segunda-feira, 13 de agosto de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Kirsten Dunst
Atriz norte-americana de 25 anos, que surgiu ao mundo no filme Entrevista Com Vampiro, no qual contracenava com o Brad Pitt e com o Tom "Cientology Rules" Cruise. Quando fez o filme, tinha apenas 11 anos de idade. Incrivelmente, Kirsten conseguiu seguir sua carreira com passos graduais e firmes, escapando da famosa "síndrome dos astros adolescentes" que acometeu tantos e tantas jovens starletes Hollywoodianas. Fez filmes de excelente respaldo crítico, como Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, Virgens Suicidas e Maria Antonieta, e também encheu os bolsos interpretando a garota favorita do Peter Parker, Mary Jane, nos três Homens-Aranhas já lançados. Falta agora tentar arrancar uma indicaçãozinha ao Oscar, que pelo jeito não passou nem perto dela em todos esses anos de carreira. Deve ser a maldição do Aranha, já que o Tobey Maguire também nunca foi agraciado.

sábado, 11 de agosto de 2007

Cinema - Estréias da Semana

Depois da ausência da semana passada, provocada por uma fortíssima gripe (vamo lá, finjam que vocês acreditam nisso), volta as estréias. Depois não diz que eu não avisei.

Primo Basílio - Diretor: Daniel Filho; Elenco: Fábio Assunção, Debora Fallabella, Reynaldo Gianechinni
Todos os defeitos do cinema nacional podem ser evidenciados quando assistimos alguma película dirigida pelo pau pra toda obra Daniel Filho. Típico caso de diretor de novela que não sabe de maneira alguma diferenciar os veículos pelo quais lança seus trabalhos (como bem fala o Fundamentalista no seu texto sobre Bergman, o cinema exige outro tipo de aproximação de seus diretores). Nesse caso, é impossível evitar o clima de novelão que ele adota para contar pela milésima vez a história do clássico livro do Eça de Queiroz. A ação é transposta para os anos 50 sem qualquer motivo aparente, talvez para ter uma prerrogativa para lançar na tela tórridas e exageradas cenas de sexo, sei lá... Filmeco que, obviamente, não faz jus à obra original, e embora tenhamos a competente atriz Debora Fallabella tentando salvar a pátria aqui e acolá, acaba sendo afundado pelos seus atores, o insosso Fábio Assunção e o David Hasselhoff tupiniquim, Reynaldo Gianechinni, absurdamente inexpressivo como sempre. Em vez de prestigiar esse lixo, leia o livro e se divirta com todo o cinismo do Eça, que você vai se divertir muito mais.

Escorregando Para a Glória - Diretores: Josh Gordon e Will Speck; Elenco: Will Ferrel, Jon Heder
Comédia de segunda que foi um sucesso inesperado nos States, já que não era o principal lançamento do Will Ferrel no ano. Aposta tudo no talento cômico de Ferrel e do Jon Heder, mais conhecido pelo superestimado Napoleon Dynamite. A "trama" do filme versa sobre dois patinadores rivais que depois de serem expulsos das Olimpíadas de Inverno por má conduta precisam trabalhar juntos para competir novamente. É, muito animador mesmo, ver o Ferrel dando seus berros insuportáveis num filme sobre patinação do gelo. Fuja dessa bomba e assista a biografia da Tonya Harding, aquela maluca que fez um plano com o namorado pra matar a sua principal competidora no esporte em 1992, que você ganha mais. Bota lá no E!, no Mundo, qualquer um desses canais que com certeza estará passando.


Sem Reservas - Diretor: Scott Hicks; Elenco: Catherine Zeta-Jones, Aaron Eckhart
O quê? Uma comédia romântica sobre dois chefs que acabam tendo de trabalhar juntos num badalado restaurAnte de Nova York e que depois de se hostilizarem no começo acabam descobrindo que se amam no final e ficam juntos, felizes para sempre? Sério: quantas vezes você já viu esse filme? Duzentas e cinquenta vezes? Existe uma comédia romântica nesse mundo, das que foram feitas depois do estouro do Harry e Sally nos anos 80, que vale a pena, e ela se chama Jerry Maguire. O resto, lixo. E com o Aaron Eckhart? Meu Deus, será que não existia nenhuma opção melhor que esse careteiro de marca maior? Ator que propiciou no horrendo filme Dália Negra a pior atuação da história da humanidade, desde o surgimento da tragédia grega? Pobre Zeta-Jones, faz tempo que ela não faz um filme que realmente tenha qualquer relevância, se continuar assim terá logo de estrelar um Instinto Selvagem 3 com o marido Michael Douglas de cadeira de rodas e marca-passos. E assim caminha a mediocridade...

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Bergman, o quarto (rei) mago

Filmes cujo roteiro tem por base uma peça teatral são geralmente recheados de falatório. Pensem em Closer, por exemplo: parece que Clive Owen e cia. nunca mais vão calar a boca. E quando não estão falando, tem aquele carinha repetindo sem parar que não consegue tirar os olhos da mina (é, finge que é uma mina mesmo). Esfregam na cara da gente parágrafos e parágrafos de diálogos espertinhos e afiados. E a gente sai do cinema pensando que filme inteligente acabou de ver e até se sentindo, a gente mesmo, inteligente por ver um filme assim. E, de fato, é o principal efeito que uma produção como Closer visa provocar nos espectadores. O principal e único, às vezes chego a pensar (mas só às vezes). Como uma conversa entre dois indivíduos muito perspicazes que ficam se exercitando em piadinhas oblíquas e herméticas que ninguém mais, a não ser eles, entende.

Só que, diferente do que parece, nem é esse o ponto que eu quero demonstrar. O que me interessa é Ingmar Bergman, que faleceu, e eu fiquei sem dizer nada. Closer era só uma desculpa ou passo para ilustrar uma das tantas qualidades do cineasta, a qual eu gostaria de destacar e, assim, prestar minha tardia - pra vocês, é claro - homenagem. Pois Bergman veio para o cinema do teatro. E ao longo de sua vida, ao lado do cinema, o teatro sempre foi sua grande paixão, da qual nunca se afastou, escrevendo e dirigindo. Isso todo o mundo leu em biografias as mais variadas e vagabundas, tipo, daquelas de verso de DVD.

Mas nessa passagem do teatro para o cinema, iniciada como revisor de roteiros e depois roteirista, Bergman soube reconhecer e respeitar as especifidades de cada expressão artística. E, em vez de encher a tela de falatórios sem fim, privilegiou a essência do que é o cinema, ao fazer as imagens falarem por si só através do silêncio. E quando suas personagens falavam, o que a câmera mostrava (os close-ups tão peculiares) acabava sobrepondo-se, como seu maior trunfo retórico, ao próprio conteúdo do dircurso.
Bergman, no entanto, era um chato; ou melhor, seu cinema era chatíssimo. Porque ele era bem bacanundo, ele como pessoa humana, entendem? Mas Bergman é morto. Então, Bergman era pop: isto é, dos "cineastas difíceis", sabe, aqueles em que nem adianta chegar chegando, que não rola de jeito nenhum; em comparação a estes, ele era plenamente assistível. Filmes como O Sétimo Selo, A Fonte da Donzela e Fanny e Alexander são muito acessíveis. Pelo menos, quando a gente não sofre de preguiça cerebral crônica, concessão que já se fez por aí, dado que é um caso comum. Mas eu, se fosse prefeito, ou presidente, ou se trabalhasse na alfândega, ou então se fosse um Imortal, aí tinha que todo o mundo assistir Bergman; e ai de quem não gostasse - eu botava pra ouvir horas e horas de música instrumental zzzzzzzzzz... pra ver se aprendia a deixar de ser filisteu. Filisteu não; é tonto mesmo. Mas aí é eu, e eu sou bom demais pra isso aqui.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Curtas: Resenhas de Cds

Tava devendo uma resenha sobre o último álbum lançado pelo Arctic Monkeys. Como não é nenhuma maravilha, vou aproveitar e fazer resenhas rapidíssimas sobre discos lançados no último ano e meio, sem qualquer justificativa aparente. Como diria o mito Amaury Jr., " é o mundo musical em revista".

Arctic Monkeys - Favourite Worst Nightmare: Disco que começa arrasador com a pega-pra-capá Brianstorm, mas que não segura o rojão nas outras faixas, fazendo mal uso de belas frases de guitarra e de uma eficiente cozinha. Uma decepção, mas perdoável se considerarmos a pouca idade dos integrantes. O rótulo de novo Nirvana e a cobertura maciça dada pela mídia musical britânica acabaram sendo fardos pesados demais para a banda carregar. Mas eles foram realmente ingênuos: deveriam ter feito todas as faixas do álbum soarem como a Brianstorm, e a vitória estaria garantida.
Faixas recomendáveis: Brianstorm, Fluorescent Adolescent



Bloc Party - A Weekend in The City: A proposta limitada prende demais a banda, que é obviamente talentosa, mas que pelo jeito nunca conseguirá sair daquele esquemão "pós-punk sem sintetizadores". O disco anterior, Silent Alarm, é muito superior, e projetava uma carreira promissora para a banda, mas esse inerte segundo álbum acaba lançando invitáveis sombras sobre o que pode-se esperar do Bloc Party em sua carreira. A homossexualidade do vocalista Kele Ukereke acaba sendo a principal fonte de letras para o disco, o que, se fosse usado com parcimônia, poderia render canções memoráveis, mas que aqui acaba soando cansativo depois de um tempo. Agora é esperar para ver aonde esses londrinos caminharão.
Faixas recomendáveis: Wating For The 7:18, Hunting for Witches



The Killers- Sam's Town: e o século já tem a sua banda mais subestimada. Sequencia do sucessão Hot Fuss, que emplacou a sensacional Mr. Brightside, é um disco bem menos convencional e mais difícil que o anterior, não apelando para refrões fáceis e caminhos de fácil digestão. Todos criticaram o clima meio Bruce Springsteeniano do disco, o que é uma bobagem. Se o Oasis imita os Beatles, todo mundo elogia (não se iludam, eu adoro o Oasis, apenas usei essa comparação para elucidar o meu ponto). Espero que eles não sucumbam ao semi-fracasso do disco e continuem nesse bom caminho.
Faixas recomendáveis: o disco todo, larga de preguiça e ouve direito o bagulho



Red Hot Chili Peppers - Stadium Arcadium: imaginem um álbum duplo com 28 músicas. Imaginaram?Agora, imaginem que dessas quilométricas 28 canções, apenas 2 sejam realmente boas. Eu disse duas. Em termos percentuais, apenas 7% do disco se salva. Um feito que somente os Peppers poderiam alcançar, lançando um disco horroroso com status de obra-prima. Tentaram soar mais ambiciosos e quebraram a cara, já que o Anthony Kieds é um letrista fraquíssimo, e toda a virtuosidade da banda é disperdiçada em músicas soporíferas e sem qualquer tipo de inspiração. O que sobra são jams intermináveis entre os integrantes permeadas com letras sobre bobagens que em momento algum formam uma melodia mais do que decente. Agora, aprenderam a lição: só servem para lançar baladinhas inssossas, já que estão velhos demais para produzirem funks arrasa quarteirões como os que tinham no clássico Blood Sugar Sex Magic.
Faixas recomendáveis: Desecration Smile, Dani Calfornia (embora roube descaradamente o início da Sweet Home Alabama).


Interpol - Our Love to Admire: E o fantasma do Ian Curtis continua assombrando essa banda nova-iorquina. Mas não existe problema algum em querer soar como o Joy Division; agora, esteja sempre a altura de tamanho desafio. O que infelizmente não vale para o Interpol, que embora tenha nesse disco belas canções como Wrecking Ball e Lighthouse, fica a anos-luz de reproduzir a densidade psicológica e os climas gloriosamente opressivos da banda inglesa. Tá na hora do Interpol buscar outro caminho, para não comer poeira e ficar definitivamente para trás na implacável indústria musical.
Faixas recomendáveis: Wrecking Ball, Lighthouse, Pioneer To The Falls




Pearl Jam- Pearl Jam: Disco datado de uma banda totalmente fora de seu tempo, que vive somente para saciar a fome dos vampiros grunges que sobreviveram aos funerais do Kurt Cobain e do Layne Stanley. Depois de lançarem vários discos amorfos e sem personalidade, tentaram agora fazer algo mais energético, que resgatasse a antiga vitalidade, mas que soa apenas patético, já que todos nós estamos carecas de saber que o Bush é mal e que a Guerra não presta, mas ganhar dinheiro fazendo músicas versando sobre anacronismos políticos é perfeitamente aceitável. O fim chegou faz tempo, e a banda vai passar mais vergonha até se tocar finalmente disso.
Faixas recomendáveis: a melhorzinha, Parachutes. O resto, sem comentários


Fall Out Boy - Infinite on High: A banda emo mais famosa do mundo lança mais um disco para entupir os i-pods dos adolescentes espinhudos e baforentos. Aliás, tenho certeza que o surgimento das bandas emos nos anos 2000 foi obra do maquiavélico Steve Jobs num plano audacioso e sagaz para vender i-pods para os incautos e imberbes. E dá-lhe reclamações sobre a gostosona da sala que não liga para os losers, amores mal resolvidos e esse mundo malvado e pervo que não entende os fofos emos. Lixo.
Faixas recomendáveis: a melhor parte do disco é quando acaba a última faixa e tem alguns segundos de silêncio. Um alívio perante tamanhos minutos de tortura.



Bjork - Volta: Finalmente, a talentosa islandesa deu um tempo. Depois de lancar dois discos mais experimentais, Vespertine e Medúlla, que já tinham sido antecedidos pelo fraco Selmasongs, trilha do insuportável filme Dançando na Escuridão, a Bjork resolveu parir uma obra mais orgânica, que nos remete levemente aos gloriosos dias dos discos Debut, Post e Homogenic. Lógico que, em se tratando de um disco Bjorkiano, seria impossível evitar momentos mais, digamos, excêntricos, como na ótima faixa Innocence. Mas tudo feito nitidamente para trazer o público mais convencional que afastou-se da islandesa com os últimos trabalhos experimentais. A produção do onisciente e onipresente Timbaland não compromente aqui, já que a Bjork é, ao contrario dos Timberlakes e Nellys Furtados da vida, uma compositora de visão que jamais deixaria-se levar totalmente por produtores, somente utilizando seus talentos para complementar possíveis idéias suas.
Faixas recomendáveis: Earth Intruders, Innocence, Vertebrae by Vertebrae

Por enquanto, é isso. Logo, volto para falar de lançamentos nacionais. Como vocês podem imaginar, será um verdadeiro show de horrores.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

TOP 5 - Morrissey

Cinco melhores letras escritas pelo Morrissey (na época dos Smiths):
5- Cemetery Gates

4- Pretty Girls Make Graves

3-The Boy With The Thorn In His Side

2-What Difference Does It Make

1-How Soon Is Now?

Cinco letras mais engraçadas escritas pelo Morrissey (de novo,na época dos Smiths):

5-Girlfriend in A Coma - Toda a graça da ambiguidade

4- Panic - Pobre do DJ que ousou tocar Wake Me Up Before you Go-Go numa gélida manhã londrina

3- Bigmouth Strikes Again - O "pedido de desculpas" para a Margaret Tatcher não poderia ter sido mais hilário

2-The Queen Is Dead - Nunca a Rainha foi tão zoada, nem no South Park. E pobre Charles...

1- Barbarism Begins At Home - Em quatro estrofes, Morrissey explica como devemos educar nossos filhos.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Audrey Hepburn e as botas-plataforma

O que vem abaixo é repetitivo? É. É uma louvação pouquíssimo original, acompanhada de uma altercação desnecessária e pedante? Sim. E eu estou ligando?

Audrey Hepburn me inspirou a escrever contra todas vocês, mulheres. Mas o meu ser contrário a vocês não é nocivo ou ressentido, em absoluto. Se me levanto... não, infeliz esta expressão. Deixem que eu reformule: se me oponho a vocês - e muito benignamente, por favor -, é porque amo tanto vocês, que não posso negligenciar que há no mundo alguém ou Algo como Audrey Hepburn.

É muito que lhes solicite que se coloquem em meu lugar quando as vejo pela rua, calçando essas botas e sapatos horrorosos, com plataformas que me fazem pensar que vocês escaparam de um bando de mafiosos que, agora há pouco, as haviam levado pra dar um mergulho? Podem imaginar o que é, para alguém como eu - que tem as mulheres num patamar elevadíssimo (por causa de mamãe, se querem saber) -, vê-las por aí andando como o Herman Monstro? E olha que a maioria de vocês, mesmo antes do advento dessas coisas, já não sabia andar, não como mulheres, não como Audrey Hepburn.

Falando assim, pareço o Clodovil. Ah, e como nesses tempos é fácil confundir um homem simples como eu, um homem de antigamente, que ainda corteja as mulheres, sim, que ainda pratica essa refinada e infelizmente extinta forma que antecedeu o xaveco, que é o cortejo; pois, como é fácil confundir tal homem com o Clodovil. E, no entanto, Clodovil é cheio de grosserias e ressentimentos; mas eu, eu sou um grande apaixonado por vocês, por todas vocês, mesmo havendo por aí quem diga que quem ama todas, não ama nenhuma.

Eu, que vivo para lamentar o agora em nome de saudosismos e nostalgias inopinadas, e aquilo que é em nome do que deveria ser. Ah, e como eu sei de como as coisas deveriam ser, mas não são. Eu, que só sei de ideais, no entanto, apelo a alguém que, enfim, não era um ideal, não originalmente. Mas que veio a se fazer ideal: e os melhores, os mais duradouros, os mais reais são os ideais que se impõem com esforço e trabalho. Acho mesmo que os outros, aqueles que supostamente se apresentariam sem obstáculos ou resistências, são imediatamente esquecidos. Daí que os que aí estão entre nós, com história e tudo, a comporem uma certa tradição qualquer, são apenas os que progressiva e vagarosamente foram assimilados e aceitos como ideais. Pois Audrey não era alta e magra demais para fazer carreira num tempo em que as baixinhas curvilíneas é que pautavam o gosto? Mas Audrey era mais que pernas e quadril. Audrey era uma mulher. E qual o sentido desse desavergonhadamente requentado truísmo? Ora, minhas senhoras, pensem vocês mesmas e se dêem uma resposta que exclua o andar de pata e o passo do elefantinho. É, eu tentei, mas reconheço: foi Clodovil, definitivamente Clodovil.

TETÉIA DA SEMANA

Julia Louis-Dreyfus

Atriz americana, já passando dos 40 anos de idade, mas ainda sim digna de entrar no disputadíssimo e seleto rol das Tetéias. Mais conhecida por estrelar a sitcom The New Aventures of Old Christine, que passa na Sony e no finado SBT (que esteja em paz, Sílvio Santos). Com um timing cômico muito bom, surpreendente se considerarmos que, uhm, mulheres quando fazem humor vão sempre para o lado "loira burra e avoada", Julia destaca-se e consegue levar o cadáver das sitcoms para frente, adiando a sua morte inevitável junto com o veículo Charlie Sheeniano Three And a Half Man. Não que a série seja lá um primor, pelo contrário, entrará agora na terceira temporada com um risco eminente de cancelamento por baixos níveis de audiência. É que o charme de Julia faz, sim, muito mais do que se poderia esperar. Acho que é só isso né, será que estou me esquecendo de algo? Falta alguma coisa pra falar dela? A, sim, lembrei: ela estava naquele filme do Woody Allen, Desconstruindo Harry. E também fez dublagem naquele filminho fofinho da Pixarzinha fofinha do Steviezinho Jobzinho fofinho, Vida de Inseto. Pronto só deve ser isso mesmo. Não tem mais NADA.

sábado, 4 de agosto de 2007

O camarada progressista não gosta de sampler ou a evolução da música atual

“Não gosto de sampler!”, disse o camarada quando conversávamos sobre o rumo da música. Eu, como o meio moderninho do grupo, não posso dizer o mesmo: adoro sampler e música eletrônica, mas boa música eletrônica, e isso existe, acreditem!

Tudo começou - em veias pop lógico; pois a música clássica faz tudo antes e de modo mais chato, com o Krautrock e as respectivas bandas Can e Faust. Essas bandas, em meados da década de 70, resolveram gravar uma quantidade enorme de sons e depois, na edição, fazer colagens com as músicas( na época se fazia realmente colagem, pegava as fitas cortava e grudava uma na outra). Essa brincadeira, influenciou o Kraftwerf e uma pancada de gente até hoje em dia, sobretudo o pós-rock.

Passamos pela colagens, começo da música digital e chegamos no hip-hop: base fundamental da música eletrônica de uma forma geral. África Bombataa é conhecido por criar as bases do hip-hop, Public Enemy e Beastie Boys por expandi-las . Hoje quando ouvimos alguma música eletrônica, as batida, os “scracth” vem do hip-hop, exceção das músicas mais ambientes ou lounges.

Chegamos na atualidade(ufa!). a música dita como eletrônico e o hip-hop chegaram em níveis de produção que assustam. IDM, sigla para Inteligent Dance Music, onde Aphex Twin é o maior expoente. Há o Noise( quando eu ouvi achei que minha caixa de som estava com problema) onde temos Ben Frost e, numa veia mais rockeira, Sonic Youth. Do lado dos manos ou das pessoas mais swingadas temos o rei da mesa de mixagem: DJ Shadow e o louco, esquizofrênico e mago das mil faces: Madlib que lança álbuns numa velocidade incontável, seu último projeto consiste num apanhado de trilhas sonoras para filmes indianos imaginários.

Vocês, garotos e meninas, que como o camarada detestam sampler e, de uma forma geral, batidas eletrônicas ,agora pode rever seus conceitos e se aproximar um pouco da música eletrônica e do hip-hop, depois a gente pode ir numa balada da Vila Olímpia para "ouvir" um psytrance.

Cabeça vazia, oficina do diabo

A gente em casa, sem fazer nada, e o bloqueio criativo nem deixando a gente blogar... Bom, sobra a televisão, diante da qual, afinal de contas, nos formamos, se é que se pode colocar assim. Pois, assistir a Curtindo a Vida Adoidado, Duro de Matar (as pérolas) e muito, muito filme do Steven Seagal e do Jean-Claude Van Damme equivale, gostando-se ou não, a uma formação intelectual e artística. Ou a assumimos, ou estaremos vivendo numa mentira: radical assim.

E aí, eu, à toa, zapeando (que é o único jeito de se topar com algo assim), topo com Desafio Mortal (The Quest, 1996). Eis a sinopse oficial que achei na net:

"Christopher Dubois (Van Damme) é um artista de rua que se mete em uma grande encrenca e refugia-se em um barco. Em alto mar, ele é descoberto e preso por um aristocrático pirata (Moore), que o vende para um mestre das artes marciais. Christopher aprende os segredos de seu mestre e se torna um grande lutador. Para testar suas habilidades, ele parte numa perigosa jornada para participar do Ghang-gheng, um lendário torneio que reúne os melhores lutadores do mundo e que dá, como prêmio, um valioso Dragão de Ouro. Agora, Christopher terá que se esforçar para participar do torneio, já que não fora convidado."
Atentem na caracterização dos lutadores. Confesso que, quando eu penso nas várias nações que existem no mundo se enfrentando representativamente num torneio mortal de artes marciais, me vêm logo à cabeça as escolhas e concepções de Desafio Mortal. Por exemplo, a Mongólia: eu sempre pensei na Mongólia como um careca gigante, de cavanhaque e do mal.

Por tudo isso, esse é o filme da semana, dessa semana em que vi Erin Brockovich, Notting Hill, O Sétimo Selo, Filhos da Esperança, entre outros. Fica como recomendação minha. Aluguem, mas, se possível, comprem.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Grandes momentos de Steve Buscemi: Con Air

Jerry Bruckenheimer vem proporcionando diversos atentados ao mundo do cinema desde que obteve seu primeiro êxito como produtor, com o horrendo filme Gigolô Americano em 1980. Atentados inclassificáveis, como Flashdance, Um Tira da Pesada, Dias de Trovão, Bad Boys 1 e 2, 60 Segundos, Armageddon, Pearl Harbor, Coyote Ugly, Canguru Jack, e aquele que é ao mesmo tempo o filme mais famoso de todos os tempos (é impossível ninguém conhecer) e um dos piores filmes de todos os tempos também, o inacreditável Top Gun, que lançou o Tom Cruise ao status de super-hiper-mega astro hollywoodiano. Nos anos 90 imortalizou uma parceria que teve como objetivo principal destruir o cinema moderno, com o açougueiro travestido de diretor Michael Bay. Um dos únicos filmes produzidos pelo sujeito nos anos 90 que não contaram com Bay na direção foi o filme Con Air, de 1997, dirigido pelo fraquíssimo Simon West, diretor do primeiro Tomb Raider. E é desse filme que falarei um pouco.Mega produção lançada no auge dos filmes de ação da década de 90, que trocaram o estilão "um maluco contra todos" que dominou a década anterior por produções infladas de astros e cheias de explosões e destruições garantidas por modernos efeitos especiais e sonoros.

Para protagonizar o filme, Bruckenheimer escolheu Nicolas Cage, na época com um Oscar nas costas por conta do filme Despedida em Las Vegas. Interpretando o personagem principal, um prisioneiro acusado injustamente que enxerga numa transferência mal sucedida de presos a oportunidade de escapar e provar sua inocência. Sim, é um roteiro que soa clichê até não poder mais, mas acreditem, a execução torna tudo ainda mais ridículo. No elenco coadjuvante, colocaram atores de calibre, nomes como John Malkovich, John Cusack, Ving Rhames e... sim, ele, Steve Buscemi, mas logo chegaremos nele.

A atuação de Nicolas Cage é indescritível. A pior atuação de um ator detentor de um Oscar na história. Nem a Halle Berry no Mulher Gato chegou perto. Exagero? De jeito nenhum. O melhor momento é quando Cage tem de dizer uma fala elementar no meio do filme, "Put the bunny back in the box", para outro prisioneiro. A maneira que Cage profere essas palavras chega a nos fazer duvidar se ele estava brincando quando trabalhou nesse filme, se ele estava tirando uma com a cara dos espectadores. Uma coisa dessas não poderia ser verdade. Mas aí, nos lembramos do currículo de Cage depois desse filme, com diversas colaborações com o duo Bruckenheimer/Bay e incontáveis filmes de ação, para vermos que não era brincadeira, era a triste realidade mesmo. Nicolas Cage só funciona quando tem um diretor talentoso o bastante para cortar as suas tendências caricatas.

Quanto aos coadjuvantes, vejamos as atuações de Malkovich e Cusack. Malkovich sempre foi um pau pra toda obra em Hollywood, e não parece constrangido ao interpretar o caricato vilão do filme, um insano bandido que lidera a rebelião dos presos, pelo contrário, parece estar se divertindo a valer. Mas nada faz além de constranger ainda mais o telespectador, já que Malkovich é um ator dado a exageros e incapaz de interpretar tipos que fujam ao esterótipo "vilão psicopata". Já John Cusack, na única vez que participou de um filme blockbuster na carreira, não tenta nem um pouco disfarçar a má vontade. É sério, tem horas no filme que só faltou ele pendurar uma placa no pescoço escrita "vou encher de porrada a cara do meu agente". Hilário ver a sua cara de tédio e incredulidade frente ao material ridículo que teve de representar. Reamente, triste ver um ator talentoso como ele participando de tamanha estultice, mas ele poderia ter saído dessa com dignidade. Se tivesse seguido o exemplo do homem, do mito, da lenda, que descreverei a seguir, nas seguintes palavras:

Passavam-se 60 minutos da projeção, mais da metade do "filme". Explosões, gritarias, diálogos de fazer corar, reviravoltas absurdas, caretas excruciantes do Nicolas Cage, tudo já tinha sido tentado para levar o filme para frente. Quando a tortura parecia não ter fim e a única sáida seria o suicídio dos espectadores, quando o Framboesa de Ouro já conhecia o seu potencial vencedor, quando a obra-prima de Ed Wood Plano Nove do Espaço Sideral estava prestes a perder a honraria de pior filme da história, eis que aparece, como um assassino pedófilo envolvido numa camisa de força com uma máscara a la Hannibal Lecter, ele, Steve Buscemi. A aparição é hilária. Esperamos um monstro surgir na nossa frente, saindo da grotesca camisa de força, e quem surge é o diminuto Buscemi. A partir desse momento, sem exagero algum de minha parte, o filme inacreditavelmente pega no breu. Buscemi incendiou a tela, como eu poucas vezes vi um ator fazer num filme tão ruim como esse. Todos em sua volta, Cage, Malkovich, Rhames, até mesmo o constrangido John Cusack, todos são contagiados pelo poder trazido pela simples presença de Steve.

Logo testemunhamos um momento maravilhoso, quando todos os bandidos dançam no avião sequestrado ao som da música Sweet Home Alabama, do grupo Lynyrd Skynyrd, e o personagem de Buscemi vira para Cage e diz: "Defina ironia: um bando de idiotas dançando dentro de um avião com uma música feita por uma banda famosa por ter morrido num acidente de avião". SENSACIONAL. Todo o sarcasmo dilacerante e a total indiferença de Buscemi, cultivados em milhares de pérolas de baixo orçamento do cinema underground, levado para dentro de um blockbuster Bruckenheimeriano. Não poderia dar errado. Aqueles sessenta minutos finais com Buscemi fizeram o filme Con Air parecer ser muito melhor do que realmente é, característica inerente aos grandes atores, capazes de tirar leite de pedra. Mas tudo isso teria ficado para trás se Bruckenheimer não tivesse dado essa jogada de gênio, escalando-o no filme. Não é a toa que o cara tem alguns bilhões de dólares na conta e eu sou um pobre estudante blogueiro. Depois Buscemi faria mais alguns milagres em produções horrendas como Armageddon, O Paizão e A Ilha, mas o mainstream descobriu o salva-vidas perfeito aqui nessa produção milionária e patética. Não importa o quão ruim seja o filme que você produza, o quão inverossímil, absurda, barulhenta, revoltante, burra e estereotipada seja a sua película; é só colocar o Buscemi pra falar algumas frases e contar os milhões que entrarão na sua conta.