sexta-feira, 27 de julho de 2007

Cinema - Estréias da Semana

Filmes que estréiam no Brasil nessa sexta, 27 de Julho:

Bobby - Diretor: Emilio Estevez; Elenco: William H. Macy, Anthony Hopkins, Elijah Wood, Laurence Fishburne, Martin Sheen, Demi Moore, Sharon Stone e LINDSAY LOHAN
O Emilio Estevez deve ser um cara bem querido lá pelas bandas de Hollywood. Só isso pode explicar a presença de tantos atores do primeiro time nesse filme que, no velho estilão Altmaniano, conta a história de diversos personagens cujas histórias eventualmente se cruzam. No caso, o filme mostra o que 23 personagens faziam no Hotel Ambassador no dia que o Senador e candidato a presidência dos EUA Robert Kennedy, irmão menos vivo do John, foi assassinado. O filme fez boa carreira nos festivais mundo afora, e é a melhor opção entre as estréias da semana. Mas todo esse blá-blá-blá escrito por mim poderia ser facilmente substituído por uma sentença: esse filme tem a Lindsay Lohan no elenco. Vou criar um selo, todos os filmes que tiverem ou o Steve Buscemi ou ela, levarão um carimbo de aprovação. E se um dia os dois participarem de um mesmo filme? Custa sonhar, jão?

Quebra de Confiança - Diretor: Billy Ray; Elenco: Chris Cooper, Ryan Phillippe, Laura Linney
Filme elogiado pelos críticos e com um faturamento decente nos cinemas norte-americanos, é uma surpresa terem lançado em circuito aqui no Brasil e não direto em vídeo, já que não tem nenhum figurão no elenco. Thriller político que conta a história da captura do famoso agente duplo americano Robert Hanssen, interpretado pelo bom Chris Cooper. O filme conta com a eterna promessa Hollywodiana, Ryan Phillippe, no papel do agente que captura Hanssen. Desde que ele surgiu no fraco e superestimado Segundas Intenções, longos 9 anos atrás, esperamos alguma atuação marcante do cidadão, e mesmo ele tendo feito filmes importantes como Crash e Conquista da Honra, e fácil perceber que nada vai sair desse mato, já que carisma é palavra que passa longe aqui. Pagar quinze contos pra ver esse filme é burrice, espere sair na locador fedorenta da sua rua e, na hora de pagar a locação, finja que esqueceu a carteira e deixe a perva da sua namorada pagar. Ai sim, vai dar pra aproveitar o filme sem culpa.

O Ex-Namorado de Minha Mulher - Diretor: Jesse Peretz; Elenco: Zach Braff, Amanda Peet, Jason Bateman, Lucian Baisel
Agora sim. Os cinemas brasileiros irão ferver, pessoas brigarão nas ruas para conseguir ingresso para assistir esse filme, Transformers que se cuide. Realmente, o Zach Braff está sabendo direcionar bem a sua carreira, toda semana sai uma comédia romântica fracassada com ele no elenco, não é a toa que depois de fazer muito doce, renovou com a superstimada série Scrubs e tornou-se o maior salário de uma sitcom americana (Scrubs é sitcom, comédia de meia hora de duração). Tudo isso por uma série que nem entre as 50 mais assistidas fica nos EUA. Realmente, tem gente que sabe bem usar o dinheiro que tem. Quanto ao filme, nem se dê ao trabalho de ir nas 4 salas que exibirão o bagulho. Guarde o seu dinheiro para semana que vem, quando estréia o Duro de Matar 4 (isso foi uma piada).

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Movimento Cinema Mínimo

A produção cinematográfica brasileira anda bem, caminhando de um forma, sobretudo pelos incentivos governamentais, que faz-me esboçar um leva sorriso. Contudo, temos como base e modelo a produção estadunidense; demasiada exagerada e cara, o que pode ser a derrocada do nosso novo cinema.

Então, nesse texto, proponho a criação de um movimento, o qual o cinema será a base das coisas, a medida. Um movimento, assim espero, servirá de modelo para todas as artes. Tal movimento será conhecido como Cinema Mínimo ou Cinema Fome Zero.

As características do movimento remetem a outras empreitadas cinematográficas: O Cinema Novo e o movimento Dogma 95, sim, existem grandes diferenças entre o nosso movimento e esses exemplo de cinema, teoricamente, mais em conta. Agora, foquemos nos mandamentos do movimento, digo mandamentos e não regras, pois regras são coisas sempres seguidas, enquanto mandamentos, a modo do cristianismo, as vezes podem ser quebrados, depois é só se arrepender da sua heresia.

1)Esqueça a película, isso é pra ricos e esnobes, com os programas de manipulação de vídeo que temos hoje em dia podemos nos aproximar da qualidade fotográfica da película e também podemos aproveitar a características dessas mídias digitais como celulares, câmeras amadoras digitais, webcam, etc. Sim, podemos usar filme, mas só em pinholes para se divertir nas horas vagas.

2)Seja objetivo na hora de filmar. Pra quê filmar um monte de coisas, vários angulos, etc? Isso só dá trabalho na pós-produção para o diretor e o montador, recomendo aqui uma medida: no máximo cinco vezes o tempo do filme deve ser filmado, por isso obtenham um bom roteiro e atores de verdade aqueles que costumam decorar as falas.

3)A equipe deve ser mínima:o diretor, o fotográfo, o montador, o sonoplasta e um produtor; lógico os atores. Nada de equipe gigantesca, nada de um monte de figurantes, pegue um monte gente na rua e peça pra ser figurante, senão filme sem o consentimento delas, se arisque.

4) Nada de falsidades cênicas, não por serem falsas, mas por serem custosas. Filme onde puder filmar, sem ou com autorização, se necessário fechar uma rua, feche tal rua, suborne um funcionário do Detran, se necessário. E, se mesmo assim, precisar de cenografia pesada, use croma e taque efeitos especiais e truque de câmera. Seja criativo e você poupará dinheiro.

5) Filme o que for, não fique esperando o convite para filmar aquele longa metragem que você tem o roteiro empoeirado na gaveta; seja curta, média, filme pornó b, não interessa, comece a filmar. Primeiro, você vai estar praticando e aperfeiçoando suas habilidades; segundo, sempre vai ter pessoas dispostas a trabalhar de graça pra você, pois parecerá que está dando certo a sua empreitada; por último, tem vários concursos e competições para todos os tipos e formatos de filmes, uma hora você vai ganhar alguma coisa, notoriedade ou dinheiro, mas algum você conseguirá.

6)Use e abuse da internet. Divulgue, faça publicidade dos seus filmes, coloque no Youtube( no Pornotube, dependendo do que você vai filmar). Comente em fóruns co nick falsos, fale deles em salas de bate-papo, divulge e divulge-se.

Pronto, agora é só pegar a câmera do seu celular e depois entrar numa lanhouse para editar o filme e pronto, você começou a contribuir com o movimento.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Os Simpsons, ou : a queda de Groening

O mundo pop está em polvorosa. Sexta-feira estréia nos Estados Unidos o filme dos Simpsons, primeiro esforço cinematográfico daquele que é, indubitavelmente, o desenho animado mais famoso e influente de todos os tempos (embora respeite aqueles que acham que o sensacional Pernalonga mereceria tal honraria). Mas, ao contrário do clima de oba-oba que se instaurou na Internet, peço permissão para discordar do efeito dissonante. Eu não estou nada animado com isso tudo. Para mim, o que a Fox e os executivos fizeram com os Simpsons nos últimos dez anos poderia ser classificado facilmente como crime contra o patrimônio pop.
Vejamos. O desenho começou como uma série de esquetes no programa Tracey Ullmann Show, no na época recém-criado canal Fox, para depois virar um seriado integral, com os tradicionais 24 episódios. Isso ocorreu em 1989. Eu e os camaradas tínhamos cinco anos de idade. O Muro de Berlim ainda estava em pé, por mais clichezão que isso soe. E estamos aqui, 18 anos depois, com o show ainda em exibição, mais vivo do que nunca, e indo para um aguardadíssimo empreendimento cinematográfico. Essa é a parte bonita da história.

O Camarada Moderado, em seu rude texto no qual discordava do meu post sobre o Seinfeld, afirmou que as 8 primeiras temporadas dos Simpsons eram geniais. Obviamente, ele acertou (com relação aos Simpsons; se eu fosse colocar o Seinfeld no meio, manteria a minha opinião original): as 8 primeiras temporadas são sensacionais, firmando os dois alicerces sobre os quais Matt Groening, o criador, formataria a base e o coração do programa: a acidez que destruia impiedosamente todos os clichês do american way of life e a impagável relação criada com a cultura pop, sem dúvida nenhuma um grande amor na vida de Groening que nos Simpsons encontrava a sua maneira mais ousada de homenagem, criando sempre momentos que virariam pérolas de humor (minha favorita de todos os tempos é a participação do cantor Tom Jones no episódio Marge Consegue um Emprego, da quarta temporada).

A criação dos personagens sempre foi outro trunfo do desenho, já que sempre fugiu de caracterizações unidimensionais, sempre procurando encontrar em todos os habitantes de Springfield um senso de humanidade aguçado, já que nenhum personagem pode ser considerado mocinho, nem o contrário; todos, incluindo os membros da família, são capazes de empreender atos desprezíveis, encontrando depois uma conscientização que sempre foge de dramaticidades e pieguices, tudo isso logicamente inserido na ambientação non-sense e satírica do desenho. Mesmo o senhor Burns, impagável dono da usina na qual Homer Simpson trabalha, encontra a redenção dentro da sua realidade de vida, dos seus objetivos e desejos, fugindo do padrão maniqueísta barato. Ao quebrar a idéia do politicamente correto, Groening criou um panorama de humor inimaginável, dando a sustentação para a longuíssima duração do show, já batendo na sua décima nona temporada, maior número da história americana.

O que me incomoda é essa sensação de que, de uns tempos pra cá, Groening perdeu as rédeas do seu próprio show. A queda vertiginosa de qualidade, que começou a se sentir com mais força na nona temporada, e atinge o ápice hoje em dia, com episódios que fazem os fãs corarem de vergonha e se lembrarem saudosos da era de ouro do desenho, nos leva a crer que algo se perdeu no caminho. Fatos ocorridos recentemente, como fazerem o icônico personagem Barney Gumble se regenerar do vício do álcool, mostraram que as tendências conservadoras adotadas pelo dono da emissora Fox, o bilionário Rupert Murdoch, desde o iníco da era Bush, atingiram também a esfera do show. Groening, um sujeito quieto e afável, hoje é mera figura decorativa, uma rainha da Inglaterra, já que não mais influi no processo criativo do desenho, fato que remonta há anos atrás. James L. Brooks (Fundamentalista?) e David Mirkin, os outros dois produtores executivos, é que realmente controlam todo o processo.
O fato de Groening ter se dedicado tanto ao projeto paralelo Futurama, desenho que nunca decolou, mostrou a sua total insatisfação com os rumos dados pelos produtores aos Simpsons. Ou alguém acha normal que o criador de um mega sucesso, no ápice do show, deixe o processo criativo desse de lado para terceiros, dedicando-se a outro projeto? Fazer dezenove temporadas de um show com perspectiva temporal limitadíssima (os personagens nunca crescem) é pedir para entrar na auto-indulgência, algo que se agrava totalmente quando sabemos que cada episódio é escrito por uma equipe de dezenas de roteiristas sem qualquer influência de Groening, com a sombra do conservadorismo republicano de Murdoch a afrontar os criadores, e pronto: temos a receita da decadência.

Não digo com isso tudo que imagino o filme como um fracasso. Com uma coleção de personagens tão brilhantemente construída por Groening e fortemente fixada no imaginário popular, existe pouca margem para erros. Mas não pode-se ignorar que o Graal de Homer e companhia encontra-se naquelas primeiras oito irrepreensíveis temporadas, cujos episódios são citados de cor pelos fãs. Mas ao longo da semana, falaremos mais sobre tudo isso, com comparações entre o Bart e a Lisa com os filósofos franceses, rankings de personagens, entre outras coisas. Deixo aqui meu protesto: Groening, deixe a apatia de lado e traga os Simpsons de volta para o caminho da genialidade, ou então peite os executivos e acabe com o show, antes do dano ser maior.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Ethan Hawke

Cinco melhores filmes estrelados pelo Ethan Hawke:

5 - Neve Sobre os Cedros
4 - Caindo na Real
3 - Antes do Pôr-Do-Sol
2 - Antes do Amanhecer
1- Sociedade dos Poetas Mortos
Melhores livros lançados pelo Ethan Hawke:

Não existem. Os dois livros lançados por ele, The Hottest Station (1996) e Quarta-Feira de Cinzas (2003) são uma porcaria.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Dido

Cantora inglesa, apareceu para o mundo do showbusiness quando teve sua canção Thank You sampleiada pelo rapper e homofóbico e misógino Eminem na música Stan, que fez o seu álbum de estréia, No Angel, estourar finalmente dois anos depois de ser lançado, em 1999. Ainda lançou em 2004 o álbum Life For Rent, emplacou o sucessão White Flag (hino dos losers amorosos) e deu uma sumida de uns tempos pra cá. O que será que ela anda aprontando? Será que ela vai abandonar o trip-hop classudo dos seus dois discos anteriores e fazer um no estilão cachorra perva, usando roupas mínimas e se esfregando com o Justin Timberlake e o Timbaland em clipes, a exemplo de outras cantoras? Bom, seria engraçado pacas, mas acho difícil, considerando que ela já está com 35 aninhos, idade meio complicada pra ficar dando uma de dominatrix. A não ser que o seu nome seja Madonna, lógico, para quem a expressão "senso do ridículo" não significa nada.

sábado, 21 de julho de 2007

Yesterday New Quintet – Yesterday Universe (2007) : 10 bandas em um homem só, ou quase.

Eu sempre me surpreendo quando costumo surfar na rede na procura de novas bandas, novos sons. E como sempre estava eu nesse vício quando me deparei com esse álbum do Yesterday New Quintet, vulgo Madlib. O novo álbum que o esquizofrênico Madlib resolveu não se limitar ao seu quinteto imaginário e “criou” 10 bandas.

Na suas primeiras experimentações como Yesterday New Quintet sempre faltou alguma coisa; os álbuns eram geniais: uma mistura de hip-hop com jazz de fazer inveja em qualquer apreciador de fusion, mas eram músicas difíceis de digerir, talvez ele se perdesse na própria empreitada e torna-se seu som um tanto complexo, pelo próprio conceito do álbum: um cara fazer o som de toda banda e depois samplear tudo, sozinho.

Nessa empreitada ele achou que precisava de ajuda(pelo menos uma vez), então resolveu convocar dois bateristas que tocassem bateria melhor que ele. As escolhas findaram em Karriem Riggins(jazzista de mão cheia) e Ivan "Mamão" Conti do Azymuth(boa banda brasileira) e começou a compor as músicas.

Começa com Bichtes Brew, sampler da saudosa música de Miles Davis tocada pela Otis Jackson Jr. Trio e, a partir daí, percebo que dessa vez ele acertou em cheio. As faixas são extensas, mas não são cansativas e, lembre-se, estamos falando de música que é quase sempre intrumental(pode chamar música sampleada de música instrumental?).

As bandas conseguem ser diferentes umas da outras, ainda sim o álbum tem uma unidade e as próprias bandas apresentam similariedades entre si. Como se fossem desdobramentos da banda anterior, do Yesterday New Quintet; todas aquelas bandas fossem influenciadas por esta.

A tal fusão hip-hop com jazz é bem executada. Arrisco dizer que ninguém conseguiu executar tão bem como ele. Com isso Madlib engrandece o hip-hop, reanima o jazz e os amantes de boa música agradecem.

Cinema, Estréias da Semana

Filmes estreiando no Brasil, sexta, 20 de Julho:

Transformers – Diretor: Me recuso a escrever o nome. Elenco: Shia Labeouf, Anthony Edwards, Jon Voight, John Turturro
Cuidado. Muito cuidado. Tem existido uma tendência dos críticos, de todas as mídias, em elogiar esse filme, chamando-o de revolucionário, diversão contagiante, maior acontecimento do verão americano, entre outras coisas. Sempre suspeite quando você ler esses elogios. Como acontece num importante site de cultura pop, que fez elogios rasgados ao filme, ao mesmo tempo em que, quando você entra na página inicial desse site, vê uma propaganda gigantesca do mesmo filme, ocupando grande parte da página. Isenção é isso aí. Outros críticos apelam dizendo que o fato do filme ser produzido pelo Steven Spielberg seria uma amostra da intenção de ser fazer um filme com uma profundade maior. Balela pura. Spielberg liga somente para os bilhões que despejarão na sua conta, pouco se lixando pra qualidade, senão jamais teria colocado pra dirigir esse lixo o diretor mais nocivo, estúpido, arrogante e imbecil da história do cinema, Michael Bay (essa vai ser a única vez que escreverei esse nome aqui). Não dá, colocar um mané desses pra dirigir um filme é esperar somente as verdinhas entrarem e vomitar em cima da audiência, já que dos últimos 7 filmes dirigidos por ele, apenas um não ultrapassou cem milhões de arrecadação, A Ilha, todos os outros conseguiram superar a marca. Ou seja, o diretor mais rentável dos nossos dias é justamente o pior. Como se nos anos 50 o recordista em arrecadação fosse o Ed Wood. Fuja de todos os filmes que tiverem como diretor essa figura nefasta, pois os filmes dele são tudo aquilo que os verdadeiros amantes do bom cinema deveriam odiar.


Saneamento Básico – Diretor: Jorge Furtado; Elenco: Fernanda “Raimunda” Torres, Wagner Moura, Lázaro Ramos (eu espero sinceramente que um dia saia um filme brasileiro que não tenha no seu elenco esses dois, Wagner Moura e Lázaro Ramos. É impressionante, TODO SANTO FILME NESSE PAÍS TEM QUE TER UM DOS DOIS, CARAMBA! Que tal essa duplinha dar chance para outros atores começando?)
O Jorge Furtado é um felizardo. Desde que o Lula assumiu, em 2003, esse petista apaixonado pôde fazer 3 filmes financiados pela lei do audiovisual, com todos os confortos possíveis, enquanto que outros diretores passam anos sem poder filmar porcaria nenhuma. É a democracia, pessoal, é perfeitamente normal, tá na lei! Quanto ao filme, não espere algo parecido com O Homem que Copiava, melhorzinho dos filmes que ele fez, e sim algo mais próximo do decepcionante e fraquíssimo Meu Tio Matou Um Cara. E ainda temos que aturar a Fernanda “Mulher do Andrucha” Torres, aquela que disse que São Paulo era um mal necessário. Os filmes dessa mocréia deveriam ser proibidos de ser veiculados aqui, já que se ela odeia tanto essa cidade, não vai querer também a nossa grana, não é? A, não, ai é diferente, né...

A Poderosa – Diretor: Garry Marshall; Elenco: Jane Fonda, LINDSAY LOHAN, Felicity Huffman
Já falei nesse filme no mês Lindsay Lohan (há, Lindsay...), mas aqui vai um resumo: é uma bomba, que não faz jus ao talento dela, mas que é um merecido castigo para a veterana Fonda. Bem feito, toma essa fracasso na cara e larga a mão de ser fofoqueira, sua furazóio.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

O cinema de James L. Brooks, vulgo Camarada Fundamentalista

James L. Brooks e eu somos a mesma pessoa. James L. Brooks é o meu Tyler Durden. Eu o criei para dar vazão às minhas fantasias otimistas e humanitárias mais loucas. Ele é o meu jeito de dizer ao mundo como eu amo as pessoas. Com seus filmes, me redimo de todas as vezes que agi de forma misantrópica e grosseira com alguém; me redimo de todos os crimes à Holden Caufield que cometi até hoje.

Quando eu filmo, estou interessado, sobretudo, em como pessoas comuns podem exemplificar, da maneira mais perfeita, quão digno o ser humano é, e como essa dignidade é inalienável. Meu cinema trata exclusivamente disso. Vejam, por exemplo, Helen Hunt, em Melhor é Impossível (As good as it gets); e Adam Sandler, em Espanglês (Spanglish).

Nos filmes de Brooks, encontramos crônicas otimistas sobre quando, em meio às dificuldades inerentes ao convívio humano, as pessoas vêm a revelar o melhor de si. Pode-se dizer que James L. Brooks é o Frank Capra contemporâneo. A desesperança contra a qual este último se colocou, ao longo da Grande Depressão, é superficial, já que condicionada a fatores externos, materiais, se comparada ao cinismo da nossa época, este um sintoma espiritual. Em certo sentido, Brooks vai além do mestre, ao enfrentar tempos mais obscuros, que já não engolem anjos ou morais.

Como manipulador das emoções da platéia, poucos conseguem ser tão delicados ao dosar humor, ironia e ternura. É preciso um incrível feeling para se acertar uma genuína comédia dramática; a maioria dos diretores resvala para um dos lados, ou para o drama, ou para a comédia. Esse equilíbrio, tão raro, é um dos méritos de Brooks.

***

Helen Hunt me ligou um dia desses, dizendo que precisava desabafar. Acho que ficamos conversando durante umas duas horas; quando ela desligou, me levantei e vi que eram três da manhã. No dia seguinte, eu tinha de trabalhar, mas não consegui acordar a tempo. De fato, ainda estava dormindo lá pelas dez horas, quando o telefone tocou – era o Camarada Progressista, dizendo que o Camarada Moderado estava desaparecido, que a mãe deste falou que ele saíra há três dias e ainda não voltara pra casa. É duro ser o Camarada Fundamentalista quando não se tem o Brad Pitt pra interpretar o James L. Brooks pra você.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Billy Corgan: O Compêndio da Insanidade

Não dá mais. Alguém precisa, urgentemente, internar o Billy Corgan no primeiro hospício de Chicago que tiver pela frente. Depois de encerrar a banda sete anos atrás em meio a brigas, disputas internas e discos fracassados, Corgan dedicou-se a dois projetos que já nasceram mortos, a banda Zwan, com a qual lançou um disco constrangedoramente ensolorado e insípido para logo em cima acabar com a banda, e um disco solo em 2005 que é tão ruim que os fãs evitam mencionar, como se fosse algo que nunca aconteceu. Depois desses dois tiros no pé, os fãs logo pensaram, aliviados: "agora ele vai sossegar, virar um produtor estilo Timbaland roqueiro e deixar o nome do Smashing Pumpkins descansar em paz, finalmente". Ledo engano.

Ano passado ele veio e anunciou a volta do Smashing Pumpkins, dizendo que queria voltar com "a sua banda, com os seus sonhos". Pronto, todos se arrepiaram de novo. Lá vai o Corgan afundar ainda mais as coisas. Mas nem nos piores sonhos, nem nos piores devaneios, poderia-se imaginar que a volta da banda seria tão patética. Sem dois membros fundadores, James Iha e a D'arcy, apenas com o Jimmy Chamberlain (pobre coitado), ele prometeu um disco novo, que sairá agora, em Julho. Eu já ouvi o álbum, e afirmo com todo pesar: é ridículo. Uma das coisas mais horrendas que eu já vi. De corar qualquer fã, capaz de fazer todos que tinham a banda como favorita negar e virar o rosto imediatamente. Corgan resolveu juntar-se ao coro dos descontentes com a políca externa norte-americana, e descer a lenha na administração Bush.

O nome do álbum, Zeitgest, é uma expressão alemã que significa "o espírito de uma época", e a capa (horrorosa) mostra a estátua da Liberdade dentro de um mar vermelho de sangue. É, meu caro leitor, isso mesmo que você leu. Uma metáfora bem sutil mesmo. Só faltou colocar uma foto do Bush e desenhar uns chifrinhos em cima. Mas com relação ao conteúdo musical, temos músicas ridiculamente pesadas, mas não com a velha classe Pumpkiniana, quando a banda fazia músicas etéreas misturando o peso das guitarras com melodias intricadas e inteligentes, permeadas com belas letras que tratavam sempre de temas facilmente identificáveis para pessoas que quisessem sentir alguma coisa, frustrações, esperanças, medos.

Não, o que temos nesse disco são guitarras tristemente padronizadas, sem qualquer resquício de inteligência, com a bateria do Jimmy Chamberlain parecendo um cavalo doido, trotando sem sutileza alguma na frente. Em cima dessa massaroca sonora, Corgan berra letras de ordem sem qualquer relevância, apenas pelo efeito que ele imagina passar ao gritar coisas como "Revolução, eu quero lutar numa revolução nessa noite" na música apropriadamente chamada United States. Imagine o Smashing Pumpkins tentando soar como uma banda punk politizada. Imediatismo, demagogia, chame como quiser, Corgan viu que o Green Day conseguiu sair do ostracismo falando de política com delineadores e maquiagem e resolveu fazer igual. As duas baladas do disco passam longe de provocarem o efeito de músicas como Disarm, Tonight Tonight e 1979, clássicos da banda, servindo apenas para tentar arrancar um trigésimo quinto lugar na parada de singles da Billboard pra fazer aquela média, sabe como é, não tá fácil pra ninguém.

O primeiro clipe do disco, feito para a horrenda música Tarantula (nem dar nomes decentes para as canções o Corgan consegue), é um caso a ser estudado por juntas de psiquiatras e estudantes Freudianos, Jungianos e o que tiver. Mistura descarada dos trabalhos da Björk com um clipe do The Vines, no qual a banda tocava também no meio de dezenas de outros músicos, é de fazer chorar para aqueles que lembram da sobriedade e excelência de clipes como Cherub Rock, Today, 1979 e Tonight Tonight. Aqui está o link, vejam por si mesmo. http://www.youtube.com/watch?v=O5V2m3E4VvA. Sou um fã inverterado do Smashing Pumpkins, mas daquela banda que construiu discos fabulosos como Gish, Siamese Dream e Mellon Colie, não esse pastelão ridículo que volta do mundo dos mortos para satisfazer o ego insaciável de um rockstar, fazendo todos os fãs passarem vergonha com músicas, discos, clipes e capas de discos ridículas. Corgan, vou dar aqui três sugestões para você recuperar o nome Smashing Pumpkins da lama em que você mesmo colocou:

1-Traga a D'Arcy e o James Iha de volta, caramba! Dá pra deixar um pouco o ego de lado só uma vez? Será que não entende que sem eles a unidade que a banda tinha fica totalmente comprometida?

2-Volte a compor canções sobre sentimentos humanos, não factóides políticos que já nascem datados e fadados ao escárnio alheio.

3- Por misericórdia, nunca mais faça uma capa tão horrenda como a desse disco. Nem que você escreva apenas o nome da banda e do disco num fundo branco. Ou melhor, pegue o cd e enrole num papel higiênico de uma vez, seria totalmente adequado à qualidade atual da banda, ninguém mais compra CD mesmo, não é?

Pronto. Com essas três atitudes tomadas, logo teremos nos nossos I-Pods da vida músicas que façam juz à classe com que Billy Corgan nos habituou. Believe, believe in me, believeeeeeee!!!!!!!

Audrey Tautou, Claire Danes e a minha ex-namorada

Audrey Tautou lembra uma ex-namorada minha. A Audrey Tautou e a Claire Danes. Não, não é gracejo. O Camarada Progressista pode confirmá-lo. Ele, que testemunhou as terríveis conseqüências dessas semelhanças (imaginárias ou não é algo que não vem ao caso) que eu acho.

Ainda hoje essa associação se estabelece na minha cabeça. Muito tempo depois de tudo haver sido resolvido e sepultado, devidamente sepultado. E, assim, nesses dias em que desespero, atrás do que dizer, me calhou de finalmente perguntar pelo que faz essa ex minha, Audrey Tautou e Claire Danes ocuparem o mesmo espaço numa ordem classificatória implícita em minha mente tão reconhecidamente aristotélica.

E a resposta é simples e imediata, intuitivamente alcançada: todas as três são dessa espécie muito peculiar das moças sem sal. (E aqui cabe uma confissão: tenho uma queda por moças sem sal.) Note que eu disse "moças", e não "mulheres", já que, por causa desse meu romantismo de boteco, não existem mulheres sem sal. Ou têm um "algo mais", ou ainda não chegaram a ser mulheres. Simples assim. E enquanto não me deparo com a mulher que há de me acertar em cheio, vou me enredando com mocinhas sem sal, tão assim meio termo, mas inegavelmente agradabilíssimas.

E o que é uma moça sem sal, assim, na minha visão das coisas, pra que fique claro por que, afinal de contas, a pobre da Audrey Tautou é assim, tão repentinamente, enquadrada ao lado da sonolenta Claire Danes? Bom, sabe alguém que não te desperta grandes sanhas, que não oferece nenhum tipo de oposição ou conflito; alguém que é pura e simplesmente adequada, pertinente; que não mexe com você, nem para o bem, nem para o mal; que, se um dia te tirar do sério, vai ser justamente por nunca te tirar do sério; alguém, enfim, que dá vontade de sacudir, até ficar toda descabelada, e se não acontecer nada, partir pra porrada mesmo, pra ver se ela acorda? (Como vêem, a questão é bem pessoal.) Pois então, eis aí minha tipologia da moça sem sal.

Agora, vão assistir a Garota da Vitrine (Shopgirl) e me digam se a Claire Danes não é desse tipo. Quanto a Audrey... Ô, Audrey, lembram-se dela naquele fime, Albergue Espanhol (L'Auberge Espagnole)? Nunca vi melhor caracterização. De fato, é a moça sem sal paradigmática, que é romantizada, por sua vez, em Amélie Poulain. Quem diria, né? A mulherada toda (se meninota, moça ou mulher, não sei) se identifica com uma moça sem sal! Todas acham que são Amélie! Pois não é que o encanto de uma sem sal é inegável? Se nem a mulherada resistiu, como resistiria eu?

E, pra finalizar, se ainda não se convenceram, vejam a descrição dessa comunidade do Orkut, que não é outra coisa senão uma perspectiva feminina diante do fenômeno (uma perspectiva amarga, é verdade; mas é que as mulheres são assim... - ah, me desculpem o meu sexismo: é involuntário!), e prestem atenção na parte "O pior de tudo é quando o seu carinha te troca por uma...":