Homem-Aranha 3 estrear acabou sendo só uma desculpa pra gente descambar pro sociologismo barato, tipo conversa de espertinhos universitários com noções básicas de inglês. E tratando ainda de ser muito mais espertinho, antecipo essa e outras acusações, que, por sinal, vêm de todos os lados. Geeks, dândis, universitários geeks, universitários dândis, donas-de-casa, donas-de-casa mães de geeks, donas-de-casa mães de dândis, donas-de-casa mães de universitários... Vê-se, pois, que a nossa esperteza é infinita.
Os críticos, no entanto, reparem que eu usei a palavra “estética” nos meus comentários ao filme. Abaixo, transcrevo o trecho:
“... transposto para a tela uma estética genuinamente comics...”
Taí só uma, pois há várias, das provas de que passamos da maledicência calcada em tipos sociais, chegando ao filme como objeto artístico autônomo em que participam figuras passíveis de maledicência calcada em tipos sociais. He, he, he. Ai, desculpa, é mais forte do que eu, desculpa mesmo.
Deixa eu tentar de novo, agora sem esperteza.
No fim, falei do roteiro, do Homem-de-Areia ser uma personagem dispensável, dele não chegar a integrar a trama central. Pois é, o Homem-de-Areia. De areia, escapa pelos dedos mesmo, né? Então, não vai ter trama que segure ele. HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUHAUAHUHUHU!!!!!!
(Depois dessa, só volto daqui uns dias. Beijo pras mina e salve pros mano!)
domingo, 6 de maio de 2007
Tobey, o verdadeiro culpado
Para todos aqueles que forem assistir o Homem-Aranha 3, que é, nunca demais lembrar, a terceira aventura do Homem-Aranha e filme que foi precedido pelo Homem Aranha 1 (que originalmente se chamava apenas Homem-Aranha sem o numeral cardinal 1 na frente) e Homem Aranha 2 (que desde o lançamento se chamou Homem-Aranha 2, por ser a continuação do já existente Homem-Aranha 1, que na época não se chamav... o quê? A, tá, tabom, tabom), é fácil notar, como bem observado pelo mítico camarada fundamentalista (incrível o seu sucesso com as damas, que não paravam de importuná-lo na sessão do cinema) a total inadequação do personagem Homem de Areia na trama. Podiam cortar o cidadão arenoso do filme que ninguém ia dar a mínima.
Bom, isso é culpa de dois homens: Sam Raimi e Tobey Maguire. Os dois, já em entrevistas coletivas na época do Homem Aranha 2, defendiam esse personagem na futura continuação. Maguire principalmente, sempre demonstrava o seu apreço pela hístória do personagem nas HQs, a qual ele considerava ter um apelo dramático interessante para o universo dos vilões dos filmes do Aranha, sempre sujeitos de bom coração levados por circustâncias extremas para o lado da loucura fantástica. Já os produtores nem queriam cogitar fazer o filme sem o vilão Venom, mais popular para as novas gerações. Mas, por ser um vilão cujas características fugiam ao universo dos filmes, não era bem visto pelos dois, já que o Venom sempre foi apenas uma aranha malvada dentro de um fotógrafo arrogante e tosco, propositalmente um total contraponto ao Peter Parker. Não era vilão para apanhar e aprender uma liçãozinha babaca de moral no final, o que nunca agradou Raimi e o Maguire. Os produtores ganharam a disputa de forças, e os dois tiveram de engolir, mas somente aceitaram se não tirassem o Homem-Areia da história. O resto será conhecido por todos que forem ver a terceira aventura do aracnídeo nerd: Venom sabotado, relegado a alguns míseros minutos de tela, e o Homem de Areia aumentando a metragem do filme, o orçamento final e as críticas negativas que o filme vem recebendo com a sua trama que vai do nada ao lugar nenhum, andando como um fantasma pelo filme, nada ajudado pela horrenda interpretação do Thomas Hayden Church (imagino o Sam Raimi vendo o Sideways, e pensando: "nossa, como esse cara bebe vinho bem! Ele seria um grande Homem-Areia!)
Infelizmente, essa situação toda me leva a imaginar um cenário apocalíptico para o quarto filme. Eis como será (lembrem-se: Batman e Robin foi o quarto filme do homem morcego):
-O Tobey Maguire vai pedir 250 milhões de cachê, levará um belo de um chute na bunda dos produtores cansados com a sua mania de ser Marlon Brando e querer mandar em tudo, e para o lugar dele, trarão o homem, a lenda, o mito, Ben Affleck, baratinho, obediente e que aceitará de bom grado coisas como o Spider-Card, a Spider-Caverna e o Spider-móvel. Para dar um diferencial na composição do personagem, o Peter Parker ficará cego no filme, o que possibilitará ao Affleck toda uma gama de possibilidades interpretativas.
-Como a Kirsten Dunst já disse que não faria a continuação sem o Maguire ou o Sam Raimi, irá dançar bonito também. Para o seu lugar, colocarão a Jennifer Lopez, que trará um toque latino ao personagem, com cenas de danças com rumba, mambo e cha-cha-cha entre o Peter e a Mary Jane (afinal, para os produtores ianques, latinos só dançam esse tipo de música)
-Sam Raimi também vai rodar, e para o seu lugar, colocarão o Michael Bay, que usará o orçamento de 5 bilhões de dólares para enfiar cenas de explosões, batidas de carros e helicópteros caindo por todo o filme, além de abrir a possibilidade da participação no filme de um ator que fez vários filmes com ele. Sim, ele mesmo. Buscemi The Man.
Bom, isso é culpa de dois homens: Sam Raimi e Tobey Maguire. Os dois, já em entrevistas coletivas na época do Homem Aranha 2, defendiam esse personagem na futura continuação. Maguire principalmente, sempre demonstrava o seu apreço pela hístória do personagem nas HQs, a qual ele considerava ter um apelo dramático interessante para o universo dos vilões dos filmes do Aranha, sempre sujeitos de bom coração levados por circustâncias extremas para o lado da loucura fantástica. Já os produtores nem queriam cogitar fazer o filme sem o vilão Venom, mais popular para as novas gerações. Mas, por ser um vilão cujas características fugiam ao universo dos filmes, não era bem visto pelos dois, já que o Venom sempre foi apenas uma aranha malvada dentro de um fotógrafo arrogante e tosco, propositalmente um total contraponto ao Peter Parker. Não era vilão para apanhar e aprender uma liçãozinha babaca de moral no final, o que nunca agradou Raimi e o Maguire. Os produtores ganharam a disputa de forças, e os dois tiveram de engolir, mas somente aceitaram se não tirassem o Homem-Areia da história. O resto será conhecido por todos que forem ver a terceira aventura do aracnídeo nerd: Venom sabotado, relegado a alguns míseros minutos de tela, e o Homem de Areia aumentando a metragem do filme, o orçamento final e as críticas negativas que o filme vem recebendo com a sua trama que vai do nada ao lugar nenhum, andando como um fantasma pelo filme, nada ajudado pela horrenda interpretação do Thomas Hayden Church (imagino o Sam Raimi vendo o Sideways, e pensando: "nossa, como esse cara bebe vinho bem! Ele seria um grande Homem-Areia!)
Infelizmente, essa situação toda me leva a imaginar um cenário apocalíptico para o quarto filme. Eis como será (lembrem-se: Batman e Robin foi o quarto filme do homem morcego):
-O Tobey Maguire vai pedir 250 milhões de cachê, levará um belo de um chute na bunda dos produtores cansados com a sua mania de ser Marlon Brando e querer mandar em tudo, e para o lugar dele, trarão o homem, a lenda, o mito, Ben Affleck, baratinho, obediente e que aceitará de bom grado coisas como o Spider-Card, a Spider-Caverna e o Spider-móvel. Para dar um diferencial na composição do personagem, o Peter Parker ficará cego no filme, o que possibilitará ao Affleck toda uma gama de possibilidades interpretativas.
-Como a Kirsten Dunst já disse que não faria a continuação sem o Maguire ou o Sam Raimi, irá dançar bonito também. Para o seu lugar, colocarão a Jennifer Lopez, que trará um toque latino ao personagem, com cenas de danças com rumba, mambo e cha-cha-cha entre o Peter e a Mary Jane (afinal, para os produtores ianques, latinos só dançam esse tipo de música)
-Sam Raimi também vai rodar, e para o seu lugar, colocarão o Michael Bay, que usará o orçamento de 5 bilhões de dólares para enfiar cenas de explosões, batidas de carros e helicópteros caindo por todo o filme, além de abrir a possibilidade da participação no filme de um ator que fez vários filmes com ele. Sim, ele mesmo. Buscemi The Man.
Marcadores:
Camarada Progressista,
Cinema
Fomos ao cinema ver Homem-Aranha 3
Por onde eu começo? Ai, é tanta coisa pra falar. Tenho de me concentrar. Bom, a gente foi lá ver o Cabeça-de-teia. Sábado, sessão da meia-noite, sala 1 do Bristol, com fila e tudo. Nada que lotasse aquela sala gigante, mas, para o horário, um número respeitável de pessoas. É capaz que você estava lá e nem viu a gente. Pra ordenar tanta informação, tenho de ir por tópicos, que é uma das estruturas textuais mais burras que existe. Mas fazer o quê, se até o Sam Raimi se perdeu na aventura que criou pra esse terceiro filme? Mas, desculpa, que já estou antecipando as coisas.
Primeiro ponto (ou Geek rules!)
Homem-Aranha 3 é uma apoteose geek. Imagina a Sapucaí cheia de nerds, pulando, dançando, com aqueles sorrisos bobocas, afastando as plumas dos olhos e ajeitando os óculos depois de cambalhotas e piruetas. E um boneco gigante do Homem-Aranha no carro-chefe. É isso. Em primeiro lugar, o filme é uma das maiores celebrações geeks que a cultura de massas já promoveu. E Peter Parker é o Humphrey Bogart nerd.
Segundo ponto (ou O que os geeks pensam dos emos?)
O que os geeks pensam dos emos? Taí um negócio que eu nunca tinha me perguntado. Aliás, será que alguém por acaso já se perguntou isso? Bom, o Sam Raimi sim. Ele, que se assumiu totalmente, tipo, "é isso mesmo, eu sou nerd, e daí?", e nos deu um filme de fã para fã. Coisa que a sequência X-Men, apesar de razoável, nunca vai ser. Bryan Singer filmou os mutantes de Stan Lee a partir de um ponto de vista alheio, fazendo um filme principalmente pra quem não lê quadrinhos. Diferente de Sam Raimi, a quem não se pode negar o mérito de haver transposto para a tela uma estética genuinamente comics, mas sem deixar de fazer um filme. Nesse ponto, Robert Rodriguez e Frank Miller, por favor, vejam se aprendem alguma coisa. Estamos, portanto, em um terreno que tem dono, estamos entre geeks, e é eles que tomam a palavra, e os nossos olhos se tornam os deles. Fala, então, geek!
Peter Parker entra em contato com aquele simbiota alienígena que desperta o lado mais obscuro de seu caráter. Presta atenção: desperta algo que já estava lá. No começo do filme, antes de Venon e cia. aparecerem, Peter Parker já andava com o rei na barriga, até beijando a mulher do próximo, por mais que dissesse que aquilo não significava nada. Sei. Bom, tem uma hora que o nerd Peter Parker e o simbiota apertam as mãos e vão pra night. Pra mostrar que a personalidade do herói está alterada, entra o corte de cabelo emo. O geek vira emo, ou melhor, um emo como aos olhos do geek. E para os geeks, os emos são tudo o que de há mais obscuro neles, geeks. Mais, são a idéia que eles têm de si próprios se eles fossem garanhões. Olha essa! Para os geeks, uma versão galinha e conquistadora deles mesmos é um emo! Sam Raimi, cineasta geek, está dizendo: ó, se a gente fosse do mal, a gente seria emo! Pois é, já se vê que é um psicólogo de mão cheia esse Sam Raimi.
Terceiro ponto (ou Eu já vi isso antes)
Eu já vi isso antes, aliás, eu já vi isso antes o filme inteirinho. Mas fiquemos só no principal. Por subtópicos (é, isso mesmo!):
1. Eu já vi isso antes no Máscara. O Peter Parker do mal, ou Peter Parker emo, vai pra night, como eu disse. Chama a coitada da Gwen Stacy que, como todo o mundo no filme, tirando o Aranha, quase entrou na história, pra sair e fazer cena de ciúme pra cima da Mary Jane. O boteco 10 por 10 m aonde eles vão acaba virando um baita salão de dança pra dar espaço pra metamorfose do Peter Parker num Máscara recém-saído da puberdade. Não tem jeito, depois que os geeks viram o Jim Carrey, num terno amarelo, catar a Cameron Diaz dos velhos tempos, não tem como tirar da cabeça deles que o Máscara é o garanhão-mor.
2. Eu já vi isso antes em Anos Incríveis. Mary Jane-Winnie Cooper desconsolada, sobre o corpo de Harry Osborne-Paul Pfeiffer moribundo, Peter Parker-Kevin Arnold arrependido, e no fundo, o sol se pondo. A gente olha e acaba pensando: "Pois é, eles amadureceram, e da maneira mais difícil." Aí, começa a tocar "With a little help from my friends", e a gente canta junto "Do you neeeeeeed anybodyyyyyyyyy?", yeah, yeah...
Quarto ponto (ou Legal, mas e daí?)
Legal, mas e daí? Homem-de-Areia. Investiram pra caramba nele, o grosso da pirotecnia do filme está nele. É o Godzilla a ser vencido no final. E com um bom apelo dramático, originando belas metáforas visuais, tipo ele se desfazendo no vento e desaparecendo - dá mesmo a idéia de alguém que a sociedade já não reconhece como cidadão e, portanto, como indivíduo, e meu lugar não é mais aqui, etc. Bonito. Mas, bom, como no caso da Gwen Stacy, ele quase entrou na história. Se é que foi quase. Não. Foi pior. Ele nem entrou. Porque, se você bota na ponta do lápis, é o único que não contribuiu em nada para o desenvolvimento da história deste e dos filmes anteriores.
Por exemplo, precisavam do Harry Osborne, porque já tinham inventado de transformá-lo no sucessor do Duende. Tinham que levar o coitado pra algum lugar. Beleza. Só que o Homem-de-Areia não. Na verdade, o negócio de ele ser o cara que matou o tio do Peter tiveram que inventar aqui, nesse filme. A Gwen Stacy colocaram pra desestabilizar o relacionamento com a Mary Jane, o que é compreensível, tá dentro da trama principal da mudança e amadurecimento do caráter do herói. E o Eddie Brock Jr. também, que naturalmente assume o papel de antagonista depois que o Aranha se livra do traje emo. Quanto a Mary Jane, nem precisa falar, né? No entanto, queria só sublinhar que jamais uma mocinha apanhou tanto como ela, e de todo jeito, e até do herói. Se fosse depressiva, teria se jogado de algum prédio no Queens, que já é fora da jurisdição do herói, pra ser sem salvação.
Quinto e ufa! último ponto
140 minutos de filme. A família toda reunida. Tinha até o papagaio que precisava ser lembrado. Sam Raimi pensou:
"Bom, como enfiar todo o mundo dos quadrinhos que ainda não tinha ido pro cinema? Quer dizer, dos principais? (O Homem-de-Areia é dos principais? Ah, deixa pra lá...) Em 140 minutos? Vejamos. Já sei: apelemos pra aquele velho princípio do "acontece', e estamos conversados".
Como isso funciona? É simples. Peter e Mary Jane estão dando uns amassos na teia (?) e, de repente, cai um asteróide ou meteoro (geeks, me ajudem aqui) trazendo o simbiota emo alienígena. Bem na hora. Ah, acontece. O bandido, fugindo da polícia, pula uma cerca e despenca no meio de uma espécie de reator nuclear (?), com os cientistas prontos pra botar o negócio pra funcionar. Ah, acontece. O velhote que cuida do Harry, depois de ver o pai deste se transformar num Duende do mal (?), espera o próprio Harry assumir o lugar do pai como Duende do mal (?) e acabar com a cara desfigurada e cheio de amargura, pra, só no final do filme, na hora decisiva, contar pro Harry que o Homem-Aranha não era culpado da morte do Osborne pai, e isso pro Harry ir lá ajudar a salvar a Mary Jane. Ah, acontece.
E sabe o que é o genial disso tudo? Ainda teve tempo pra um monte de piadinhas (algumas muito inspiradas) e velho chato falando coisa que não tem nada a ver pro Peter Parker, no meio da rua.
Mas, minha gente, não me levem a mal, pois, apesar de tudo, achei um filme muito, muito divertiduxo, com cenas de ação fantásticas. Acima da média do cinema pipoca. E antes que vocês cuspam neste prato ou em qualquer outro que lhes ofereçam, por favor, eu peço, lembrem-se de Batman & Robin, lembrem-se de que houve algo como Batman & Robin, e agradeçam por este Homem-Aranha 3 ao talentoso Sam Raimi.
Primeiro ponto (ou Geek rules!)
Homem-Aranha 3 é uma apoteose geek. Imagina a Sapucaí cheia de nerds, pulando, dançando, com aqueles sorrisos bobocas, afastando as plumas dos olhos e ajeitando os óculos depois de cambalhotas e piruetas. E um boneco gigante do Homem-Aranha no carro-chefe. É isso. Em primeiro lugar, o filme é uma das maiores celebrações geeks que a cultura de massas já promoveu. E Peter Parker é o Humphrey Bogart nerd.
Segundo ponto (ou O que os geeks pensam dos emos?)
O que os geeks pensam dos emos? Taí um negócio que eu nunca tinha me perguntado. Aliás, será que alguém por acaso já se perguntou isso? Bom, o Sam Raimi sim. Ele, que se assumiu totalmente, tipo, "é isso mesmo, eu sou nerd, e daí?", e nos deu um filme de fã para fã. Coisa que a sequência X-Men, apesar de razoável, nunca vai ser. Bryan Singer filmou os mutantes de Stan Lee a partir de um ponto de vista alheio, fazendo um filme principalmente pra quem não lê quadrinhos. Diferente de Sam Raimi, a quem não se pode negar o mérito de haver transposto para a tela uma estética genuinamente comics, mas sem deixar de fazer um filme. Nesse ponto, Robert Rodriguez e Frank Miller, por favor, vejam se aprendem alguma coisa. Estamos, portanto, em um terreno que tem dono, estamos entre geeks, e é eles que tomam a palavra, e os nossos olhos se tornam os deles. Fala, então, geek!
Peter Parker entra em contato com aquele simbiota alienígena que desperta o lado mais obscuro de seu caráter. Presta atenção: desperta algo que já estava lá. No começo do filme, antes de Venon e cia. aparecerem, Peter Parker já andava com o rei na barriga, até beijando a mulher do próximo, por mais que dissesse que aquilo não significava nada. Sei. Bom, tem uma hora que o nerd Peter Parker e o simbiota apertam as mãos e vão pra night. Pra mostrar que a personalidade do herói está alterada, entra o corte de cabelo emo. O geek vira emo, ou melhor, um emo como aos olhos do geek. E para os geeks, os emos são tudo o que de há mais obscuro neles, geeks. Mais, são a idéia que eles têm de si próprios se eles fossem garanhões. Olha essa! Para os geeks, uma versão galinha e conquistadora deles mesmos é um emo! Sam Raimi, cineasta geek, está dizendo: ó, se a gente fosse do mal, a gente seria emo! Pois é, já se vê que é um psicólogo de mão cheia esse Sam Raimi.
Terceiro ponto (ou Eu já vi isso antes)
Eu já vi isso antes, aliás, eu já vi isso antes o filme inteirinho. Mas fiquemos só no principal. Por subtópicos (é, isso mesmo!):
1. Eu já vi isso antes no Máscara. O Peter Parker do mal, ou Peter Parker emo, vai pra night, como eu disse. Chama a coitada da Gwen Stacy que, como todo o mundo no filme, tirando o Aranha, quase entrou na história, pra sair e fazer cena de ciúme pra cima da Mary Jane. O boteco 10 por 10 m aonde eles vão acaba virando um baita salão de dança pra dar espaço pra metamorfose do Peter Parker num Máscara recém-saído da puberdade. Não tem jeito, depois que os geeks viram o Jim Carrey, num terno amarelo, catar a Cameron Diaz dos velhos tempos, não tem como tirar da cabeça deles que o Máscara é o garanhão-mor.
2. Eu já vi isso antes em Anos Incríveis. Mary Jane-Winnie Cooper desconsolada, sobre o corpo de Harry Osborne-Paul Pfeiffer moribundo, Peter Parker-Kevin Arnold arrependido, e no fundo, o sol se pondo. A gente olha e acaba pensando: "Pois é, eles amadureceram, e da maneira mais difícil." Aí, começa a tocar "With a little help from my friends", e a gente canta junto "Do you neeeeeeed anybodyyyyyyyyy?", yeah, yeah...
Quarto ponto (ou Legal, mas e daí?)
Legal, mas e daí? Homem-de-Areia. Investiram pra caramba nele, o grosso da pirotecnia do filme está nele. É o Godzilla a ser vencido no final. E com um bom apelo dramático, originando belas metáforas visuais, tipo ele se desfazendo no vento e desaparecendo - dá mesmo a idéia de alguém que a sociedade já não reconhece como cidadão e, portanto, como indivíduo, e meu lugar não é mais aqui, etc. Bonito. Mas, bom, como no caso da Gwen Stacy, ele quase entrou na história. Se é que foi quase. Não. Foi pior. Ele nem entrou. Porque, se você bota na ponta do lápis, é o único que não contribuiu em nada para o desenvolvimento da história deste e dos filmes anteriores.
Por exemplo, precisavam do Harry Osborne, porque já tinham inventado de transformá-lo no sucessor do Duende. Tinham que levar o coitado pra algum lugar. Beleza. Só que o Homem-de-Areia não. Na verdade, o negócio de ele ser o cara que matou o tio do Peter tiveram que inventar aqui, nesse filme. A Gwen Stacy colocaram pra desestabilizar o relacionamento com a Mary Jane, o que é compreensível, tá dentro da trama principal da mudança e amadurecimento do caráter do herói. E o Eddie Brock Jr. também, que naturalmente assume o papel de antagonista depois que o Aranha se livra do traje emo. Quanto a Mary Jane, nem precisa falar, né? No entanto, queria só sublinhar que jamais uma mocinha apanhou tanto como ela, e de todo jeito, e até do herói. Se fosse depressiva, teria se jogado de algum prédio no Queens, que já é fora da jurisdição do herói, pra ser sem salvação.
Quinto e ufa! último ponto
140 minutos de filme. A família toda reunida. Tinha até o papagaio que precisava ser lembrado. Sam Raimi pensou:
"Bom, como enfiar todo o mundo dos quadrinhos que ainda não tinha ido pro cinema? Quer dizer, dos principais? (O Homem-de-Areia é dos principais? Ah, deixa pra lá...) Em 140 minutos? Vejamos. Já sei: apelemos pra aquele velho princípio do "acontece', e estamos conversados".
Como isso funciona? É simples. Peter e Mary Jane estão dando uns amassos na teia (?) e, de repente, cai um asteróide ou meteoro (geeks, me ajudem aqui) trazendo o simbiota emo alienígena. Bem na hora. Ah, acontece. O bandido, fugindo da polícia, pula uma cerca e despenca no meio de uma espécie de reator nuclear (?), com os cientistas prontos pra botar o negócio pra funcionar. Ah, acontece. O velhote que cuida do Harry, depois de ver o pai deste se transformar num Duende do mal (?), espera o próprio Harry assumir o lugar do pai como Duende do mal (?) e acabar com a cara desfigurada e cheio de amargura, pra, só no final do filme, na hora decisiva, contar pro Harry que o Homem-Aranha não era culpado da morte do Osborne pai, e isso pro Harry ir lá ajudar a salvar a Mary Jane. Ah, acontece.
E sabe o que é o genial disso tudo? Ainda teve tempo pra um monte de piadinhas (algumas muito inspiradas) e velho chato falando coisa que não tem nada a ver pro Peter Parker, no meio da rua.
Mas, minha gente, não me levem a mal, pois, apesar de tudo, achei um filme muito, muito divertiduxo, com cenas de ação fantásticas. Acima da média do cinema pipoca. E antes que vocês cuspam neste prato ou em qualquer outro que lhes ofereçam, por favor, eu peço, lembrem-se de Batman & Robin, lembrem-se de que houve algo como Batman & Robin, e agradeçam por este Homem-Aranha 3 ao talentoso Sam Raimi.
sábado, 5 de maio de 2007
Curitiba - Parte 2
Depois de alguma tempo, ainda sofro os sotaques da terrinha curitibana e não só isso; as pessoas me perguntam se sou curitibano, se vi Danton Trevisan( vi ele passando pela rua, um amigo jogou xadrez com ele uma vez), se fui na Opera de Arame. Deixando essa coisas turísticas de lado, eu sempre deixo de lado, me interesso pela cidade pelo aspecto humano; uma cidade é nada mais que isso: um amontoado de almas; que tentam levar suas vidas e conviver umas com as outras harmônicamente, mesmo com as filas e os ônibus lotados nas horas de pico. Tive uma idéia dos curitibanos, mas convivi intensamente com os universitários de comunicação da UFPR, na verdade, sobretudo os jornalistas. Garotos deveras interessantes, ainda que um único problema: excessiva politicagem, mostro agora mais um caso um tanto hilários dessa situação.
Era de manhã e um garoto entra no alojamento, começa a gritar e fazer barulho. Trancrevo agora o que vociferava:
"Acordem camaradas, o capitalismo está lá fora, acordem! Nós temos que enfrentar a burguesia, ela continua lá . Acordem!"
Meio que me levanto, olho pro garoto, longe de ser um proletário ou um punk, pois trajava um tênis bem caro e roupas de grife. Olho para ele e digo num tom quase gritando:
"a burgesia somos nozes!"
Era de manhã e um garoto entra no alojamento, começa a gritar e fazer barulho. Trancrevo agora o que vociferava:
"Acordem camaradas, o capitalismo está lá fora, acordem! Nós temos que enfrentar a burguesia, ela continua lá . Acordem!"
Meio que me levanto, olho pro garoto, longe de ser um proletário ou um punk, pois trajava um tênis bem caro e roupas de grife. Olho para ele e digo num tom quase gritando:
"a burgesia somos nozes!"
Confissões
André Gide dizia que a má literatura era feita dos bons sentimentos. Pois é, eis aí minha sentença. Literatura não é pra mim. Eu até fui meio teimoso, falei "que é que esse francesinho sabe de literatura, que é que ele sabe de mim? fale por ele! eu vou fazer literatura, e da boa, com o meu amor à Família, à Pátria e aos Bons Costumes!". Mas depois eu vi que não dava mesmo. Então, passei à maledicência, ou melhor, a tentá-la. Mas não consegui, descobri-me seco de veneno.
Na verdade, gente, eu sou muito certinho e muito bonzinho pra falar mal de alguém, assim, de verdade. Eu gosto das pessoas e dos bons sentimentos pelas pessoas, não tem jeito. Sou um sujeito bonachão, que enche o saco da criançada, perguntando se o molequinho já tem uma namoradinha, aí ele diz "credo!" com aquela voz fininha e saí correndo, e eu fico rindo dos miúdos, deles serem tão gaiatos! Eu gosto da felicidade, isso é que é o pior. Gosto mesmo. Até me comovo quando eu vejo todo o mundo feliz, alegre, contente, cantando e dançando. Aí, vem uma lágrima, e alguém pergunta se está tudo bem comigo. "Não podia estar melhor, amigo!" - eu respondo e abraço a pessoa. Sou um grande e incorrigível sentimental, no fim das contas.
Mas isso tudo é uma droga. Porque, pra escrever bem, você tem de fazer o tipo blasé. Ou isso, ou escrever auto-ajuda, com aquela entonação de padre Marcelo Rossi. E como alguém vai se manter blasé se não passa de um adolescente boboca, que ouve músicas de e sobre losers que vencem na vida e fica achando que, afinal, o mundo não é tão ruim assim? Ah, gente, às vezes eu paro e penso pra onde é que eu estou indo. Aqui não é o meu lugar; eu devia estar viajando pelo mundo, vendendo produtos de emagrecimento, com um sotaque bem exótico e uma roupa espalhafatosa. C'est la vie.
Na verdade, gente, eu sou muito certinho e muito bonzinho pra falar mal de alguém, assim, de verdade. Eu gosto das pessoas e dos bons sentimentos pelas pessoas, não tem jeito. Sou um sujeito bonachão, que enche o saco da criançada, perguntando se o molequinho já tem uma namoradinha, aí ele diz "credo!" com aquela voz fininha e saí correndo, e eu fico rindo dos miúdos, deles serem tão gaiatos! Eu gosto da felicidade, isso é que é o pior. Gosto mesmo. Até me comovo quando eu vejo todo o mundo feliz, alegre, contente, cantando e dançando. Aí, vem uma lágrima, e alguém pergunta se está tudo bem comigo. "Não podia estar melhor, amigo!" - eu respondo e abraço a pessoa. Sou um grande e incorrigível sentimental, no fim das contas.
Mas isso tudo é uma droga. Porque, pra escrever bem, você tem de fazer o tipo blasé. Ou isso, ou escrever auto-ajuda, com aquela entonação de padre Marcelo Rossi. E como alguém vai se manter blasé se não passa de um adolescente boboca, que ouve músicas de e sobre losers que vencem na vida e fica achando que, afinal, o mundo não é tão ruim assim? Ah, gente, às vezes eu paro e penso pra onde é que eu estou indo. Aqui não é o meu lugar; eu devia estar viajando pelo mundo, vendendo produtos de emagrecimento, com um sotaque bem exótico e uma roupa espalhafatosa. C'est la vie.
Live by the rat race, be with the rat ones
Num post recente (na verdade, poucas linhas abaixo) o mano fundamentalista expressou o seu desalento com as reações histéricas e histriônicas contra o colunista da Veja e participante do programa Manhattan Connection no canal GNT Diogo Mainardi. Oponente ferrenho do governo Lulla e dos petistas em geral, Mainardi foi eleito pelos militantes petistas e pelos neo-comunistas-latino-americanos-paga-paus-do-Hugo-Chavez como símbolo da burguesia difamatória capitalista, seja lá o que isso signifique. Resumindo, virou, mais até que os tucanos, o conspirador-mor dos Girondinos tupiniquins. Bom, enquanto toda essa revolta se resumia em processos de pessoas "atingidas" por ele e em comunidades toscas de Orkut, parecia normal. Reações esperadas perante a obstinação mostrada por ele em desmascarar os desmandos petistas. Mas, a coisa fugiu do controle.
Na edição que saiu hoje da Veja, uma reportagem mostra a capa de uma edição do Jornal Hora do Povo, pertencente ao grupo MR-8, ex-terroristas na época da ditadura militar. Numa chamada na capa, o Jornal clama os seus militantes a fazerem algo contra Mainardi. Convocam uma verdadeira Fatwa contra ele. O Jornal é hilário, é fácil acha-lo em qualquer banca na Avenida Paulista, e mais fácil ainda é rachar o bico com manchetes xingando todos aqueles que se oponham ao governo Lula, sempre com o uso de termos chulos e expressões de boteco para deixar tudo mais engraçado ainda. Não custa lembrar, o Jornal recebe verbas do Governo Federal, tendo feito até em edições recentes editoriais chorando uma graninha para o nosso chefe-supremo-cachaceiro Lula. Patético. Realmente, a situação chegou no limite do ridículo. Diogo Mainardi é o nosso Salmon Rushdie agora? Terá de viver escondido temendo sempre que algum petista maluco tire a sua vida subitamente? Acho que não, ele não deve temer muita coisa. Afinal, petistas hoje são que nem torcedores da Portuguesa de Desportos, bacalhais e enterros de anões: dizem que eles existem, mas ninguém vê um faz muito tempo.
Na edição que saiu hoje da Veja, uma reportagem mostra a capa de uma edição do Jornal Hora do Povo, pertencente ao grupo MR-8, ex-terroristas na época da ditadura militar. Numa chamada na capa, o Jornal clama os seus militantes a fazerem algo contra Mainardi. Convocam uma verdadeira Fatwa contra ele. O Jornal é hilário, é fácil acha-lo em qualquer banca na Avenida Paulista, e mais fácil ainda é rachar o bico com manchetes xingando todos aqueles que se oponham ao governo Lula, sempre com o uso de termos chulos e expressões de boteco para deixar tudo mais engraçado ainda. Não custa lembrar, o Jornal recebe verbas do Governo Federal, tendo feito até em edições recentes editoriais chorando uma graninha para o nosso chefe-supremo-cachaceiro Lula. Patético. Realmente, a situação chegou no limite do ridículo. Diogo Mainardi é o nosso Salmon Rushdie agora? Terá de viver escondido temendo sempre que algum petista maluco tire a sua vida subitamente? Acho que não, ele não deve temer muita coisa. Afinal, petistas hoje são que nem torcedores da Portuguesa de Desportos, bacalhais e enterros de anões: dizem que eles existem, mas ninguém vê um faz muito tempo.
Marcadores:
Brasil,
Camarada Progressista
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Çabiduria Pupulá: o bandeco
Bandeco, não consultamos dicionários, mas o aprendemos na ralação diária. Nós vimos o bandeco que outros fizeram, e fizemos o bandeco só nosso. Essa história do bandeco só na teoria, plano de carreira, com o bandeco se der, não é nada disso. O bandeco tem de ser vivido. A gente falou do bandeco com conhecimento de causa. Chega de bandeco só no papel. Aqui não! O nosso bandeco tá aí. Não escondemos de ninguém, e é dele que falamos.
Badameco é pederastia. Por isso, com licença, que desse assunto não manjo nada.
Badameco é pederastia. Por isso, com licença, que desse assunto não manjo nada.
Marcadores:
Camarada Fundamentalista,
Conchavos
Grande caravana Homem-aranha 3 (Spider-man 3)
Gente, amanhã, 05 de maio, os camaradas estarão na Paulista, próximo à estação Consolação do metrô, para assistir ao terceiro filme do Homem-aranha de Sam Raimi. Eles comparecerão a várias sessões, a partir das 14hs até as 00hs. Você que morre de curiosidade para provar ao vivo todo o charme do Camarada Moderado apareça por lá. Estaremos de camisolão, no melhor estilo Talibã, ameaçando um protesto farsesco e totalmente inócuo, para tumultuar as sessões. Quem for participar, leve seu camisolão. A qualquer momento, já com Topher Grace provocando um revival de That's 70s Show e reduzindo Tobey Maguire a um Fez WASP, levantamos e gritamos palavras-de-ordem, encabeçadas, como não poderia deixar de ser, por "Fomos ao cinema rules!". Vai ser massa!
Nos vemos lá.
Nos vemos lá.
Cinema-estréias da semana
Homem- Aranha 3 : é o terceiro filme do Homem Aranha, sendo os dois primeiros Homem-Aranha 1 e Homem-Aranha 2.
Outros filmes: como todo mundo vai ver o Homem Aranha 3, que é o terceiro filme do Homem Aranha, não falarei sobre os outros filmes.
Outros filmes: como todo mundo vai ver o Homem Aranha 3, que é o terceiro filme do Homem Aranha, não falarei sobre os outros filmes.
Marcadores:
Camarada Progressista,
Cinema
Curitiba - Parte 1
Depois de me ausentar por alguns dias(motivos de viagem, vide meu último post) resolvi voltar a escrever nesse que considero o blog coletivo mais interessante no qual eu já participei(não me pergunte quantas vezes eu participei de um blog coletivo). Mesmo que não temos ainda certa notoriedade ou qualquer glória ainda me diverto muito contribuindo para essa loucura freudiana; qual não se sabe se somos apenas uma problemática pessoa ou três loucos( não acredite em tudo que lê) que se encontraram pela rua, combinaram de escrever num mesmo lugar e todos, mesmo que internet discada, tiveram a possibilidade de postar graças a essa conectividade regular.
Explicações a parte, ontem nós tivemos uma reunião de pauta( parecemos até profissionais do teclado), rimos e em alguns momentos que não tinhamos o que conversar discutimos sobre este blog. Sobretudo o que deviamos falar. Eu decidi escrever um pouco sobre Curitiba. Então let's vamos.
Algum dia aleatoriamente, não sei se era o segundo ou o terceiro dia da viagem, estava como habitualmente faço; rondando a cidade a procura de alguma dose violenta de alguma coisa, lógico que já tinha bebido um pouco, então não seria surpresa acreditar no que aconteceu comigo sendo apenas uma visão, uma miragem.
Dois amigos e eu andávamos em direção ao movimento noturno da cidade, em direção contrária aporta uma garota da UFPR: seu estado preocupante, quase chorando, nos preocupou. Nós paramos e conversamos com ela, na verdade, eles conversaram. Eu, no momento, apenas ouvia. Falava que a organização do evento estava em risco, pois dois dos "cabeças" do centro acadêmico curitibano haviam brigado, continuou falando sobre eles, algo me assombrava: um dúvida. Tanto eu como meus colegas não sabia se eles, "os cabeças", eram amigos ou se tinham um vínculo mais profundo, um vínculo nas partes baixas. Então resolvi sanar a dúvida coletiva:
"Mas eles transam?"
Ela olhou pra mim e disse:
"Politicamente?"
Olhei pra ela, fingi que alguém me chamava e resolvi continuar a andar. Depois dessa só um pouco de álcool.
Explicações a parte, ontem nós tivemos uma reunião de pauta( parecemos até profissionais do teclado), rimos e em alguns momentos que não tinhamos o que conversar discutimos sobre este blog. Sobretudo o que deviamos falar. Eu decidi escrever um pouco sobre Curitiba. Então let's vamos.
Algum dia aleatoriamente, não sei se era o segundo ou o terceiro dia da viagem, estava como habitualmente faço; rondando a cidade a procura de alguma dose violenta de alguma coisa, lógico que já tinha bebido um pouco, então não seria surpresa acreditar no que aconteceu comigo sendo apenas uma visão, uma miragem.
Dois amigos e eu andávamos em direção ao movimento noturno da cidade, em direção contrária aporta uma garota da UFPR: seu estado preocupante, quase chorando, nos preocupou. Nós paramos e conversamos com ela, na verdade, eles conversaram. Eu, no momento, apenas ouvia. Falava que a organização do evento estava em risco, pois dois dos "cabeças" do centro acadêmico curitibano haviam brigado, continuou falando sobre eles, algo me assombrava: um dúvida. Tanto eu como meus colegas não sabia se eles, "os cabeças", eram amigos ou se tinham um vínculo mais profundo, um vínculo nas partes baixas. Então resolvi sanar a dúvida coletiva:
"Mas eles transam?"
Ela olhou pra mim e disse:
"Politicamente?"
Olhei pra ela, fingi que alguém me chamava e resolvi continuar a andar. Depois dessa só um pouco de álcool.
Assinar:
Postagens (Atom)
