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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Séries do bem, para pessoas do bem

Enquanto a batalha definitiva entre o bem e o mal não acontece, vamos falar sobre dois seriados que eu ando assistindo ultimamente. Uma é bem nova, a outra nem tanto. As duas são bem violentas, e atentam contra a moral e os bons costumes. Mas a maior semelhança que elas compartilham se relaciona aos seus protagonistas, que são dois PSICOPATAS! Ui ui ui! Sangue nos zóio, muleke!

Dexter - Estados Unidos da Gringolândia - 2006-Presente
Dexter é uma série séria. Dexter é um homem que acredita não ter sentimentos. Dexter é um serial killer. Dexter mata suas vítimas de acordo com um código de ética ensinado pelo seu pai. Dexter aparenta ser para todos os outros personagens um sujeito pacato, embora sua prática de sorrir e mal disfarçar a excitação que sente em sangrentas cenas de crime (ele trabalha na perícia da Polícia de Miami) desperte a suspeita de um e outro. Dexter é uma série do bem, sobre um cara que acredita ser do mal, mas que ainda não percebeu que o mal contamina o coração, e cria rugas nas faces dos homens, ao contrário do bem, que é o arco-íris no fim das tempestades que encharcam os homens do bem e do mal.

Psicopata n° 1. Alguém me disse que o braço não era dele. E houve muito contentamento.


South Park - Estados Unidos de Cima - 1997-Presente
 Eu não gostava de South Park quando moleque. Tenho ainda grandes reservas contra os seus dois criadores, Trey Parker e Matt Stone, dois sujeitos que se acham tão acima de todas as coisas. Mas é inegável que a série melhorou com o passar do tempo, agora que vive a sua 14° temporada.. Deixou de ser um show sobre quatro garotos com problemas de flatulências, e virou um perigoso microcosmos de uma sociedade doente.  O símbolo da mudança é o gordito Cartman, que passou de uma criança mimada, boca-suja e ocasionalmente racista para um verdadeiro psicopata juvenil, capaz de armar assassinatos por vingança e de organizar ralis contra as minorias da cidade. Ah, aquele pequeno detalhe que separa crianças de Nazistas...

Psicopata n°2. Alguém me disse que a semelhança era intencional. E houve muito contentamento.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Barney


Barney

Barney



Barney


Barney



Barney




Barney

JTS?

sábado, 20 de setembro de 2008

Brothers, Casa dos Artistas, Roberto Justus

Silvio Santos é um cara esperto. Poucos não admitem isso, até eu, pra quem pensa que nós nos nutrimos de boa literatura e canal de filmes cult, gosto de zapear bastante pelos canais da televisão aberta, sobretudo quando esqueço a conta da Sky escondida em algum canto. Voltando, o nosso amigo do Sbt é um cara deveras sábio: lembro que muito antes de Big Brother 7 e tramas desenrolando por baixo das cobertas na globo. Nosso Sílvio lançou um "genérico" do grupo holandês, mas com um diferencial: nada de idiotas desconhecidos e gostosas  querendo aparecer, pelo contrário, tínhamos alí velhos conhecidos esquecidos oriundos de besteiróis da década de 80; músicos apagados, atores esquecidos, coquetes já nem tão reluzentes. O sumo de outrora, um sucesso passado agora remixado para as novas gerações e mais: seriam todos como eles realmente são, sem falsas e péssimas interpretações. Se bem me lembro até ser pressionado pela Endemol e a cia do senhor Roberto Marinho, a empreitada de nosso amigo ia muito bem, era divertido também; pois, ainda tinha o senhor de cerimônias bilhonário de outro muitas personalidades interessante, sobretudo o tal do Supla.

Nossa amigão em dos seus momentos mais descontraídos no seu programa dominical

Roberto Justus é um cara com bastante grana. Um homem letrado e já falei que tem bastante dinheiro? Percebendo a atual eclosão dos reality shows resolveu se divertir um pouco aproveitando a tendência. Mostrar os erros e mandar os outros embora da empresa era um hábito corriqueiro de nosso mecena publicitário; cara legal, contudo, nunca tolerou incompetentes, ainda mais nas suas empresas que trabalham com quantias gigantescas de dinheiro; em algum momento percebeu que poderia atuar da mesma maneira em cadeia nacional através de um programa que simulasse suas empreitadas, lógico, sem comprometer seu próprio conglomerado, então o nosso homem de madeixas brancas bem cuidades deixou-se levar pela mass media, mas quem disse que coordenar um programa sobre aprendizes era seu intento? Ele queria música nas suas veis, mostrar todo o seu lirismo, aproveitando da sua imagem na televisão, demostrar seu lirismo exacerbado através da música.

De dois homens endieirados, chegamos, através da musicalidade, em um menos milionário, contudo com a mesma verve para o estrelato: Supla. O amigo cabeludo que nos divertia apaixonado pela garota japonesa enquanto ensaiava seu triunfo nos corredores da Casa dos Artistas, nos divertinho e nós fazendo verter lágrimas modestas. Era aquele que, num futuro próximo, viria a ter seu próprio programa, quiça uma rede de televisão junto com uma agência publicitária.

Do seu álbum com uma publicidade agressiva para os reality shows até o seu próprio programa, quiça a prefeitura em pleitos futuros? o governo?

O Charada Brasileiro enfim deu seus primeiros passos rumo a seu domínio midiático: resolveu juntar as bandas com seu irmão, também de alcunha Suplicy- entretanto mais conhecido como João, e criar um entreterimento digno de final das tardes de sábado. Com o título  criativo de "Brothers" e com o apoio de exibição da Rede TV  conseguiu começar sua grande empreitada nos televisores brasileiros. Sem muita apelação, sem muita crítica social, apenas acompanhado do estilo rock and roll e pitadas de bossa nova. Com a premissa de trazer diversão e interatividade( vc pode conversar com um tal de Betty Net, via chat, nada de telefones e beijinhos pra mamãe) para solavancar o público brasileiro de sua poltrona, resta saber se será de raiva o felicidade... bem wap-bop-loola-Brothers!

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O cabeça de ovimem cima do muro maldizendo tudo que os ostro falando

...;;;;





ae senhorzinho.....

vou te conta uma istorinha da carocheta, senta aí un tantinho

minina má proxeneta caixinha d' oro era mui amiga da madafenstra, filha do neto grude velho da portera do oeste. Cumeça toda minha istoria na parte da portera


do lado da portera, cumo sabe, tinha um muro bem arto e ficala no muro bem arto um ovo cabecudim
ovim todo prominente
magnata da gema dorada.
Num diantava fala com ele, não arrediava o pé dele dcima do muro, bixim muito do teimoso

dmanhã ensebado naquele muro ficava armadiçondo todo pessoar das bandas do muro
era a temosia peça mais estrela do braquim
não importava;
era homê, muié, tigra, bengala, cobra.
todo mundo avisava
"um dia se oCê cai, como fica?"
todo risonho remedava:
"bem amarelim pra ri da cara docês"
e passidançava Bob Fosse, muito dodeducado, sabia os gringo todo, dmemoria até a ponta da língua.

Passo uns dia, passo umas noite, nem alembro, vc, fazia anos ou era bem do próximo da sua data, a certeza tah no calendário pregado na cuzinha da minha casa, entonces, minina nova pareceu; das banda do rir torto. Ela vêio todo raponçosa, bebendo a´gua d'ali e d'acolá, rondavandada a portera
véia, de mansim-mansim pregunto pro mizim ovim

"tu ta fazendi adi cima?"
"esperanpenso, oce ta fazini adi baixo?
"aindanada, mas deixe de apoquentar, deixa vai subir, me ajuda?"
"ddeixar vou, mas nem drruba"


Minina dolado, ovim d'outro
osso e carne e clara e ovo
ovim rumo no chão dalajota
minina deslembrou dajuda
sai cantintans uma musiqueta,
porreta minina, cantantim toda boba

do lado d'ovim, dreito saiu um minino-mim pequeno, todo triste zóio dluazul magnata
do lado de ká d''ovim, squerdo saiu uma minina-toda, rainha das briga de rinha, galinha de todo chiquero

minino-mim todo tristim fez blog pra ficar em sempre cinema, assim bnão mais tristim


Moral da história: Um ovo tem duas gema, quebra logo!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Arrested Development (Caindo na Real): O Efeito Juno

Dois personagens vitais no filme Juno, coqueluche recente do cinema alternativo e que já conta com uma comunidade de 5 mil membros do Orkut em meros 5 dias de lançamento no Brasil, foram interpretados por dois atores que interpretaram pai e filho no seriado Arrested Development (Caindo na Real, título dado pela Rede Globo e que, embora tenha perdido o trocadilho do original, não soa tão deslocado), criado por Mitchell Hurwitz e que foi ao ar na Fox de 2003 até 2006. Jason Bateman, que interpretava Michael Bluth, o irmão que tinha de manter a família disfuncional unida depois da prisão do pai, e que no Juno fez o coroa que iria adotar o filho da moleca, mas que medrou ao perceber que o contato com a Juno o fez redescobrir o seu adolescente interior, e todos os sonhos que vinham juntos com ele (bocejos), e o Michael Cera, que interpretava o filho de Jason no seriado, George-Michael Bluth, e que no Juno fez o moleque abobado que engravidava a garota. No filme, em nenhum momento os dois aparecem juntos, talvez propositalmente, para não alimentar a euforia dos fãs da série, que são considerados os mais fiéis entre os fãs de séries cult. A série estreiou na Fox em 2003, para durar apenas duas temporas e meia, lutando contra índices baixíssimos de audiência, mesmo sendo um sucesso absoluto de crítica. A Fox, canal conhecido pela pouca paciência com seus títulos e por sabotar produções em nome da audiência (os chatos que veneram o Arquivo X culpam o canal pela decadência da série), até que teve bastante com essa, talvez apostando no efeito Seinfeld, que também lidou com audiências baixas na duas primeiras temporadas, mas com o boca a boca, acabou explodindo no final da terceira. Mas como os indíces jamais demonstravam qualquer tendência de crescimento, decidiram, acabar com a série na terceira temporada, que teve apenas 13 episódios. O último episódio foi visto por apenas três milhões de pessoas nos EUA, uma das menores audiências de um episódio final para uma série que durou mais de duas temporadas. Mas os fãs jamais se conformaram, e transformaram o show num clássico caso de "seriado maldito/incompreendido". O resultado do barulho feito por eles é de que já é considerada seriamente a hípótese de um filme baseado no show (vi o Jason Bateman falando numa entrevista no tapete vermelho do Oscar no Domingo que tudo está bem encaminhado). Para se ter uma idéia do poder dos fãs, no site IMDB, que é considerado a bíblia do cinema e televisão, e que tem um sistema de notas para filmes e seriados baseados na votação dos usuários-membros, a nota do show é um altíssimo 9.7. Para se ter uma idéia, um filme com uma nota de 7.7 é considerado excelente. O melhor filme avaliado, Poderoso Chefão, tem 9.0. E entre os seriados, os dois que chegam perto são Os Sopranos e Seinfeld, com 9.5 e 9.4, respectivamente. Poderoso Chefão, Os Sopranos e Seinfeld. Trica de deixar qualquer um com as pernas bambas, como diria Bezerra da Silva. Mas os fãs do Arrested Development conseguiram fazer sua série preferida ser o produto de entretenimento melhor avaliado entre tudo o que já foi feito em matéria de cultura cinematográfica e televisiva desde o invento das câmeras. Um exagero de proporções dantescas.

Essa histeria dos fãs foi absolutamente benéfica para o filme Juno. Como o filme conquistou notoriedade através da propaganda boca-a-boca, o séquito do show teve um papel importantíssimo no frisson coletivo, ao ver dois atores fundamentais de sua série favorita nesse filme. Como eu nutro uma ojeriza mortal pelo filme, não posso deixar de culpar o seriado por ter parte nessa palhaçada toda. Analiso agora então, para tentar entender tanta loucura, os prós e contras do show, para enfir dar o meu veredito final. Para quem não viu o seriado e tem curiosidade, a Fox está passando todo dia, 5 e meia da tarde. Mas agora, prós e contras:

Prós:

A edição ágil

Jeffrey Tambor, que interpreta o patriarca da família, George Bluth, que é preso no primeiro episódio e passa quase que a totalidade do show na cadeia. Desde quando fazia o Larry Sanders Show, ele já era sensacional. Rouba toda cena que aparece.
Personagens bem construídos, que geram facilmente empatia com o público.
As famosas piadas subtextuais, que fizeram a fama do show. O único elemento realmente eficiente nos roteiros da série, vi belas sacadas em vários epísódios.

Michael Cera, que funciona muito melhor no seriado do que no Juno. Embora ele se limite a fazer a mesma coisa nos dois, seu ar abobado cai que nem uma luva no Arrested Development. Antes que me perguntem: não, não vi ainda Superbad.

-Vamos lá, foram 53 episódios: em quantos deles o meu figurino não foi o uniforme laranja de presidiário e essa bandana? Economia é isso aí.

Contras:
Mais uma vez, a edição ágil (não raremente, o show exagerava nesse aspecto, criando uma atmosfera exageradamente caótica)
Jason Bateman. Embora o personagem dele seja o clássico exemplo da figura sã e pé no chão cujas reações aos malucos que povoam o show deveriam ser o mote das risadas, falhou ao dar um ar excessivamente sério ao personagem. Como ele era o centro gravitacional do show, não é de se estranhar que os espectadores normais (não os fanáticos) acabassem se cansando. Falhava ao fazer o meio campo, o que ajudou a matar a série. Não digo com isso que esperasse que ele afundasse no cinismo, o que seria errado também, mas apenas que ele deveria ter trabalhado para que a seriedade do personagem também se revelasse com o desenrolar da série como uma grave excentricidade, o que era nítido pelo tom dos roteiros, mas que Jason acabou falhando em transmitir para o público.

Humor: embora o show não procurasse gargalhadas histéricas, assim como o filme que inspirou a série (nas palavras do próprio Jason Bateman), Os Excêntricos Tenenbaums, não eram poucos os episódios que geravam uma série de sorrisos espontâneos nos espectadores, mas nada além disso. Muitas vezes a obviedade do humor do show me deixou espantado.

Número de personagens: eram 9 personagens fixos, durante toda a duração do show. Encaixar histórias de todos esses personagens numa série com episódios de 20 minutos e narrada ainda por cima, seria uma tarefa hérculea. Imaginem Seinfeld tendo de apresentar histórias para 9 personagens, ao invés de 4, todo santo episódio. Aí não dá, nem Shakespeare daria um jeito.

Ron Howard: todos os episódios do seriado foram narrados por ele (a família Bluth era filmada para um documentário na série, assim como no The Office, e o Ron Howard fazia as vezes do narrador do próprio documentário, o que explica a sua aparição no último episódio). A narração emulava o trabalho feito por Alec Baldwin no Tenembaums, que explicava serenamente as intenções dos personagens, ao mesmo tempo em que relembrava eventos anteriores de suas vidas, o que foi seguido à risca pelo seriado. Mas algo não batia. Como os personagens no Tennenbaums tinham uma caracterização dramática, com o humor sendo revelado nas entrelinhas e interações, a narração de Baldwin encaixava com perfeição. Não acho que isso deveria ter sido seguindo num show cujos personagens, embora construídos da mesma maneira, tenham a atmosfera obviamente cômica. Ron Howard (que era o produtor executivo) deveria ter dado outro tom. Do jeito que fez, seu trabalho em nada acrescentava à série, sendo apenas um elemento a mais num show já cheio de excessos. Mas, bem, em se tratando de Ron Howard, eu esperava o quê? Código Da Vinci?"A Mona Lisa? É logo ali!", lembram-se? Loser, com letra maiúscula.

Veredicto: série mais superstimada de todos os tempos. Agradável de se ver, inteligentinha (embora não tão inteligente como acham os fãs), personagens divertiduxos, mas, caçamba, 9.7? Um 8.0 já estaria de belo tamanho, e olhe lá. E mais uma vez, agradeço aos fãs da série pelo Oscar ganho pela Diablo Cody (já posso perguntar: quem?). Parabéns. Muito Barulho por Nada, diria o bardo inglês.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Memória 1990

Memórias. Copa de 94, Romário e Bebeto. O Bebeto fazendo o gesto de embalar seu recém-nascido, e a final decidida nos pênaltis, com o Taffarel transformado em herói nacional e o Itamar Franco ao lado do Dunga erguendo a taça FIFA. E tinha também o Plano Real. A gente era criança e nem suspeitava como a vida era esquisita, como sempre foi, mas não era algo que pudessem explicar pra gente. Dois anos depois, eu assistia Minha vida de cachorro (My so-called life), no SBT, com a Claire Danes antes de estragar a vida dela se envolvendo com o Billy Crudup. Tá lembrado?

(Aliás, quanta coisa as distribuidoras aqui, no Brasil, acharam que devia se chamar Minha vida de cachorro.)

Jordan Catalano e muito mais.

O nexo entre as duas coisas, você pergunta. É que a série foi ao ar nos States em 1994. E, na verdade, outro dia comentaram comigo de um seriado com a Claire Danes adolescente, que só tivera 19 episódios, mas que era muito inteligente e que, até por isso, tinha sido cancelado, não sem virar cult. E eu não associei uma coisa com a outra. Daí, lembrei esses dias, fui pesquisar e descobri que era o Minha vida de cachorro que eu via quando era moleque, antes de ter idade pra me identificar com os dramas adolescentes Seattle-style da série.

Anos Incríveis anos 1990: Kevin Arnold versão feminina e sem-sal, Paul Pfeiffer porto-riquenho e Winnie Cooper que, em vez de ir pra França, vira emo.

E que triste que era, às vezes pesada. Predominava na atmosfera da série uma enorme fragilidade, de gente que não pára de pé, que está sempre prestes a desmoronar. Só pra você ter idéia, o melhor amigo da Claire Danes era hispano e gay, isso em 1994, quando nem bem tinha começado o período de Ilustração da era Clinton. E a personagem da Danes, Angela Chase, era apaixonada pelo Jordan Catalano (nome que deve ressoar na memória das menininhas), interpretado pelo Jared Leto, o que me fez pensar. Pensar que a vida não é como Terminator 2, e a gente não podia saber que o Catalano ia incomodar tanta gente ainda, nem contar com um cyborg do futuro pra eliminar o moleque e evitar maiores estragos. Mas o tempo passou, veio Requiem for a dream, veio Alexandre e finalmente a fase emo, então tá. Quando a gente abre o baú, aparecem essas coisas mesmo.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Intermezzo natalino

“Neide, meu filho fica só assistindo The Office. Ai, Neide, até aprendi o meu inglês, The Office. Mas então, ele e os meninos, amigo dele, inclusive uma esquisitinha, que teve uns tempos que eu achei que ele tava namorando ela, eu já te falei dela, Neide; eles vieram aqui em casa e passaram a tarde toda, assistindo The Office. É isso que essa molecada acha que é curtir; em vez de sair, tomar um ar, dançar, né? Pouco antes do Natal, a casa uma bagunça. A gente sabe, a molecada não repara nessas coisas, mas é sempre um horror, Neide.

Mas então, Neide, sabe que eu sentei pra ver um pouquinho com eles, o Carlinhos virando os olhos, aí que eu fiz de pirraça, mesmo, Neide. E tinha o chefe, perguntei pra molecada como é que era o nome dele. Michael. Molecada simpática mesmo, tudo esquisitinha, mas simpática. Aí, esse Michael me lembrou aqueles filmes da nossa época, Neide. Sabe, as pessoas de bem com a vida mesmo, sem essa chatice da molecada de hoje em dia. Olha, simpatizei com o homem. Os amigos do Carlinhos tudo viram que eu tava gostando mesmo do filminho, abriram espaço no sofá, e eu fiquei ali com eles, ali no meio. Parecia uma adolescente. É claro que o Carlinhos não gostou, né, Neide. O menino fica constrangido por nada, depois sai bufando, que nem o pai. Que nem o pai, Neide. Os dois brigam com essas minhas loucuras, Neide.

Aí começou um papo entre a molecada, de 'gente que tinha salvado o Natal', e aí falaram de um lá, que eu perguntei quem era, e eles disseram que era o ator principal daquele filme do prédio, que explode tudo. Esses filmes de ação horrorosos, que o Carlinhos e o pai dele ficam assistindo. Duro de Matar, Neide. Lembrei. Mas então, aquele homem desse filme, Duro de Matar, ele é uma graça, meio carequinha, uma graça. Só sei que a molecada tava elegendo ele e um outro lá, mas desse eu não vou lembrar mesmo o nome; só sei que fez um monte de filme, um homem feio, feio. E aí puseram esse Michael no meio, falaram que ele também salvou o Natal. A molecadinha tem um papo esquisito, umas coisas que não têm nada a ver, né, Neide? Que que ‘cê acha, Neide?”

“Tudo nerd.”

“Ai, Neide. E não é mesmo?”

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Do Bom e do Ruim nas Artes e na Cultura

E já colocando em prática minhas resoluções de fim de ano antecipadas (o último post), Parâmetros do Bom e do Ruim nas Artes e na Cultura. É, e eu disse que não manjava dessas transcendências, sei, sei. Mas esquece. Meu passado tá sendo revisionado, já avisei. Lá vai:

  • Bom: Shakespeare, Seinfeld, Arcade Fire, Proust.

  • Ruim: Manoel de Barros, Robert Rodriguez, college bands brasileiras, Jack Kerouac.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Ed Wood's fiction: Try a little tenderness

Olive Hoover tem nove anos de idade e quer vencer o Pequena Miss Sunshine, um concurso de beleza infantil organizado pelo cineasta indie Gus Van Sant no interior da Califórnia. Para realizar o sonho da baixinha, os Hoover (pai, mãe, irmão, tio gay suicida e avô junkie) topam participar de um reality show da MTV, As Quebradeiras. As Quebradeiras são seis minas superbaladeiras e cheias de atitude que vão ensinar o verdadeiro significado da felicidade para a família Hoover.

No inicío, muita curtição, muita pegação, mas uma surpresa bem desagradável está por vir. Quando, após ser preso numa ação comandada pelo Capitão Nascimento numa balada em Campinas, o vovô morre, de causas desconhecidas, Dwayne, desiludido, desiste de entrar pro Bope e acaba surtando. Sensibilizadas, as Quebradeiras o levam pra pular da tirolesa. Mas Dwayne interpreta mal a boa vontade de Erika, força uns amassos, e o clima fica pesado. Mas tudo volta ao normal quando Larissa pergunta o que quer dizer “polidactilia”, e ninguém sabe responder, daí todo o mundo cai na gargalhada.

Nesse meio-tempo, Olive aprende um ou dois truques com Vanessa para se dar bem na passarela. Mas a coisa fica realmente divertida quando J. T. LeRoy, convidado por Gus Van Sant para ser um dos jurados da competição, vem cumprimentar a pequena Olive e lhe dizer que realmente não importa quem vence, mas o que o ser humano é em seu interior. As meninas insistem, e ele aceita bater uma foto sem os óculos escuros. Mas, arrependido, toma a câmera da mão de Vanessa, e daí a confusão. Olive começa a chorar, o que deixa as Quebradeiras furiosas. Vendo a situação engrossar pro seu lado, LeRoy sai correndo, mas tropeça, cai de boca e quebra o nariz.

Apesar do processo movido pelo escritor, a temporada termina em alto astral, com todo o mundo cantando Try a Little Tenderness, do velho Otis Redding, puxada pela Camile, no caminho de volta pra casa. Vocês conhecem a letra?

“[This is for you] Ooh she may be weary
And them young girls they do get weary
Wearing that same old shaggy dress
But when they get weary
[You gotta] try a little tenderness


[Tell you, might not believe it, but]
You know she's waiting
Just anticipating
The thing that she'll never, never, possess, no, no
But while [all the time] she's without it
Go to her and try just a little bit of tenderness


[That’s all you gentlemen gotta do]
Oh, but its one thing
It might be a bit sentimental yeah, yeah
She has – her greaves and care
But the soft words [they] are spoken so gentle
But, oh, that makes it, makes it easier to bear, yeah


You wont regret it
No, no,
Them young girls they don’t forget it
[Cause] Love is their whole, whole happiness Yes, yes, yeah
And it’s all so easy
Come on and try
Try a little tenderness
Yeah try
Just keep on trying


You've got to love her
Squeeze her
Don't tease her Make love [Get to her]
Hold her tight
Just, just try a little tenderness
That’s all you gotta do
You’ve gotta hold her tight


One more time
You’ve got to love her hold her
Don't tease her
Never leave her
Make love to her
Hold her, man


Try a little tenderness
[Just one time] God have mercy now”

Heroes, The Office e a greve dos roteiristas

O bicho tá pegando na gringolândia. Os roteiristas de Hollywood entraram em greve, pela primeira vez desde 1988, quando uma greve de proporções semelhantes teve efeitos drásticos nas produções cinematográficas e televisivas. Basicamente, daquela vez a paralisação durou cinco meses, e os estúdios e canais de tv resolveram chutar o balde e contratar cada vez mais e mais roteiristas baratinhos, o que baixou drasticamente o nível das produções. Agora, justamente no momento que as séries americanas vivenciavam o seu momento mais criativo desde a popularização dos televisores na década de 50, vem essa paralisação e joga um balde de água fria. O medo de todos, é que essa greve gere um impasse igual ao que ocorreu em 88, e que os chefões do entreternimento tomem as mesmas atitudes daquela vez, o que seria mortal para as ambições artísticas dos projetos existentes. Ou seja, o nível iria cair lá embaixo, mais uma vez. No começo, fiquei animado quando soube que a horrenda, ridícula e absurda série Heroes poderia ter o final da sua segunda temporada abruptamente mudado para dezembro. Seria maravilhoso. Adoraria ver os Heroes freaks chorando ao ver sua sériezinha de quinta indo praticamente para o limbo por culpa de uma greve. Mas nem tudo o que reluz é ouro.

Pouco depois de saber esse notícia do Heroes, descubro que a sensacional versão americana da série The Office também será brutalmente prejudicada. O problema é que muitos atores do elenco também são roteiristas, escrevendo diversos episódios da série, e todos aderiram em massa à greve. O ator principal, Steve Carell, resolveu ser solidário aos seus colegas e não apareceu para gravar no primeiro dia da greve, nem nos subsequentes. Ou seja, a quarta temporada da série está seriamente ameaçada, já que apenas dois capitulos estão prontos para essas semanas pós-greve, o que significa que logo terão de colocar reprises no ar. E se o fim dessa paralisação for o mesmo da de 19 anos atrás, provavelmente a série como um todo também poderá estar seriamente ameaçada. Um absurdo. Estavam querendo até criar um The Office 2, com outros atores, tamanho o culto criado à série (idéia estúpida, mas que dá uma idéia boa da excelência da série. Grande Ricky Gervais). Os Seinfeldmaníacos, que estavam finalmente conseguindo suprir sua demanda de séries cômicas inteligentes, já podem voltar a se preocupar seriamente. Já a série mais subestimada da história da humanidade, Lost, essa tem esperança ainda, já que a temporada começa apenas em fevereiro e já existem oito episódios gravados. Ou seja, os insuportáveis Lostmaníacos (que perdem em chatura apenas para os Heroes freaks) ainda podem esperar com alguma folga o fim dessa greve sem terem de ver sua série favorita virar um Esquadrão Classe A da vida. Nós do blog iremos acompanhar o desenrolar dessa história toda e relatar tudo para vocês? Não sei. Talvez eu fique empolgado com essa idéia e resolva fazer uma greve contra o Fundamentalista e o Moderado, esses opressores do proletariado e serventes do capitalismo brutal!

sábado, 6 de outubro de 2007

Ally McBeal: Lembranças da era Clinton

A vitória de Bill Clinton nas eleições de 1992 deram a presidência dos Estados Unidos de volta ao Partido Democrata, depois de doze anos seguidos sobre a égide dos Republicanos. O efeito dessa mudança foi sentido com força na cultura americana. Sem a sombra do conservadorismo dos Republicanos, que criou uma cultura de heróis e monstros Pop que assolaram o mundo nos anos 80 (Michael Jackson, Madonna, Prince e Axl Rose dizem algo para você?), e com um crescimento econômico vultuoso que pois fim a recessão americana que tinha, ainda que indiretamente, criado a aversão aos Yuppies corporativos, apedrejados em filmes como Uma Secretária de Futuro e Wall Street- Poder e Cobiça, e ao mesmo tempo cultivando uma legião de losers, aqueles esquecidos e excluídos pelas amarras republicanas, que acabariam sendo rotulados com o surgimento do grunge. Com Clinton no poder, toda a revolta bradada pelos pulmões de Kurt Cobain e companhia perdia frontalmente o sentido. Até mesmo os rappers jogaram o discurso político, que marcou grandes expoentes do gênero como o Public Enemy e N.W.A no lixo, abraçando a luxúria e a ostentação como formas de vida e música. Com o suicídio de Cobain em 94, a coisa descambou de vez: até o final da década, surgiriam bandas e bandas que emulavam o som pesado dos grunges, mas despindo o discurso de qualquer tipo de abordagem sociológica ou os lamentos épicos que marcaram as bandas de Seattle.

Bandas como Hottie & the Blowfish, Live, Bush, No Doubt, Counting Crows, Matchbox 20, Sugar Ray, Smash Mouth, Third Eye Blind, cantoras como Alanis Morissette, Sheryl Crow e Jewell e estrelas pops como Mariah Carey, Puff Daddy e, no final, as boys bands, Backstreet Boys e afins, todos esses artistas assépticos, com sonoridades limpas e sem qualquer tipo de preconceitos ou discriminações, abraçando todos os públicos e deixando de lado os comportamentos esdrúxulos e megalomaníacos das estrelas da década anterior. Um tipo de artista mais acessível, antenado com os problemas do mundo, pronto para recriminar preconceitos de qualquer ordem, opção sexual e cor, um retrato fiel do discurso dos Democratas, e que ia de encontro com o comportamento mais, digamos, "venham todos, vamos ganhar dinheiro e nos abraçar, tem pra todo mundo" proposto por Clinton. Perderam a vergonha das notas de dólares, e os Yuppies, tão humilhados antes, viravam então o molde de toda uma nação. Na TV, víamos o sucesso impressionante das sitcoms, majoritamente passadas em Nova Iorque. Com a difusão da TV a cabo nessa mesma época, pudemos, através das Sonys, Foxs e Warner Channels da vida, acompanhar de perto todo o boom desses programas. Friends, Seinfeld, Frasier, Mad About You, Everybody Loves Raymond, todas séries que compartilhavam o espírito da época com precisão, como se fossem celebrações de todo aquele sucesso e progresso vividos pelos yankees. Nesse cenário tão fofo (ui!) e otimista, surgia então a melhor alegoria de toda aquela época. Não, não era o Seinfeld. Esse era a Nêmesis perfeita, o despotismo que existia quando toda uma sociedade aceitava como maior sucesso de sua era um programa cujo mote era simplesmente rir daquilo tudo. Truque genial. Olha, estamos tão abertos para o mundo, amando tanto tudo e todos, que aceitamos, sim, esses cínicos rindo de toda a nossa alegria. Tiremos do maravilhoso seriado o rótulo de retrato daquele momento. Não é o caso. O rótulo cai direitinho, com toda a justiça, numa advogada magérrima e (segundo as más línguas, eu não concordo) promíscua de Boston. Sim, senhoras e senhores. Ally McBeal. O retrato fiel da era Clinton. A série criada por David E. Kelley era um espelho de todas as vertentes que marcavam aqueles momentos tão belos do mundo pré-11/09. Um bando de advogados e advogadas, todos jovens, bonitos, ricos, competentíssimos nas suas funções mas ao mesmo tempo devotando um tempo precioso às suas questões existenciais, algo que é (propositalmente, diga-se de passagem) irônico, já que sabemos bem que os advogados são vistos como seres frios e cínicos pela sociedade. Essas características davam aos personagens uma profundidade tridimensional que era exigida pelos espectadores da época. Mas se eu descrevesse a série assim, estaria sendo injusto, como são injustos todos aqueles que negam o óbvio: Ally McBeal foi uma das séries mais subestimadas já feitas. É, sim, lembrada e cultuada, mas sem o fervor merecido. Uma série que propunha-se cômica, tendo uma hora de duração e sem a tradicional trilha de risadas, com uma linguagem que diferenciava de qualquer coisa feita naqueles tempos. Sem Ally McBeal, jamais veríamos hoje séries engraçadinhas e dispostas a brincar com a própria linguagem, como os Dexters e Houses da vida. O show lançou também as primeiras dúvidas sobre o formato das sitcoms, que acabariam tendo hoje em dia a sua virtual extinção. Infelizmente, o seriado durou apenas cinco temporadas, ou quatro e meia na verdade, já que foi tesourado abruptamente no meio da quinta temporada.

Os motivos da derrocada? Eu tenho os meus: o uso limitado de espaço, já que a série se passava quase que totalmente entre os tribunais de Boston e a empresa na qual os advogados trabalhavam. Isso não afetaria uma sitcom, cujos 20 minutos por episódio permitiam o uso contínuo dos mesmos espaços e cenários, mas numa série com uma hora de duração, a história era diferente (embora isso não me atrapalhasse, não via problema algum). O ator que interpretava o Billy, amor de infância da Ally que advogava com ela na mesma empresa. O cara era muito fraco, e isso ficou evidente quando trouxeram na quarta temporada o Robert Downey Jr. para apimentar a coisa toda, o que também é outro motivo. Depois que o junkie-mor de hollywood se juntou ao elenco, tudo foi por água abaixo. Os indíces de audiência até melhoraram, mas depois de um tempo a série se descaracterizou totalmente, virou o "show do Downey Jr.". E aquele que, para mim, é o maior motivo da vida relativamente curta do show: a série era avançada demais para a época, em termos de linguagem e comportamento. Se tivesse surgido hoje em dia teria sido bem melhor absorvida pelos espectadores. Mas aí vocês, espertalhões, perguntam: se a série era o retrato da era Clinton, como então que ela não foi compreendida bem pelos espectadores daquela mesma era? Xeque-mate.

A era Clinton acabou atolada em escândalos sexuais que mostraram que os norte-americanos, pelo menos para os padrões deles, tinham ido longe demais. A brincadeira tinha acabado. Para eles, se nem a Casa Branca poderia ser imune aos comportamentos que afrontavam as reservas morais dos yankees, então tudo tinha sido em vão. E a Ally McBeal pagou o pato, afundando junto do governo o qual servia de espelho. E depois, os aviões botaram o World Trade Center no chão, a era Bush Junior assolou o país, e hoje temos o Jack Bauer como símbolo da paranóia de toda uma nação. Mas para não acabarmos nostálgicos e tristes, lembremos de tudo aquilo que fez de Ally McBeal uma das melhores séries já feitas: os diálogos ferinos e inteligentes, o humor de cartoon que foi uma inovação sem precedentes, com as épicas intervenções de elefantes, bebês malucos, músicas que paravam e começavam junto de pensamentos e memórias dos personagens, personagens que quando dispensados amorosamente eram jogados em latas de lixo, e todo tipo de maluquices que não eram nada comuns em séries de uma hora. A icônica interpretação da Calista Flockhart, excelente em todos os momentos, até na decadência, do show. Os coadjuvantes sensacionais, como Richard Fish e a secretária Elaine. E, principalmente, o quinto maior personagem da história das séries de comédias americanas, perdendo somente para os quatro principais do Seinfeld, e ganhando das Lucys e dos Friends com folga: John Cage. Esse conseguia ser um elemento de subversão maior até do que as brincadeiras de linguagem do show. Extremamente tímido, cortês, gentil, meio lunático, absolutamente alheio com tudo que acontecia ao seu redor, mas ao mesmo tempo um excelente profissional, capaz de render momentos memoráveis quando defendia seus casos no show, Cage era inexplicável. O tempo dos personagens, dos diálogos e das interações, tudo era jogado para o alto quando John Cage estavam em cena, provocando reações hilárias de todos os seus companheiros de direito, quase sempre jogados em silêncios incrédulos ante os atos dele. Cage era um trunfo sempre usado por David Kelley, e sua interação com a Ally McBeal sempre trouxe belos e hilários momentos. Num mundo ideal, os dias de Bill Clinton na Casa Branca não teriam terminado como terminaram, Al Gore teria sido eleito, já que teve um número maior de votos, o onze de setembro teria acontecido, mas a reação a ele poderia ter sido muito mais precisa e inteligente (e olha que eu acho o Al Gore um mala, mas perto do Bush Junior até o Lula vira estadista sério), a política suicida e arrogante do Bushzinho não teria gerado uma onda de ódio aos americanos que culminaria na ascensão de figurinhas lamentáveis como Hugo Chavez, Mahmoud Ahmadinejad e, argh, Luís Inácio Lula da Silva, Seinfeld jamais teria terminado e, principalmente, Ally McBeal teria tido um fim digno. Confessem que, naqueles loucos dias, vocês também amaram a Calista Flockhart. É, vão zoando aí. Aluguem-se com o Kiefer Sutherland suado. É disso que vocês gostam, não é mesmo?

sábado, 29 de setembro de 2007

Fenomenologia do Sex and the city

Finalmente, ficou claro pra mim quem nós somos, o que é o Fomos ao Cinema, entre os blogues brasileiros. Nós, Camarada Moderado, Camarada Progressista e Camarada Fundamentalista, somos o Saia Justa dos blogues. Piadas sem graça e pautas - muitas vezes interessantes - tratadas de maneira infame e fútil, mas sempre, sempre com um verniz cabeça e, ao mesmo tempo, descolado, cool. E bota cool nisso!

(Ao lado, o (desejo de) vir-a-ser das integrantes do Saia Justa e, por que não dizer, dos camaradas deste blog.)

Humor em texto escrito não é grande coisa mesmo. Se você quer rachar o bico, como diz a molecada, vai assistir Zorra Total e Todo o Mundo em Pânico 1, 2 e 3. Com literatura e afins, no máximo, uma risadinha, mas, na maioria das vezes, só um sorrisinho mesmo, do tipo “ah, esse rapaz, que espirituoso que ele é, ha, ha, ha”. (Tá bom, tá bom: se você tiver espírito suficiente pra absorver o pensamento, dançar com ele, tomá-lo pra si, dá pra rir bastante; mas é trabalhoso, muito trabalhoso.)

Tipo humor inglês. Nada dessa coisa escrachada que desmancha penteado e derruba peruca. O que não é educado, afinal. Mas a literatura, por outro lado, é uma coisa educada, porque exige concentração. O sujeito tem que calar a boca pra ler, e não existe maior demonstração de boa educação que se calar a boca. É a essência das boas maneiras um indivíduo que jamais revele o que está pensando ou sentindo. É muito feio se mostrar, se expor sob qualquer aspecto.

Eu sei que aqui não é nem isso. Nem humor inglês. É mais pastelão, tipo os Três Patetas, com o sketch terminando com uma guerra de tortas. Apesar de, nesse caso, o Moe ser meio filosófico, meio profundo, como vocês costumam dizer. Mesmo sendo outra a chave pra se compreender o Camarada Fundamentalista, mesmo sendo essa chave o amor.

Porque tudo o que eu escrevi até hoje sempre proveio única e exclusivamente do meu amor. São todas declarações de amor, mesmo que de vez em quando invertidas. Porque eu sou todo amor. Em mim não existe isso de gosto ou espírito. Quando eu assisto um filme, por exemplo, eu não julgo se o filme é bom ou ruim (se me ouvirem falando se um filme é bom ou ruim, podem ter certeza de que estarei só fingindo que sei o que significa esse tipo de discriminação, pra assim agradar a audiência, tão perdida nessa história de crítica), eu me deixo encontrar pelo filme, sobre o Sena e sob a luz da lua, e depois fico cantando I love you for sentimental reasons pra caixinha do DVD.

Nasci pra escrever canções de amor, pra ser Jorge Ben e morar num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, mas só consegui aprender a ler La Rochefoucauld em francês e, em vez de ser identificado como um moralista, ser chamado de de filósofo, como se eu soubesse da insustentável leveza do ser e outras questões dignas de Márcia Tiburi, essa sim, uma das pensadoras mais vigorosas destes dias tão saia-justa, quá, quá, quá, quá, quá.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A MTV e o VMB: uma exibição de atrocidades


Quando a alta cúpula da MTV anunciou, no começo do ano, que o canal iria diminuir drasticamente o espaço dado para os videoclipes na programação, acabando inclusive com o programa Disk MTV, que estava no ar na emissora desde o primeiro dia de exibição, em 1990, criou-se uma comoção estridente entre o público da emissora. O chororô foi geral, mas o canal se manteve irredutível. A justificativa dada, colocando a culpa na internet pela pouca audiência conseguida pelos programas de clipes, foi o motor que manteve essa convicção do canal em pé, apesar dos protestos. Mas quando foi dada essa notícia, apenas uma constatação veio na minha mente. O VMB, Video Music Brasil, que desde a sua criação, em 1995, tornou-se disparado a maior audiência e maior fonte de faturamento do canal. Pois bem. Todas as categorias da premiação tratavam de clipes. Das categorias técnicas até o prêmio mais importante, a escolha da audiência, tudo girava em torno deles. Então, se a MTV anunciava a virtual eliminação dos mesmos da sua programação, , automaticamente também anunciava a extinção da premiação também, já que não existe o menor sentido em premiar clipes numa emissora que dedica uma exígua faixa na sua programação para eles, e que nem programas de paradas têm mais, sendo que o Disk e o Top 20 Brasil (também extinto) eram os maiores termômetros para a premiação. Esse seria o raciocínio lógico. Mas para os padrões da MTV atual, nada precisa ser necessariamente o que parece ser.

PARTE UM: MORTE NATURAL

O canal hoje é um cadáver, alimentando-se de programas horrendos da matriz norte-americana, que correspondem a mais da metade da programação, e produções da própria MTV Brasil que deixam a desejar em todos os níveis de produção e conteúdo que se possa imaginar. A detestável Daniela Ciccarelli, que tem 3 programas na casa, entre eles o abjecto Beija Sapo, é o rosto atual do canal, algo que é absolutamente compreensível, já que ela atende a todas as exigências do público alvo da emissora. O merchandising invasivo e excessivo nos programas é nauseante, é impossível não ligar em qualquer programa do canal e não ser bombardeado com ofertas de torpedos de celulares, refrigerantes, sandálias, cartões de créditos, todo tipo de bobagem que já seria difícil de aturar nos comerciais, também agora bem no meio dos já péssimos programas. Parece aqueles vespertinos de fofocas das Gazetas e Rede TVs da vida, mas com o verniz "cool" e "descolado" da MTV por trás, como que se fosse um selo de qualidade para os adolescentes babões, que só consomem aquilo que lhes induzem. Ao lado da Cicarelli, os outros Vjs não ajudam muito não, com os veteraníssimos Cazé e Marina Person constrangedoramente deslocados, Marcos Mion inócuo como sempre a novata Luísa Michelletti e o "causa perdida" Léo Madeira dando um show de desinformação no péssimo Jornal da MTV, que deveria ser o centro de influência da emissora, mas é somente motivo de escárnio para os verdadeiros fãs de música. Vendo todo esse panorama desolador, é impossível não se lembrar de tempos melhores na emissora, quando para ser Vj era necessário saber exatamente tudo aquilo que estava se falando, e que as apostas da emissora e os programas eram capazes de trazer novidades e discussões realmente relevantes e inquietantes. Tempos de apresentadores como o Gastão Moreira, Fábio Massari, Zeca Camargo e até, pasmem, Thunderbird. A faixa de programas americanos era preenchida com o sensacional desenho Beavis and Butthead, a Liquid Television, o Aeon Flux, entre outros. Nada dos lixos de agora. Tempos nos quais o Lado B, mítico programa de clipes alternativos, tinha uma hora de duração. Que o Gás Total, excelente programa de clipes que passava nas tardes apresentado pelo Gastão, tinha duas horas e meia somente com os Nirvanas e Smashing Pumpkins da vida. Hoje, lambemos os ossos jogados pela cínica e estúpida direção do canal, incapaz de ler corretamente os avisos e oportunidades no meio da maior crise da indústria musical.

PARTE DOIS: MORTE CONSCIENTE

Eu não achava que eles teriam coragem de seguir em frente com isso. Seguindo a fundo no meu pensamento, achava que eles tinha matado a sua galinha dos ovos de ouro. Era o fim do VMB. Mas houve muito de ingenuidade nesse raciocínio. É lógico que a MTV não iria abrir mão do único programa na emissora capaz de gerar repercussão e dinheiro no meio de toda essa crise. Apenas teriam de mudar a roupagem, para absorver a estrutura da programação nova do canal. Ou seja, criar meios de não ter de depender dos clipes para realizar a premiação. Eles conseguiram, lógico. Aboliram todas as premiações por seguimento. Esqueçam categorias como melhor clipe de rock, de pop, de axé, de samba, de rumba, de polka, de mambo, de guarânia e o escambau. Primeiro passo. O segundo, mais forte e impactante: todos os prêmios não mais terão os clipes como alvo, e sim as músicas e os artistas isoladamente. O famoso "molde Grammy"da coisa. Artista do ano, Hit do ano, Show do ano, nada disso tendo a ver com os clipes. Terceiro passo: tchau, categorias técnicas. Nada mais de melhor fotografia, melhor diretor e adjacentes. Essas três decisões diminuíram consideravelmente o número de categorias e, mais profundamente, significaram a total renúncia feita pela MTV à mídia que era o carro chefe do canal e a sua própria razão de existência e moeda de influência: os clipes. Querem que nós compremos que o M da sigla seja referente somente a música em si, e não para a representação em vídeo da mesma, ignorando a cartilha pela qual a emissora rezou nos últimos 17 anos. Truque antigo, velho, como ensinar para um cachorro matreiro a abanar o rabo. Cabe a nós, que admitimos, sim, que a velha MTV fez brotar nos nosso corações (eu sou brega mesmo, jão) o amor pelo rock e pela cultura pop, não comprar essa palhaçada e torcer para que o inevitável fim, que atingirá também a MTV americana, que vive os mesmos problemas da nossa, venha o mais rápido e indolorosamente possível. Se temos o You Tube e a internet toda para, pelas nossas mãos, saciar as mesmas necessidades de consumo e opinião que antes deixávamos preguiçosamente a cargo da nossa querida Eme Tê Vê, por que então temos de lamentar? Foi bom enquanto durou, mas que possamos então apertar o botão que proporcione o fim dessa injustificável agonia. A não ser, lógico, para os masoquistas que adoram ver programas com nomes de mega corporações de refrigerantes promovendo encontros entre o CPM-22 (argh!) e o Babado Novo (urgh!). Mas quem nasce com vocação pra lata de lixo...

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Top 5: Simpsons

Hoje estréia o filme dos Simpsons, cambada! Estão animados? Não? Bom, acho que é uma bela hora para, aproveitando essa premissa, fazer um ranking com os meus cinco personagens favoritos no desenho, excluindo logicamente os membros da família, já que o Homer Simpson é absolutamente hors concours, na minha opinião formando uma trinca com o Hamlet e o Holden Caulfield como melhores personagens da história da ficção tendo seus nomes começados com a letra H. Agora, vou parar com a embromação e trazer gloriosamente pra vocês, cinco melhores personagens dos Simpsons, na minha opinião, o que logicamente não reflete necessariamente a opinião dos outros dois camaradas:


5- Lionel Hutz
Advogado golpista e alcoólatra, garantiu nas primeiras sete temporadas momentos sensacionais, como no episódio em que liga para o David Crosby para pedir conselhos para largar o vício de beber e que aparece sem calças no tribunal (esse momento é de bater a cabeça de tanto dar risada). Pena que, com a morte do comediante Phil Hartman em 1998, a produção tenha, em homenagem a Phil que dublava o personagem, retirado Hutz do desenho em definitivo (outro personagem dublado por Hartman, o também hilário Troy McClure, também foi retirado do desenho). Uma homenagem justa, mas que nos privou de um personagem hilário e que inteligentemente representava a imagem que temos dos advogados como um todo (calma, estudantes de Direito, tô só brincando, viu? Golpistas...)

4-Hans Moleman
Com a aparência de um idoso com dificuldades para andar mas que ,como descoberto num episódio, tem apenas 30 e poucos anos de idade tendo destruido sua aparencia com a bebida, Hans Moleman é um dos refúgios do non-sense no show. Suas aparições jamais fazem parte de momentos mais sérios no desenho, já que ele sempre aparece em situações absurdas, como quando a família Simpson o usa para substiuir o filho Bart, que estava morando na casa do Senhor Burns. O final desse episódio, com Hans aparecendo na sala da família vestido como o Bart com um skate na mão e falando com gírias, e o Homer beija sua careca dizendo que era como beijar um amendoim e incentivando a família a fazer o mesmo, é daqueles que somente se descrevendo para se acreditar. Absolutamente hilariante. Sempre envolvido em acidentes violentos e colocado em situações de inacreditável risco, Hans é o saco de pancadas favorito do show, já que suas reações sempre consternadas garantem o saco de risadas, mesmo agora com a decadência da qualidade da série.

3- Ned Flanders
Esse corre o risco de logo virar verbete nas encicoplédias britânicas da vida. Sempre que nos defrontamos com algum vizinho mala, chato e certinho, acabamos livremente o associando com o nome Ned Flanders. Confessem, vocês nunca apontaram pra ninguém e disseram: "olha lá o Ned Flanders, com a sua vidinha perfeita"? Logicamente um personagem frontalmente e propositalmente oposto ao Homer Simpson, reunindo todas as qualidades que faltam no último, Ned é a realização do ditado "o quintal do vizinho é sempre mais bem cuidado que o nosso". Religioso fervoroso, altruísta, sempre pronto pra abrir mão do que é seu pelos outros, paciente até o extremo, incapaz de atos violentos ou egoístas, Ned é alvo de um ódio mortal por parte de Homer, que em diversos episódios demonstrou reações violentíssimas e desproporcionais com Ned. Pena que depois que a Fox assumiu de vez os fervores republicanos, as chagas de Homer contra Ned tenham diminuído exponencialmente. Mais possibilidades hilariantes para o show perdidas pelo conservadorismo ganancioso de seus produtores.

2- Barney Gumble
Esse é até covardia falar. Ícone dos cachaceiros de todo o mundo, Barney Gumble é um patético e absolutamente hilário personagem. Um dos poucos personagens a aparecer desde o longínquo primeiro episódio do desenho, em 1989, sempre em avançado estado etílico (pelo menos até determinado ponto do desenho, que falarei depois), mas com o comportamento apalermado e dócil, longe da agressividade comum aos alcoólatras, Barney é sempre colocado em situações constrangedoras por conta de sua constante embriaguez. Nas últimas temporadas, o personagem se livrou do vício entrando na reabilitação, obviamente uma ordem, digamos, "lá de cima" da Fox. Deixa eu dizer uma coisa pro Murdoch e pros gênios que controlam o canal como se fosse um curral da administração do Bush: todos os estragos que os Simpsons poderiam provocar na imagem e no comportamento dos estadunidenses já foram feitos. Vamos parar com a babaquice e colocar o desenho de volta aos trilhos, ou acabar logo com tudo de uma vez e salvar a honra do show.

1- Krusty, o Palhaço
O Matt Groening deve ter severos traumas de infância relacionados com palhaços. Krusty, palhaço que é um astro da TV e ídolo-mor do Bart Simpson, é a destruição completa do ideal infantil. É tudo aquilo que não se espera quando falamos de palhaços que apresentam programas para crianças. Ou então, verdadeiramente, é um compêndio da realidade. Estelionatário, viciado em apostas, bebidas, cigarros, sexo, mulheres, com sérios transtornos de raiva, Krusty é depois do Homer o personagem mais hilário dos Simpsons. Sem brincadeira, todo episódio protagonizado por ele é de chorar de dar risada, e suas pontas nos episódios são sempre sensacionais. Não tem como errar, se o episódio tem alguns segundos ou é inteiramente protagonizado por ele, então é de se conferir. Um personagem que não se importa em fumar no ar apresentando um programa infantil cheio de crianças na platéia só pode ser hilário mesmo. Eu acho que o Krusty é uma amostra da velha noção que diz que os comediantes são pessoas amargas, tristes e solitárias, sempre propensos a cair em vícios e tentações. A velha questão humana, de ter que provocar risos e alegrias nas pessoas, mesmo em momentos que não temos qualquer tipo de clima para isso, o que provoca em cima desses homens um fardo pesadíssimo de se carregar. Muitos até acabam criando dificuldades imensas para diferenciar a vida pessoal de seus personagens e rotinas de humor, como um escape da mente, o que acontece no show, pode ver que sempre que o Krusty está no ar e comete algum desatino, como xingar alguém ou grunhir impropérios, imediatamente ele se vira pra câmera e faz alguma careta ou palhaçada. Krusty é um resumo brilhante feito por Groening dessas características, e é uma amostra mais uma vez do cuidado que ele teve para construir todos os personagens do show.

É isso, em breve, falarei mais sobre os Simpsons, o bagulho não demora não.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

5 maiores humoristas brasileiros

O mês Lindsay Lohan atinge o seu crepúsculo, tendo nas folhas caídas do Outono e no gélido e revigorante início de Inverno o cenário perfeito para o seu fim. Mas, nos últimos dias, senti uma inexplicável vontade de trazer para vocês a minha lista dos melhores comediantes brasileiros, na era da Televisão, para ser mais claro, embora muitos deles tenham soltado seus gracejos nos palcos e circos da vida. Uma singela e tocante homenagem do Progressista a eles, que levaram alegria (clichezão, hein) para gerações E gerações de brasileiros. Aqui vai, cinco melhores na minha sincera opinião:

5- Jô Soares
Quem vê hoje em dia o Jô Soares apresentando um insuportável programa de entrevistas nas madrugadas da Rede Globo, pode até pensar: "como é que esse chato, arrogante e insuportável ser que não deixa os seus entrevistados respirarem, que sempre quer saber mais que todos os seus convidados, que conta piadas sem a menor graça e que faz quadros e esquetes que supostamente deveriam fazer rir mas só causam constrangimento, como ele tem tanto destaque assim?". Bom, hoje a situação é essa, mas nem sempre foi assim. Um dia, Jô Soares usou os seus conhecimentos e erudições para fazer um humor que verdadeiramente tirava risadas dos seus espectadores, ao invés de causar uma invitável mudança de canal por parte dos mesmos. Em programas como a Família Trapo, Planeta dos Homens e depois no seu próprio programa, Viva o Gordo, Jô criou um sem número de tipos cômicos e bordões e piadas que vivem até hoje no imaginário popular. Mas depois, ele foi para o SBT, resolveu virar o David Letterman tupiniquim, e acabou desaprendendo a lição número um dos comediantes: não existe humor sem auto-depreciação.

4-Chico Anysio
Hoje em dia, ninguém mais lembra do Chico Anysio. Nem vem. O último feito dele, casar com a ex-ministra e confiscadora de poupanças alheias Zélia Cardoso de Mello acabou sendo a pá de cal no humorista, tirando toda a paciência do público e jogando-o na vala comum dos esquecidos. Mas cabe aqui um pequeno reparo: poucos humoristas possuíram tamanha capacidade para criar personagens como Chico Anysio. Nos 40 anos de Rede Globo, e antes em programas de rádio, Chico praticamente inventou diversos tipos de humor, mostrou uma habilidade impressionante para composição de personagens e um olhar atento para o humor de situação. Além disso, sempre trabalhou para revelar jovens humoristas, lançando-os nos seus programas com destaque, entre eles o insuportável Tom Cavalcante (nem tudo é perfeito). Chico Anysio, homem de escolhas desastrosas e tipos marcantes e inesquecíveis? Resumo assim a vida do homem? Deve ser isso mesmo, meu poder de síntese não é dos melhores mesmo.

3-Costinha
Esse foi o terror das feministas por décadas. Além de ser também acusado de fazer humor com tendências descaradas para a homofobia. Tudo verdade mesmo, Costinha frequentemente fazia valer de piadas politicamente incorretas para adequar o seu humor. Mas poucos homens foram capazes de provocar reações tão histriônicas e histéricas do seu público. Fez carreira na TV em diversos programas da década de 60 até os anos 90, quando morreu em 1995. Provavelmente o melhor contador de piadas da história da humanidade, com um timing inacreditável para o humor, e com uma carreira cinematográfica respeitabilíssima, incluindo os clássicos imortais "Costinha e o King Mong (1976)" e o mítico filme "O Homem de Seis Milhões de Cruzeiros Contra as Panteras (1978)", Costinha virou lenda para os apreciadores do velho humor brasileiro.

2-Tião Macalé
Essa é, sem dúvida nenhuma, uma escolha polêmica. Tião Macalé começou a sua carreia no humorísico Balança Mais Não Cai, nos anos 70, com personagens ingênuos e que usavam a complicada articulação de palavras do ator (dicção não usual) como diferenciação. Num comercial de TV para os finados supermercados Disco ele criou o bordão mais espetacular do humor brasileiro, o lendário "Nojento, TCHAN!", que depois viria a usar e abusar até a exaustão nos programas dos Trapalhões na década de 80. Mas quem lembra, sabe o quanto era impossível segurar na cadeira quando Tião Macalé entrava em ação. Só olhar para as caras apalermadas criadas pelo ator já era motivo de se jogar no chão de tanto dar risada. Morreu em 1993, mas viverá sempre nas memórias daqueles que sabem o que realmente é engraçado nessa vida. Imagino uma porcaria como o Zorra Total com um Tião Macalé nos seus quadros. Aí sim, daria pra começar a dar boas risadas.

1- Mussum
Vocês devem ter notado a ausência do Renato Aragão nessa lista. "Cadé o Didi Mocó, Progressista?". Calma. Vamos por partes. Eu reconheço todo o trabalho humanitário desenvolvido por ele. Criança Esperança, embaixador da Unicef, tudo muito lindo, tocante e comovente. Sinto até mal em dizer que eu não suporto, nem nunca suportei, as tentativas de humor Chapliniano desenvolvidas pelo Aragão nos duzentos anos de carreira que tem. Mas é verdade. Os Trapalhões duraram uma eternidade, começando na TV Excelsior e depois por anos e anos na Rede Globo. Aí, o Zacarias morreu em 1990. Deu pra levar por mais 3 anos, até que o Mussum também faleceu em 1993. Aí, não deu mesmo. Didi e Dedé eram os protagonistas, mas quem realmente levou esse programa nas costas por todos esses anos, quem criou um séquito de seguidores, vide a comunidade do Orkut criada em sua homenagem, que conta com inacreditáveis 160 mil membros, quem fez tudo isso foi Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, ex-sambista, vocalista dos Originais do Samba que acabou virando ator por acaso. Criador dos bordões "Cacildis", "Forévis" e "Mé", gíria para cachaça, ele imortalizou um tipo, o do Gaiato carioca, no imaginário popular brasileiro. A simples menção ao seu nome causa comoções e menções respeitosas de todos que foram testemunhas. Renato Aragão vive em mansões luxuosas, posa para as Caras da vida com a sua bela esposa e filhos, briga com o mala Dedé Santana pelos méritos, mas se fosse para fazer justiça, ele deveria construir uma estátua do Mussum nos jardins suntuosos do seu lar. Injustiça da minha parte? Não, pelo contrário. Sem o Mussum, nada seria como foi.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Fim do casal Íris e Alemão!

No sofá com Sônia Abrão, discutimos ela e eu, Camarada Fundamentalista, a separação de Íris e Alemão, algo que pegou todo o mundo, principalmente os milhares, digo, milhões de fãs do casal, de surpresa.

Sônia me expõs pormenorizadamente todos os fatores que, segundo ela, poderiam ter influenciado a triste decisão. Desmentiu, inclusive, o boato absurdo, publicado pelo Diário de S. Paulo, que nomeava a apresentadora Eliana como pivô do rompimento. Ela e Alemão se conheceram na festa do 7º Prêmio Contigo!.

Para mim, como expliquei a Sônia, aproveitando sua observação quanto ao temperamento apaixonado de Íris e a como esta se entregou integralmente no relacionamento com o Alemão, que era preciso construir sobre a evidentemente sincera paixão entre eles sólidos vínculos afetivos que, infelizmente, por causa do momento profissional que ambos vivem, acabaram sendo impossibilitados. "Sônia, é sabido que para os artistas é um processo muito difícil e demorado esse de conciliar a vida pública e a vida pessoal; exige, como se diz, jogo de cintura. É uma questão extremamente séria. Muitos acabam se destruindo justamente por serem incapazes de se equilibrar entre as duas vidas. Você vê o caso de Lindsay Lohan: ela está obviamente perdida."

Sônia concordou comigo.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Hilary Duff: A Hipócrita Nêmesis de Lohan

Uma das disputas mais fantásticas ocorridas nessa primeira década do século deu-se entre as duas queridinhas da Disney na era pós-Britney Spears (sempre considerando a contextualização pós-moderna como parâmetro, logicamente), Hilary Duff e Lindsay Lohan. Uma disputa que fez o mundo perder o fôlego com os seus contornos dignos das mais incríveis histórias de um Garcia Marquez da vida. Duff foi revelada pelo seriado Lizzie McGuire, clássico do fabuloso canal Disney Channel, e depois fez carreira (espaço agora para os engraçadinhos soltarem alguma gracinha) em filmes adolescentes e discos, adivinhem só, para adolescentes.As duas cumpriram uma função estratégica vital dentro da companhia fundada pelo obsessivo-compulsivo Walt Disney: levar a marca para outras audiências além do nicho infantil. Agora, a embalagem vendida pelas princesas pop é o ponto de divergência entre as duas.

Enquanto a Lindsay Lohan mostrou desde o primeiro momento uma clara diferenciação dramática que sempre levou os seus costumeiramente medíocres filmes para um patamar mais digno, e no campo pessoal acabou se entregando a um modo de vida monástico e degradante, transformando-se numa verdadeira junkie girl de comportamento que não faria feio entre os rockstars da vida, Hilary Duff sempre foi um símbolo da América careta e republicana. Não é de se surpreender que a Lindsay seja nova-iorquina e a Duff texana. Com certeza isso foi pensado pelos geniais executivos Disneyanos como estratégia de Marketing para cooptar e ser simpático a maior parcela possível da audiência adolescente. Hilary Duff acabou exemplificando o modelo perfeito da adolescente babona, a princesa que não peca, coloca os valores familiares acima de tudo e fica sempre a espreita esperando a vinda do príncipe encantado para, inevitavelmente, viver uma vida regida pelos valores morais rígidos que são padrão na América de Bush. Lógico que tudo isso sempre no campo da fantasia, já que na vida real todo esse panorama acaba sendo motivo de risos para qualquer cínico desse mundo. Mas Duff persiste sempre com a sua obstinada tarefa de tornar o mundo um lugar mais chato e hipócrita de se viver, com os seus discos horrorosos, sua total falta de aptidão como atriz, o que acaba tornando os seus já ridículos filmes tarefas dignas de arrumar um lugar no céu depois de tamanho sofrimento.

Hoje, as duas são modelos opostos, como se a Hilary fosse uma boneca Barbie vestida com adornos e tomara-que-caias rosas, e a Lindsay fosse uma daquelas bonecas sujas de roupa rasgada e que falam palavrão que se encontram pela Internet. Hipocrisia nojenta.Lembrem-se do episódio do namorado, quando a Hilary Duff (momento Leão Lobo do Progressista) roubou o na época namorado da Lindsay e ainda fez cara de inocente, fazendo aquele ar de "ela é promíscua mesmo, eu sim serei uma namorada de valor pra esse cara". Enquanto isso, Lindsay, quando perguntada sobre o ato cometido por Duff, não fez qualquer crítica a ela, pelo contrário, até elogiou a menina e sua determinação profissional (algo comum na Lindsay, que jamais ataca pessoas que falaram mal dela na imprensa, mas isso é assunto para depois). Aonde mora a dignidade no final das contas? Na verdade suja, porém justa, ou na hipocrisia que vende discos, lota salas de cinema mas acaba jogando para debaixo do tapete um pequeno fator chamado talento? Eu sei bem que fim te espera, Hilary Duff: acabará como a Britney Spears, que surgiu com a princesinha careta republicana e hoje virou esse monstro amorfo de fotos escandalosas, divórcios dispendisiosos e surtos de loucura dignos de uma Blanche Dubois. Máscaras, inertes invólucros da alma.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Seinfeld e Lohan: o caminho da felicidade

Seinfeld é um sintoma. O Muro de Berlim caiu, junto os sonhos da humanidade ruíram. Isso eu já disse. Seinfeld vem logo depois. É o reflexo, uma defesa com que nos arranjamos contra as asperezas do presente. Todos os elementos da personalidade contemporânea desencantada estão ali: o cinismo, a relativização, a leviandade, a ironia, o ceticismo. Isso o Camarada Progressista já disse.

Agora vamos unir essas duas reflexões, em função daquela a quem este mês é dedicado. Para tanto, faço uma pergunta de cuja resposta depende a saúde e, não sendo nem um pouco exagerado, o futuro da senhorita Lohan: pode Lindsay ser cínica?

Sim, eu apelo ao cinismo como tábua de salvação para a menininha. E só como medida emergencial. Minha vontade é de sentá-la diante da televisão para assistirmos juntos duas, três temporadas de Seinfeld de uma vez. Aí, eu pauso e explico pra ela, se for necessário: “Tá vendo, você tem de fazer assim, ser mais assim. Vamos, agora é o episódio do Bubble Boy.”

Gente de bem com a vida – realmente de bem com a vida (e, por favor, atentemos no significado dessa expressão, “de bem com a vida”, isto é, concordar com ela, agradar-se dela, achá-la uma beleza, sair por aí de mãos dadas cantando “We are the Champions” com ela) – não gosta de Seinfeld. É preciso ser minimamente neurótico para se gostar de Seinfeld. Ou melhor, é preciso assumir-se minimamente neurótico. Por sinal, acho que Seinfeld incomoda muita gente justamente por forçar um diagnóstico que eles preferiam continuar ignorando: sim, eu sou neurótico. Outros se irritam com a série porque, sem que eles se dêem conta, aquilo se parece demais com eles. O máximo que dizem, no entanto, é: que monte de bobagem esse programa! Mas há, como eu disse, quem não se encaixe nessas descrições, quem realmente ande de bem com a vida.

O Camarada Moderado, por exemplo. Pra ele a série não desce. É que ele é muito equilibrado, muito moderado. Acaba sendo entediante pra ele ver quatro solteirões novaiorquinos fazendo piada com a possibilidade de um mundo melhor. Mas – e agora eis todo o meu pessimismo, que na verdade considero realismo – um mundo melhor é uma idéia furada. Uma pessoa melhor pode ser. Duas também. Uma comunidade? Mais difícil, mas não impossível. Mas o mundo todo? Não, não acredito em salvação coletiva. Você, nosso leitor, você pode se salvar; na verdade, você já deve estar salvo, fazendo a sua parte, alimentando os pobres, prestando serviços voluntários, procurando ser honesto e correto, lendo este blog. E não porque acha que tem de, mas porque quer fazê-lo. Você é como eu: belo e justo. Mas o mundo todo? Não.

Há quem diga que Lindsay é só uma menina superficial que fica enchendo a cara por causa da vida vazia que leva. Em parte, é verdade. A realidade é como um tijolo com que dão na cabeça dela, e ela só poderia fugir, e quem foge da vida cai no vazio. Um sonho ou fantasia só rendem frutos nobres e prestimosos quando a gente volta pra realidade – justamente onde tais frutos têm valor. Se você permanece no mundo encantado, eles apodrecem. Além de você ser internado, porque ficou maluco ou, como diria um especialista, psicótico.

Mas assim que Lindsay reconhece a realidade, corre à garrafa de cana. E bebe, e cheira, e quer morrer. Como sair disso? Repito: cinismo: “É melhor ter papai e mamãe só de olho na minha grana do que ser órfã. Ser órfão é uma coisa muito triste.” E é melhor ser blasé do que morrer aos 27 anos, idade fatídica entre as celebridades. E nem precisa ficar assim pra sempre. Depois, mais pra frente, quando ela for mais velha e estiver mais conformada e acomodada, como todos ficamos, o cinismo perde a função. Tal como Lola Johnson, personagem que ela interpretou em A Prairie Home Companion, que passa de uma adolescente depressiva a uma yuppie. Eis o caminho da felicidade.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Seinfeld: faltam 3 dias

Seinfeld, a série americana mais bem sucedida de todos os tempos, terá lançada nessa sexta-feira no Brasil varonil a caixa da oitava temporada. Partindo desse fato, gostaria de falar um pouco sobre a série e sobre o efeito que ela provoca em seus admiradores e, por que não, em seus detratores também (como vocês podem ver, eu estou educadinho hoje). É muito fácil construir idéias pré-concebidas que sejam carregadas de negativismos acerca da série. Afinal, se muitas pessoas possuem verdadeira aversão por tudo aquilo que constitui o chamado American Way of Life, imagine quando falamos de uma série que justamente pervertia toda essa situação de costumes com um cinismo dilacerante. A própria natureza da série acabava dando margem para esse tipo de visão: se você tem um show que absorve uma ótica de vida na qual todas as sentimentalidades e emocionalismos baratos acabam sendo motivo de piada, é natural você provocar uma indisposição natural com aqueles que acreditam que o ser humano por si só já está impregnado com esse pessimismo e individualismo e que nada ajuda ver isso ainda jogado na sua face nua e cruamente por 4 solteirões neuróticos novaiorquinos.

Por isso, é normal encontrar pessoas que digam não suportarem o Jerry Seinfeld, não concordando de maneira alguma com os "valores" pregados na série. Mesmo nos EUA, onde os novaiorquinos são vistos como arrogantes pelo resto da nação (isso num páis cujo lema é "sou americano e posso tudo que quiser"), Seinfeld sempre esteve intrinsecamente ligado com essa visão superior e européia passada pela metrópole da Maçã.
E mesmo fatores periféricos, como o surto de ataques racistas cometidos pelo esquisitíssimo ator Michael Richards, o Kramer do show, num clube de comédia, acabam jogando contra a imagem da série. Os detratores Seinfeldianos usaram o episódio para atacar a própria imagem da série, usando de manipulações baratas para evitar separar a persona pública de Michael Richards do seu personagem, e jogando todo o contexto do show dentro das desbaratinações do ator. Tudo isso é um preço que Seinfeld e Larry David, criadores da série, sabiam que iriam acabar pagando. Afinal, é muito mais fácil quando se tem um show como Friends, que mostrava seis amigos bem sucedidos, bonitos, cobiçados vivendo num mundo artificial cujo única problemática residia na complexa questão "quem vai ficar com quem?" nos episódios, mas sempre com mensagens edificantes e finais que ressaltavam que todos aqueles seres de plástico tinham um coração escondido naquela embalagem de promiscuidade e alienação.

Seinfeld sempre escolheu ir para o lado contrário. Tirar humor da verdadeira natureza humana, da nossa mediocridade, da nossa incapacidade para lidar com as questões do cotidiano, do nosso egoísmo disfarçado em sarcasmos e ironias. As armas mais poderosas do homem moderno para lidar com o massacre ao qual somos submetidos. O Fundamentalista fez uma bela analogia ao dizer que a Lindsay Lohan deveria ter sido estrela nos anos 80. Pois Seinfeld chegou e mostrou justamente o nosso espelho no mundo pós-muro de Berlim, aonde todos os erros serão apontados e todas as culpas serão punidas. O inimigo, isso até vir Osama Bin-Laden, era interno.

Com todo esse panorama, é fácil odiar Seinfeld. Mas os detratores sabem a condição primordial para se criticar: evitar ao máximo assistir a série. Pois uma vez que você se empenha nesse empreendimento, bastam dois ou três episódios para você jogar todas as pressuposições para o alto e bater a cabeça na parede de tanto dar risada, não há como resistir por muito tempo. Tanto que, mesmo que provocando aversão na América conservadora, a série foi o maior sucesso da história por lá. Todos no final se renderam ao humor inacreditável da série. Somente podem resistir assistindo o show e ainda criticando a série aqueles obstinados, que acabam apelando para o argumento final: a suposta intelectualização da série. Mas nunca você verá alguém criticar o show pela sua proposta final, fazer as pessoas rirem. Pois nisso, nunca ninguém na humanidade, nem mesmo os bobos da corte da Idade Média, se igualaram ao Seinfeld, Kramer, Elaine e George. Yada, yada, yada.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Olha essas minissaias, meu!

E um dia um camarada seu, tipo, sei lá, só exemplificando, o Progressista, fica malu... Já Brás Cubas, aquele de Literatura Brasileira no Ensino Médio, advertia do perigo de uma idéia fixa. Pois é numa idéia fixa que os melhores, os mais belos e nobres, os mais inteligentes e capazes sucumbem.

Tipo, o camarada chega um dia falando em Ally Mcbeal. A gente acha engraçado - estranho, mas engraçado -; pensa que é uma bizarrice qualquer, o sujeito só querendo curtir, e a gente, que também adora um nonsense, compra, na boa. Mas aí, ele insiste, argumenta do talento de Calista Flockhart; desce a lenha em Sex and the city, que supostamente teria destronado Ally Mcbeal; faz análises sociológicas sobre o período Clinton, quando a série foi ao ar; e o maluco vai falando animosamente de um episódio atrás do outro; e, daí a pouco, a gente se pega comentando que a nossa mãe também assistia e gostava das aventuras de uma advogada promíscua em Boston.

O passo seguinte é você emprestando o seu cartão de crédito pro maluco pedir pela net todas as três temporadas de Ally Mcbeal lançadas em DVD no Brasil. E aí, você, passando o número do seu cartão, por telefone, pausadamente, pra que ele te entenda, começa a lembrar que não é a primeira vez que isso acontece. Que, um dia, você acompanhou esse mesmo sujeito até o caixa da Fnac pra ele desembolsar umas 100 pilas na primeira temporada de Frasier...

E se você se arrisca a convencê-lo de que é loucura, ele ainda joga contigo: "Pô, elas usam minissaias. Minissaias!!!" É, não é?