônica de uma forma geral. África Bombataa é conhecido por criar as bases do hip-hop, Public Enemy e Beastie Boys por expandi-las . Hoje quando ouvimos alguma música eletrônica, as batida, os “scracth” vem do hip-hop, exceção das músicas mais ambientes ou lounges.

Chegamos na atualidade(ufa!). a música dita como eletrônico e o hip-hop chegaram em níveis de produção que assustam. IDM, sigla para Inteligent Dance Music, onde Aphex Twin é o maior expoente. Há o Noise( quando eu ouvi achei que minha caixa de som estava com problema) onde temos Ben Frost e, numa veia mais rockeira, Sonic Youth. Do lado dos manos ou das pessoas mais swingadas temos o rei da mesa de mixagem: DJ Shadow e o louco, esquizofrênico e mago das mil faces: Madlib que lança álbuns numa velocidade incontável, seu último projeto consiste num apanhado de trilhas sonoras para filmes indianos imaginários.

Vocês, garotos e meninas, que como o camarada detestam sampler e, de uma forma geral, batidas eletrônicas ,agora pode rever seus conceitos e se aproximar um pouco da música eletrônica e do hip-hop, depois a gente pode ir numa balada da Vila Olímpia para "ouvir" um psytrance.

sábado, 21 de julho de 2007

Yesterday New Quintet – Yesterday Universe (2007) : 10 bandas em um homem só, ou quase.

Eu sempre me surpreendo quando costumo surfar na rede na procura de novas bandas, novos sons. E como sempre estava eu nesse vício quando me deparei com esse álbum do Yesterday New Quintet, vulgo Madlib. O novo álbum que o esquizofrênico Madlib resolveu não se limitar ao seu quinteto imaginário e “criou” 10 bandas.

Na suas primeiras experimentações como Yesterday New Quintet sempre faltou alguma coisa; os álbuns eram geniais: uma mistura de hip-hop com jazz de fazer inveja em qualquer apreciador de fusion, mas eram músicas difíceis de digerir, talvez ele se perdesse na própria empreitada e torna-se seu som um tanto complexo, pelo próprio conceito do álbum: um cara fazer o som de toda banda e depois samplear tudo, sozinho.

Nessa empreitada ele achou que precisava de ajuda(pelo menos uma vez), então resolveu convocar dois bateristas que tocassem bateria melhor que ele. As escolhas findaram em Karriem Riggins(jazzista de mão cheia) e Ivan "Mamão" Conti do Azymuth(boa banda brasileira) e começou a compor as músicas.

Começa com Bichtes Brew, sampler da saudosa música de Miles Davis tocada pela Otis Jackson Jr. Trio e, a partir daí, percebo que dessa vez ele acertou em cheio. As faixas são extensas, mas não são cansativas e, lembre-se, estamos falando de música que é quase sempre intrumental(pode chamar música sampleada de música instrumental?).

As bandas conseguem ser diferentes umas da outras, ainda sim o álbum tem uma unidade e as próprias bandas apresentam similariedades entre si. Como se fossem desdobramentos da banda anterior, do Yesterday New Quintet; todas aquelas bandas fossem influenciadas por esta.

A tal fusão hip-hop com jazz é bem executada. Arrisco dizer que ninguém conseguiu executar tão bem como ele. Com isso Madlib engrandece o hip-hop, reanima o jazz e os amantes de boa música agradecem.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Billy Corgan: O Compêndio da Insanidade

Não dá mais. Alguém precisa, urgentemente, internar o Billy Corgan no primeiro hospício de Chicago que tiver pela frente. Depois de encerrar a banda sete anos atrás em meio a brigas, disputas internas e discos fracassados, Corgan dedicou-se a dois projetos que já nasceram mortos, a banda Zwan, com a qual lançou um disco constrangedoramente ensolorado e insípido para logo em cima acabar com a banda, e um disco solo em 2005 que é tão ruim que os fãs evitam mencionar, como se fosse algo que nunca aconteceu. Depois desses dois tiros no pé, os fãs logo pensaram, aliviados: "agora ele vai sossegar, virar um produtor estilo Timbaland roqueiro e deixar o nome do Smashing Pumpkins descansar em paz, finalmente". Ledo engano.

Ano passado ele veio e anunciou a volta do Smashing Pumpkins, dizendo que queria voltar com "a sua banda, com os seus sonhos". Pronto, todos se arrepiaram de novo. Lá vai o Corgan afundar ainda mais as coisas. Mas nem nos piores sonhos, nem nos piores devaneios, poderia-se imaginar que a volta da banda seria tão patética. Sem dois membros fundadores, James Iha e a D'arcy, apenas com o Jimmy Chamberlain (pobre coitado), ele prometeu um disco novo, que sairá agora, em Julho. Eu já ouvi o álbum, e afirmo com todo pesar: é ridículo. Uma das coisas mais horrendas que eu já vi. De corar qualquer fã, capaz de fazer todos que tinham a banda como favorita negar e virar o rosto imediatamente. Corgan resolveu juntar-se ao coro dos descontentes com a políca externa norte-americana, e descer a lenha na administração Bush.

O nome do álbum, Zeitgest, é uma expressão alemã que significa "o espírito de uma época", e a capa (horrorosa) mostra a estátua da Liberdade dentro de um mar vermelho de sangue. É, meu caro leitor, isso mesmo que você leu. Uma metáfora bem sutil mesmo. Só faltou colocar uma foto do Bush e desenhar uns chifrinhos em cima. Mas com relação ao conteúdo musical, temos músicas ridiculamente pesadas, mas não com a velha classe Pumpkiniana, quando a banda fazia músicas etéreas misturando o peso das guitarras com melodias intricadas e inteligentes, permeadas com belas letras que tratavam sempre de temas facilmente identificáveis para pessoas que quisessem sentir alguma coisa, frustrações, esperanças, medos.

Não, o que temos nesse disco são guitarras tristemente padronizadas, sem qualquer resquício de inteligência, com a bateria do Jimmy Chamberlain parecendo um cavalo doido, trotando sem sutileza alguma na frente. Em cima dessa massaroca sonora, Corgan berra letras de ordem sem qualquer relevância, apenas pelo efeito que ele imagina passar ao gritar coisas como "Revolução, eu quero lutar numa revolução nessa noite" na música apropriadamente chamada United States. Imagine o Smashing Pumpkins tentando soar como uma banda punk politizada. Imediatismo, demagogia, chame como quiser, Corgan viu que o Green Day conseguiu sair do ostracismo falando de política com delineadores e maquiagem e resolveu fazer igual. As duas baladas do disco passam longe de provocarem o efeito de músicas como Disarm, Tonight Tonight e 1979, clássicos da banda, servindo apenas para tentar arrancar um trigésimo quinto lugar na parada de singles da Billboard pra fazer aquela média, sabe como é, não tá fácil pra ninguém.

O primeiro clipe do disco, feito para a horrenda música Tarantula (nem dar nomes decentes para as canções o Corgan consegue), é um caso a ser estudado por juntas de psiquiatras e estudantes Freudianos, Jungianos e o que tiver. Mistura descarada dos trabalhos da Björk com um clipe do The Vines, no qual a banda tocava também no meio de dezenas de outros músicos, é de fazer chorar para aqueles que lembram da sobriedade e excelência de clipes como Cherub Rock, Today, 1979 e Tonight Tonight. Aqui está o link, vejam por si mesmo. http://www.youtube.com/watch?v=O5V2m3E4VvA. Sou um fã inverterado do Smashing Pumpkins, mas daquela banda que construiu discos fabulosos como Gish, Siamese Dream e Mellon Colie, não esse pastelão ridículo que volta do mundo dos mortos para satisfazer o ego insaciável de um rockstar, fazendo todos os fãs passarem vergonha com músicas, discos, clipes e capas de discos ridículas. Corgan, vou dar aqui três sugestões para você recuperar o nome Smashing Pumpkins da lama em que você mesmo colocou:

1-Traga a D'Arcy e o James Iha de volta, caramba! Dá pra deixar um pouco o ego de lado só uma vez? Será que não entende que sem eles a unidade que a banda tinha fica totalmente comprometida?

2-Volte a compor canções sobre sentimentos humanos, não factóides políticos que já nascem datados e fadados ao escárnio alheio.

3- Por misericórdia, nunca mais faça uma capa tão horrenda como a desse disco. Nem que você escreva apenas o nome da banda e do disco num fundo branco. Ou melhor, pegue o cd e enrole num papel higiênico de uma vez, seria totalmente adequado à qualidade atual da banda, ninguém mais compra CD mesmo, não é?

Pronto. Com essas três atitudes tomadas, logo teremos nos nossos I-Pods da vida músicas que façam juz à classe com que Billy Corgan nos habituou. Believe, believe in me, believeeeeeee!!!!!!!

domingo, 8 de julho de 2007

Manual Prático do indie pinguim - Parte 3: Caixa de sobrevivência do indie pinguim/O que ouvir atualmente

Depois de acusar(moderamente) o camarada progressista de indie, lembrei que deveria continuar minha série para aquelas pessoas desesperadas que adoraram a primeira parte desse manual, incluindo aí nosso camarada. Continuando na vertente musical, mas agora em álbuns que foram lançados recentemente( do começo dos anos 2000 até hoje) e que tenham vertente válida para os indies de hoje em dia, pois tenho uma preocupação sociológica com essa empreitada.

Indie hoje em dia ouve bastante coisa e não só indie rock, pensei nisso e resolvi abranger outros estilos, sempre pode ter uma garota(o) a quem se aproximar e se surpreender com seu ecletismo musical. Mas sempre preocupado com a palavra alternativo, não precisa ser indie mas precisava ser meio desconhecido. Poderia ser até uma visão mercadológica e de produção alternativa, ok vamos lá!


1) Shades Of Blue - Madlib - 2003 - hip-hop alternativo com toques de jazz
Descobri tal se
r mais por acidente do que qualquer outra coisa. Estava baixando música(faço muito isso) e resolvi ariscar, quem diria que ouviria até hoje e consideraria um dos melhores álbuns que já ouvi?Coisas da vida.

Shades of Blue parte do seguinte conceito: pegar um apanhado de gravações do famoso estúdio Blue Notes(famoso pelas gravações de jazz) e samplear e transformar em hip-hop suave e delicioso de ouvir. Recomendo atenção auditiva em duas faixas: Footprints, feita por Wayne Shorter; a composição de Gene Harris, que era The Look of Slim, foi remixada e tornou-se Slim's Return.

Madlib só por esse álbum já poderia ser chamado de promissor, ainda é um expetacular produtor musical. Se fosse só isso, tem mais, ele resolveu criar heterônimos musicais e produzir tais discos( resta saber se ele leu Fernando Pessoa, não é?). Os discos do seus heterônimos musicais diferem em estilo e até gênero musical do próprio autor, nessa brincadeira ele criou uma banda, Yesterday New Quintet, onde o próprio compôs as musicas, no estúdio tocou todos os intrumentos e ainda produziu o disco. Continua produzindo e produzindo muito, dizem as más línguas(www.pitchforkmedia.com) que ele dorme e vive no estúdio, para se ter uma idéia sua discografia tem 2,2 GB e começou a lançar albuns em 2000. Minha mãe falava que tem gente que não sabe brincar e eu não acreditava. Em suma, se você estiver ouvindo DangerDoom, Quasimoto, Madvillian, Yesterday New Quintet na verdade todo aquele trabalho musical foi arquitetado por um exército de um homem só: Madlib.


2)Nadadenovo - Mombojó - 2004 - "novo maguebeat", pop, samba, rock
Tudo novidade: assim que encarei esse álbum, no começo você acha parecido com os finados Los(loser?) Hermanos, sobretudo pela forma de cantar do vocalista, entretanto começa perceber a sonoridade e as viagen da banda: a experimentação dentro do rock( que faria qualquer StereoLab cair no chão de inveja); a fusão rock e samba em Deixe-se Acreditar; a flauta tranversal em Nem Parece que teima em ficar dançando em cima da harmonia; a transição bem executada entre as faixas Discurso Burocrático e A Missa; a própria A Missa que alterna samba, rock pesado e, seria, um hip-hop? Enfim tal álbum é bem executado, com faixas belas e feitas por músicos que na época tinham 20 e poucos anos, nem precisa mais de motivos pra ouvir. Mas tem, os dois albuns, em versão integral, da banda estão disponíveis para baixar no site da banda(www.mombojo.com.br). Só não entendo uma coisa: pra quê chamar de manguebeat? Só por que é do mesmo estado? Isso eu fiquei sem entender.


3)Unsolved - Karate - 2000 - indie rock com pitadas de jazz
Me apresentaram tal banda, falei: "Interessante...". Resolvi pesquisar e acabei me apaixonando. Nada de experimentações ousadas, harmonias complicadas, conceitos brilhantes e inovadores. Esse album viveria bem se não estivesse existido a musica concreta, não faria muita diferença. Simplesmente som bem executado, bonito, com letras boas.

Tal banda foi formada por músicos formados em uma faculdade de musica pouco conhecida que estudou "normais" como Miles Davis. Se conheceram lá e montaram a banda e resolveram formar uma banda de verdade de indie rock e que banda devo dizer.

Como sempre acabo vertendo pro lado do jazz, acabei escolhendo o álbum que tem mais elementos desse gênero. De uma forma geral todos os álbuns são bons, pena que a banda acabou.


4) Por Pouco - Mundo Livre S/A - 2000 - manguebeat
Uma banda mais antiga, mas que cresceu mais depois do seus primeiros cds. Hoje em dia acho que perderam denovo a mão. Fred 04(líder da banda) tornou-se mais um protestante político atual do que músico. Bem, vamos nos ater ao cd.

O álbum Por Pouco mostra uma maturidade da banda Mundo Livre e mostra também o caminho musical que tal banda escolheu e este caminho difere das outras bandas precurssoras do manguebeat, como Mestre Ambrósio e Nação Zumbi. A primeira busca um resgate das tradições nordestinas enquanto a segunda, mesmo após a morte do líder e cara do próprio movimento, procura atingir uma veia pop criando música de qualidade. Ao mesmo tempo Mundo Livre, como música de protesto, sempre buscou um meio termo e parece que nesse album atingiu o apíce estético. Atenção especial pra descontrução musical que fazem na versão deles de Garota de Ipanema; a letra de Mistério do Samba; a faixa título Por Pouco com sua harmonia genial e a inclusão de violinos aumenta mais a genialidade dessa música.


5)Amputechure - The Mars Volta - 2006 - indie rock, rock progressivo, pós-rock
O guitarrista da banda At the Drive-in(não precisa saber e nem ouvir isso) resolveu tomar vergonha na cara e formar uma banda de verdade. Resultado: esse álbum e mais alguns. Elementos do rock progressivo e sem a masturbação musical que o gênero ficou conhecido, com as latinades do tal guitarrista( Omar Rodriguez definitivamente não é sueco), recomendado também ouvir seus projetos solos.





Pra finalizar, leitores, agora vcs terão mais álbuns pra ouvir, mas lembre-se, tentem ser superciais e vagos, como fui agora.

sábado, 7 de julho de 2007

Mas que nada (Ou Camarada Progressista, Jorge Ben e a minha brasilidade inconfessa)

Dante teve por guia, em sua jornada pelo Inferno e pelo Purgatório, seu mestre Virgílio. O Camarada Progressista é o meu Virgílio quando se trata de música. É ele quem me diz se estou me afastando da luz, em direção das trevas, quando ouço Amy Winehouse, Bettie Serveert ou High School Musical.

Mas, apesar de seu espírito nobilíssimo, Virgílio não pôde acompanhar Dante no Paraíso. Não podia adentrar no Empíreo. Morreu pagão, ignorante da Luz verdadeira. Assim também o Camarada Progressista. Como vocês mesmos puderam comprovar, através de textos muito sagazes, seu conhecimento musical é indiscutível, bem como sua sensibilidade, experimentada e autônoma. Entretanto, há certas coisas que seu espírito não penetrou, verdades a que não teve acesso.

Jorge Ben (Jor), no caso. Meu Virgílio reconhece a genialidade do músico. Ouve A Tábua de Esmeralda e, como qualquer crítico isento e agudo, diz que é das coisas mais altas de que Jorge Ben foi capaz. Pois é. Musicalmente, é isso.

Mas aí eu, lado a lado com ele, às margens do Aqueronte, canto baixinho, querendo porventura afastar da mente (impossível!) os terríveis gemidos dos que padecem eternamente por terem se excedido na audição a experimentalismos sem fim: “Mas que nada, / Sai da minha frente que eu quero passar...”. E, então, meu mestre se volta pra mim e diz: “Devo confessar-te que detesto ‘Mas que nada’ ”. Inicialmente desfalecido, depois indignado, tomo coragem e lhe retruco: “Pois, mestre, nisto te enganas; na verdade, nisto te mostras completamente ignorante. (Meu coração palpitante.) Sei que me dirás que não passo de um fã chato do tipo Samba Esquema Novo, mas não importa. Se for necessário, me assumo como tal. Pois não ignoro A Tábua de Esmeralda; entretanto, não posso deixar de assinalar que Samba Esquema Novo é a quintessência do que é Jorge Ben (Jor). Mais: do que é a brasilidade segundo Jorge Ben (Jor)”.

O Camarada Progressista não é reconhecido por seu profundo vínculo com Pindorama e as coisas de Pindorama. Se possui, em si, algum traço ufanista, tem-no dissimulado muito bem até hoje a mim e ao Camarada Moderado. Por isso, não pode ele entender que ouvir Jorge Ben (Jor) é o máximo de brasilidade a que alguém pode chegar. Que em Jorge Ben (Jor) seja lá o que signifique ser brasileiro encontra sua expressão mais acabada e transparente. Que seu lirismo vai mais fundo que toda a sociologia por aqui ensaiada. E que só esse lirismo abrange ao mesmo tempo a indigência e a leviandade (ou descontração) que marcam o Brasil tanto na escala individual quanto coletiva. E que nenhuma Tropicália sequer arranhou. Na verdade, perto de Jorge Ben (Jor), o resto dos tropicalistas não passam de um carnaval veneziano. E, enfim, que foi na sobriedade e economia de um Samba Esquema Novo e pares que isso se manifestou originalmente.

Jorge Ben (Jor) é toda a noção que eu posso ter do que é ser brasileiro. Nele se resume todo o meu nacionalismo (é isso mesmo, também eu guardo cá comigo algum nacionalismo). E aí eu, excepcionalmente humilde e reverente, me vejo diante de uma grande descoberta: “Hoje, superei meu mestre”.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Mês Lindsay Lohan: Resenha do Disco "A Little More Personal (Raw)"

Não tinha jeito. Nós, ambiciosos e ousados blogueiros, quando decidimos dedicar um mês temático para a Lindsay Lohan, sabíamos que, cedo ou tarde, deveríamos tratar do ponto mais delicado e controverso da carreira da junkie girl: a parte musical da história. Lindsay lançou dois discos, separados pelo espaço de um ano apenas. Em 2004, lançou Speak, um disco vagabundo feito com o propósito de testar a recepção da mídia e fãs para uma possível carreira musical de Lohan, com faixas produzidas a toque de caixa e sem o menor preparo que fosse adequado a um lançamento desse. A verdadeira estréia de Lindsay veio menos de um ano depois, com esse disco entitulado "A Little More Personal (Raw)". Ela deu entrevistas antes do disco dizendo que queria participar ativamente de toda a produção, escrevendo letras e produzindo faixas inclusive, o que acabou acontecendo, já que das 12 músicas, Lindsay co-escreveu 8, restando duas covers e apenas duas músicas não escritas por ela. Uma verdadeira façanha para uma atriz de 19 anos de idade sem qualquer experiência. Principalmente se lembrarmos que a cantora de maior sucesso da nova geração das princesinhas da Disney, Britney Spears, foi somente tentar escrever alguma coisa no seu quarto disco, e esse é o ganha pão dela, já que como atriz ela é uma excelente interna de hospício.
Louvável! Sim, já sei o que vocês estão pensando, que quando cantoras jovens tentam escrever letras e melodias sempre acaba dando desastre, vide as Kelly Clarksons da vida. E nesse caso, chegou perto disso. O disco falha em diversos sentidos. As duas covers, uma do Cheap Trick (acredite se quiser), I Want You To Want Me, e a outra da Stevie Nicks, Edge of Seventeen, são artificiais e totalmente desprovidas de vida e propósito. A voz dela, mesmo com o Pro Tools, soa muitas vezes fora de tom e longe de qualquer tipo de técnica vocal mais desenvolvida. Agora, vamos ao material escrito por Lohan. Expectativa. Tensão. Olhares tortos. O que será que ele vai dizer?

Bom, o que vocês poderiam esperar? Não dá pra você tentar escrever um disco sendo primeiramente atriz, tendo 20 anos e sair fazendo letras dignas de uma Patti Smith, pô! Milagre agora? Mas, embora nada do que tenha sido escrito e composto por Lindsay seja digno de figurar numa lista de melhores da história, gostaria de propor a vocês uma fixação de ponto, em algo que salvou o disco de ser um desastre completo: o tom confessional adotado por Lindsay nas letras. Mesmo nos momentos mais maçantes, mesmo sobrecarregadas pela instrumentação padronizada que infesta os discos contemporâneos, com bases eletrônicas pré-gravadas e melodias muitas vezes paupérrimas, louvou-se, com justiça, a vontade mostrada por Lindsay de expor os seus medos e inseguranças no disco, ao invés de apelar para o caminhos mais fáceis.

Uma música em especial acaba sendo o maior acerto do disco e uma mostra de que algo mais valioso poderia ter sido tirado dessa experiência: o primeiro single e primeiro clipe, Confessions of a Broken Heart (Daughter to Father). Uma música com destacada alma e vivacidade, corajosa em todos os sentidos, ou é comum que uma estrela pop lance como primeiro single dos seus discos uma música na qual implora respostas e amor ao pai golpista e escroque? Normalmente elas lançam musiquinhas sobre amores baratos, paquerinhas tolas ou, nos piores casos, odes indiscrimados às orgias no mundo contemporâneo (essa é sua, Nelly Furtado). É comovente ouvir na música a garota, tão bajulada e adulada, chamando pelo pai de uma maneira emocionada e verdadeira, realmente passando para o ouvinte a sensação de desamparo que ela deve sentir sempre. Lindsay, como sempre fez na carreira, preferiu usar esse projeto, visto pelos seus empregadores como ferramentas para lucros infinitos, para traduzir as suas experiências de vida em música, e o resultado, embora longe de ser considerado o maior momento da música pop, mostrou mais uma vez que Lindsay Lohan é especialista em tirar algo de onde somente existiria a mediocridade, mesmo indo contra todo um sistema que padroniza artistas e coloca-os numa mesma embalagem sonora porca e limitadíssima. Por isso que consegue sempre dar dignidade aos projetos normalmente tolos que topa participar.

domingo, 17 de junho de 2007

Hablando de música

A música pop/popular ocidental se baseia em cinco grandes pilares: EUA, Reino Unido e afins (estou falando de vc, Irlanda), Cuba, Jamaica e, por incrível que pareça, o Brasil. Existe uma possibilidade grande de que qualquer música que vc pegar feita hoje em dia, nesse lado do hemisfério, tenha uma influência, nem que seja mínima, dessas regiões (senão de todas elas, na verdade o mais provável); a força harmônica dos dois países desenvolvidos juntou-se com o peso rítmico dos países latinos, criando o que se ouve hoje em dia.

Comecei a falar disso, pois queria falar de um filme que fala sobre música: Habana Blues. Numa sinopse breve, o tal filme mostra músicos cubanos tentando obter sucesso e, com isso, sair fora do país que vivem: Cuba. Com os protagonistas do filme, nós, os expectadores conhecemos não só a maravilhosa capital de Cuba ( pelo menos arquitetônicamente), como o espectro musical cubano atual ( que, pra variar, repleto de boas bandas). Além daquelas similariedades que nós só encontramos nos latinos e nos celtas ( logo alguns cientistas vão descobrir que os irlandeses são latinos também): aquele jeitinho, a malícia, a religião católica e suas influências e a habilidade extraordinária para dar festas.

O filme não é nenhuma obra de arte, mas para começar a se aventurar pelo mares do Caribe e conhecer sua música, nada mais perfeito. Está feito o convite e vamos de Chevrolet 52.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Funeral, do The Arcade Fire (e Lindsay Lohan)

Agora sim, comento Funeral, do The Arcade Fire. Aí, você me diz: “Ah, mas esse disco é velho, e eu já ouvi ele inteirinho; não preciso que você me diga o que esperar.” Aí, eu te respondo: “Egocêntrico! O mundo agora gira ao seu redor, e eu não sabia? Deixa eu curtir essa minha descoberta abortiva, pomba!”

Bom, pra começar, eu fiquei me perguntando por que é que esses caras não estão fazendo sucesso, que nem os Smashing Pumpkins um dia fizeram, com Mellon Collie and the Infinite Sadness, que, apesar de alguns hits de rádio, era, além de duplo, no geral um álbum bem difícil de se escutar. Eu sei que Funeral vendeu bastante, mas bastante pra uma banda indie. Puxa, se eles agradam um séquito tão eclético de chatos famosos, como Chris Martin, Michael Stipe e Bono (que sono... zzzzzzzzzzzzzzz...), mereciam mais do que o sucesso de uma banda indie.

O Camarada Progressista aponta, a propósito da dificuldade de romper com essa relativa obscuridade, o barroquismo. Mas o fato é que, por causa ou apesar desse barroquismo, dá vontade de sair cantando com eles. Você ouve e fica pensando “mas que banda legal!”; e, olha, pelo que eu sei, é nessa locução simplória, boboca mesmo, que se esconde o pote de ouro. Imagina a molecada pelo mundo todo falando “mas que banda legal!”: 3 milhões de cópias vendidas e por aí vai. Mas aí o Progressista vira e me diz assim: “Mas, camarada, isso é você, que é muito refinado e tudo; mas o povo, o povo é tosco!” (Às vezes, ele é muito elitista.) E aí eu respondo: “É, camarada, eu sei disso, eu sei que eu sou muito refinado.”

Um cenário ganha forma em nossa mente, ao longo do conjunto Neighborhood: crianças brincando na neve, enquanto os adultos velam o falecido em casa. E não brincam – ou melhor, cantam – porque ignoram o que está se passando, mas porque, como em muitas culturas, cantar é a melhor forma de enfrentar a morte. Funeral é uma celebração da vida atravessada pela morte: quem disse que a morte é silêncio? No entanto, esta atitude não exclui a melancolia, por isso cabe a paradoxal formulação – festividade melancólica – pra sonoridade da banda. Porque, se eles te chamam pra cantar e os vizinhos pra dançar, é porque a tristeza está presente, a ponto de se tornar desespero.

Mas o que eu mais gosto em Arcade Fire é o caráter postiço deles. Explico: por mais que o som pareça, a gente sabe que não é anos 80. É uma versão elegante pra uma época kitsch, apelando pra outro paradoxo, que talvez possamos resolver respondendo à seguinte pergunta: o barroco é kitsch?

Outra coisa que foi decisiva, pra mim, pra dar o meu restritíssimo selo de qualidade pra banda foram as viradas do álbum. Olha, fazia tempo que eu não ouvia uma virada que não passasse de engodo, de picaretagem: sabe, só pra encher lingüiça e esticar alguma música que ninguém vai ouvir mesmo, porque não é o hit do disco. Une Année sans Lumière e Wake Up, por exemplo, contêm genuínas viradas, coesas, finalizações apoteóticas que, no caso deste álbum, acenam para uma grande catarse.

E, aí, você, muito astuto, me pergunta: “E a Lindsay Lohan, onde é que ela entra nessa história?” Bom, e aqui eu vou ser simplesmente genial, talvez haja nesse elemento postiço do Arcade Fire outra chave para compreender o encantamento que Lindsay exerce sobre nós: como rainha dos anos 80 desencontrada, seu charme é do tipo nostálgico, que, mesmo vestindo-se das cores do presente, sugere uma Idade de Ouro que infelizmente nunca existiu, mas que teimosamente insistimos deslocar para essa década, em que todos os exageros eram desculpados, na verdade, estimulados, porque éramos todos inocentes, infantis e bobos.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Num bar qualquer, com Richey Edwards

Eu não costumo sentar num bar e encontrar acidentalmente rockstars desaparecidos há mais de uma década. Isso não é comum para mim, como é para o resto das pessoas. Então, quando isso acontece, e, melhor ainda, quando se faz parte de um blog no qual posso relatar tal experiência, o jeito é aproveitar e contar tudo.
No caso, num desses dias polares que seguiram, estava num boteco mais fedido que o inferno buscando inspiração para escrever aqui. A sombra do mês Lindsay Lohan pairava sobre a minha cabeça, e eu, habitualmente inseguro,tinha medo de desapontar os milhões de fãs da Junkie Girl. No meio das lamentações, acabei vendo, sentado sozinho e tomando um copo do que parecia ser uma limonada, o Richey Edwards, guitarrista e letrista da banda galesa Manic Street Preachers, desaparecido desde 1995. Bem, era o que eu achava também. Aproximei-me da mesa do Galês, e o diálogo que se seguiu será relatado assim por mim:


Camarada Progressista: - Hello, i think i know you.
Richey Edwards: - Eu falo português.
CP- Legal! Então, você não seria por acaso o Richey Edwards, ex-guitarrista do...
RE: - Não, não sou.
CP - Como não é? É lógico que é.
RE - Sim, você tem razão, sou eu. Belo poder de persuasão.
CP: - Você não tinha desaparecido?
RE- Tinha.
CP: - Mas, se você está aqui, então não desapareceu!
RE. Não, não desapareci.
CP - Cara, você é o meu ídolo! Suas letras são, quer dizer, eram sensacionais!
RE - Todos nós temos ídolos. Os meus eram o Axl Rose e o Charles Bukowski.
CP - Legal! Então, conta pra mim, por que você deixou a banda, os fãs e toda a Grã-Bretanha procurando você até hoje, doze anos depois? Por que você fugiu?
RE - Fugir foi o meu ato de cura. Curei minhas patologias e minhas dependências idiossincráticas e finalmente pude contemplar o meu eu verdadeiro, lógico, racional e híbrido, sem perder o lirismo que sempre tangenciou a minha alma.
CP - (Alguns segundos de silêncio) É... legal, muito legal.
RE - Você não entendeu porcaria nenhuma do que eu disse, né?
CP - Sim, entendi.
RE - Diz que adorava as minhas letras, mas é incapaz de entender uma sentença por mim expressada. É, sinto muitas saudades dos meus fãs mesmo.
CP - (Um silêncio constrangedor. Segundos depois:) Cara, eu tenho um blog, e nesse mês, a gente tá promovendo o mês Lindsay Lohan! Falaremos de filmes, discos, comportamentos, tudo o que se refere a ela será tratado por nós nesse mês especial
RE - Lindsay Lohan?
CP - É.
RE - (Sorrindo pela primeira vez) Cara, olhando para aquelas sardas e para aquele cabelinho ruivo dela, eu poderia até jurar que ela era galesa... boa idéia, passa pra mim o endereço do blog, quero ler tudo.
Escrevo numa bolacha de chopp o endereço para ele, e então nos despedimos:
RE - Não conte pra ninguém que você me viu, ok? São Paulo é o lugar que melhor absorveu a mim como ser humano e como entidade, existe uma conexão orgânica entre o meu funcionamento e o dessa metrópole. Não fale no seu blog sobre essa nossa conversa, nem que eu ainda estou vivo, ok?
CP - Pode ficar tranquilo, Richey. Palavra de escoteiro.

terça-feira, 5 de junho de 2007

RESENHA: ARCADE FIRE

Com um mês de atraso, injustificável, trago para essa galera animada, moderna e com sede de informação, resenhas de um disco que agitou (essa doeu) o mundo Indie: Arcade Fire, galera! Ó, logo falo sobre o novo do Arctic Monkeys, sossega o facho aí.

ARCADE FIRE - NEON BIBLE: Segundo disco dessa big-band-indie-rock canadense (país que nos deu artistas fabulosos como Bryan Adams e Celine Dion), possui um conteúdo metafórico-político que não existiu no primeiro disco deles. Com sete integrantes e instrumentos nada comuns como escaletas, arcodeons, órgãos e harpas (foi-se o tempo que harpas eram comuns no rock, principalmente na época do punk, eles adoravam uma harpinha, vide o Sex Pistols). Um faixa-a-faixa pra vocês entenderem melhor (não, não chamo vocês de burros):

1- Black Mirror: Faixa sorumbaticamente sinistra, com efeitos fantasmagóricos em cima dos vocais e instrumentações e com uma letra que versa sobre a incidência de bombas e violência como efeito regressor do homem. Já abre o disco deixando aquele gostinho de quero mais (essa doeu, parte 2)! Ueba, será que o resto vai ser tão bom assim? Hein? HEIN?
2-Keep The Car Running- Levada por um baixo marcante, em torno do qual se constrói toda a melodia, a música descreve o processo de fuga de um lugar que (adivinhem) está sendo bombardeado. Seria o disco conceitual? Ainda é cedo, cedo, cedo, era quase escravidão mas ela me tratava como rei. Bom, gonzonices a parte, outro acerto, duas músicas e um belo presságio para o resto do disco
3- Neon Bible - Faixa que dá nome ao disco, toda levada por teclados e um leve arcodeon, quase um mantra, versando sobre poucas chances de sobrevivência e como os valores do livro-mor estão esvaindo-se nas fúlgidas chances dadas a homem em tempos de guerra e intolerância. Apenas uma faixa de transição, nada muito marcante.
4-Intervention: Aê! Putz, agora sim, prepare a caixa de lenços. Com um órgão sensacional levando toda a melodia nas costas junto com a bateria, pela primeira vez aperecendo com destaque, e com a letra falando de isolamento religioso no meio do caos (melhor letra do vocalista e compositor Win Butler,que aliás faz o seu melhor vocal na faixa), a música arrepia e mostra que o Arcade Fire quer atingir as massas.
5- Black Wave/Bad Vibrations: Suíte dividida em duas partes, a primeira com vocal da mulher de Butler e tecladista da banda Régine Chassagne, a música pega o Pop, subverte-o, vira as regras de cabeça pra baixo e mostra vontade de usar as regras do jogo para criar algo diferente. A parte cantada por Régine parece ser um sonho no meio do soturnismo que premeia o disco. Espetacular, segundo grande momento do álbum, e pelo jeito, marca o fim das idéias do disco.
6- Ocean of Noise: faixa com nítidas influências do Pixies (acredite se quiser), é um dos piores momentos do disco, não por culpa dos Pixies, que eram uma banda sensacional, mas pela total distância que envolve as duas bandas, de mundos totalmente distintos. A música começa a parte no qual a banda se preocupa mais emular as suas influências ao invés de criar algo realmente forte.
7-The Well and The Lighthouse - Faixa mais "new rock" do disco, soa como tentativa da banda de se colocar ao lado de seus pares no rock de hoje. A letra é o destaque nessa faixa com pouco a oferecer, além de uma forçada mudança de ritmo no meio.
8-(Antichrist Television Blues)- Sabem quem essa faixa me lembrou? Quem, quem, quem? Bruce Springsteen. Isso é ruim? Nesse caso, não, felizmente, a temática homem versus brutalizações e os vocais apaixonados de Butler acabam criando outro belo momento, e o Bruce anda sendo coqueluche no novo rock, vide Killers que fez um disco todo imitando ele.
9-Windowsill- Com uma levada monocórdica de guitarras e violão que vai subindo junto com a melodia até criar um crescendo no final, a música reflete o maior problema do disco: a repetição da temática, já que praticamente todas as músicas parecem versar sobre a mesma coisa. Talvez o Win Butler não seja um letrista tão incisivo como o Ian MacCuloch, e ele precisa reconhecer isso e começar a variar um pouco os seus temas. É isso aí, se quiserem, eu falo na cara dele.
10- No Cars Go: Talking Heads. Bizarro? Nada, a mesma levada baixo e bateria, a mesma vocalização masculina-feminina, tudo o que marcava a banda do chato David Byrne. Isso não pode ser bom, de maneira nenhuma. Triste, 7 branquelos e branquelas canadenses querendo mostrar suingue. Pior momento do disco.
11- My Body is a Cage: Música que começa arrastada,demora pra pegar no breu, mas que quando pega, acaba trazendo de volta o Arcade Fire do primeiro disco, com as dramatizações e a incrível coesão da instrumentação não-usual que marcaram aquele belo trabalho. Trutas canadenses, entendam que vocês nunca venderão 10 milhões de discos e voltem a fazer aquilo que vocês sabem tão bem. E SEM IMITAR O TALKING HEADS, PELO AMOR DE DEUS!

Conclusão: isso lá é trabalho de mestrado pra eu colocar conclusão, pô? Bom, resumindo: começo sensacional, ate que a partir da sexta faixa eles resolveram começar a imitar todas as bandas e artistas dos anos 80. Ai danou. Nota 7, pela Intervention e Black Wave/Bad Vibrations.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

DICAS DO PROGRESSISTA: NEW WAVE

Esquentando o clima para o esperadíssimo mês Lindsay Lohan, venho aqui falar de um assunto que tem tudo a ver com a nossa viciada em medicações prescritas favorita: New Wave, cambada! Ou, como dito por essas bandas, Niu Uaivi. Movimento nascido da confusão que rolava na música no final dos anos setenta, marcou o encontro entre o Punk e a Disco Music, e os filhos bastardos acabaram fazendo a fama no mundo pré-Aids. Sim, a Aids, feia e malvada, murchou a festa e os New-Wavers foram trocados pelos góticos na preferência do povão. Mas eu, sempre pronto para abrir o baú de memórias, trago aqui cinco discos que formam o DNA do movimento. Preparem a festa, caprichem na decoração Kitsch, e cantem bem alto: "and heavy equipaments, WE'RE IN THE BASEMENT!":


The B-52's - "The B-52's" - 1977
Inspirados por filmes trashes dos anos 50 e pelo ar Kitsch que dominou a década de 60, essa banda de Athens, Geórgia (terra do R.E.M.) acabou marcando uma espécie de polaridade oposta com os contemporãneos punks: a simplicidade instrumental, a ênfase no ritmo e nas sonoridades diretas, mas o discurso voltado para celebrações e paranóias marcadas por estados alterados da mente (leia-se drogas), a banda inovou, e nesse disco percebe-se bem que eles chegaram chutando a barraca. Com músicas sensacionais como Private Idaho e a célebre Rock Lobster, quase um punk-rock que versa sobre uma festa maluca de estrelas do mar e lagostas na areia (?), os vocais ensandecidos de Fred Schneider, as harmonizações das new-wave girls Kate Pierson e Cindy Wilson e a fabulosa guitarra de Ricky Wilson (que tinha inacreditáveis 2 cordas), o B-52's abri o caminho para todos os que queriam festejar sem os excessos da discoteca. A festa estava só começando.

Blondie - "Parallel Lines"- 1978
Terceiro disco da banda de Nova York, liderada pela carismática ex-coelhinha da Playboy Debbie Harry, foi o ponto de virada da banda, que fracassara nas duas tentativas anteriores. Soando mais pop e digerível que nos discos anteriores, a banda criou faixas que virariam obessão para as bandas one-hit-wonders nos anos 80, como Sunday Girl, Hanging on the Telephone e a clássicaça-aça Heart of Glass, talvez a música de maior fama de toda a New Wave. A banda sempre andou com artistas mais "cabeça" como o Talking Heads, o Television e até com os reis do punk Ramones, mas o negócio deles mesmo sempre foi o glamour e o hedonismo do art-pop.



Gary Numan- "The Pleasure Principle" - 1979
Terceiro disco do londrino Numan, marca o auge das suas experimentações eletrônicas, mixando o uso de sintetizadores (ele praticamente ditou o uso deles que acabou infestando todos os anos 80) com poderosas percussões e batidas eletrônicas. Fascinado por temas industriais, que ditam a temática do disco, e criando uma persona robótica imortalizada em clipes sensacionais, Numan colocou a New Wave na crescente classe operária inglesa, dando um necessário ar cinzento as convenções do gênero. Mas tudo isso é completado pelas incríveis composições do album, a insandecida Metal, a atmosférica Airlane e a mítica Cars, maior sucesso dele. Gary Numan foi o cara que, sozinho, criou um estilo e sonoridades que fizeram toda uma década. Para o bem e para o mal.

Elvis Costello & The Attraction - "Armed Forces" - 1979
Filho bastardo do Punk, filho ilegítimo do Buddy Holly e homem dos dentes mais podres do showbusiness, Elvis Costello era um cara de rara sensibilidade pop, o que sempre o afastou das convenções Punks. Terceiro disco dele, marcou a sua inclinação por arranjos mais elaborados e instrumentações de maior complexidade em relação aos seus dois sensacionais discos anteriores. Usando política e guerra como metáforas para relacionamentos amorosos, Armed Forces é talvez o melhor disco já feito na New Wave, com músicas inspiradas como Accidents Will Happen, Party Girl, Oliver's Army e a cover de Peace, Love and Understanding. Quem assistiu o filme Encontros e Desencontros pode lembrar da cena do videoke, quando o Bill Murray canta a música imitando a voz do Elvis Costello. Sofia Coppolla, espertinha como ela só, sabe separar o joio do trigo.


Duran Duran - "Rio" - 1982
A New Wave sempre produzia os seus hits aqui e acolá. Mas quem tratou de escancarar tudo e tacar na cara das massas o estilo foi o Duran Duran, banda que, na opinião do mano Progressista (terceira pessoa agora? Tô maluco mesmo) é a banda que melhor nomeia músicas, mas isso é assunto para depois. Com jeitão de avôs das boy-bands (embora fossem autorais) e clipes com mulheres e praias, a banda invadiu o mainstream e colocou músicas como Hungry Like the Wolf e Save a Prayer (campeã da Antena 1) para sempre no imaginário popular. Muito se discute sobre a qualidade da banda, mas não pode-se negar que eles souberam se aprovitar de todos os elementos da new wave e transformá-los numa linguagem que atingiu em cheio o povão. E Rio, a música, tem uma linha de baixo SENSACIONAL. É isso aí, todo mundo nega, mas deixa alguém tocar Save a Prayer pra ver se o pessoal não faz aquela cara de "putz, saudades daquela época".

terça-feira, 15 de maio de 2007

As Dez Mais - Nacional

Todos aqueles que me conhecem sabem o que eu acho da música brasileira. Então, para efeitos sociológicos, lanço aqui as minhas 10 favoritas do Rock/Pop nacional (MPB fora).

10 - "Rios, Pontes e Overdrives"- Chico Science e Nação Zumbi - Da Lama ao Caos, 1994
Hoje em dia, essa banda pernambucana ainda é reverenciada pela crítica, embora tenha se tornado uma filial do Steely Dan com batuques, fazendo música para elevadores com sotaque manguebeat, e tem nos vocais substituindo o defunto Chico Science o Jorge Du Peixe, tão carismático quanto um poste de rua. Nessa música do primeiro álbum, é fácil notar o quanto a banda errou tentando continuar: Chico Science, embora fosse cabeçóide demais, era 90% da banda, e nessa eficiente composição fica claro que os experimentalismos e climas apeteóticos-agrestes funcionavam somente quando encontravam a árida poesia carangueja do Chico. Boa música, sem dúvida nenhuma.

9- "Envelheço na Cidade" - Ira! - Vivendo e Não Aprendendo, 1986
Sempre compre uma revista que tenha uma entrevista com o Nasi, vocalista no Ira, na capa. É hilário, ver esse velhote pagando de adolescente rebelde, dizendo ter o "sangue calabrês" e afirmando ser mal, pois para ele, roqueiro tem que ser malvado mesmo. Vai jogar bingo, véio! Depois falam do Chorão ainda. Mas, indo para o campo musical, o Ira sempre primou pelas letras colegiais demais e por ter um bom guitarrista, o Edgard Scandurra, hoje metido a DJ. Dizem que o terceiro disco da banda, Psicoacústica, é um clássico, as 3 pessoas que ouviram juram de pés juntos. Sei. Mas essa música é a obra-prima da banda, nunca mais farão nada parecido, um bom trabalho de artesanato pop que livra a cara deles até hoje.

8- "Me Chama" - Lobão- Vida Bandida, 1987
O Lobão é um compositor muito acima da média no esquálido rock nacional, a sua carreira foi mais ambiciosa que a dos seus pares, mas o que mata é essa mania que ele tem de querer ser o Lou Reed tupiniquim, dar entrevistas falando um monte de bobagens, se contradizendo em cada palavra, metendo o pau no rock quando lança disco de MPB e metendo o pau na MPB quando lança disco de rock. Um chato. Agora gravou até acústico para a MTV, emissora a qual ele jurou nunca mais colocar os pés em fins dos anos 90. Integridade artística é isso aí. Me Chama é a melhor música escrita por ele, um retrato de como o rock nacional poderia ser se houvesse um mínimo de inteligência entre os nossos músicos. Isso vale para o próprio Lobão também.

7- "Todo Carnaval Tem O Seu Fim" - Losermanos, ops, Los Hermanos - Bloco do Eu Sozinho, 2001
A banda que não fazia música para empregas domésticas ouvirem nos seus radinhos de pilha (eles mesmos disseram isso em entrevista pra Folha), por se acharem deuses da intelectualidade pós-moderna latino-americana, encontrou seu único acerto nessa música do seu segundo disco, que unia as duas facetas da banda, o hardcore do início de carreira com os metais e Marchinhas do fim da banda. Eu nunca suportei essa cambada, mas se negasse que Todo Carnaval Tem o Seu Fim é uma ótima canção, estaria agindo com a mesma arrogancia burra dos membros dessa banda.

6- "Alagados" - Paralamas do Sucesso - Selvagem?, 1986
O nosso careca favorito, Herbert Vianna, sempre foi um péssimo cantor, e banda ficou marcada por copiar descaradamente o Police. Nos anos 80, tentaram desesperadamente se livrarem desse rótulo, gravando discos em espanhol e outros que soavam quase como axé-music (dúvida? Tente ouvir o Bora-Bora). Selvagem foi o começo da experiência com percussões que a banda aprofundaria nos discos seguintes, mas Alagados tinha influências de música africana, e, por incrença que parível, o resultado foi bom, com o refrão mais esperto já escrito pelo Herbertão (pela última vez, é "Alagados, TRENCHTOWN", caramba!) e a bateria marcante do João Barone.

5- "Flores" - Titãs - Ô Blésq Blom, 1989
Não dá pra levar os Titãs a sério, uma banda com 456 integrantes e que ainda precisa de músicos contratados pra tocar no palco, que gravou discos horrendos como o Tudo ao Mesmo Tempo Agora e o Titanomaquia, que fez um disco de covers de fazer corar qualquer bandinha de garagem por aí. Por isso, eu nunca acreditei que esse bando de incompetentes tenha escrito uma música tão boa quanto Flores. Não pode ser, eles devem ter comprado a letra e os arranjos. Como é possível, uma letra coerente, inteligente e sagaz, uma melodia que vai além de berros de "u-hu" e repetições fonéticas guturais, tudo isso vindo dos maiores farsantes da história da nossa música? Não, essa mentira eu não compro.

4 - "Telefone" - Gang 90 e Absurdettes - Essa tal de Gang 90 e Absurdettes, 1983
Quando o jornalista, DJ nas horas vagas e maluco em tempo integral Júlio Barroso fundou essa filial do B-52's no começo dos anos 80, praticamente dava os primeiros passos, junto com o Blitz, do rock nacional. As viagens beatniks que ele tinha nas letras (uma das músicas do disco chamava Jack Kerouac, muito criativo mesmo) encontraram a sua melhor forma nessa música, que foi regravada um milhão de vezes por outras bandas. O visionarismo de Barroso terminou quando ele caiu da janela do seu apartamento em meados de 1984, e ele não viu o estouro do rock nacional, talvez tenha sido melhor assim, do que ter de ser colocado junto dos Barões Vermelhos e RPMs da vida.

3- "Será" - Legião Urbana - Legião Urbana, 1985
Renato Russo era um bom letrista. Ponto. Mas o seu talento como escritor nem sempre encontrava equivalência nas composições da banda, já que a Legião Urbana tinha instrumentistas medíocres nos seus quadros, e o sucesso das músicas dependia das sacadas melódicas que ele tirava das letras, já que se dependesse do Marcelo Bonfa e do Dado Villa-Lobos, poderia esperar sentado. Por isso, os últimos discos da banda soavam chatíssimos e arrastados, poemas musicados na verdade. Será, do primeiro disco da banda, se beneficiou do frescor de idéias que ainda existia, e com a sua letra que versava sobre um casal (gay? dah!) com tendências a extremismos emocionais, acabou sendo talvez o maior acerto da banda, sem dúvida um grande momento do rock nacional.

2 - "Hoje" - Camisa de Vênus - Batalhões de Estranhos, 1984
Marcelo Nova, compositor, vocalista e faz-tudo na banda, ficou com péssima fama ao estar junto do Raul Seixas na época da sua morte, sendo apontado como o responsável a levar o Raul de volta ao vício de bebidas que acabaria lhe matando. Bobagem, o Raul Seixas era um maluco de carteirinha que sempre foi chegado numa cachaça, independentemente de qualquer influência do Marcelo Nova em cima dele. Quanto a música, um belo pau na mania brasileira de cobrir os problemas do dia a dia com festas e carnavais, foi um belo achado na errática carreira do Nova, que não tem culpa de ser pai da mulher mais feia da história da humanidade, a Penélope Nova. Pô, antes que me xinguem, alguém tinha de ser a mulher mais feia já nascida, não é?

1- "Coração Pirata" - Roupa Nova- Não tenho a menor idéia do disco, deve ser de alguma novela dos anos 80, Salvador da Pátria, Vale Tudo, Mandala...
Eu tento ser sério. Eu tento fazer tudo direitinho. Mas, ai eu acabo sempre me perdendo nas minhas bozonices. E sabe por quê? Por que eu faço por que quero, estou sempre com a razão, mas jamais me desespero, sou dono do meu coração. A, o espelho me disse. Você não mudou.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

TOP 5- POP/ROCK BRASIL!!!!!

Ó, o seguinte, tava devendo a parte Zé Carioca dos cinco trechos mais bizarros de música. Bom, chegou a hora. Não tem volta. Lembrando que coisas como Tihuana, Detonautas e Jota Quest não estarão na lista, afinal são bandas que existem para alimentar o nosso lado sádico e merecem o nosso distanciamento. Ai vai, depois não diz que eu não avisei:

5- "Depois" - Pato Fu
Quando penso em nós dois, deixo tudo pra depois - quando penso em nós três, fica pra outra vez
Epa? Que história é essa? Eu entendi direito o refrão, ou essa música sugere mesmo... é... bom... aquela expressão francesa... que começa com m... vocês entenderam. Que coisa feia, Pato Fu! Que coisa feia, Fernanda Takai! Ainda bem que hoje vocês só se limitam a copiar o Super Furry Animals. Se continuassem nessa linha, logo estariam lançando discos nos Sex Shops da vida

4-"Pintura Íntima" - Kid Abelha
Fazer amor de madrugada - amor com jeito de virada
Essa é clássica. Escrita pelo Leoni, na época compositor da banda, esse refrão assombra até hoje todos os que tentaram decifra-lo. Até o próprio Leoni, que em toda entrevista que dá, acaba tendo de tentar explicar o que quis dizer. Diz sempre que precisava escrever um refrão para o dia seguinte, e que mandou a primeira coisa que veio na cabeça, e saiu isso aí. Belo trabalho, Leoni, toda vez que eu ouço alguém cantar esse droga num Videokê da vida, massacrando meus ouvidos, eu lembro de agradecer a você.

3-"Balada de John e Yoko" - Titãs
Cristo não é biscoito - as coisas andam ruins - se é mal aos dezoito - me crucificam no fim
Sim, acreditem, eles tiveram a pachorra de fazer uma versão para Ballad of John and Yoko, dos Beatles. Como não poderia deixar de ser, o resultado foi um verdadeiro atentado que fez o Lennon dar belas cambalhotas na sua tumba. A letra toda é hilária, mas esse trecho é o melhor. É, Cristo, que mal fizemos para ter que aturar essa banda tosca por 25 anos seguidos? Não é biscoito, não é mesmo.

2-"Champagne e Água Benta"- Charlie Brown Jr.
Você é bonito- e eu sou feio - sua mãe te ama - e eu te odeio
E finalmente, o Chorão começa a amadurecer. Essa letra é a prova, agora que ele saiu da infância e é um adolescente de 37 anos, fica mais fácil escrever letras tão cerebrais como essa. É exemplar a aridez e a sagacidade que emana da letra. Notem que ele deixa bem claro tudo desde o início: o cara é bonito, ele é feio, a mãe dele ama ele, mas o Chorão odeia. Tudo preto no branco. Nem Lou Reed faria melhor

1-"Psicopata" - Capital Inicial
Sempre assisto à rede Globo - Com uma arma na mão - Se aparece o Francisco Cuoco - Adeus televisão
Imagino o quanto eles devam ter gastado de dinheiro com televisões. Afinal, nos anos oitenta (a "letra" é de 1985) o Francisco Cuoco era onipresente nas novelas e programas da Globo. Se eles fossem dar um tiro cada vez que o mesmo aparecesse na TV, gastariam um número incalculável de balas. De resto, a música deveria ser um retrato do tédio que eles viviam e um ode ao espírito livre e contestador que aquela geração de filhos de diplomatas de Brasília achava ter. Entendo, devia ser chato mesmo ficar andando por aí, andando de skate, acampando em fazendas e indo a festas animadas em mansões a noite. Tanto sofrimento só poderia resultar em arte mesmo.

sábado, 28 de abril de 2007

Jack White, ou: A Maior Farsa Americana


Existem artistas na música pop que adoram atirar para todos os lados, a chamada "versatilidade musical". Não contentes com os seus trabalhos nas suas bandas principais, eles se embrenham em projetos paralelos que possam alimentar as suas almas ávidas por intercãmbios com estilos, gêneros e propostas diferentes, na esperança de poderem evoluir como instrumentistas e compositores. Gente como o Damon Albarn, Dave Grohl, John Frusciante, Elvis Costello, os dois primeiros por não terem lá muita confiança no taco das suas bandas principais, muito por culpa deles próprios, o terceiro por querer recuperar o tempo que perdeu se drogando na década de noventa inteira até ser resgatado no limbo pelos Chili Peppers, e o quarto, por ser realmente talentoso, se aventurou até na música clássica, com dignidade. Todos esses citados possuem, em maior (no caso de Costello) ou menor escala, capacidade o suficiente para não passarem ridículo nas suas empreitadas, e nem sempre contam com a proteção dos críticos.

Mas nenhum deles conta com um respeito tão grande por parte da crítica musical quanto um certo músico de Detroit, venerado e requisitado guitarrista e produtor, e membro de duas bandas importantes no cenário musical: um tal de Jack White. Líder do White Stripes, duo que mantém junto da ex-mulher e raimunda (feia de cara mas fica muito bem com shortinhos apertados) Meg White, a qual ele dizia ser sua irmã no começo da banda, numa tosca e imbecil jogada de marketing. E a outra banda, bem mais nova (o Stripes existe desde meio da década de noventa e já tem 5 discos na bagagem), com os Raconteurs, banda que criou com 3 expoentes da música alternativa yankee.

O White Stripes vai lançar disco novo nesse ano e sair em turnê. Até aí, tudo bem, faz 3 anos que a banda não lança nada. Mas aí, vem a notícia de que, ao mesmo tempo que se prepara para a turnê, o Jack White já gravou 12 músicas com os Raconteurs, para lançar um disco no ano que vem. Isso é o que eu chamo de fogo no rabo. Nem bem gravou disco novo com uma banda, já grava com a outra, aí sai em turnê com uma, ai acaba a turnê e seguidamente, lança disco com a outra e sai de novo em turnê. Aí fica fácil ver porque, em todos esses duzentos discos com os Stripes e no que fez com o Racouters, só tenha sáido porcaria.

O Raconteurs é impressionante, todas as revistas e sites de música elegendo Steady As She Goes com uma das melhores do ano, uma musiquinha tosca, com uma letra vergonhosa e uma guitarrinha distorcida no refrão que enganou meio mundo. Porcaria. Como todo o resto do disco, popzinho safado sem qualquer diferencial, a não ser a voz desagradável de White e as suas firulas guitarrísticas inúteis (depois falam que o Slash é farofa). Já a obra que pariu com os Stripes (ele tocando guitarra e a Meg White maltratando a bateria), cinco discos que se voce juntar, não dão um. Rocks safados alternando tentativas de imitar o estilo esporrento dos Stooges, ou tentativas de imitar os riffs do Jimmy Page, ou tentativas de imitar o alt-country dos Joshs Rouses da vida. Jimmy Page, Stooges e Josh Rouse, tudo a ver. Só podia sair merda mesmo. E com uma baterista que faz qualquer um ter esperança de tocar, afinal se ela pode, até um cachorro aprenderia também, fica tudo mais difícil. E sem baixo, o que alguns críticos tonhos acham a maior inovação musical da história da humanidade, mas que, como efeito prático, somente ajuda a tirar das músicas qualquer tipo de senso rítmico. No ultimo disco, ele até tentou diversificar o som, tocando marumbas, escaletas e chocalhos, e fazendo várias músicas somente no piano. É o que faltava mesmo, quando se apela para o Elton John, é porque a coisa tá feia. Outra porcaria inominável. Quinze anos de carreira, e não saiu ainda uma música que preste. UMA. Seven Nation Army? A música favorita de comerciais de bancos? Não, obrigado. Mas sempre vai ter um crítico babando em cima desse enganador. Ponto para a Reneé Zelwegger, que deu um belo pé na bunda nele. É que não se pode conseguir enganar todo mundo 24 horas por dia. Uma hora, alguém ia perceber.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

A maior banda holandesa do mundo (The world's greatest Dutch indie-rock band)

Dando prosseguimento à série "Eu, Camarada Fundamentalista".

A arte em geral é só uma desculpa pros marmanjos prolongarem indefinidamente a adolescência. Representa tudo em nós que é egocentrado e sentimental até a obtusidade e, se der, pra depois dela, pro genial, quem sabe. Nietzsche, Dostoievski, Kafka, Joyce, Guimarães Rosa, tudo uns moleques. Por isso, a adolescência preexistiu à forma como a entendemos hoje, e portanto Nietzsche e cia. podem ser colocados no mesmo saco, dos que adiavam o fim dela.

Imagina uma banda, então. É meio que assumir de vez que você não quer crescer, e o pop é a Terra do Nunca. Há mesmo casos extremos, que desembocam na caricatura: vide Hateen.

É tão verdade, que Los Hermanos acabaram. Queriam virar artistas sérios (acredita-se que isso exista), desistiram dos refrões, caíram na MPB e ficaram chatos. Fim da adolescência, fim da banda. Tinham que amadurecer musicalmente... Quando o sujeito, querendo posar de músico, se esquece do elemento adolescente-trouxa, está descuidando do principal. Banda não é pra isso.

Existem algumas bandas de longa data que, supostamente, contrariariam a tese - U2 e Rolling Stones, por exemplo: ou seja, os maiores mercenários do meio. Faz tempo que abandonaram o tipo adolescente, evitando o ridículo. Só que não foi em nome do "amadurecimento", mas pra encher o bolso de grana, essa é que é a verdade.

Estou falando isso tudo, pra chegar naquilo que eu acredito ser a vontade de todo o mundo quando senta pra ouvir música ou assistir à droga de um filme: ser filisteu em paz. Minha, tão logo diagnosticada, prontamente confessa preferência por baladas se explica por uma recalcada sentimentalidade justamente do tipo adolescente-trouxa, responsável por súbitos e constantes acessos de vislumbramento.

Vem daí meu gosto por indie rock. Em especial, Bettie Serveert, banda holandesa, mas de expressão inglesa, com vocal feminino, desconhecida até pelos meus amigos chatos que manjam de música. Seu primeiro álbum, Palomine (1992), houve quem o considerasse o London Calling do college rock. Como o meu filisteísmo é radical e ilimitado, eu nunca ouvi London Calling, e não estou nem aí pra isso, porque não manjo mesmo nada de música. Parece, de todo modo, que eles não convenceram muito aqueles entusiastas, com os trabalhos posteriores. Tanto melhor. Ficaram sendo só uma banda holandesa de indie rock, seja lá o que isso signifique.

E eu adoro esses caras. Não tem música ruim, todas agradam ao meu adolescente trouxa interior. ("Kid's alright", aliás, não podia ter uma letra mais emblemática.) Em Palomine, os arranjos eram mais crus, uma banda de guitarra. Canções maravilhosas. Fazem as lágrimas rolarem, de nostalgia dos anos 90. Nesse último álbum, Bare Stripped Naked (2006), o oitavo da banda, como prenuncia o nome, acústico, para o meu deleite. "Hell = Other People" é a minha favorita e o hit do disco.

Ah, é: traduzindo-se o nome da banda do holandês para o português, é literalmente "Bettie serve", nome de um programa de televisão, apresentado por Bettie Stöve, tenista holandesa que perdeu em Wimbledon, na final de 1977.

Em resumo, lá, na Holanda, onde as pessoas vivem entre moinhos, diques e vaquinhas malhadas, e usam tamancos de madeira, e, por isso mesmo, o consumo de entorpecentes é legalizado e a prostituição é regulamentada, eu, sendo fundamentalista, nunca pisaria, não fosse o Bettie Serveert.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Trechos de músicas mais bizarros - Pop Internacional

Pra descontrair o pessoal aí, todo mundo meio tenso, semana tensa, correria, stress, ó, mando aí, com uma baita felicidade, os 5 trechos de letras mais bizarros na história da música Pop Internacional(eu generalizo mesmo, tá ligado?).

5- "Broken Wings"- Mr. Mister

"Baby, all that i know, is that you're half of the flesh, and blood makes me whole"
"Neném, tudo o que eu sei, é que você é metade da carne, e sangue me completa por inteiro"
Sutis como um elefante indiano, essa banda one-hit-wonder dos anos 80 entrega putaria numa embalagem rádio-adulta-contemporânea. Imagino que seja trilha sonora de algum filme pornô com vampiros, estacas e todo o resto do bagulho

4-"Whiter Shade of Pale"- Procol Harum

"We skipped the light fandango -turned cartweheels from the floor- I was feeling kind of seasick - but the crowd called out for more"
"Dançamos um fandango suave- demos piruetas pelo chão- eu estava me sentindo enjoado -mas a platéia pediu mais"
Letras sempre foram o calcanhar de aquiles das bandas progressivas, mas aqui o Procol Harum foi longe demais. Só faltou mandar um "dei uma gorfada no chão, acho que pude ver o café da manhã inteiro de novo". Como consolo, a música foi zoada no The Commitments, melhor filme da história da humanidade (mas isso é assunto pra outro post, sossega ai).

3- "Jeremy"- Pearl Jam

"But we unleashed a Lion- gnashed his teeth and bit the recess ladies breast- how could i forget?"
"Mas nós libertamos um leão -rangeu os dentes e mordeu os seios da menina - como eu poderia me esquecer?"

Jeremy é uma música um bocado emocionante, da tradição dos lamentos épicos grunginianos. Mas esse trecho... dá até pra imaginar o pobre Jeremy ficando cabulosamente nervoso, agarrando alguma menina no pátio e dando uma bela de uma mordida nos peitos dela. Isso sim é o que eu chamo de "atitude positiva de libertação". Não é a toa que ele se mata no fim da música, afinal, estupro é crime e ele ia virar mocinha na cadeia de qualquer maneira, poupou sofrimentos desnecessários.

2-"The Impression That i Get" - Mighty Mighty Bosstones

"I've never had to knock on wood - and I'm glad i haven't yet - because I'm sure it isn't good - that's the impression that I get"
"Eu nunca tive de bater na madeira - e eu sou feliz por não ter tido de fazer ainda - porque tenho certeza que não seria bom - essa é a impressão que eu tenho"

Numa época que o ska dominava o mundo, com No Doubt, Sublime, Rancid e Skuba (ai é palhaçada!) no topo das paradas, essa banda de 458 mil integrantes, todos sempre impecavelmente vestidos de terno, faziam a alegria da galera no auge da era Clinton. Mas quando tocava esse refrão, somente podia-se pensar uma coisa: QUANTAS ESSES CARAS FUMARAM PRA ESCREVER UMA BOBAGEM DESSA?

1- "Scatman"- Scatman John
"Giviribiauuiriauriuriuaiaui no berou John, no berou jonhm girhgirgirignriririg no nerojhohnna - I'm the Scatman"
"?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????- EU SOU O SCATMAN!"

Chega. Não percam cambada, em breve, os 5 trechos mais bizarros, música Pop Brasileira! Brazilian Remix! Ebaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 18 de abril de 2007

A Sandy, o Júnior e o fim - Uma rápida reflexão

Ontem, ficamos chocados ao receber uma notícia triste e surpreendente. A dupla Sandy e Junior declarou oficialmente a sua separação depois de 17 anos de carreira. Como polaroids de uma época para sempre perdida, os dois refletiram com perfeição as angústias, agruras e anseios de uma geração, estando para a música pop brasileira como a nouvelle vague francesa esteve para o cinema moderno. Mas, como consolo, teremos a oportunidade de acompanhar de perto o surgimento de dois artistas cujos conceitos poderão preencher um vazio imenso na MPB: Sandy virará a cantora de voz, alma e personalidade que tanto sonhamos desde o dia que a Elis Regina tombou no altar dos excessos setentistas. E Júnior, multi-intrumentista de raro talento e cantor de inacreditáveis dotes vocais, poderá lapidar todo esse potencial quase infinito e se transformar numa espécie de Prince tupiniquim, ditando o ritmo da nossa música, os nossos comportamentos e criando e desfazendo a moda, além de poder continuar fazendo belas jams com o guitarrista do Sepultura, aquele barbudo lá. E que venha uma nova era na nossa música, de gente fina, elegante e sincera.
Sandy e Junior, RIP -1990-2007+