Cinco melhores letras escritas pelo Morrissey (na época dos Smiths):5- Cemetery Gates
4- Pretty Girls Make Graves
Cinco melhores letras escritas pelo Morrissey (na época dos Smiths):5- Cemetery Gates
4- Pretty Girls Make Graves
O que vem abaixo é repetitivo? É. É uma louvação pouquíssimo original, acompanhada de uma altercação desnecessária e pedante? Sim. E eu estou ligando?
É muito que lhes solicite que se coloquem em meu lugar quando as vejo pela rua, calçando essas botas e sapatos horrorosos, com plataformas que me fazem pensar que vocês escaparam de um bando de mafiosos que, agora há pouco, as haviam levado pra dar um mergulho? Podem imaginar o que é, para alguém como eu - que tem as mulheres num patamar elevadíssimo (por causa de mamãe, se querem saber) -, vê-las por aí andando como o Herman Monstro? E olha que a maioria de vocês, mesmo antes do advento dessas coisas, já não sabia andar, não como mulheres, não como Audrey Hepburn.
Eu, que vivo para lamentar o agora em nome de saudosismos e nostalgias inopinadas, e aquilo que é em nome do que deveria ser. Ah, e como eu sei de como as coisas deveriam ser, mas não são. Eu, que só sei de ideais, no entanto, apelo a alguém que, enfim, não era um ideal, não originalmente. Mas que veio a se fazer ideal: e os melhores, os mais duradouros, os mais reais são os ideais que se impõem com esforço e trabalho. Acho mesmo que os outros, aqueles que supostamente se apresentariam sem obstáculos ou resistências, são imediatamente esquecidos. Daí que os que aí estão entre nós, com história e tudo, a comporem uma certa tradição qualquer, são apenas os que progressiva e vagarosamente foram assimilados e aceitos como ideais. Pois Audrey não era alta e magra demais para fazer carreira num tempo em que as baixinhas curvilíneas é que pautavam o gosto? Mas Audrey era mais que pernas e quadril. Audrey era uma mulher. E qual o sentido desse desavergonhadamente requentado truísmo? Ora, minhas senhoras, pensem vocês mesmas e se dêem uma resposta que exclua o andar de pata e o passo do elefantinho. É, eu tentei, mas reconheço: foi Clodovil, definitivamente Clodovil.
Julia Louis-Dreyfus Atriz americana, já passando dos 40 anos de idade, mas ainda sim digna de entrar no disputadíssimo e seleto rol das Tetéias. Mais conhecida por estrelar a sitcom The New Aventures of Old Christine, que passa na Sony e no finado SBT (que esteja em paz, Sílvio Santos). Com um timing cômico muito bom, surpreendente se considerarmos que, uhm, mulheres quando fazem humor vão sempre para o lado "loira burra e avoada", Julia destaca-se e consegue levar o cadáver das sitcoms para frente, adiando a sua morte inevitável junto com o veículo Charlie Sheeniano Three And a Half Man. Não que a série seja lá um primor, pelo contrário, entrará agora na terceira temporada com um risco eminente de cancelamento por baixos níveis de audiência. É que o charme de Julia faz, sim, muito mais do que se poderia esperar. Acho que é só isso né, será que estou me esquecendo de algo? Falta alguma coisa pra falar dela? A, sim, lembrei: ela estava naquele filme do Woody Allen, Desconstruindo Harry. E também fez dublagem naquele filminho fofinho da Pixarzinha fofinha do Steviezinho Jobzinho fofinho, Vida de Inseto. Pronto só deve ser isso mesmo. Não tem mais NADA.
“Não gosto de sampler!”, disse o camarada quando conversávamos sobre o rumo da música. Eu, como o meio moderninho do grupo, não posso dizer o mesmo: adoro sampler e música eletrônica, mas boa música eletrônica, e isso existe, acreditem!
Tudo começou - em veias pop lógico; pois a música clássica faz tudo antes e de modo mais chato, com o Krautrock e as respectivas bandas Can e Faust. Essas bandas, em meados da década de 70, resolveram gravar uma quantidade enorme de sons e depois, na edição, fazer colagens com as músicas( na época se fazia realmente colagem, pegava as fitas cortava e grudava uma na outra). Essa brincadeira, influenciou o Kraftwerf e uma pancada de gente até hoje em dia, sobretudo o pós-rock.
Passamos pela colagens, começo da música digital e chegamos no hip-hop: base fundamental da música eletrônica de uma forma geral. África Bombataa é conhecido por criar as bases do hip-hop, Public Enemy e Beastie Boys por expandi-las . Hoje quando ouvimos alguma música eletrônica, as batida, os “scracth” vem do hip-hop, exceção das músicas mais ambientes ou lounges.
Chegamos na atualidade(ufa!). a música dita como eletrônico e o hip-hop chegaram em níveis de produção que assustam. IDM, sigla para Inteligent Dance Music, onde Aphex Twin é o maior expoente. Há o Noise( quando eu ouvi achei que minha caixa de som estava com problema) onde temos Ben Frost e, numa veia mais rockeira, Sonic Youth. Do lado dos manos ou das pessoas mais swingadas temos o rei da mesa de mixagem: DJ Shadow e o louco, esquizofrênico e mago das mil faces: Madlib que lança álbuns numa velocidade incontável, seu último projeto consiste num apanhado de trilhas sonoras para filmes indianos imaginários.
Vocês, garotos e meninas, que como o camarada detestam sampler e, de uma forma geral, batidas eletrônicas ,agora pode rever seus conceitos e se aproximar um pouco da música eletrônica e do hip-hop, depois a gente pode ir numa balada da Vila Olímpia para "ouvir" um psytrance.
E aí, eu, à toa, zapeando (que é o único jeito de se topar com algo assim), topo com Desafio Mortal (The Quest, 1996). Eis a sinopse oficial que achei na net:
Jerry Bruckenheimer vem proporcionando diversos atentados ao mundo do cinema desde que obteve seu primeiro êxito como produtor, com o horrendo filme Gigolô Americano em 1980. Atentados inclassificáveis, como Flashdance, Um Tira da Pesada, Dias de Trovão, Bad Boys 1 e 2, 60 Segundos, Armageddon, Pearl Harbor, Coyote Ugly, Canguru Jack, e aquele que é ao mesmo tempo o filme mais famoso de todos os tempos (é impossível ninguém conhecer) e um dos piores filmes de todos os tempos também, o inacreditável Top Gun, que lançou o Tom Cruise ao status de super-hiper-mega astro hollywoodiano. Nos anos 90 imortalizou uma parceria que teve como objetivo principal destruir o cinema moderno, com o açougueiro travestido de diretor Michael Bay. Um dos únicos filmes produzidos pelo sujeito nos anos 90 que não contaram com Bay na direção foi o filme Con Air, de 1997, dirigido pelo fraquíssimo Simon West, diretor do primeiro Tomb Raider. E é desse filme que falarei um pouco.Mega produção lançada no auge dos filmes de ação da década de 90, que trocaram o estilão "um maluco contra todos" que dominou a década anterior por produções infladas de astros e cheias de explosões e destruições garantidas por modernos efeitos especiais e sonoros.
Para protagonizar o filme, Bruckenheimer escolheu Nicolas Cage, na época com um Oscar nas costas por conta do filme Despedida em Las Vegas. Interpretando o personagem principal, um prisioneiro acusado injustamente que enxerga numa transferência mal sucedida de presos a oportunidade de escapar e provar sua inocência. Sim, é um roteiro que soa clichê até não poder mais, mas acreditem, a execução torna tudo ainda mais ridículo. No elenco coadjuvante, colocaram atores de calibre, nomes como John Malkovich, John Cusack, Ving Rhames e... sim, ele, Steve Buscemi, mas logo chegaremos nele.
A atuação de Nicolas Cage é indescritível. A pior atuação de um ator detentor de um Oscar na história. Nem a Halle Berry no Mulher Gato chegou perto. Exagero? De jeito nenhum. O melhor momento é quando Cage tem de dizer uma fala elementar no meio do filme, "Put the bunny back in the box", para outro prisioneiro. A maneira que Cage profere essas palavras chega a nos fazer duvidar se ele estava brincando quando trabalhou nesse filme, se ele estava tirando uma com a cara dos espectadores. Uma coisa dessas não poderia ser verdade. Mas aí, nos lembramos do currículo de Cage depois desse filme, com diversas colaborações com o duo Bruckenheimer/Bay e incontáveis filmes de ação, para vermos que não era brincadeira, era a triste realidade mesmo. Nicolas Cage só funciona quando tem um diretor talentoso o bastante para cortar as suas tendências caricatas.
Quanto aos coadjuvantes, vejamos as atuações de Malkovich e Cusack. Malkovich sempre foi um pau pra toda obra em Hollywood, e não parece constrangido ao interpretar o caricato vilão do filme, um insano bandido que lidera a rebelião dos presos, pelo contrário, parece estar se divertindo a valer. Mas nada faz além de constranger ainda mais o telespectador, já que Malkovich é um ator dado a exageros e incapaz de interpretar tipos que fujam ao esterótipo "vilão psicopata". Já John Cusack, na única vez que participou de um filme blockbuster na carreira, não tenta nem um pouco disfarçar a má vontade. É sério, tem horas no filme que só faltou ele pendurar uma placa no pescoço escrita "vou encher de porrada a cara do meu agente". Hilário ver a sua cara de tédio e incredulidade frente ao material ridículo que teve de representar. Reamente, triste ver um ator talentoso como ele participando de tamanha estultice, mas ele poderia ter saído dessa com dignidade. Se tivesse seguido o exemplo do homem, do mito, da lenda, que descreverei a seguir, nas seguintes palavras:
Passavam-se 60 minutos da projeção, mais da metade do "filme". Explosões, gritarias, diálogos de fazer corar, reviravoltas absurdas, caretas excruciantes do Nicolas Cage, tudo já tinha sido tentado para levar o filme para frente. Quando a tortura parecia não ter fim e a única sáida seria o suicídio dos espectadores, quando o Framboesa de Ouro já conhecia o seu potencial vencedor, quando a obra-prima de Ed Wood Plano Nove do Espaço Sideral estava prestes a perder a honraria de pior filme da história, eis que aparece, como um assassino pedófilo envolvido numa camisa de força com uma máscara a la Hannibal Lecter, ele, Steve Buscemi. A aparição é hilária. Esperamos um monstro surgir na nossa frente, saindo da grotesca camisa de força, e quem surge é o diminuto Buscemi. A partir desse momento, sem exagero algum de minha parte, o filme inacreditavelmente pega no breu. Buscemi incendiou a tela, como eu poucas vezes vi um ator fazer num filme tão ruim como esse. Todos em sua volta, Cage, Malkovich, Rhames, até mesmo o constrangido John Cusack, todos são contagiados pelo poder trazido pela simples presença de Steve.

Logo testemunhamos um momento maravilhoso, quando todos os bandidos dançam no avião sequestrado ao som da música Sweet Home Alabama, do grupo Lynyrd Skynyrd, e o personagem de Buscemi vira para Cage e diz: "Defina ironia: um bando de idiotas dançando dentro de um avião com uma música feita por uma banda famosa por ter morrido num acidente de avião". SENSACIONAL. Todo o sarcasmo dilacerante e a total indiferença de Buscemi, cultivados em milhares de pérolas de baixo orçamento do cinema underground, levado para dentro de um blockbuster Bruckenheimeriano. Não poderia dar errado. Aqueles sessenta minutos finais com Buscemi fizeram o filme Con Air parecer ser muito melhor do que realmente é, característica inerente aos grandes atores, capazes de tirar leite de pedra. Mas tudo isso teria ficado para trás se Bruckenheimer não tivesse dado essa jogada de gênio, escalando-o no filme. Não é a toa que o cara tem alguns bilhões de dólares na conta e eu sou um pobre estudante blogueiro. Depois Buscemi faria mais alguns milagres em produções horrendas como Armageddon, O Paizão e A Ilha, mas o mainstream descobriu o salva-vidas perfeito aqui nessa produção milionária e patética. Não importa o quão ruim seja o filme que você produza, o quão inverossímil, absurda, barulhenta, revoltante, burra e estereotipada seja a sua película; é só colocar o Buscemi pra falar algumas frases e contar os milhões que entrarão na sua conta.
Jill Cunniff
Morreu hoje aos 89 anos o cinesta sueco Ingmar Bergman. Normalmente quando morre alguém importante no mundo do cinema e temos de dimensionar a sua obra, mentimos dizendo o máximo para fazer do sujeito uma perda realmente relevante. Mas no caso do Bergman, o bicho pega. Dizer o quê de um diretor que entregou ao mundo filmes como Morangos Silvestres, Persona, Cenas de um Casamento, Gritos e Sussurros, O Silêncio, Luz de Inverno, Fanny e Alexander, Sonata de Outono, Através do Espelho e O Sétimo Selo? Provavelmente Bergman queria equiparar a arte de fazer cinema com outra paixão sua, o Teatro, usando de uma refiinadíssima poesia visual para revelar ao seu público todos os segredos e anseios dos seus personagens. Filmes ousados, questionadores, literatos, inteligentes e tão fortes que jamais sentirão a ação do tempo. Bom, agora que temos que aguentar os Michael Bays da vida explodindo coisas a cada dois segundos, usando duas falas de roteiro pra desenvolver personagens e ainda achando isso bom cinema, fica ainda mais amarga a inevitável despedida. O Fomos ao Cinema faz um minuto de silêncio, em respeito ao mestre, e vocês aí façam também, e isso é uma ordem.
Gosto dos juízos reducionistas, do tipo: se alguém te perguntar o nome de um grupo musical feminino, e, em vez de responder Spice Girls, você disser Luscious Jackson (tão anos 90...), então você é indie. A sensibilidade embrutecida, as simplificações, tudo se encaixa tão bem numa conversa com pessoas que absolutamente não estão ouvindo o que você diz. Ai, ai.
Pra mim, que sou indie (lá-lá-lá-lá-lá-lá...), ao contrário disso, sê-lo é simplesmente diferenciar-se, por exemplo, do brasileiro do qual você, indie tupiniquim, também quer se diferenciar, não por pedantismo (nunca..., imagina!)! Que esse brasileiro que, pra nós, que estamos cheios de consciência social (um saco inteiro dela) e comprometidos em democratizar a cultura e assim transformar politicamente a sociedade (assim mesmo – social e político, tudo junto, com esperanças de atingir o econômico, é claro), é um beco sem saída. Sabe, esse brasileiro que freqüenta baile funk, acompanha novela das oito, nunca foi ao teatro em toda a vida e acha que Pablo Picasso é francês (brincadeira...). Que diz que o melhor filme que já viu é Transformers e o melhor livro que leu, mas não inteiro, é “um da Zibia”. Que vaia os atletas estrangeiros nos Jogos Pan-Americanos e facilmente compõe multidões de linchamento com muita presteza e solicitude. Esse brasileiro aí, sabe? Bom, eu não ia falar nada, mas com esse as coisas não podem ir pra frente, né? Mas, por favor, não é que eu esteja dando uma de elitista. Longe de mim, a essa altura do campeonato, resvalar pro aristocratismo. Não, pelos céus! Por favor!