sábado, 4 de agosto de 2007

O camarada progressista não gosta de sampler ou a evolução da música atual

“Não gosto de sampler!”, disse o camarada quando conversávamos sobre o rumo da música. Eu, como o meio moderninho do grupo, não posso dizer o mesmo: adoro sampler e música eletrônica, mas boa música eletrônica, e isso existe, acreditem!

Tudo começou - em veias pop lógico; pois a música clássica faz tudo antes e de modo mais chato, com o Krautrock e as respectivas bandas Can e Faust. Essas bandas, em meados da década de 70, resolveram gravar uma quantidade enorme de sons e depois, na edição, fazer colagens com as músicas( na época se fazia realmente colagem, pegava as fitas cortava e grudava uma na outra). Essa brincadeira, influenciou o Kraftwerf e uma pancada de gente até hoje em dia, sobretudo o pós-rock.

Passamos pela colagens, começo da música digital e chegamos no hip-hop: base fundamental da música eletrônica de uma forma geral. África Bombataa é conhecido por criar as bases do hip-hop, Public Enemy e Beastie Boys por expandi-las . Hoje quando ouvimos alguma música eletrônica, as batida, os “scracth” vem do hip-hop, exceção das músicas mais ambientes ou lounges.

Chegamos na atualidade(ufa!). a música dita como eletrônico e o hip-hop chegaram em níveis de produção que assustam. IDM, sigla para Inteligent Dance Music, onde Aphex Twin é o maior expoente. Há o Noise( quando eu ouvi achei que minha caixa de som estava com problema) onde temos Ben Frost e, numa veia mais rockeira, Sonic Youth. Do lado dos manos ou das pessoas mais swingadas temos o rei da mesa de mixagem: DJ Shadow e o louco, esquizofrênico e mago das mil faces: Madlib que lança álbuns numa velocidade incontável, seu último projeto consiste num apanhado de trilhas sonoras para filmes indianos imaginários.

Vocês, garotos e meninas, que como o camarada detestam sampler e, de uma forma geral, batidas eletrônicas ,agora pode rever seus conceitos e se aproximar um pouco da música eletrônica e do hip-hop, depois a gente pode ir numa balada da Vila Olímpia para "ouvir" um psytrance.

Cabeça vazia, oficina do diabo

A gente em casa, sem fazer nada, e o bloqueio criativo nem deixando a gente blogar... Bom, sobra a televisão, diante da qual, afinal de contas, nos formamos, se é que se pode colocar assim. Pois, assistir a Curtindo a Vida Adoidado, Duro de Matar (as pérolas) e muito, muito filme do Steven Seagal e do Jean-Claude Van Damme equivale, gostando-se ou não, a uma formação intelectual e artística. Ou a assumimos, ou estaremos vivendo numa mentira: radical assim.

E aí, eu, à toa, zapeando (que é o único jeito de se topar com algo assim), topo com Desafio Mortal (The Quest, 1996). Eis a sinopse oficial que achei na net:

"Christopher Dubois (Van Damme) é um artista de rua que se mete em uma grande encrenca e refugia-se em um barco. Em alto mar, ele é descoberto e preso por um aristocrático pirata (Moore), que o vende para um mestre das artes marciais. Christopher aprende os segredos de seu mestre e se torna um grande lutador. Para testar suas habilidades, ele parte numa perigosa jornada para participar do Ghang-gheng, um lendário torneio que reúne os melhores lutadores do mundo e que dá, como prêmio, um valioso Dragão de Ouro. Agora, Christopher terá que se esforçar para participar do torneio, já que não fora convidado."
Atentem na caracterização dos lutadores. Confesso que, quando eu penso nas várias nações que existem no mundo se enfrentando representativamente num torneio mortal de artes marciais, me vêm logo à cabeça as escolhas e concepções de Desafio Mortal. Por exemplo, a Mongólia: eu sempre pensei na Mongólia como um careca gigante, de cavanhaque e do mal.

Por tudo isso, esse é o filme da semana, dessa semana em que vi Erin Brockovich, Notting Hill, O Sétimo Selo, Filhos da Esperança, entre outros. Fica como recomendação minha. Aluguem, mas, se possível, comprem.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Grandes momentos de Steve Buscemi: Con Air

Jerry Bruckenheimer vem proporcionando diversos atentados ao mundo do cinema desde que obteve seu primeiro êxito como produtor, com o horrendo filme Gigolô Americano em 1980. Atentados inclassificáveis, como Flashdance, Um Tira da Pesada, Dias de Trovão, Bad Boys 1 e 2, 60 Segundos, Armageddon, Pearl Harbor, Coyote Ugly, Canguru Jack, e aquele que é ao mesmo tempo o filme mais famoso de todos os tempos (é impossível ninguém conhecer) e um dos piores filmes de todos os tempos também, o inacreditável Top Gun, que lançou o Tom Cruise ao status de super-hiper-mega astro hollywoodiano. Nos anos 90 imortalizou uma parceria que teve como objetivo principal destruir o cinema moderno, com o açougueiro travestido de diretor Michael Bay. Um dos únicos filmes produzidos pelo sujeito nos anos 90 que não contaram com Bay na direção foi o filme Con Air, de 1997, dirigido pelo fraquíssimo Simon West, diretor do primeiro Tomb Raider. E é desse filme que falarei um pouco.Mega produção lançada no auge dos filmes de ação da década de 90, que trocaram o estilão "um maluco contra todos" que dominou a década anterior por produções infladas de astros e cheias de explosões e destruições garantidas por modernos efeitos especiais e sonoros.

Para protagonizar o filme, Bruckenheimer escolheu Nicolas Cage, na época com um Oscar nas costas por conta do filme Despedida em Las Vegas. Interpretando o personagem principal, um prisioneiro acusado injustamente que enxerga numa transferência mal sucedida de presos a oportunidade de escapar e provar sua inocência. Sim, é um roteiro que soa clichê até não poder mais, mas acreditem, a execução torna tudo ainda mais ridículo. No elenco coadjuvante, colocaram atores de calibre, nomes como John Malkovich, John Cusack, Ving Rhames e... sim, ele, Steve Buscemi, mas logo chegaremos nele.

A atuação de Nicolas Cage é indescritível. A pior atuação de um ator detentor de um Oscar na história. Nem a Halle Berry no Mulher Gato chegou perto. Exagero? De jeito nenhum. O melhor momento é quando Cage tem de dizer uma fala elementar no meio do filme, "Put the bunny back in the box", para outro prisioneiro. A maneira que Cage profere essas palavras chega a nos fazer duvidar se ele estava brincando quando trabalhou nesse filme, se ele estava tirando uma com a cara dos espectadores. Uma coisa dessas não poderia ser verdade. Mas aí, nos lembramos do currículo de Cage depois desse filme, com diversas colaborações com o duo Bruckenheimer/Bay e incontáveis filmes de ação, para vermos que não era brincadeira, era a triste realidade mesmo. Nicolas Cage só funciona quando tem um diretor talentoso o bastante para cortar as suas tendências caricatas.

Quanto aos coadjuvantes, vejamos as atuações de Malkovich e Cusack. Malkovich sempre foi um pau pra toda obra em Hollywood, e não parece constrangido ao interpretar o caricato vilão do filme, um insano bandido que lidera a rebelião dos presos, pelo contrário, parece estar se divertindo a valer. Mas nada faz além de constranger ainda mais o telespectador, já que Malkovich é um ator dado a exageros e incapaz de interpretar tipos que fujam ao esterótipo "vilão psicopata". Já John Cusack, na única vez que participou de um filme blockbuster na carreira, não tenta nem um pouco disfarçar a má vontade. É sério, tem horas no filme que só faltou ele pendurar uma placa no pescoço escrita "vou encher de porrada a cara do meu agente". Hilário ver a sua cara de tédio e incredulidade frente ao material ridículo que teve de representar. Reamente, triste ver um ator talentoso como ele participando de tamanha estultice, mas ele poderia ter saído dessa com dignidade. Se tivesse seguido o exemplo do homem, do mito, da lenda, que descreverei a seguir, nas seguintes palavras:

Passavam-se 60 minutos da projeção, mais da metade do "filme". Explosões, gritarias, diálogos de fazer corar, reviravoltas absurdas, caretas excruciantes do Nicolas Cage, tudo já tinha sido tentado para levar o filme para frente. Quando a tortura parecia não ter fim e a única sáida seria o suicídio dos espectadores, quando o Framboesa de Ouro já conhecia o seu potencial vencedor, quando a obra-prima de Ed Wood Plano Nove do Espaço Sideral estava prestes a perder a honraria de pior filme da história, eis que aparece, como um assassino pedófilo envolvido numa camisa de força com uma máscara a la Hannibal Lecter, ele, Steve Buscemi. A aparição é hilária. Esperamos um monstro surgir na nossa frente, saindo da grotesca camisa de força, e quem surge é o diminuto Buscemi. A partir desse momento, sem exagero algum de minha parte, o filme inacreditavelmente pega no breu. Buscemi incendiou a tela, como eu poucas vezes vi um ator fazer num filme tão ruim como esse. Todos em sua volta, Cage, Malkovich, Rhames, até mesmo o constrangido John Cusack, todos são contagiados pelo poder trazido pela simples presença de Steve.

Logo testemunhamos um momento maravilhoso, quando todos os bandidos dançam no avião sequestrado ao som da música Sweet Home Alabama, do grupo Lynyrd Skynyrd, e o personagem de Buscemi vira para Cage e diz: "Defina ironia: um bando de idiotas dançando dentro de um avião com uma música feita por uma banda famosa por ter morrido num acidente de avião". SENSACIONAL. Todo o sarcasmo dilacerante e a total indiferença de Buscemi, cultivados em milhares de pérolas de baixo orçamento do cinema underground, levado para dentro de um blockbuster Bruckenheimeriano. Não poderia dar errado. Aqueles sessenta minutos finais com Buscemi fizeram o filme Con Air parecer ser muito melhor do que realmente é, característica inerente aos grandes atores, capazes de tirar leite de pedra. Mas tudo isso teria ficado para trás se Bruckenheimer não tivesse dado essa jogada de gênio, escalando-o no filme. Não é a toa que o cara tem alguns bilhões de dólares na conta e eu sou um pobre estudante blogueiro. Depois Buscemi faria mais alguns milagres em produções horrendas como Armageddon, O Paizão e A Ilha, mas o mainstream descobriu o salva-vidas perfeito aqui nessa produção milionária e patética. Não importa o quão ruim seja o filme que você produza, o quão inverossímil, absurda, barulhenta, revoltante, burra e estereotipada seja a sua película; é só colocar o Buscemi pra falar algumas frases e contar os milhões que entrarão na sua conta.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Jill Cunniff

Tomando carona nos embalos do Fundamentalista, Jill Cunniff é a Tetéia da Semana. Vocalista e compositora da mítica, subestimada e infelizmente extinta banda nova-iorquina Luscious Jackson, que marcou os anos 90 com o seu rock alternativo elegante e dotado de misturas como vocais levemente influenciados pelo hip-hop, teclados jazzistícos e batidas eletrônicas. Lembrada principalmente pela música Here, trilha do filme As Patricinhas de Beverly Hills, o que me dá nos cornos, já que isso diminui a importância da banda. Foi, ao lado do espetacular Sleater-Kinney, o melhor grupo formado exclusivamente por mulheres que já existiu (o Elastica tinha um cara na formação, o bateirista Justin Welch) Cunniff, como me observou o Camarada Fundamentalista, não parecia ser lá de dançar muito, já que aparece toda desajeitada no clipe da música Ladyfingers, mas isso não importava, já que era uma letrista talentosa, capaz de refletir com classe o conflituoso comportamento feminino em suas letras. Depois do fim da banda, em 2000, empreendeu uma carreira solo, e lançou esse ano o álbum City Beach, totalmente influenciado por, acredite vocês ou não, a Bossa Nova brasileira. Ela é amiga da Bebel Gilberto, e fã do João Gilberto, Tom Jobim e Jorge Ben-Jor. Só mesmo os devaneios tupiniquins para seduzirem a garota mais talentosa do indie/rock nos anos 90 (essa foi pra vocês, Justine Frischman e Courtney "Argh" Love!).

Bergman: uma despedida

Morreu hoje aos 89 anos o cinesta sueco Ingmar Bergman. Normalmente quando morre alguém importante no mundo do cinema e temos de dimensionar a sua obra, mentimos dizendo o máximo para fazer do sujeito uma perda realmente relevante. Mas no caso do Bergman, o bicho pega. Dizer o quê de um diretor que entregou ao mundo filmes como Morangos Silvestres, Persona, Cenas de um Casamento, Gritos e Sussurros, O Silêncio, Luz de Inverno, Fanny e Alexander, Sonata de Outono, Através do Espelho e O Sétimo Selo? Provavelmente Bergman queria equiparar a arte de fazer cinema com outra paixão sua, o Teatro, usando de uma refiinadíssima poesia visual para revelar ao seu público todos os segredos e anseios dos seus personagens. Filmes ousados, questionadores, literatos, inteligentes e tão fortes que jamais sentirão a ação do tempo. Bom, agora que temos que aguentar os Michael Bays da vida explodindo coisas a cada dois segundos, usando duas falas de roteiro pra desenvolver personagens e ainda achando isso bom cinema, fica ainda mais amarga a inevitável despedida. O Fomos ao Cinema faz um minuto de silêncio, em respeito ao mestre, e vocês aí façam também, e isso é uma ordem.

O mesmo problema, as pessoas não ouvem

O camarada fundamentalista reclamou que as pessoas tem o costume de não ouvir, digo pior, elas so se interessam em falar a opiniões delas e sairem correndo, nem aberta para o diálogo elas estam. Nem capaz de falar, "perae se eu estiver errado...". Não, elas se fecham no seus casulos esquizofrênicos e pronto.

Não sou exceção e desconfio que hoje em dia alguém seja, mas tento me monitorar pra evitar que isso ocorra bastante, só deixo ocorrer as vezes, pois vc não quer ouvir uma mulher falar sobre mudança e transporte de móveis, acreditem.

Tanto o camarada fundamentalista como o progressista dificilmente ouvem minhas dicas musicais, de filmes, etc. Talvez me achem incapaz de ouvir musicas boas(na visão indie deles), ou que minhas dicas não valham a pena mesmo. Eu não me importo muito, só o suficiente para alfinetar eles de leve, só isso. Agora, eu, o cara mal, já ouviu Arcade Fire(lixo musical), viu Senfield várias vezes, foi assistir vários filmes que eles indicaram. Sim, eu ouço o que eles falam, mas não é sempre, eles podem querer falar de mudança e transporte de móveis, aí já viu.

sábado, 28 de julho de 2007

Mãe, me compra um All Star!

Gosto dos juízos reducionistas, do tipo: se alguém te perguntar o nome de um grupo musical feminino, e, em vez de responder Spice Girls, você disser Luscious Jackson (tão anos 90...), então você é indie. A sensibilidade embrutecida, as simplificações, tudo se encaixa tão bem numa conversa com pessoas que absolutamente não estão ouvindo o que você diz. Ai, ai.

Mas e se a resposta não for assim tão simples? Se, em vez de ouvir Paviment (zzzzzzz) e Pizzicato Five (tsc, tsc, tsc...), você ouve Mombojó ou, pior (quer dizer, pior de ser apreendido pelo nosso terrível olhar sofregamente analítico), Chico Buarque? Pra falar francamente, preto no branco: se você é um daqueles que lê Grande: Sertão Veredas e ouve Ópera do Malandro, e acha que, com isso, vai fundo nas Raízes do Brasil. Pra quem uma tarde com Gilberto Freyre e Mário de Andrade é entrar em contato com sua brasilidade mais profunda, cotidianamente esmaecida, tão sufocada por todo o lixo imperialista norte-americano, isto é, estadunidense.

Talvez isso desfaça a última das suas ilusões a seu próprio respeito, aquela segundo a qual você era absolutamente insubordinável a quaisquer rótulos e classificações, mas, amigo, você também é indie. Uma variação do indie original, é claro, resultado de uma aclimatação a esta terra tão radiosa onde vive um povo tão triste. Mas, ainda assim, indie. Porque o que é ser indie?

Para o nosso Camarada Moderado, da forma como nos tem atribuído tal identificação nas suas mais recentes postagens, se constitui num xingamento, numa acusação. Ser indie é um desvio em relação a uma formação intelectual e artística sadia e lúcida, desvio esse que responde por apreciações estéticas que soem endeusar ícones culturais que não passam de versões bem menos incisivas e vigorosas de ícones culturais realmente originais e relevantes (?).

Pra mim, que sou indie (lá-lá-lá-lá-lá-lá...), ao contrário disso, sê-lo é simplesmente diferenciar-se, por exemplo, do brasileiro do qual você, indie tupiniquim, também quer se diferenciar, não por pedantismo (nunca..., imagina!)! Que esse brasileiro que, pra nós, que estamos cheios de consciência social (um saco inteiro dela) e comprometidos em democratizar a cultura e assim transformar politicamente a sociedade (assim mesmo – social e político, tudo junto, com esperanças de atingir o econômico, é claro), é um beco sem saída. Sabe, esse brasileiro que freqüenta baile funk, acompanha novela das oito, nunca foi ao teatro em toda a vida e acha que Pablo Picasso é francês (brincadeira...). Que diz que o melhor filme que já viu é Transformers e o melhor livro que leu, mas não inteiro, é “um da Zibia”. Que vaia os atletas estrangeiros nos Jogos Pan-Americanos e facilmente compõe multidões de linchamento com muita presteza e solicitude. Esse brasileiro aí, sabe? Bom, eu não ia falar nada, mas com esse as coisas não podem ir pra frente, né? Mas, por favor, não é que eu esteja dando uma de elitista. Longe de mim, a essa altura do campeonato, resvalar pro aristocratismo. Não, pelos céus! Por favor!

Mas eu também era indie e não sabia. Mas agora que eu sei, tipo, não é tão ruim assim. The Arcade Fire é bem legal e tudo. Já até saí pra comprar meu par de All Star. Eu só, às vezes, sei lá, me pego ouvindo Nelly Furtado (antes dela começar a usar her humps) e cantando "I'm like a bird and I wanna fly away", e aí eu fico meio confuso, e dá uma crise de identidade, mas passa rápido. Mas pior mesmo é quando eu prefiro ler um empolado como o Proust a um beat qualquer, porque, ai, meu Deus, acho o Kerouac um xarope. Nessas horas, confesso que me dá um calafrio...

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Cinema - Estréias da Semana

Filmes que estréiam no Brasil nessa sexta, 27 de Julho:

Bobby - Diretor: Emilio Estevez; Elenco: William H. Macy, Anthony Hopkins, Elijah Wood, Laurence Fishburne, Martin Sheen, Demi Moore, Sharon Stone e LINDSAY LOHAN
O Emilio Estevez deve ser um cara bem querido lá pelas bandas de Hollywood. Só isso pode explicar a presença de tantos atores do primeiro time nesse filme que, no velho estilão Altmaniano, conta a história de diversos personagens cujas histórias eventualmente se cruzam. No caso, o filme mostra o que 23 personagens faziam no Hotel Ambassador no dia que o Senador e candidato a presidência dos EUA Robert Kennedy, irmão menos vivo do John, foi assassinado. O filme fez boa carreira nos festivais mundo afora, e é a melhor opção entre as estréias da semana. Mas todo esse blá-blá-blá escrito por mim poderia ser facilmente substituído por uma sentença: esse filme tem a Lindsay Lohan no elenco. Vou criar um selo, todos os filmes que tiverem ou o Steve Buscemi ou ela, levarão um carimbo de aprovação. E se um dia os dois participarem de um mesmo filme? Custa sonhar, jão?

Quebra de Confiança - Diretor: Billy Ray; Elenco: Chris Cooper, Ryan Phillippe, Laura Linney
Filme elogiado pelos críticos e com um faturamento decente nos cinemas norte-americanos, é uma surpresa terem lançado em circuito aqui no Brasil e não direto em vídeo, já que não tem nenhum figurão no elenco. Thriller político que conta a história da captura do famoso agente duplo americano Robert Hanssen, interpretado pelo bom Chris Cooper. O filme conta com a eterna promessa Hollywodiana, Ryan Phillippe, no papel do agente que captura Hanssen. Desde que ele surgiu no fraco e superestimado Segundas Intenções, longos 9 anos atrás, esperamos alguma atuação marcante do cidadão, e mesmo ele tendo feito filmes importantes como Crash e Conquista da Honra, e fácil perceber que nada vai sair desse mato, já que carisma é palavra que passa longe aqui. Pagar quinze contos pra ver esse filme é burrice, espere sair na locador fedorenta da sua rua e, na hora de pagar a locação, finja que esqueceu a carteira e deixe a perva da sua namorada pagar. Ai sim, vai dar pra aproveitar o filme sem culpa.

O Ex-Namorado de Minha Mulher - Diretor: Jesse Peretz; Elenco: Zach Braff, Amanda Peet, Jason Bateman, Lucian Baisel
Agora sim. Os cinemas brasileiros irão ferver, pessoas brigarão nas ruas para conseguir ingresso para assistir esse filme, Transformers que se cuide. Realmente, o Zach Braff está sabendo direcionar bem a sua carreira, toda semana sai uma comédia romântica fracassada com ele no elenco, não é a toa que depois de fazer muito doce, renovou com a superstimada série Scrubs e tornou-se o maior salário de uma sitcom americana (Scrubs é sitcom, comédia de meia hora de duração). Tudo isso por uma série que nem entre as 50 mais assistidas fica nos EUA. Realmente, tem gente que sabe bem usar o dinheiro que tem. Quanto ao filme, nem se dê ao trabalho de ir nas 4 salas que exibirão o bagulho. Guarde o seu dinheiro para semana que vem, quando estréia o Duro de Matar 4 (isso foi uma piada).

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Movimento Cinema Mínimo

A produção cinematográfica brasileira anda bem, caminhando de um forma, sobretudo pelos incentivos governamentais, que faz-me esboçar um leva sorriso. Contudo, temos como base e modelo a produção estadunidense; demasiada exagerada e cara, o que pode ser a derrocada do nosso novo cinema.

Então, nesse texto, proponho a criação de um movimento, o qual o cinema será a base das coisas, a medida. Um movimento, assim espero, servirá de modelo para todas as artes. Tal movimento será conhecido como Cinema Mínimo ou Cinema Fome Zero.

As características do movimento remetem a outras empreitadas cinematográficas: O Cinema Novo e o movimento Dogma 95, sim, existem grandes diferenças entre o nosso movimento e esses exemplo de cinema, teoricamente, mais em conta. Agora, foquemos nos mandamentos do movimento, digo mandamentos e não regras, pois regras são coisas sempres seguidas, enquanto mandamentos, a modo do cristianismo, as vezes podem ser quebrados, depois é só se arrepender da sua heresia.

1)Esqueça a película, isso é pra ricos e esnobes, com os programas de manipulação de vídeo que temos hoje em dia podemos nos aproximar da qualidade fotográfica da película e também podemos aproveitar a características dessas mídias digitais como celulares, câmeras amadoras digitais, webcam, etc. Sim, podemos usar filme, mas só em pinholes para se divertir nas horas vagas.

2)Seja objetivo na hora de filmar. Pra quê filmar um monte de coisas, vários angulos, etc? Isso só dá trabalho na pós-produção para o diretor e o montador, recomendo aqui uma medida: no máximo cinco vezes o tempo do filme deve ser filmado, por isso obtenham um bom roteiro e atores de verdade aqueles que costumam decorar as falas.

3)A equipe deve ser mínima:o diretor, o fotográfo, o montador, o sonoplasta e um produtor; lógico os atores. Nada de equipe gigantesca, nada de um monte de figurantes, pegue um monte gente na rua e peça pra ser figurante, senão filme sem o consentimento delas, se arisque.

4) Nada de falsidades cênicas, não por serem falsas, mas por serem custosas. Filme onde puder filmar, sem ou com autorização, se necessário fechar uma rua, feche tal rua, suborne um funcionário do Detran, se necessário. E, se mesmo assim, precisar de cenografia pesada, use croma e taque efeitos especiais e truque de câmera. Seja criativo e você poupará dinheiro.

5) Filme o que for, não fique esperando o convite para filmar aquele longa metragem que você tem o roteiro empoeirado na gaveta; seja curta, média, filme pornó b, não interessa, comece a filmar. Primeiro, você vai estar praticando e aperfeiçoando suas habilidades; segundo, sempre vai ter pessoas dispostas a trabalhar de graça pra você, pois parecerá que está dando certo a sua empreitada; por último, tem vários concursos e competições para todos os tipos e formatos de filmes, uma hora você vai ganhar alguma coisa, notoriedade ou dinheiro, mas algum você conseguirá.

6)Use e abuse da internet. Divulgue, faça publicidade dos seus filmes, coloque no Youtube( no Pornotube, dependendo do que você vai filmar). Comente em fóruns co nick falsos, fale deles em salas de bate-papo, divulge e divulge-se.

Pronto, agora é só pegar a câmera do seu celular e depois entrar numa lanhouse para editar o filme e pronto, você começou a contribuir com o movimento.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Os Simpsons, ou : a queda de Groening

O mundo pop está em polvorosa. Sexta-feira estréia nos Estados Unidos o filme dos Simpsons, primeiro esforço cinematográfico daquele que é, indubitavelmente, o desenho animado mais famoso e influente de todos os tempos (embora respeite aqueles que acham que o sensacional Pernalonga mereceria tal honraria). Mas, ao contrário do clima de oba-oba que se instaurou na Internet, peço permissão para discordar do efeito dissonante. Eu não estou nada animado com isso tudo. Para mim, o que a Fox e os executivos fizeram com os Simpsons nos últimos dez anos poderia ser classificado facilmente como crime contra o patrimônio pop.
Vejamos. O desenho começou como uma série de esquetes no programa Tracey Ullmann Show, no na época recém-criado canal Fox, para depois virar um seriado integral, com os tradicionais 24 episódios. Isso ocorreu em 1989. Eu e os camaradas tínhamos cinco anos de idade. O Muro de Berlim ainda estava em pé, por mais clichezão que isso soe. E estamos aqui, 18 anos depois, com o show ainda em exibição, mais vivo do que nunca, e indo para um aguardadíssimo empreendimento cinematográfico. Essa é a parte bonita da história.

O Camarada Moderado, em seu rude texto no qual discordava do meu post sobre o Seinfeld, afirmou que as 8 primeiras temporadas dos Simpsons eram geniais. Obviamente, ele acertou (com relação aos Simpsons; se eu fosse colocar o Seinfeld no meio, manteria a minha opinião original): as 8 primeiras temporadas são sensacionais, firmando os dois alicerces sobre os quais Matt Groening, o criador, formataria a base e o coração do programa: a acidez que destruia impiedosamente todos os clichês do american way of life e a impagável relação criada com a cultura pop, sem dúvida nenhuma um grande amor na vida de Groening que nos Simpsons encontrava a sua maneira mais ousada de homenagem, criando sempre momentos que virariam pérolas de humor (minha favorita de todos os tempos é a participação do cantor Tom Jones no episódio Marge Consegue um Emprego, da quarta temporada).

A criação dos personagens sempre foi outro trunfo do desenho, já que sempre fugiu de caracterizações unidimensionais, sempre procurando encontrar em todos os habitantes de Springfield um senso de humanidade aguçado, já que nenhum personagem pode ser considerado mocinho, nem o contrário; todos, incluindo os membros da família, são capazes de empreender atos desprezíveis, encontrando depois uma conscientização que sempre foge de dramaticidades e pieguices, tudo isso logicamente inserido na ambientação non-sense e satírica do desenho. Mesmo o senhor Burns, impagável dono da usina na qual Homer Simpson trabalha, encontra a redenção dentro da sua realidade de vida, dos seus objetivos e desejos, fugindo do padrão maniqueísta barato. Ao quebrar a idéia do politicamente correto, Groening criou um panorama de humor inimaginável, dando a sustentação para a longuíssima duração do show, já batendo na sua décima nona temporada, maior número da história americana.

O que me incomoda é essa sensação de que, de uns tempos pra cá, Groening perdeu as rédeas do seu próprio show. A queda vertiginosa de qualidade, que começou a se sentir com mais força na nona temporada, e atinge o ápice hoje em dia, com episódios que fazem os fãs corarem de vergonha e se lembrarem saudosos da era de ouro do desenho, nos leva a crer que algo se perdeu no caminho. Fatos ocorridos recentemente, como fazerem o icônico personagem Barney Gumble se regenerar do vício do álcool, mostraram que as tendências conservadoras adotadas pelo dono da emissora Fox, o bilionário Rupert Murdoch, desde o iníco da era Bush, atingiram também a esfera do show. Groening, um sujeito quieto e afável, hoje é mera figura decorativa, uma rainha da Inglaterra, já que não mais influi no processo criativo do desenho, fato que remonta há anos atrás. James L. Brooks (Fundamentalista?) e David Mirkin, os outros dois produtores executivos, é que realmente controlam todo o processo.
O fato de Groening ter se dedicado tanto ao projeto paralelo Futurama, desenho que nunca decolou, mostrou a sua total insatisfação com os rumos dados pelos produtores aos Simpsons. Ou alguém acha normal que o criador de um mega sucesso, no ápice do show, deixe o processo criativo desse de lado para terceiros, dedicando-se a outro projeto? Fazer dezenove temporadas de um show com perspectiva temporal limitadíssima (os personagens nunca crescem) é pedir para entrar na auto-indulgência, algo que se agrava totalmente quando sabemos que cada episódio é escrito por uma equipe de dezenas de roteiristas sem qualquer influência de Groening, com a sombra do conservadorismo republicano de Murdoch a afrontar os criadores, e pronto: temos a receita da decadência.

Não digo com isso tudo que imagino o filme como um fracasso. Com uma coleção de personagens tão brilhantemente construída por Groening e fortemente fixada no imaginário popular, existe pouca margem para erros. Mas não pode-se ignorar que o Graal de Homer e companhia encontra-se naquelas primeiras oito irrepreensíveis temporadas, cujos episódios são citados de cor pelos fãs. Mas ao longo da semana, falaremos mais sobre tudo isso, com comparações entre o Bart e a Lisa com os filósofos franceses, rankings de personagens, entre outras coisas. Deixo aqui meu protesto: Groening, deixe a apatia de lado e traga os Simpsons de volta para o caminho da genialidade, ou então peite os executivos e acabe com o show, antes do dano ser maior.