sexta-feira, 4 de maio de 2007

Çabiduria Pupulá: o bandeco

Bandeco, não consultamos dicionários, mas o aprendemos na ralação diária. Nós vimos o bandeco que outros fizeram, e fizemos o bandeco só nosso. Essa história do bandeco só na teoria, plano de carreira, com o bandeco se der, não é nada disso. O bandeco tem de ser vivido. A gente falou do bandeco com conhecimento de causa. Chega de bandeco só no papel. Aqui não! O nosso bandeco tá aí. Não escondemos de ninguém, e é dele que falamos.

Badameco é pederastia. Por isso, com licença, que desse assunto não manjo nada.

Grande caravana Homem-aranha 3 (Spider-man 3)

Gente, amanhã, 05 de maio, os camaradas estarão na Paulista, próximo à estação Consolação do metrô, para assistir ao terceiro filme do Homem-aranha de Sam Raimi. Eles comparecerão a várias sessões, a partir das 14hs até as 00hs. Você que morre de curiosidade para provar ao vivo todo o charme do Camarada Moderado apareça por lá. Estaremos de camisolão, no melhor estilo Talibã, ameaçando um protesto farsesco e totalmente inócuo, para tumultuar as sessões. Quem for participar, leve seu camisolão. A qualquer momento, já com Topher Grace provocando um revival de That's 70s Show e reduzindo Tobey Maguire a um Fez WASP, levantamos e gritamos palavras-de-ordem, encabeçadas, como não poderia deixar de ser, por "Fomos ao cinema rules!". Vai ser massa!

Nos vemos lá.

Cinema-estréias da semana

Homem- Aranha 3 : é o terceiro filme do Homem Aranha, sendo os dois primeiros Homem-Aranha 1 e Homem-Aranha 2.

Outros filmes: como todo mundo vai ver o Homem Aranha 3, que é o terceiro filme do Homem Aranha, não falarei sobre os outros filmes.

Curitiba - Parte 1

Depois de me ausentar por alguns dias(motivos de viagem, vide meu último post) resolvi voltar a escrever nesse que considero o blog coletivo mais interessante no qual eu já participei(não me pergunte quantas vezes eu participei de um blog coletivo). Mesmo que não temos ainda certa notoriedade ou qualquer glória ainda me diverto muito contribuindo para essa loucura freudiana; qual não se sabe se somos apenas uma problemática pessoa ou três loucos( não acredite em tudo que lê) que se encontraram pela rua, combinaram de escrever num mesmo lugar e todos, mesmo que internet discada, tiveram a possibilidade de postar graças a essa conectividade regular.

Explicações a parte, ontem nós tivemos uma reunião de pauta( parecemos até profissionais do teclado), rimos e em alguns momentos que não tinhamos o que conversar discutimos sobre este blog. Sobretudo o que deviamos falar. Eu decidi escrever um pouco sobre Curitiba. Então let's vamos.

Algum dia aleatoriamente, não sei se era o segundo ou o terceiro dia da viagem, estava como habitualmente faço; rondando a cidade a procura de alguma dose violenta de alguma coisa, lógico que já tinha bebido um pouco, então não seria surpresa acreditar no que aconteceu comigo sendo apenas uma visão, uma miragem.
Dois amigos e eu andávamos em direção ao movimento noturno da cidade, em direção contrária aporta uma garota da UFPR: seu estado preocupante, quase chorando, nos preocupou. Nós paramos e conversamos com ela, na verdade, eles conversaram. Eu, no momento, apenas ouvia. Falava que a organização do evento estava em risco, pois dois dos "cabeças" do centro acadêmico curitibano haviam brigado, continuou falando sobre eles, algo me assombrava: um dúvida. Tanto eu como meus colegas não sabia se eles, "os cabeças", eram amigos ou se tinham um vínculo mais profundo, um vínculo nas partes baixas. Então resolvi sanar a dúvida coletiva:

"Mas eles transam?"

Ela olhou pra mim e disse:

"Politicamente?"

Olhei pra ela, fingi que alguém me chamava e resolvi continuar a andar. Depois dessa só um pouco de álcool.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Diogo Mainardi e o Zorra Total

Existe no Orkut uma comunidade de quase 10.000 pessoas que acham Diogo Mainardi um ridículo, filhinho de papai, idiota, panaca, imbecil, escroque, canalha, etc. Muito bem. Só que eu realmente não entendi qual é a desse pessoal, dessas quase 10.000 pessoas que levam o Mainardi a sério: que compram, ou pegam emprestado, ou roubam a Veja, vão até a página da coluna dele, lêem o cara dizendo que "os petistas são uma raça gigante de formigas", daí se dirigem ao espelho e constatam: "Pô, eu sou petista e não sou nenhuma droga de formiga gigante! Esse cara é um difamador, um canalha!".

Numa entrevista a Trip, ele disse que sua esposa também não entendia uma reação tão negativa aos textos dele. Eu queria poder dar uma explicação pra ela. Apesar de não conhecê-la, acho que deve ser uma pessoa muito bacana (todas as pessoas pra mim são, a priori, muito bacanas). Por isso, vou tentar uma resposta, por causa dessa senhora.

Meu palpite é de caráter antropológico. Tem a ver com o fato de que no Brasil o único tipo de humor infalível é o de piada de sacanagem. Porque aí, não tem jeito, todo o mundo entende mesmo. O povo é malicioso, né? Mas, mesmo malicioso e ladino como é, ainda prefere programas como o Zorra Total, em que botam uma mina usando minissaia, pra não deixar dúvida de que um charuto não é só um charuto e de que uma banana não é só uma banana. O povo ainda é muito inseguro, parece precisar de ter absoluta certeza de que pode e deve rir.

Por isso, no Brasil, a gente só ri da piada emoldurada, que é aquela à qual se acrescenta, ao término, a simpática e tranqüilizadora advertência "só estou brincando, viu?". Simpatia, que é, enfim, o fim broxante de todo humor. Broxante... Hã-hã-hã... Entendeu, entendeu?

Entrevista: Camarada Progressista

Camarada Progressista participou de uma entrevista de emprego (de verdade) esses dias. A primeira da vida inteira dele. O moço tava nervoso pacas. Isso me lembra de quando ele veio aqui me pedir essa vaga no blog. Na hora, eu não dei nenhuma resposta. Mandei ele me ligar no dia seguinte. Então, eu marquei uma entrevista com ele. Foi mais ou menos assim:

Camarada Fundamentalista: Camarada Progressista (seja lá o que isso significa), o que você espera desta oportunidade?

Camarada Progressista: Eu espero muita coisa.

CF: Quais suas experiências anteriores? Digo, profissionais.

CP: Eu sou inexperiente. Mas tenho muita vontade de aprender com você e com o Moderado, a quem considero um pai.

CF: Desenha aqui nesse papel um bandeco. (E dei um papel e um lápis pra ele desenhar o bandeco.)

CP: Bandeco?

CF: É.

CP: Tá. (Aí, ele rabiscou um bandeco na folha. Depois, me devolveu a folha e o lápis.)

CF: Se resuma em uma palavra.

CP: Progressista.

CF: O que é que você quer dizer com isso?

O telefone toca.

Três camaradas solteirões e um bebê

Esquece aquela história de falar das mulheres. Depois, depois. É que me veio uma idéia à cabeça mais urgente. Os Camaradas têm se empenhado em fazer deste blog uma ponte para o sucesso e para a fama que tanto merecem seus gênios. Até este ponto, já deu pra fazer vocês se perguntarem "peraí, esses caras são muito bons, por que não estão escrevendo na Rolling Stone, na Trip, na Capricho, sei lá?". Estamos em ascensão, gente. Logo, logo chegamos lá, seremos da turma do "chegamos lá".

Mas, molecada, todo o mundo sabe que não basta ser assim, que nem a gente - inteligente, divertido, esperto, bacanudo -, pra se dar bem na mídia. Tem que estar na moda. Isso é sintonia, sincronismo, pró-atividade. Mas como estar mais moda do que a gente já está, tendo um blog e trazendo um novo olhar sobre bandas holandesas e lições de amor que realmente funcionam? Foi me perguntando isso, que tive essa idéia mó maluca. Se liga aí:
Nós, Camaradas, vamos adotar um pivete. Se for de um país qualquer da África, ajuda.
O melhor disso é o conceito publicitário que dá pra se tirar daí. Eis o aspecto central da idéia. Me acompanha. Os Camaradas têm um blog que fala, entre outras coisas, sobre cinema. Até o nome do blog remete a isso. Certo? Bom, a gente esquece o "entre outras coisas". Fica só com o cinema. E daí qual é a analogia que surge? Alguém sabe? Três caras, uma criança subnutrida? O que, o que? Três soltei... e um... um... Três sol-tei-rões e um be-bê! Isso! Aquele filme de que todo o mundo hoje em dia só se lembra por causa do suposto moleque-fantasma que aparece na janela, no fundo de uma das cenas.
O Camarada Moderado é obviamente o Ted Danson, garanhão incorrigível e artista, sempre aprontando muitas pro durão Tom Selleck ter de resolver, não sem dar umas boas broncas nele. Também, não é pra menos, né? Mas aí chega o Steve Guttenberg, que é o conciliador, e acalma as coisas com a sua ternura e sobriedade características. E tudo fica bem. O Tom Selleck é o Camarada Progressista, porque é mais alto. E eu, o Steve Guttenberg, de Loucademia de Polícia, porque é o que sobra. Ge-ni-al.

Camarada Fundamentalista: "- Segura essa, malucão!"

Camarada Progressista: "- Ai, mamãezinha!"

Camarada Moderado: "- Sussa, meu!"

terça-feira, 1 de maio de 2007

Camarada Fundamentalista e as mulheres

Ando devendo algo sobre as mulheres, uma palavra especial. Pois eu tenho uma opinião sobre elas. Em certo sentido, sei muito bem quem elas são. E por oposição a mim: elas são tudo o que eu não sou. É praticamente um método heurístico, e infalível.

Começarei logo a exercitar um pouco do meu populismo. Pois sei que escrever sobre coisas assim agradam a vocês. Tudo bem, me resigno a ser bobo das massas. Mais do que presidentes, blogueiros precisam apelar a isso de vez em quando, pra movimentarem seu blog. Se der tudo certo, meu próximo post já tratará das mulheres.

Já abri meu coração pra vocês, na série "Eu, Camarada Fundamentalista". Agora, lhes discipulo. Uma coisa de cada vez.

Dia do Trabalho

Aliás, o post abaixo, se quiserem, é a propósito do Dia do Trabalho. Como estou desempregado, pra mim tanto faz. É que, além disso, eu não sei por quê, mas sempre confundo o 1º de Maio com o 1º de Abril, o Dia da Mentira com o Dia do Trabalho, e vice-versa. Faz parte.

Nossa geração

Nós não estamos nas ruas, militando por liberdade política e por justiça social. Não vivemos sob um regime ditatorial. O Estado é uma bagunça, o presidente é um sujeito bem panaca, mas temos liberdade de dizer que o Estado é uma bagunça e o presidente, um sujeito bem panaca.

Nós estamos em casa, ouvindo música e assistindo a filmes. Saímos pra ir ao cinema, temos uma namorada bacana e procuramos um emprego que pague bem. É isso.

Outrora, havia ritos de passagem à vida adulta. Matar javalis, a floresta; até a militância política e os enfrentamentos com policiais tinham essa função, de mostrar o lugar da gente no mundo e na vida da gente. Hoje, não.

Hoje, temos videoclipes; há uns anos, na MTV, mas agora, no YouTube. Eu me lembro da boa MTV, com os saudosíssimos Gastão Moreira, apresentando o Hits MTV, e Fábio Massari, apresentando o Lado B. Chamá-los VJs é pouco, eram modelos de jornalistas musicais. O genial e o erudito. Mas acabou. Agora, restaram patetas e emos.

A garotada grega ouvia a Odisséia e queria uma vida cheia de aventuras iguais às de Odisseu. Bem mais tarde, veio uma geração que assistia a Casablanca e reconhecia em Rick um herói verossímil e com ele se identificava. E, então, os videoclipes, com bandas tocando em quartos de pensão, debaixo da chuva, ao longo da escada de incêncio, no meio da rua, e é isso que queremos que seja a nossa vida: fazer parte dessa banda e viver aventuras malucas e banais com gente comum que mora no quarto ao lado.