sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Cinema - Estréias da Semana

Ultimato Bourne - Diretor: Paul Greengrass; Elenco: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn
Terceiro e (aparentemente) último empreendimento cinematográfico do espião mais nerd e leso do mundo pós-guerra fria, Bourne, que foi criado pelo escritor Robert "Sou muito melhor que o Tom Clancy" Ludlum. Os outros dois filmes foram sucessos de crítica e público, e com esse o furor aumentou ainda mais, com o filme sendo elogiadíssimo pelos críticos e estourando a banca das bilheterias estadunidenses, desbancando o filme dos Simpsons. Eu nunca fui fã de filmes de espionagem, nem dos que não se levam a sério como os Bonds da vida (zoei agora) nem dos esforços mais sérios e focados na realidade, como as aventuras do Jason Bourne; Mas seria estupidez de minha parte reprovar esse filme, já que o Matt Damon é um ator competente e o Paul Greengrass é um diretor talentoso. Se você for tarado por filmes que envolvam conspirações governamentais, traições em altos-escalões e perseguições envolvendo algumas das cidades mais belas do mundo (aparentemente o Bourne só quer saber de fugir para lugares classudos, ao invés de ir para cidades feias e poerentas), esse é o melhor que você poderia conseguir, jão.

O Grande Chefe - Diretor: Lars "ZZZZZZZZZZZ" Von Trier; Elenco: um monte de nomes dinamarqueses, acho que tinha um Laudrup no meio, não, perai.... não, não tinha.
Imaginem a série The Office, tanto a versão inglesa quanto a americana. Imaginaram? Ok. Agora, imaginem o diretor dinamarquês Lars Von Trier, um dos criadores do finado(será?) movimento Dogma 95, que pregava a destruição do cinema, ops, quer dizer, pregava filmes que não se utilizassem de trilhas sonoras, cenários elaborados e tudo o que remetesse ao, segundo eles, pomposo e inadquado cinema hollywoodiano. Lembrem-se dos filmes anteriores do diretor, Dançando no Escuro, Dogville e Manderlay, da Bjork andando pra lá e pra cá com um lenço na cabeça, da Nicole Kidman virando escrava de uma cidadezinha com 20 habitantes, da filha favorita do Ron Howard, Bryce Dallas, interpretanto a mesma personagem da Kidman no filme seguinte mesmo sendo 10 anos mais nova.. Lembraram? Bom, agora vamos lá, é bem simples: imaginem o The Office, com toda a idéia da comédia preservada, jogado no meio do mundo concebido por Trier para as suas películas. Se a idéia soou absurdamente indigesta para você, então faça o favor de passar bem longe das duas ou três salas que exibirão o filme. Agora, se você ficou interessado, se você pensou, "nossa, toda a subversão e nilismo do Trier jogados num ambiente corporativo dinamarquês? Tô nessa!", eu só te digo uma coisa: boa sorte, se divirta, e faça-me um favor, fique bem longe de mim.


Possuídos - Diretor: William Friedkin; Elenco: Ashley Judd, Michael Shannon, Harry Connick Jr.
Filmeco de suspense que, como todos os filmes estrelados pela Ashley Judd, serve de mero pretexto para ela aparecer pelada em cenas tórridas de sexo. Nem a presença do William Friedkin, diretor do Operação França e do Exorcista, consegue livrar a cara. O que não é de se surpreender, Friedkin é um egocêntrico que jogou a carreira no lixo depois do sucesso nos anos 70. Mas o mais inacreditável nesse filme não é o fato de uma infestação de insetos ser o mote do filme. A "história" versa sobre uma mulher solitária que, aterrorizada pelo fato de seu ex-marido bêbado e violento ter saído da prisão, acaba unindo-se com um veterano de guerra num motel abandonado e assombrado, dando começo ao risível ataque dos insetos. O que nisso tudo é realmente inacreditável? É quem eles escolheram para interpretar o bebum e violento marido. Algum dos irmãos Baldwin? Não. O Vin Diesel? Não. O The Rock? Não. O Kevin Bacon? Não. Eles escolheram para o papel o Harry Connick Jr. Sério. O HARRY CONNICK JR. Só faltou ele bater na Ashley de terno e cantando As Time Goes By. Não dá, é sério, são de causar úlcera esses produtores hollywoodianos. Quer saber? O Lars Von Trier tá certo. Ele é um mala, mas tá certo nessa.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Fomos ao cinema ver: Os Simpsons, o filme

Domingo, eu e o Camarada Moderado fomos assistir ao filme do Simpsons, numa gigantesca sala de cinema na avenida mais famosa de São Paulo. E hoje, quinta feira, venho aqui falar do filme. Por que demoramos tanto, quatro dias, pra falar do filme? Não sei. Deve ter sido o frio. Darei aqui, então, o meu veredito sobre a produção, que acho não ser o mesmo do Moderado, que depois poderá vir aqui e dar a sua visão. Sempre mostrei-me cético e pessimista em relação às possibilidades do filme. O raciocínio era lógico e preciso: se as últimas oito temporadas do desenho tinham sido vergonhosas, consenso geral e indiscutível, porque esperar algo diferente de um filme concebido no meio desse panorama desolador? Distante uma década da era de ouro do show? O tempo, meus amigos, é o inexorável senhor da razão. Mas, ao assistir o filme, teria eu confirmado essas previsões tão pessimistas, ou teria me surpreendido positivamente?
Se fosse resumir, diria que, se nós considerássemos o filme como um episódio estendido, poderia-se considerá-lo como o melhor episódio dos últimos tempos. O que na prática não significa muita coisa. O roteiro, escrito por dez roteiristas (pra quê tanta gente, caramba?) num período de um ano, deu abertura para sequências que mostraram um pouco mais dos conflitos dos personagens, aproveitando bem a maior duração de um longa-metragem. Os aspectos técnicos também foram muito bem aproveitados, pela primeira vez pudermos ver a cidade de Springfield num aspecto geral, e os personagens jamais tiveram um visual tão rico quanto aquele do filme. Mas isso já se notava nas últimas temporadas do show, nas quais o visual têm sido o único destaque, então não vejo vantagem nenhuma aqui. Quanto a trama do filme, na qual Springfield é considerada, por uma burrada do Homer, como a cidade mais poluída do mundo e um político de uma associação ambiental convence o presidente americano, Schwarzenneger (rá,rá,rá) a colocar uma redoma de vidro na cidade, isolando-a do mundo e colocando o relacionamento do Homer com a família em xeque, obrigando-o a agir para salvar a cidade da destruição iminente, não achei nada, mas nada mesmo, de relevante. Olha, a Lisa fazendo uma palestra para alertar os perigos do aquecimento global, parodiando o Al Gore. Rá, rá, rá. Pra quê colocar o Schwarzenegger como presidente, se o desenho já têm um personagem que é uma hilária caricatura sua, Rainier Wolfcastle, que garantiu momentos memoráveis no desenho? E o pior, sem tirar uma piada decente disso? Sério, o Schwarzenegger é mera escada para o tal político, que aparece exageradamente no filme, considerando-o um elemento totalmente alienígena dentro da série.
Esperamos o filme todo por uma piada realmente engraçada com o Arnold, mas parece que a piada era mesmo ele ser o presidente americano. Pronto. Rir dele sentado na mesa principal da Casa Branca. O show, como tem sido a tônica na Tv, se concentra na famosa "paródia por paródia", ou seja, coloca os personagens na mesma situação do alvo original, mas sem desenvolver nada, como faziam de maneira genial na era de ouro do desenho. Essa parte é cansativa, o conflito com a cidade é moroso e desvia por demasiado a atenção dos personagens. Tanto que tipos fundamentais do desenho, como Krusty, Burns e Smithers, são reduzidos a meras figurações. Pelo que contei, os três têm direito a apenas uma fala cada um no filme todo. Isso mesmo, uma fala, enquanto o tal político aparece minuto sim, minuto não, sem ter nenhum traço realmente importante ou uma personalidade destacada. Imperdoável.
Os conflitos da família, com Marge e os filhos colocando o Homer na parede pelo seu egoísmo, soam artificiais demais para aqueles que lembram que um dos truques do desenho era tirar observações ferinas da realidade dos personagens. A situação com o Ned Flanders e o Bart já tinha sido explorada num excelente episódio no qual o Homer e Marge perdiam a guarda dos filhos e eles iam morar com os Flanders (na época a mulher do Ned, Maude, ainda era viva. Aliás, até hoje não entendi o propósito da morte dela), e o Bart também questionava o amor de Homer por ele. Repeat it again.
Depois de todas essas porradas, digo que, se a intenção dos produtores era criar para o filme uma trama mais ambiciosa e universalista, que sacrificasse 90% dos personagens para não dar ao espectador a desagradável sensação de estar se assistindo a um episódio estendido, eles mais uma vez estariam sendo hipócritas ao não assumir que um filme é totalmente desnecessário e que o objetivo é ganhar dinheiro mesmo, ao invés de melhorar a qualidade do desenho e tirá-lo do abismo que eles mesmo colocaram nos últimos tempos. Junto-me ao coro daqueles que dizem que o ponto da virada que o desenho deu rumo ao caminho da ganância e da mediocridade deu-se em 1998, quando Groening saiu para fazer o Futurama e que, principalmente, o roteirista Conan O'Brien saiu do show, e o produtor executivo que assumiu disse numa entrevista da época que nunca tinha assistido os Simpsons. Tiro no pé proposital, já que dizem as más línguas que o tonto foi colocado pelo Rupert Murdoch para levar o desenho para caminhos mais conservadores e benignos. O resultado está aí: um filme caro, visualmente deslumbrante, cheio de ação (sempre um péssimo sinal), mas que, para os verdadeiros fãs, jamais passa perto de reproduzir a magia da era dourada do desenho. Agora, é torcer para que a primeira fala de Meg na história do show, dita nos créditos do filme, não se concretize: "Sequência".

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Madonna

Garota material que vive, olhem só, vejam vocês, num mundo material.
"Britney, juram eles que um dia fui como ti. Era a falsa virgem, não como tu, que és a verdadeira Madonna dos pecados".

Um pouco sobre a música brasileira - Parte 1

Quando eu afirmei que as bases da música mundial popular devem muito para o eixo Inglaterra-Eua-Jamaica-Cuba-Brasil, não falei levianamente e não inclui meu país porque sou um nacionalista maluco, apenas, talvez, um maluco sem indícios de nacionalismo. Mas antes de mergulhar a fundo na música intercambiável, ficariam surpresos do troca-troca entre esses países, também achava que o Brasil não deveria ser incluído nessa escola de influências , então resolvi pesquisar, aí comecei a mudar de idéia.

Primeiro passsemos para os meados da década de 50 e a década de 60, eu poderia falar dos figurões da bossa nova e da tropicália, mas ficaria no mesmo discurso de todos os nacionalistas malucos, não, as bases interessantes e mais desconhecidas vem de Eumir Deodato, Airto Moreira, Hermeto Pascoal, João Donato, Moacir Santos e Jorge Ben.

Eumir Deodato começou sua experiência na bossa é verdade, com Tom Jobim e cia, já em 67 migrou para os Eua e estorou sua carreira de sucesso ao fazer os arranjos da música tema de 2001, de Stanley Kubrick(pasmem!) e mais conhecido no meio musical com produção e arranjos musicais para Frank Sinatra e Robert Flack, Cool and Gang e ,mais recentemente, para Bjork. Um bom disco para começar a interagir com este gênio seria Deodato 2 (1973).

Não consigo medir palavras quando falo do bruxo Hermeto Pascoal, complicado encontrar as palavras que garantam a influência e sua genialidade por completo, todavia tentarei um pequena abordagem do bruxo albino: é considerado por boa parte dos músicos como um dos maiores gênios em atividade na música mundial. Polistrumentista, é famoso por sua capacidade de extrair música boa de qualquer coisa, desde chaleiras e brinquedos de plástico até a fala das pessoas. Seu início de carreira começa, na verdade sua primeira participação em gravações é no álbum Pernambuco no Pandeiro e Seu Regional(1958), depois de várias viagens com essa banda Hermeto atinge a fama, como também a maturidade intelectual, com o Quarteto Novo, álbum de mesmo nome lançado no ano de 1967. Grupo instrumental formado em 1966, ainda como Trio Novo, por Theo de Barros (contrabaixo e violão), Heraldo do Monte (viola e guitarra) e Airto Moreira (bateria), para acompanhar Geraldo Vandré em apresentações e gravações. Mais tarde, passou a atuar como Quarteto Novo a partir da incorporação de Hermeto Pascoal (piano e flauta) à formação original. O grupo seguiu carreira, acompanhando Geraldo Vandré em programas da TV Record (SP) e da TV Bandeirantes (SP). O grupo se dissolveu em 69. Hermeto continuou suas experiências durantes as décadas tocando com muitas pessoas aí incluindo, nada menos, que o gênio Miles Davis. Juntos, lançaram um cd chamado Live-Evil(1970) , cujo álbum tem duas faixas compostas por Hermeto( Little Church e Nem Um, Talvez).

Chegamos em Donato, filho de um major da aeronáutica, João Donato de Oliveira Neto, nasceu no Acre em 1934. Seu círculo de amizade era composto por músicos que se reuniam nos bares cariocas para tocar violão e, claro, falar de música. Nos anos 50, freqüentou o Sinatra-Farney Fan Clube, na Tijuca, zona norte carioca, que durou apenas 17 meses, considerado por muitos estudiosos como uma escola para toda a geração que mais tarde criaria a Bossa Nova( falei que não ia falar , mas não deu, hehe). Era amigo dos bossas-novistas mas sempre visto como o excêntico que tocava para si e não para os contra baixistas e bateristas que tentavam lhe acompanhar ao acordeão, piano ou trombone. Na mesma década vai para o Eua e faz seu maior êxito: reincorporar a musicalidade afro-cubana ao jazz. Depois grava Bad Donato(1970) qual incorpora também o que estavam fazendo de mais novo na música brasileira aos ritmos caribenhos e ao jazz.

Após todos acima, temos Moacir Santos, pelos mais velhos, conhecido pelo seus choros no final dos anos 40, é ainda mais conhecido pelo álbum chamado Coisas (1965): são dez composições que ganharam o nome de “Coisa” (numeradas de 1 a 10, sem obedecer a ordem das faixas) e o álbum expandiu definitivamente o horizonte da música brasileira. Tal som levou a bossa além dos limites esperados: arranjos de metais misturam uma vocação erudita com um acento afro trazido pelas batidas. As composições derramam sofisticação melódica e harmônica e convidam ouvidos quaisquer para a apreciação de suas notas. Quando descreve-se uma música assim já pensa como deve ser difícil de digerir, pelo contrário, ele executa uma música difícil e ,ao mesmo tempo, com forte apelo popular, completamente digerível. Se o álbum delimitasse e se fecgacesse em si mesmo, já seria obrigatório tomar nota, mas não, ele influenciou o Afrosambas(1966), de Baden e Vinicius. É sabido que Afrosambas influenciou toda bossa e toda música brasileira da época.

O último ,e não menos importante, é Jorge Bem(que o camarada fundamentalista defendeu tão bem). Difícil escolher algo que não seja bom dele, tudo começa no seu primeiro disco( Samba Esquema Novo de 1963), onde inagurou aquela batida diferente de tudo que as pessoas conheciam até então, onde vai findar na sua grande obra mística: Tábua de Esmeraldas, 1974. A fórmula para esse empreitada genial foi a capacidade despretensiosas das letras aliadas a uma intuição rítmica soberba que faz ser, na minha opinião, o melhor Jorge Ben.

Depois de dar uma apanhado geral que tal puxar um desse álbuns e ver se concorda comigo? Se não, pode me chamar de nacionalista, mas não se esqueça que antes eu sou maluco, eu sou maluco.

domingo, 19 de agosto de 2007

Fluorescent Adolescent, do Arctic Monkeys (o clipe, não a música)

Os videoclipes acabaram com a nossa geração. Principalmente com a capacidade da nossa geração de contar uma história. Quer dizer, não é que acabaram. Na verdade, eles apenas refletem, confirmam uma idéia muito cara ao circo acadêmico: a de que nossa experiência é fragmentária, de que a vida já não é totalidade, pois a totalidade (da vida) se perdeu quando se descartou o mito. Pois, nos videoclipes, o que vemos, com raras exceções, é justamente um recorte episódico da vida.

Por isso, eu devia, para alardear minha desaprovação disso, já que eu sou um sujeito que não nego totalidade à vida – como um bom fundamentalista, as coisas, pra mim, fazem sentido; portanto, a minha vida tem um sentido –, proscrever a simples menção dos videoclipes em meus textos. Só que não vai ser assim, né? Pois se eu vim com essa ladainha toda, é porque ia acabar falando de videoclipes, sim, e vocês já estavam sacando desde o início.

Daí que eu estava vendo o videoclipe do Arctic Monkeys, da música Fluorescent Adolescent. E eu não sei se vocês sacaram (e se não sacaram, finjam que é assim, pros efeitos desta postagem), mas a idéia é chupada de Laranja Mecânica. Duas gangues quebrando o pau, em câmera lenta, só que uma das gangues é composta por palhaços. Ou seja, o mesmo contraste visual entre máscara e ação no clássico kubrickiano. E, como certa linha crítica não hesitaria em sentenciar, se é chupado de Kubrick, então é genial. Portanto, Fluorescent Adolescent é ge-ni-al.

E o melhor de um videoclipe é justamente a liberdade que oferece ao diretor. Uma vez que letra de música não precisa fazer sentido se os arranjos são bons, o único cuidado que se deve ter em relação às imagens escolhidas é com uma vaga semelhança entre o tom delas e o da melodia e, se for o caso, com uma ainda mais vaga alusão a algum elemento constante nos versos sem pé nem cabeça que enchem o cancioneiro pop. Em Fluorescent Adolescent, por exemplo, se não me engano, a letra dos rapazinhos ingleses trata da disparidade entre os sonhos que a gente tinha pra vida adulta e no que esta veio a se transformar de fato. E se não me engano, de como alguém que o fulano conhecia caiu na vida. Hermenêutica ousada essa minha? Nem tanto.

Pois então, em vez de mostrar a amiga (digamos que seja amiga) de infância rodando bolsinha na esquina, botam uns marmanjos vestidos de palhaço dando uma de Sopranos e, de quebra, ganham a crítica com referências a Kubrick e o escambau. Apesar de que máfia e palhaços têm tudo a ver. Pois, e desculpem os highbrow que porventura vêm aqui nos acusar das nossas imprecisões e superinterpretações, mas Pagliacci, lado a lado com Cavalleria Rusticana (mais uma razão pra serem encenadas juntas), é ópera de mafioso. Da última nem se fala... Não acreditam? Vão ver Poderoso Chefão 3.

Ah, sim, e no final, quando o palhaço pega o isqueiro e se livra da ameaça motorizada, chupado, chupado de Karma Police, do Radiozzzzzz Head. Mas, daí, é ruim, daí, não é nem um pouco ge-ni-al. Porque é Radiozzzzz Head, e não Kubrick.

sábado, 18 de agosto de 2007

Buscemi e Macy: o caso Fargo

Eu assisti ao Fargo pela milésima vez esses dias, num dos canais a cabo da vida. Esse é o filme mais famoso dos Irmãos Coen, Joel e Ethan, e abocanhou bela carreira em premiações internacionais no já longínquo ano de 1996, chegando até mesmo a receber uma indicação ao Oscar de melhor filme. Não é o meu favorito deles (o eleito vocês saberão quando eu fizer o meu ranking de filmes dos irmãos Coen, sou chato mesmo), mas é, sem dúvida alguma, um grande filme. O elenco reúne dois atores que poderiam muito bem exemplificar toda a cena alternativa dos anos 90, o William H. Macy e o Steve Buscemi.
Macy teve nesse filme o momento definitivo de sua carreira, dando um salto que o levou a ser sempre considerado para grandes produções, o que permanece até hoje. Já Buscemi, por outro lado, apenas teve em Fargo uma afirmação de seu talento, que foi revelado ao mundo no primeiro filme do Quentin Tarantino, Cães de Aluguel. Bom, essas são as flores da história toda. Eu nutro uma profunda ojeriza por Macy, ator que me irrita demasiadamente, e faz parte, ao lado do Jared Leto, do Giovanni Ribisi e do Robert Duvall, do quarteto de atores que me faz pensar dez vezes se vale a pena assistir filmes que tenham no seu elenco um deles. Mas voltemos ao Fargo. Macy interpretou no filme o marido falido que, desesperado, resolve armar um plano para conseguir dinheiro, contratando dois criminosos para sequestrarem a sua própria esposa, forçando o seu rico sogro a pagar o resgate, dividindo o dinheiro abocanhado com os dois bandidos. Buscemi interpretou um dos criminosos, o que protagoniza os momentos mais agudos do filme. O personagem de Steve Buscemi foi criado pelos irmãos Coen já com ele em mente desde os esboços iniciais do roteiro. Ou seja, foi feito sobre medida para o ator. Espertos esses imãos Coen. Já William H. Macy, esse não teve a mesma sorte, pelo menos não inicialmente.

O roteiro chegou nas mãos dele, e ele sentiu que o personagem do marido poderia ser o papel de uma vida toda. Ficou desesperado, entrou em contato com os Coen pedindo para ser escalado, mas eles sutilmente recusaram, dizendo não terem ele em mente para o projeto. Macy não se deu por vencido. Voou para Nova York, onde a pré-produção estava sendo realizada, para implorar pelo papel. Depois de muito atormentar a paciência dos irmãos, finalmente eles se cansaram de tanta encheção e deram o tão sonhado papel para Macy. Resultado: o filme foi lançado, tornou-se um sucesso arrasador de crítica e, desgraçadamente, rendeu para Macy a indicação ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Já o Steve Buscemi, esse ficou a ver navios, sem indicação nenhuma. Uma injustiça inconcebível. Um absurdo, mais uma vez Buscemi era marginalizado pela academia, enquanto o insípido Macy garantia sua indicação. Notem que o personagem dele era o protagonista do filme, e ele foi indicado na categoria de coadjuvante, sina de uma carreira na qual jamais deixará de ser um intérprete sempre ofuscado por colegas de maior presença. Meu consolo foi ele ter perdido o prêmio, do qual era o favorito segundo as bolsas de apostas da época, para o péssimo Cuba Gooding Jr, que mesmo fazendo de tudo para estragar o Jerry Maguire, não conseguiu e ainda levou a estatueta pra casa. Bem feito para o Macy, perdeu o prêmio para uma frase, "Show me the money". Assistir o Fargo depois de tanto tempo não mudou em nada minhas convicções: esse filme é fruto da categoria dos Coen e do talento da Frances McDormand (que justamente ganhou o Oscar de melhor atriz) e dele, o homem, o mito, a lenda do underground, Steve Buscemi. William H. Macy, you sucks!

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Top 5: Simpsons

Hoje estréia o filme dos Simpsons, cambada! Estão animados? Não? Bom, acho que é uma bela hora para, aproveitando essa premissa, fazer um ranking com os meus cinco personagens favoritos no desenho, excluindo logicamente os membros da família, já que o Homer Simpson é absolutamente hors concours, na minha opinião formando uma trinca com o Hamlet e o Holden Caulfield como melhores personagens da história da ficção tendo seus nomes começados com a letra H. Agora, vou parar com a embromação e trazer gloriosamente pra vocês, cinco melhores personagens dos Simpsons, na minha opinião, o que logicamente não reflete necessariamente a opinião dos outros dois camaradas:


5- Lionel Hutz
Advogado golpista e alcoólatra, garantiu nas primeiras sete temporadas momentos sensacionais, como no episódio em que liga para o David Crosby para pedir conselhos para largar o vício de beber e que aparece sem calças no tribunal (esse momento é de bater a cabeça de tanto dar risada). Pena que, com a morte do comediante Phil Hartman em 1998, a produção tenha, em homenagem a Phil que dublava o personagem, retirado Hutz do desenho em definitivo (outro personagem dublado por Hartman, o também hilário Troy McClure, também foi retirado do desenho). Uma homenagem justa, mas que nos privou de um personagem hilário e que inteligentemente representava a imagem que temos dos advogados como um todo (calma, estudantes de Direito, tô só brincando, viu? Golpistas...)

4-Hans Moleman
Com a aparência de um idoso com dificuldades para andar mas que ,como descoberto num episódio, tem apenas 30 e poucos anos de idade tendo destruido sua aparencia com a bebida, Hans Moleman é um dos refúgios do non-sense no show. Suas aparições jamais fazem parte de momentos mais sérios no desenho, já que ele sempre aparece em situações absurdas, como quando a família Simpson o usa para substiuir o filho Bart, que estava morando na casa do Senhor Burns. O final desse episódio, com Hans aparecendo na sala da família vestido como o Bart com um skate na mão e falando com gírias, e o Homer beija sua careca dizendo que era como beijar um amendoim e incentivando a família a fazer o mesmo, é daqueles que somente se descrevendo para se acreditar. Absolutamente hilariante. Sempre envolvido em acidentes violentos e colocado em situações de inacreditável risco, Hans é o saco de pancadas favorito do show, já que suas reações sempre consternadas garantem o saco de risadas, mesmo agora com a decadência da qualidade da série.

3- Ned Flanders
Esse corre o risco de logo virar verbete nas encicoplédias britânicas da vida. Sempre que nos defrontamos com algum vizinho mala, chato e certinho, acabamos livremente o associando com o nome Ned Flanders. Confessem, vocês nunca apontaram pra ninguém e disseram: "olha lá o Ned Flanders, com a sua vidinha perfeita"? Logicamente um personagem frontalmente e propositalmente oposto ao Homer Simpson, reunindo todas as qualidades que faltam no último, Ned é a realização do ditado "o quintal do vizinho é sempre mais bem cuidado que o nosso". Religioso fervoroso, altruísta, sempre pronto pra abrir mão do que é seu pelos outros, paciente até o extremo, incapaz de atos violentos ou egoístas, Ned é alvo de um ódio mortal por parte de Homer, que em diversos episódios demonstrou reações violentíssimas e desproporcionais com Ned. Pena que depois que a Fox assumiu de vez os fervores republicanos, as chagas de Homer contra Ned tenham diminuído exponencialmente. Mais possibilidades hilariantes para o show perdidas pelo conservadorismo ganancioso de seus produtores.

2- Barney Gumble
Esse é até covardia falar. Ícone dos cachaceiros de todo o mundo, Barney Gumble é um patético e absolutamente hilário personagem. Um dos poucos personagens a aparecer desde o longínquo primeiro episódio do desenho, em 1989, sempre em avançado estado etílico (pelo menos até determinado ponto do desenho, que falarei depois), mas com o comportamento apalermado e dócil, longe da agressividade comum aos alcoólatras, Barney é sempre colocado em situações constrangedoras por conta de sua constante embriaguez. Nas últimas temporadas, o personagem se livrou do vício entrando na reabilitação, obviamente uma ordem, digamos, "lá de cima" da Fox. Deixa eu dizer uma coisa pro Murdoch e pros gênios que controlam o canal como se fosse um curral da administração do Bush: todos os estragos que os Simpsons poderiam provocar na imagem e no comportamento dos estadunidenses já foram feitos. Vamos parar com a babaquice e colocar o desenho de volta aos trilhos, ou acabar logo com tudo de uma vez e salvar a honra do show.

1- Krusty, o Palhaço
O Matt Groening deve ter severos traumas de infância relacionados com palhaços. Krusty, palhaço que é um astro da TV e ídolo-mor do Bart Simpson, é a destruição completa do ideal infantil. É tudo aquilo que não se espera quando falamos de palhaços que apresentam programas para crianças. Ou então, verdadeiramente, é um compêndio da realidade. Estelionatário, viciado em apostas, bebidas, cigarros, sexo, mulheres, com sérios transtornos de raiva, Krusty é depois do Homer o personagem mais hilário dos Simpsons. Sem brincadeira, todo episódio protagonizado por ele é de chorar de dar risada, e suas pontas nos episódios são sempre sensacionais. Não tem como errar, se o episódio tem alguns segundos ou é inteiramente protagonizado por ele, então é de se conferir. Um personagem que não se importa em fumar no ar apresentando um programa infantil cheio de crianças na platéia só pode ser hilário mesmo. Eu acho que o Krusty é uma amostra da velha noção que diz que os comediantes são pessoas amargas, tristes e solitárias, sempre propensos a cair em vícios e tentações. A velha questão humana, de ter que provocar risos e alegrias nas pessoas, mesmo em momentos que não temos qualquer tipo de clima para isso, o que provoca em cima desses homens um fardo pesadíssimo de se carregar. Muitos até acabam criando dificuldades imensas para diferenciar a vida pessoal de seus personagens e rotinas de humor, como um escape da mente, o que acontece no show, pode ver que sempre que o Krusty está no ar e comete algum desatino, como xingar alguém ou grunhir impropérios, imediatamente ele se vira pra câmera e faz alguma careta ou palhaçada. Krusty é um resumo brilhante feito por Groening dessas características, e é uma amostra mais uma vez do cuidado que ele teve para construir todos os personagens do show.

É isso, em breve, falarei mais sobre os Simpsons, o bagulho não demora não.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Bem, falei que não ia falar, mas...

Eu falei que não ia falar mas não deu. Antes de explicar eu tenho uma teoria, isso uma teoria que envolve a menina Lohan, ela mesma, tão falada e discutida em nosso blog tempos atrás. Volto a discutir por dois motivos: primeiro, eu fui o único que nunca citou a menina, por isso seria interessante fazer agora que já esfriou o momento de estrelato dela, pelo menos no nosso blog; segundo, ela continua aí, na sua perambulação violenta pelo mundo que vivemos, ora, então tomemos cuidado.

Dentre suas inúmeras infrações habituais - pois sim, estamos falando de uma mulher no volante, há um número excessivo que deixaria qualquer protagonista de GTA para trás, incluindo aí as multas por excesso de velocidade. Podemos citar, para ilustrar, a recente ação judicial movida contra Lohan por perseguição de carro, quem está acusando a nossa garota , olhem o nome como parece saído direto de San Andreas do GTA, é Trace Rice cuja mãe trabalhava para atriz como assessora que tentava escapar das garras da Senhorita Lindsay e já tinha se demitido do seu cargo, pobre senhora, achava que após parar de servir a mimada não teria de suportar mais suas loucuras, ledo engano. Num frenesi, Lohan pegou seu carro e começou a perseguir o carro da sua ex-subordinada, além disso ela foi presa com posse de drogas, e sim, estava embriagada.

Dentre esses incidentes freqüentes da nossa adorada, pensei se talvez ela não estaria tentando fazer um “happening” ou, numa situação mais nerd, um “live” de GTA. Como o protagonista do jogo ela sempre está embriagada ou sobre efeitos de drogas, além de dirigindo um carro em alta velocidade, seja roubado ou não. Na verdade ela está se divertindo com isso, na verdade ela faz isso pois tem um espírito contestador e artístico. Ela, diferente de todos nós, vê a frente mesmo dentro de um carro em alta velocidade e drogada. E vem mostrar para todos que estamos errados, como eu estava.Me perdoe, senhorita, só não me persiga pelo meu erro.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Duro de Matar 4.0 ou os vilões megalomaníacos estadunidenses

Já que esse é um blog que versa sobre cinema, resolvi escrever e comentar sobre um filme que vi recentemente, fui ver o filme com outros camaradas, não esses que escrevem junto comigo no blog, mas também camaradas de mesma índole, inclusive conhecidos dos camaradas do blog.

Fui ver um filme de ação, sou o que mais gosta dentre os camaradas, um bom filme de ação nesses tempos atuais são bem raros, daqueles que você não consegue tirar os olhos da tela.

Em geral um bom filme de ação é uma das vertentes da teoria que o cinema é uma arte de impacto visual e auditivo, você deve surpreender a platéia e ela deve sair impressionada com o filme, o cinema não deve ser um discurso que versa sobre o cinema em si, mas que conta um história com impacto, de alguma forma as pessoas tem que sair impressionadas, de alguma forma. Enfim, fui assistir a duro de matar, o novo, e devo dizer que em aspectos gerais é um filme bem executado, cumpre a função de bom cinema pipoca de ação, pecando apenas num aspecto: o vilão. Saudade de Alan Rickman ("O" vilão da série) e Jeremy Irons, deu um pouco de saudade.

O vilão não é de todo mal, contudo ele se enquadra naquela classificação dos vilões megalomaníacos da série de tv do Batman, aquela dos anos sessenta, cujo vilões preocupados em discursar ao mocinho sobre a justificativas das suas atitudes acabam sempre perdendo justamente por essa mania. E o pior que todos os vilões costumam ser solitários pois são rodeados por capangas idiotas e nada articulados, então sempre quando ele encontra o protagonista, vulgo o mocinho, ele percebe uma oportunidade para alguém compreender a grandiosidade do seu estragema.

Proponho a seguinte solução para os vilões das futuras gerações: aprendam ventriloquismo. Ora, após aperfeiçoarem nessa difícil arte, poderão adquirir um boneco ou uma meia improvisada como boneco para poderem contar seus planos e até seus segredos mais obscuros. Alguém pode argumentar falando que existe um vilão do Batman que é um boneco de ventriloquismo, contudo o vilão é o boneco e ele acha seu manipulador um idiota.

Camarada Fundamentalista e as mulheres: do contexto favorável

Sempre procurando refinar minha sólida e já comprovada sabedoria acerca das mulheres, conversando com o Camarada Progressista, consegui definir mais claramente uma intuição que eu já tinha de que o interesse amoroso de uma mulher é decisivamente atrelado a um contexto. Para que as mulheres se interessem por você, caríssimo Camarada X, faz-se necessário um contexto social favorável. E não me refiro somente aos losers, por favor. Mesmo os garanhões e galinhas faturam segundo este mesmo princípio; afinal, trata-se de um traço fundamental do que são as mulheres, da – segundo o reto vocabulário da tradição ontológica ocidental – qüididade da mulher.

Vejamos agora se podemos dar alguma inteligibilidade a isso, dizendo como é esse “contexto social favorável”. De maneira muito simples e sucinta, funciona como a velha lei da oferta e da demanda: elas precisam querer o que você tem a oferecer. Então, Camarada X, pense no que você tem a oferecer. E trate de ser o mais isento, lúcido e sincero possível neste ponto, deixando de lado tanto a autodepreciação como a superestimação. Algo você tem a oferecer, e não é tudo. Depois, pense em onde estão as mulheres que se interessam pelas características positivas assinaladas. É, pois, de capital importância que se estabeleça uma correspondência clara entre tais características e o ambiente social sugerido, porque é daí, enfim, que obviamente resultará um “contexto social favorável”.

Exemplifiquemos, para que a linguagem conceitual, dando ares de pura teoria, não maquie a natureza totalmente prática dessas palavras. E exemplifiquemos com um clássico: o professor que desperta os suspiros de suas alunas. Quer “contexto social favorável” mais favorável? Dando aula, o indivíduo – se for bom professor, é claro – pode expressar muitas de suas mais afrodisíacas qualidades: senso de humor, capacidade de influenciar e seduzir outras pessoas. Todas estas, qualidades que se resumem a somente uma: inteligência. Pois assim é o reino animal: os que não contam com força (leia-se “poder”, “músculos”, “dinheiro”, etc, etc), se arranjem com a inteligência. E as menininhas, condicionadas pelo ambiente escolar, se acham predispostas a se deixar envolver pelos encantamentos do charmoso professor.

E o caso dos garanhões e galinhas? Como havia dito, o princípio é o mesmo, tanto para eles, quanto para o professor. De fato, garanhões e galinhas já praticam há muito tempo, desde que começaram a existir garanhões e galinhas sobre a face da terra, o que eu estou lhes ensinando. E o fazem instintivamente. Primeiro, definem claramente o tipo de mulher que procuram (geralmente uma que seja “fácil”, como se costuma dizer, tirando eu, é claro, porque sou muito respeitoso). Depois, se dirigem aos lugares onde supõem ou sabem que vão encontrar tais mulheres (bares, baladas, casamentos, funerais, cursos de Psicologia...). E, finalmente, aplicam o papo e a abordagem esperada por elas.

E se tornam, ao ver das mulheres, cafajestes única e exclusivamente por simularem as características que apresentam. E raramente simulam com competência: isto é, as mulheres é que gostam de bancar as trouxas... ai, me desculpem, é só um espasmo sexista. Mas verdade é que, no caso das mulheres que vão na desses canastras que andam por aí aos montes, elas realmente estão procurando o que eles estão indiretamente (e sem encenação nenhuma) oferecendo. Através da conversinha fiada, que não engana ninguém, com que eles chegam, demonstram os sem-vergonha, atrevidos, sacanas que são. E, aí, bom, aí, elas, que estão atrás de um sujeito viril – e, querendo ou não, o cafajeste é viril –, compram. É por isso que o Machismo Clássico (que só falha por generalizar, já que tudo nessa vida tem sua exceção) diz que mulher gosta de apanhar.

Mais do que uma tática, Camarada X, esta exposição do “contexto social favorável” é uma constatação comportamental, até com uns tons muito peculiares de biologia e, por isso mesmo, deterministas, como não poderia deixar de ser. (Ah, a foto acima é de Pablo Picasso, em seu estúdio, com Brigitte Bardot, em 1958.)