quarta-feira, 11 de julho de 2007

Panamericano: Guia... Completo?

Sexta-Feira começa o Panamericano no Rio de Janeiro, competição mais inútil e estúpida do calendário esportivo mundial, se considerarmos que as Olimpíadas sempre ocorrem um ano depois dessa competição e que em Continentes como a Europa não existem competições esportivas de caráter geral como essa. Além disso, normalmente as principais potências esportivas do Continente, EUA, Canadá e Cuba, mandam equipes reservas ou sem sua força total para as disputas. Um verdadeiro fim de feira, que serviu somente para torrar o dinheiro público, como sempre, aliás, já que os nossos políticos trabalham somente para arranjar desculpas para saquear os cofres públicos em benefício próprio. Mas tudo bem, o Rio de Janeiro está somente no meio de uma Guerra Civil, com a polícia fazendo sutis operações de combate ao tráfico sempre com dezenas de mortos como efeito colateral. Tudo bem tranquilo mesmo. Um belo presságio a competição começar numa sexta-feira 13. Bem, para deixar vocês no clima (pareço repórter do Globo Esporte falando) aqui vai um guia com os principais esportes do Pan pra vocês, sedentários leitores desse blog (e pelo número de posts que andam tendo aqui, ou a falta dos mesmos, sedentários Camaradas também. Vixe, sacaniei). Aqui vai, Guia do Pan 2007:

Vôlei: esporte mais chato para se assistir na TV. Nem Bocha é tão maçante quanto essa droga. Já que o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, é um partidário entusiasmado da modalidade, ela é sempre agraciada com populdas verbas federais, e os jogadores da Seleção ganham um salário bem mais alto que o de colegas de outros esportes, tudo as custas do trouxa, er, quer dizer, do contribuinte. É a raça e a luta dos garotos do Bernardinho, pessoal...
Basquete: Até que vai, é legalzinho, mas o nível técnico numa competição dessas será ridículo, os americanos virão com o time Z, alguns brasileiros que jogam na NBA não virão também, os argentinos campeões olímpicos não virão com os titulares. Fuja das partidas como se fosse a Dengue.
Futebol: o Brasil disputará a competição com a seleção Sub-17. Precisa dizer algo mais? Sim, precisa: fuja dessa porcaria também
Ginástica Olímpica: a loser Daiane Dos Santos fez o famoso doce, ameaçando não participar. Ninguém deu a menor bola, mas misteriosamente, dois dias antes do início, ela voltou atrás e confirmou presença. Tão repentinamente...
Tênis: Preparem-se para partidas empolgantes entre o ducentésimo trigésimo quarto colocado do ranking contra o quatrocentésimo quinquagésimo sexto. O que mata é saber que nem com o nível tecnico ridículo da competição o Gustavo Kuerten, ex-tenista em atividade, conseguirá algo mais além de uma eliminação na segunda rodada classificatória. E viva a mediocridade.
Natação: desde que o mala Gustavo Borges se aposentou, sofremos com a falta de alguém pra levar o país nas costas na competição. Mas como não teremos nenhum tipo de fenômeno na competição, a delegação brasileira pode levar umas medalinhas e enganar os incautos, para nas Olimpíadas ano que vem vermos gloriosas décimas quintas colocações para cima. E viva a mediocridade, again.
Atletismo: talvez a única chance de termos uma emoçãozinha nesse esculhambado Pan, já que existe uma chance remota dos EUA e Canadá trazerem bons atletas para a disputa. Da parte brasileira, aquilo de sempre: medalhas a rodo, que não provarão porcaria nenhuma, já que os melhores atletas das respectivas competições não estarão aqui. Como em todas as modalidades, alias.

Outros esportes: é, eu adoraria falar sobre esportes fabulosos como Baseball, Pelota Basca, Esgrima (tinha um maluco no Colégio onde eu e os camaradas estudávamos que praticava esse esporte, o cara se achava O esportista da paróquia, mala sem alça), Tênis de Mesa, Luta Romana, Nado Sincronizado entre outros, mas não posso, pois preciso treinar, vou participar da competição de livre associação entre dedos e botões. É uma modalidade nova, que é mais ou menos assim: quando qualquer um dos duzentos canais que irão passar o Pan começarem a mostrar qualquer competição, eu mando ver no botão e mudo da porcaria do canal. Sai desse corpo que não te pertence, macumba dos infernos! AQUI É CORINTHIANS, PÔ!


terça-feira, 10 de julho de 2007

Dez Melhores Filmes, Década de 80, Parte Dois

5- Amadeus (Amadeus, EUA, 1984), 160 minutos – Diretor: Milos Forman; Elenco: F. Murray Abraham, Tom Hulce
A década de 80 foi negra para o Oscar. Já criticado normalmente pela predileção eventual por filmes de maior apelo com o público em detrimento daqueles de maior mérito artístico, naquela bela e maluca década viu-se os maiores absurdos cometidos pela Academia. Filmes meia-bomba como Entre Dois Amores, Gandhi, O Último Imperador, Conduzindo Miss Daisy e, principalmente, o horrendo Rain Man (dói só de lembrar) foram laureados com o prêmio de Melhor Filme. O único filme naquela década agraciado com o prêmio máximo da Academia que realmente presta e único também a contar nessa lista elaborada por mim é esse aqui, Amadeus, ganhador da estatueta em 1985. Baseado na peça de Peter Shaffer, que também escreveu o roteiro do filme, fator vital para o sucesso do mesmo, o filme conta a biografia do mítico compositor Amadeus Mozart interpretado com brutal eficiência pelo sumido (nunca mais ninguém soube dele, coitado) Tom Hulce. A história é contada do ponto de vista do rancoroso e amargurado compositor Antonio Salieri, interpretado pelo F. Murray Abraham, naquela que é uma das maiores intepretações da história do Cinema. Aproveitando o belo potencial do personagem, um compositor medíocre que não consegue aceitar que um garoto tão despreendido e relativamente inconseqüente como Mozart tenha um talento tão assombroso para compor, Abraham encarna toda a dor do personagem e consegue fazer o espectador não odiar aquele ser patético, cujo amor pela música é tão grande que o leva as portas da loucura. Mais do que merecidamente, levou o Oscar de melhor ator. Milos Forman, excelente diretor tcheco que tinha realizado 7 anos antes o lendário Estranho no Ninho, realiza mais um trabalho soberbo, conduzindo o filme com rara elegância, destacando inteligentemente a trilha sonora e os cenários como reflexos das situações emocionais dos personagens, criando sempre atmosferas calmas e vívidas quando Mozart está em destaque, e ressaltando tons mais escuros e composições mais soturnas quando Salieri é o centro. Foi o único acerto na Academia em toda uma década, mas também, se eles ignorassem Amadeus, aí o negócio ia ser chutar o balde e sair indicando os Conans e Rambos da vida mesmo, se é pra esculhambrar, vamos fazer com estilo então...

4-Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin, Alemanha, 1987), 127 minutos – Diretor: Wim Wenders; Elenco: Bruno Ganz, Otto Santer, Solveng Dommartin, Peter Falk
O maior crime da humanidade foi cometido em 1998, quando estúpidos produtores americanos resolveram refilmar essa obra-prima do Wim Wenders, cometendo o pavoroso Cidade dos Anjos, que colocou o careteiro e canastrão de plantão do Nicolas Cage para entortar boca e grunhir juras de amor com a Meg Ryan num filmeco água com açúcar que serviu somente para aumentar a minha descrença na humanidade. Quem esses pervos acham que são? Mas o consolo é que nem esses açougueiros conseguiram apagar a classe desse grande trabalho de Wenders, diretor talentosíssimo mas que tem a mania de querer ajudar os amigos, como quando dirigiu aquele filme com o roteiro do mala mor Bono Vox, o Hotel de Um Milhão de Dólares. No caso desse filme de 1987, que aproveita o cadáver do comunismo e a eminente destruição do Muro de Berlim para, através dos olhos de dois anjos que não podem se comunicar com os humanos nem serem vistos ou ouvidos por eles, mostrar todo o desalento e desencanto vivenciados pelos habitantes da cidade. Os anjos, Damiel, interpretado pelo Bruno Ganz (que depois viria a interpretar o anticristo e coisa ruim Hitler no recente filme A Queda), e Cassiel, interpretado por Otto Sander, podem somente trazer conforto e carinho para as pessoas, nunca influir nos atos delas, como quando um deles tenta confortar um jovem prestes a cometer o suicídio, não conseguindo impedir o ato do rapaz, mas conseguindo trazer um momento de paz para ele simplesmente por, de maneira absolutamente sensorial, ouvir os lamentos do rapaz, abraçando-o e dando um pouco de alívio para ele. A alegoria que o filme faz com a vida dos alemães no mundo pós-Segunda Guerra é clara, uma sensação de desconforto constante, de inadequação, de vazio, como se a eles não permitido celebrar a vida, somente viverem consternados e reprimidos como pena a pagar pelas loucuras de um homem. Os anjos representariam a esperança escondida no coração dessas pessoas, e quando Damiel começa a se sentir insatisfeito por não poder compartilhar seus sentimentos de maneira real com elas, sentir todas as sensações experimentadas por elas, vontade que atinge o ápice quando ele se apaixona por uma trapezista e começa desesperadamente a querer transformar-se num humano, é impossível não entendermos essa vontade e luta de Damiel como uma representação da insatisfação de todos os berlinenses e, por conseqüência, de todos os Alemães, e a vontade de derrubar um muro de valor muito mais ideológico do que meros tijolos um em cima do outro. Wenders tem um estilo lento de desenvolver suas histórias, concentrando-se sempre nas reações e interações entre seus personagens, algo que habitualmente gera resultados sublimes, já que quem quer correr para contar algo não acredita na força do que tem para dizer ao seu público.

3- Nascido Para Matar (Full Metal Jacket, EUA, 1987), 116 minutos – Diretor: Stanley Kubrick; Elenco: Matthew Modine, Adam Baldwin, Vicente D’Onofrio
Não consigo entender certas convenções dos críticos. Esse filme é considerado, ao lado do De Olhos Bem Fechados, como a mais fraca das obras dirigidas pelo Stanley Kubrick (considerando logicamente que, por parâmetro, o pior filme do Kubrick é melhor que 99% dos filmes já feitos). Até aí, tudo bem. Mas os argumentos apresentados pelos incautos é que irritam demasiadamente. Falam que o Kubrick perdeu o trem da história e chegou atrasado, já que Apocalypse Now e Platoon tinham vindo antes e retratado a Guerra do Vietnã já, e que por isso o seu filme seria fora do contexto. Grande porcaria. Se filme bom fosse aquele que se antecipasse aos seus pares, então o World Trade Center, lixo lançado pelo Oliver Stone e primeiro filme que tratou dos atentados de 11/09, seria uma obra-prima. Situacionismo não significa nada em termos de alcance artístico, a velha história do efeito versus o conteúdo daquilo que se pretende como filme de arte. E esse filme, como todo esforço Kubrickiano, é um genial estudo dos lados mais obscuros do homem, a famosa desumanização, tema que era obsessão para o mestre. No caso, Kubrick observa atentamente os passos do soldado Joker (apelido do personagem pelo seu estilo sarcástico de humor, o nome verdadeiro dele jamais é revelado pelo filme) , interpretado pelo Matthew Modine, desde seu cruel treinamento com um sádico instrutor militar até suas experiências já no campo de Guerra no Vietnã. No começo da sua experiência na Ásia ele acaba escrevendo sobre a Guerra para a agência de notícias militar norte americana, sempre tentando disfarçar as eminentes perdas da campanha americana e o progressivo caos enfrentado pelas forças armadas, tentando com seus textos elevar a moral dos recrutas estadunidenses usando de metáforas e omissões de informações. Até o momento em que ele é mandado para o fronte para acompanhar uma missão, conhecendo de perto os horrores da Guerra e o efeito por ela causados naqueles soldados extenuados e perdidos, e, como não poderia deixar de ser, no próprio Joker, que cega a usar a teoria Jungniana de dualismo do homem, bem e mal vivendo num mesmo indivíduo, para justificar para si mesmo aquilo tudo. A mensagem de Kubrick é um tapa na cara: somente podemos aceitar uma Guerra quando reconhecemos que ela serve para nutrir o lado psicótico dos homens, para representar o mal que carregamos dentro de nós, e nunca como ação realmente válida e justa para resolver qualquer tipo de conflito. Não há heroísmo, não existe abnegação, luta ou ombriedade, somente homens patéticos (não somos todos nós?) conhecendo e entrando em contato com tudo aquilo de pior que as suas mentes poderiam gerar, e a primeira parte do filme com o treinamento exemplifica os esforços do governo americano para despertar esse lado sádico nos recrutas, criando soldados prontos para matarem sem questionar e com o mínimo de culpa possível, o que, bem sabem os estrategistas, é a chave para se ganhar uma guerra. O final do filme, com os soldados americanos marchando cantando uma música do clube do Mickey Mouse de cunho patriótico, é uma imagem tão poderosamente cínica, considerando que os EUA perderam a Guerra no final, que sozinha acaba tendo um efeito crítico muito mais eficiente que todos os filmes feitos pelo Oliver Stone falando sobre o assunto. Contra a sutileza e voracidade do cinismo Kubrickiano, não existiam, nem existirão jamais concorrentes.

2- Touro Indomável (Raging Bull, EUA, 1980), 130 minutos – Diretor: Martin Scorcese; Elenco: Robert De Niro, Joe Pesci, Cathy Moriarty
Eu não vou perdoar nunca o Martin Scorcese. As três concessões desesperadas feitas por ele para abocanhar um Oscar, Gangues de Nova York, O Aviador e Os Infiltrados, o último no caso finalmente dando o prêmio para ele, quase fizeram todo o respeito que eu nutria pelo diretor ir água abaixo. Lógico que não são filmes ruins (hã... bem...deixa pra lá), mas são obras que destoam na carreira dele quase que de maneira grotesca. Agora que finalmente deram pra ele o prêmio, e justamente pelo que deve ter sido o seu pior filme, Os Infiltrados, quem sabe ele não relaxa e volta de uma vez a produzir filmes que façam jus ao seu talento? Lembro-me dos dias que Martin produzia filmes que escolhiam, corajosamente, observar o comportamento de personagens com claras predisposições sociopatas, seres sem qualquer tipo de adequação ao meio social que viviam, mas que, através da visão precisa do diretor, conseguiam dentro das suas lógicas torpes encontrar alguma espécie de redenção, sendo a violência o catalisador de todo o processo de tortura enfrentado pelos personagens. A culpa católica, o efeito que os pecados podem ter na vida e na mente de um homem, e a expiação através do sangue, sempre usado como metáfora em suas películas. No caso do Touro Indomável, que contava a biografia do pugilista Jake de La Motta, sua lenta ascensão até o título de campeão mundial dos pesos Meio-Pesados, e seus problemas enfrentados pelo temperamento impulsivo e auto-destrutivo, sua rebeldia contra a ordem estabelecida no boxe, e os inevitáveis reflexos na sua vida pessoal, quando suspeita de um caso amoroso entre a sua mulher e seu irmão, que o leva a praticar rompantes de violência que o isolam de todos. Robert De Niro foi o primeiro a se interessar pelo projeto, lendo a biografia de Jake e convencendo Martin Scorcese a dirigir um filme baseado no livro. Martin viu uma bela oportunidade para contar uma história que tudo tinha a ver com o mundo dos seus personagens, e que até representou uma curiosa semelhança com sua vida pessoal na época, já que depois do fracasso do musical New York, New York (quem mandou ficar amiguinho da Liza Minnelli?) ele estava se afundando cada vez mais nas drogas, vendo na procura por redenção do boxeador um belo contraponto com o momento que vivia. No caso, um talentoso boxeador que não consegue compreender o mundo que o cerca, nem se relacionar com as pessoas ao seu redor, mesmo aquelas que ele ama. A interpretação de De Niro é assombrosa. Sua obsessão por reproduzir com excelência todas as nuances do boxeador o fez engordar 27 quilos para retratar a decadência do personagem, e as lutas mostradas no filme foram todas autênticas, De Niro não quis usar golpes coreografados e foi pro pau de verdade, todas as feridas no rosto dele eram reais. Tamanha dedicação gerou uma perfomance que virou referência para todos os atores, que até hoje, quando dedicam-se inteiramente para compor um personagem, dizem que fizeram o “processo De Niro”. A narrativa lenta e gradual de Scorcese capta brutalmente toda a fúria e inadequação do personagem, e a medida que a fúria de Jake cresce durante a projeção, a câmera e a fotografia ficam mais claustrofóbicas, isolando Jake cada vez mais aos olhos do espectador. Um filme maravilhoso, sem dúvida a melhor película com esportes em primeiro plano já feita, e uma lembrança do que foi Martin Scorcese um dia, um diretor autoral e sem medo de contar histórias que podiam ferir o gosto dos mais sensíveis. Não esse Scorcese bunda mole que tão tristemente temos de aturar refilmando filmezinhos policiais vagabundos pra ganhar um prêmio que nada significa em termos de reconhecimento artístico. VENDIDO!

1- Paris, Texas (Paris, Texas, 1984, EUA-Alemanha), 147 minutos – Diretor: Wim Wenders; Elenco: Harry Dean Stanton, Nastassja Kinski, Dean Stockwell
O filme abre com um homem de aparência quase fantasmagórica, esquálido e imundo, bebendo uma garrafa de água numa paisagem desértica no interior americano. Quando acaba de beber a água, ele corre em direção ao horizonte, e a câmera permanece estática, sem movimento algum, observando aquela figura patética desaparecer na cálida imensidão desértica. Pronto. Já na primeira cena, Wim Wenders nos mostra uma rima poética brilhante, estabelecendo, sem qualquer palavra ou movimento, a situação desesperadora de um homem perdido, totalmente alienado do mundo, sem nem ao menos saber quem é, a condição mais baixa que alguém poderia atingir. A partir da cena, o filme começa, lenta e categoricamente, a desvendar os mistérios que envolvem aquele homem, quem ele é e o que levou a tamanha situação. Tudo se revela a partir do momento que o irmão o encontra, depois de muito procurar, o homem se chama Travis Henderson, tinha uma esposa e um filho, o casamento começou a desmoronar, até que a mulher um dia sai de casa num briga e ele, sem qualquer tipo de explicação, resolve desaparecer, vagando até chegar no estado triste que se encontrava no começo do filme. A obsessão que Travis mostra no decorrer do filme com um lugar no qual os seus pais teriam um terreno e para onde ele gostaria de ir, numa cidade chamada Paris, no interior do Texas, é um inteligente jogo metafórico: o irmão ao ouvir o relato de Travis pensa se tratar da capital da França. No caso, a busca e obsessão em encontrar essa cidadezinha reflete a própria vontade de se ver junto da sua família de novo, filho e mulher, sendo que a Paris francesa seria um retrato ideal da vida que ele gostaria de levar junto deles, mas a Paris texana, árida, inóspita e perdida no meio do nada, revela-se o reflexo verdadeiro do que acabou se transformando a vida de Travis. O filho dele viveu com o irmão e a mulher, já que a mãe também fugiu. Depois de reencontrá-lo, Travis e o filho decidem, contra a vontade do irmão e da esposa, que tinham cuidado do menino por tanto tempo e se apegado com ele, procurar a mãe, numa clara referência feita por Wenders a força que existe nos laços entre pais e filhos, que seriam mais fortes do que variáveis frias como tempo e distância. Eventualmente a encontram, numa aparição exuberantemente bela de Nastassja Kinski, gerando momentos sublimes, sempre filmados com sobriedade e inteligência por Wenders. O final do filme, que poderia ser encarado como frustrante por alguns, na verdade acaba engrandecendo ainda mais o filme, já que evita saídas obvias e encontra-se firmemente de acordo com a narrativa e tom da obra. A fotografia do filme é exuberante, um trabalho perfeito do cinematógrafo Robby Muller, e todos os atores, em especial Harry Dean Stanton, retratando a lenta redenção do personagem com muita categoria, oferecem perfomances memoráveis. Inacreditavelmente, anão indicaram o filme para nenhuma categoria no Oscar de 1985, mais uma vergonha a perseguir a Academia para todo sempre. Mas a Palma de Ouro em Cannes fez justiça para esse filme, maior momento do cinema na década de 80.

Melhores filmes, Década de 80: Interlúdio

A década de 80 jamais é lembrada quando queremos falar de referências de bom gosto. Normalmente associamos a época com figurinos ridículos, cabelos com laquê, aeróbicas, bandas como os Menudos e o A-Ha e filmes de ação dos Schwarzeneggers e Rambos da vida. Fazendo minha lista dos melhores filmes, fiquei impressionado ao lembrar de quantos filmes bons foram feitos na época. Para minha surpresa, mais até que nos ans 90, época subestimada demais. Vou deixar aqui tudo claro para vocês, fazendo justiça para os excelentes filmes que não entraram na lista e explicando a ausencia de alguns queridinhos da mídia:
Menções Honrosas:
Sociedade dos Poetas Mortos, Homem Elefante, A Testemunha, Duro de Matar (maior filme de ação de todos os tempos), Broadway Danny Rose, A Rosa Púrpura do Cairo, Crimes e Pecados, Ran (do Akira Kurosawa), Monthy Phyton e o Sentido da Vida, Cinema Paradiso, Isso é Spinal Tap, todos os filmes dirigidos pelo John Hughes , e, para meu total desalento, De Volta Para o Futuro (nunca vou me perdoar por ter deixado de fora. ME PERDOE, MCFLY!).
Filmes que não entrariam mesmo por serem ruins
Platoon (Oliver Stone, Vietnã, ZZZZZZZZZZZZZZZZZ), Gandhi (um milhão de figurantes e três horas e meia de sono), Beijo da Mulher Aranha, Rain Man (esse eu guardei para os dez piores da década), O Último Imperador (a último chatice de Bertolucci), Nascido em 4 de Julho (Oliver Stone, Vietnã, ZZZZZZZZZZZ Dois, a missão), Carruagens de Fogo (alguém chegou até o final dessa porcaria?).

segunda-feira, 9 de julho de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Kristen Bell


Mais conhecida por interpretar a aprendiz de detetive Veronica Mars na série cult... peraê, deixa eu lembrar o nome do seriado... ha, sim, isso mesmo, Veronica Mars. Kristen é provavelmente o maior incentivo para a legião de fãs do show. Lógico que quando você pergunta para um deles, ouve respostas como "é uma série inteligente, quase um Twin Peaks sem anões". Sei. Com apenas 1,55 de altura (o que por si só mataria o argumento citado em cima. Maldade, tô brincando!), Kristen consegue realmente fazer os espectadores acreditaram que aquela loirinha seria capaz de ser mais esperta que uma cidade inteira. Não tem nada a ver com o fato dela ser canceriana. Não mesmo, cancerianos são seres barulhentos e sem classe.

domingo, 8 de julho de 2007

Manual Prático do indie pinguim - Parte 3: Caixa de sobrevivência do indie pinguim/O que ouvir atualmente

Depois de acusar(moderamente) o camarada progressista de indie, lembrei que deveria continuar minha série para aquelas pessoas desesperadas que adoraram a primeira parte desse manual, incluindo aí nosso camarada. Continuando na vertente musical, mas agora em álbuns que foram lançados recentemente( do começo dos anos 2000 até hoje) e que tenham vertente válida para os indies de hoje em dia, pois tenho uma preocupação sociológica com essa empreitada.

Indie hoje em dia ouve bastante coisa e não só indie rock, pensei nisso e resolvi abranger outros estilos, sempre pode ter uma garota(o) a quem se aproximar e se surpreender com seu ecletismo musical. Mas sempre preocupado com a palavra alternativo, não precisa ser indie mas precisava ser meio desconhecido. Poderia ser até uma visão mercadológica e de produção alternativa, ok vamos lá!


1) Shades Of Blue - Madlib - 2003 - hip-hop alternativo com toques de jazz
Descobri tal se
r mais por acidente do que qualquer outra coisa. Estava baixando música(faço muito isso) e resolvi ariscar, quem diria que ouviria até hoje e consideraria um dos melhores álbuns que já ouvi?Coisas da vida.

Shades of Blue parte do seguinte conceito: pegar um apanhado de gravações do famoso estúdio Blue Notes(famoso pelas gravações de jazz) e samplear e transformar em hip-hop suave e delicioso de ouvir. Recomendo atenção auditiva em duas faixas: Footprints, feita por Wayne Shorter; a composição de Gene Harris, que era The Look of Slim, foi remixada e tornou-se Slim's Return.

Madlib só por esse álbum já poderia ser chamado de promissor, ainda é um expetacular produtor musical. Se fosse só isso, tem mais, ele resolveu criar heterônimos musicais e produzir tais discos( resta saber se ele leu Fernando Pessoa, não é?). Os discos do seus heterônimos musicais diferem em estilo e até gênero musical do próprio autor, nessa brincadeira ele criou uma banda, Yesterday New Quintet, onde o próprio compôs as musicas, no estúdio tocou todos os intrumentos e ainda produziu o disco. Continua produzindo e produzindo muito, dizem as más línguas(www.pitchforkmedia.com) que ele dorme e vive no estúdio, para se ter uma idéia sua discografia tem 2,2 GB e começou a lançar albuns em 2000. Minha mãe falava que tem gente que não sabe brincar e eu não acreditava. Em suma, se você estiver ouvindo DangerDoom, Quasimoto, Madvillian, Yesterday New Quintet na verdade todo aquele trabalho musical foi arquitetado por um exército de um homem só: Madlib.


2)Nadadenovo - Mombojó - 2004 - "novo maguebeat", pop, samba, rock
Tudo novidade: assim que encarei esse álbum, no começo você acha parecido com os finados Los(loser?) Hermanos, sobretudo pela forma de cantar do vocalista, entretanto começa perceber a sonoridade e as viagen da banda: a experimentação dentro do rock( que faria qualquer StereoLab cair no chão de inveja); a fusão rock e samba em Deixe-se Acreditar; a flauta tranversal em Nem Parece que teima em ficar dançando em cima da harmonia; a transição bem executada entre as faixas Discurso Burocrático e A Missa; a própria A Missa que alterna samba, rock pesado e, seria, um hip-hop? Enfim tal álbum é bem executado, com faixas belas e feitas por músicos que na época tinham 20 e poucos anos, nem precisa mais de motivos pra ouvir. Mas tem, os dois albuns, em versão integral, da banda estão disponíveis para baixar no site da banda(www.mombojo.com.br). Só não entendo uma coisa: pra quê chamar de manguebeat? Só por que é do mesmo estado? Isso eu fiquei sem entender.


3)Unsolved - Karate - 2000 - indie rock com pitadas de jazz
Me apresentaram tal banda, falei: "Interessante...". Resolvi pesquisar e acabei me apaixonando. Nada de experimentações ousadas, harmonias complicadas, conceitos brilhantes e inovadores. Esse album viveria bem se não estivesse existido a musica concreta, não faria muita diferença. Simplesmente som bem executado, bonito, com letras boas.

Tal banda foi formada por músicos formados em uma faculdade de musica pouco conhecida que estudou "normais" como Miles Davis. Se conheceram lá e montaram a banda e resolveram formar uma banda de verdade de indie rock e que banda devo dizer.

Como sempre acabo vertendo pro lado do jazz, acabei escolhendo o álbum que tem mais elementos desse gênero. De uma forma geral todos os álbuns são bons, pena que a banda acabou.


4) Por Pouco - Mundo Livre S/A - 2000 - manguebeat
Uma banda mais antiga, mas que cresceu mais depois do seus primeiros cds. Hoje em dia acho que perderam denovo a mão. Fred 04(líder da banda) tornou-se mais um protestante político atual do que músico. Bem, vamos nos ater ao cd.

O álbum Por Pouco mostra uma maturidade da banda Mundo Livre e mostra também o caminho musical que tal banda escolheu e este caminho difere das outras bandas precurssoras do manguebeat, como Mestre Ambrósio e Nação Zumbi. A primeira busca um resgate das tradições nordestinas enquanto a segunda, mesmo após a morte do líder e cara do próprio movimento, procura atingir uma veia pop criando música de qualidade. Ao mesmo tempo Mundo Livre, como música de protesto, sempre buscou um meio termo e parece que nesse album atingiu o apíce estético. Atenção especial pra descontrução musical que fazem na versão deles de Garota de Ipanema; a letra de Mistério do Samba; a faixa título Por Pouco com sua harmonia genial e a inclusão de violinos aumenta mais a genialidade dessa música.


5)Amputechure - The Mars Volta - 2006 - indie rock, rock progressivo, pós-rock
O guitarrista da banda At the Drive-in(não precisa saber e nem ouvir isso) resolveu tomar vergonha na cara e formar uma banda de verdade. Resultado: esse álbum e mais alguns. Elementos do rock progressivo e sem a masturbação musical que o gênero ficou conhecido, com as latinades do tal guitarrista( Omar Rodriguez definitivamente não é sueco), recomendado também ouvir seus projetos solos.





Pra finalizar, leitores, agora vcs terão mais álbuns pra ouvir, mas lembre-se, tentem ser superciais e vagos, como fui agora.

sábado, 7 de julho de 2007

Mas que nada (Ou Camarada Progressista, Jorge Ben e a minha brasilidade inconfessa)

Dante teve por guia, em sua jornada pelo Inferno e pelo Purgatório, seu mestre Virgílio. O Camarada Progressista é o meu Virgílio quando se trata de música. É ele quem me diz se estou me afastando da luz, em direção das trevas, quando ouço Amy Winehouse, Bettie Serveert ou High School Musical.

Mas, apesar de seu espírito nobilíssimo, Virgílio não pôde acompanhar Dante no Paraíso. Não podia adentrar no Empíreo. Morreu pagão, ignorante da Luz verdadeira. Assim também o Camarada Progressista. Como vocês mesmos puderam comprovar, através de textos muito sagazes, seu conhecimento musical é indiscutível, bem como sua sensibilidade, experimentada e autônoma. Entretanto, há certas coisas que seu espírito não penetrou, verdades a que não teve acesso.

Jorge Ben (Jor), no caso. Meu Virgílio reconhece a genialidade do músico. Ouve A Tábua de Esmeralda e, como qualquer crítico isento e agudo, diz que é das coisas mais altas de que Jorge Ben foi capaz. Pois é. Musicalmente, é isso.

Mas aí eu, lado a lado com ele, às margens do Aqueronte, canto baixinho, querendo porventura afastar da mente (impossível!) os terríveis gemidos dos que padecem eternamente por terem se excedido na audição a experimentalismos sem fim: “Mas que nada, / Sai da minha frente que eu quero passar...”. E, então, meu mestre se volta pra mim e diz: “Devo confessar-te que detesto ‘Mas que nada’ ”. Inicialmente desfalecido, depois indignado, tomo coragem e lhe retruco: “Pois, mestre, nisto te enganas; na verdade, nisto te mostras completamente ignorante. (Meu coração palpitante.) Sei que me dirás que não passo de um fã chato do tipo Samba Esquema Novo, mas não importa. Se for necessário, me assumo como tal. Pois não ignoro A Tábua de Esmeralda; entretanto, não posso deixar de assinalar que Samba Esquema Novo é a quintessência do que é Jorge Ben (Jor). Mais: do que é a brasilidade segundo Jorge Ben (Jor)”.

O Camarada Progressista não é reconhecido por seu profundo vínculo com Pindorama e as coisas de Pindorama. Se possui, em si, algum traço ufanista, tem-no dissimulado muito bem até hoje a mim e ao Camarada Moderado. Por isso, não pode ele entender que ouvir Jorge Ben (Jor) é o máximo de brasilidade a que alguém pode chegar. Que em Jorge Ben (Jor) seja lá o que signifique ser brasileiro encontra sua expressão mais acabada e transparente. Que seu lirismo vai mais fundo que toda a sociologia por aqui ensaiada. E que só esse lirismo abrange ao mesmo tempo a indigência e a leviandade (ou descontração) que marcam o Brasil tanto na escala individual quanto coletiva. E que nenhuma Tropicália sequer arranhou. Na verdade, perto de Jorge Ben (Jor), o resto dos tropicalistas não passam de um carnaval veneziano. E, enfim, que foi na sobriedade e economia de um Samba Esquema Novo e pares que isso se manifestou originalmente.

Jorge Ben (Jor) é toda a noção que eu posso ter do que é ser brasileiro. Nele se resume todo o meu nacionalismo (é isso mesmo, também eu guardo cá comigo algum nacionalismo). E aí eu, excepcionalmente humilde e reverente, me vejo diante de uma grande descoberta: “Hoje, superei meu mestre”.

Cinema: Estréias da Semana

Com o fim do mês Lindsay Lohan (há, Lindsay..) volta a seção estréias da semana, com as costumeiras análises porcas, rasas e rasteiras dos filmes que entram em cartaz, mas que servem para ir direto ao ponto: ou é ruim ou não é, jão, sem embromação! Poupe os seus dólares ouvindo os conselhos do Progressista. Ou então me mande pra aquele lugar e vá por sua conta e risco. Acha que eu vou ficar ofendido? Lembrando que entre hoje e amanhã publico os cinco primeiros na lista de melhores filmes dos anos 80. Pois bem, aqui vai. Filmes que estréiaram no Brasil Sexta-Feira, 6 de Julho:

Ratatouille - Diretor: Brad Bird; Vozes: Patton Oswalt, Ian Holm, Brad Garret e Janeane Garofalo
Mais um filme bonitinho da Pixar, dessa vez com um Ratinho gorduchinho, sujinho e (como não poderia deixar de ser) bontinho, que ajuda um jovem cozinheiro com aspirações de Chef a subir na vida com suas habilidades culinárias, tudo isso tendo Paris como cenário. Lindinho, fofinho, espertinho, inteligentizinho, todos adjetivozinhos que caracterizam os filmezinhos da Pixar. Como todos amam os filmes da produtora do "revolucionário" Steve Jobs, cidadão que não tem interesse algum em dinheiro apesar das megapropagandas da Apple e da avalanche de produtos infantis lançados dos filmes da Pixar (é, eu também acredito no Papai Noel), vocês não ouviram de mim que filmes com ratos habilidosos na arte de cozinhar e preparar pratos não tem lá muito apelo com crianças, adultos ou qualquer tipo de público (o filme teve o pior retorno financeiro na estréia entre todos os filmes da Pixar). Não vou dizer para você fugir, apenas digo que você deve ir ao cinema com um sorrisinho pronto e reaçõezinhas que façam jus a esse filminho tão fofinho e espertinho. Mas todo mundo adora... o burro sou eu mesmo.

Paris, Te Amo - Diretores (essa vai demorar, tomando um ar, lá vai): Bruno Podalydès, Alfonso Cuarón, Walter Salles, Daniela Thomas, Sylvain Chomet, Gérard Depardieu, Alexander Payne, Olivier Assayas, Wes Craven (argh!), Tom Tykwer, Joel Coen, Ethan Coen; Elenco: Catalina Sandino Moreno, Juliette Binoche, Willem Dafoe, Nick Nolte, Ludivine Sagnier, Maggie Gyllenhaal, Bob Hoskins, Natalie Portman, Elijah Wood, Gaspard Ulliel, e STEVE BUSCEMI
Esse filme é o Simplesmente Amor made in France, com vários diretores, entre eles Alexander Payne (Sideways), Alfonso Cuaron (Filhos da Esperança), Irmãos Coen (precisa falar?), e até, acredite se quiser, Wes Craven (argh de novo! Wes Craven? Faltou o Kevin Williamson só), mostrando suas visões e olhares sobre a cidade Luz, usando histórias de amor como plano de fundo. Descartável, se não fosse por um detalhe: num dos segmentos, temos a presença dele, o homem, o ator, o mito, o quinquagésimo terceiro maior astro da história do cinema segundo a revista Empire, Steve Buscemi. Só para ver Steve the man, corra ao cinema mais próximo, já!

Pelo menos uma luz na escuridão

Hoje tive vontade de escrever sobre fatos gerais, tornar o blog menos opinativo/reflexivo e mais informativo, de uma maneira indireta. Em nossas reuniões de pauta decidimos meio que deixar em segundo plano coisas de duração precoce, algo que se aproximasse do jornalismo feito hoje em dia, sobretudo.

Sim poderíamos escrever sobre assuntos do momento, como fizemos várias vezes, mas sempre com viés que questionasse tais coisas; ao trazer os fatos também pudéssemos mostrar nossa opinião clara e sincera, bem, pelo menos nossa opinião e quem sabe se divertir com isso ou, no mínimo, fazer o leitor esboçar um sorriso.

Mas posso escrever sobre qualquer coisa desde que tenha opinião formada? Acho que não, o “tudo” no topo, aproveitando um dos primeiros textos do camarada fundamentalista no começo, também mente; como o título do blog, afirmado nesse tal texto do fundamentalista(recomendo ler, divertido).

E não só isso, as próprias coisas que podemos falar, será que temos compromisso com isso? A verdade?Por que nos dias de hj, tudo parece tão mutável, inclusive aquilo que se ouve nos jornais; os políticos se envolvem hora com a polícia ora com a política; fatos são desmentidos em segundos. E mesmo assim podemos opinar sobre algo Parece que sim, o cinema e arte ainda são terrenos menos escorregadios e sempre podemos falar de nós mesmos.

Ainda podemos escrever sobre grandes fatos , e aproveitar e acompanha-los de fato, pois assim serão realmente fatos, e de graça, vc leitor, ganhará uma opinião com direito a sorriso de canto de lábio.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Sem muitas justificativas

Não, não vou falar da minha ausência, não interessa. Posso dizer que tive obrigações e preguiça para postar, só isso. E também na minha ausência fui acusado pelo fundamentalista, só li agora, realmente estava sem tempo. Digo-te, pena mas quem cala nem sempre concorda, as vezes ele vai embora e espera as coisas voltarem a um estado mais normal. E sempre gostei mais da Hilary Duff mesmo

entre Murray e Sandler

Lembrando que é o mês camarada progressista, resolvi falar de um dos filmes que esse garoto miguxão mais gosta: Encontros e Desencontros, vulgo Lost in Translation para os íntimos. E, já que sou o egocêntico da turma, comparar com um dos filme que mais gosto, Embriagado de Amor( Punch Drunk Love). A escolha de tal filme foi baseada em duas justificativas: a primeira, os filmes tratam do mesmo assunto, o relacionamento de duas pessoas, sobretudo; segundo, seguindo as palavras do grande mestre Tolstoí, ou seja, falar da sua aldeia e assim almejar o universal, resolvi falar da minha aldeia pessoal e a do meu amigo miguxão.

Vamos a sinopse das duas películas. Encontros e Desencontros narra a história de uma celebridade americana( Bill Murray) que vai ao Japão e acaba conhecendo uma garota(Scarlet Johansson) no hotel em que os dois estão hospedados, a partir disso começam a conviver um com outro. Embriagado de Amor é o seguinte: Barry Egan (Adam Sandler) é um pequeno empresário que passa por dificuldades financeiras. Tendo sido criado ao lado de 7 irmãs, a infância de Barry foi difícil e repleta de abusos, deixando-o com medo de amar. Até que entra em sua vida Lena Leonard (Emily Watson), uma misteriosa mulher por quem Barry se apaixona, daí o filme se desenrola.

No relacionamento de duas pessoas e na escolha de um comediante para protagonista masculino residem as semelhanças dos filme, deixando estas premissas os filmes se distanciam promovendo um diferente desfecho e ambos desfechos satisfatórios.

O filme com Bill Murray apresenta um estado blasê em todo o filme: os enquadramentos, os planos sequências, as cenas, a fotografia, as personagens, os diálogos. Uma letargia que percorre todo filme, mesmo nos momentos mais felizes está presente. Como se fosse uma desorientação dos personagens principais perante aquele ambiente estranho a eles e também indecifrável, a apatia do filme fosse uma defesa dos personagens que contagia o filme também e que justifica bem o título; as personagens estão perdidas, todas, sejam elas ricas, mais velhas, mais novas, não importa. E as impede de tomar qualquer decisão ariscada e mudanças radicais.

Enquanto outro filme trata justamente disso: das loucuras que as pessoas fazem, sobretudo quando se está apaixonado. O filme apoiado em telas maravilhosa, enquadramentos geniais, planos sequências(apreciem quando o carro de Barry é atingido e a câmera gira) e um trilha coerente expõe um narrativa que ora parece um musical ora longa da Disney , isso sem o protagonista cantar uma música. Parece o estado que Barry, o personagem, vai chegando, e isto transmitido muito bem pela câmera como pelas atuações de Adam e Emily, falando neles é interessante como tais personagens tão problemáticos podem realmente formar um casal, um casal coerente e que vc acaba torcendo, mesmo sendo clichê e que hoje os finais felizes sejam tão raro. O efeito fábula é justificado, jpa que o filme faz alusão a história de Punch, personagem que tem lutar com o demônio pela alma da amada.

Eu não sei se o camarada progressista é um reprimido(será que ele gosta de tira fotos dos próprios pés?) e eu sou um romântico com problemas psicológicos(já quebrei alguma janela, devo dizer), mas estes filme dão um panorama dos nossos gostos. Enquanto eu sou da escola que o cinema é a arte dos sentidos, um filme deve ser sentido, as pessoas devem sair do filme impressionadas, de alguma maneira. O camarada é indie, me perdi mas era isso que queria falar: o camarada progressista é indie.