terça-feira, 26 de junho de 2007

O silêncio dos moderados

Muitos duvidaram de nós, disseram que não íamos conseguir: levar um mês inteirinho falando sobre Lindsay Lohan? Loucura! O Camarada Moderado nos advertiu de que o assunto se esgotaria rápido. No entanto, lhe apresentamos uma pauta, um planejamento, e terminamos por convencê-lo. Ainda que muito moderado, sempre foi um homem de visão - assim, deu-nos a chance de provar nosso valor. Um homem de visão, mas prudente. Deu-nos essa chance, mas não desconsiderou os riscos, a possibilidade de fracassarmos. Ficou à espera.

Mas viu que demos conta do recado, por isso silenciou nos últimos dias, abrindo espaço para nós. Digo isso porque vocês podem estar pensando: Será que o Camarada Moderado está em férias? Será que ele brigou com o Progressista e o Fundamentalista? Será que ele arregou? Será que ele não tem assistido a filmes como Habana Blues para comentá-los? Será que ele arregou?

Não, minha gente, não é nada disso. O que parecia um sonho, uma loucura, está se realizando - chegamos à última semana do Mês Lindsay Lohan, com aquela sensação de trabalho bem feito, de missão cumprida -, e o Camarada Moderado comemora conosco: à sua maneira, rende-nos um louvor, pois, renunciando à sua habitual eloqüência, muito sucinta e incisiva. Muito moderado, não rasga seda, não se desfaz em elogios freqüentemente vazios. Se algo estivesse errado, se as coisas fossem mal, se manifestaria. Mas as coisas vão bem. Por isso, seu silêncio é a honra que nos presta. E o silêncio dos moderados é o mais alto reconhecimento que podemos esperar.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Lindsay Lohan

E pela última vez, Lindsay é a Tetéia da Semana. Quantas lágrimas não rolaram, não? Tristezas épicas, felicidades fulgurantes, leitores dando risadas às custas da nossa bela Junkie Girl. Essa semana encerra o já inesquecível mês Lindsay Lohan, mas isso significará que nós nunca mais falaremos dela nesse blog? Não sei. Eu não mando nada aqui, meus patrões, Moderado e Fundamentalista, escolhem todos os rumos desse site. Obrigado Lindsay (???), por tudo, e garantimos esforços sobrehumanos para finalizar em grande estilo! Semana que vem, quem será a Tetéia hein? Hein? HEIN?


domingo, 24 de junho de 2007

Lindsay cancerianus est

O negócio é o seguinte: eu sei a chave de todos os problemas que assolam a vida da Lindsay Lohan. O motivo já foi antecipado brilhantemente num post do Fundamentalista (estamos muito bonzinhos um com o outro ultimamente, tá na hora de voltarmos para as boas e velhas ofensas), Lindsay deve todos os seus problemas, eu digo, para desespero dos que gostam de textos sóbrios, TODOS OS SEUS PROBLEMAS, para o dia que nasceu, 2 de Julho de 1986. Por que você diz isso, Progressista? O que o dia de nascimento da menina tem a ver com o seu comportamento exasperado e autodestrutivo? Você escreve esse post sobre o efeito de algum etílico? Não. Explico-te. Pessoas nascidas no dia 2 de Julho nascem sobre o signo do zodíaco Câncer. Ha!, é isso, pô? Vai vir com essa bobagem de astrologia de novo? Cala a tua boca, moleque! Deixe-me aprofundar na matéria, por favor. Vejam bem, nos últimos dois anos, Lindsay entregou-se totalmente ao prazer mundano das drogas (rumores), bebidas (comprovadamente), e rock'n roll (nada indica que ela goste do gênero), comprometendo frontalmente a sua até então bem encaminhada carreira. Como consequência, foi alvo de críticas de todos os lados, pessoas que trabalharam com ela, nos filmes e discos, apresentadores, comediantes, e até, vergonha mor, da Rosie O'Donnel. Aí é demais! Todos metendo o bedelho na vida da menina. Intrusos sem convite numa festa de escárnio e humilhação. Mas nenhum desses tolos entenderam realmente a confusa psique da menina e os fatos que a empurraram para o submundo. Por exemplo, olharam eles para a criação que a garota teve, os valores passados por seus pais? Ou então, a total falta dos mesmos, já que o pai é um golpista que já foi preso por sonegação de impostos, direção alcoólica e agressão, tendo passado muitos anos da adolescência de Lindsay atrás das grades? E a mãe, o que fez para atenuar essa situaçao calamitosa? Tentou proteger a filha, dando atenção, conforto, carinho, propiciando condições para que ela pudesse evoluir como pessoa mesmo com os problemas do pai? Que nada. Sempre tentou colocar a filha desesperadamente no mundo artístico, expondo a menina despudoramente aos holofotes, tirando dela o sustento de um lar destruído pelas cafajestagens de um pai escroque. Ai que entra, gloriosamente, a questão dela ser canceriana.

O fundamentalista, no citado post em cima, comparou o comportamento de Lindsay com um notório canceriano, Franz Kafka. Lembremos então do livro póstumo publicado em cima de anotações dele, "Carta ao Pai", no qual Kafka aproveita para fazer uma carta, a qual ele sabia que jamais teria coragem de entregar, relatando ao pai todo o abuso psicológico por ele sofrido, já que seu pai era um sujeito desagradável sempre pronto para jogar ofensas na cara dos filhos, o que deixava o já naturalmente atormentado Kafka totalmente perdido. Vejam bem, para os cancerianos, nada importa mais que a familia. A casa é o único chão que um canceriano realmente consegue pisar e se sentir seguro. Por isso, ter a aprovação dos pais é tudo o que eles realmente precisam para terem coragem de encarar o mundo, notórios chorões que são. Pais que são estúpidos, grossos ou mostram comportamento incostante acabam praticando imensos transtornos psicológicos nos cancerianos. Pelo comportamento agressivo do pai, Kafka sofreu uma vida toda (lenços por favor), embora esse sofrimento e desalento tenham gerado alguns dos livros mais espetaculares da literatura moderna. O engraçado no livro todo é que Kafka, embora aponte os erros do pai, sempre tentava ao máximo não soar desrespeitoso. Ha, a classe canceriana...

Lembram do meu post falando da música que a Lindsay fez para o pai? Então, a música é, SEM SOMBRA DE DÚVIDA, o Carta ao Pai de Lindsay. Ela aponta os erros, pergunta ao pai se ele realmente a ama, mas deixa claro sempre que sente falta dele, apesar de tudo. Por isso, Lindsay só vai suportar a pressão da fama e as tentações dos clubes e baladas da vida quando os seus pais pararem de querer faturar em cima dela e realmente começarem a agir como legítimos progenitores. A Lindsay não é caixa eletrônico de banco não, ENTENDERAM, LOHANS? Bom, encerro aqui a sessão de psicanálise astrológica. Mas, antes, dois adendos pra finalizar: 1- Eu não acredito em Astrologia; 2- Eu sou canceriano. Ha, isso explica muita coisa, né? Vocês que me digam.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Separando o joio do trigo

Em julho de 2003, a revista americana Vanity Fair chamava atenção à suposta abundância de talentos adolescentes na atualidade. Quem só pudesse contar com essa capa seria induzido a acreditar que a afirmação da publicação é, mais do que otimista, factual. Por sorte, temos acesso ao trabalho de todos os rostinhos que aí figuram e, desviando-nos do efeito aliciador da fotografia, podemos colocar as coisas no devido lugar, separando o joio do trigo.

Da esquerda para a direita (clique na foto para vê-la ampliada):

Amanda Bynes: seu único mérito (?) é não ser um produto Disney (mas Nickelodeon).

Ashley Olsen: só ficou famosa por ser irmã gêmea de Mary-Kate Olsen.

Mary-Kate Olsen: só ficou famosa por ser irmã gêmea de Ashley Olsen.

Mandy Moore: calça 41.

Hilary Duff: garota-propaganda do governo Bush, como, com muita propriedade, assinalado pelo Camarada Progressista.
Alexis Bledel: quantos episódios de Gilmore Girls você teve de assistir pra descobrir que, isso sim, era um programa sobre o nada: só que, ao contrário de Seinfeld, literalmente? Quem sabe quando Alexis tiver uma chance de verdade de chegar a algum lugar (Sin City definitivamente não conta), ela deixe de olhar pra gente com cara de assustada.

Evan Rachel Wood: podia ser muita coisa, mas, coitada, se contentou em ser a senhora Marilyn Mason. É isso que eu chamo de excesso de MTV.

Raven: ela faz, faz careta pra gente não dormir, mas a gente dorme, porque That's so Raven.

AND Lindsay Lohan: vide todo o Mês Lindsay Lohan.

O que faz de mim um homem privilegiado? O que diferencia a nós, camaradas, da patuléia? Nosso olhar arguto, nosso gosto refinado, nossa clarividência. E de que, se não me engano, não se pode mais duvidar, depois de colocados à prova por esse jogo de espelhos, por essa nivelação insidiosa, que certamente engana o observador desavisado, mas a nós jamais.

Os 13 Homens e alguns segredos também

Hoje, estréia no país 13 Homens e um Novo Segredo (Ocean's Thirteen), terceiro filme do bando comandado por Danny Ocean, personagem que no filme original de 1961 (faz tempo) fora de Frank Sinatra e agora é interpretado pelo George Clooney, e nos papéis que foram na época dos outros membros do Rat Pack, tais como Dean Martin, Sammy Davis Jr. e Peter Lawford, entraram Brad Pitt, Don Cheadle, Matt Damon, entre outros astros. Os dois esforços anteriores, Onze Homens e um Segredo (Ocean's Eleven;) e Doze Homens e Outro Segredo (Ocean's Twelve) provaram toda a criatividade dos tradutores brasileiros nos títulos, e... bem... bom...é... realmente, acho que foi só isso mesmo. O único segredo realmente importante que pode-se tirar de todos esses filmes é um só: Steven Soderbergh é a maior farsa do cinema americano, o Jack White com uma câmera na mão e cifras de dinheiro na cabeça. Os três filmes foram dirigidos por ele, que foi ganhador do Oscar de melhor diretor pelo Traffic, em 2000. Um cara com um certo respaldo no meio cinematográfico. Então, por que cargas d'água, nos últimos sete anos, ele tem se dedicado a fazer essa série, provavelmente o maior esforço auto-indulgente da história de Hollywood (nem o Rat Pack dedicaria tanto tempo com bobagens assim)? Qual o comichão que esse sujeito sente que o faz encher a tela com os maiores astros do cinema contemporãneo brincando de atuar, fazendo cara de deboche e dizendo piadas auto referentes a cada dois segundos, um clubinho para o qual eles jamais convidam os espectadores para fazer parte, tudo isso tendo como pano de fundo roteiros vagabundos sobre golpes em cassinos (zzzzzz)?
A justificativa oficial é que Soderbergh, junto com o Clooney, tem uma produtora de filmes, e faz os filmes dos duzentos homens e todos os segredos para bancar projetos mais artísticos e ambiciosos, consequentemente sem tanto apelo de público e mais arriscados comerciamente. Tá, isso é lindo no papel. Mas, vamos para a prática.
George Clooney dirigiu nos últimos cinco anos dois filmes, Confissões de Uma Mente Perigosa, elogiado porém um fracasso nas bilheterias, e Boa Noite e Boa Sorte, esse sim um sucesso de crítica e, pelas indicações ao Oscar que recebeu, de público também (merecidamente, é um bom filme). Provou que é produtivo, pelo menos.
E o Soderbergh? Diretor do clássico cult de 1989, Sexo, Mentiras e Videoteipe, filme superestimado e chato, do canto do cisne da carreira da Julia Roberts, Erin Brockovich, em 1999, que de bom, como todos sabem, tem somente os decotes da Julia e nada mais, o que o Steven fez de bom desde o primeiro filme dos golpistas do Danny Ocean, em 2001? Solaris? Há, dá um tempo. Bubble? O que, alguém realmente assistiu esse filme? Duas produções baratíssimas (se bobear custaram menos que o El Mariachi), e que passaram constrangedoramente desapercebidas nos cinemas do mundo todo, já que tratavam-se de produções "independentes", supostamente a paixão de Soderbergh.
Ok, se o cara ama tanto o cinema underground, por que não usou a grana que ganhou com os Onze, Doze e Treze Homens para fazer filmes realmente interessantes, ao invés de perder tempo com experiências inúteis? É tudo pelo ego mesmo? Colocar George Cloone, Brad Pitt, Matt Damon, Don Cheadle, Andy Garcia e, agora, Al Pacino, juntos em alguns metros de película e dizer que "ó, quem teve cacife pra juntar toda essa galera fui eu! Se for colocá-los num filme normal, o orçamento de cachês vai ser uns 150 milhões sozinho, certo? Eu sou o cara, entendeu?". Mas aí, você diz que no ano que vem, ele vai lançar dois filmes simultâneos sobre o Che Guevara. Tá, legal. Diários de Motocicleta saiu outro dia mesmo, não foi? Agora, dois filmes seguidos com o mesmo tema, sendo que nos dois filmes Benicio Del Toro, insuportável ator, interpretará o revolucionário mais Pop da história. Imagino o quanto esses projetos farão diferença para o mundo. Todos os chatos adoram o Che Guevara, Walter Salles (aquele que saiu da sala quando o Elia Kazan foi receber o polêmico Oscar honorário, claro, tem todo cacife para fazer isso mesmo) que o diga. Mais uma vez, Soderbergh vai apelar para ganhar alguns trocados as custas da patuléia, já que Brad Pitt e Clooney afirmaram que a série dos Homens acabou.
Soderbergh está a deriva, sem os seus astros que trabalharam por caridade para ele em três filmes. O mundo que se cuide: bocejos e truques desonestos de edição virão por aí

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Vida e arte de Lindsay Lohan

Toda semana Lindsay Lohan proporciona a tablóides e blogs de meninas amargas e despeitadas, que não se conformam com o fato de alguém ser tão bonita e ao mesmo tempo tão talentosa, motivos pra preencher suas pautas medíocres. Mas onde essas serpentes só enxergam escândalos e vexames, na verdade, se esconde a fonte de sua criação artística.

A pergunta que se coloca, diante da filmografia que ao longo deste mês procuramos expor da maneira mais detalhada e isenta possível, é: de onde uma moça tão jovem e naturalmente inexperiente retira material para dar tal profundidade e nuances a suas personagens? Pois o que a maioria se contenta em explicar apelando, de modo muito vago, à “precocidade”, demonstrarei que está decisivamente associado ao estilo de vida autodestrutivo da atriz. Exatamente: são as bebedeiras e orgias em que vive se metendo Lindsay que lhe fornecem substrato para transpor às frias telas de cinema, com tanta intensidade, a contraditória natureza humana.

O aparato crítico para tanto, não se surpreendam, o encontraremos em Nietzsche. Em sua estética – que, como sabem, equivale a uma filosofia da vida – baseada no par, num primeiro momento, opositivo: apolíneo e dionisíaco. Com esses dois conceitos – na verdade, dois princípios, duas forças imperantes da natureza –, Nietzsche explica o fenômeno artístico em geral.

Apolo é o deus da luz, e o princípio que personifica é o do equilíbrio, da harmonia, da bela aparência. Ou seja, está presente no ato consciente, racional e lúcido do artista à procura da forma bela, guiado pela noção da plasticidade (portanto, uma questão da visão): por isso, a escultura é, nesse caso, a arte mais emblemática, na qual esse princípio se cumpre de maneira mais evidente. Aqui, o belo é uma fuga ao sofrimento.

Ao passo que Dionísio é conhecido como o deus da orgia, da embriaguez, ou seja, da liberação das forças ocultas do inconsciente, da dissolução da personalidade. É a experiência quase mística, isto é, de fusão do indivíduo num todo maior, que lhe transcende, proporcionada pela música. Trata-se de mergulhar de cabeça em tudo o que diz respeito à exuberância e opulência do que é vivo, inclusive a dor.

Esses dois princípios estão em constante luta, procurando um sobrepor-se ao outro, e eis o que é a Camarada Vida. Nietzsche, no entanto, via a tragédia clássica como a confluência de ambos. Ora, sr. Nietzsche, não só a tragédia clássica, como também Lindsay Lohan, como podemos concluir, vencida essa soporífera exposição.

Em que consiste a arte de Lindsay? Em se aprofundar naquilo que há de mais humano, e da maneira mais intensa possível, que é através da cachaça (sem mencionar outras drogas mais pesadas: cocaína, Jude Law...), e a partir daí, já num estado de distanciamento e absoluto controle dos recursos dramáticos, elaborar uma persona que, aos mais incautos, comunica apenas um encanto, uma beleza de sonho (a bela aparência do apolíneo), mas na qual se concentram tensões muito reais e sutis (a violência latente do dionisíaco, sempre prestes a dominar o indivíduo). O aspecto dionisíaco de sua vida lhe proporciona a riqueza inesgotável das sensações e desejos que o apolíneo converterá numa performance coesa e assimilável pelo espectador, dito grosseiramente.

Portanto, estamos diante de alguém que, no sacrifício de seu próprio bem-estar e de sua integridade física, lega ao mundo – arte. Ah, mas pelo menos nós, camaradas, não o esqueceremos.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Mês Lindsay Lohan: Resenha do Disco "A Little More Personal (Raw)"

Não tinha jeito. Nós, ambiciosos e ousados blogueiros, quando decidimos dedicar um mês temático para a Lindsay Lohan, sabíamos que, cedo ou tarde, deveríamos tratar do ponto mais delicado e controverso da carreira da junkie girl: a parte musical da história. Lindsay lançou dois discos, separados pelo espaço de um ano apenas. Em 2004, lançou Speak, um disco vagabundo feito com o propósito de testar a recepção da mídia e fãs para uma possível carreira musical de Lohan, com faixas produzidas a toque de caixa e sem o menor preparo que fosse adequado a um lançamento desse. A verdadeira estréia de Lindsay veio menos de um ano depois, com esse disco entitulado "A Little More Personal (Raw)". Ela deu entrevistas antes do disco dizendo que queria participar ativamente de toda a produção, escrevendo letras e produzindo faixas inclusive, o que acabou acontecendo, já que das 12 músicas, Lindsay co-escreveu 8, restando duas covers e apenas duas músicas não escritas por ela. Uma verdadeira façanha para uma atriz de 19 anos de idade sem qualquer experiência. Principalmente se lembrarmos que a cantora de maior sucesso da nova geração das princesinhas da Disney, Britney Spears, foi somente tentar escrever alguma coisa no seu quarto disco, e esse é o ganha pão dela, já que como atriz ela é uma excelente interna de hospício.
Louvável! Sim, já sei o que vocês estão pensando, que quando cantoras jovens tentam escrever letras e melodias sempre acaba dando desastre, vide as Kelly Clarksons da vida. E nesse caso, chegou perto disso. O disco falha em diversos sentidos. As duas covers, uma do Cheap Trick (acredite se quiser), I Want You To Want Me, e a outra da Stevie Nicks, Edge of Seventeen, são artificiais e totalmente desprovidas de vida e propósito. A voz dela, mesmo com o Pro Tools, soa muitas vezes fora de tom e longe de qualquer tipo de técnica vocal mais desenvolvida. Agora, vamos ao material escrito por Lohan. Expectativa. Tensão. Olhares tortos. O que será que ele vai dizer?

Bom, o que vocês poderiam esperar? Não dá pra você tentar escrever um disco sendo primeiramente atriz, tendo 20 anos e sair fazendo letras dignas de uma Patti Smith, pô! Milagre agora? Mas, embora nada do que tenha sido escrito e composto por Lindsay seja digno de figurar numa lista de melhores da história, gostaria de propor a vocês uma fixação de ponto, em algo que salvou o disco de ser um desastre completo: o tom confessional adotado por Lindsay nas letras. Mesmo nos momentos mais maçantes, mesmo sobrecarregadas pela instrumentação padronizada que infesta os discos contemporâneos, com bases eletrônicas pré-gravadas e melodias muitas vezes paupérrimas, louvou-se, com justiça, a vontade mostrada por Lindsay de expor os seus medos e inseguranças no disco, ao invés de apelar para o caminhos mais fáceis.

Uma música em especial acaba sendo o maior acerto do disco e uma mostra de que algo mais valioso poderia ter sido tirado dessa experiência: o primeiro single e primeiro clipe, Confessions of a Broken Heart (Daughter to Father). Uma música com destacada alma e vivacidade, corajosa em todos os sentidos, ou é comum que uma estrela pop lance como primeiro single dos seus discos uma música na qual implora respostas e amor ao pai golpista e escroque? Normalmente elas lançam musiquinhas sobre amores baratos, paquerinhas tolas ou, nos piores casos, odes indiscrimados às orgias no mundo contemporâneo (essa é sua, Nelly Furtado). É comovente ouvir na música a garota, tão bajulada e adulada, chamando pelo pai de uma maneira emocionada e verdadeira, realmente passando para o ouvinte a sensação de desamparo que ela deve sentir sempre. Lindsay, como sempre fez na carreira, preferiu usar esse projeto, visto pelos seus empregadores como ferramentas para lucros infinitos, para traduzir as suas experiências de vida em música, e o resultado, embora longe de ser considerado o maior momento da música pop, mostrou mais uma vez que Lindsay Lohan é especialista em tirar algo de onde somente existiria a mediocridade, mesmo indo contra todo um sistema que padroniza artistas e coloca-os numa mesma embalagem sonora porca e limitadíssima. Por isso que consegue sempre dar dignidade aos projetos normalmente tolos que topa participar.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Fim do casal Íris e Alemão!

No sofá com Sônia Abrão, discutimos ela e eu, Camarada Fundamentalista, a separação de Íris e Alemão, algo que pegou todo o mundo, principalmente os milhares, digo, milhões de fãs do casal, de surpresa.

Sônia me expõs pormenorizadamente todos os fatores que, segundo ela, poderiam ter influenciado a triste decisão. Desmentiu, inclusive, o boato absurdo, publicado pelo Diário de S. Paulo, que nomeava a apresentadora Eliana como pivô do rompimento. Ela e Alemão se conheceram na festa do 7º Prêmio Contigo!.

Para mim, como expliquei a Sônia, aproveitando sua observação quanto ao temperamento apaixonado de Íris e a como esta se entregou integralmente no relacionamento com o Alemão, que era preciso construir sobre a evidentemente sincera paixão entre eles sólidos vínculos afetivos que, infelizmente, por causa do momento profissional que ambos vivem, acabaram sendo impossibilitados. "Sônia, é sabido que para os artistas é um processo muito difícil e demorado esse de conciliar a vida pública e a vida pessoal; exige, como se diz, jogo de cintura. É uma questão extremamente séria. Muitos acabam se destruindo justamente por serem incapazes de se equilibrar entre as duas vidas. Você vê o caso de Lindsay Lohan: ela está obviamente perdida."

Sônia concordou comigo.

Mês Lindsay Lohan: Sexta-Feira Muito Louca

Eu já tinha falado um pouco desse filme num texto anterior (tô com preguiça de botar link, desculpas para todos), mas como nós somos minunciosos e precisos em todos os nossos esforços, falaremos desse filme mais profundamente . Sexta-Feira Muito Louca (Freaky Friday, 2004) é uma refilmagem de um filme do mesmo nome de 1976, dirigido por Gary Nelson (quem?) e estrelado pela Barbara Harris (quem?) e pela Jodie Foster (a, agora sim), e contava a história de uma mãe solteira sempre em atrito com sua filha mais velha e que, depois de um truque roteirístico vagabundo, acabam trocando de lugar uma com a outra, para (lá vem clichê) finalmente pararem de encrencar uma com a outra ao sentirem na pele o quanto é difícil ser mãe e filha e finalmente encontrarem a harmonia familiar. Tocante. Bom, o filme de 76 foi um sucesso mediano, mas por algum motivo os geniais executivos da Disney acharam uma boa idéia fazer uma versão "moderna" (como se os anos 70 fossem parte do período Mesozóico) do filme, e nos papéis que foram de Harris e Foster no original escalaram a Jamie Lee Curtis (filha favorita da Janet Leigh) e ela, a menina, a junkie, o mito, Lindsay Lohan, respectivamente.

O resultado foi um sucesso de bilheteria e um surpreendente respaldo dos críticos, que consideraram o filme acima da média dos esforços adolescentes hollywoodianos, principalmente quando se trata da Disney. Tudo isso é muito bonito, mas a pergunta é: esse respaldo foi merecido? E se , realmente, o filme mereceu esses louros, a quem devemos dar crédito? Perguntas difíceis e complexas, mas que serão, sim, respondidas por mim, livre arbitrador da verdade e da justiça. Eu não tenho o menor pudor em afirmar, categoricamente, aonde mora a verdade, na minha opinião: todo o sucesso do filme merece ser debitado na conta da Lindsay Lohan, tão e somente. Aí, você diz: "Mas como assim, Progressista? E a coroa ajeitada da Jamie Lee, não tem mérito no bagulho não?". Calma, que eu explico. Falemos das atuações, um dos dois fatores que podem fazer a diferença num filme desses (o outro sendo supostas sacadas inteligentes de roteiro. Ou vocês imaginam que um filme que fala de troca de mentes entre mãe e filha por culpa de um biscoito chinês terá o mínimo comprometimento com qualquer coerência narrativa? Ingênuos).

Enquanto que a Lindsay se preocupou em repetir todos os maneirismos da Jamie Lee Curtis, compondo uma atuação brilhantemente eficiente e surpreendentemente séria para um filme tão boboca, a Jamie Lee pensa que atuar passando-se por adolescente significa fazer caretas, soltar grunhidos, ficar socando o ar a cada cinco minutos sem motivo aparente, úm desastre completo, sendo que a maneira que a Lindsay compôs a sua personagem não condiz em nada com a imitação escolhida pela Jamie Lee. A personagem criada pela Lindsay era uma adolescente atormentada pela morte do pai, em visível crise emocional, mas discreta e sem tendências para melodramas e exageros. Aí vem a senhora Curtis e joga tudo pro alto gritando e esperneando que nem uma maluca. Aí fica difícil. Mas os críticos adoraram ver a velha tocando guitarra e fazendo chifrinhos para o alto. Deprimente. E pela primeira vez na sua carreira, já em seu segundo filme, Lindsay Lohan consegue fazer de uma produção fraquinha um filme muito acima da média, algo que tornaria-se constante na sua vida profissional, até o dia que ela resolveu brincar de roleta russa com a propria vida e carreira. Mas falaremos mais sobre isso em breve, aguardem (que entrem os comerciais, por favor).

segunda-feira, 18 de junho de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Lindsay Dee Lohan

Depois de toda a tristeza da foto da semana anterior (que fez muitos leitores e um camarada caírem nas lágrimas), vamos colocar uma foto mais fofinha (ui!) da Lindsay aqui. Essa é a penúltima semana que ela será Tetéia, já que o mês Lindsay Lohan terá o seu fim no dia do aniversário dela, 2 de Julho, contando inclusive com uma mega festa que terá a presença dela, Lindsay Lohan em pessoa. Mais detalhes no decorrer da semana. Mês Lindsay Lohan: faltam 13 dias para o fim.