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sábado, 7 de junho de 2008

Manual Prático do indie pinguim - Parte 6: Tiras e o universo infantil

Continuar a labuta sobre esse tema me diverte, conversava com um amigo sobre o tema, ele logo, sabiamente, pontuou:
"Você tem que falar das tirinhas, das tirinhas..."


O boom do jornalismo estadunidense, com as famosas brigas entre períodicos, foi também o aparecimento dos quadrinhos nas mídias impressas, por tabela, sua maior visibilidade. As tiras encartadas no jornal, desde Yellow Kid aos dias atuais, encanta as pessoas, por fim, solidificou as artes gráficas e a relação jornalismo e quadrinhos.


Como bom indie que se preze: gostar de mexer em programas gráficos acaba levando a pesquisa e a curiosidade para conhecer tiras: quadrinhos limitados, em sua maioria, por três ou quatro quadros. Enfim, todo indie pinguim que se preza deve, no mínimo, conhecer as tiras listadas abaixo.


1)Little Nemo(1905) - Criado por Winsor McCay
Uma das grandes e interessantes tiras do século XX. Com o uso de uma mesma trama: um garoto explora mundos surreais para sempre, no final, acordar e perceber que tudo não passou de um sonho bizarro(e sempre cainda da cama). Simples e superficial se imaginar pela descrição até agora, mas a tira surpreende: seja pelo uso da narrativa(dizem que influenciou muitos filmes e quadrinhos), a surrealidade dos universos percorridos pelo garoto ou pela qualidade do traço que lembra muitos cartazes do século XIX, contudo com um apelo mais cartunesco. A trama foi mantida até o final da tira, sem muitas reviravoltas. O sucesso da tira provocou até um briga pela sua publicação: do New York Herald com o New York American, do Hearst. As tiras, em formato digital, são encontradas no Comic Strip Library(em inglês). Fica um dúvida: será que influenciou todos aqueles filmes que finalizam com "Tudo não passou de um sonho"? Não me venha falar que é culpa só de Shakespeare, eu não acredito.


2)Peanuts(1950) - Criado por Charles M. Schulz
Minduim e sua turma começam a traçar seu curso de sucesso na década de 50, assim atingindo o mundo todo e tendo também gerado um desenho animado muito bem produzido. A premissa das aventuras é simples: mostra crianças e suas descobertas e aventuras. Mas como o protagonista, Charlie Brown, é um derrotado: loser na concepção léxica da palavra, acaba sendo sempre decepções e desventuras. Charlie é o personagem hamletiano pateta: sempre incapaz de agir da maneira certa e sempre cometendo os mesmo erros por causa da sua falta de habilidade em quase tudo. O interessante, além das tiras, são as partes do desenho animado onde aparecem adultos: nós, telespectadores, não entendemos o que os adultos falam(só as crianças do desenho), mostrando também que a criança vive em outro universo à parte do adulto e que se adentrarmos em um universo estaremos, por lógica, fora do outro.


3)Mafalda(1966) - Criada por Quino
Tira latino-americana, já se imagina protesto, ainda mais sendo argentina. Na mosca! Mas pensar que uma menina politizada iria causar tamanho rebuliço, é improvável. Quino sabiamente articulou uma turma onde os arquétipos sociais se representam na Mafalda e em sua turma. Boas sacadas, aliadas a muito uso de imagens da imaginação infantil. As tiras estão situadas no Clube da Mafalda. O quadrinho tem um estilo muito bom, como uma narrativa continda e soberba; os argentinos, parecem, dominam a arte sequencial muito bem. Enfim, Mafalda é realmente muito bom, mas dizem que as charges e os cartuns do Quino são superiores à tira. Outra coisa interessante é que ela é muitas vezes comparadas com O Charlie Brown, Umberto Eco acha isso, inclusive.


4)Turma da Mônica(1963, Franjinha e Bidu foi em 59) - Criada por Maurício de Souza
Influenciado pelo Peanuts, A turma da mônica é outra tira interessante voltada para o universo infantil. Seu viés, no entanto, é mais para as crianças e pré-adolescentes(sobretudo nos dias de hoje que o estúdio maurício de souza quer entreter as crianças). Contudo as origens revelam as raízes que tem com suas publicações irmãs: boas sacadas e críticas ao costumes. As tiras tem um bom arquivo no Tirinhas TDM. O interessante da Turma da Mônica é que o autor foi criando um universo de personagens que abrangesse além dos personagens da Rua do Limoeiro, por ventura, os personagens se encontram em grandes sagas a la comics de super-heróis. Minha crítica só pontua algo: a produção em série que se tornou a tira, ao longo dos anos, fez a qualidade cair, resultando em algo banal que simplesmente faz parte de um conglomerado. Nem me falem dos novos personagens politicamente corretos!


5)Calvin and Hobbes(1986) - Criado por Bill Watterson
Não, João Calvino e Thomas Hobbes não fazem parte de uma cruzada tirânica pelas tirinhas mundo afora. O "lobo do homem" é apenas um bichinho de pelúcia e é um tigre de verdade apenas para o outro protagonista: Calvin, logicamente. Como todas as outras boas tiras anteriores, alia a genialidade da época com sacadas atemporais. Um menino e seu bichinho de pelúcia: nada mais. Suas aventuras partem daí e se desenvolvem de todas as formas possíveis e imagináveis. Bom site sobre o garoto é o Depósito do Calvin. O Autor tem um política de proibir qualquer produto atrelado ao nome "Calvin and Hobbes", assim os genéricos e entusiástas ficaram a cargo da confecção e venda de tais produtos, até que é um cara legal, não?


Agora não me encham o saco e vão ler tiras nos links, muitas tiras!



Você deseja saber mais?
Manual Prático do indie pinguim - Parte 1: Discos de Jazz

Manual Prático do indie pinguim - Parte 3: Caixa de sobrevivência do Indie

Manual Prático do indie pinguim - Parte 4: Uma introdução a arte sequencial

Manual Prático do indie pinguim - Parte 5: Ser blogueiro?

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Manual Prático do indie pinguim - Parte 5: Ser blogueiro?

Continuo aqui a minha senda pessoal neste blog. Acredito neste tema, estes posts foram os quais consegui dar mais continuidade dentro do Fomos ao Cinema.

Foco.Um indie que se preze tem sempre um blog escondido na manga, de prontidão pra dar a url para um amigo no msn, um conhecido no orkut ou um desconhecido na rua. Indie pinguim tem que ter, na pior das hipóteses, blog, flickr e twitter.

Pensando dessa forma, começo a desfiar aqui alguns conceitos e algumas indicações que acho interessante do universo dos blogs.

Primeiro, acho interessante diferenciar blogueiro de jornalista, são trabalhos com um ponto comum, contudo são visões diferentes, como também métodos de escritas diferentes. Desde a maneira pessoal do texto que sempre parece circundar os blogueiros, da concepção de texto aberto que todos os blogueiros parecem entender: reflexo inconsciente da cibercultura. Logo busquei algo que convergisse sobre tal assunto, na minhas madrugadas de insônia encontrei o blog Descência do indescente , mais especificamente o post sobre dicas para jornalistas que querem ser blogueiros, dicas de manuseio de um blog, na verdade.

Pensei em jornalistas e blogueiros, fica difícil não falar de Pedro Doria, jornalista, blogueiro e o único , além de mim, a colocar o Fomos ao cinema no del.icio.us. Mas dentre todas suas proezas e habilidades, a mais notável é ter descoberto a Bruna Surfistinha.

O Brogui é um portal de blogueiros que apresenta blog famosos no mundo virtual. Uma passada lá é deveras recomendável.

Sedentário e Hiperativo é um dos blogues que mais entro, de carater informativo, recheado de links curiosos e engraçados, não podemos esquecer das teorias das conspirações, parte elementar neste blog competente no que se preza: ser um blog de lazer, com boas dicas de videos do youtube e ainda apresentar conteúdo. Daqueles blogs que vc costuma acessar do trabalho e sempre reza pra ter algum video engraçado ou links interessante que tire da sua monotonia diária.

Para dar um efeito global ao texto, indico o Smashing Magazine, weblog de design, tipografia, webarte, ilustração digital. Enfim, daquelas descobertas tardias e necessárias para todos aqueles que assumem alguma vontade incontrolável de pintar os muros da web. Ponto para os extensos tutoriais de CSS e sempre belas imagens

Pronto, a partir desse esboço, vc, leitor, tem horas de navegação da internet no mundinho dos blogs. Go indies Go!

domingo, 23 de setembro de 2007

Manual Prático do indie pinguim - Parte 4: Uma introdução a arte sequencial

Depois de três partes ricas, três atos que fariam qualquer dramaturgo sentir uma ponta de inveja. Voltei, sobretudo pelo apelo popular a esse guia de sobrevivência da contemporaniedade. Essa parte é um leve respiro, pois falarei de um tema esquecido pelas massas: os quadrinhos, mas nunca esquecido pelo adorados indie.

Essa seção foi pensada para vc, camarada x, que tem intenções de começar a adentrar no mundo dos quadrinhos. Pode até ser para más intenções, deixando claro, impressionar mulher nunca é mal intenção, se bem que poucas mulheres ficam impressionadas com alguém que goste e manje de gibis, se conhece tal garota, me apresente, pelo menos para eu tirar um foto e mostrar para os amigos, a foto tem que ser com uma edição do batman.

Agora, abaixo temos cinco gibis imprecindíveis para o começo da aventura( me senti a caixinha do Todynho agora)

1) Cavaleiro das Trevas - DC Comics - Frank Miller
Não existe personagem mais interessante, no mundo do super-heróis, do que o homem morcego. É um dos poucos heróis cuja galeria de vilões é bem respeitável, cada um destes apresentando uma variação de alguma psicopatologia e poucos têm superpoderes, criando um contraste interessante com o protagonista e sua obssessão pela justiça.

Frank Miller resolveu brincar com a mitologia do personagem: a trama se passa num futuro onde os Eua é um país totalitário onde as ações do assim chamados heróis não são benquistas pelo governo, com exceção do Superman cuja ações são coordenadas pelo proprio governo, não passando de uma marionete do estado.

Neste universo Batmam sofre as mazelas do tempo: ele está velho; enfraquecendo e perdendo a maioria das suas habilidades físicas , contando ainda mais com suas astúcia e engenhosidade e ,sobretudo com seu espírito inabalável, no final das contas, ele acaba sendo um personagem em busca de redenção, terreno que Frank Miller trabalha muito bem. Não por acaso, esta é uma das melhores histórias em quadrinhos de todos os tempos. A Panini relançou um encadernado de ótima qualidade que contem toda saga, incluindo a tão criticada continuação, mas mesmo assim vale o investimento.


2)Watchman - DC Comics -Alan Moore/Dave Gibbons
No mesmo período do lançamento do cavaleiro das trevas Moore e Gibbons recriaram um universo todo. Os dois quadrinistas deram fõlego para os quadrinhos e tiraram um pouco da mácula da década de 80.

Imaginem a seguinte coisa: os Eua proibiu todo o tipo de heroísmo, com exceção dos heróis autorizados pelo governo e alguns clandestinos que não desistiram dos seus ideais. Nesse status quo, um dos grandes heróis é assasinado , como uma reação em cadeia a investigação e a descoberta pelo responsável provoca coisas sem precedentes, por fim seu expetacular desfecho. Sobre esse prisma alguns estudiosos chegaram a afirmar que a obra tenta explicar, por vias indiretas, a teoria do caos. Ponto de vista interessante depois de algumas releituras.

Watchman foi relançado várias vezes, a ultima foi feita pela Brainstore.


3) Akira - Katsuhiro Otomo
Para contemplar nossa tríade de hqs bem influenciadas por 1984, temos Akira. Num mundo apocalíptico dominado por gangues e empresas sem escrúopulos, daí surge uma trama sobre pessoas com poderes mentais que findará num tema clássico: A rivalidade entre dois amigos e seu trágico desfecho

Além do enrendo bem elaborado, a arte de Otomo é fantástica, influenciou toda geração posterios e mais, solidificou o Japão como produtor de quadrinhos e desenhos animados.


4) O sistema - DC Comics - Peter Kuper
Se pensarmos desde quando as histórias em quadrinhos existem, poderemos considerar que elas existem há muito tempo: desde o tempo das cavernas, onde eram usadas para registros como também para contar histórias através de imagens

Ora, se os quadrinhos começaram sem nenhum balão para fala ou recordatório, era de se esperar que ainda hoje existissem gibis que partilham dessa premissa: narrativa e imagens, apenas.

O Sistema ilustra o cotidiano de uma metrópole que poderia ser qualquer cidade grande ocidental. Nas quase 100 páginas não encotramos nenhuma fala de personagens ou qualquer muleta verbal ou de escrita além das próprias imagens cujo encadeamento é soberbo: passando de personagem a personagem, indo e voltando, como nenhum cinema, teatro, animação ou livro foi capaz de transmitir. Como se todas aquelas pessoas executassem uma música que ora é harmônica e ora é desarmônica com a cidade que habitam

Pode-se dizer que Peter Kuper conseguiu captar a conteporaniedade das cidades utilizando de um recurso que existe desde a pré-história.

5)Contrato com Deus e outras histórias de cortiço - Will Eisner
Cotidiano tratado belamente atrelado a um experimentalismo visual: seria um bom resumo dessa graphic novel. Nenhum superpoder, nada de intrigas internacionais ou monstros intergaláticos para combater. Sim, existem demônios, mas eles são internos, pessoais, no encaram de frente dia a dia, antes do trabalho. A principal história fala de um homem que sempre foi um bom homem, mas que perdeu a fé quando sua querida filha morre. O cotidiano é o mote desse trabalho tão bem executado por aquele que hoje é chamado de "o" mestre dos quadrinhos.

Contrato com Deus foi relançado recentemente pela Devir numa edição de boa qualidade.


domingo, 8 de julho de 2007

Manual Prático do indie pinguim - Parte 3: Caixa de sobrevivência do indie pinguim/O que ouvir atualmente

Depois de acusar(moderamente) o camarada progressista de indie, lembrei que deveria continuar minha série para aquelas pessoas desesperadas que adoraram a primeira parte desse manual, incluindo aí nosso camarada. Continuando na vertente musical, mas agora em álbuns que foram lançados recentemente( do começo dos anos 2000 até hoje) e que tenham vertente válida para os indies de hoje em dia, pois tenho uma preocupação sociológica com essa empreitada.

Indie hoje em dia ouve bastante coisa e não só indie rock, pensei nisso e resolvi abranger outros estilos, sempre pode ter uma garota(o) a quem se aproximar e se surpreender com seu ecletismo musical. Mas sempre preocupado com a palavra alternativo, não precisa ser indie mas precisava ser meio desconhecido. Poderia ser até uma visão mercadológica e de produção alternativa, ok vamos lá!


1) Shades Of Blue - Madlib - 2003 - hip-hop alternativo com toques de jazz
Descobri tal se
r mais por acidente do que qualquer outra coisa. Estava baixando música(faço muito isso) e resolvi ariscar, quem diria que ouviria até hoje e consideraria um dos melhores álbuns que já ouvi?Coisas da vida.

Shades of Blue parte do seguinte conceito: pegar um apanhado de gravações do famoso estúdio Blue Notes(famoso pelas gravações de jazz) e samplear e transformar em hip-hop suave e delicioso de ouvir. Recomendo atenção auditiva em duas faixas: Footprints, feita por Wayne Shorter; a composição de Gene Harris, que era The Look of Slim, foi remixada e tornou-se Slim's Return.

Madlib só por esse álbum já poderia ser chamado de promissor, ainda é um expetacular produtor musical. Se fosse só isso, tem mais, ele resolveu criar heterônimos musicais e produzir tais discos( resta saber se ele leu Fernando Pessoa, não é?). Os discos do seus heterônimos musicais diferem em estilo e até gênero musical do próprio autor, nessa brincadeira ele criou uma banda, Yesterday New Quintet, onde o próprio compôs as musicas, no estúdio tocou todos os intrumentos e ainda produziu o disco. Continua produzindo e produzindo muito, dizem as más línguas(www.pitchforkmedia.com) que ele dorme e vive no estúdio, para se ter uma idéia sua discografia tem 2,2 GB e começou a lançar albuns em 2000. Minha mãe falava que tem gente que não sabe brincar e eu não acreditava. Em suma, se você estiver ouvindo DangerDoom, Quasimoto, Madvillian, Yesterday New Quintet na verdade todo aquele trabalho musical foi arquitetado por um exército de um homem só: Madlib.


2)Nadadenovo - Mombojó - 2004 - "novo maguebeat", pop, samba, rock
Tudo novidade: assim que encarei esse álbum, no começo você acha parecido com os finados Los(loser?) Hermanos, sobretudo pela forma de cantar do vocalista, entretanto começa perceber a sonoridade e as viagen da banda: a experimentação dentro do rock( que faria qualquer StereoLab cair no chão de inveja); a fusão rock e samba em Deixe-se Acreditar; a flauta tranversal em Nem Parece que teima em ficar dançando em cima da harmonia; a transição bem executada entre as faixas Discurso Burocrático e A Missa; a própria A Missa que alterna samba, rock pesado e, seria, um hip-hop? Enfim tal álbum é bem executado, com faixas belas e feitas por músicos que na época tinham 20 e poucos anos, nem precisa mais de motivos pra ouvir. Mas tem, os dois albuns, em versão integral, da banda estão disponíveis para baixar no site da banda(www.mombojo.com.br). Só não entendo uma coisa: pra quê chamar de manguebeat? Só por que é do mesmo estado? Isso eu fiquei sem entender.


3)Unsolved - Karate - 2000 - indie rock com pitadas de jazz
Me apresentaram tal banda, falei: "Interessante...". Resolvi pesquisar e acabei me apaixonando. Nada de experimentações ousadas, harmonias complicadas, conceitos brilhantes e inovadores. Esse album viveria bem se não estivesse existido a musica concreta, não faria muita diferença. Simplesmente som bem executado, bonito, com letras boas.

Tal banda foi formada por músicos formados em uma faculdade de musica pouco conhecida que estudou "normais" como Miles Davis. Se conheceram lá e montaram a banda e resolveram formar uma banda de verdade de indie rock e que banda devo dizer.

Como sempre acabo vertendo pro lado do jazz, acabei escolhendo o álbum que tem mais elementos desse gênero. De uma forma geral todos os álbuns são bons, pena que a banda acabou.


4) Por Pouco - Mundo Livre S/A - 2000 - manguebeat
Uma banda mais antiga, mas que cresceu mais depois do seus primeiros cds. Hoje em dia acho que perderam denovo a mão. Fred 04(líder da banda) tornou-se mais um protestante político atual do que músico. Bem, vamos nos ater ao cd.

O álbum Por Pouco mostra uma maturidade da banda Mundo Livre e mostra também o caminho musical que tal banda escolheu e este caminho difere das outras bandas precurssoras do manguebeat, como Mestre Ambrósio e Nação Zumbi. A primeira busca um resgate das tradições nordestinas enquanto a segunda, mesmo após a morte do líder e cara do próprio movimento, procura atingir uma veia pop criando música de qualidade. Ao mesmo tempo Mundo Livre, como música de protesto, sempre buscou um meio termo e parece que nesse album atingiu o apíce estético. Atenção especial pra descontrução musical que fazem na versão deles de Garota de Ipanema; a letra de Mistério do Samba; a faixa título Por Pouco com sua harmonia genial e a inclusão de violinos aumenta mais a genialidade dessa música.


5)Amputechure - The Mars Volta - 2006 - indie rock, rock progressivo, pós-rock
O guitarrista da banda At the Drive-in(não precisa saber e nem ouvir isso) resolveu tomar vergonha na cara e formar uma banda de verdade. Resultado: esse álbum e mais alguns. Elementos do rock progressivo e sem a masturbação musical que o gênero ficou conhecido, com as latinades do tal guitarrista( Omar Rodriguez definitivamente não é sueco), recomendado também ouvir seus projetos solos.





Pra finalizar, leitores, agora vcs terão mais álbuns pra ouvir, mas lembre-se, tentem ser superciais e vagos, como fui agora.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Manual Prático do indie pinguim - Parte 1: Discos de Jazz

Bem esfriemos um pouco o nosso blog( não estamos fugindo Azevedo, nós voltaremos) e trago agora o começo do manual de como se passar por bem entendido sem fazer muito esforço( eu faço isso muito bem); senhoras e senhores, o manual do bem entendido ou indie pinguim.

Jazz: só a palavra já é difícil, imagine pegar quase um século de música e ouvir? Atitude quase impossível, agora vc não precisa passar madrugadas inteiras baixando álbuns de um cara esquisito que toca trompete( só a discografia do Miles Davis tem, por baixo, 30 Gb). Apenas se informe um pouco sobre certos albuns do jazz, algumas pilastras do jazz e você pode sair falando coisa difíceis sobre uma música nada fácil.




1) Kind of Blue (1959) - Miles Davis
O álbum de jazz mais vendido de todos os tempos. Pessoas que não gostam de jazz adoram esse disco e não foi pelo charme do Miles Davis( sem ofensas, Chet Baker). Ele hj, nas fotos era estranho e deveria ser o mesmo na época, mas manjava muito de música. Não foi a toa que ele chamou John Coltrane( Sax tenor), Bill Evans(piano) e Julian "Cannonball" Adderley (Sax Alto). Não, ele não convidou todos para um churrascão e depois um futebol, talvez eles devem ter feito algo semelhante depois da gravação, mas o intuito primordial não foi esse. Voltando, como boa farsa que sou, recomendo ouvir esse disco, mesmo você menino ou menina que gosta de Soweto vai amar esse álbum. Em Kind of Blue ( "Um pouco de tristeza", se fosse traduzido e virasse longa metragem) Miles rompe com o estilo atual, o cool, e instaura algo novo, o jazz modal. Não se assuste, não precisa saber o que são esses estilos de jazz, pouca gente sabe.




2) Time Out(1959, é o que diz o allmusic eu achava que era de 54) - The Dave Brubeck Quartet
Dave e um tal de Paul Desmond( não precisa saber quem é) depois de fazerem um bom tempo de parceria fizeram esse cd magnífico. E muito bom mesmo, ainda considerando que grande parte da banda era branca( com excessão de um negro, pq se não tiver pelo menos um dá azar, em bandas de jazz). Dave no começo da sua carreira sofreu muitos preconceitos por ser branco, da própria familia, sobretudo. O pai(negro) queria que ele fosse médico ao invés de ficar tocando, agradecemos a deus que isso não aconteceu, se bem que ele poderia ter erradicado todas as doenças do mundo( Desmond vai se....)



3) My Favorites Things(1961) - Jonh Coltrane
Ele cresceu, tomou vergonha na cara e resolveu partir pra carreira solo. Esse não é seu primeiro álbum, mas é o mais gostoso de ouvir. Coltrane colocaria qualquer guitarrista no chinelo por causa da sua velocidade fora do comum, dizia que ele era capaz de tocar cem notas por minito, isso em dias de mal humor. Sua música era viva como o fogo, igual sua vida: extigui-se aos 40 anos. E sua carreira também: começou a ganhar notoriedade só com 29 anos, parece que ele sabia que não duraria muito. O album mostrado aqui foi composto e ficou pronto em três dias( maldito gênio!).




4) Mingus Ah Um (1959) - Charles Mingus
Considerado por muitos como o rabugento, a abelhinha operária do jazz. Pois sim, é capaz de ter morrido brigando pelos direitos dos músicos de jazz e dos músicos negros( sim, para variar um jazzista negro). Sem ele talvez os musicos de jazz seriam continuamente explorados(elvis te lembra alguma coisa?) até hj ou apenas teríamos um ótimo musico rabugento a menos. Mas esse disco é muito bom mesmo, gostoso de ouvir, bem feita as composições ( ele era chamado de abelhinha, lembra?) . Tem até um referência ao bird: Charlie Parker(esse abaixo).




5) The Charlie Parker Story [Savoy Jazz](1945) - Charlie Parker
Pra comemorar o fim da guerra mundial a gravadora resolveu lançar esse coletânea
pra encher os bolsos de dinheiro. Um bom disco sem dúvida, tratando-se do Bird não poderia ser diferente. O interessante é a imagem que difere muito das capas dos cds de jazz; alternando sempre entre uma foto do principal músico acompanhado de letreiros grandes ou de uma ilustração no mínimo abstrata. Talvez a ídeia era confundir o Charlie Parker com o papai noel; o velho bonachão está de volta antes do natal e toca sax! Uma ilustração do Charlie Parker tocando seria muito mais agradável, sem dúvida. Outro disco ótimo, recomendado.



Ouça algumas faixas dos discos e já pode xavecar uma menina que goste muito de jazz( me apresente se conhecer) ou quem sabe, fazer o propósito do manual: fingir que gosta, é sempre interessante, veja meu caso.