terça-feira, 12 de junho de 2007

Seinfeld: faltam 3 dias

Seinfeld, a série americana mais bem sucedida de todos os tempos, terá lançada nessa sexta-feira no Brasil varonil a caixa da oitava temporada. Partindo desse fato, gostaria de falar um pouco sobre a série e sobre o efeito que ela provoca em seus admiradores e, por que não, em seus detratores também (como vocês podem ver, eu estou educadinho hoje). É muito fácil construir idéias pré-concebidas que sejam carregadas de negativismos acerca da série. Afinal, se muitas pessoas possuem verdadeira aversão por tudo aquilo que constitui o chamado American Way of Life, imagine quando falamos de uma série que justamente pervertia toda essa situação de costumes com um cinismo dilacerante. A própria natureza da série acabava dando margem para esse tipo de visão: se você tem um show que absorve uma ótica de vida na qual todas as sentimentalidades e emocionalismos baratos acabam sendo motivo de piada, é natural você provocar uma indisposição natural com aqueles que acreditam que o ser humano por si só já está impregnado com esse pessimismo e individualismo e que nada ajuda ver isso ainda jogado na sua face nua e cruamente por 4 solteirões neuróticos novaiorquinos.

Por isso, é normal encontrar pessoas que digam não suportarem o Jerry Seinfeld, não concordando de maneira alguma com os "valores" pregados na série. Mesmo nos EUA, onde os novaiorquinos são vistos como arrogantes pelo resto da nação (isso num páis cujo lema é "sou americano e posso tudo que quiser"), Seinfeld sempre esteve intrinsecamente ligado com essa visão superior e européia passada pela metrópole da Maçã.
E mesmo fatores periféricos, como o surto de ataques racistas cometidos pelo esquisitíssimo ator Michael Richards, o Kramer do show, num clube de comédia, acabam jogando contra a imagem da série. Os detratores Seinfeldianos usaram o episódio para atacar a própria imagem da série, usando de manipulações baratas para evitar separar a persona pública de Michael Richards do seu personagem, e jogando todo o contexto do show dentro das desbaratinações do ator. Tudo isso é um preço que Seinfeld e Larry David, criadores da série, sabiam que iriam acabar pagando. Afinal, é muito mais fácil quando se tem um show como Friends, que mostrava seis amigos bem sucedidos, bonitos, cobiçados vivendo num mundo artificial cujo única problemática residia na complexa questão "quem vai ficar com quem?" nos episódios, mas sempre com mensagens edificantes e finais que ressaltavam que todos aqueles seres de plástico tinham um coração escondido naquela embalagem de promiscuidade e alienação.

Seinfeld sempre escolheu ir para o lado contrário. Tirar humor da verdadeira natureza humana, da nossa mediocridade, da nossa incapacidade para lidar com as questões do cotidiano, do nosso egoísmo disfarçado em sarcasmos e ironias. As armas mais poderosas do homem moderno para lidar com o massacre ao qual somos submetidos. O Fundamentalista fez uma bela analogia ao dizer que a Lindsay Lohan deveria ter sido estrela nos anos 80. Pois Seinfeld chegou e mostrou justamente o nosso espelho no mundo pós-muro de Berlim, aonde todos os erros serão apontados e todas as culpas serão punidas. O inimigo, isso até vir Osama Bin-Laden, era interno.

Com todo esse panorama, é fácil odiar Seinfeld. Mas os detratores sabem a condição primordial para se criticar: evitar ao máximo assistir a série. Pois uma vez que você se empenha nesse empreendimento, bastam dois ou três episódios para você jogar todas as pressuposições para o alto e bater a cabeça na parede de tanto dar risada, não há como resistir por muito tempo. Tanto que, mesmo que provocando aversão na América conservadora, a série foi o maior sucesso da história por lá. Todos no final se renderam ao humor inacreditável da série. Somente podem resistir assistindo o show e ainda criticando a série aqueles obstinados, que acabam apelando para o argumento final: a suposta intelectualização da série. Mas nunca você verá alguém criticar o show pela sua proposta final, fazer as pessoas rirem. Pois nisso, nunca ninguém na humanidade, nem mesmo os bobos da corte da Idade Média, se igualaram ao Seinfeld, Kramer, Elaine e George. Yada, yada, yada.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Lindsay Lohan e os anos 80

Ouvindo The Arcade Fire, comecei a pensar nos anos 80. A sonoridade da banda sem dúvida me remeteu a isso. Minha intenção original era postar um comentário fora de época sobre Funeral, primeiro álbum desses quebequestaneses, mesmo com o Camarada Progressista tendo já entregado, com todo o seu virtuosismo analítico quando se refere à música, um faixa-a-faixa do Neon Bible.

Mas desisti, os pensamentos sobre essa década – para os fins desta reflexão, maravilhosa – me absorveram e, claro, me levaram até Lindsay Lohan. Trata-se do mês dela, portanto nada mais natural.

Os anos 80 deveriam ter sido a década Lindsay Lohan. Ela nasceu para as comédias adolescentes dos anos 80. Ela e John Hughes teriam formado uma parceria lendária do cinema. Lindsay seria rainha absoluta. Molly Ringwald não daria nem pro cheiro!
Para Lindsay, mais do que para qualquer outra pessoa, a queda do Muro de Berlim foi catastrófica. Com ele, lá se iam todas as utopias, inclusive aquelas que sustentavam os anos 80. Em lugar do clima de festividade kitsch que envolvia essa década, seguiu-se cinismo e ceticismo, que, numa onda crescente, nos trouxeram até aqui, até este início de século cujo grande saldo é uma Lindsay junkie. Ela é o tipo de pessoa para quem a perspectiva de que um dia todos serão amigos, abraçando-se felizes numa espécie de Terra do Nunca e se dando as mãos para erguer casas feitas de bolo e chocolate, é fundamental; sem a qual ela desmorona, como podemos testemunhar com grande tristeza.

Ah, estas linhas elegíacas, será que cabem aqui, neste espaço que muitas vezes prima pelos males que acabo de denunciar, tais como o cinismo e a indiferença? Não, não me façam perguntas. Eu me derramei nestas linhas e já começo a me arrepender.

TETÉIA DA SEMANA

L. Dee L.

Lindsay, exalando classe nessa bela foto. Foi tirada no momento que ela recebia a notícia da prisão da Paris Hilton. Sei o que passa pela cabeça da nossa ruiva favorita: "será o fim da era das party girls?". Talvez a brincadeira tenha acabado e seja a hora dessas garotas acordarem e crescerem? Perguntas complexas, que exigirão respostas mais do que adequadas dos analistas desse blog.

domingo, 10 de junho de 2007

Sobre Zodíaco

Bem, vou me defender, ainda que moderamente. Achei Zodíaco um filme chato; David Fincher, genial diretor de outros três filmes, quis mostrar que era gente grande e tinha largado sua narrativa criativa e sua estética maravilhosa.
Achei fundamental ele não vanglorizar o assassino, conforme apontado pelo Camarada Fundamentalista o tal assassino não passa de um comum, como todos aqueles que o filme foca; sim, todos aqueles são normais: nenhum serial killer minucioso; nenhum terrorista genial; nenhum criminoso cuidadoso. Nada disso, o filme trata do acaso. Às vezes as coisas não são completamente planejadas, às vezes as coisas não têm lógica, por consequência não podem ser solucionadas por um método. Quebrar um código e criar relações e teorias às vezes não leva a nada, somente no mergulho profundo na prática, eliminando - um a um, do impossível ao plausível na busca pelos fatos . Em resumo, é disto que o filme trata: o caos, o estilhaçado passado e a reconstituição dele e seus reflexos nas personagens.
Mas o diretor esqueceu do seu passado, passado elogiado, seja pela crítica e pelo público. E em nenhum time que está ganhando se mexe tanto. Espero que seja por se tratar de um filme baseado em fatos reais.

Rapidinhas sobre o Zodíaco

Respondendo ao ataque ofensivo propagado pelo chamado Camarada "Fundamentalista", fanfarrão-mor desse blog, vou dizer o que eu achei do filme Zodíaco. Quando sai do cinema, tive a impressão do filme ser muito bom e minuncioso. Agora, digo que o filme é sensacional. Cada vez que penso nele, mais impressionado fico. É revoltante que um cara como o David Fincher jamais tenha sido indicado ao Oscar, enquanto o velho requentado do Martin Scorcese, cujo último filme que presta data de 17 anos atrás, seja indicado todo ano. Ele é o melhor diretor de cinema dos últimos 20 anos, com um domíno técnico e narrativo de humilhar qualquer diretor badalado por aí (essa foi pra você Wes Anderson). Sim, melhor até que o Tarantino, que não é mais diretor faz tempo e sim lançador de moda. Virou um Andy Warhol cinematográfico. Como o Fincher é um cara fechado que não fica puxando o saco de ninguém por aí, é sempre deixado de lado. E o filme fracassou nos EUA. Americano é esperto mesmo.

Fomos ao cinema ver Zodíaco

Eu fiquei esperando ou o Progressista ou o Moderado escrever sobre Zodíaco, do David Fincher (diretor de Se7en, Clube da Luta e O Quarto do Pânico), que vimos nessa sexta-feira passada. Mas até agora nada. Os dois amarelaram. E, droga, pra justificar o nome desse blog, alguém tem que dar uma palavra sobre o filme. E já que eu estou lavando a roupa suja em público, como de costume, deixa eu dizer que não é a primeira vez que isso acontece. Pois saibam que eles dois foram assistir ao terceiro Piratas do Caribe. E por acaso houve alguma postagem comentando o filme? Não. Se eu gostasse daquela porcaria e tivesse ido assistir, pode apostar que vocês há muito saberiam que não valia a pena gastar o dinheiro de vocês com 170 minutos de pirataria hollywoodiana.

Mas eu sou eu, vocês já me conhecem, e nem todo o mundo pode ser perfeito. Vamos ao filme.

Quem estiver esperando ver um Se7en 2, vai se decepcionar bastante. Porque, e este é o aspecto mais intessante do filme, Fincher escolheu focar-se não no criminoso, mas na investigação; mais precisamente, nos homens comuns que conduziram a investigação. Homem comum que, como vocês sabem, é um eufemismo pra loser, perdedor. Pois então: Zodíaco é um filme sobre losers. O criminoso, aliás, é o maior de todos. E pra que não haja dúvida disso, eis que lá está ela, Chloë Sevigny, a madrinha de todos os zeros à esquerda que povoam as telas de cinema. Ela é a esforçada companheira de Jake Gyllenhaal, sabe, aquele que foi criado numa bolha, falava com um coelho gigante do mal imaginário na adolescência, e que depois se envolveu com um vaqueiro afásico, mas terminou tudo, e virou cartunista, casou, teve filhos, mas se divorciou, porque era viciado em decifração de códigos, de todos os tipos. É claro que alguém que é cartunista e divorciado não seguraria nem a Chloë Sevigny, que também acaba dando um pé na bunda dele, apesar de ainda amá-lo (poxa, ela é invencível).

Bom, pra resumir, são duas horas e meia de um CSI realista (pois é, gente, o CSI, por incrível que pareça, não é um programa realista: polícia, ou, como dizem no Zodíaco, gambé nenhum no mundo compra um carro de US$ 100,000 só pra resolver um caso), com umas pinceladas no impacto que o relacionamento obsessivo que alguns dos envolvidos criam com a investigação tem sobre suas vidas pessoais.

Mas essa – de abordar a investigação, e uma tão intrincada, que se estendeu ao longo de anos, costurando-a com a vida dos homens que a empreenderam – se mostra uma concepção falha. Seria necessário um filme de 300 minutos para desenvolver adequadamente as personagens, que, no final, acabam sendo secundárias diante de uma exposição muito competente, ainda que – para a maioria daqueles que virem o filme – exaustiva, das provas que jamais incriminariam decisivamente o principal suspeito.

Se tivessem colocado a Lindsay Lohan no filme, como uma jornalista inexperiente, mas dedicada e cheia de energia (eu sei, seria pura invencionice, e o filme é baseado em um caso verídico; mas seria só uma licencinha poética de nada), e aí ela solucionasse o crime, em vez do Donnie Darko, com um confronto direto com o Zodíaco ao final, no trailer onde ele morava (supondo que era o tal cara do trailer mesmo), tenho certeza de que as duas horas e meia passariam voando. Da próxima, eles fazem isso.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Num bar qualquer, com Richey Edwards

Eu não costumo sentar num bar e encontrar acidentalmente rockstars desaparecidos há mais de uma década. Isso não é comum para mim, como é para o resto das pessoas. Então, quando isso acontece, e, melhor ainda, quando se faz parte de um blog no qual posso relatar tal experiência, o jeito é aproveitar e contar tudo.
No caso, num desses dias polares que seguiram, estava num boteco mais fedido que o inferno buscando inspiração para escrever aqui. A sombra do mês Lindsay Lohan pairava sobre a minha cabeça, e eu, habitualmente inseguro,tinha medo de desapontar os milhões de fãs da Junkie Girl. No meio das lamentações, acabei vendo, sentado sozinho e tomando um copo do que parecia ser uma limonada, o Richey Edwards, guitarrista e letrista da banda galesa Manic Street Preachers, desaparecido desde 1995. Bem, era o que eu achava também. Aproximei-me da mesa do Galês, e o diálogo que se seguiu será relatado assim por mim:


Camarada Progressista: - Hello, i think i know you.
Richey Edwards: - Eu falo português.
CP- Legal! Então, você não seria por acaso o Richey Edwards, ex-guitarrista do...
RE: - Não, não sou.
CP - Como não é? É lógico que é.
RE - Sim, você tem razão, sou eu. Belo poder de persuasão.
CP: - Você não tinha desaparecido?
RE- Tinha.
CP: - Mas, se você está aqui, então não desapareceu!
RE. Não, não desapareci.
CP - Cara, você é o meu ídolo! Suas letras são, quer dizer, eram sensacionais!
RE - Todos nós temos ídolos. Os meus eram o Axl Rose e o Charles Bukowski.
CP - Legal! Então, conta pra mim, por que você deixou a banda, os fãs e toda a Grã-Bretanha procurando você até hoje, doze anos depois? Por que você fugiu?
RE - Fugir foi o meu ato de cura. Curei minhas patologias e minhas dependências idiossincráticas e finalmente pude contemplar o meu eu verdadeiro, lógico, racional e híbrido, sem perder o lirismo que sempre tangenciou a minha alma.
CP - (Alguns segundos de silêncio) É... legal, muito legal.
RE - Você não entendeu porcaria nenhuma do que eu disse, né?
CP - Sim, entendi.
RE - Diz que adorava as minhas letras, mas é incapaz de entender uma sentença por mim expressada. É, sinto muitas saudades dos meus fãs mesmo.
CP - (Um silêncio constrangedor. Segundos depois:) Cara, eu tenho um blog, e nesse mês, a gente tá promovendo o mês Lindsay Lohan! Falaremos de filmes, discos, comportamentos, tudo o que se refere a ela será tratado por nós nesse mês especial
RE - Lindsay Lohan?
CP - É.
RE - (Sorrindo pela primeira vez) Cara, olhando para aquelas sardas e para aquele cabelinho ruivo dela, eu poderia até jurar que ela era galesa... boa idéia, passa pra mim o endereço do blog, quero ler tudo.
Escrevo numa bolacha de chopp o endereço para ele, e então nos despedimos:
RE - Não conte pra ninguém que você me viu, ok? São Paulo é o lugar que melhor absorveu a mim como ser humano e como entidade, existe uma conexão orgânica entre o meu funcionamento e o dessa metrópole. Não fale no seu blog sobre essa nossa conversa, nem que eu ainda estou vivo, ok?
CP - Pode ficar tranquilo, Richey. Palavra de escoteiro.

Kafka e Lohan

Extrapolo? Sim. Profano? Se artístico e sagrado coincidem, pois não. Mas a senhorita Lohan tinha muita coisa em comum com Kafka. Kafka que transformou sua vida interior em literatura.

Como sempre, aponto no texto, que é o procedimento mais idôneo e autorizado do mundo.

E mais pop que Kafka não dá, por isso não me acusem de ostentação. E pra deixar o negócio ainda mais fim-de-feira, exemplifico com a frase inicial das mais óbvias obras do tcheco. Vejam se não parece até uma linha desses tablóides que vivem ocupadíssimos com as desventuras continuadas da pobre garota.
Lá vai:

“Quando certa manhã Lindsay Lohan acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseada em um inseto monstruoso.”

E essa, dos advogados dela:

“Alguém certamente havia caluniado Lindsay L., pois uma manhã ela foi detida sem ter feito mal algum.”

Eu sei que, ao divulgar essas terríveis coincidências entre duas personalidades tão díspares, posso dar margem a todo tipo de charlatanismo místico que se vê por aí. O Camarada Progressista, por exemplo; ele seria o primeiro a dizer que tal coisa se deve ao fato de que ambos são cancerianos. Claro: Franz Kafka e Lindsay Lohan são dois miguxões, muito, muito tímidos e sensíveis, que valorizam, acima de tudo, a família. E caso encerrado.

O verdadeiro cinema da retomada

Os anais históricos afirmam que o cinema brasileiro teve seu recomeço por causa do filme Carlota Joaquina, e logicamente, o recomeço do cinema com incentivos fiscais. Mas a produção cinematográfica so tomou forma, em meados do século XXI, na verdade, o cinema brasileiro tomou um rumo e saiu um pouco do artesanato que ainda figurava na década de 90. A partir do novo milênio conseguimos dois rumos distintos: A retomada do cinema de arte e a criação do cinema pipoca de qualidade.

O primeiro veio com Cidade de Deus(2002), direção de Fernando Meireles e Kátia Lund. Teve alguns filmes anteriores que exploravam as mesmas idéias: miséria, violência, lugares pobres e toda gama de situação nesses esquemas, mas nunca da forma que este filme fez.


A forma de escolher o elenco: a co-diretora, escolheu várias crianças e jovens carentes para interpretar crianças e jovens carentes. Criou um escola de atores na região e começou a treinar os garotos para a atuação. Idéia que se mostrou genial; além de poupar dinheiro com figurões ,criou um grupo de desenvolvimento de atores numa comunidade carente. O filme, assim, ganhou mais carga de realidade e bem próxima daquela feita pelo livro de Paulo Lins.

A forma como o filme foi feito: a maioria das pessoas que trabalhavam no filme eram oriundos da publicidade: Fernando Meireles, o diretor; Braulio Montovani, o fotógrafo; o montador e outros. A escolha trouxe o dinamismo desse tipo de comunicação ao filme, com isso a narrativa ficou ágil, com uma fotografia bonita e uma edição rápida e envolvente. O uso de vários filtros e tomadas de câmeras fizeram esse filme ser mais notado e mais estetéticamente atraente. A película apte hpje é reverenciada como uma obra de arte e está(pasmem) entre os 30 melhores filmes de todos os tempo( fonte: imd).

Agora o cinema pipoca brasileiro veio com "O Homem que Copiava"(2003), de Jorge Furtado. Com esse longa Jorge inaugura o cinema pipoca de qualidade no Brasil, aquele cinema que faz ecos no EUA e ,as vezes, na Alemanha e Irlanda. Tem as qualidades de um filme genial, mas não é crítico nem tem o intuito de ser um filme hermético, só tem o interesse, isso mesmo, de divertir a platéia. Ainda hoje esse tipo de filme, quase raridade nas terras brasilis, não tem se executado com muita maestria. Temos muita necessidade de filmes pipocas. Um dos interessante desse filme foi colocar a classe média como protagonista, pense, filme brasileiro vc lembra de favela e condomínio chique. Logo ele trouxe uma identificação com o público do cinema em geral e saiu um pouco da estética da fome, duramente criticada por alguns especialistas.

E convenhamos, os filmes acima, no trouxeram Seu Jorge e Lázaro Ramos, dois grandes atores da atualidade. Pois sim, só isso já bastaria pra confirmar que são filmes importantes

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Mês Lindsay Lohan: Operação Cupido

Tudo na vida tem um começo. Mesmo os grandes pensadores, pintores, físicos, matemáticos, químicos, escritores e jogadores de sinuca não nasceram mitos: tiveram de um dia começar a construir as realizações que permearam as suas vidas e os colocaram no seleto rol dos heróis da humanidade. Com a nossa Lindsay, não poderia ter sido diferente. Seu primeiro filme, Operação Cupido (Parent Trap em inglês), de 1998, quando ela tinha meros 12 anos de idade, marcou o início de sua trajetória profissional. E que começo poderia ter sido melhor com esse complexo filme, remake de uma película dos anos 60, que conta a história de duas gêmeas que crescem separadamente em Nova York e Londres e que não sabem da existência da outra, até que numa daquelas coincidências que marcam esses filmes, acabam indo para o mesmo acampamento, ficando amigas e resolvendo tentar juntar os pais para todos ficarem juntos, unidos e felizes como uma família deve sempre ser. É impossível ver o filme e não lembrar-se do clássico de Kiesloswki, a Dupla Vida de Veronique. As temáticas são parecidas? Não. O universo dos filmes é parecido? Não. As duas mulheres no filme de Kieslowski eram ao menos gêmeas? Não, não eram. E qual a semelhança então? Bom, os dois filmes possuem uma atriz interpretando dois personagens. Obrigado pelos aplausos dados para a minha perspicácia. No filme de Kieslowski, as duas mulheres eram metáforas da França e da Polônia: as duas eram cultas e inteligentes, mas enquanto a francesa tinha e sentia toda a liberdade para expor os seus talentos e sentimentos, a polonesa era reprimida e acabava encontrando um trágico final. No Operação Cupido ocorre algo parecido.

Uma gêmea é triste, a outra é alegre. Quando se encontram, acabam atenuando os excessos uma da outra e encontrando o complemento ideal para os seus comportamentos. Assim como a Inglaterra e os Estados Unidos. Um é triste, o outro alegre (nunca ninguém reduziu tão bem nações tão complexas em apenas uma expressão), e juntos acabam encontrando... encontrando... é, bem, deixa pra lá. Ponto para Lindsay e o seu notável trabalho de composição de personagens: quando interpretava a gêmea alegre, fazia cara de alegre: quando interpretava a gêmea triste, fazia cara de triste. Méritos para a genial diretora Nancy Meyers, autora dos espetaculares O Que as Mulheres Querem, Alguém tem que Ceder e o Amor Não Tira Férias (filme favorito do mano fundamentalista). O filme foi um sucesso retumbante no mundo todo, criando legiões de seguidores, gerando até encontros e feiras para celebrar o modo de vida do personagem principal e... não, eu tô confundindo com o Grande Lebowski, desculpem. Quem quiser ver esse clássico imortal, coloquem no Disney Channel, passa todo dia lá, em vários horários, legendado, dublado e o escambau. Depois, Lindsay iria diversificando a sua galeria de personagens, mas esse começo mostrou todo o talento escondido naquelas sardas.