sábado, 30 de junho de 2007

A Ética Lohaniana, ou: They Shoot Horses, Don't They?

Quando pensamos na palavra ética, normalmente acabamos levando o seu significado para generalizações estúpidas, que ignoraram torrentes de pensamentos que evidenciam o termo sempre dentro de contextualizações e situacionismos. Nós hoje normalmente temos a tendência de agir, ou mostrar para os outros os nossos atos, como se seguíssemos sempre a famosa ação racional com relação a um valor, ou seja, queremos dizer, para os outros e para nós mesmos, que mesmo no mundo objetivamente massacrante e implacável que vivemos, ainda sim podemos ser fiéis a um código de conduta, possa ele ser ditado por nós mesmos ou por laços afetivos, emocionais ou de trabalho com os nossos semelhantes. Ou seja, somente sentimos o nosso valor como indivíduos no mundo das padronizações e equalizações robóticas quando tentamos manter um mínimo de coerência e respeito ao mundo que nos cerca.

No caso da nossa querida Lindsay Lohan, temos um exemplo claro de alguém que, por ingenuidade ou por puro desleixo, acaba dando aos seus semelhantes liberdades que acabam expondo-a dentro de situações impensáveis com relação a um meio de trabalho específico, nesse caso o mundo artístico, que, apesar da aparência libertária que mostra ao mundo exterior, coloca os seus membros dentro de rígidas convenções, raríssimas vezes desrespeitadas. Uma delas, sagrada convenção que perdura desde praticamente a criação de Hollywood, diz que o que acontece num set de filmagem, morre num set de filmagem. Pitis de atores, brigas de egos, diretores descontrolados, drogas, bebedeiras, desavenças, tudo isso, quando vem à tona, sempre acontece por méritos de sagazes jornalistas, nunca por profissionais do meio vindo lavar a roupa em público.

Até mesmo quando vazou na Internet o vídeo mostrando o total descontrole do Diretor David O. Russel no set do filme Eu Amo Huckabees, gerou-se uma revolta no meio, com todos dizendo que a pessoa responsável pelo vazamento do vídeo teria a carreira acabada nos meandros Hollywodianos, mesmo com o papelão proporcionado pelo diretor. George Clooney, desafeto de Russel e suspeito de ter vazado o vídeo, teve que vir a público desmentir uma suposta ação sua.

Toda essa situação foi chutada para escanteio nos bastidores da produção Georgia Rule, que no Brasil terá o nome de a Toda Poderosa, filme malhado pela crítica e estrelado pela Jane Fonda e pela Lindsay Lohan. O comportamento de Lohan no set deu início a diversos rumores e boatos, algo normal na mídia que cobre o showbusiness, mas o que realmente foi impressionante é que, de uma hora para a outra, a Jane Fonda, os produtores do filme, o diretor, todos começaram a criticar duramente Lindsay na imprensa, jogando nas costas da garota um futuro fracasso do filme, citando sempre um suposto "comportamento anti-profissional" dela, apontando atrasos, comportamentos rudes e excesso de noitadas no meio das filmagens.

Não é a primeira vez que Lindsay é achincalhada pelos seus colegas. Citei antes no blog o caso Hilary Duff, que zombou dela quando roubou o namorado. Um outro ex-namorado também xingou-a quando começou a namorar a (pasmem) Paris Hilton. Depois dos eventos do Georgia Rule e da execração pública que a equipe do filme promoveu, Lindsay também foi alvo de piadas e de comentários de outros colegas, apresentadores, todos que pudessem malhar a menina aproveitaram e foram em frente. O que fez Lindsay? Reagiu? Exigiu respeito? Que nada. Nas entrevistas que deu para promover o Georgia Rule, Lindsay praticamente implorou de joelhos perdão para os porcos da produção do filme, disse que a Jane Fonda era uma pessoa excepcional e que sempre irá lembrar dos conselhos dela, que se sentia terrivelmente mal por ter arruinado uma produção tão dispendisiosa. Ou seja, pediu perdão por todos os problemas da humanidade. Em nenhum momento atacou ninguém. Como sempre, por pior que fosse a sua situação psicológica, emocional, por piores que fossem os ataques, ela jamais fez com ninguém o que as pessoas não pensaram duas vezes em fazer com ela. Ao contrário dos seus iguais, ela verdadeiramente guia-se pelo valor. E esse é o grande problema.

O comportamento dela foi mesmo errático. Ela realmente atrasou a filmagem, mas nada que justificasse tamanha comoção. Agora, quando um Marlon Brando lia falas dos textos em cartões, chamava diretores de apelidos jocosos, fazia birra destruindo takes inteiros, influindo em todos os aspectos das produções, todo mundo achava lindo. O Marlon Brando podia, afinal ele era daqueles que, se alguém falasse mal, ia e enfiava o dedo na cara. Aí, todo mundo se borrava e ficava quieto. Era o Brando, pombas! Ele podia tudo!

Aí, diretor, produtores e atriz veterana de uma porcaria dum filme, uma bomba atômica ambulante, todos eles colocam a culpa de um fracasso antes mesmo do filme sair numa garota de 20 anos de idade passando por momentos difíceis e que, por incrível que pareça, segundo os críticos, teve uma atuaçao aceitável nessa droga. Ou seja, pelo menos na tela, Lindsay sai ilesa do desastre. O maior papelão foi, sem dúvida, da Jane Fonda, atriz de 245 anos de idade, que se meteu em causas de paz e revoluções nos anos 70, chegando a posar com as tropas vietnamitas apontando um canhão para os soldados americanos, e que depois se casou com o bilionário americano Ted Turner, que significava praticamente o contrário de tudo aquilo que ela pregava nos anos de luta. Um exemplo de coerência de vida. Lindsay, ainda há tempo: marque uma entrevista, xingue a velha com o famoso apelido "Hanói Jane", que ela ganhou na época da Guerra e detesta, e diz que todos que quiserem depreciar você deveriam mesmo é morrer abraçados com o Capeta. Não deixe pessoas medíocres jogarem em você as culpas e frustrações de projetos canhestros e que não sejam merecedores da sua presença. Jane Fonda my ass!

Lindsay Lohan e Tyler Durden

Ao longo deste mês, o que fizemos, algumas vezes com sucesso, foi contextualizar Lindsay Lohan. Toda a questão era essa. Entenda-se que, por exemplo na chamada grande imprensa, imposturas e equívocos se cometem justamente por um problema de contextualização.

Lindsay Lohan é apenas um nome, um nome vazio que se pode preencher como quiser. Mas, a partir do momento em que se decide fazê-lo nome de algo, monta-se um cenário, um lugar onde colocá-lo. Para nós, foi importante lembrar que lugar é este: no caso, uma época. Que não basta recolher as manchetes publicadas com esse nome para estar ciente de quem atende por ele. Mas que os excessos associados a Lindsay Lohan se devem menos a ela do que à época em que vivemos.
Ontem, assisti a Clube da Luta. Não podia ter sido mais oportuno. Clube da Luta é exatamente o contexto que procurávamos para acomodar Lindsay Lohan. A sociedade de consumo invertida, mas ainda sociedade de consumo: massificada, com um forte espírito de rebanho. A geração fast food voltando-se contra si mesma. Isto é, uma crítica a uma revolução que apela aos mesmos vícios e fraquezas que sustentam a ordem que se quer destruir. Algo como: "isto aqui não presta, mas o que vocês têm feito pra mudar, com esses discursinhos anti-Mcdonald's, também não". O sabonete é uma bela metáfora: transformam-nos em produto e assim ganhamos a aura característica de todo produto - que é o de ser uma solução acabada, uma necessidade satisfeita. Somos consumidores daquilo que queremos ser. Inclusive, revolucionários.

Acusaram o filme de fascista. Não entenderam o cinismo, o profundo cinismo de cada cena, de cada personagem. Clube da Luta é um Seinfeld apocalíptico, dark. Clube da Luta é também sobre o nada, só que, sem a estilização que o compromisso com o humor impõe, suas personagens não estão tão conformadas com isso.

Mas a questão que introduz Lindsay nessa história toda é: e se um filho desse rebanho ascende, destacando-se do resto, isolando-se do rebanho? A quem há de seguir? Quem será seu pastor? Mais do que isso, o que lhe pregarão, se foi tornado ele mesmo pregação? Pois o que é esse filho que ascendeu? Não é um exemplo para os demais, aquilo a que devem aspirar? Portanto, a própria pregação? O evangelho custa a (auto)destruição do próprio messias. A grande falsidade nisso tudo é que o messias era como o resto, ainda que o resto (ou ele) não soubesse, mas foi vendido como ideal, como um passo à frente. Foi feito limite daquilo que podemos fazer e, principalmente, ser. Pobre Lindsay Lohan, também ela queria ser Tyler Durden?

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Mês Lindsay Lohan: A Prairie Home Companion

A Prairie Home Companion (2006) foi o último trabalho de Robert Altman, que faleceu ano passado, aos 81 anos. Aqui, no Brasil, recebeu o título A Última Noite, que me recuso a usar, já que leva todos a confundirem-no com o filme do Spike Lee. Trata-se de uma reflexão sobre como morrer com dignidade. Pra Altman, que então parecia pressentir o próprio fim, isso significa morrer trabalhando, e fazendo um trabalho bem feito. E foi o que ele fez, deixando-nos um daqueles filmes que, como eu disse numa postagem anterior, cada vez que a gente assiste gosta mais.

Retrata a última transmissão de um programa de rádio. E como à medida que as personagens vão tomando conhecimento disso, vencem o sobressalto inicial e passam a resignar-se, dando lugar àquele velho chavão: "O show deve continuar". Novamente Altman faz aquela que era a sua especialidade: narrar a vida de várias personagens cuja principal coisa em comum é o fato de estarem no mesmo lugar.

Durante seus 105 minutos, a gente ouve muita, mas muita música country. Só que de raiz, prestem atenção. E sem playback. É a Meryl Streep mesmo que canta (e nos comove em alguns momentos). A surpresa, no entanto, fica por conta de Garrison Keillor, que é, aliás, também fora da ficção apresentador do programa, que realmente existe, e até hoje. Sua serenidade e indiferença (que fazem inveja a qualquer adepto do estoicismo) é que conduzem o show, com a eficiência e naturalidade de todos os dias, até o fim que, como infelizmente escapou a TODOS os comentários feitos a este filme, na verdade aponta para a continuidade. Eis a mensagem cifrada de Altman, a semente que ele plantou, mas que ninguém reconheceu como tal.

Atentem a uma ambigüidade que só mesmo a arte possibilita. Para encerrar aquilo que é, não somente a derradeira transmissão do programa, mas também o gesto final de uma carreira cinematográfica única, Garrison Keillor e Robert Altman chamam ao palco Lola Johnson, interpretada por ninguém mais, ninguém menos que Lindsay Lohan.

A história da participação dela nesse filme é à parte. Foi ela que insistiu pra fazer esse trabalho – esperta, muito esperta –, mas nem havia um papel que se adequasse ao perfil da mocinha. Mas o Altman, que era esperto e meio, fez questão de escrever um só pra ela. Apesar de um papel pequeno, a menininha resplandeceu, em todo o seu talento, interpretando uma adolescente melancólica, sem cair no estereótipo.

Muito nuançada, Lola nos comunica que seu pessimismo é apenas uma defesa, hesitação de alguém que, na verdade, tem sede de viver e de brilhar. E como, ao fim, podemos confirmar, Lola desabrocha – nesse ponto, ela veste o xale rosa para ir ao palco, sinalizando simbolicamente a suavização da perspectiva depressiva que ela mantivera até o momento e que se desfaz imediatamente, tão logo ela aceita o desafio de mergulhar de cabeça nessa aventura que é viver.

É como se Altman dissesse "eu vou, mas ela fica". É isso mesmo, minha gente, estamos muito bem acompanhados quando ressaltamos a singularidade dessa garota. E parece que nem Altman nem nós nos engamos, já que Lindsay se sai com um dos papéis secundários mais marcantes da história do cinema.

Mês Lindsay Lohan: Sorte no Amor

Eu não vou dourar a pílula. Sorte no Amor (Just My Luck, 2006) é uma bela porcaria. Mas não o são todos os roteiros dos filmes estrelados pela senhorita Lohan, exceções honrosas para o Meninas Malvadas (em termos) e para o A Última Noite (esse sim, um FILME de verdade, em breve comentado pelo Fundamentalista)? Sim, mas em filmes como o Confissões de uma Adolescente em Crise e o Sexta-Feira Muito Louca, Lindsay proporcionou verdadeiros milagres ao, somente com a força de sua atuação, elevar o patamar dessas produções rasteiras. Mas no caso dessa película do ano passado, já são nítidos os efeitos provocados pelos excessos da vida festeira e irresponsável que ela vem levando ultimamente.
É fácil perceber ao assistir esse lixo o quanto ela não estava nem aí com o projeto, passando pelos torturantes 103 minutos da película como um fantasma, algo decepcionante tratando-se do nível que a própria Lindsay estabeleceu com as suas atuações. Nem vale a pena comentar a história, tola até para os padrões adolescentes, se é que é possível um negócio desses. O que se lamenta é o fato de Lindsay ter aceitado fazer essa bomba mesmo sabendo do nível ridículo que o filme teria.
Acho até que a atuação apagada e desinteressada mostrada por ela foi fruto da sua total falta de confiança no material, e, lógico, pelos efeitos colaterais das bebedeiras homéricas da garota. Como prêmio pela falta de cuidado, Lindsay foi indicada, pela primeira vez, ao Framboesa de Ouro como pior atriz, um belo puxão de orelha, mas logicamente injusto, já que a pior atuação de Lindsay ainda será acima da grossa maioria das starletes de Hollywood, mas como o Framboesa de Ouro vive de factóides e polêmica, indicaram a nossa Junkie Girl como protesto contra o modo de vida levado por Lindsay ultimamente. Valeu como um aviso, e esperamos que a milésima internação numa clínica de reabilitação coloque a vida e carreira da Lindsay nos eixos, e que bombas como essa sejam parte de um passado distante numa supostamente gloriosa carreira da menina.

5 maiores humoristas brasileiros

O mês Lindsay Lohan atinge o seu crepúsculo, tendo nas folhas caídas do Outono e no gélido e revigorante início de Inverno o cenário perfeito para o seu fim. Mas, nos últimos dias, senti uma inexplicável vontade de trazer para vocês a minha lista dos melhores comediantes brasileiros, na era da Televisão, para ser mais claro, embora muitos deles tenham soltado seus gracejos nos palcos e circos da vida. Uma singela e tocante homenagem do Progressista a eles, que levaram alegria (clichezão, hein) para gerações E gerações de brasileiros. Aqui vai, cinco melhores na minha sincera opinião:

5- Jô Soares
Quem vê hoje em dia o Jô Soares apresentando um insuportável programa de entrevistas nas madrugadas da Rede Globo, pode até pensar: "como é que esse chato, arrogante e insuportável ser que não deixa os seus entrevistados respirarem, que sempre quer saber mais que todos os seus convidados, que conta piadas sem a menor graça e que faz quadros e esquetes que supostamente deveriam fazer rir mas só causam constrangimento, como ele tem tanto destaque assim?". Bom, hoje a situação é essa, mas nem sempre foi assim. Um dia, Jô Soares usou os seus conhecimentos e erudições para fazer um humor que verdadeiramente tirava risadas dos seus espectadores, ao invés de causar uma invitável mudança de canal por parte dos mesmos. Em programas como a Família Trapo, Planeta dos Homens e depois no seu próprio programa, Viva o Gordo, Jô criou um sem número de tipos cômicos e bordões e piadas que vivem até hoje no imaginário popular. Mas depois, ele foi para o SBT, resolveu virar o David Letterman tupiniquim, e acabou desaprendendo a lição número um dos comediantes: não existe humor sem auto-depreciação.

4-Chico Anysio
Hoje em dia, ninguém mais lembra do Chico Anysio. Nem vem. O último feito dele, casar com a ex-ministra e confiscadora de poupanças alheias Zélia Cardoso de Mello acabou sendo a pá de cal no humorista, tirando toda a paciência do público e jogando-o na vala comum dos esquecidos. Mas cabe aqui um pequeno reparo: poucos humoristas possuíram tamanha capacidade para criar personagens como Chico Anysio. Nos 40 anos de Rede Globo, e antes em programas de rádio, Chico praticamente inventou diversos tipos de humor, mostrou uma habilidade impressionante para composição de personagens e um olhar atento para o humor de situação. Além disso, sempre trabalhou para revelar jovens humoristas, lançando-os nos seus programas com destaque, entre eles o insuportável Tom Cavalcante (nem tudo é perfeito). Chico Anysio, homem de escolhas desastrosas e tipos marcantes e inesquecíveis? Resumo assim a vida do homem? Deve ser isso mesmo, meu poder de síntese não é dos melhores mesmo.

3-Costinha
Esse foi o terror das feministas por décadas. Além de ser também acusado de fazer humor com tendências descaradas para a homofobia. Tudo verdade mesmo, Costinha frequentemente fazia valer de piadas politicamente incorretas para adequar o seu humor. Mas poucos homens foram capazes de provocar reações tão histriônicas e histéricas do seu público. Fez carreira na TV em diversos programas da década de 60 até os anos 90, quando morreu em 1995. Provavelmente o melhor contador de piadas da história da humanidade, com um timing inacreditável para o humor, e com uma carreira cinematográfica respeitabilíssima, incluindo os clássicos imortais "Costinha e o King Mong (1976)" e o mítico filme "O Homem de Seis Milhões de Cruzeiros Contra as Panteras (1978)", Costinha virou lenda para os apreciadores do velho humor brasileiro.

2-Tião Macalé
Essa é, sem dúvida nenhuma, uma escolha polêmica. Tião Macalé começou a sua carreia no humorísico Balança Mais Não Cai, nos anos 70, com personagens ingênuos e que usavam a complicada articulação de palavras do ator (dicção não usual) como diferenciação. Num comercial de TV para os finados supermercados Disco ele criou o bordão mais espetacular do humor brasileiro, o lendário "Nojento, TCHAN!", que depois viria a usar e abusar até a exaustão nos programas dos Trapalhões na década de 80. Mas quem lembra, sabe o quanto era impossível segurar na cadeira quando Tião Macalé entrava em ação. Só olhar para as caras apalermadas criadas pelo ator já era motivo de se jogar no chão de tanto dar risada. Morreu em 1993, mas viverá sempre nas memórias daqueles que sabem o que realmente é engraçado nessa vida. Imagino uma porcaria como o Zorra Total com um Tião Macalé nos seus quadros. Aí sim, daria pra começar a dar boas risadas.

1- Mussum
Vocês devem ter notado a ausência do Renato Aragão nessa lista. "Cadé o Didi Mocó, Progressista?". Calma. Vamos por partes. Eu reconheço todo o trabalho humanitário desenvolvido por ele. Criança Esperança, embaixador da Unicef, tudo muito lindo, tocante e comovente. Sinto até mal em dizer que eu não suporto, nem nunca suportei, as tentativas de humor Chapliniano desenvolvidas pelo Aragão nos duzentos anos de carreira que tem. Mas é verdade. Os Trapalhões duraram uma eternidade, começando na TV Excelsior e depois por anos e anos na Rede Globo. Aí, o Zacarias morreu em 1990. Deu pra levar por mais 3 anos, até que o Mussum também faleceu em 1993. Aí, não deu mesmo. Didi e Dedé eram os protagonistas, mas quem realmente levou esse programa nas costas por todos esses anos, quem criou um séquito de seguidores, vide a comunidade do Orkut criada em sua homenagem, que conta com inacreditáveis 160 mil membros, quem fez tudo isso foi Antônio Carlos Bernardes Gomes, o Mussum, ex-sambista, vocalista dos Originais do Samba que acabou virando ator por acaso. Criador dos bordões "Cacildis", "Forévis" e "Mé", gíria para cachaça, ele imortalizou um tipo, o do Gaiato carioca, no imaginário popular brasileiro. A simples menção ao seu nome causa comoções e menções respeitosas de todos que foram testemunhas. Renato Aragão vive em mansões luxuosas, posa para as Caras da vida com a sua bela esposa e filhos, briga com o mala Dedé Santana pelos méritos, mas se fosse para fazer justiça, ele deveria construir uma estátua do Mussum nos jardins suntuosos do seu lar. Injustiça da minha parte? Não, pelo contrário. Sem o Mussum, nada seria como foi.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Mês Lindsay Lohan: Meninas Malvadas

Houve momentos na história do cinema que mostraram produções capazes de influir, sozinhas, em toda a indústria cinematográfica, criando escolas de linguagem, sendo precursores de estilo, tanto em termos estéticos e de efeitos como em termos narrativos e interpretativos. Falo de filmes como o Nascimento de uma Nação, clássico nojento racista de D.W. Griffiths, mas que marcou praticamente o início da linguagem do cinema e do ritmo que um filme deveria e passaria a ter depois de então; de um E O Vento Levou, trazendo os épicos pela primeira vez; de um Cidadão Kane, revolucionário em estilo e narrativa; de um Uma Rua Chamada Pecado, que marcou o início da escola de interpretação conhecida como método; de um Acossado, de Godard, que marcou o início da Nouvelle Vague; Sétimo Selo, A Doce Vida, O Poderoso Chefão, Laranja Mecânica, Blade Runner, Pulp Fiction, Matrix, Clube da Luta, todos esses filmes foram capazes de, em maior ou menor escala, causarem uma revolução no modo das pessoas encararem o cinema. Mas nunca, em toda a história, desde que os irmãos Lumière resolveram brincar de fazer câmeras, um filme serviu tão bem como retrato de uma geração como o Meninas Malvadas (Mean Girls, 2004).

O filme marcou a primeira vez que Lindsay Lohan saía dos domínios da Disney para atuar pela companhia de filmes do produtor do Saturday Night Live, Lorne Michaels, e foi escrito pela ex-roteirista e atriz do programa, Tina Fey. Contava a história (tenho de ser técnico aqui, calma que é um resumo rápido, faço isso por vocês, pô!) de uma adolescente interpretada pela Lindsay (milagrosamente não chamando Lola, e sim Cady) que passou a infância com os pais na África e que vai para os EUA e entra num colégio dominado por uma turma de meninas populares chamadas garotas plásticas. Lindsay, ops, quer dizer, sua personagem, Cady, no começo é hostilizada, mas logo conquista a confiança da líder das garotas e acaba entrando no grupo, dando início a uma cadeia de eventos que resulta na dissolução do grupo. Genial, não? Complexo, inventivo, cheio de minúcias e detalhes, o filme é, sem dúvida alguma, a maior produção adolescente da história da humanidade (alguém falou no Acossado aí? Não? Abafa.).

Exagero? Não. Tina Fey mostrou que não deve nada a um François Truffaut da vida, jogando com as imagens, criando metáforas brilhantes (tá acabando a cota de adjetivos) entre o ambiente do colégio com o de uma selva africana, toda a crueldade e subjugação dos mais fracos pelos mais fortes. Um fiel retrato da futilidade que permeia o mundo adolescente do mundo contemporâneo, não só nos EUA, o que torna, indiretamente, o apelo do filme universal. Agora, a prova-mor do talento de Lindsay. A líder das garotas plásticas, papel vital na trama por ser a nêmesis da personagem de Lindsay e virtual vilã do filme, foi feito pela atriz Rachel McAdams, famosa pelo filme meloso Diário de uma Paixão. Rachel nasceu em 1976. Ou seja, é exatamente 10 anos mais velha que Lindsay Lohan, e no filme interpretou uma personagem da mesma idade com um peso fundamental na trama.

Qual conclusão tiramos disso? A de que o Lorne Michaels é um cara muito esperto. Ele sabe que se colocasse uma atriz jovem e inexperiente para contracenar com Lohan, a atriz iria tomar um baile da Lindsay e a personagem seria engolida, o que seria mortal para as ambições do filme. Então, ele tomou a polêmica decisão de escalar uma atriz muito mais velha, porém experiente. E mesmo assim, Lindsay Lohan não se diminuiu em momento algum do filme, encarando de igual para igual a Rachel McAdams. Não é a toa que o cara é o manda-chuva do SNL faz duzentos anos. Devemos reconhecer quando assistimos a história ser escrita na nossa frente. E nesse caso, digo com galhardia que Meninas Malvadas será sempre lembrado como um momento definitivo na história do cinema (tá bom, pessoal do hospício, já tô indo, podem botar a camisa-de-força).

PLANTÃO FOMOS AO CINEMA

Hoje, 26 de junho de 2007, Paris Hilton, socialite e atriz pornô amadora americana, foi solta depois de 24 dias de prisão. É, lá se foi a esperança daqueles que acreditavam na reabilitação da Lindsay...

Mês Lindsay Lohan: Herbie - Meu Fusca Turbinado

Se a vida fosse como nos filmes... Todo cinéfilo, profissionalizado ou não, um dia já se pegou suspirando esse chavão. Nossa abordagem do caso Lohan poderia se resumir, muitas vezes, a ele. Principalmente agora, quando a gente resolve falar de um filme divertido e ingênuo como Herbie - Meu Fusca Turbinado (Herbie Fully Loaded). Aí, a gente vira criança mesmo e deixa a imaginação correr solta.

É o quinto filme que o personagem Herbie protagonizou, com um intervalo de vinte de cinco anos entre A Última Cruzada do Fusca, de 1980, e este, de 2005. Não conto o de 1997, Se Meu Fusca Falasse, porque foi feito pra televisão. Ora, vinte e cinco anos se passaram até os produtores da Disney, que nunca sofreram por falta de autoconfiança (na verdade, antes, por excesso dela), sentirem que ainda podiam lucrar com uma de suas mais clássicas franquias cinematográficas. O que os teria despertado para se lançarem nesse empreendimento?

Vocês já sabem a resposta, né? Lindsay Lohan, é claro. A ascensão de uma atriz adolescente com o carisma e talento dela foi ao encontro do elevado propósito de, ainda uma vez, trazer alegria e diversão para a garotada, que andava muito triste pelo mundo, através das aventuras daquele fusquinha muito simpático e malandro, o Herbie. De fato, era necessário um ator que tivesse o mesmo carisma que o Herbie. E enfim encontraram.

Existe uma correspondência muito curiosa entre Lindsay e a imagem que sempre procuraram dar ao carrinho: que é aquele equilíbrio entre a esperteza e as intenções boas e puras. Ou seja, aquela coisa da infância, né? Juntos, Lindsay e Herbie aprontam muito, mas pra se livrar das ciladas do vilão. São dois malandros, de épocas diferentes, que se encontram. E acho que nesse filme Lindsay demonstrou com muita clareza o tipo de mundo em que ela seria feliz, em que ela se daria bem: onde bem e mal estão muito bem definidos, e a pureza e a bondade sempre prevalecem. (Ah, e uma curiosidade: dois dos quatro roteiristas do filme são Alfred Gough e Miles Millar, criadores de Smallville: legal, né?)

Bom, a parte do chavão com que eu comecei é agora. Porque não dá pra assistir a um filme tão bonitinho e otimista, como Herbie - Meu Fusca Turbinado, sem sair depois lamentando a vida, e principalmente a vida de Lindsay Lohan. No filme, ela tem um pai como Michael Keaton: meu, se ela tivesse, na vida real, um pai como Michael Keaton (meu, o cara foi o Batman! O Batman, meu!), essa menina estaria por aí rindo, pulando, brincando. Seria lindo, maravilhoso. Mas não. Em vez de Michael Keaton, combatente do crime e eventualmente ator, Michael Lohan, bebum e jogador.

E por que, como nos filmes, Lindsay não poderia comprar um carrinho por US$ 75 que lhe ensinasse o verdadeiro valor da amizade? E que a levasse pra longe, pra Flórida, pra correr e vencer na Nascar? Lindsay, como você acreditou no Herbie e fez dele um campeão em Nascar, nós acreditamos em você.

O silêncio dos moderados

Muitos duvidaram de nós, disseram que não íamos conseguir: levar um mês inteirinho falando sobre Lindsay Lohan? Loucura! O Camarada Moderado nos advertiu de que o assunto se esgotaria rápido. No entanto, lhe apresentamos uma pauta, um planejamento, e terminamos por convencê-lo. Ainda que muito moderado, sempre foi um homem de visão - assim, deu-nos a chance de provar nosso valor. Um homem de visão, mas prudente. Deu-nos essa chance, mas não desconsiderou os riscos, a possibilidade de fracassarmos. Ficou à espera.

Mas viu que demos conta do recado, por isso silenciou nos últimos dias, abrindo espaço para nós. Digo isso porque vocês podem estar pensando: Será que o Camarada Moderado está em férias? Será que ele brigou com o Progressista e o Fundamentalista? Será que ele arregou? Será que ele não tem assistido a filmes como Habana Blues para comentá-los? Será que ele arregou?

Não, minha gente, não é nada disso. O que parecia um sonho, uma loucura, está se realizando - chegamos à última semana do Mês Lindsay Lohan, com aquela sensação de trabalho bem feito, de missão cumprida -, e o Camarada Moderado comemora conosco: à sua maneira, rende-nos um louvor, pois, renunciando à sua habitual eloqüência, muito sucinta e incisiva. Muito moderado, não rasga seda, não se desfaz em elogios freqüentemente vazios. Se algo estivesse errado, se as coisas fossem mal, se manifestaria. Mas as coisas vão bem. Por isso, seu silêncio é a honra que nos presta. E o silêncio dos moderados é o mais alto reconhecimento que podemos esperar.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Lindsay Lohan

E pela última vez, Lindsay é a Tetéia da Semana. Quantas lágrimas não rolaram, não? Tristezas épicas, felicidades fulgurantes, leitores dando risadas às custas da nossa bela Junkie Girl. Essa semana encerra o já inesquecível mês Lindsay Lohan, mas isso significará que nós nunca mais falaremos dela nesse blog? Não sei. Eu não mando nada aqui, meus patrões, Moderado e Fundamentalista, escolhem todos os rumos desse site. Obrigado Lindsay (???), por tudo, e garantimos esforços sobrehumanos para finalizar em grande estilo! Semana que vem, quem será a Tetéia hein? Hein? HEIN?