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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Y The Last Man e todas outras coisas

Brian K. Vaughan é um gênio. Não daqueles gênios com alta inteligência estressadinhos com direito a cabelo dessarumado. Muito menos aqueles superprodutivos que atuam em áreas diversas e parecem não dormir ou comer. Afirmo sua genealidade, pura e simplesmetente, graças a uma história escrita pelo autor: Y The Last Man. Minha argumentação baseia-se apenas num roteiro que ele escreveu durante 60 edições para linha Vertigo da DC Comics.

comentei brevemente o trabalho desse sujeito nesse blog. Naquela época não esperava que a história me surpreendesse tanto, sabia do bom argumento, da boa condução da narrativa. Logo na primeira edição ele nos mostra que domina muito bem uma condução da narrativa: apresentando primeiramente o fato maior, que todos os homens morreram, para depois apresentar os personagens principais momento antes do incidente e, em contagem regressiva, até o momento que todos os homens começam a morrer e apenas Yorrick Brown parece sobreviver, completamente ileso.

Ele trabalha muito bem também com conceito de mídia associativa e mídia convergentes. Esses novos autores de quadrinhos são carcterizados por esse estilo: conta uma história ao mesmo tempo que nós mostra vários outros materias relacionados; histórias ocultas, cultura pop; etc.

Mas ele amarra a história através das histórias pessoais daqueles personagens apresentados e não por fatores externos ou acessórios da trama. Todos os personagens principais são nos apresentados por algum trecho ou vários das suas respectivas infâncias. Esses flashbacks nunca são gratuitos, alías, são sempre elementos que nos fazem entender melhor as motivações daquelas pessoas e comprender melhor o porquê daquela atitude naquele momento.

No final das contas, a grande trama: o porquê morreram tantos homens, parece algo tão pequeno comparado a história daquelas pessoas numa situação caótica. A morte de quase todos os homens só serve para pano de fundo para contar uma história fantástica e bem amarrada sobre relacionamentos e fugas.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O que ando lendo - Um pouco de quadrinhos

Há tempos que não falo de quadrinhos nesse espaço. Lembro de promessas não cumpridas, resenhas fracassadas, enfim, todos meus projetos de tornar este blog talvez algo que se comprometesse mais com o universo da arte sequencial.

Deixando as mágoas pessoais de lado, consegui, depois de muito esforço, escolher alguns
quadrinhos bem curiosos que ando lendo. Algo de bom gosto, na pior, pelo menos, meu gosto.

Planetary - De Warren Ellis e John Cassaday
Imagine um quadrinho onde os protagonista estão a procura da história secreta do mundo, essa busca é realizada por seres com algumas habilidades sobre-humanas e tais seres, no decorrer da saga, se deparam com situações que remetem a vários elementos da cultura pop do século vinte: de personagens de histórias pulps, teorias de física surreais até personagens bem conhecidos. Inclusive, os vilões da trama, são inspirados no Quarteto Fantástico.

Apresentados os clichês e um pouco da trama pode-se imediatamente pensar que dessa história não se tirará muita coisa, nada muito interessante. Pelo contrário, Ellis é competente no andamento da narrativa: cada elemento da grande trama é apresentando cuidadosamente, lembra um jogo de xadrez onde o embate final dos protagonistas contra os Quatros(os personagens inspirados no Quarteto que são os grandes vilões) é, num dado momento, eminente, e como tal, anucia-se como grande motor do enredo e o desfecho da obra.

Planetary foi publicado por duas editoras no Brasil: a Devir publicou dois encadernados que ainda estão em circulação e abrange os 12 primeiros números. O resto do material foi publicado pela Pixel na sua revista mensal Pixel Magazine até a número 14 da mesma revista.

DMZ - De Brian Wood e Ricardo Burchielli
A Colômbia enfrenta uma guerra civil; as Farcs e o governo vigente travam uma batalha espaço por espaço, uma batalha minuciosa pelo território colombiano e o mais importante nele: os civis que tentam levar um vida normal em meio ao caos da situação bélica.

Agora vamos aumentar esse exemplo; transportando uma guerra civil para o coração do Estados Unidos da América e a Ilha de Manhattan como uma zona desmilitarizada, palco das ações da trama. Temos de um lado os exércitos do Estados Unidos; de outro, os Exércitos Livres, uma milícia que funciona como uma idéia e não apresenta um centro passível de ser aniquilado pelo exército americano, contudo o avanço da milícia foi barrada em New Jersey. No centro desse impasse temos uma ilha de Manhattan habitada por 400.000 pessoas que ficaram depois da evacuação da ilha.

Matthew Roth, aspirante a jornalista, se depara com esse universo caótico e devido a eventos acidentais será a fonte de notícias para aqueles que ainda são americanos. O autor, inclusive, trabalha muito bem com o cotidiano das pessoas que tentam sobreviver em DMZ; um ponto forte da obra: ao mesmo tempo que somos apresentados a lugares que conhecemos(pelo menos em fotos) completamente modificados, a civilização yankee que conhecemos modificada pela guerra parecendo um terra de ninguém de fazer inveja a muitos filmes apocalípticos; ele traça a evolução do próprio protagonista durante o percurso, pois ele é obrigado a tomar decisões éticas e morais muito difíceis para sobreviver e continuar escrevendo as notícias sobre DMZ.

DMZ é publicado pela Pixel na Revista Pixel Media.

Y: The Last Man - De Brian K. Vaughan e Pia Guerra
Os seres com cromossomo Y foram exterminadas da face da Terra. Além de quase 50% da população humana estar extinta, muitos cargos e funções vitais para a sobrevivência da humanidade eram redutos quase exclusivo dos homens. Contudo, e para infelicidade de algumas mulheres, sobrou um ser do sexo masculinio: Yorick Brown. Na verdade dois, ele e seu macaco de estimação Ampersand.

Por enquanto, pelo menos o que foi publicado pela Pixel na sua pérola Pixel Media, temos Yorrick, auxiliado pela única agente mulher da Culper Ring afim de tornar possível a reabitação dos homens na Terra enquanto é perseguido pelas amazonas(sim, elas tiraram um dos seios) e também por outras radicais(que permanecem com os gêmeos intactos).

Uma conclusão, se possível.
Além do espaço de publicação comum, pelo menos aqui, esses quadrinhos compartilham um mesmo universo de referências; trabalhando com elementos da cultura pop de maneira coesa. Não só colocando referência atuais como construindo outras através desse processo. Os autores são pessoas bastante modernosas, inclusive eles tem blogs pessoais e até, pasmem, twitter. Quem sabe após dar um olhada, nem que seja via pdf ou jpeg nesses quadrinhos, quem sabe se não vai encher o saco dos autores com perguntas específicas sobre episódios particulares? Isso me lembra outra referência e uma outra história em quadrinhos, mas esta fica para outro post.

Um pouco mais, talvez?

sábado, 7 de junho de 2008

Manual Prático do indie pinguim - Parte 6: Tiras e o universo infantil

Continuar a labuta sobre esse tema me diverte, conversava com um amigo sobre o tema, ele logo, sabiamente, pontuou:
"Você tem que falar das tirinhas, das tirinhas..."


O boom do jornalismo estadunidense, com as famosas brigas entre períodicos, foi também o aparecimento dos quadrinhos nas mídias impressas, por tabela, sua maior visibilidade. As tiras encartadas no jornal, desde Yellow Kid aos dias atuais, encanta as pessoas, por fim, solidificou as artes gráficas e a relação jornalismo e quadrinhos.


Como bom indie que se preze: gostar de mexer em programas gráficos acaba levando a pesquisa e a curiosidade para conhecer tiras: quadrinhos limitados, em sua maioria, por três ou quatro quadros. Enfim, todo indie pinguim que se preza deve, no mínimo, conhecer as tiras listadas abaixo.


1)Little Nemo(1905) - Criado por Winsor McCay
Uma das grandes e interessantes tiras do século XX. Com o uso de uma mesma trama: um garoto explora mundos surreais para sempre, no final, acordar e perceber que tudo não passou de um sonho bizarro(e sempre cainda da cama). Simples e superficial se imaginar pela descrição até agora, mas a tira surpreende: seja pelo uso da narrativa(dizem que influenciou muitos filmes e quadrinhos), a surrealidade dos universos percorridos pelo garoto ou pela qualidade do traço que lembra muitos cartazes do século XIX, contudo com um apelo mais cartunesco. A trama foi mantida até o final da tira, sem muitas reviravoltas. O sucesso da tira provocou até um briga pela sua publicação: do New York Herald com o New York American, do Hearst. As tiras, em formato digital, são encontradas no Comic Strip Library(em inglês). Fica um dúvida: será que influenciou todos aqueles filmes que finalizam com "Tudo não passou de um sonho"? Não me venha falar que é culpa só de Shakespeare, eu não acredito.


2)Peanuts(1950) - Criado por Charles M. Schulz
Minduim e sua turma começam a traçar seu curso de sucesso na década de 50, assim atingindo o mundo todo e tendo também gerado um desenho animado muito bem produzido. A premissa das aventuras é simples: mostra crianças e suas descobertas e aventuras. Mas como o protagonista, Charlie Brown, é um derrotado: loser na concepção léxica da palavra, acaba sendo sempre decepções e desventuras. Charlie é o personagem hamletiano pateta: sempre incapaz de agir da maneira certa e sempre cometendo os mesmo erros por causa da sua falta de habilidade em quase tudo. O interessante, além das tiras, são as partes do desenho animado onde aparecem adultos: nós, telespectadores, não entendemos o que os adultos falam(só as crianças do desenho), mostrando também que a criança vive em outro universo à parte do adulto e que se adentrarmos em um universo estaremos, por lógica, fora do outro.


3)Mafalda(1966) - Criada por Quino
Tira latino-americana, já se imagina protesto, ainda mais sendo argentina. Na mosca! Mas pensar que uma menina politizada iria causar tamanho rebuliço, é improvável. Quino sabiamente articulou uma turma onde os arquétipos sociais se representam na Mafalda e em sua turma. Boas sacadas, aliadas a muito uso de imagens da imaginação infantil. As tiras estão situadas no Clube da Mafalda. O quadrinho tem um estilo muito bom, como uma narrativa continda e soberba; os argentinos, parecem, dominam a arte sequencial muito bem. Enfim, Mafalda é realmente muito bom, mas dizem que as charges e os cartuns do Quino são superiores à tira. Outra coisa interessante é que ela é muitas vezes comparadas com O Charlie Brown, Umberto Eco acha isso, inclusive.


4)Turma da Mônica(1963, Franjinha e Bidu foi em 59) - Criada por Maurício de Souza
Influenciado pelo Peanuts, A turma da mônica é outra tira interessante voltada para o universo infantil. Seu viés, no entanto, é mais para as crianças e pré-adolescentes(sobretudo nos dias de hoje que o estúdio maurício de souza quer entreter as crianças). Contudo as origens revelam as raízes que tem com suas publicações irmãs: boas sacadas e críticas ao costumes. As tiras tem um bom arquivo no Tirinhas TDM. O interessante da Turma da Mônica é que o autor foi criando um universo de personagens que abrangesse além dos personagens da Rua do Limoeiro, por ventura, os personagens se encontram em grandes sagas a la comics de super-heróis. Minha crítica só pontua algo: a produção em série que se tornou a tira, ao longo dos anos, fez a qualidade cair, resultando em algo banal que simplesmente faz parte de um conglomerado. Nem me falem dos novos personagens politicamente corretos!


5)Calvin and Hobbes(1986) - Criado por Bill Watterson
Não, João Calvino e Thomas Hobbes não fazem parte de uma cruzada tirânica pelas tirinhas mundo afora. O "lobo do homem" é apenas um bichinho de pelúcia e é um tigre de verdade apenas para o outro protagonista: Calvin, logicamente. Como todas as outras boas tiras anteriores, alia a genialidade da época com sacadas atemporais. Um menino e seu bichinho de pelúcia: nada mais. Suas aventuras partem daí e se desenvolvem de todas as formas possíveis e imagináveis. Bom site sobre o garoto é o Depósito do Calvin. O Autor tem um política de proibir qualquer produto atrelado ao nome "Calvin and Hobbes", assim os genéricos e entusiástas ficaram a cargo da confecção e venda de tais produtos, até que é um cara legal, não?


Agora não me encham o saco e vão ler tiras nos links, muitas tiras!



Você deseja saber mais?
Manual Prático do indie pinguim - Parte 1: Discos de Jazz

Manual Prático do indie pinguim - Parte 3: Caixa de sobrevivência do Indie

Manual Prático do indie pinguim - Parte 4: Uma introdução a arte sequencial

Manual Prático do indie pinguim - Parte 5: Ser blogueiro?

sábado, 17 de maio de 2008

Meu amigo McLuhan: Mister X e a Dança do Quadrado

Caro Amigo do gelado Canadá,

agora vai ficar feio: eu dizer tudo isto depois que vc já se foi. Lembro das boas companhias, das cervejas, das mulheres canadenses, até do hamburger com maionese trago boas lembranças. Eu não sei se é porque a gente sempre estava bebendo, logo, sempre parecia divertido. Lembro uma vez quando você, após expulsaram-nos de todos aqueles bares de Toronto, vc, ironicamente, gritou :

"O meio é a mensagem"

O barman tentou jogar o casco da cerveja na sua cabeça, caímos na neve e rimos da besteira que falara. Algumas pessoas na universidade te levavam à sério, sempre nós esquecíamos disso. Era 1964, tempos de mudanças afinal, todo o mundo girava dentro de um liquidificador chamado revolução. Não esperava que tivesse tamanha repercussão, mundo estranho.

Nas vindas e idas, chegamos sem vc na década de 80: nos deixaste de maneira esperta, não viu a merda que fizeram com tudo. Com a música, sobretudo. Se estivesse vivo provavelmente morreria só com as roupas do Elvis Costelo, sem dúvida.

Mas, na maioria da vezes, algo se salva, um feixe de esperança que dá forças pra continuar( isso é alguma música, não é?): os quadrinhos, falecido camarada, tiveram sua explosão nessa famigerada era.

Já dei alguns exemplos nesse próprio blog, mas faltou alguns detalhes, em verdade amigo, falta bastante coisa que vou colocando aos poucos, da maneira que vou adentrando nessa coisa de arte sequencial. Enfim, gostaria de comentar sobre "Mister X", obra de Dean Morter e Paul Rivoche. O resumo da pendenga: homem projeta uma cidadela retro-futurista onde perambula por ela analisando como a cidade influencia as pessoas. Além disso há uma pitada de noir: crimes acontecem, tramas complexas e "Mister X" busca salvar sua cidade,as pessoas que vivem nela e talvez a si mesmo nesse processo. Um personagem em busca de redenção e sua obra. Conceito interessante.

Tanto Dean quanto Paul eram designers, inclusive tinham um estúdio. Conceberam a história e o conceito gráfico juntos; Dean escreveria enquanto Paul desenharia. A idéia do conceito por trás de Mister X era criar uma obra que cumprisse uma premissa: através de referências de designers( Bauhauss e Contrutivismo Russo, por exemplo) criar uma história interessante e uma narrativa válida, porém acabou saindo errado. Dean brigou com Paul e todo o projeto do desenho, exceto as capas, ficaram na mão de artistas competentes, contudo tais artistas estavam longe de entender o conceito criado pela dupla. Conceito esse interessante, mas mal aplicado, usado talvez também na mídia errada, meu caro colega. O que acha?

Aí que volto a sua frase, bêbados estávamos, mas vc falou aquela frase. Na época não levamos à sério. Mas será que tem que se enquadrar pra escrever num blog? Existe uma função e uma forma de fazer isso? Besteiras, lembranças minha. Tudo isso é saudades de Toronto, eu sei. Saudade: uma palavra que você nunca entendeu.

Entender, não é? Outro problema com as palavras e o dizer. Parece que muito mais do quero ou não dizer é determinado em qual meio eu aplico a mensagem e não por aquilo que quero dizer,ou seja, o meio é a mensagem e voltamos aquela conversa de bar: o Mobral de comunicação daquele dia.

Enfim, parece que cada coisa tem seu devido lugar, não é amigo? Os filmes, no cinema; os livros, na impressão; os blogs, na internet. Ora, se cada um tem o seu lugar, um blog não pretende ser Machado de Assis, Sarte, cia. Um blog, parece, é um blog mesmo que ele abarque o universo. E costuma abarcar mesmo. Acho que é por isso que temos dificuldades de ler textos concebidos em livros quando estão em formato digital, não é? Isso sem falar na temporalidade, pois aquele dia fica pra outro post, ainda não sei o porquê de você ter chamado o Kerchcove para sair com a gente. Enfim, tudo dentro do seu quadrado.

Falando nisso recomendo ver a Dança do Quadrado: além de ter a ver com post é engraçado. Sei, tem coisa pra pensar sobre isso, coisas além do riso e dos reflexos no texto( o video é bem engraçado, pena que vc não pode ver, eu acho). E sei, camarada canadense, que eles apelaram colocando um anão( lembro vc falando disso: "Filme com anão é apelação"), mas dá muito mais texto, video, game, torpedo para discutir e posteriores masturbarções intelectuais. Sem mais, por enquanto. Pena que a gente não pode beber mais.


Abraços,
Camarada Moderado



quarta-feira, 21 de novembro de 2007

A metalinguagem e metareferência nos quadrinhos publicados hoje, dois exemplos

Sabe, este camarada que vos fala costuma ler bastante quadrinhos, um fato corriqueiro e diário, é verdade. Hoje as publicações de quadrinhos no país estão apresentando grande variedade e grande qualidade: é fácil encontrar qualquer tipo de "gibi", independente de gosto: seja um leitor que gosta de super-heroís, um leitor que gosta de quadrinhos adultos, mangás , etc.

Tamanha a variedade, surpreendente para um mercado minguado como o brasileiro, onde é capaz de encontrar quadrinhos para não leitores de quadrinhos. Obras que diferem bastante do comum nas bancas de jornais. Daí que parto o meu primeiro exemplo.

Um quadrinho divertido?

Fun Home, obra de Alison Bechdel, onde a autora, através de um relato autobiográfico em quadrinhos, traça as suas primeiras experiências homossexuais como também o seu relacionamento conturbado e complicado com o pai, um homossexual enrustido, que através da permanência de um casamento forçado, mantendo ao mesmo tempo suas relações extraconjugais com seus alunos. E este pai da autora teria se "matado" por causa desse homossexualismo não assumido. A obra em si não explicita isso, mas durante todo o relato de Alison, ela parece insinuar isso.

A obra apresenta várias referências literárias, com especial atenção para Ulisses, obra de James Joyce(o grande destruidor do romance), e sua relações com a Odisséia, de Homero. No decorrer da própria narrativa, ela própria relaciona sua relação com o pai com as relações paternas de Bloom, protagonista de Ulisses.

Além da narrativa soberba, do texto genial, da metalinguagem e metareferência que enriquecem e acrescentam muito a obra(seria outra obra sem isto, apenas uma história bobinha). Mais, deixam a obra aberta, caso comum da arte moderna, a obra aberta para o diálogo; metareferencial, onde aponta coisas que se relacionam com ela, Alison executa tudo de maneira genial, a obra foi contemplada com Eisner Award de 2007 e também foi eleito o melhor "livro" de 2006 pela revista Time. Quem diria, outro livro de figurinhas desbancando os chatos herméticos viciados em Proust, este, o chato mais hermético de todos.

Grant Morrison

Rei das referências e metalinguagem, Grant Morrison, teve recentemente publicado sua obra mais megalomaníaca: Os Sete Soldados da Vitória, publicado no brasil em 8 volumes de 100 páginas cada. A última edição saiu neste mês.

A DC comics deu liberdade total a Grant Morrison, ele resolveu trabalhar com sete heróis de segunda categoria: Justin, o Cavaleiro Andante; Frankstein; Senhor Milagre; Klarion, o menino bruxo; Projétil; e por fim, Zatanna. Através de um lançamento cronológico onde cada herói teve sua revista, em 4 edições, alternando numa ordem já premeditada por Morrison e começando como também finalizando com outra duas edições, respectivamente: Sete Soldados da Vitória #0 e Sete Soldados da Vitória #1.

O interessante, além dos incríveis artistas convocados para tal empreitada, é como Morrison amarra a trama. Ora, os protagonistas apresentam, aparentemente, um inimigo comum, porém não formam um supergrupo. Longe disso, eles apenas, as vezes, se encontram durante a história, isso só alguns e ocasionalmente. Através do esforço isolado de cada um, acabam minando a força dos Sheedas, os malzões da história, e por fim, um deles tem que se sacrificar para impedir a ceifa dos Sheedas.

Morrison alterna de revista pra revista, citando elas mesmas, uma na outra e assim por diante; as repercussões das ações dos personagens acabam influenciado os personagens de outras revistas. E acaba acrescentando muito a história, ao invés de trabalhar apenas com uma boa história de um supergrupo que impede uma dominação alienigena(coisa que já existe aos montes). Grant não quis ser original, ele já fez isso antes, ele apenas percebeu que seria mais interessante, sobretudo para os tempos atuais e para a obra, tratar da maneira que tratou, isso mesmo, a sensibilidade do roteirista acabou trazendo muito mais valor para os quadrinhos do que a teimosia da pessoas que acham que Proust é o máximo e deve ser imitado, assim como todos os outros chatos herméticos da literatura atual, pois os antigos tinham motivo para serem herméticos e chatos.

Outra coisa interessante, neste outro exemplo de obra aberta: a leitura em conjunto, pois cada leitor perceberá certas referências e influências, sejam elas de quadrinhos, de cinema, de literatura, de cultura. A obra se põe como um jogo, onde cada releitura possibilita outras interpretações e impressões, indiferentes delas serem erradas ou certas. Então, que tal largar seu Proust e jogar um pouco?

domingo, 23 de setembro de 2007

Manual Prático do indie pinguim - Parte 4: Uma introdução a arte sequencial

Depois de três partes ricas, três atos que fariam qualquer dramaturgo sentir uma ponta de inveja. Voltei, sobretudo pelo apelo popular a esse guia de sobrevivência da contemporaniedade. Essa parte é um leve respiro, pois falarei de um tema esquecido pelas massas: os quadrinhos, mas nunca esquecido pelo adorados indie.

Essa seção foi pensada para vc, camarada x, que tem intenções de começar a adentrar no mundo dos quadrinhos. Pode até ser para más intenções, deixando claro, impressionar mulher nunca é mal intenção, se bem que poucas mulheres ficam impressionadas com alguém que goste e manje de gibis, se conhece tal garota, me apresente, pelo menos para eu tirar um foto e mostrar para os amigos, a foto tem que ser com uma edição do batman.

Agora, abaixo temos cinco gibis imprecindíveis para o começo da aventura( me senti a caixinha do Todynho agora)

1) Cavaleiro das Trevas - DC Comics - Frank Miller
Não existe personagem mais interessante, no mundo do super-heróis, do que o homem morcego. É um dos poucos heróis cuja galeria de vilões é bem respeitável, cada um destes apresentando uma variação de alguma psicopatologia e poucos têm superpoderes, criando um contraste interessante com o protagonista e sua obssessão pela justiça.

Frank Miller resolveu brincar com a mitologia do personagem: a trama se passa num futuro onde os Eua é um país totalitário onde as ações do assim chamados heróis não são benquistas pelo governo, com exceção do Superman cuja ações são coordenadas pelo proprio governo, não passando de uma marionete do estado.

Neste universo Batmam sofre as mazelas do tempo: ele está velho; enfraquecendo e perdendo a maioria das suas habilidades físicas , contando ainda mais com suas astúcia e engenhosidade e ,sobretudo com seu espírito inabalável, no final das contas, ele acaba sendo um personagem em busca de redenção, terreno que Frank Miller trabalha muito bem. Não por acaso, esta é uma das melhores histórias em quadrinhos de todos os tempos. A Panini relançou um encadernado de ótima qualidade que contem toda saga, incluindo a tão criticada continuação, mas mesmo assim vale o investimento.


2)Watchman - DC Comics -Alan Moore/Dave Gibbons
No mesmo período do lançamento do cavaleiro das trevas Moore e Gibbons recriaram um universo todo. Os dois quadrinistas deram fõlego para os quadrinhos e tiraram um pouco da mácula da década de 80.

Imaginem a seguinte coisa: os Eua proibiu todo o tipo de heroísmo, com exceção dos heróis autorizados pelo governo e alguns clandestinos que não desistiram dos seus ideais. Nesse status quo, um dos grandes heróis é assasinado , como uma reação em cadeia a investigação e a descoberta pelo responsável provoca coisas sem precedentes, por fim seu expetacular desfecho. Sobre esse prisma alguns estudiosos chegaram a afirmar que a obra tenta explicar, por vias indiretas, a teoria do caos. Ponto de vista interessante depois de algumas releituras.

Watchman foi relançado várias vezes, a ultima foi feita pela Brainstore.


3) Akira - Katsuhiro Otomo
Para contemplar nossa tríade de hqs bem influenciadas por 1984, temos Akira. Num mundo apocalíptico dominado por gangues e empresas sem escrúopulos, daí surge uma trama sobre pessoas com poderes mentais que findará num tema clássico: A rivalidade entre dois amigos e seu trágico desfecho

Além do enrendo bem elaborado, a arte de Otomo é fantástica, influenciou toda geração posterios e mais, solidificou o Japão como produtor de quadrinhos e desenhos animados.


4) O sistema - DC Comics - Peter Kuper
Se pensarmos desde quando as histórias em quadrinhos existem, poderemos considerar que elas existem há muito tempo: desde o tempo das cavernas, onde eram usadas para registros como também para contar histórias através de imagens

Ora, se os quadrinhos começaram sem nenhum balão para fala ou recordatório, era de se esperar que ainda hoje existissem gibis que partilham dessa premissa: narrativa e imagens, apenas.

O Sistema ilustra o cotidiano de uma metrópole que poderia ser qualquer cidade grande ocidental. Nas quase 100 páginas não encotramos nenhuma fala de personagens ou qualquer muleta verbal ou de escrita além das próprias imagens cujo encadeamento é soberbo: passando de personagem a personagem, indo e voltando, como nenhum cinema, teatro, animação ou livro foi capaz de transmitir. Como se todas aquelas pessoas executassem uma música que ora é harmônica e ora é desarmônica com a cidade que habitam

Pode-se dizer que Peter Kuper conseguiu captar a conteporaniedade das cidades utilizando de um recurso que existe desde a pré-história.

5)Contrato com Deus e outras histórias de cortiço - Will Eisner
Cotidiano tratado belamente atrelado a um experimentalismo visual: seria um bom resumo dessa graphic novel. Nenhum superpoder, nada de intrigas internacionais ou monstros intergaláticos para combater. Sim, existem demônios, mas eles são internos, pessoais, no encaram de frente dia a dia, antes do trabalho. A principal história fala de um homem que sempre foi um bom homem, mas que perdeu a fé quando sua querida filha morre. O cotidiano é o mote desse trabalho tão bem executado por aquele que hoje é chamado de "o" mestre dos quadrinhos.

Contrato com Deus foi relançado recentemente pela Devir numa edição de boa qualidade.


terça-feira, 12 de junho de 2007

Seinfeld e Neil Gaiman: o superendeusamento de certas coisas

Detesto quando as pessoas endeusam certas coisas. Não que eu não faça isso, mas atente aos limites; dificilmente eu vanglorizo demais, apenas falo, que além do meu gosto pessoal, a peça ou série ou obra tem coisas que são excelentes: seja a estética, a originalidade da abordagem, os artistas envolvidos. Enfim, aquilo pode ser chamado de obra de arte, de uma forma geral, já que além do fervor do momento tem caracterísiticas trancendentais. Um dia eu entro na questão destas características, voltemos ao discurso; concluindo, não vejo por que endeusam tanto Seinfeld e Neil Gaiman.

Seinfeld, série da década de 90, com o mote "o melhor sobre nada" mostra as aventuras de quatro amigos que vivem em Nova Yorque. A série tem seus bons momentos, algumas boas idéias, mas vendo hj - por exemplo, a quarta temporada, percebo que a maioria das piadas perderam força, as idéias eram pra aqueles tempos, contudo não deixa de ser uma boa série, mas não acho que seja completamente genial, está bem longe disso. Recomendo assistirem até a oitava temporada dos simpsons, isso é genialidade.

Agora outro deus erguido pelo povo: Neil Gaiman. Grande escritor de quadrinhos, ficou famoso pela revitalização de um personagem da década de 40, o Sandman. Neil deixou tal personagem mais sombrio, na verdade ele recriou o personagem criando junto uma nova mitologia junto dessa repaginação; os perpétuos, entidades que são tão antigas quanto o universo e cada uma representa algo, por ordem: Destino, Morte, Sonho, Desejo, Desespero, Destriução e Delírio( na versãoo em inglês todos começam com "d"). O Sandman , ao pé da letra, acabou sendo o senhor dos sonhos. Ele fez muito sucesso com as aventuras desses personagens. Nego que o escritor inglês seja ruim, mas afirmo que ele é longe de genial; as pessoas que costumam gostar e adorar tal autor só gostam dele, pois ele aproxima os quadrinhos da literatura. Este é o problema: quadrinhos são quadrinhos, literatura é literatura. São mídias, ainda que dialoguem muito, diferentes e se quiser ler quadrinhos pretendo ler algo que seja e tenha o intuito de ser quadrinhos e não outra coisa.