sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Séries do bem, para pessoas do bem
quarta-feira, 1 de abril de 2009
sábado, 20 de setembro de 2008
Brothers, Casa dos Artistas, Roberto Justus
Nossa amigão em dos seus momentos mais descontraídos no seu programa dominical
Roberto Justus é um cara com bastante grana. Um homem letrado e já falei que tem bastante dinheiro? Percebendo a atual eclosão dos reality shows resolveu se divertir um pouco aproveitando a tendência. Mostrar os erros e mandar os outros embora da empresa era um hábito corriqueiro de nosso mecena publicitário; cara legal, contudo, nunca tolerou incompetentes, ainda mais nas suas empresas que trabalham com quantias gigantescas de dinheiro; em algum momento percebeu que poderia atuar da mesma maneira em cadeia nacional através de um programa que simulasse suas empreitadas, lógico, sem comprometer seu próprio conglomerado, então o nosso homem de madeixas brancas bem cuidades deixou-se levar pela mass media, mas quem disse que coordenar um programa sobre aprendizes era seu intento? Ele queria música nas suas veis, mostrar todo o seu lirismo, aproveitando da sua imagem na televisão, demostrar seu lirismo exacerbado através da música.
De dois homens endieirados, chegamos, através da musicalidade, em um menos milionário, contudo com a mesma verve para o estrelato: Supla. O amigo cabeludo que nos divertia apaixonado pela garota japonesa enquanto ensaiava seu triunfo nos corredores da Casa dos Artistas, nos divertinho e nós fazendo verter lágrimas modestas. Era aquele que, num futuro próximo, viria a ter seu próprio programa, quiça uma rede de televisão junto com uma agência publicitária.
Do seu álbum com uma publicidade agressiva para os reality shows até o seu próprio programa, quiça a prefeitura em pleitos futuros? o governo?
O Charada Brasileiro enfim deu seus primeiros passos rumo a seu domínio midiático: resolveu juntar as bandas com seu irmão, também de alcunha Suplicy- entretanto mais conhecido como João, e criar um entreterimento digno de final das tardes de sábado. Com o título criativo de "Brothers" e com o apoio de exibição da Rede TV conseguiu começar sua grande empreitada nos televisores brasileiros. Sem muita apelação, sem muita crítica social, apenas acompanhado do estilo rock and roll e pitadas de bossa nova. Com a premissa de trazer diversão e interatividade( vc pode conversar com um tal de Betty Net, via chat, nada de telefones e beijinhos pra mamãe) para solavancar o público brasileiro de sua poltrona, resta saber se será de raiva o felicidade... bem wap-bop-loola-Brothers!
segunda-feira, 16 de junho de 2008
O cabeça de ovimem cima do muro maldizendo tudo que os ostro falando
ae senhorzinho.....
vou te conta uma istorinha da carocheta, senta aí un tantinho
minina má proxeneta caixinha d' oro era mui amiga da madafenstra, filha do neto grude velho da portera do oeste. Cumeça toda minha istoria na parte da portera
ovim todo prominente
magnata da gema dorada.
Num diantava fala com ele, não arrediava o pé dele dcima do muro, bixim muito do teimoso
era a temosia peça mais estrela do braquim
não importava;
era homê, muié, tigra, bengala, cobra.
todo mundo avisava
"um dia se oCê cai, como fica?"
todo risonho remedava:
"bem amarelim pra ri da cara docês"
e passidançava Bob Fosse, muito dodeducado, sabia os gringo todo, dmemoria até a ponta da língua.
Passo uns dia, passo umas noite, nem alembro, vc, fazia anos ou era bem do próximo da sua data, a certeza tah no calendário pregado na cuzinha da minha casa, entonces, minina nova pareceu; das banda do rir torto. Ela vêio todo raponçosa, bebendo a´gua d'ali e d'acolá, rondavandada a portera
"esperanpenso, oce ta fazini adi baixo?
"aindanada, mas deixe de apoquentar, deixa vai subir, me ajuda?"
"ddeixar vou, mas nem drruba"
osso e carne e clara e ovo
ovim rumo no chão dalajota
minina deslembrou dajuda
sai cantintans uma musiqueta,
porreta minina, cantantim toda boba
do lado de ká d''ovim, squerdo saiu uma minina-toda, rainha das briga de rinha, galinha de todo chiquero
minino-mim todo tristim fez blog pra ficar em sempre cinema, assim bnão mais tristim
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Arrested Development (Caindo na Real): O Efeito Juno
te, para não alimentar a euforia dos fãs da série, que são considerados os mais fiéis entre os fãs de séries cult. A série estreiou na Fox em 2003, para durar apenas duas temporas e meia, lutando contra índices baixíssimos de audiência, mesmo sendo um sucesso absoluto de crítica. A Fox, canal conhecido pela pouca paciência com seus títulos e por sabotar produções em nome da audiência (os chatos que veneram o Arquivo X culpam o canal pela decadência da série), até que teve bastante com essa, talvez apostando no efeito Seinfeld, que também lidou com audiências baixas na duas primeiras temporadas, mas com o boca a boca, acabou explodindo no final da terceira. Mas como os indíces jamais demonstravam qualquer tendência de crescimento, decidiram, acabar com a série na terceira temporada, que teve apenas 13 episódios. O último episódio foi visto por apenas três milhões de pessoas nos EUA, uma das menores audiências de um episódio final para uma série que durou mais de duas temporadas. Mas os fãs jamais se conformaram, e transformaram o show num clássico caso de "seriado maldito/incompreendido". O resultado do barulho feito por eles é de que já é considerada seriamente a hípótese de um filme baseado no show (vi o Jason Bateman falando numa entrevista no tapete vermelho do Oscar no Domingo que tudo está bem encaminhado). Para se ter uma idéia do poder dos fãs, no site IMDB, que é considerado a bíblia do cinema e televisão, e que tem um sistema de notas para filmes e seriados baseados na votação dos usuários-membros, a nota do show é um altíssimo 9.7. Para se ter uma idéia, um filme com uma nota de 7.7 é considerado excelente. O melhor filme avaliado, Poderoso Chefão, tem 9.0. E entre os seriados, os dois que chegam perto são Os Sopranos e Seinfeld, com 9.5 e 9.4, respectivamente. Poderoso Chefão, Os Sopranos e Seinfeld. Trica de deixar qualquer um com as pernas bambas, como diria Bezerra da Silva. Mas os fãs do Arrested Development conseguiram fazer sua série preferida ser o produto de entretenimento melhor avaliado entre tudo o que já foi feito em matéria de cultura cinematográfica e televisiva desde o invento das câmeras. Um exagero de proporções dantescas. Prós:
-Vamos lá, foram 53 episódios: em quantos deles o meu figurino não foi o uniforme laranja de presidiário e essa bandana? Economia é isso aí.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
Memória 1990
Memórias. Copa de 94, Romário e Bebeto. O Bebeto fazendo o gesto de embalar seu recém-nascido, e a final decidida nos pênaltis, com o Taffarel transformado em herói nacional e o Itamar Franco ao lado do Dunga erguendo a taça FIFA. E tinha também o Plano Real. A gente era criança e nem suspeitava como a vida era esquisita, como sempre foi, mas não era algo que pudessem explicar pra gente. Dois anos depois, eu assistia Minha vida de cachorro (My so-called life), no SBT, com a Claire Danes antes de estragar a vida dela se envolvendo com o Billy Crudup. Tá lembrado?
(Aliás, quanta coisa as distribuidoras aqui, no Brasil, acharam que devia se chamar Minha vida de cachorro.)
Jordan Catalano e muito mais. O nexo entre as duas coisas, você pergunta. É que a série foi ao ar nos States em 1994. E, na verdade, outro dia comentaram comigo de um seriado com a Claire Danes adolescente, que só tivera 19 episódios, mas que era muito inteligente e que, até por isso, tinha sido cancelado, não sem virar cult. E eu não associei uma coisa com a outra. Daí, lembrei esses dias, fui pesquisar e descobri que era o Minha vida de cachorro que eu via quando era moleque, antes de ter idade pra me identificar com os dramas adolescentes Seattle-style da série.
Anos Incríveis anos 1990: Kevin Arnold versão feminina e sem-sal, Paul Pfeiffer porto-riquenho e Winnie Cooper que, em vez de ir pra França, vira emo.
E que triste que era, às vezes pesada. Predominava na atmosfera da série uma enorme fragilidade, de gente que não pára de pé, que está sempre prestes a desmoronar. Só pra você ter idéia, o melhor amigo da Claire Danes era hispano e gay, isso em 1994, quando nem bem tinha começado o período de Ilustração da era Clinton. E a personagem da Danes, Angela Chase, era apaixonada pelo Jordan Catalano (nome que deve ressoar na memória das menininhas), interpretado pelo Jared Leto, o que me fez pensar. Pensar que a vida não é como Terminator 2, e a gente não podia saber que o Catalano ia incomodar tanta gente ainda, nem contar com um cyborg do futuro pra eliminar o moleque e evitar maiores estragos. Mas o tempo passou, veio Requiem for a dream, veio Alexandre e finalmente a fase emo, então tá. Quando a gente abre o baú, aparecem essas coisas mesmo.
domingo, 23 de dezembro de 2007
Intermezzo natalino
“Neide, meu filho fica só assistindo The Office. Ai, Neide, até aprendi o meu inglês, The Office. Mas então, ele e os meninos, amigo dele, inclusive uma esquisitinha, que teve uns tempos que eu achei que ele tava namorando ela, eu já te falei dela, Neide; eles vieram aqui em casa e passaram a tarde toda, assistindo The Office. É isso que essa molecada acha que é curtir; em vez de sair, tomar um ar, dançar, né? Pouco antes do Natal, a casa uma bagunça. A gente sabe, a molecada não repara nessas coisas, mas é sempre um horror, Neide.
Mas então, Neide, sabe que eu sentei pra ver um pouquinho com eles, o Carlinhos virando os olhos, aí que eu fiz de pirraça, mesmo, Neide. E tinha o chefe, perguntei pra molecada como é que era o nome dele. Michael. Molecada simpática mesmo, tudo esquisitinha, mas simpática. Aí, esse Michael me lembrou aqueles filmes da nossa época, Neide. Sabe, as pessoas de bem com a vida mesmo, sem essa chatice da molecada de hoje em dia. Olha, simpatizei com o homem. Os amigos do Carlinhos tudo viram que eu tava gostando mesmo do filminho, abriram espaço no sofá, e eu fiquei ali com eles, ali no meio. Parecia uma adolescente. É claro que o Carlinhos não gostou, né, Neide. O menino fica constrangido por nada, depois sai bufando, que nem o pai. Que nem o pai, Neide. Os dois brigam com essas minhas loucuras, Neide.
Aí começou um papo entre a molecada, de 'gente que tinha salvado o Natal', e aí falaram de um lá, que eu perguntei quem era, e eles disseram que era o ator principal daquele filme do prédio, que explode tudo. Esses filmes de ação horrorosos, que o Carlinhos e o pai dele ficam assistindo. Duro de Matar, Neide. Lembrei. Mas então, aquele homem desse filme, Duro de Matar, ele é uma graça, meio carequinha, uma graça. Só sei que a molecada tava elegendo ele e um outro lá, mas desse eu não vou lembrar mesmo o nome; só sei que fez um monte de filme, um homem feio, feio. E aí puseram esse Michael no meio, falaram que ele também salvou o Natal. A molecadinha tem um papo esquisito, umas coisas que não têm nada a ver, né, Neide? Que que ‘cê acha, Neide?”
“Tudo nerd.”
“Ai, Neide. E não é mesmo?”
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Do Bom e do Ruim nas Artes e na Cultura
E já colocando em prática minhas resoluções de fim de ano antecipadas (o último post), Parâmetros do Bom e do Ruim nas Artes e na Cultura. É, e eu disse que não manjava dessas transcendências, sei, sei. Mas esquece. Meu passado tá sendo revisionado, já avisei. Lá vai:
- Bom: Shakespeare, Seinfeld, Arcade Fire, Proust.
- Ruim: Manoel de Barros, Robert Rodriguez, college bands brasileiras, Jack Kerouac.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Ed Wood's fiction: Try a little tenderness
Olive Hoover tem nove anos de idade e quer vencer o Pequena Miss Sunshine, um concurso de beleza infantil organizado pelo cineasta indie Gus Van Sant no interior da Califórnia. Para realizar o sonho da baixinha, os Hoover (pai, mãe, irmão, tio gay suicida e avô junkie) topam participar de um reality show da MTV, As Quebradeiras. As Quebradeiras são seis minas superbaladeiras e cheias de atitude que vão ensinar o verdadeiro significado da felicidade para a família Hoover.
No inicío, muita curtição, muita pegação, mas uma surpresa bem desagradável está por vir. Quando, após ser preso numa ação comandada pelo Capitão Nascimento numa balada em Campinas, o vovô morre, de causas desconhecidas, Dwayne, desiludido, desiste de entrar pro Bope e acaba surtando. Sensibilizadas, as Quebradeiras o levam pra pular da tirolesa. Mas Dwayne interpreta mal a boa vontade de Erika, força uns amassos, e o clima fica pesado. Mas tudo volta ao normal quando Larissa pergunta o que quer dizer “polidactilia”, e ninguém sabe responder, daí todo o mundo cai na gargalhada.
Nesse meio-tempo, Olive aprende um ou dois truques com Vanessa para se dar bem na passarela. Mas a coisa fica realmente divertida quando J. T. LeRoy, convidado por Gus Van Sant para ser um dos jurados da competição, vem cumprimentar a pequena Olive e lhe dizer que realmente não importa quem vence, mas o que o ser humano é em seu interior. As meninas insistem, e ele aceita bater uma foto sem os óculos escuros. Mas, arrependido, toma a câmera da mão de Vanessa, e daí a confusão. Olive começa a chorar, o que deixa as Quebradeiras furiosas. Vendo a situação engrossar pro seu lado, LeRoy sai correndo, mas tropeça, cai de boca e quebra o nariz.
Apesar do processo movido pelo escritor, a temporada termina em alto astral, com todo o mundo cantando Try a Little Tenderness, do velho Otis Redding, puxada pela Camile, no caminho de volta pra casa. Vocês conhecem a letra?
“[This is for you] Ooh she may be weary
And them young girls they do get weary
Wearing that same old shaggy dress
But when they get weary
[You gotta] try a little tenderness
[Tell you, might not believe it, but]
You know she's waiting
Just anticipating
The thing that she'll never, never, possess, no, no
But while [all the time] she's without it
Go to her and try just a little bit of tenderness
[That’s all you gentlemen gotta do]
Oh, but its one thing
It might be a bit sentimental yeah, yeah
She has – her greaves and care
But the soft words [they] are spoken so gentle
But, oh, that makes it, makes it easier to bear, yeah
You wont regret it
No, no,
Them young girls they don’t forget it
[Cause] Love is their whole, whole happiness Yes, yes, yeah
And it’s all so easy
Come on and try
Try a little tenderness
Yeah try
Just keep on trying
You've got to love her
Squeeze her
Don't tease her Make love [Get to her]
Hold her tight
Just, just try a little tenderness
That’s all you gotta do
You’ve gotta hold her tight
One more time
You’ve got to love her hold her
Don't tease her
Never leave her
Make love to her
Hold her, man
Try a little tenderness
[Just one time] God have mercy now”
Heroes, The Office e a greve dos roteiristas
O bicho tá pegando na gringolândia. Os roteiristas de Hollywood entraram em greve, pela primeira vez desde 1988, quando uma greve de proporções semelhantes teve efeitos drásticos nas produções cinematográficas e televisivas. Basicamente, daquela vez a paralisação durou cinco meses, e os estúdios e canais de tv resolveram chutar o balde e contratar cada vez mais e mais roteiristas baratinhos, o que baixou drasticamente o nível das produções. Agora, justamente no momento que as séries americanas vivenciavam o seu momento mais criativo desde a popularização dos televisores na década de 50, vem essa paralisação e joga um balde de água fria. O medo de todos, é que essa greve gere um impasse igual ao que ocorreu em 88, e que os chefões do entreternimento tomem as mesmas atitudes daquela vez, o que seria mortal para as ambições artísticas dos projetos existentes. Ou seja, o nível iria cair lá embaixo, mais uma vez. No começo, fiquei animado quando soube que a horrenda, ridícula e absurda série Heroes poderia ter o final da sua segunda temporada abruptamente mudado para dezembro. Seria maravilhoso. Adoraria ver os Heroes freaks chorando ao ver sua sériezinha de quinta indo praticamente para o limbo por culpa de uma greve. Mas nem tudo o que reluz é ouro.
reve, nem nos subsequentes. Ou seja, a quarta temporada da série está seriamente ameaçada, já que apenas dois capitulos estão prontos para essas semanas pós-greve, o que significa que logo terão de colocar reprises no ar. E se o fim dessa paralisação for o mesmo da de 19 anos atrás, provavelmente a série como um todo também poderá estar seriamente ameaçada. Um absurdo. Estavam querendo até criar um The Office 2, com outros atores, tamanho o culto criado à série (idéia estúpida, mas que dá uma idéia boa da excelência da série. Grande Ricky Gervais). Os Seinfeldmaníacos, que estavam finalmente conseguindo suprir sua demanda de séries cômicas inteligentes, já podem voltar a se preocupar seriamente. Já a série mais subestimada da história da humanidade, Lost, essa tem esperança ainda, já que a temporada começa apenas em fevereiro e já existem oito episódios gravados. Ou seja, os insuportáveis Lostmaníacos (que perdem em chatura apenas para os Heroes freaks) ainda podem esperar com alguma folga o fim dessa greve sem terem de ver sua série favorita virar um Esquadrão Classe A da vida. Nós do blog iremos acompanhar o desenrolar dessa história toda e relatar tudo para vocês? Não sei. Talvez eu fique empolgado com essa idéia e resolva fazer uma greve contra o Fundamentalista e o Moderado, esses opressores do proletariado e serventes do capitalismo brutal!sábado, 6 de outubro de 2007
Ally McBeal: Lembranças da era Clinton

A vitória de Bill Clinton nas eleições de 1992 deram a presidência dos Estados Unidos de volta ao Partido Democrata, depois de doze anos seguidos sobre a égide dos Republicanos. O efeito dessa mudança foi sentido com força na cultura americana. Sem a sombra do conservadorismo dos Republicanos, que criou uma cultura de heróis e monstros Pop que assolaram o mundo nos anos 80 (Michael Jackson, Madonna, Prince e Axl Rose dizem algo para você?), e com um crescimento econômico vultuoso que pois fim a recessão americana que tinha, ainda que indiretamente, criado a aversão aos Yuppies corporativos, apedrejados em filmes como Uma Secretária de Futuro e Wall Street- Poder e Cobiça, e ao mesmo tempo cultivando uma legião de losers, aqueles esquecidos e excluídos pelas amarras republicanas, que acabariam sendo rotulados com o surgimento do grunge. Com Clinton no poder, toda a revolta bradada pelos pulmões de Kurt Cobain e companhia perdia frontalmente o sentido. Até mesmo os rappers jogaram o discurso político, que marcou grandes expoentes do gênero como o Public Enemy e N.W.A no lixo, abraçando a luxúria e a ostentação como formas de vida e música. Com o suicídio de Cobain em 94, a coisa descambou de vez: até o final da década, surgiriam bandas e bandas que emulavam o som pesado dos grunges, mas despindo o discurso de qualquer tipo de abordagem sociológica ou os lamentos épicos que marcaram as bandas de Seattle.
Bandas como Hottie & the Blowfish, Live, Bush, No Doubt, Counting Crows, Matchbox 20, Sugar Ray, Smash Mouth, Third Eye Blind, cantoras como Alanis Morissette, Sheryl Crow e Jewell e estrelas pops como Mariah Carey, Puff Daddy e, no final, as boys bands, Backstreet Boys e afins, todos esses artistas assépticos, com sonoridades limpas e sem qualquer tipo de preconceitos ou discriminações, abraçando todos os públicos e deixando de lado os comportamentos esdrúxulos e megalomaníacos das estrelas da década anterior. Um tipo de artista mais acessível, antenado com os problemas do mundo, pronto para recriminar preconceitos de qualquer ordem, opção sexual e cor, um retrato fiel do discurso dos Democratas, e que ia de encontro com o comportamento mais, digamos, "venham todos, vamos ganhar dinheiro e nos abraçar, tem pra todo mundo" proposto por Clinton. Perderam a vergonha das notas de dólares, e os Yuppies, tão humilhados antes, viravam então o molde de toda uma nação. Na TV, víamos o sucesso impressionante das sitcoms, majoritamente passadas em Nova Iorque. Com a difusão da TV a cabo nessa mesma época, pudemos, através das Sonys, Foxs e Warner Channels da vida, acompanhar de perto todo o boom desses programas. Friends, Seinfeld, Frasier, Mad About You, Everybody Loves Raymond, todas séries que compartilhavam o espírito da época com precisão, como se fossem celebrações de todo aquele sucesso e progresso vividos pelos yankees. Nesse cenário tão fofo (ui!) e otimista, surgia então a melhor alegoria de toda aquela época. Não, não era o Seinfeld. Esse era a Nêmesis perfeita, o despotismo que existia quando toda uma sociedade aceitava como maior sucesso de sua era um programa cujo mote era simplesmente rir daquilo tudo. Truque genial. Olha, estamos tão abertos para o mundo, amando tanto tudo e todos, que aceitamos, sim, esses cínicos rindo de toda a nossa alegria. Tiremos do maravilhoso seriado o rótulo de retrato daquele momento. Não é o caso. O rótulo cai direitinho, com toda a justiça, numa advogada magérrima e (segundo as más línguas, eu não concordo) promíscua de Boston. Sim, senhoras e senhores. Ally McBeal. O retrato fiel da era Clinton. A série criada por David E. Kelley era um espelho de todas as vertentes que marcavam aqueles momentos tão belos do mundo pré-11/09. Um bando de advogados e advogadas, todos jovens, bonitos, ricos, competentíssimos nas suas funções mas ao mesmo tempo devotando um tempo precioso às suas questões existenciais, algo que é (propositalmente, diga-se de passagem) irônico, já que sabemos bem que os advogados são vistos como seres frios e cínicos pela sociedade. Essas características davam aos personagens uma profundidade tridimensional que era exigida pelos espectadores da época. Mas se eu descrevesse a série assim, estaria sendo injusto, como são injustos todos aqueles que negam o óbvio: Ally McBeal foi uma das séries mais subestimadas já feitas. É, sim, lembrada e cultuada, mas sem o fervor merecido. Uma série que propunha-se cômica, tendo uma hora de duração e sem a tradicional trilha de risadas, com uma linguagem que diferenciava de qualquer coisa feita naqueles tempos. Sem Ally McBeal, jamais veríamos hoje séries engraçadinhas e dispostas a brincar com a própria linguagem, como os Dexters e Houses da vida. O show lançou também as primeiras dúvidas sobre o formato das sitcoms, que acabariam tendo hoje em dia a sua virtual extinção. Infelizmente, o seriado durou apenas cinco temporadas, ou quatro e meia na verdade, já que foi tesourado abruptamente no meio da quinta temporada.
Os motivos da derrocada? Eu tenho os meus: o uso limitado de espaço, já que a série se passava quase que totalmente entre os tribunais de Boston e a empresa na qual os advogados trabalhavam. Isso não afetaria uma sitcom, cujos 20 minutos por episódio permitiam o uso contínuo dos mesmos espaços e cenários, mas numa série com uma hora de duração, a história era diferente (embora isso não me atrapalhasse, não via problema algum). O ator que interpretava o Billy, amor de infância da Ally que advogava com ela na mesma empresa. O cara era muito fraco, e isso ficou evidente quando trouxeram na quarta temporada o Robert Downey Jr. para apimentar a coisa toda, o que também é outro motivo. Depois que o junkie-mor de hollywood se juntou ao elenco, tudo foi por água abaixo. Os indíces de audiência até melhoraram, mas depois de um tempo a série se descaracterizou totalmente, virou o "show do Downey Jr.". E aquele que, para mim, é o maior motivo da vida relativamente curta do show: a série era avançada demais para a época, em termos de linguagem e comportamento. Se tivesse surgido hoje em dia teria sido bem melhor absorvida pelos espectadores. Mas aí vocês, espertalhões, perguntam: se a série era o retrato da era Clinton, como então que ela não foi compreendida bem pelos espectadores daquela mesma era? Xeque-mate.
A era Clinton acabou atolada em escândalos sexuais que mostraram que os norte-americanos, pelo menos para os padrões deles, tinham ido longe demais. A brincadeira tinha acabado. Para eles, se nem a Casa Branca poderia ser imune aos comportamentos que afrontavam as reservas morais dos yankees, então tudo tinha sido em vão. E a Ally McBeal pagou o pato, afundando junto do governo o qual servia de espelho. E depois, os aviões botaram o World Trade Center no chão, a era Bush Junior assolou o país, e hoje temos o Jack Bauer como símbolo da paranóia de toda uma nação. Mas para não acabarmos nostálgicos e tristes, lembremos de tudo aquilo que fez de Ally McBeal uma das melhores séries já feitas: os diálogos ferinos e inteligentes, o humor de cartoon que foi uma inovação sem precedentes, com as épicas intervenções de elefantes, bebês malucos, músicas que paravam e começavam junto de pensamentos e memórias dos personagens, personagens que quando dispensados amorosamente eram jogados em latas de lixo, e todo tipo de maluquices que não eram nada comuns em séries de uma hora. A icônica interpretação da Calista Flockhart, excelente em todos os momentos, até na decadência, do show. Os coadjuvantes sensacionais, como Richard Fish e a secretária Elaine. E, principalmente, o quinto maior personagem da história das séries de comédias americanas, perdendo somente para os quatro principais do Seinfeld, e ganhando das Lucys e dos Friends com folga: John Cage. Esse conseguia ser um elemento de subversão maior até do que as brincadeiras de linguagem do show. Extremamente tímido, cortês, gentil, meio lunático, absolutamente alheio com tudo que acontecia ao seu redor, mas ao mesmo tempo um excelente profissional, capaz de render momentos memoráveis quando defendia seus casos no show, Cage era inexplicável. O tempo dos personagens, dos diálogos e das interações, tudo era jogado para o alto quando John Cage estavam em cena, provocando reações hilárias de todos os seus companheiros de direito, quase sempre jogados em silêncios incrédulos ante os atos dele. Cage era um trunfo sempre usado por David Kelley, e sua interação com a Ally McBeal sempre trouxe belos e hilários momentos. Num mundo ideal, os dias de Bill Clinton na Casa Branca não teriam terminado como terminaram, Al Gore teria sido eleito, já que teve um número maior de votos, o onze de setembro teria acontecido, mas a reação a ele poderia ter sido muito mais precisa e inteligente (e olha que eu acho o Al Gore um mala, mas perto do Bush Junior até o Lula vira estadista sério), a política suicida e arrogante do Bushzinho não teria gerado uma onda de ódio aos americanos que culminaria na ascensão de figurinhas lamentáveis como Hugo Chavez, Mahmoud Ahmadinejad e, argh, Luís Inácio Lula da Silva, Seinfeld jamais teria terminado e, principalmente, Ally McBeal teria tido um fim digno. Confessem que, naqueles loucos dias, vocês também amaram a Calista Flockhart. É, vão zoando aí. Aluguem-se com o Kiefer Sutherland suado. É disso que vocês gostam, não é mesmo?
sábado, 29 de setembro de 2007
Fenomenologia do Sex and the city
Finalmente, ficou claro pra mim quem nós somos, o que é o Fomos ao Cinema, entre os blogues brasileiros. Nós, Camarada Moderado, Camarada Progressista e Camarada Fundamentalista, somos o Saia Justa dos blogues. Piadas sem graça e pautas - muitas vezes interessantes - tratadas de maneira infame e fútil, mas sempre, sempre com um verniz cabeça e, ao mesmo tempo, descolado, cool. E bota cool nisso!
(Ao lado, o (desejo de) vir-a-ser das integrantes do Saia Justa e, por que não dizer, dos camaradas deste blog.)
Humor em texto escrito não é grande coisa mesmo. Se você quer rachar o bico, como diz a molecada, vai assistir Zorra Total e Todo o Mundo em Pânico 1, 2 e 3. Com literatura e afins, no máximo, uma risadinha, mas, na maioria das vezes, só um sorrisinho mesmo, do tipo “ah, esse rapaz, que espirituoso que ele é, ha, ha, ha”. (Tá bom, tá bom: se você tiver espírito suficiente pra absorver o pensamento, dançar com ele, tomá-lo pra si, dá pra rir bastante; mas é trabalhoso, muito trabalhoso.)
Tipo humor inglês. Nada dessa coisa escrachada que desmancha penteado e derruba peruca. O que não é educado, afinal. Mas a literatura, por outro lado, é uma coisa educada, porque exige concentração. O sujeito tem que calar a boca pra ler, e não existe maior demonstração de boa educação que se calar a boca. É a essência das boas maneiras um indivíduo que jamais revele o que está pensando ou sentindo. É muito feio se mostrar, se expor sob qualquer aspecto.
Eu sei que aqui não é nem isso. Nem humor inglês. É mais pastelão, tipo os Três Patetas, com o sketch terminando com uma guerra de tortas. Apesar de, nesse caso, o Moe ser meio filosófico, meio profundo, como vocês costumam dizer. Mesmo sendo outra a chave pra se compreender o Camarada Fundamentalista, mesmo sendo essa chave o amor.
Porque tudo o que eu escrevi até hoje sempre proveio única e exclusivamente do meu amor. São todas declarações de amor, mesmo que de vez em quando invertidas. Porque eu sou todo amor. Em mim não existe isso de gosto ou espírito. Quando eu assisto um filme, por exemplo, eu não julgo se o filme é bom ou ruim (se me ouvirem falando se um filme é bom ou ruim, podem ter certeza de que estarei só fingindo que sei o que significa esse tipo de discriminação, pra assim agradar a audiência, tão perdida nessa história de crítica), eu me deixo encontrar pelo filme, sobre o Sena e sob a luz da lua, e depois fico cantando I love you for sentimental reasons pra caixinha do DVD.
Nasci pra escrever canções de amor, pra ser Jorge Ben e morar num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, mas só consegui aprender a ler La Rochefoucauld em francês e, em vez de ser identificado como um moralista, ser chamado de de filósofo, como se eu soubesse da insustentável leveza do ser e outras questões dignas de Márcia Tiburi, essa sim, uma das pensadoras mais vigorosas destes dias tão saia-justa, quá, quá, quá, quá, quá.
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
A MTV e o VMB: uma exibição de atrocidades

PARTE UM: MORTE NATURAL
PARTE DOIS: MORTE CONSCIENTE
ão os clipes como alvo, e sim as músicas e os artistas isoladamente. O famoso "molde Grammy"da coisa. Artista do ano, Hit do ano, Show do ano, nada disso tendo a ver com os clipes. Terceiro passo: tchau, categorias técnicas. Nada mais de melhor fotografia, melhor diretor e adjacentes. Essas três decisões diminuíram consideravelmente o número de categorias e, mais profundamente, significaram a total renúncia feita pela MTV à mídia que era o carro chefe do canal e a sua própria razão de existência e moeda de influência: os clipes. Querem que nós compremos que o M da sigla seja referente somente a música em si, e não para a representação em vídeo da mesma, ignorando a cartilha pela qual a emissora rezou nos últimos 17 anos. Truque antigo, velho, como ensinar para um cachorro matreiro a abanar o rabo. Cabe a nós, que admitimos, sim, que a velha MTV fez brotar nos nosso corações (eu sou brega mesmo, jão) o amor pelo rock e pela cultura pop, não comprar essa palhaçada e torcer para que o inevitável fim, que atingirá também a MTV americana, que vive os mesmos problemas da nossa, venha o mais rápido e indolorosamente possível. Se temos o You Tube e a internet toda para, pelas nossas mãos, saciar as mesmas necessidades de consumo e opinião que antes deixávamos preguiçosamente a cargo da nossa querida Eme Tê Vê, por que então temos de lamentar? Foi bom enquanto durou, mas que possamos então apertar o botão que proporcione o fim dessa injustificável agonia. A não ser, lógico, para os masoquistas que adoram ver programas com nomes de mega corporações de refrigerantes promovendo encontros entre o CPM-22 (argh!) e o Babado Novo (urgh!). Mas quem nasce com vocação pra lata de lixo...sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Top 5: Simpsons
5- Lionel HutzAdvogado golpista e alcoólatra, garantiu nas primeiras sete temporadas momentos sensacionais, como no episódio em que liga para o David Crosby para pedir conselhos para largar o vício de beber e que aparece sem calças no tribunal (esse momento é de bater a cabeça de tanto dar risada). Pena que, com a morte do comediante Phil Hartman em 1998, a produção tenha, em homenagem a Phil que dublava o personagem, retirado Hutz do desenho em definitivo (outro personagem dublado por Hartman, o também hilário Troy McClure, também foi retirado do desenho). Uma homenagem justa, mas que nos privou de um personagem hilário e que inteligentemente representava a imagem que temos dos advogados como um todo (calma, estudantes de Direito, tô só brincando, viu? Golpistas...)
3- Ned FlandersEsse corre o risco de logo virar verbete nas encicoplédias britânicas da vida. Sempre que nos defrontamos com algum vizinho mala, chato e certinho, acabamos livremente o associando com o nome Ned Flanders. Confessem, vocês nunca apontaram pra ninguém e disseram: "olha lá o Ned Flanders, com a sua vidinha perfeita"? Logicamente um personagem frontalmente e propositalmente oposto ao Homer Simpson, reunindo todas as qualidades que faltam no último, Ned é a realização do ditado "o quintal do vizinho é sempre mais bem cuidado que o nosso". Religioso fervoroso, altruísta, sempre pronto pra abrir mão do que é seu pelos outros, paciente até o extremo, incapaz de atos violentos ou egoístas, Ned é alvo de um ódio mortal por parte de Homer, que em diversos episódios demonstrou reações violentíssimas e desproporcionais com Ned. Pena que depois que a Fox assumiu de vez os fervores republicanos, as chagas de Homer contra Ned tenham diminuído exponencialmente. Mais possibilidades hilariantes para o show perdidas pelo conservadorismo ganancioso de seus produtores.
2- Barney GumbleEsse é até covardia falar. Ícone dos cachaceiros de todo o mundo, Barney Gumble é um patético e absolutamente hilário personagem. Um dos poucos personagens a aparecer desde o longínquo primeiro episódio do desenho, em 1989, sempre em avançado estado etílico (pelo menos até determinado ponto do desenho, que falarei depois), mas com o comportamento apalermado e dócil, longe da agressividade comum aos alcoólatras, Barney é sempre colocado em situações constrangedoras por conta de sua constante embriaguez. Nas últimas temporadas, o personagem se livrou do vício entrando na reabilitação, obviamente uma ordem, digamos, "lá de cima" da Fox. Deixa eu dizer uma coisa pro Murdoch e pros gênios que controlam o canal como se fosse um curral da administração do Bush: todos os estragos que os Simpsons poderiam provocar na imagem e no comportamento dos estadunidenses já foram feitos. Vamos parar com a babaquice e colocar o desenho de volta aos trilhos, ou acabar logo com tudo de uma vez e salvar a honra do show.
1- Krusty, o PalhaçoO Matt Groening deve ter severos traumas de infância relacionados com palhaços. Krusty, palhaço que é um astro da TV e ídolo-mor do Bart Simpson, é a destruição completa do ideal infantil. É tudo aquilo que não se espera quando falamos de palhaços que apresentam programas para crianças. Ou então, verdadeiramente, é um compêndio da realidade. Estelionatário, viciado em apostas, bebidas, cigarros, sexo, mulheres, com sérios transtornos de raiva, Krusty é depois do Homer o personagem mais hilário dos Simpsons. Sem brincadeira, todo episódio protagonizado por ele é de chorar de dar risada, e suas pontas nos episódios são sempre sensacionais. Não tem como errar, se o episódio tem alguns segundos ou é inteiramente protagonizado por ele, então é de se conferir. Um personagem que não se importa em fumar no ar apresentando um programa infantil cheio de crianças na platéia só pode ser hilário mesmo. Eu acho que o Krusty é uma amostra da velha noção que diz que os comediantes são pessoas amargas, tristes e solitárias, sempre propensos a cair em vícios e tentações. A velha questão humana, de ter que provocar risos e alegrias nas pessoas, mesmo em momentos que não temos qualquer tipo de clima para isso, o que provoca em cima desses homens um fardo pesadíssimo de se carregar. Muitos até acabam criando dificuldades imensas para diferenciar a vida pessoal de seus personagens e rotinas de humor, como um escape da mente, o que acontece no show, pode ver que sempre que o Krusty está no ar e comete algum desatino, como xingar alguém ou grunhir impropérios, imediatamente ele se vira pra câmera e faz alguma careta ou palhaçada. Krusty é um resumo brilhante feito por Groening dessas características, e é uma amostra mais uma vez do cuidado que ele teve para construir todos os personagens do show.
quinta-feira, 28 de junho de 2007
5 maiores humoristas brasileiros
5- Jô Soares
4-Chico Anysio
3-Costinha
2-Tião Macalé
1- Mussum terça-feira, 19 de junho de 2007
Fim do casal Íris e Alemão!
Sônia me expõs pormenorizadamente todos os fatores que, segundo ela, poderiam ter influenciado a triste decisão. Desmentiu, inclusive, o boato absurdo, publicado pelo Diário de S. Paulo, que nomeava a apresentadora Eliana como pivô do rompimento. Ela e Alemão se conheceram na festa do 7º Prêmio Contigo!. quinta-feira, 14 de junho de 2007
Hilary Duff: A Hipócrita Nêmesis de Lohan
Uma das disputas mais fantásticas ocorridas nessa primeira década do século deu-se entre as duas queridinhas da Disney na era pós-Britney Spears (sempre considerando a contextualização pós-moderna como parâmetro, logicamente), Hilary Duff e Lindsay Lohan. Uma disputa que fez o mundo perder o fôlego com os seus contornos dignos das mais incríveis histórias de um Garcia Marquez da vida. Duff foi revelada pelo seriado Lizzie McGuire, clássico do fabuloso canal Disney Channel, e depois fez carreira (espaço agora para os engraçadinhos soltarem alguma gracinha) em filmes adolescentes e discos, adivinhem só, para adolescentes.As duas cumpriram uma função estratégica vital dentro da companhia fundada pelo obsessivo-compulsivo Walt Disney: levar a marca para outras audiências além do nicho infantil. Agora, a embalagem vendida pelas princesas pop é o ponto de divergência entre as duas.
Hoje, as duas são modelos opostos, como se a Hilary fosse uma boneca Barbie vestida com adornos e tomara-que-caias rosas, e a Lindsay fosse uma daquelas bonecas sujas de roupa rasgada e que falam palavrão que se encontram pela Internet. Hipocrisia nojenta.Lembrem-se do episódio do namorado, quando a Hilary Duff (momento Leão Lobo do Progressista) roubou o na época namorado da Lindsay e ainda fez cara de inocente, fazendo aquele ar de "ela é promíscua mesmo, eu sim serei uma namorada de valor pra esse cara". Enquanto isso, Lindsay, quando perguntada sobre o ato cometido por Duff, não fez qualquer crítica a ela, pelo contrário, até elogiou a menina e sua determinação profissional (algo comum na Lindsay, que jamais ataca pessoas que falaram mal dela na imprensa, mas isso é assunto para depois). Aonde mora a dignidade no final das contas? Na verdade suja, porém justa, ou na hipocrisia que vende discos, lota salas de cinema mas acaba jogando para debaixo do tapete um pequeno fator chamado talento? Eu sei bem que fim te espera, Hilary Duff: acabará como a Britney Spears, que surgiu com a princesinha careta republicana e hoje virou esse monstro amorfo de fotos escandalosas, divórcios dispendisiosos e surtos de loucura dignos de uma Blanche Dubois. Máscaras, inertes invólucros da alma.quarta-feira, 13 de junho de 2007
Seinfeld e Lohan: o caminho da felicidade
Agora vamos unir essas duas reflexões, em função daquela a quem este mês é dedicado. Para tanto, faço uma pergunta de cuja resposta depende a saúde e, não sendo nem um pouco exagerado, o futuro da senhorita Lohan: pode Lindsay ser cínica?
Sim, eu apelo ao cinismo como tábua de salvação para a menininha. E só como medida emergencial. Minha vontade é de sentá-la diante da televisão para assistirmos juntos duas, três temporadas de Seinfeld de uma vez. Aí, eu pauso e explico pra ela, se for necessário: “Tá vendo, você tem de fazer assim, ser mais assim. Vamos, agora é o episódio do Bubble Boy.”
Gente de bem com a vida – realmente de bem com a vida (e, por favor, atentemos no significado dessa expressão, “de bem com a vida”, isto é, concordar com ela, agradar-se dela, achá-la uma beleza, sair por aí de mãos dadas cantando “We are the Champions” com ela) – não gosta de Seinfeld. É preciso ser minimamente neurótico para se gostar de Seinfeld. Ou melhor, é preciso assumir-se minimamente neurótico. Por sinal, acho que Seinfeld incomoda muita gente justamente por forçar um diagnóstico que eles preferiam continuar ignorando: sim, eu sou neurótico. Outros se irritam com a série porque, sem que eles se dêem conta, aquilo se parece demais com eles. O máximo que dizem, no entanto, é: que monte de bobagem esse programa! Mas há, como eu disse, quem não se encaixe nessas descrições, quem realmente ande de bem com a vida.
O Camarada Moderado, por exemplo. Pra ele a série não desce. É que ele é muito equilibrado, muito moderado. Acaba sendo entediante pra ele ver quatro solteirões novaiorquinos fazendo piada com a possibilidade de um mundo melhor. Mas – e agora eis todo o meu pessimismo, que na verdade considero realismo – um mundo melhor é uma idéia furada. Uma pessoa melhor pode ser. Duas também. Uma comunidade? Mais difícil, mas não impossível. Mas o mundo todo? Não, não acredito em salvação coletiva. Você, nosso leitor, você pode se salvar; na verdade, você já deve estar salvo, fazendo a sua parte, alimentando os pobres, prestando serviços voluntários, procurando ser honesto e correto, lendo este blog. E não porque acha que tem de, mas porque quer fazê-lo. Você é como eu: belo e justo. Mas o mundo todo? Não.Há quem diga que Lindsay é só uma menina superficial que fica enchendo a cara por causa da vida vazia que leva. Em parte, é verdade. A realidade é como um tijolo com que dão na cabeça dela, e ela só poderia fugir, e quem foge da vida cai no vazio. Um sonho ou fantasia só rendem frutos nobres e prestimosos quando a gente volta pra realidade – justamente onde tais frutos têm valor. Se você permanece no mundo encantado, eles apodrecem. Além de você ser internado, porque ficou maluco ou, como diria um especialista, psicótico.
Mas assim que Lindsay reconhece a realidade, corre à garrafa de cana. E bebe, e cheira, e quer morrer. Como sair disso? Repito: cinismo: “É melhor ter papai e mamãe só de olho na minha grana do que ser órfã. Ser órfão é uma coisa muito triste.” E é melhor ser blasé do que morrer aos 27 anos, idade fatídica entre as celebridades. E nem precisa ficar assim pra sempre. Depois, mais pra frente, quando ela for mais velha e estiver mais conformada e acomodada, como todos ficamos, o cinismo perde a função. Tal como Lola Johnson, personagem que ela interpretou em A Prairie Home Companion, que passa de uma adolescente depressiva a uma yuppie. Eis o caminho da felicidade.
terça-feira, 12 de junho de 2007
Seinfeld: faltam 3 dias
Seinfeld, a série americana mais bem sucedida de todos os tempos, terá lançada nessa sexta-feira no Brasil varonil a caixa da oitava temporada. Partindo desse fato, gostaria de falar um pouco sobre a série e sobre o efeito que ela provoca em seus admiradores e, por que não, em seus detratores também (como vocês podem ver, eu estou educadinho hoje). É muito fácil construir idéias pré-concebidas que sejam carregadas de negativismos acerca da série. Afinal, se muitas pessoas possuem verdadeira aversão por tudo aquilo que constitui o chamado American Way of Life, imagine quando falamos de uma série que justamente pervertia toda essa situação de costumes com um cinismo dilacerante. A própria natureza da série acabava dando margem para esse tipo de visão: se você tem um show que absorve uma ótica de vida na qual todas as sentimentalidades e emocionalismos baratos acabam sendo motivo de piada, é natural você provocar uma indisposição natural com aqueles que acreditam que o ser humano por si só já está impregnado com esse pessimismo e individualismo e que nada ajuda ver isso ainda jogado na sua face nua e cruamente por 4 solteirões neuróticos novaiorquinos.Por isso, é normal encontrar pessoas que digam não suportarem o Jerry Seinfeld, não concordando de maneira alguma com os "valores" pregados na série. Mesmo nos EUA, onde os novaiorquinos são vistos como arrogantes pelo resto da nação (isso num páis cujo lema é "sou americano e posso tudo que quiser"), Seinfeld sempre esteve intrinsecamente ligado com essa visão superior e européia passada pela metrópole da Maçã.
E mesmo fatores periféricos, como o surto de ataques racistas cometidos pelo esquisitíssimo ator Michael Richards, o Kramer do show, num clube de comédia, acabam jogando contra a imagem da série. Os detratores Seinfeldianos usaram o episódio para atacar a própria imagem da série, usando de manipulações baratas para evitar separar a persona pública de Michael Richards do seu personagem, e jogando todo o contexto do show dentro das desbaratinações do ator. Tudo isso é um preço que Seinfeld e Larry David, criadores da série, sabiam que iriam acabar pagando. Afinal, é muito mais fácil quando se tem um show como Friends, que mostrava seis amigos bem sucedidos, bonitos, cobiçados vivendo num mundo artificial cujo única problemática residia na complexa questão "quem vai ficar com quem?" nos episódios, mas sempre com mensagens edificantes e finais que ressaltavam que todos aqueles seres de plástico tinham um coração escondido naquela embalagem de promiscuidade e alienação.
Seinfeld sempre escolheu ir para o lado contrário. Tirar humor da verdadeira natureza humana, da nossa mediocridade, da nossa incapacidade para lidar com as questões do cotidiano, do nosso egoísmo disfarçado em sarcasmos e ironias. As armas mais poderosas do homem moderno para lidar com o massacre ao qual somos submetidos. O Fundamentalista fez uma bela analogia ao dizer que a Lindsay Lohan deveria ter sido estrela nos anos 80. Pois Seinfeld chegou e mostrou justamente o nosso espelho no mundo pós-muro de Berlim, aonde todos os erros serão apontados e todas as culpas serão punidas. O inimigo, isso até vir Osama Bin-Laden, era interno.
Com todo esse panorama, é fácil odiar Seinfeld. Mas os detratores sabem a condição primordial para se criticar: evitar ao máximo assistir a série. Pois uma vez que você se empenha nesse empreendimento, bastam dois ou três episódios para você jogar todas as pressuposições para o alto e bater a cabeça na parede de tanto dar risada, não há como resistir por muito tempo. Tanto que, mesmo que provocando aversão na América conservadora, a série foi o maior sucesso da história por lá. Todos no final se renderam ao humor inacreditável da série. Somente podem resistir assistindo o show e ainda criticando a série aqueles obstinados, que acabam apelando para o argumento final: a suposta intelectualização da série. Mas nunca você verá alguém criticar o show pela sua proposta final, fazer as pessoas rirem. Pois nisso, nunca ninguém na humanidade, nem mesmo os bobos da corte da Idade Média, se igualaram ao Seinfeld, Kramer, Elaine e George. Yada, yada, yada.
terça-feira, 29 de maio de 2007
Olha essas minissaias, meu!

O passo seguinte é você emprestando o seu cartão de crédito pro maluco pedir pela net todas as três temporadas de Ally Mcbeal lançadas em DVD no Brasil. E aí, você, passando o número do seu cartão, por telefone, pausadamente, pra que ele te entenda, começa a lembrar que não é a primeira vez que isso acontece. Que, um dia, você acompanhou esse mesmo sujeito até o caixa da Fnac pra ele desembolsar umas 100 pilas na primeira temporada de Frasier...


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