Bem, vou me defender, ainda que moderamente. Achei Zodíaco um filme chato; David Fincher, genial diretor de outros três filmes, quis mostrar que era gente grande e tinha largado sua narrativa criativa e sua estética maravilhosa.
Achei fundamental ele não vanglorizar o assassino, conforme apontado pelo Camarada Fundamentalista o tal assassino não passa de um comum, como todos aqueles que o filme foca; sim, todos aqueles são normais: nenhum serial killer minucioso; nenhum terrorista genial; nenhum criminoso cuidadoso. Nada disso, o filme trata do acaso. Às vezes as coisas não são completamente planejadas, às vezes as coisas não têm lógica, por consequência não podem ser solucionadas por um método. Quebrar um código e criar relações e teorias às vezes não leva a nada, somente no mergulho profundo na prática, eliminando - um a um, do impossível ao plausível na busca pelos fatos . Em resumo, é disto que o filme trata: o caos, o estilhaçado passado e a reconstituição dele e seus reflexos nas personagens.
Mas o diretor esqueceu do seu passado, passado elogiado, seja pela crítica e pelo público. E em nenhum time que está ganhando se mexe tanto. Espero que seja por se tratar de um filme baseado em fatos reais.
domingo, 10 de junho de 2007
Rapidinhas sobre o Zodíaco
Respondendo ao ataque ofensivo propagado pelo chamado Camarada "Fundamentalista", fanfarrão-mor desse blog, vou dizer o que eu achei do filme Zodíaco. Quando sai do cinema, tive a impressão do filme ser muito bom e minuncioso. Agora, digo que o filme é sensacional. Cada vez que penso nele, mais impressionado fico. É revoltante que um cara como o David Fincher jamais tenha sido indicado ao Oscar, enquanto o velho requentado do Martin Scorcese, cujo último filme que presta data de 17 anos atrás, seja indicado todo ano. Ele é o melhor diretor de cinema dos últimos 20 anos, com um domíno técnico e narrativo de humilhar qualquer diretor badalado por aí (essa foi pra você Wes Anderson). Sim, melhor até que o Tarantino, que não é mais diretor faz tempo e sim lançador de moda. Virou um Andy Warhol cinematográfico. Como o Fincher é um cara fechado que não fica puxando o saco de ninguém por aí, é sempre deixado de lado. E o filme fracassou nos EUA. Americano é esperto mesmo.
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Fomos ao cinema ver Zodíaco
Eu fiquei esperando ou o Progressista ou o Moderado escrever sobre Zodíaco, do David Fincher (diretor de Se7en, Clube da Luta e O Quarto do Pânico), que vimos nessa sexta-feira passada. Mas até agora nada. Os dois amarelaram. E, droga, pra justificar o nome desse blog, alguém tem que dar uma palavra sobre o filme. E já que eu estou lavando a roupa suja em público, como de costume, deixa eu dizer que não é a primeira vez que isso acontece. Pois saibam que eles dois foram assistir ao terceiro Piratas do Caribe. E por acaso houve alguma postagem comentando o filme? Não. Se eu gostasse daquela porcaria e tivesse ido assistir, pode apostar que vocês há muito saberiam que não valia a pena gastar o dinheiro de vocês com 170 minutos de pirataria hollywoodiana.Mas eu sou eu, vocês já me conhecem, e nem todo o mundo pode ser perfeito. Vamos ao filme.
Quem estiver esperando ver um Se7en 2, vai se decepcionar bastante. Porque, e este é o aspecto mais intessante do filme, Fincher escolheu focar-se não no criminoso, mas na investigação; mais precisamente, nos homens comuns que conduziram a investigação. Homem comum que, como vocês sabem, é um eufemismo pra loser, perdedor. Pois então: Zodíaco é um filme sobre losers. O criminoso, aliás, é o maior de todos. E pra que não haja dúvida disso, eis que lá está ela, Chloë Sevigny, a madrinha de todos os zeros à esquerda que povoam as telas de cinema. Ela é a esforçada companheira de Jake Gyllenhaal, sabe, aquele que foi criado numa bolha, falava com um coelho gigante do mal imaginário na adolescência, e que depois se envolveu com um vaqueiro afásico, mas terminou tudo, e virou cartunista, casou, teve filhos, mas se divorciou, porque era viciado em decifração de códigos, de todos os tipos. É claro que alguém que é cartunista e divorciado não seguraria nem a Chloë Sevigny, que também acaba dando um pé na bunda dele, apesar de ainda amá-lo (poxa, ela é invencível).
Bom, pra resumir, são duas horas e meia de um CSI realista (pois é, gente, o CSI, por incrível que pareça, não é um programa realista: polícia, ou, como dizem no Zodíaco, gambé nenhum no mundo compra um carro de US$ 100,000 só pra resolver um caso), com umas pinceladas no impacto que o relacionamento obsessivo que alguns dos envolvidos criam com a investigação tem sobre suas vidas pessoais.
Mas essa – de abordar a investigação, e uma tão intrincada, que se estendeu ao longo de anos, costurando-a com a vida dos homens que a empreenderam – se mostra uma concepção falha. Seria necessário um filme de 300 minutos para desenvolver adequadamente as personagens, que, no final, acabam sendo secundárias diante de uma exposição muito competente, ainda que – para a maioria daqueles que virem o filme – exaustiva, das provas que jamais incriminariam decisivamente o principal suspeito.Se tivessem colocado a Lindsay Lohan no filme, como uma jornalista inexperiente, mas dedicada e cheia de energia (eu sei, seria pura invencionice, e o filme é baseado em um caso verídico; mas seria só uma licencinha poética de nada), e aí ela solucionasse o crime, em vez do Donnie Darko, com um confronto direto com o Zodíaco ao final, no trailer onde ele morava (supondo que era o tal cara do trailer mesmo), tenho certeza de que as duas horas e meia passariam voando. Da próxima, eles fazem isso.
quinta-feira, 7 de junho de 2007
Num bar qualquer, com Richey Edwards
Eu não costumo sentar num bar e encontrar acidentalmente rockstars desaparecidos há mais de uma década. Isso não é comum para mim, como é para o resto das pessoas. Então, quando isso acontece, e, melhor ainda, quando se faz parte de um blog no qual posso relatar tal experiência, o jeito é aproveitar e contar tudo.No caso, num desses dias polares que seguiram, estava num boteco mais fedido que o inferno buscando inspiração para escrever aqui. A sombra do mês Lindsay Lohan pairava sobre a minha cabeça, e eu, habitualmente inseguro,tinha medo de desapontar os milhões de fãs da Junkie Girl. No meio das lamentações, acabei vendo, sentado sozinho e tomando um copo do que parecia ser uma limonada, o Richey Edwards, guitarrista e letrista da banda galesa Manic Street Preachers, desaparecido desde 1995. Bem, era o que eu achava também. Aproximei-me da mesa do Galês, e o diálogo que se seguiu será relatado assim por mim:
Camarada Progressista: - Hello, i think i know you.
Richey Edwards: - Eu falo português.
CP- Legal! Então, você não seria por acaso o Richey Edwards, ex-guitarrista do...
RE: - Não, não sou.
CP - Como não é? É lógico que é.
RE - Sim, você tem razão, sou eu. Belo poder de persuasão.
CP: - Você não tinha desaparecido?
RE- Tinha.
CP: - Mas, se você está aqui, então não desapareceu!
RE. Não, não desapareci.
CP - Cara, você é o meu ídolo! Suas letras são, quer dizer, eram sensacionais!
RE - Todos nós temos ídolos. Os meus eram o Axl Rose e o Charles Bukowski.
CP - Legal! Então, conta pra mim, por que você deixou a banda, os fãs e toda a Grã-Bretanha procurando você até hoje, doze anos depois? Por que você fugiu?
RE - Fugir foi o meu ato de cura. Curei minhas patologias e minhas dependências idiossincráticas e finalmente pude contemplar o meu eu verdadeiro, lógico, racional e híbrido, sem perder o lirismo que sempre tangenciou a minha alma.
CP - (Alguns segundos de silêncio) É... legal, muito legal.
RE - Você não entendeu porcaria nenhuma do que eu disse, né?
CP - Sim, entendi.
RE - Diz que adorava as minhas letras, mas é incapaz de entender uma sentença por mim expressada. É, sinto muitas saudades dos meus fãs mesmo.
CP - (Um silêncio constrangedor. Segundos depois:) Cara, eu tenho um blog, e nesse mês, a gente tá promovendo o mês Lindsay Lohan! Falaremos de filmes, discos, comportamentos, tudo o que se refere a ela será tratado por nós nesse mês especial
RE - Lindsay Lohan?
CP - É.
RE - (Sorrindo pela primeira vez) Cara, olhando para aquelas sardas e para aquele cabelinho ruivo dela, eu poderia até jurar que ela era galesa... boa idéia, passa pra mim o endereço do blog, quero ler tudo.
Escrevo numa bolacha de chopp o endereço para ele, e então nos despedimos:
RE - Não conte pra ninguém que você me viu, ok? São Paulo é o lugar que melhor absorveu a mim como ser humano e como entidade, existe uma conexão orgânica entre o meu funcionamento e o dessa metrópole. Não fale no seu blog sobre essa nossa conversa, nem que eu ainda estou vivo, ok?
CP - Pode ficar tranquilo, Richey. Palavra de escoteiro.
Kafka e Lohan
Extrapolo? Sim. Profano? Se artístico e sagrado coincidem, pois não. Mas a senhorita Lohan tinha muita coisa em comum com Kafka. Kafka que transformou sua vida interior em literatura.Como sempre, aponto no texto, que é o procedimento mais idôneo e autorizado do mundo.
E mais pop que Kafka não dá, por isso não me acusem de ostentação. E pra deixar o negócio ainda mais fim-de-feira, exemplifico com a frase inicial das mais óbvias obras do tcheco. Vejam se não parece até uma linha desses tablóides que vivem ocupadíssimos com as desventuras continuadas da pobre garota.
Lá vai:“Quando certa manhã Lindsay Lohan acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseada em um inseto monstruoso.”
E essa, dos advogados dela:
“Alguém certamente havia caluniado Lindsay L., pois uma manhã ela foi detida sem ter feito mal algum.”
Eu sei que, ao divulgar essas terríveis coincidências entre duas personalidades tão díspares, posso dar margem a todo tipo de charlatanismo místico que se vê por aí. O Camarada Progressista, por exemplo; ele seria o primeiro a dizer que tal coisa se deve ao fato de que ambos são cancerianos. Claro: Franz Kafka e Lindsay Lohan são dois miguxões, muito, muito tímidos e sensíveis, que valorizam, acima de tudo, a família. E caso encerrado.
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O verdadeiro cinema da retomada
Os anais históricos afirmam que o cinema brasileiro teve seu recomeço por causa do filme Carlota Joaquina, e logicamente, o recomeço do cinema com incentivos fiscais. Mas a produção cinematográfica so tomou forma, em meados do século XXI, na verdade, o cinema brasileiro tomou um rumo e saiu um pouco do artesanato que ainda figurava na década de 90. A partir do novo milênio conseguimos dois rumos distintos: A retomada do cinema de arte e a criação do cinema pipoca de qualidade.O primeiro veio com Cidade de Deus(2002), direção de Fernando Meireles e Kátia Lund. Teve alguns filmes anteriores que exploravam as mesmas idéias: miséria, violência, lugares pobres e toda gama de situação nesses esquemas, mas nunca da forma que este filme fez.
A forma de escolher o elenco: a co-diretora, escolheu várias crianças e jovens carentes para interpretar crianças e jovens carentes. Criou um escola de atores na região e começou a treinar os garotos para a atuação. Idéia que se mostrou genial; além de poupar dinheiro com figurões ,criou um grupo de desenvolvimento de atores numa comunidade carente. O filme, assim, ganhou mais carga de realidade e bem próxima daquela feita pelo livro de Paulo Lins.A forma como o filme foi feito: a maioria das pessoas que trabalhavam no filme eram oriundos da publicidade: Fernando Meireles, o diretor; Braulio Montovani, o fotógrafo; o montador e outros. A escolha trouxe o dinamismo desse tipo de comunicação ao filme, com isso a narrativa ficou ágil, com uma fotografia bonita e uma edição rápida e envolvente. O uso de vários filtros e tomadas de câmeras fizeram esse filme ser mais notado e mais estetéticamente atraente. A película apte hpje é reverenciada como uma obra de arte e está(pasmem) entre os 30 melhores filmes de todos os tempo( fonte: imd).
Agora o cinema pipoca brasileiro veio com "O Homem que Copiava"(2003), de Jorge Furtado. Com esse longa Jorge inaugura o cinema pipoca de qualidade no Brasil, aquele cinema que faz ecos no EUA e ,as vezes, na Alemanha e Irlanda. Tem as qualidades de um filme genial, mas não é crítico nem tem o intuito de ser um filme hermético, só tem o interesse, isso mesmo, de divertir a platéia. Ainda hoje esse tipo de filme, quase raridade nas terras brasilis, não tem se executado com muita maestria. Temos muita necessidade de filmes pipocas. Um dos interessante desse filme foi colocar a classe média como protagonista, pense, filme brasileiro vc lembra de favela e condomínio chique. Logo ele trouxe uma identificação com o público do cinema em geral e saiu um pouco da estética da fome, duramente criticada por alguns especialistas.
E convenhamos, os filmes acima, no trouxeram Seu Jorge e Lázaro Ramos, dois grandes atores da atualidade. Pois sim, só isso já bastaria pra confirmar que são filmes importantes
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Mês Lindsay Lohan: Operação Cupido
Tudo na vida tem um começo. Mesmo os grandes pensadores, pintores, físicos, matemáticos, químicos, escritores e jogadores de sinuca não nasceram mitos: tiveram de um dia começar a construir as realizações que permearam as suas vidas e os colocaram no seleto rol dos heróis da humanidade. Com a nossa Lindsay, não poderia ter sido diferente. Seu primeiro filme, Operação Cupido (Parent Trap em inglês), de 1998, quando ela tinha meros 12 anos de idade, marcou o início de sua trajetória profissional. E que começo poderia ter sido melhor com esse complexo filme, remake de uma película dos anos 60, que conta a história de duas gêmeas que crescem separadamente em Nova York e Londres e que não sabem da existência da outra, até que numa daquelas coincidências que marcam esses filmes, acabam indo para o mesmo acampamento, ficando amigas e resolvendo tentar juntar os pais para todos ficarem juntos, unidos e felizes como uma família deve sempre ser. É impossível ver o filme e não lembrar-se do clássico de Kiesloswki, a Dupla Vida de Veronique. As temáticas são parecidas? Não. O universo dos filmes é parecido? Não. As duas mulheres no filme de Kieslowski eram ao menos gêmeas? Não, não eram. E qual a semelhança então? Bom, os dois filmes possuem uma atriz interpretando dois personagens. Obrigado pelos aplausos dados para a minha perspicácia. No filme de Kieslowski, as duas mulheres eram metáforas da França e da Polônia: as duas eram cultas e inteligentes, mas enquanto a francesa tinha e sentia toda a liberdade para expor os seus talentos e sentimentos, a polonesa era reprimida e acabava encontrando um trágico final. No Operação Cupido ocorre algo parecido.Uma gêmea é triste, a outra é alegre. Quando se encontram, acabam atenuando os excessos uma da outra e encontrando o complemento ideal para os seus comportamentos. Assim como a Inglaterra e os Estados Unidos. Um é triste, o outro alegre (nunca ninguém reduziu tão bem nações tão complexas em apenas uma expressão), e juntos acabam encontrando... encontrando... é, bem, deixa pra lá. Ponto para Lindsay e o seu notável trabalho de composição de personagens: quando interpretava a gêmea alegre, fazia cara de alegre: quando interpretava a gêmea triste, fazia cara de triste. Méritos para a genial diretora Nancy Meyers, autora dos espetaculares O Que as Mulheres Querem, Alguém tem que Ceder e o Amor Não Tira Férias (filme favorito do mano fundamentalista). O filme foi um sucesso retumbante no mundo todo, criando legiões de seguidores, gerando até encontros e feiras para celebrar o modo de vida do personagem principal e... não, eu tô confundindo com o Grande Lebowski, desculpem. Quem quiser ver esse clássico imortal, coloquem no Disney Channel, passa todo dia lá, em vários horários, legendado, dublado e o escambau. Depois, Lindsay iria diversificando a sua galeria de personagens, mas esse começo mostrou todo o talento escondido naquelas sardas.
terça-feira, 5 de junho de 2007
Notinhas pra quem está chegando agora ao Fomos ao Cinema
Na Paulista: os dois cachorrinhos, um de terninho, outro de vestidinho, se apressam, desesperados, para atravessar a rua. A praça está mergulhada na escuridão. Eu passo por ela, cruzo com os cachorrinhos e penso que, se fazem uma praça dessas, é pra que a gente um dia seja atacado por um bando de vagabundos.Eu chego em casa e vejo o diretor Philippe Barcinski e a atriz Rita Batata falando do filme Não por Acaso, que estréia essa semana nos cinemas, naquele programa Combo: Fala + Joga, e eu que tinha falado essa tarde mesmo com o Camarada Moderado sobre esse filme.
Eu assisti a Barton Fink ontem. Nele, os irmãos Coen valorizam a ambigüidade das imagens e das situações: ou seja, fazem cinema. É o melhor filme da dupla, mesmo que a multidão dos filisteus fãs de The Big Lebowski venham a encrencar com isso. É também o mais europeu dos filmes deles. Por sinal, eis um critério de qualidade para filmes americanos: quanto mais parecidos com cinema europeu, melhores. Agora, sim: podem me xingar de afrancesado pra baixo.
Nota abortiva: eu estava ouvindo Funeral, do Arcade Fire, que o Camarada Progressista me emprestou e, assim, retardatariamente, fiquei gostando da banda e achei In the Backseat uma faixa comovente.
Eu reforço: posers, olhem mais de perto, Lindsay Lohan não é só um fetiche colegial; pode vir a ser mais - um fetiche very, very classy.
RESENHA: ARCADE FIRE
Com um mês de atraso, injustificável, trago para essa galera animada, moderna e com sede de informação, resenhas de um disco que agitou (essa doeu) o mundo Indie: Arcade Fire, galera! Ó, logo falo sobre o novo do Arctic Monkeys, sossega o facho aí.
ARCADE FIRE - NEON BIBLE: Segundo disco dessa big-band-indie-rock canadense (país que nos deu artistas fabulosos como Bryan Adams e Celine Dion), possui um conteúdo metafórico-político que não existiu no primeiro disco deles. Com sete integrantes e instrumentos nada comuns como escaletas, arcodeons, órgãos e harpas (foi-se o tempo que harpas eram comuns no rock, principalmente na época do punk, eles adoravam uma harpinha, vide o Sex Pistols). Um faixa-a-faixa pra vocês entenderem melhor (não, não chamo vocês de burros):
1- Black Mirror: Faixa sorumbaticamente sinistra, com efeitos fantasmagóricos em cima dos vocais e instrumentações e com uma letra que versa sobre a incidência de bombas e violência como efeito regressor do homem. Já abre o disco deixando aquele gostinho de quero mais (essa doeu, parte 2)! Ueba, será que o resto vai ser tão bom assim? Hein? HEIN?
2-Keep The Car Running- Levada por um baixo marcante, em torno do qual se constrói toda a melodia, a música descreve o processo de fuga de um lugar que (adivinhem) está sendo bombardeado. Seria o disco conceitual? Ainda é cedo, cedo, cedo, era quase escravidão mas ela me tratava como rei. Bom, gonzonices a parte, outro acerto, duas músicas e um belo presságio para o resto do disco
3- Neon Bible - Faixa que dá nome ao disco, toda levada por teclados e um leve arcodeon, quase um mantra, versando sobre poucas chances de sobrevivência e como os valores do livro-mor estão esvaindo-se nas fúlgidas chances dadas a homem em tempos de guerra e intolerância. Apenas uma faixa de transição, nada muito marcante.
4-Intervention: Aê! Putz, agora sim, prepare a caixa de lenços. Com um órgão sensacional levando toda a melodia nas costas junto com a bateria, pela primeira vez aperecendo com destaque, e com a letra falando de isolamento religioso no meio do caos (melhor letra do vocalista e compositor Win Butler,que aliás faz o seu melhor vocal na faixa), a música arrepia e mostra que o Arcade Fire quer atingir as massas.
5- Black Wave/Bad Vibrations: Suíte dividida em duas partes, a primeira com vocal da mulher de Butler e tecladista da banda Régine Chassagne, a música pega o Pop, subverte-o, vira as regras de cabeça pra baixo e mostra vontade de usar as regras do jogo para criar algo diferente. A parte cantada por Régine parece ser um sonho no meio do soturnismo que premeia o disco. Espetacular, segundo grande momento do álbum, e pelo jeito, marca o fim das idéias do disco.
6- Ocean of Noise: faixa com nítidas influências do Pixies (acredite se quiser), é um dos piores momentos do disco, não por culpa dos Pixies, que eram uma banda sensacional, mas pela total distância que envolve as duas bandas, de mundos totalmente distintos. A música começa a parte no qual a banda se preocupa mais emular as suas influências ao invés de criar algo realmente forte.
7-The Well and The Lighthouse - Faixa mais "new rock" do disco, soa como tentativa da banda de se colocar ao lado de seus pares no rock de hoje. A letra é o destaque nessa faixa com pouco a oferecer, além de uma forçada mudança de ritmo no meio.
8-(Antichrist Television Blues)- Sabem quem essa faixa me lembrou? Quem, quem, quem? Bruce Springsteen. Isso é ruim? Nesse caso, não, felizmente, a temática homem versus brutalizações e os vocais apaixonados de Butler acabam criando outro belo momento, e o Bruce anda sendo coqueluche no novo rock, vide Killers que fez um disco todo imitando ele.
9-Windowsill- Com uma levada monocórdica de guitarras e violão que vai subindo junto com a melodia até criar um crescendo no final, a música reflete o maior problema do disco: a repetição da temática, já que praticamente todas as músicas parecem versar sobre a mesma coisa. Talvez o Win Butler não seja um letrista tão incisivo como o Ian MacCuloch, e ele precisa reconhecer isso e começar a variar um pouco os seus temas. É isso aí, se quiserem, eu falo na cara dele.
10- No Cars Go: Talking Heads. Bizarro? Nada, a mesma levada baixo e bateria, a mesma vocalização masculina-feminina, tudo o que marcava a banda do chato David Byrne. Isso não pode ser bom, de maneira nenhuma. Triste, 7 branquelos e branquelas canadenses querendo mostrar suingue. Pior momento do disco.
11- My Body is a Cage: Música que começa arrastada,demora pra pegar no breu, mas que quando pega, acaba trazendo de volta o Arcade Fire do primeiro disco, com as dramatizações e a incrível coesão da instrumentação não-usual que marcaram aquele belo trabalho. Trutas canadenses, entendam que vocês nunca venderão 10 milhões de discos e voltem a fazer aquilo que vocês sabem tão bem. E SEM IMITAR O TALKING HEADS, PELO AMOR DE DEUS!
Conclusão: isso lá é trabalho de mestrado pra eu colocar conclusão, pô? Bom, resumindo: começo sensacional, ate que a partir da sexta faixa eles resolveram começar a imitar todas as bandas e artistas dos anos 80. Ai danou. Nota 7, pela Intervention e Black Wave/Bad Vibrations.
ARCADE FIRE - NEON BIBLE: Segundo disco dessa big-band-indie-rock canadense (país que nos deu artistas fabulosos como Bryan Adams e Celine Dion), possui um conteúdo metafórico-político que não existiu no primeiro disco deles. Com sete integrantes e instrumentos nada comuns como escaletas, arcodeons, órgãos e harpas (foi-se o tempo que harpas eram comuns no rock, principalmente na época do punk, eles adoravam uma harpinha, vide o Sex Pistols). Um faixa-a-faixa pra vocês entenderem melhor (não, não chamo vocês de burros):1- Black Mirror: Faixa sorumbaticamente sinistra, com efeitos fantasmagóricos em cima dos vocais e instrumentações e com uma letra que versa sobre a incidência de bombas e violência como efeito regressor do homem. Já abre o disco deixando aquele gostinho de quero mais (essa doeu, parte 2)! Ueba, será que o resto vai ser tão bom assim? Hein? HEIN?
2-Keep The Car Running- Levada por um baixo marcante, em torno do qual se constrói toda a melodia, a música descreve o processo de fuga de um lugar que (adivinhem) está sendo bombardeado. Seria o disco conceitual? Ainda é cedo, cedo, cedo, era quase escravidão mas ela me tratava como rei. Bom, gonzonices a parte, outro acerto, duas músicas e um belo presságio para o resto do disco
3- Neon Bible - Faixa que dá nome ao disco, toda levada por teclados e um leve arcodeon, quase um mantra, versando sobre poucas chances de sobrevivência e como os valores do livro-mor estão esvaindo-se nas fúlgidas chances dadas a homem em tempos de guerra e intolerância. Apenas uma faixa de transição, nada muito marcante.
4-Intervention: Aê! Putz, agora sim, prepare a caixa de lenços. Com um órgão sensacional levando toda a melodia nas costas junto com a bateria, pela primeira vez aperecendo com destaque, e com a letra falando de isolamento religioso no meio do caos (melhor letra do vocalista e compositor Win Butler,que aliás faz o seu melhor vocal na faixa), a música arrepia e mostra que o Arcade Fire quer atingir as massas.
5- Black Wave/Bad Vibrations: Suíte dividida em duas partes, a primeira com vocal da mulher de Butler e tecladista da banda Régine Chassagne, a música pega o Pop, subverte-o, vira as regras de cabeça pra baixo e mostra vontade de usar as regras do jogo para criar algo diferente. A parte cantada por Régine parece ser um sonho no meio do soturnismo que premeia o disco. Espetacular, segundo grande momento do álbum, e pelo jeito, marca o fim das idéias do disco.
6- Ocean of Noise: faixa com nítidas influências do Pixies (acredite se quiser), é um dos piores momentos do disco, não por culpa dos Pixies, que eram uma banda sensacional, mas pela total distância que envolve as duas bandas, de mundos totalmente distintos. A música começa a parte no qual a banda se preocupa mais emular as suas influências ao invés de criar algo realmente forte.
7-The Well and The Lighthouse - Faixa mais "new rock" do disco, soa como tentativa da banda de se colocar ao lado de seus pares no rock de hoje. A letra é o destaque nessa faixa com pouco a oferecer, além de uma forçada mudança de ritmo no meio.
8-(Antichrist Television Blues)- Sabem quem essa faixa me lembrou? Quem, quem, quem? Bruce Springsteen. Isso é ruim? Nesse caso, não, felizmente, a temática homem versus brutalizações e os vocais apaixonados de Butler acabam criando outro belo momento, e o Bruce anda sendo coqueluche no novo rock, vide Killers que fez um disco todo imitando ele.
9-Windowsill- Com uma levada monocórdica de guitarras e violão que vai subindo junto com a melodia até criar um crescendo no final, a música reflete o maior problema do disco: a repetição da temática, já que praticamente todas as músicas parecem versar sobre a mesma coisa. Talvez o Win Butler não seja um letrista tão incisivo como o Ian MacCuloch, e ele precisa reconhecer isso e começar a variar um pouco os seus temas. É isso aí, se quiserem, eu falo na cara dele.
10- No Cars Go: Talking Heads. Bizarro? Nada, a mesma levada baixo e bateria, a mesma vocalização masculina-feminina, tudo o que marcava a banda do chato David Byrne. Isso não pode ser bom, de maneira nenhuma. Triste, 7 branquelos e branquelas canadenses querendo mostrar suingue. Pior momento do disco.
11- My Body is a Cage: Música que começa arrastada,demora pra pegar no breu, mas que quando pega, acaba trazendo de volta o Arcade Fire do primeiro disco, com as dramatizações e a incrível coesão da instrumentação não-usual que marcaram aquele belo trabalho. Trutas canadenses, entendam que vocês nunca venderão 10 milhões de discos e voltem a fazer aquilo que vocês sabem tão bem. E SEM IMITAR O TALKING HEADS, PELO AMOR DE DEUS!
Conclusão: isso lá é trabalho de mestrado pra eu colocar conclusão, pô? Bom, resumindo: começo sensacional, ate que a partir da sexta faixa eles resolveram começar a imitar todas as bandas e artistas dos anos 80. Ai danou. Nota 7, pela Intervention e Black Wave/Bad Vibrations.
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segunda-feira, 4 de junho de 2007
A literatura e o camarada moderado
Eu parei de ler livros, isso mesmo, eu parei de ler. Já faz mais de um ano que realmente não leio muitos livros, parece que parei de gostar deles, e eles, como todo marido traído, continuam gostando de mim. Eu so leio quadrinhos, jornais, blogs, livros pra faculdade e legendas de filmes iranianos. Teve um periodo que li, penso, até mais que o camarada fundamentalista. Lia horrores, vivia num centro cultural e quando acaba o horário, levava o livro pra casa e terminava de ler. Eram, fácil, de três a quatro livro por semana, mantive tal maratona durante um ano. Foi um mergulho na literatura de cem anos pra cá; vi a morte do romance nas mãos de Joyce e Kafka; a morte da poesia na escrita automática ; a morte do conto por Borges e Rosa e seus respectivos seguidores: como Calvino e Auster, para o primeiro; Quiroga e Efrin representando o segundo.
Diferente das maioria das pessoas me concentrei no novo, aquilo que grande parte dos estudiosos de literatura abomina, aqueles livros da década de 60 pra frente e agradeço pela minha escolha.
Não falo que li tudo que deveria, mas a literatura, como palavra escrita, deixou de me interessar como antes fazia. Leio, no máximo, alguns contos e muitas releituras, eu disse: parei de ler livros e não de reler.
O cinema, os quadrinhos e os desenhos são hoje muito mais interessantes do que um romance fresco do Marcelino Freire, ainda que o considere um ótimo escritor.
Talvez tudo isso seja uma confissão desesperada, talvez uma grande mentira, talvez eu queria que vocês me comprem um livro.
Diferente das maioria das pessoas me concentrei no novo, aquilo que grande parte dos estudiosos de literatura abomina, aqueles livros da década de 60 pra frente e agradeço pela minha escolha.
Não falo que li tudo que deveria, mas a literatura, como palavra escrita, deixou de me interessar como antes fazia. Leio, no máximo, alguns contos e muitas releituras, eu disse: parei de ler livros e não de reler.
O cinema, os quadrinhos e os desenhos são hoje muito mais interessantes do que um romance fresco do Marcelino Freire, ainda que o considere um ótimo escritor.
Talvez tudo isso seja uma confissão desesperada, talvez uma grande mentira, talvez eu queria que vocês me comprem um livro.
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