terça-feira, 8 de maio de 2007

Nova Seção: Máximas POP

Você acha um saco ler. Fala miguxês e tudo, só pra evitar o esforço, e não porque axa ingraxadiiiniu. Mas, ainda assim, quer saber o que tá bombando no cinema e na música? Então pronto, chegou a sua vez.

Aqui, nas Máximas POP do Fomos ao cinema, você vai ter, não só sinopses, mas avaliações críticas e estéticas de filmes e artistas inteiras em uma ou duas frases. Como?

Você sabe o que é uma máxima? Não? Então, deixa eu te falar. É tipo um provérbio, um ditado. Uma frase curta que diz tudo, pra resumir. Por exemplo, uma máxima sobre blogar:

Quem bloga fala pra ninguém e pra todo mundo.

Sacou? Pois é. Em vez de você ler a lista telefônica que acabou virando a crítica sobre o Homem-Aranha 3, basta vir aqui e ler as máximas críticas sobre o Homem-Aranha, que, aliás, inauguram a nova seção.

Qual a vantagem da máxima, além de ser curta? Justamente por ser curta, é de fácil memorização. Daí, quando seus amigos vierem perguntar de um filme que você ainda nem viu, dá pra botar banca falando uma das máximas que você leu aqui.

E te garanto que você não vai fazer feio, porque, além de tudo, a maioria das máximas também contém um ensinamento moral, tipo “moral da história”, que dão aquele tom de “pô, esse cara sacou direitinho a história”. E as menininhas ainda vão ficar pensando que pessoa madura você é, tendo tirado lições de vida de um filme que nem Homem-Aranha ou Xuxa e os Duendes.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Curitiba - Parte 3

Agora, depois de algumas semanas sinto um saudade dessa cidade. É depois desses dias as lembranças retornam num misto de saudosismo e com um poder de análise maior. Curitiba, é antes de tudo, a cidade das pontecialidades: tem pontecial para crescer, para se tornar uma cidade festeira, uma megalópole cultural. Ainda gostando dela não consigo levar essas cidade tão a sério. Um lugar onde as pessoas respeitam fila absurdamente, não tem lixo no chão e não se ouve tiros; como pode levar uma cidade, e chama-la de metrópole, onde passei quatro dias e nem vi um mísero punguista, nessas horas que senti saudades de São Paulo, áhhh linda metrópole, quanto você tem a ensinar a esse vilarejo chamado Curitba? Muito, sem dúvida. Tirando essas carências( ladrões onde vcs estão?) a cidade é aconchegante. E finalizando essa série que perdurou demais, um acontecimento que ocorreu com uma colega da UFSC e um comuna. Ok comecemos...

A garota estava lá, onde deveria estar. Se divertia com os amigos e os colegas recém adquiridos da USP, mas só ao chegar o comuna. Como todos da sua espécie ele se aproxima dialeticamente ( não me pergunte como é isso), ela expansivamente tenta explicar o que acontecia. Eu resolvi olhar os dois conversando. Ela começa a conversa:


"Eles estavam me chamando para fazer uma coreografia."
"Um ato?"
"Não, uma farra."
"Uma manifestação?"

Olhei para ela e falei:

"boa sorte."

e saí.

TOP 5- POP/ROCK BRASIL!!!!!

Ó, o seguinte, tava devendo a parte Zé Carioca dos cinco trechos mais bizarros de música. Bom, chegou a hora. Não tem volta. Lembrando que coisas como Tihuana, Detonautas e Jota Quest não estarão na lista, afinal são bandas que existem para alimentar o nosso lado sádico e merecem o nosso distanciamento. Ai vai, depois não diz que eu não avisei:

5- "Depois" - Pato Fu
Quando penso em nós dois, deixo tudo pra depois - quando penso em nós três, fica pra outra vez
Epa? Que história é essa? Eu entendi direito o refrão, ou essa música sugere mesmo... é... bom... aquela expressão francesa... que começa com m... vocês entenderam. Que coisa feia, Pato Fu! Que coisa feia, Fernanda Takai! Ainda bem que hoje vocês só se limitam a copiar o Super Furry Animals. Se continuassem nessa linha, logo estariam lançando discos nos Sex Shops da vida

4-"Pintura Íntima" - Kid Abelha
Fazer amor de madrugada - amor com jeito de virada
Essa é clássica. Escrita pelo Leoni, na época compositor da banda, esse refrão assombra até hoje todos os que tentaram decifra-lo. Até o próprio Leoni, que em toda entrevista que dá, acaba tendo de tentar explicar o que quis dizer. Diz sempre que precisava escrever um refrão para o dia seguinte, e que mandou a primeira coisa que veio na cabeça, e saiu isso aí. Belo trabalho, Leoni, toda vez que eu ouço alguém cantar esse droga num Videokê da vida, massacrando meus ouvidos, eu lembro de agradecer a você.

3-"Balada de John e Yoko" - Titãs
Cristo não é biscoito - as coisas andam ruins - se é mal aos dezoito - me crucificam no fim
Sim, acreditem, eles tiveram a pachorra de fazer uma versão para Ballad of John and Yoko, dos Beatles. Como não poderia deixar de ser, o resultado foi um verdadeiro atentado que fez o Lennon dar belas cambalhotas na sua tumba. A letra toda é hilária, mas esse trecho é o melhor. É, Cristo, que mal fizemos para ter que aturar essa banda tosca por 25 anos seguidos? Não é biscoito, não é mesmo.

2-"Champagne e Água Benta"- Charlie Brown Jr.
Você é bonito- e eu sou feio - sua mãe te ama - e eu te odeio
E finalmente, o Chorão começa a amadurecer. Essa letra é a prova, agora que ele saiu da infância e é um adolescente de 37 anos, fica mais fácil escrever letras tão cerebrais como essa. É exemplar a aridez e a sagacidade que emana da letra. Notem que ele deixa bem claro tudo desde o início: o cara é bonito, ele é feio, a mãe dele ama ele, mas o Chorão odeia. Tudo preto no branco. Nem Lou Reed faria melhor

1-"Psicopata" - Capital Inicial
Sempre assisto à rede Globo - Com uma arma na mão - Se aparece o Francisco Cuoco - Adeus televisão
Imagino o quanto eles devam ter gastado de dinheiro com televisões. Afinal, nos anos oitenta (a "letra" é de 1985) o Francisco Cuoco era onipresente nas novelas e programas da Globo. Se eles fossem dar um tiro cada vez que o mesmo aparecesse na TV, gastariam um número incalculável de balas. De resto, a música deveria ser um retrato do tédio que eles viviam e um ode ao espírito livre e contestador que aquela geração de filhos de diplomatas de Brasília achava ter. Entendo, devia ser chato mesmo ficar andando por aí, andando de skate, acampando em fazendas e indo a festas animadas em mansões a noite. Tanto sofrimento só poderia resultar em arte mesmo.

TETÉIA DA SEMANA

Paula Picarelli

Apresentadora do programa Entrelinhas da TV Cultura e atriz de origem, merece destaque por ser talvez a melhor leitora de teleprompters nesse mundo. O programa trata do mundo literário e tenta, segundo descrição no próprio site, "desmistificar a velha concepção de literatura como algo difícil, complicado ou distante da vida cotidiana". Bom, não poderiam ter escolhido melhor garota-propaganda para tentar levar cultura aos incautos, não é, mano fundamentalista?

domingo, 6 de maio de 2007

Nota autocrítica a "Fomos ao cinema ver Homem-Aranha 3"

Homem-Aranha 3 estrear acabou sendo só uma desculpa pra gente descambar pro sociologismo barato, tipo conversa de espertinhos universitários com noções básicas de inglês. E tratando ainda de ser muito mais espertinho, antecipo essa e outras acusações, que, por sinal, vêm de todos os lados. Geeks, dândis, universitários geeks, universitários dândis, donas-de-casa, donas-de-casa mães de geeks, donas-de-casa mães de dândis, donas-de-casa mães de universitários... Vê-se, pois, que a nossa esperteza é infinita.

Os críticos, no entanto, reparem que eu usei a palavra “estética” nos meus comentários ao filme. Abaixo, transcrevo o trecho:

“... transposto para a tela uma estética genuinamente comics...”

Taí só uma, pois há várias, das provas de que passamos da maledicência calcada em tipos sociais, chegando ao filme como objeto artístico autônomo em que participam figuras passíveis de maledicência calcada em tipos sociais. He, he, he. Ai, desculpa, é mais forte do que eu, desculpa mesmo.

Deixa eu tentar de novo, agora sem esperteza.

No fim, falei do roteiro, do Homem-de-Areia ser uma personagem dispensável, dele não chegar a integrar a trama central. Pois é, o Homem-de-Areia. De areia, escapa pelos dedos mesmo, né? Então, não vai ter trama que segure ele. HUAHUAHUAHUAHUAHUAHUAHUHAUAHUHUHU!!!!!!

(Depois dessa, só volto daqui uns dias. Beijo pras mina e salve pros mano!)

Tobey, o verdadeiro culpado

Para todos aqueles que forem assistir o Homem-Aranha 3, que é, nunca demais lembrar, a terceira aventura do Homem-Aranha e filme que foi precedido pelo Homem Aranha 1 (que originalmente se chamava apenas Homem-Aranha sem o numeral cardinal 1 na frente) e Homem Aranha 2 (que desde o lançamento se chamou Homem-Aranha 2, por ser a continuação do já existente Homem-Aranha 1, que na época não se chamav... o quê? A, tá, tabom, tabom), é fácil notar, como bem observado pelo mítico camarada fundamentalista (incrível o seu sucesso com as damas, que não paravam de importuná-lo na sessão do cinema) a total inadequação do personagem Homem de Areia na trama. Podiam cortar o cidadão arenoso do filme que ninguém ia dar a mínima.

Bom, isso é culpa de dois homens: Sam Raimi e Tobey Maguire. Os dois, já em entrevistas coletivas na época do Homem Aranha 2, defendiam esse personagem na futura continuação. Maguire principalmente, sempre demonstrava o seu apreço pela hístória do personagem nas HQs, a qual ele considerava ter um apelo dramático interessante para o universo dos vilões dos filmes do Aranha, sempre sujeitos de bom coração levados por circustâncias extremas para o lado da loucura fantástica. Já os produtores nem queriam cogitar fazer o filme sem o vilão Venom, mais popular para as novas gerações. Mas, por ser um vilão cujas características fugiam ao universo dos filmes, não era bem visto pelos dois, já que o Venom sempre foi apenas uma aranha malvada dentro de um fotógrafo arrogante e tosco, propositalmente um total contraponto ao Peter Parker. Não era vilão para apanhar e aprender uma liçãozinha babaca de moral no final, o que nunca agradou Raimi e o Maguire. Os produtores ganharam a disputa de forças, e os dois tiveram de engolir, mas somente aceitaram se não tirassem o Homem-Areia da história. O resto será conhecido por todos que forem ver a terceira aventura do aracnídeo nerd: Venom sabotado, relegado a alguns míseros minutos de tela, e o Homem de Areia aumentando a metragem do filme, o orçamento final e as críticas negativas que o filme vem recebendo com a sua trama que vai do nada ao lugar nenhum, andando como um fantasma pelo filme, nada ajudado pela horrenda interpretação do Thomas Hayden Church (imagino o Sam Raimi vendo o Sideways, e pensando: "nossa, como esse cara bebe vinho bem! Ele seria um grande Homem-Areia!)
Infelizmente, essa situação toda me leva a imaginar um cenário apocalíptico para o quarto filme. Eis como será (lembrem-se: Batman e Robin foi o quarto filme do homem morcego):

-O Tobey Maguire vai pedir 250 milhões de cachê, levará um belo de um chute na bunda dos produtores cansados com a sua mania de ser Marlon Brando e querer mandar em tudo, e para o lugar dele, trarão o homem, a lenda, o mito, Ben Affleck, baratinho, obediente e que aceitará de bom grado coisas como o Spider-Card, a Spider-Caverna e o Spider-móvel. Para dar um diferencial na composição do personagem, o Peter Parker ficará cego no filme, o que possibilitará ao Affleck toda uma gama de possibilidades interpretativas.

-Como a Kirsten Dunst já disse que não faria a continuação sem o Maguire ou o Sam Raimi, irá dançar bonito também. Para o seu lugar, colocarão a Jennifer Lopez, que trará um toque latino ao personagem, com cenas de danças com rumba, mambo e cha-cha-cha entre o Peter e a Mary Jane (afinal, para os produtores ianques, latinos só dançam esse tipo de música)

-Sam Raimi também vai rodar, e para o seu lugar, colocarão o Michael Bay, que usará o orçamento de 5 bilhões de dólares para enfiar cenas de explosões, batidas de carros e helicópteros caindo por todo o filme, além de abrir a possibilidade da participação no filme de um ator que fez vários filmes com ele. Sim, ele mesmo. Buscemi The Man.

Fomos ao cinema ver Homem-Aranha 3

Por onde eu começo? Ai, é tanta coisa pra falar. Tenho de me concentrar. Bom, a gente foi lá ver o Cabeça-de-teia. Sábado, sessão da meia-noite, sala 1 do Bristol, com fila e tudo. Nada que lotasse aquela sala gigante, mas, para o horário, um número respeitável de pessoas. É capaz que você estava lá e nem viu a gente. Pra ordenar tanta informação, tenho de ir por tópicos, que é uma das estruturas textuais mais burras que existe. Mas fazer o quê, se até o Sam Raimi se perdeu na aventura que criou pra esse terceiro filme? Mas, desculpa, que já estou antecipando as coisas.

Primeiro ponto (ou Geek rules!)

Homem-Aranha 3 é uma apoteose geek. Imagina a Sapucaí cheia de nerds, pulando, dançando, com aqueles sorrisos bobocas, afastando as plumas dos olhos e ajeitando os óculos depois de cambalhotas e piruetas. E um boneco gigante do Homem-Aranha no carro-chefe. É isso. Em primeiro lugar, o filme é uma das maiores celebrações geeks que a cultura de massas já promoveu. E Peter Parker é o Humphrey Bogart nerd.

Segundo ponto (ou O que os geeks pensam dos emos?)

O que os geeks pensam dos emos? Taí um negócio que eu nunca tinha me perguntado. Aliás, será que alguém por acaso já se perguntou isso? Bom, o Sam Raimi sim. Ele, que se assumiu totalmente, tipo, "é isso mesmo, eu sou nerd, e daí?", e nos deu um filme de fã para fã. Coisa que a sequência X-Men, apesar de razoável, nunca vai ser. Bryan Singer filmou os mutantes de Stan Lee a partir de um ponto de vista alheio, fazendo um filme principalmente pra quem não lê quadrinhos. Diferente de Sam Raimi, a quem não se pode negar o mérito de haver transposto para a tela uma estética genuinamente comics, mas sem deixar de fazer um filme. Nesse ponto, Robert Rodriguez e Frank Miller, por favor, vejam se aprendem alguma coisa. Estamos, portanto, em um terreno que tem dono, estamos entre geeks, e é eles que tomam a palavra, e os nossos olhos se tornam os deles. Fala, então, geek!

Peter Parker entra em contato com aquele simbiota alienígena que desperta o lado mais obscuro de seu caráter. Presta atenção: desperta algo que estava lá. No começo do filme, antes de Venon e cia. aparecerem, Peter Parker já andava com o rei na barriga, até beijando a mulher do próximo, por mais que dissesse que aquilo não significava nada. Sei. Bom, tem uma hora que o nerd Peter Parker e o simbiota apertam as mãos e vão pra night. Pra mostrar que a personalidade do herói está alterada, entra o corte de cabelo emo. O geek vira emo, ou melhor, um emo como aos olhos do geek. E para os geeks, os emos são tudo o que de há mais obscuro neles, geeks. Mais, são a idéia que eles têm de si próprios se eles fossem garanhões. Olha essa! Para os geeks, uma versão galinha e conquistadora deles mesmos é um emo! Sam Raimi, cineasta geek, está dizendo: ó, se a gente fosse do mal, a gente seria emo! Pois é, já se vê que é um psicólogo de mão cheia esse Sam Raimi.

Terceiro ponto (ou Eu já vi isso antes)

Eu já vi isso antes, aliás, eu já vi isso antes o filme inteirinho. Mas fiquemos só no principal. Por subtópicos (é, isso mesmo!):

1. Eu já vi isso antes no Máscara. O Peter Parker do mal, ou Peter Parker emo, vai pra night, como eu disse. Chama a coitada da Gwen Stacy que, como todo o mundo no filme, tirando o Aranha, quase entrou na história, pra sair e fazer cena de ciúme pra cima da Mary Jane. O boteco 10 por 10 m aonde eles vão acaba virando um baita salão de dança pra dar espaço pra metamorfose do Peter Parker num Máscara recém-saído da puberdade. Não tem jeito, depois que os geeks viram o Jim Carrey, num terno amarelo, catar a Cameron Diaz dos velhos tempos, não tem como tirar da cabeça deles que o Máscara é o garanhão-mor.

2. Eu já vi isso antes em Anos Incríveis. Mary Jane-Winnie Cooper desconsolada, sobre o corpo de Harry Osborne-Paul Pfeiffer moribundo, Peter Parker-Kevin Arnold arrependido, e no fundo, o sol se pondo. A gente olha e acaba pensando: "Pois é, eles amadureceram, e da maneira mais difícil." Aí, começa a tocar "With a little help from my friends", e a gente canta junto "Do you neeeeeeed anybodyyyyyyyyy?", yeah, yeah...

Quarto ponto (ou Legal, mas e daí?)

Legal, mas e daí? Homem-de-Areia. Investiram pra caramba nele, o grosso da pirotecnia do filme está nele. É o Godzilla a ser vencido no final. E com um bom apelo dramático, originando belas metáforas visuais, tipo ele se desfazendo no vento e desaparecendo - dá mesmo a idéia de alguém que a sociedade já não reconhece como cidadão e, portanto, como indivíduo, e meu lugar não é mais aqui, etc. Bonito. Mas, bom, como no caso da Gwen Stacy, ele quase entrou na história. Se é que foi quase. Não. Foi pior. Ele nem entrou. Porque, se você bota na ponta do lápis, é o único que não contribuiu em nada para o desenvolvimento da história deste e dos filmes anteriores.

Por exemplo, precisavam do Harry Osborne, porque já tinham inventado de transformá-lo no sucessor do Duende. Tinham que levar o coitado pra algum lugar. Beleza. Só que o Homem-de-Areia não. Na verdade, o negócio de ele ser o cara que matou o tio do Peter tiveram que inventar aqui, nesse filme. A Gwen Stacy colocaram pra desestabilizar o relacionamento com a Mary Jane, o que é compreensível, tá dentro da trama principal da mudança e amadurecimento do caráter do herói. E o Eddie Brock Jr. também, que naturalmente assume o papel de antagonista depois que o Aranha se livra do traje emo. Quanto a Mary Jane, nem precisa falar, né? No entanto, queria só sublinhar que jamais uma mocinha apanhou tanto como ela, e de todo jeito, e até do herói. Se fosse depressiva, teria se jogado de algum prédio no Queens, que já é fora da jurisdição do herói, pra ser sem salvação.

Quinto e ufa! último ponto

140 minutos de filme. A família toda reunida. Tinha até o papagaio que precisava ser lembrado. Sam Raimi pensou:

"Bom, como enfiar todo o mundo dos quadrinhos que ainda não tinha ido pro cinema? Quer dizer, dos principais? (O Homem-de-Areia é dos principais? Ah, deixa pra lá...) Em 140 minutos? Vejamos. Já sei: apelemos pra aquele velho princípio do "acontece', e estamos conversados".

Como isso funciona? É simples. Peter e Mary Jane estão dando uns amassos na teia (?) e, de repente, cai um asteróide ou meteoro (geeks, me ajudem aqui) trazendo o simbiota emo alienígena. Bem na hora. Ah, acontece. O bandido, fugindo da polícia, pula uma cerca e despenca no meio de uma espécie de reator nuclear (?), com os cientistas prontos pra botar o negócio pra funcionar. Ah, acontece. O velhote que cuida do Harry, depois de ver o pai deste se transformar num Duende do mal (?), espera o próprio Harry assumir o lugar do pai como Duende do mal (?) e acabar com a cara desfigurada e cheio de amargura, pra, só no final do filme, na hora decisiva, contar pro Harry que o Homem-Aranha não era culpado da morte do Osborne pai, e isso pro Harry ir lá ajudar a salvar a Mary Jane. Ah, acontece.

E sabe o que é o genial disso tudo? Ainda teve tempo pra um monte de piadinhas (algumas muito inspiradas) e velho chato falando coisa que não tem nada a ver pro Peter Parker, no meio da rua.

Mas, minha gente, não me levem a mal, pois, apesar de tudo, achei um filme muito, muito divertiduxo, com cenas de ação fantásticas. Acima da média do cinema pipoca. E antes que vocês cuspam neste prato ou em qualquer outro que lhes ofereçam, por favor, eu peço, lembrem-se de Batman & Robin, lembrem-se de que houve algo como Batman & Robin, e agradeçam por este Homem-Aranha 3 ao talentoso Sam Raimi.

sábado, 5 de maio de 2007

Curitiba - Parte 2

Depois de alguma tempo, ainda sofro os sotaques da terrinha curitibana e não só isso; as pessoas me perguntam se sou curitibano, se vi Danton Trevisan( vi ele passando pela rua, um amigo jogou xadrez com ele uma vez), se fui na Opera de Arame. Deixando essa coisas turísticas de lado, eu sempre deixo de lado, me interesso pela cidade pelo aspecto humano; uma cidade é nada mais que isso: um amontoado de almas; que tentam levar suas vidas e conviver umas com as outras harmônicamente, mesmo com as filas e os ônibus lotados nas horas de pico. Tive uma idéia dos curitibanos, mas convivi intensamente com os universitários de comunicação da UFPR, na verdade, sobretudo os jornalistas. Garotos deveras interessantes, ainda que um único problema: excessiva politicagem, mostro agora mais um caso um tanto hilários dessa situação.

Era de manhã e um garoto entra no alojamento, começa a gritar e fazer barulho. Trancrevo agora o que vociferava:

"Acordem camaradas, o capitalismo está lá fora, acordem! Nós temos que enfrentar a burguesia, ela continua lá . Acordem!"

Meio que me levanto, olho pro garoto, longe de ser um proletário ou um punk, pois trajava um tênis bem caro e roupas de grife. Olho para ele e digo num tom quase gritando:

"a burgesia somos nozes!"

Confissões

André Gide dizia que a má literatura era feita dos bons sentimentos. Pois é, eis aí minha sentença. Literatura não é pra mim. Eu até fui meio teimoso, falei "que é que esse francesinho sabe de literatura, que é que ele sabe de mim? fale por ele! eu vou fazer literatura, e da boa, com o meu amor à Família, à Pátria e aos Bons Costumes!". Mas depois eu vi que não dava mesmo. Então, passei à maledicência, ou melhor, a tentá-la. Mas não consegui, descobri-me seco de veneno.

Na verdade, gente, eu sou muito certinho e muito bonzinho pra falar mal de alguém, assim, de verdade. Eu gosto das pessoas e dos bons sentimentos pelas pessoas, não tem jeito. Sou um sujeito bonachão, que enche o saco da criançada, perguntando se o molequinho já tem uma namoradinha, aí ele diz "credo!" com aquela voz fininha e saí correndo, e eu fico rindo dos miúdos, deles serem tão gaiatos! Eu gosto da felicidade, isso é que é o pior. Gosto mesmo. Até me comovo quando eu vejo todo o mundo feliz, alegre, contente, cantando e dançando. Aí, vem uma lágrima, e alguém pergunta se está tudo bem comigo. "Não podia estar melhor, amigo!" - eu respondo e abraço a pessoa. Sou um grande e incorrigível sentimental, no fim das contas.

Mas isso tudo é uma droga. Porque, pra escrever bem, você tem de fazer o tipo blasé. Ou isso, ou escrever auto-ajuda, com aquela entonação de padre Marcelo Rossi. E como alguém vai se manter blasé se não passa de um adolescente boboca, que ouve músicas de e sobre losers que vencem na vida e fica achando que, afinal, o mundo não é tão ruim assim? Ah, gente, às vezes eu paro e penso pra onde é que eu estou indo. Aqui não é o meu lugar; eu devia estar viajando pelo mundo, vendendo produtos de emagrecimento, com um sotaque bem exótico e uma roupa espalhafatosa. C'est la vie.

Live by the rat race, be with the rat ones

Num post recente (na verdade, poucas linhas abaixo) o mano fundamentalista expressou o seu desalento com as reações histéricas e histriônicas contra o colunista da Veja e participante do programa Manhattan Connection no canal GNT Diogo Mainardi. Oponente ferrenho do governo Lulla e dos petistas em geral, Mainardi foi eleito pelos militantes petistas e pelos neo-comunistas-latino-americanos-paga-paus-do-Hugo-Chavez como símbolo da burguesia difamatória capitalista, seja lá o que isso signifique. Resumindo, virou, mais até que os tucanos, o conspirador-mor dos Girondinos tupiniquins. Bom, enquanto toda essa revolta se resumia em processos de pessoas "atingidas" por ele e em comunidades toscas de Orkut, parecia normal. Reações esperadas perante a obstinação mostrada por ele em desmascarar os desmandos petistas. Mas, a coisa fugiu do controle.

Na edição que saiu hoje da Veja, uma reportagem mostra a capa de uma edição do Jornal Hora do Povo, pertencente ao grupo MR-8, ex-terroristas na época da ditadura militar. Numa chamada na capa, o Jornal clama os seus militantes a fazerem algo contra Mainardi. Convocam uma verdadeira Fatwa contra ele. O Jornal é hilário, é fácil acha-lo em qualquer banca na Avenida Paulista, e mais fácil ainda é rachar o bico com manchetes xingando todos aqueles que se oponham ao governo Lula, sempre com o uso de termos chulos e expressões de boteco para deixar tudo mais engraçado ainda. Não custa lembrar, o Jornal recebe verbas do Governo Federal, tendo feito até em edições recentes editoriais chorando uma graninha para o nosso chefe-supremo-cachaceiro Lula. Patético. Realmente, a situação chegou no limite do ridículo. Diogo Mainardi é o nosso Salmon Rushdie agora? Terá de viver escondido temendo sempre que algum petista maluco tire a sua vida subitamente? Acho que não, ele não deve temer muita coisa. Afinal, petistas hoje são que nem torcedores da Portuguesa de Desportos, bacalhais e enterros de anões: dizem que eles existem, mas ninguém vê um faz muito tempo.