sábado, 7 de julho de 2007

Cinema: Estréias da Semana

Com o fim do mês Lindsay Lohan (há, Lindsay..) volta a seção estréias da semana, com as costumeiras análises porcas, rasas e rasteiras dos filmes que entram em cartaz, mas que servem para ir direto ao ponto: ou é ruim ou não é, jão, sem embromação! Poupe os seus dólares ouvindo os conselhos do Progressista. Ou então me mande pra aquele lugar e vá por sua conta e risco. Acha que eu vou ficar ofendido? Lembrando que entre hoje e amanhã publico os cinco primeiros na lista de melhores filmes dos anos 80. Pois bem, aqui vai. Filmes que estréiaram no Brasil Sexta-Feira, 6 de Julho:

Ratatouille - Diretor: Brad Bird; Vozes: Patton Oswalt, Ian Holm, Brad Garret e Janeane Garofalo
Mais um filme bonitinho da Pixar, dessa vez com um Ratinho gorduchinho, sujinho e (como não poderia deixar de ser) bontinho, que ajuda um jovem cozinheiro com aspirações de Chef a subir na vida com suas habilidades culinárias, tudo isso tendo Paris como cenário. Lindinho, fofinho, espertinho, inteligentizinho, todos adjetivozinhos que caracterizam os filmezinhos da Pixar. Como todos amam os filmes da produtora do "revolucionário" Steve Jobs, cidadão que não tem interesse algum em dinheiro apesar das megapropagandas da Apple e da avalanche de produtos infantis lançados dos filmes da Pixar (é, eu também acredito no Papai Noel), vocês não ouviram de mim que filmes com ratos habilidosos na arte de cozinhar e preparar pratos não tem lá muito apelo com crianças, adultos ou qualquer tipo de público (o filme teve o pior retorno financeiro na estréia entre todos os filmes da Pixar). Não vou dizer para você fugir, apenas digo que você deve ir ao cinema com um sorrisinho pronto e reaçõezinhas que façam jus a esse filminho tão fofinho e espertinho. Mas todo mundo adora... o burro sou eu mesmo.

Paris, Te Amo - Diretores (essa vai demorar, tomando um ar, lá vai): Bruno Podalydès, Alfonso Cuarón, Walter Salles, Daniela Thomas, Sylvain Chomet, Gérard Depardieu, Alexander Payne, Olivier Assayas, Wes Craven (argh!), Tom Tykwer, Joel Coen, Ethan Coen; Elenco: Catalina Sandino Moreno, Juliette Binoche, Willem Dafoe, Nick Nolte, Ludivine Sagnier, Maggie Gyllenhaal, Bob Hoskins, Natalie Portman, Elijah Wood, Gaspard Ulliel, e STEVE BUSCEMI
Esse filme é o Simplesmente Amor made in France, com vários diretores, entre eles Alexander Payne (Sideways), Alfonso Cuaron (Filhos da Esperança), Irmãos Coen (precisa falar?), e até, acredite se quiser, Wes Craven (argh de novo! Wes Craven? Faltou o Kevin Williamson só), mostrando suas visões e olhares sobre a cidade Luz, usando histórias de amor como plano de fundo. Descartável, se não fosse por um detalhe: num dos segmentos, temos a presença dele, o homem, o ator, o mito, o quinquagésimo terceiro maior astro da história do cinema segundo a revista Empire, Steve Buscemi. Só para ver Steve the man, corra ao cinema mais próximo, já!

Pelo menos uma luz na escuridão

Hoje tive vontade de escrever sobre fatos gerais, tornar o blog menos opinativo/reflexivo e mais informativo, de uma maneira indireta. Em nossas reuniões de pauta decidimos meio que deixar em segundo plano coisas de duração precoce, algo que se aproximasse do jornalismo feito hoje em dia, sobretudo.

Sim poderíamos escrever sobre assuntos do momento, como fizemos várias vezes, mas sempre com viés que questionasse tais coisas; ao trazer os fatos também pudéssemos mostrar nossa opinião clara e sincera, bem, pelo menos nossa opinião e quem sabe se divertir com isso ou, no mínimo, fazer o leitor esboçar um sorriso.

Mas posso escrever sobre qualquer coisa desde que tenha opinião formada? Acho que não, o “tudo” no topo, aproveitando um dos primeiros textos do camarada fundamentalista no começo, também mente; como o título do blog, afirmado nesse tal texto do fundamentalista(recomendo ler, divertido).

E não só isso, as próprias coisas que podemos falar, será que temos compromisso com isso? A verdade?Por que nos dias de hj, tudo parece tão mutável, inclusive aquilo que se ouve nos jornais; os políticos se envolvem hora com a polícia ora com a política; fatos são desmentidos em segundos. E mesmo assim podemos opinar sobre algo Parece que sim, o cinema e arte ainda são terrenos menos escorregadios e sempre podemos falar de nós mesmos.

Ainda podemos escrever sobre grandes fatos , e aproveitar e acompanha-los de fato, pois assim serão realmente fatos, e de graça, vc leitor, ganhará uma opinião com direito a sorriso de canto de lábio.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Sem muitas justificativas

Não, não vou falar da minha ausência, não interessa. Posso dizer que tive obrigações e preguiça para postar, só isso. E também na minha ausência fui acusado pelo fundamentalista, só li agora, realmente estava sem tempo. Digo-te, pena mas quem cala nem sempre concorda, as vezes ele vai embora e espera as coisas voltarem a um estado mais normal. E sempre gostei mais da Hilary Duff mesmo

entre Murray e Sandler

Lembrando que é o mês camarada progressista, resolvi falar de um dos filmes que esse garoto miguxão mais gosta: Encontros e Desencontros, vulgo Lost in Translation para os íntimos. E, já que sou o egocêntico da turma, comparar com um dos filme que mais gosto, Embriagado de Amor( Punch Drunk Love). A escolha de tal filme foi baseada em duas justificativas: a primeira, os filmes tratam do mesmo assunto, o relacionamento de duas pessoas, sobretudo; segundo, seguindo as palavras do grande mestre Tolstoí, ou seja, falar da sua aldeia e assim almejar o universal, resolvi falar da minha aldeia pessoal e a do meu amigo miguxão.

Vamos a sinopse das duas películas. Encontros e Desencontros narra a história de uma celebridade americana( Bill Murray) que vai ao Japão e acaba conhecendo uma garota(Scarlet Johansson) no hotel em que os dois estão hospedados, a partir disso começam a conviver um com outro. Embriagado de Amor é o seguinte: Barry Egan (Adam Sandler) é um pequeno empresário que passa por dificuldades financeiras. Tendo sido criado ao lado de 7 irmãs, a infância de Barry foi difícil e repleta de abusos, deixando-o com medo de amar. Até que entra em sua vida Lena Leonard (Emily Watson), uma misteriosa mulher por quem Barry se apaixona, daí o filme se desenrola.

No relacionamento de duas pessoas e na escolha de um comediante para protagonista masculino residem as semelhanças dos filme, deixando estas premissas os filmes se distanciam promovendo um diferente desfecho e ambos desfechos satisfatórios.

O filme com Bill Murray apresenta um estado blasê em todo o filme: os enquadramentos, os planos sequências, as cenas, a fotografia, as personagens, os diálogos. Uma letargia que percorre todo filme, mesmo nos momentos mais felizes está presente. Como se fosse uma desorientação dos personagens principais perante aquele ambiente estranho a eles e também indecifrável, a apatia do filme fosse uma defesa dos personagens que contagia o filme também e que justifica bem o título; as personagens estão perdidas, todas, sejam elas ricas, mais velhas, mais novas, não importa. E as impede de tomar qualquer decisão ariscada e mudanças radicais.

Enquanto outro filme trata justamente disso: das loucuras que as pessoas fazem, sobretudo quando se está apaixonado. O filme apoiado em telas maravilhosa, enquadramentos geniais, planos sequências(apreciem quando o carro de Barry é atingido e a câmera gira) e um trilha coerente expõe um narrativa que ora parece um musical ora longa da Disney , isso sem o protagonista cantar uma música. Parece o estado que Barry, o personagem, vai chegando, e isto transmitido muito bem pela câmera como pelas atuações de Adam e Emily, falando neles é interessante como tais personagens tão problemáticos podem realmente formar um casal, um casal coerente e que vc acaba torcendo, mesmo sendo clichê e que hoje os finais felizes sejam tão raro. O efeito fábula é justificado, jpa que o filme faz alusão a história de Punch, personagem que tem lutar com o demônio pela alma da amada.

Eu não sei se o camarada progressista é um reprimido(será que ele gosta de tira fotos dos próprios pés?) e eu sou um romântico com problemas psicológicos(já quebrei alguma janela, devo dizer), mas estes filme dão um panorama dos nossos gostos. Enquanto eu sou da escola que o cinema é a arte dos sentidos, um filme deve ser sentido, as pessoas devem sair do filme impressionadas, de alguma maneira. O camarada é indie, me perdi mas era isso que queria falar: o camarada progressista é indie.



Estou de volta, para infelicidade da nação

Voltei, deixei as coisas de lado, vulgo trabalho e resolvi voltar, em embalagem moderna e mais nova. Fiz, inclusive, a barba, podem ficar lisonjeados; trabalho em casa, não preciso de cuidados com a aparência, vcs tem que ficar lisojeados, senão eu vou embora. Não magoado, talvez um pouco. Mas como as ondas do mar eu volto, ainda que nem sempre na mesma intensidade.

Camarada moderado ouvindo: Te convidei para o samba, Domenico +2

O Dez Melhores Filmes, Década de 80, Parte Um

Sem mais nem menos, seco como os ventos do outono, trago aqui os dez melhores filmes dos anos 80, na minha opinião, Camarada Progressista, e que não necessariamente reflete a opinião dos outros Camaradas. Aqui vai a primeira parte, depois publico os cinco primeiros:
10- O Iluminado (The Shining, EUA, 1980), 119 minutos– Diretor: Stanley Kubrick; Elenco: Jack Nicholson, Shelley Duvall, Danny Lloyd
Depois de cometer alguns dos filmes mais desafiadores já proporcionados pela sétima arte, elevando o debate sobre as possibilidades que um filme poderia atingir e o nível de exigência dado aos seus espectadores, Stanley Kubrick entrou na década de 80 assombrado pelo relativo fracasso financeiro do seu longa anterior, o genial Barry Lydon, longo e lento demais para a patuléia despreparada. Magoado (coitado), resolveu chutar o balde: como o filme Carrie tinha sido um sucessão em 77, leu os livros do Stephen King, escolheu aquele que achava ser o melhorzinho e resolveu ir para galera. Mas quando se trata de um Kubrick, não seria possível esperar um filme de terror comum, com gritos, sustos baratos, truques de trilha sonora e mocinhas com roupas mínimas e vilões estúpidos e rasos. Kubrick jogou tudo isso no lixo e concentrou-se naquilo que realmente lhe interessava: investigar a natureza humana, nosso lado mais obscuro e nossa capacidade de, em determinadas condições ou ambientes, dar vazão a comportamentos totalmente anti-sociais. No caso, um pai de família frustrado que, vendo-se no meio de uma situação de isolamento brutal, sufocado pelo tédio, pelo silêncio e pela opressão psicológica causada pela neve, usada como reflexo da crescente loucura do personagem, além de influências sobrenaturais de possíveis fantasmas do Hotel, resolve jogar todas as decepções e frustrações nas costas do filho e da mulher, atacando-os em algumas das seqüências mais aterrorizantes da história do cinema. Tudo isso com a inimtável classe Kubrickiana. Stephen King odiou o filme. É claro, como ele poderia gostar de um filme que transformava o seu lixo habitual em arte? Bom mesmo é a bomba do Apanhador de Sonhos, que ele vendeu por um dólar os direitos. Cala a boca King, por favor.

9-Veludo Azul (Blue Velvet, ,EUA, 1986), 120 minutos – Diretor: David Lynch; Elenco: Isabella Rossellini, Kyle MacLachlan, Dennis Hopper
David Lynch sempre nutriu um grande amor pelo grotesco. Mas ao invés de tornar-se um diretor preferencialmente trash, como um Peter Jackson no início da carreira, um Dino de Laurentis (produtor desse filme) da vida, sempre quis dar um verniz de classe aos seus filmes, preferindo apostar no surrealismo, numa atmosfera climática que dá aos seus filmes impressões de sonhos, de situações fora do alcance dos espectadores, como se assistíssemos um espetáculo fragmentado e tivéssemos de juntar todas as peças. Vindo na época do fracasso Duna, que quase enterrou a sua vida profissional, Lynch resolveu fazer um filme que fosse de acordo com as suas pretensões intelectuais e pessoais, um projeto que mostrasse ao público que aquele diretor de Duna era a verdade um pau mandado respondendo a executivos estúpidos e um rockstar pretensioso e vazio (Sting, muito prazer). No caso, uma história que expusesse a sua fascinação pelo ambiente interiorano norte-americano, já que ele, nativo do remoto estado de Montana, tinha verdadeira obsessão pela aparência pacata e lúdica desses lugares, mas que também jogasse com outra fascinação sua: a morbidez que pode existir num lugar tão pacato, a verdade por detrás de tanta hipocrisia e submissão. Na história, Jeffrey, um universitário de volta para casa depois de muito tempo e interpretado pelo Kyle MacLachlan, habituê nos projetos do diretor, descobre, ao caminhar para o lar, uma orelha jogada no chão. Os desdobramentos dessa descoberta acabam jogando Jeffrey num mundo de obscenidades, podridões, fêmeas fatais e perversões, tudo isso no coração de uma cidadezinha inócua americana. O diretor conta a história usando uma atmosfera neo-noir e fazendo-se valer de toques ácidos de humor, usados para retratar a incredulidade de Jeffrey com tudo aquilo que vivenciava. Destaque para Isabella Rossellini, perfeita como a mulher misteriosa e ao torno da qual desenrolam-se todos os mistérios da história, e para Dennis Hopper como o assassino psicótico que persegue o herói. Um grande momento na excelente carreira de Lynch, que voltaria ao tema “o que se esconde por detrás dos ambientes interioranos norte-americanos” na série cult Twin Peaks.

8-Hannah e Suas Irmãs (Hannah and Her Sisters, EUA, 1986), 103 minutos; Diretor: Woody Allen; Elenco: Mia Farrow, Dianne Wiest, Michael Caine, Woody Allen
Woody Allen. Tava demorando. Eis um cara que, assim como um Michael Jackson, deixa pouco espaço para as pessoas defenderem. Sua predileção por filhas adotadas de ex-esposas não são exatamente um exemplo de comportamento. Mas, quando tratamos da obra por ele construída, não podemos deixar de mostrar admiração e respeito. Mesmo com uma carreira toda centrada num tipo de personagem, num único tipo de cenário e sempre com estruturas narrativas idênticas, mesmo com tudo isso ele sempre conseguiu tirar filmes sensacionais da cartola. Hannah e Suas Irmãs é o seu segundo melhor filme (Annie Hall imbatível), e trata com delicadeza e sensibilidade ímpar um assunto delicado, infidelidade e traições dentro de uma família. Tirar humor e acidez de algo assim é coisa para poucos e bons, e Allen com certeza seria o cara para fazer isso. Hannah, personagem de Mia Farrow, é uma atriz de sucesso com pouco tempo para a sua vida pessoal vê ao mesmo tempo o seu marido, Elliot (Michael Caine), apaixonar-se por uma de suas irmãs, Lee (Bárbara Hershey) e o seu ex, Mickey (o próprio Woody Allen), neurótico hipocondríaco amedrontado com a possibilidade de uma doença real, relembrar o seu casamento com ela e os seus encontros com outra irmã de Hannah, Holly (Dianne Wiest), viciada em cocaína. O filme concentra-se em três arcos narrativos, Hannah, Mickey e, no final, Holly, sem nunca soar disperso ou episódico. O filme guarda alguns dos diálogos mais sensacionais já vistos, algo comum na carreira de Allen, mas que aqui encontram um de seus momentos mais definitivos, destacando-se o momento que Mickey resolve procurar aconselhamento religioso para enfrentar melhor a sua “eminente” condição de doente terminal. Uma história que teria tudo para gerar dramalhões nas mãos de pessoas menos talentosas, mas que Woody Allen, um verdadeiro artesão na arte de criar roteiros, transforma num exercício de observação e humor como poucas vezes vimos no cinema.

7-Brazil (Brazil, EUA, 1985), 131 minutos; Diretor: Terry Gilliam; Elenco: Robert De Niro, Jonathan Price, Ian Holm
Abre a cortina do passado! Tira a mãe preta do serrado! Bota o rei congo no congado! Ê, Ary Barroso, quando é que você imaginou que a sua fabulosa Aquarela do Brasil inspiraria, sozinha, um filmaço como esse Brazil, do genial Terry Gilliam? Fascinado pela melancolia e classe exalada pela composição de Ary, Gilliam resolveu, por incrível que pareça, fazer um filme todo que passasse ao seu espectador a mesma sensação que ele sentia quando ouvia a música, a sensação de sonho que ela proporcionava a ele. Por isso o nome do filme, e eu acho que os desavisados deviam ter achado na época que o Terry teria feito uma pornochanchada com o David Cardoso no papel de um garanhão. Não, tolos incautos, o filme é um pesadelo futurista que trata de uma sociedade Totalitarista baseada na burocracia e na submissão dos seus habitantes, e centra a sua narrativa no personagem Sam Lowry (Jonathan Price, excelente), um solitário funcionário burocrata de baixo escalão que, oprimido pelo tedioso emprego e pela intromissão absurda do governo na vida dos cidadães, sempre tenta escapar para um mundo de fantasias românticas por ele criadas. O filme é claramente uma crítica as sociedades totalitárias que sugam a personalidade das pessoas, transformando-as em ferramentas para a expansão e propagação dos valores pregados pelo governo. O roteiro intrigante e inteligente, inspirado pelo clássico livro 1984 de George Orwell, é ajudado pelo apuro técnico da direção de Gilliam, com um belo trabalho de fotografia e cenários, sempre acentuando o clima de opressão vivido por Sam. Contando também com um excelente elenco de apoio (incluindo Robert De Niro, que na época era ainda um ator de verdade e não essa paródia dos dias atuais. Ele aliás brigou sempre com Gilliam nas filmagens, e os dois juraram nunca mais trabalhar um com o outro, muito feio), Brazil não foi um sucesso retumbante, mas virou um dos filmes de maior culto pelos fãs de cinema, obtendo hoje um reconhecimento que faz jus a classe do filme.

6- Fanny e Alexander (Fanny och Alexander, Suécia, 1982), 188 minutos – Diretor: Ingmar Bergman; Elenco: Pernilla Allwin, Bertil Guve
Originalmente um filme concebido para a TV sueca de 312 minutos, depois foi adaptado e virou uma película de 188 minutos. Último filme dirigido por Bergman, que depois se dedicou ao Teatro e a escrever roteiros para a TV somente, e hoje curte uma bela aposentadoria na Suécia (vocês queriam o quê, pô? Ele tem 88 anos de idade, caramba!), obteve 4 Oscars, um dos maiores números já conseguidos por um filme estrangeiro, além de indicações a melhor Diretor e Roteiro para Bergman. No começo de sua carreira, a principal motivação de Bergman era fazer filmes que usassem de alegorias fantásticas e religiosas para fotografar o vazio da existência no homem e sua inerte procura por algo mais na vida. Depois, com o passar dos anos, acabou realizando obras que tratavam de problemas familiares, como a falta de comunicação entre os membros e os dilemas e conflitos por eles enfrentados. No caso do Fanny e Alexander, que conta a história de dois irmãos (as crianças do título) que perdem o pai e vêem a mãe criando laços com o Bispo local, casando-se com ele e mudando com eles para a sua casa, para então jogá-los numa assustadora situação de opressão e submissão, já que o Bispo transforma praticamente a mulher e os filhos em prisioneiros, vivendo sobre rígidas condutas morais e sem qualquer tipo de liberdade, até que uma família amiga resolve intervir para ajudá-los, então criando forças para eles conseguirem, por meios drásticos, saírem dessa situação desesperadora. Bergman, talvez o melhor diretor de atores da história, tira de todos os atores performances apaixonadas e únicas, especialmente do casal de irmãos, que transmitem espetacularmente ao espectador todo o desespero por eles vividos quando estão sob a chancela do Bispo. O Bispo é inspirado no próprio pai de Bergman, um Pastor luterano agressivo e dominador, que impunha a Bergman uma educação extremamente rígida e conservadora. Mas o olhar crítico que demonstrava quando tratava da religião, algo que sempre foi uma marca do diretor, jamais foi direcionado para as doutrinas religiosas em si, mas sim para aqueles que fazem uso delas para, por meio de distorções e livres interpretações das palavras, dominar e submeter os seus semelhantes. A crítica de Bergman sempre foi para os indivíduos que distorciam os ensinamentos religiosos, como no Sétimo Selo nas cenas que criticavam o clima de terror instaurado pelo Catolicismo na Idade Média. Bergman fez um milhão de filmes sensacionais, mas Fanny e Alexander talvez tenha sido o seu projeto mais pessoal, o que faz dele, por si só, um belo momento do cinema

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Por Quem os Sinos Dobram

Tenho uma sensação torrencialmente clara na minha mente. Sinto que, toda vez que for escrever um texto para o blog, acabarei, uma hora ou outra, fazendo alguma referência a Lindsay Lohan, por pura força de hábito, tanto ao escrever, quanto situando ela no meio do texto que estiver elaborando. Lógico que esse medo (se é que poderia-se chamar assim) é infundado, afinal estaria me subestimando se achasse que seria incapaz de poder separar situações e contextos dentro do tempo (o Camarada Fundamentalista nunca terá esse problema, pois para ele o passado é coisa de cavalo açoitado. Acho que já falei isso, né?). Mas a mente, há, essa gozadora nata, sempre pronta para jogar na nossa cara todas as nossas limitações e estultices, acaba ela criando um fantasma, grande o suficiente para me fazer temer por uma possível situação de insanidade literária, que acometeu tantos mestres do ofício das palavras, como um Hemingway da vida, vencido e derrotado pelas paranóias que saíram o mundo ficcional criado por ele e juntaram-se aos pensamentos turvos de um já normalmente corrompido depressivo.

Dizem vocês, como ele ousa usar um Ernest Hemingway para tentar contextualizar os seus medos banais e ridículos, um blogueiro achando que tem na Lindsay Lohan um fantasma literário, como se os seus textos fossem algo além de lixo virtual para corpos sem faces divertirem-se superficialmente por alguns segundos? E se esse raciocínio que eu criei para tentar exemplificar um suposto pensamento de vocês em relação a mim ao me verem citando o Ernest Hemingway ficou longo demais, vocês provavelmente devem estar dizendo que eu fugi do assunto que estava tratando para fazer uso de joguinhos retóricos com o intuito peverso de confundir e alienar vocês, tirando a atenção do núcleo real do problema. Provavelmente deve ser verdade mesmo.

Então, voltando ao ponto inicial, eu acho que terei de passar por toda uma reeducação para poder escrever aqui sem nem relacionar os temas dos meus escritos com a Lindsay Lohan, provavelmente terei até de passar num psiquiatra da vida para livrar-me desse direcionamento automático da mente. Um fantasminha ruivo a me afrontar, como se dizesse para mim: "quer dizer que vocês me jogaram num canto qualquer para nunca mais nem olharem para mim? Não era eu a estrela das suas palavras majestosas? O que fizeram de mim agora? Um retrato como o de Dorian Gray, a se corroer e diluir dentro da ação inexorável do tempo? Justo eu, ó, pobrezinha de mim, que nem maldades sou capaz de fazer?". Cala a boca, assombração perva dos infernos! Afaste-te desta mente sã, leve para longe o teu espectro fantasmagórico e as tuas frontes romanescas para outros perdidos que tão vilmente cairão sobrepujados por ti! É o que eu digo para mim. Eis, então, que tiro de uma afirmação subjetiva um clamor por uma verdade que, seja esse o caso por mim desejado, não mais estará lá.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Mês Camarada Progressista...

Este mês o Camarada Progressista também faz anos. Não só a Lindsay. Decidi por minha conta fazer uma retrospectiva sobre a trajetória desse jovem brilhante que tem estado com a gente, encantando a todos com sua alegria e acidez juvenis. Até 13 de julho, data de seu aniversário, compartilharei lembranças, anedotas e curiosidades sobre esse grande miguxão. Trata-se de um Mês Camarada Progressista? Não, nosso egocentrismo a três (ou dois, ops!) não chegaria a tanto. É apenas aquela coisa da família, entendem?
Por exemplo, saibam que ele é um solteiro pretensamente convicto. Mas ha, ha, ha, nós sabemos que isso não existe, não é, camaradas (agora, já chamo vocês de camaradas: afinal, há tanto que estamos juntos!)? Pois, então, é claro que ele anda à procura; na verdade, à espreita. E à espreita de quê? Bom, de uma moça gentil, que saiba escutar (ah, oh, que fina arte essa - a de escutar o próximo! Exige tanta inteligência, tanta sofisticação - e inatas! Onde a encontrar em dias como esses?) e que - minha nossa, que extravagante! - entenda o que ele diz. Tem certeza de que ele realmente procura uma mulher? Ha, ha, ha! Oh, queridas, vocês sabem que estou apenas brincando: eu as venero, mulheres! Além disso, essa gracinha deve ter bons conhecimentos em cultura pop e dentição perfeita.
Candidatas - e insisto em que sejam candidatAs - e os demais que queiram expressar toda a sua afeição pelo Camarada Progressista, nos escrevam e/ou deixem comentários dizendo: Nós amamos o Camarada Progressista!

TETÉIA DA SEMANA

Amy Winehouse
Cantora inglesa de 22 anos, atingindo finalmente as massas com o sucessão Rehab. Chegada num bom destilado de álcool e com verdadeira adoração pela vida boêmia (adora escrever músicas sobre o assunto, a famosa síndrome de Nelson Gonçalves). É também famosa pela recente perda de um dente causada por uma queda na qual, adivinhem adivinhem, ela estava bebaça. Por culpa dos excessos, virou temporariamente uma limpa-trilhos, mil e um ou coisa que o valha. Como um dos camaradas perdeu recentemente uma parte de um de seus dentes acidentalmente (não vou falar que fui eu), aqui vai a nossa solidarização: Amy, vá no melhor dentista de Londres e acabe com esse problema, por favor. Porque, tipo assim, os manos tão querendo levar ela para uma clínica de reabilitação, mas ela não vai, vai, vai.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Dias de Lohan e Rosas: El'Atto Finale

Hoje, 2 de Julho de 2007, dia do aniversário de 21 anos de Lindsay Lohan, encerramos o mês dedicado a ela no Fomos ao Cinema. Foi uma tarefa que exigiu rara abnegação dos integrantes desse blog. Nós, no terceiro mês de existência, já nos prestamos a empreender tão instigante tarefa. Como tomamos a decisão de dedicar um mês todo para a Junkie Girl? Como fizemos para conseguir encontrar temas para textos durante longuíssimos 33 dias (foram dois dias a mais devido ao aniversário dela)? Sinceramente, não existem respostas que possam satisfazer perguntas tão complexas. Porém, posso dizer para vocês que nunca convalecemos perante os obstáculos que se impunham na nossa frente, nem pensamos em momento algum em dar para trás e desistirmos dos nossos propósitos. Queríamos, com ardor, provar para todos que essa jovem nova iorquina é dona de um talento tão raro, tão incomum, tão não usual, que acabou com o tempo sendo sugado pelas próprias convenções de uma indústria que exige de jovens imberbes comportamentos de veteranos, que exige de adolescentes mal saídos de uma escola que saibam lidar com a invasão maciça de privacidade e a exposição total a um público ávido por notícias e manchetes que possam satisfazer as nossas demandas imediatas de factóides e escândalos, como que exigindo daqueles artistas que colocamos no topo um comportamento excêntrico, inconstante e desesperador, para tão e somente nos vermos saciados da nossa fome de entreternimento rápida e fugaz.

Por isso, temos as Paris Hiltons da vida, sempre com atos novos para entreter as nossas medíocres vidas cotidianas. O talento virou conversa de saudosistas melancólicos. Nesse panorama desolador, vemos nela, Lindsay Dee Lohan, uma verdadeira personagem de um Mad Max da vida (bela referência). Depositamos nela, uma menina cada vez mais desesperada e entregue aos vícios, toda a esperança por um futuro mais classudo. Como o personagem do Mel Gibson naquela porcaria de filme, um anti-herói boca suja que acabava virando a última esperança da humanidade, Lindsay carrega junto de si um fardo, pesado demais para se levar. Um fardo que cobra exigências muito altas. Que transforma aqueles que o carregam em pálidas lembranças do que foram ou do que poderiam ser um dia.

Mas que, depois de entregues às tempestades revoltosas, depois de ceder e cair em abismos vertiginosos, ainda sim podemos acordar em lencóis de linho e dizermos, surpresos e febrilmente espantados, que tudo foi somente um doce pesadelo, e, felizmente, estamos de volta ao querido Kansas (What?). Nós, camaradas do Fomos ao Cinema, vimos o futuro. E nele, Lindsay Lohan reinava com seu talento fulguroso e seu brilho inebriante, uma estrela colocada junto de lendas como Audrey Hepburn, Katherine Hepburn e Bette Davis. Se essa visão será um devaneio a propiciar risadas para todos os incautos, ou se for no fim justificada e plenamente realizada, somente o tempo irá dizer. Mas nesse grande Delorean chamado destino, caem aqueles que não têm envergadura, e ficam em pé, altivos e imponentes, os que tem dentro de si as ardentes chamas do talento. O Fomos ao Cinema agradece a todos os que estiveram juntos de nós nesse momento único do blog e diz que isso foi somente o começo. Muito Obrigado.