quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Camarada Fundamentalista e as mulheres: caindo do cavalo

Quando eu vejo Coração de Cavaleiro (A Knight’s Tale), torço que nem uma menininha pra que o mocinho vença no final e dê uma boa lição naquele vilão malvado. E, ai, como eu sofro, até parece que há alguma chance real do mocinho não se dar bem. Mas eu tenho toda a razão pra agir assim, pois foi pra isso que fizeram esse filme: foi pra isso que transformaram a Idade Média em cenário pra um Dez Coisas que Eu Odeio em Você do amor cortês, inclusive com o mesmo Heath Ledger que havia protagonizado o original. Sabe, o Heath Ledger, o vaqueiro afásico e trans-viado (tsc, tsc, tsc...) de Brokenback Mountain?

Mas, então, só que eu mesmo, que achava que Coração de Cavaleiro era só entretenimento miguxo, fui na contramão do propósito do filme e achei uma das caracterizações mais objetivas e fidedignas do gênero feminino que eu já vi na minha vida. O que, pra nós, quer dizer mais uma lição essencial do Camarada Fundamentalista sobre as mulheres.

Estou falando da Lady Jocelyn (Shannyn Sossamon, um genuíno nome havaiano), é claro. Pra vocês que assistiram ao filme, mas não estão associando o nome à pessoa, trata-se da donzela cujo coração e partes adjacentes o nobre e bravo Sir Ulrich von Lichtenstein de Gelderland (Ennis del Mar, quer dizer, Heath Ledger) se desdobra para conquistar. E é a esse trabalho que o amor lhe impõe que quero me ater, nessas considerações muito oportunas. Mais especificamente, às reações de Lady Jocelyn a certa altura do relacionamento; de fato, no momento decisivo, em que Sir Ulrich von Lichtenstein de Gelderland finalmente dá prova, e definitiva, de seu amor pela jovem.

Acontece o seguinte. Sir Ulrich von Lichtenstein de Gelderland pisou na bola com a menina (como todo homem cedo ou tarde pisa) e, pra remediar a situação, diz que vai ganhar cada uma das disputas do torneio de justa por ela. Ah, e aqui começa o calvário do homem – quando ele está por baixo, e quando ela está por cima, e ela sempre quer ficar por cima, porque ela sempre se faz de vítima, e porque ela, afinal de contas, tem algo que ele quer (e que, pelo menos supostamente, naquela época, era guardado atéééééé depois do casamento: imaginem, pois, o poder das mulheres de então; bobas as de hoje, que já vão entregando o ouro, de primeira). Então, Jocelyn, aproveitando-se do fato de que ele está comendo na mão dela, lhe pede justamente aquilo que não só ele, mas todo homem, mais valoriza, sua masculinidade. Sim, Camarada X, cedo ou tarde, as crescentes exigências dela acabarão inevitavelmente incidindo sobre o seu bem mais precioso, que até então você julgava inalienável: sua masculinidade. Ela pode tirar isso de você e não hesitará em fazê-lo, seja forçando-o a usar gola alta ou, como no caso de Lady Jocelyn, pedindo ao Sir Ulrich von Lichtenstein de Gelderland que perca o torneio. É, que ele perca. Ah, a pérfida, sabendo do orgulho de Sir Ulrich von Lichtenstein de Gelderland, para quem perder era, como para todo homem, no mínimo desonroso, lhe pede que perca, a fim de provar o seu amor por ela.

E ele, ingênuo, tolo, idiota, como todos nós, homens, somos, ainda que num primeiro momento relute, obviamente aceita a exigência. Como todos nós, ele se rende a ela e a suas romantizações cruéis e desumanas. Daí, o que se segue, em ritmo de videoclipe, é a série de derrotas e violências a que ele se submete sob o olhar satisfeito (e tímida e ternamente sádico) de Jocelyn, que, afinal, tem certeza de que Sir Ulrich von Lichtenstein de Gelderland a ama. Ah, perva. E aqui está o momento genial de um filme tão despretensioso: na caracterização de Lady Jocelyn, fruindo sua vitória, sua castração do ser amado: ela sorri gostosamente. E ainda que vire o rosto nos momentos em que a lança explode contra o peito ou contra o elmo de Sir Ulrich von Lichtenstein de Gelderland, fazendo-o cair do cavalo violentamente, ah, ela jamais deixa de sorrir, plenamente realizada.

Ah, Camarada X, jamais o cinema, nem mesmo com Bergman, foi tão fundo no que a alma feminina tem de mais infantil, e que elas costumam chamar de romantismo. E nós, psicólogos astutos e implacáveis que somos, sabemos como as crianças podem ser cruéis, como podem humilhar e fazer sofrer, e que esse “romantismo” é na verdade a defesa (e, de certo modo, todo instrumento de defesa é igualmente um instrumento de ataque, de contra-ataque) mais dura e perniciosa das mulheres contra os homens. Sim, não nego que as mulheres sofram os homens, que possam se ver à mercê da brutalidade masculina (ah, sinto que escrevo um libelo contra toda a forma de opressão, dissimulada ou manifesta...). Mas, justamente porque reconheço a ameaça representada pelos homens, não posso ignorar que as mulheres revidam, isto é, que se entregam à violência e destruição do próximo, e com armas terríveis, absolutamente terríveis.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Melhor Diretor Vivo: Quem ocupará o trono de Bergman?

Nesse último mês, o mundo do cinema perdeu, quase que de uma vez, dois mitos: Michelangelo Antonioni, diretor dos classicáços Depois Daquele Beijo e Profissão: Repórter, e o espetacular Ingmar Bergman. As duas mortes reacenderam uma velha questão: quem seria o melhor diretor vivo, já que Bergman, que detinha quase que por unanimidade o título, nos deixou. Esses dias li um ranking de um site americano (não guardei o link, podem me bater), que fez um apanhado dos melhores de todos os tempos, e cometeu estultices inacreditáveis, como colocar o Luis Bunuel na trigésima sétima posição, o Kurosawa em décimo primeiro, atrás do David Fincher, que é um excelente diretor, mas que ainda precisa correr muito pra poder chegar nesse nível. Mas a pior de todas foi a colocação do Federico Fellini: sexagésimo sétimo. Isso mesmo. Ai não dá, é pra cuspir na cara do cidadão que me faz um negócio deles. Mas voltando ao assunto do dia, melhor diretor vivo. Eu me arrisco aqui a fazer uma tentativa, com a cara e a coragem, pelo bem de nossos leitores. Quer dizer, coitados...
O time dos sonhos dos diretores, o olimpo dentro do qual os aspirantes procuram lutar para um dia chegar, consiste nos seguintes nomes (sem ordem de importância): Alfred Hitchcock, Orson Welles, Stanley Kubrick, John Ford, François Truffaut, Francis Ford Coppola, Jean-Luc Godard, Federico Fellini, Píer Paolo Pasolini, Akira Kurosawa, Martin Scorcese, David Lean, Robert Altman, Luis Bunuel, Krzysztof Kieslowski e Ingmar Bergman. Desses todos, apenas três continuam em pé, como diriam vulgarmente, vivinhos da silva: Godard, Scorcese e Coppolla. Então, você pensaria assim: pronto, um dos três é o eleito, correto? Mas a questão é mais complexa, jão. Farei um breve apanhado de outros postulantes ao titulo, e no final, darei o veredicto final.
Roman Polanski: esse é de responsa. Bebê de Rosemary, Chinatown, Tess, filmes de classe estoanteante (não gosto do Pianista). Mas o que danou o cidadão foi ele não poder mais pisar nos Estados Unidos depois do processo por assédio sexual que sofreu em 1977. Tendo que financiar os seus filmes na Europa por conta própria, perdeu grandes oportunidades e acabou ficando pra trás. Mas é um grande diretor, sem dúvida alguma.
Werner Herzog: alemão doido de pedra, mas extremamente talentoso, Herzog é um diretor de insights, de idéias e realizações fulminantes e incisivas. Lembra, pelo gosto por conceitos polêmicos e inteligentes, o mítico italiano Pasolini. Filmes como Aguirre, Fitzcarraldo, Nosferatu e O Homem Urso provam o seu talento, mas os seus detratores reclamam da simplicidade técnica e cênica de seus filmes, já que ele normalmente usa pessoas comuns para interpretarem papéis nos seus filmes. Tudo bobagem, já que Herzog tem concepções de cinema que não precisam fazer uso dessas ferramentas.
Lars Vor Trier: Essa foi piada, desculpem. E os insones de todo mundo agradecem. Voltamos com a nossa programação normal.
Peter Weir: diretor australiano, autor de grandes filmes como Picnic na Montanha Misteriosa, A Testemunha, A Costa do Mosquito, Sociedade dos Poetas Mortos, Truman Show e Mestre dos Mares. É um excelente diretor, talvez o melhor dos convencionais,digo, dos que não costumam escrever seus roteiros. Mas ele raramente falhou (Green Card talvez?), sempre consegue fazer milagres com os scripts que recebe e fazer o nome de vários roteiristas com os quais trabalhou.
Fernando Meirelles: Domésticas, Cidade de Deus e Jardineiro Fiel. Poderá vir a ser, mas ainda falta chão, embora sejam todos bons filmes (Cidade de Deus é sensacional)
Milos Forman: sabem qual o problema do Milos Forman? Ter virado, depois do Amadeus, diretor de biografias. Nunca fez um filme ruim na vida, mas limitou demais seu campo de ação com isso. Uma pena, quem viu O Estranho no Ninho sabe que o cara tem classe.
Joel e Ethan Coen: excelentes, mas como são duas pessoas (é o que dizem) não poderiam ser eleitos como “o” melhor diretor. Coitados.
Sofia Coppola: papai Francis não deixaria. Espera ele morrer, ai quem sabe...
David Fincher: seria um sério candidato, se não tivesse cometido o horrendo O Quarto do Pânico. Que porcaria foi aquela? E Jared Leto não dá, pô!
John Waters: esse é mito. Hairspray? Pink Flamingos? Cry Baby? Mamãe É De Morte? Isso é trash, isso é amor pelo cinema, por toda uma cultura! Estamos contigo, Waters , you're the man! (Coincidência ou não,é a cara escarrada do Buscemi. Só podia ser)
Steven Spielberg: acharam que eu ia esquecer dele, né? Talvez o diretor com o melhor senso de ritmo do cinema. Já fez todos os tipos de filmes, e sempre se sai com obras absurdamente eficientes em sua proposta, divertir a audiência com um mínimo de inteligência. Mesmo se desconsiderarmos seus clássicos, como E.T., Caçadores da Arca Perdida, Tubarão, Lista de Schindler e Contatos Imediatos do Terceiro Grau, e lembrássemos apenas de obras menos famosas suas, como A Cor Púrpura, Império do Sol e Minority Report, poderíamos colocá-lo tranquilamente nessa lista. Os problemas: medo de se aprofundar em temáticas mais profundas e adultas (hesitou tremendamente em dirigir o Lista de Schindler) e uma inexplicável obsessão pelas relações entre pais e filhos, mesmo naqueles filmes que claramente não pedem por isso. Momentos bregas e distoantes foram gerados em nome dessa obsessão.

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Agora, os três citados lá em cima:
Martin Scorcese: Scorcese é um diretor de extremo talento. Seus movimentos refinados de câmera lembram nos momentos mais inspirados um Kubrick, o que é algo gigantesco. E suas histórias, sempre ousadas e brutalmente honestas, criaram momentos inesquecíveis. Mas nos últimos anos, Martin andou jogando demais para os críticos em nome do tão sonhado Oscar, e por isso perdeu pontos comigo. Mas Taxi Driver, Touro Indomável e Bons Companheiros já humilham qualquer um.
Francis Ford Coppola: Poderoso Chefão, a trilogia, e Apocalypse Now. Pronto. Essas belezinhas nos levam a esquecer bobagens como Cotton Club, Peggy Sue (que tem seus defensores), Drácula, e o horroroso Jack. Do Poderoso Chefão para o Jack, passando por muitas drogas, ego-trips e dinheiros jogados no lixo. Mas o cara fez aquelas maravilhas, então estará eternamente perdoado.

Jean-Luc Godard: Último remanescente da época de ouro da nouvelle-vague, Godard (que é o ser que aparece na foto lá em cima, fazendo pose de mau) é o alvo favorito daqueles que criticam o suposto "cabecismo" do cinema europeu. Lógico que filmes nos quais ele faz o favor de passar 100 minutos sem mover a câmera do lugar apenas indo de cena para cena não ajudam muito. Godard é um diretor que se perdeu quando, em algum momento dos anos 60, resolveu tentar fazer filmes engajados e supostamente "relevantes" politicamente. A maionese desandou, e depois de uns bons 20 anos, parou e começou a fazer experimentos excruciantemente chatos. Mas lembrem-se do Acossado. E do A Chinesa, talve? Alphaville? Pô, não diminuemos a importância de um homem por trinta anos de devaneios!

Veredicto: o melhor diretor vivo chama-se JOHN WATERS, o filho favorito de Baltimore. O que, você achou que o bagulho era sério? Um moleque de 23 anos querer decidir um negócio desses? Vão perguntar lá pro Roger Ebert, ele tem um programa de TV e eu não tenho.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

O que eu aprendi com a MTV

Quem mandou eu assistir MTV, afinal de contas? Depois fico reclamando, e sem razão, já que a culpa é minha mesmo. Porque, por exemplo, não bastasse assistir, ainda por cima dou ouvidos às recomendações da "casa". Sabe, aquelas vinculadas em vinhetas, durante os comerciais. Bem feito, filisteu.

A última que me aprontaram, quer dizer, que me aprontei a mim mesmo, foi a de uns finlandeses (?), chamados Husky Rescue. Tipo, estava um dia de boa na frente da TV e apareceu a carinha anêmica da vocalista num vestidinho de renda barato. Como eu tenho uma queda por vozinhas doces e melodiosas nos vocais, fui na deles. Dei uma conferida e, pra encurtar a história, era uma droga.

Quase 8 minutos para fazer o download completo de umas duas musiquinhas. E do HD para o mp3 player. Haja trabalho, e pra nada. O mal só não foi maior porque agora o transformo em bem, aqui, pra vocês. Como? Pois não é que consegui, a partir dessa frustrante experiência (ai, ai), chegar a mais uma das minhas eficientes e práticas classificações, que hão de nos orientar nesse terreno escorregadio e sutilíssimo do certo e errado na música? Bom, creio que deva ser dito, com todas as palavras e sem rodeios, que, afinal, existe música boa e ruim, e que correspondem, respectivamente, a duas, e somente duas, categorias:

1) aquela que dá pra ouvir quando a gente está sem fazer nada; que depois, até leva a gente a se trancar no quarto, quietinho, sem ninguém pra perturbar; e que, enfim, transforma a música numa experiência ritualística. Por sinal, hoje em dia a gente ouve tanta música ruim porque já não sabe ouvir música. Quer dizer, eu, por exemplo, quase só ouço música indo pro trabalho ou voltando da faculdade, tudo no busão. Ou seja, bem coisa de proletário. E, convenhamos, se música é arte, ouvir música, e direitinho, é necessariamente aristocrático: quer dizer, é um luxo e exige um momento OCIOSO especialmente reservado pra isso. Não essas acomodações, esse superaproveitamento do tempo, bem benjaminiano, que faz da música trilha sonora de busão lotado. E dá-lhe R&B.
2) e aquela que só dá pra ouvir se você estiver fazendo alguma outra coisa além de ouvir música. Vulgo trilha sonora. (Nota: há trilhas sonoras que transcendem essa triste condição de permanente complementariedade de uma atividade mais importante. Exemplos? Não lembro de nenhum agora.) O advento do walkman foi, aliás, fundamental pro estabelecimento definitivo desse tipo de música. Reflexo dos dias apressados que vivemos e da subseqüente incapacidade crescente de se concentrar em algo, da fragmentariedade do conhecimento nessa era da informação. Vixe, quando a gente começa a falar assim, tem que tomar cuidado, que os teóricos da comunicação começam a se ajuntar em volta da perna da gente, que nem cachorro querendo comida. Exemplos: U2, que, como costuma dizer o Camarada Progressista, é especialista em música pra se ouvir enquanto a gente lava louça; essa turminha do Husky Rescue, cantando as vantagens do campo sobre a cidade, bem caipiras assim; e música de balada em geral, né, minha gente?

TETÉIA DA SEMANA

Leandra Leal

Filha da atriz Ângela Leal e atriz de teatro e televisão, Leandra tem aprontado poucas e boas no showbussiness tupiniquim. Conhecida pela sua seletividade na escolha de papéis, chegando até a dirigir curtas-metragens, Leandra Leal acabou experimentando um pouco daquilo que John Steinbeck chamaria de vinhas da ira durante as gravações da horrenda novela Páginas da Vida, que (para nosso alívio) acabou no começo do ano. Como sua personagem tinha como única função ter de se relacionar com o fantasma da protagonista, ela começou a desancar o autor da novela, Manoel Carlos, em entrevistas, além de zoar novelas anteriores da Globo. Mas não ficou somente por aí. Leandra escrevia num blog com um pseudônimo(uhm... isso me soa familiar...), e num post no meio da novela, zoou impiedosamente sua colega Danielle Winits, dizendo que ela estava parecendo o Willy Wonka na novela. Sensacional. Isso que eu chamo de coleguismo. Quando descobriram que o blog era dela, logicamente as coisas ficaram feias, com Winits criticando Leandra por falar mal de novelas e ao mesmo tempo ser paga para atuar numa delas. Logicamente ela está certa, é uma contradição, mas o problema é que, para quem lembra, é impossível discordar da Leandra: a personagem da Winits realmente parecia o Wonka, só faltava os óculos e os umpa-loompas. Desbocada!

sábado, 25 de agosto de 2007

Eu não falei dos simpsons

O tempo foi passando e acabei esquecendo de comentar do filme do Simpsons, talvez, como disse o progressista, acabei encarando mesmo como um episódio estendido. Um excelente episódio, daqueles da fase aurea que durou entre oito a dez anos, mais ou menos até 98-99. Não que as temporadas mais recentes sejam de todo mal, estas ainda assim continuam sendo muito superior a maioria das séries que passam na televisão, tanto aberta como a por assinatura.

Sinto que a maioria das críticas são porque hoje em dia nossa familia mais adorada na televisão esteja mais nos conformes do conservadorismo do canal cujo o programa é exibido. De início concordo, sim, perdeu uma das maiores qualidades que tinha, mas manteve outras: A universalidade; nessa Simpsons se mantém a milhas de qualquer programa televisivo mundial, dessa universalidade veio os a consagração como ícone mundial, seja na China ou no Brasil a maioria das pessoas tiveram um chaveiro do Bart, mesmo que não tivesse assistido um único capítulo sequer. Daí sua permanência na televisão até hoje, não é mais uma série, é um ícone cultural mundial.

As personas que compõe uma família, as situações que a familía se envolvem, as relações entre si: Simpsons mostra tudo isso de forma bonita e universal, sem ser piegas ou exagerada. Encotramos essa características em grandes obras do intelecto humano, grandes obras literárias, do cinema , da dramaturgia e da arte sequencial. E não só universal para várias etnias, mas também para todas as idades, mas essa análise fica para outro texto

Um mundo perfeito

Eu andava assim, sussa-sussa, até me vir – como costuma ser, sei lá de onde –, uma vontade de rever Um Mundo Perfeito (A Perfect World), do Clint Eastwood, que eu lembrava do tempo de eu menino. Mas lembrava mal, apenas em flashes. E pobre de mim, querendo resgatar alguma reminiscência da infância logo através desse filme, que sumiu da programação da TV aberta e a cabo. O que coincide com como as pessoas em geral esqueceram desse título.

Quer dizer, todo o mundo lembra do Kevin Costner (em sua fase dourada) deitado na grama, apertando os olhos por causa do sol, como se descansasse, no meio do dia, do trabalho antecipadamente concluído. Ou de que ele morre no final (era isto um spoiler?). Mas como isso e aquilo se ligam, ou que o tema do filme era, na verdade, a paternidade, todos esquecemos.

E olha que, em 1993, quando foi lançado, a Cahiers du Cinema considerou-o o melhor filme do ano. Quem diria: Clint Eastwood conquistara a francesada, não bastasse se reinventar, depois, numa versão para mulheres com As Pontes de Madison, excentricidade essa que me dá medo dos anos 90.

Mas, então, eu fui atrás do desejado filme. E o achei, e o comprei, e o vi. E, bom, foi como tinha de ser. Um belo filme. Tinha as coisas que eu esperava que tivesse, inclusive o Eastwood incorporando sua invencível persona de “durão que se importa”, dando ao final um murro na cara do vilão – sim, era de lei que houvesse um vilão, e eles conseguiram arranjar um bem antipático –, em dúvida se fizera tudo o que estava ao seu alcance, lamentando-se de ter falhado, mas sendo devidamente consolado pela, tipo, heroína Laura Dern.

Os filmes, entre outras coisas, confirmam o que somos. É quando rola a velha história da identificação. No caso de Um Mundo Perfeito, ele confirma o meu lado bocó. O meu lado que quer casar com uma moça charmosa e lúcida, ter um filho com ela e ir morar no meio do mato, porque, no final das contas – atenção, a seguir um momento gratuito de esnobismo (aliás, algo que está se tornando recorrente neste blog, principalmente da minha parte), sugiro que os menos tolerantes saiam – apesar de Bergman, Flaubert, Proust e Valéry, eu sou é um homem simples.

Daí que eu, muito romântico (nesse sentido bem lato, impreciso, de fato idiota, com que todo o mundo usa o termo), me encanto com o fato de que o bandido, assumindo o papel de pai, cumpre tudo o que prometera ao menino – inclusive, andar de foguete. E que melhor definição de pai senão a de alguém que cumpre as promessas que faz e, assim, nos dá segurança nessa vida? E, nessas horas, parece até que a gente vive num mundo perfeito. Bocó...

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Cinema - Estréias da Semana

Ultimato Bourne - Diretor: Paul Greengrass; Elenco: Matt Damon, Julia Stiles, David Strathairn
Terceiro e (aparentemente) último empreendimento cinematográfico do espião mais nerd e leso do mundo pós-guerra fria, Bourne, que foi criado pelo escritor Robert "Sou muito melhor que o Tom Clancy" Ludlum. Os outros dois filmes foram sucessos de crítica e público, e com esse o furor aumentou ainda mais, com o filme sendo elogiadíssimo pelos críticos e estourando a banca das bilheterias estadunidenses, desbancando o filme dos Simpsons. Eu nunca fui fã de filmes de espionagem, nem dos que não se levam a sério como os Bonds da vida (zoei agora) nem dos esforços mais sérios e focados na realidade, como as aventuras do Jason Bourne; Mas seria estupidez de minha parte reprovar esse filme, já que o Matt Damon é um ator competente e o Paul Greengrass é um diretor talentoso. Se você for tarado por filmes que envolvam conspirações governamentais, traições em altos-escalões e perseguições envolvendo algumas das cidades mais belas do mundo (aparentemente o Bourne só quer saber de fugir para lugares classudos, ao invés de ir para cidades feias e poerentas), esse é o melhor que você poderia conseguir, jão.

O Grande Chefe - Diretor: Lars "ZZZZZZZZZZZ" Von Trier; Elenco: um monte de nomes dinamarqueses, acho que tinha um Laudrup no meio, não, perai.... não, não tinha.
Imaginem a série The Office, tanto a versão inglesa quanto a americana. Imaginaram? Ok. Agora, imaginem o diretor dinamarquês Lars Von Trier, um dos criadores do finado(será?) movimento Dogma 95, que pregava a destruição do cinema, ops, quer dizer, pregava filmes que não se utilizassem de trilhas sonoras, cenários elaborados e tudo o que remetesse ao, segundo eles, pomposo e inadquado cinema hollywoodiano. Lembrem-se dos filmes anteriores do diretor, Dançando no Escuro, Dogville e Manderlay, da Bjork andando pra lá e pra cá com um lenço na cabeça, da Nicole Kidman virando escrava de uma cidadezinha com 20 habitantes, da filha favorita do Ron Howard, Bryce Dallas, interpretanto a mesma personagem da Kidman no filme seguinte mesmo sendo 10 anos mais nova.. Lembraram? Bom, agora vamos lá, é bem simples: imaginem o The Office, com toda a idéia da comédia preservada, jogado no meio do mundo concebido por Trier para as suas películas. Se a idéia soou absurdamente indigesta para você, então faça o favor de passar bem longe das duas ou três salas que exibirão o filme. Agora, se você ficou interessado, se você pensou, "nossa, toda a subversão e nilismo do Trier jogados num ambiente corporativo dinamarquês? Tô nessa!", eu só te digo uma coisa: boa sorte, se divirta, e faça-me um favor, fique bem longe de mim.


Possuídos - Diretor: William Friedkin; Elenco: Ashley Judd, Michael Shannon, Harry Connick Jr.
Filmeco de suspense que, como todos os filmes estrelados pela Ashley Judd, serve de mero pretexto para ela aparecer pelada em cenas tórridas de sexo. Nem a presença do William Friedkin, diretor do Operação França e do Exorcista, consegue livrar a cara. O que não é de se surpreender, Friedkin é um egocêntrico que jogou a carreira no lixo depois do sucesso nos anos 70. Mas o mais inacreditável nesse filme não é o fato de uma infestação de insetos ser o mote do filme. A "história" versa sobre uma mulher solitária que, aterrorizada pelo fato de seu ex-marido bêbado e violento ter saído da prisão, acaba unindo-se com um veterano de guerra num motel abandonado e assombrado, dando começo ao risível ataque dos insetos. O que nisso tudo é realmente inacreditável? É quem eles escolheram para interpretar o bebum e violento marido. Algum dos irmãos Baldwin? Não. O Vin Diesel? Não. O The Rock? Não. O Kevin Bacon? Não. Eles escolheram para o papel o Harry Connick Jr. Sério. O HARRY CONNICK JR. Só faltou ele bater na Ashley de terno e cantando As Time Goes By. Não dá, é sério, são de causar úlcera esses produtores hollywoodianos. Quer saber? O Lars Von Trier tá certo. Ele é um mala, mas tá certo nessa.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Fomos ao cinema ver: Os Simpsons, o filme

Domingo, eu e o Camarada Moderado fomos assistir ao filme do Simpsons, numa gigantesca sala de cinema na avenida mais famosa de São Paulo. E hoje, quinta feira, venho aqui falar do filme. Por que demoramos tanto, quatro dias, pra falar do filme? Não sei. Deve ter sido o frio. Darei aqui, então, o meu veredito sobre a produção, que acho não ser o mesmo do Moderado, que depois poderá vir aqui e dar a sua visão. Sempre mostrei-me cético e pessimista em relação às possibilidades do filme. O raciocínio era lógico e preciso: se as últimas oito temporadas do desenho tinham sido vergonhosas, consenso geral e indiscutível, porque esperar algo diferente de um filme concebido no meio desse panorama desolador? Distante uma década da era de ouro do show? O tempo, meus amigos, é o inexorável senhor da razão. Mas, ao assistir o filme, teria eu confirmado essas previsões tão pessimistas, ou teria me surpreendido positivamente?
Se fosse resumir, diria que, se nós considerássemos o filme como um episódio estendido, poderia-se considerá-lo como o melhor episódio dos últimos tempos. O que na prática não significa muita coisa. O roteiro, escrito por dez roteiristas (pra quê tanta gente, caramba?) num período de um ano, deu abertura para sequências que mostraram um pouco mais dos conflitos dos personagens, aproveitando bem a maior duração de um longa-metragem. Os aspectos técnicos também foram muito bem aproveitados, pela primeira vez pudermos ver a cidade de Springfield num aspecto geral, e os personagens jamais tiveram um visual tão rico quanto aquele do filme. Mas isso já se notava nas últimas temporadas do show, nas quais o visual têm sido o único destaque, então não vejo vantagem nenhuma aqui. Quanto a trama do filme, na qual Springfield é considerada, por uma burrada do Homer, como a cidade mais poluída do mundo e um político de uma associação ambiental convence o presidente americano, Schwarzenneger (rá,rá,rá) a colocar uma redoma de vidro na cidade, isolando-a do mundo e colocando o relacionamento do Homer com a família em xeque, obrigando-o a agir para salvar a cidade da destruição iminente, não achei nada, mas nada mesmo, de relevante. Olha, a Lisa fazendo uma palestra para alertar os perigos do aquecimento global, parodiando o Al Gore. Rá, rá, rá. Pra quê colocar o Schwarzenegger como presidente, se o desenho já têm um personagem que é uma hilária caricatura sua, Rainier Wolfcastle, que garantiu momentos memoráveis no desenho? E o pior, sem tirar uma piada decente disso? Sério, o Schwarzenegger é mera escada para o tal político, que aparece exageradamente no filme, considerando-o um elemento totalmente alienígena dentro da série.
Esperamos o filme todo por uma piada realmente engraçada com o Arnold, mas parece que a piada era mesmo ele ser o presidente americano. Pronto. Rir dele sentado na mesa principal da Casa Branca. O show, como tem sido a tônica na Tv, se concentra na famosa "paródia por paródia", ou seja, coloca os personagens na mesma situação do alvo original, mas sem desenvolver nada, como faziam de maneira genial na era de ouro do desenho. Essa parte é cansativa, o conflito com a cidade é moroso e desvia por demasiado a atenção dos personagens. Tanto que tipos fundamentais do desenho, como Krusty, Burns e Smithers, são reduzidos a meras figurações. Pelo que contei, os três têm direito a apenas uma fala cada um no filme todo. Isso mesmo, uma fala, enquanto o tal político aparece minuto sim, minuto não, sem ter nenhum traço realmente importante ou uma personalidade destacada. Imperdoável.
Os conflitos da família, com Marge e os filhos colocando o Homer na parede pelo seu egoísmo, soam artificiais demais para aqueles que lembram que um dos truques do desenho era tirar observações ferinas da realidade dos personagens. A situação com o Ned Flanders e o Bart já tinha sido explorada num excelente episódio no qual o Homer e Marge perdiam a guarda dos filhos e eles iam morar com os Flanders (na época a mulher do Ned, Maude, ainda era viva. Aliás, até hoje não entendi o propósito da morte dela), e o Bart também questionava o amor de Homer por ele. Repeat it again.
Depois de todas essas porradas, digo que, se a intenção dos produtores era criar para o filme uma trama mais ambiciosa e universalista, que sacrificasse 90% dos personagens para não dar ao espectador a desagradável sensação de estar se assistindo a um episódio estendido, eles mais uma vez estariam sendo hipócritas ao não assumir que um filme é totalmente desnecessário e que o objetivo é ganhar dinheiro mesmo, ao invés de melhorar a qualidade do desenho e tirá-lo do abismo que eles mesmo colocaram nos últimos tempos. Junto-me ao coro daqueles que dizem que o ponto da virada que o desenho deu rumo ao caminho da ganância e da mediocridade deu-se em 1998, quando Groening saiu para fazer o Futurama e que, principalmente, o roteirista Conan O'Brien saiu do show, e o produtor executivo que assumiu disse numa entrevista da época que nunca tinha assistido os Simpsons. Tiro no pé proposital, já que dizem as más línguas que o tonto foi colocado pelo Rupert Murdoch para levar o desenho para caminhos mais conservadores e benignos. O resultado está aí: um filme caro, visualmente deslumbrante, cheio de ação (sempre um péssimo sinal), mas que, para os verdadeiros fãs, jamais passa perto de reproduzir a magia da era dourada do desenho. Agora, é torcer para que a primeira fala de Meg na história do show, dita nos créditos do filme, não se concretize: "Sequência".

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Madonna

Garota material que vive, olhem só, vejam vocês, num mundo material.
"Britney, juram eles que um dia fui como ti. Era a falsa virgem, não como tu, que és a verdadeira Madonna dos pecados".

Um pouco sobre a música brasileira - Parte 1

Quando eu afirmei que as bases da música mundial popular devem muito para o eixo Inglaterra-Eua-Jamaica-Cuba-Brasil, não falei levianamente e não inclui meu país porque sou um nacionalista maluco, apenas, talvez, um maluco sem indícios de nacionalismo. Mas antes de mergulhar a fundo na música intercambiável, ficariam surpresos do troca-troca entre esses países, também achava que o Brasil não deveria ser incluído nessa escola de influências , então resolvi pesquisar, aí comecei a mudar de idéia.

Primeiro passsemos para os meados da década de 50 e a década de 60, eu poderia falar dos figurões da bossa nova e da tropicália, mas ficaria no mesmo discurso de todos os nacionalistas malucos, não, as bases interessantes e mais desconhecidas vem de Eumir Deodato, Airto Moreira, Hermeto Pascoal, João Donato, Moacir Santos e Jorge Ben.

Eumir Deodato começou sua experiência na bossa é verdade, com Tom Jobim e cia, já em 67 migrou para os Eua e estorou sua carreira de sucesso ao fazer os arranjos da música tema de 2001, de Stanley Kubrick(pasmem!) e mais conhecido no meio musical com produção e arranjos musicais para Frank Sinatra e Robert Flack, Cool and Gang e ,mais recentemente, para Bjork. Um bom disco para começar a interagir com este gênio seria Deodato 2 (1973).

Não consigo medir palavras quando falo do bruxo Hermeto Pascoal, complicado encontrar as palavras que garantam a influência e sua genialidade por completo, todavia tentarei um pequena abordagem do bruxo albino: é considerado por boa parte dos músicos como um dos maiores gênios em atividade na música mundial. Polistrumentista, é famoso por sua capacidade de extrair música boa de qualquer coisa, desde chaleiras e brinquedos de plástico até a fala das pessoas. Seu início de carreira começa, na verdade sua primeira participação em gravações é no álbum Pernambuco no Pandeiro e Seu Regional(1958), depois de várias viagens com essa banda Hermeto atinge a fama, como também a maturidade intelectual, com o Quarteto Novo, álbum de mesmo nome lançado no ano de 1967. Grupo instrumental formado em 1966, ainda como Trio Novo, por Theo de Barros (contrabaixo e violão), Heraldo do Monte (viola e guitarra) e Airto Moreira (bateria), para acompanhar Geraldo Vandré em apresentações e gravações. Mais tarde, passou a atuar como Quarteto Novo a partir da incorporação de Hermeto Pascoal (piano e flauta) à formação original. O grupo seguiu carreira, acompanhando Geraldo Vandré em programas da TV Record (SP) e da TV Bandeirantes (SP). O grupo se dissolveu em 69. Hermeto continuou suas experiências durantes as décadas tocando com muitas pessoas aí incluindo, nada menos, que o gênio Miles Davis. Juntos, lançaram um cd chamado Live-Evil(1970) , cujo álbum tem duas faixas compostas por Hermeto( Little Church e Nem Um, Talvez).

Chegamos em Donato, filho de um major da aeronáutica, João Donato de Oliveira Neto, nasceu no Acre em 1934. Seu círculo de amizade era composto por músicos que se reuniam nos bares cariocas para tocar violão e, claro, falar de música. Nos anos 50, freqüentou o Sinatra-Farney Fan Clube, na Tijuca, zona norte carioca, que durou apenas 17 meses, considerado por muitos estudiosos como uma escola para toda a geração que mais tarde criaria a Bossa Nova( falei que não ia falar , mas não deu, hehe). Era amigo dos bossas-novistas mas sempre visto como o excêntico que tocava para si e não para os contra baixistas e bateristas que tentavam lhe acompanhar ao acordeão, piano ou trombone. Na mesma década vai para o Eua e faz seu maior êxito: reincorporar a musicalidade afro-cubana ao jazz. Depois grava Bad Donato(1970) qual incorpora também o que estavam fazendo de mais novo na música brasileira aos ritmos caribenhos e ao jazz.

Após todos acima, temos Moacir Santos, pelos mais velhos, conhecido pelo seus choros no final dos anos 40, é ainda mais conhecido pelo álbum chamado Coisas (1965): são dez composições que ganharam o nome de “Coisa” (numeradas de 1 a 10, sem obedecer a ordem das faixas) e o álbum expandiu definitivamente o horizonte da música brasileira. Tal som levou a bossa além dos limites esperados: arranjos de metais misturam uma vocação erudita com um acento afro trazido pelas batidas. As composições derramam sofisticação melódica e harmônica e convidam ouvidos quaisquer para a apreciação de suas notas. Quando descreve-se uma música assim já pensa como deve ser difícil de digerir, pelo contrário, ele executa uma música difícil e ,ao mesmo tempo, com forte apelo popular, completamente digerível. Se o álbum delimitasse e se fecgacesse em si mesmo, já seria obrigatório tomar nota, mas não, ele influenciou o Afrosambas(1966), de Baden e Vinicius. É sabido que Afrosambas influenciou toda bossa e toda música brasileira da época.

O último ,e não menos importante, é Jorge Bem(que o camarada fundamentalista defendeu tão bem). Difícil escolher algo que não seja bom dele, tudo começa no seu primeiro disco( Samba Esquema Novo de 1963), onde inagurou aquela batida diferente de tudo que as pessoas conheciam até então, onde vai findar na sua grande obra mística: Tábua de Esmeraldas, 1974. A fórmula para esse empreitada genial foi a capacidade despretensiosas das letras aliadas a uma intuição rítmica soberba que faz ser, na minha opinião, o melhor Jorge Ben.

Depois de dar uma apanhado geral que tal puxar um desse álbuns e ver se concorda comigo? Se não, pode me chamar de nacionalista, mas não se esqueça que antes eu sou maluco, eu sou maluco.