terça-feira, 25 de setembro de 2007

è o fim do caminho, to ouvindo demais isso, perae deixa eu dar uma mijada

Estou ouvindo, nos últimos cinco anos, que algum ramo morreu: já me falaram que a arte morreu, por isso Duchamp começou, no final da sua vida, a jogar xadrez compulsivamente, pois acreditava que a única arte verdadeira era o xadrez, a única que não fora maculada, digo fora já que os puristas estetas seguidores dele acham que o xadrez faleceu quando Kasparov perdeu do Deep Blue. Uma vez fui numa palestra chamada “a poesia morreu, mas não fui eu que matei”, os palestrantes eram todo auto-demoninados poetas; nunca vi propaganda mais enganosa. Ora, se a poesia está morta, pq diabos tem poetas lá na frente, deveria ter um crítico de poesia, um estudioso da área, quem sabe um editor e, talvez, dois ou três poetas defendendo o contrário, a réplica presente para criar uma boa discussão. Mas justamente aqueles, aqueles que negavam a premissa da discussão logo de cara e estavam em peso. Parecia um sarau, os poetas declamavam uma poesia deles e depois aquela babação e inflação de ego; pessoas comuns passavam rapidamente, algumas enfurecidas foram embora, outras nem entravam na sala. Aí percebi que realmente a poesia, pelo menos aquela coisa que concebiam como tal, para o povo em geral estava morta, enterrada e bem enterrada.

Outras execuções foram anunciadas: a da força estudantil, a do socialismo, a da religião, sobretudo. Como pode dizer que os estudantes não tem força? Que agora são passivos? Basta pensar, as coisas mudam, hoje os centros acadêmicos estão desarticulados e existe outras áreas de grande interesse para os jovens, não tem mais uma ditadura ou repressão clara: não existe um inimigo comum, é isso. Como também é válido para todas as áreas nas quais devemos concentrar as forças. As escolhas, a vida, tudo fragmentou-se e os inimigos comuns seguiram o exemplo, seguiram e aprenderam muito bem; tanto que hoje dão escola. Deixo aqui sem comentar sobre religião e política, pois são religião e política.

Voltando para o extermínio, é fácil perceber o quão longe estamos de tudo e ao mesmo tempo perto; é caro leitor, são momentos de esquizofrenia, nada daquele demodê dos anos 80: o caminho é o abismo, besteira! Estamos perdidos com a velocidade das coisas, os futuristas ficariam loucos com a atualidade, ainda bem que a maioria já morreu. Essa velocidade virtual vem acompanhada junto de uma letargia urbana. Você pode muito bem comprar coisas pela internet, se comunicar com alguêm na China e ver um filme que nem entrou em cartaz e tudo isso ao mesmo tempo e sem sair de casa, mas existem letargias: trânsito, caos urbano, poluição, terrorismo em todo lugar, violência e todas as mazelas cotidianas que atrasam nossa vida. Os meios materias não acompanharam os meios imaterias; aconteceu os Jetsons, só que ao contrário do desenho: não temos robôs, carros flutuantes ou cachorros que falam, contudo os computadores, a biotecnologia, a comunicação que diferença... daí dessa incongruência contribuir para um certo pessimismo, ainda que tenhamos as esteiras automáticas nos aeroportos, mas só nos aeroportos e em alguns lugares chiques.

Se mudou e tudo mudou mesmo, como o chamado pós-modernismo em que vivemos é o mesmo do final da década de 70? Pois toda aquela base de estudo do homem e da sociedade- vulgo comunicação, filosofia e ciências sociais- é a base ainda para os estudos atuais. Acho que toda aquela base findou junto com a década de 80, posteriormente mais breve, com a queda do muro e da Urss( falei que não ia falar, mas...). Ou seja, precisamos de outros parâmetros, os quais ainda não foram cristalizados. Contudo podemos se otimistas, pois se o anos 80 acabaram bem, sem a morte conceitual de nada(apenas do bom gosto), pq justamente agora querem nos fazer acreditar que as coisas estão morrendo e tudo terá um fim trágico?

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Joss Stone
Cantora inglesa, que com apenas 20 anos de idade já tem 3 discos lançados. É uma versão refinada e turbinada das jurássicas (exagerei?) starletes americanas Britney Spears e Cristina Aguilera, já que canta cem mil vezes melhor que as duas e também tem mais bom gosto na hora de selecionar o seu repertório, enveredando mais pelo bom caminho da soul music, ao invés de apostar no velho pop pasteurizado que marcou a carreira de tantas cantoras nos últimos tempos. Tinha 16 anos quando seu primeiro disco, The Soul Sessions, foi lançado. Um prodígio, sem dúvida. Se comparada com as suas pares britânicas, Lilly Allen e Amy Winehouse, Joss tem se mostrado quase uma freira franciscana. Enquanto as outras duas afundam-se em mares de indulgência, drogas e excessos, faltando em shows a lá Tim Maia e dando vexames seguidos, Stone encontrou sua polêmica mais forte quando surgiram rumores sobre um caso dela com o produtor de seu último disco lançado nesse ano, Introducing Joss Stone. Como o cidadão era bem mais velho, tentaram fazer fogo em cima do assunto. Mas nada que tirasse o sono de ninguém. Quer dizer, depois de terem achado até vídeo da Meg White fazendo coisas feias, eu não duvido de mais nada... Olha lá, hein, Joss Stone!

domingo, 23 de setembro de 2007

Manual Prático do indie pinguim - Parte 4: Uma introdução a arte sequencial

Depois de três partes ricas, três atos que fariam qualquer dramaturgo sentir uma ponta de inveja. Voltei, sobretudo pelo apelo popular a esse guia de sobrevivência da contemporaniedade. Essa parte é um leve respiro, pois falarei de um tema esquecido pelas massas: os quadrinhos, mas nunca esquecido pelo adorados indie.

Essa seção foi pensada para vc, camarada x, que tem intenções de começar a adentrar no mundo dos quadrinhos. Pode até ser para más intenções, deixando claro, impressionar mulher nunca é mal intenção, se bem que poucas mulheres ficam impressionadas com alguém que goste e manje de gibis, se conhece tal garota, me apresente, pelo menos para eu tirar um foto e mostrar para os amigos, a foto tem que ser com uma edição do batman.

Agora, abaixo temos cinco gibis imprecindíveis para o começo da aventura( me senti a caixinha do Todynho agora)

1) Cavaleiro das Trevas - DC Comics - Frank Miller
Não existe personagem mais interessante, no mundo do super-heróis, do que o homem morcego. É um dos poucos heróis cuja galeria de vilões é bem respeitável, cada um destes apresentando uma variação de alguma psicopatologia e poucos têm superpoderes, criando um contraste interessante com o protagonista e sua obssessão pela justiça.

Frank Miller resolveu brincar com a mitologia do personagem: a trama se passa num futuro onde os Eua é um país totalitário onde as ações do assim chamados heróis não são benquistas pelo governo, com exceção do Superman cuja ações são coordenadas pelo proprio governo, não passando de uma marionete do estado.

Neste universo Batmam sofre as mazelas do tempo: ele está velho; enfraquecendo e perdendo a maioria das suas habilidades físicas , contando ainda mais com suas astúcia e engenhosidade e ,sobretudo com seu espírito inabalável, no final das contas, ele acaba sendo um personagem em busca de redenção, terreno que Frank Miller trabalha muito bem. Não por acaso, esta é uma das melhores histórias em quadrinhos de todos os tempos. A Panini relançou um encadernado de ótima qualidade que contem toda saga, incluindo a tão criticada continuação, mas mesmo assim vale o investimento.


2)Watchman - DC Comics -Alan Moore/Dave Gibbons
No mesmo período do lançamento do cavaleiro das trevas Moore e Gibbons recriaram um universo todo. Os dois quadrinistas deram fõlego para os quadrinhos e tiraram um pouco da mácula da década de 80.

Imaginem a seguinte coisa: os Eua proibiu todo o tipo de heroísmo, com exceção dos heróis autorizados pelo governo e alguns clandestinos que não desistiram dos seus ideais. Nesse status quo, um dos grandes heróis é assasinado , como uma reação em cadeia a investigação e a descoberta pelo responsável provoca coisas sem precedentes, por fim seu expetacular desfecho. Sobre esse prisma alguns estudiosos chegaram a afirmar que a obra tenta explicar, por vias indiretas, a teoria do caos. Ponto de vista interessante depois de algumas releituras.

Watchman foi relançado várias vezes, a ultima foi feita pela Brainstore.


3) Akira - Katsuhiro Otomo
Para contemplar nossa tríade de hqs bem influenciadas por 1984, temos Akira. Num mundo apocalíptico dominado por gangues e empresas sem escrúopulos, daí surge uma trama sobre pessoas com poderes mentais que findará num tema clássico: A rivalidade entre dois amigos e seu trágico desfecho

Além do enrendo bem elaborado, a arte de Otomo é fantástica, influenciou toda geração posterios e mais, solidificou o Japão como produtor de quadrinhos e desenhos animados.


4) O sistema - DC Comics - Peter Kuper
Se pensarmos desde quando as histórias em quadrinhos existem, poderemos considerar que elas existem há muito tempo: desde o tempo das cavernas, onde eram usadas para registros como também para contar histórias através de imagens

Ora, se os quadrinhos começaram sem nenhum balão para fala ou recordatório, era de se esperar que ainda hoje existissem gibis que partilham dessa premissa: narrativa e imagens, apenas.

O Sistema ilustra o cotidiano de uma metrópole que poderia ser qualquer cidade grande ocidental. Nas quase 100 páginas não encotramos nenhuma fala de personagens ou qualquer muleta verbal ou de escrita além das próprias imagens cujo encadeamento é soberbo: passando de personagem a personagem, indo e voltando, como nenhum cinema, teatro, animação ou livro foi capaz de transmitir. Como se todas aquelas pessoas executassem uma música que ora é harmônica e ora é desarmônica com a cidade que habitam

Pode-se dizer que Peter Kuper conseguiu captar a conteporaniedade das cidades utilizando de um recurso que existe desde a pré-história.

5)Contrato com Deus e outras histórias de cortiço - Will Eisner
Cotidiano tratado belamente atrelado a um experimentalismo visual: seria um bom resumo dessa graphic novel. Nenhum superpoder, nada de intrigas internacionais ou monstros intergaláticos para combater. Sim, existem demônios, mas eles são internos, pessoais, no encaram de frente dia a dia, antes do trabalho. A principal história fala de um homem que sempre foi um bom homem, mas que perdeu a fé quando sua querida filha morre. O cotidiano é o mote desse trabalho tão bem executado por aquele que hoje é chamado de "o" mestre dos quadrinhos.

Contrato com Deus foi relançado recentemente pela Devir numa edição de boa qualidade.


sexta-feira, 21 de setembro de 2007

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

TOP 5- Piores Comunidades do Orkut

Nada pode ser pior do que uma comunidade tosca no Orkut. Presenteio vocês com as cinco piores, as mais nocivas, nauseantes e degradantes. Nas palavras de Conrad: "o horror, o horror...".

5-Lindomar: o Sub-Zero brasileiro (Número de Membros: 240.000)
Oba, que legal! Rolou uma treta grupal, e o Lindomar chegou na voadora? WHO CARES? Dane-se o Lindomar e todos os imbecis que participam dessa porcaria. E mais respeito com o Sub-Zero, pô! Qualquer mané agora sendo comparado com ele? Não é assim não! O único que encarava o Raiden de igual pra igual.



4-Te incomodo? Que peeeeeeenaaaaaaa!!!!! (Membros: Dois milhões e meio)
É aquilo que chamo de "comunidade atenuante". Explicando: eu posso ser um(a) completo(a) idiota, agir que nem um(a) completo(a) idiota, ser um(a) histérico(a) filho(a) de uma mãe, agir sempre de acordo com os meus interessantes, pisando em quem quer que seja que passe no meu caminho, e ainda sim estarei certo. Por que? Por que eu estou na comunidade "Te incomodo? Que peeeeeeeennnaaaaaaaaa!!!!!". Eu posso tudo! E o resto do mundo que se dane. Invejosos! "Pessoas... elas são as piores" (Jerry Seinfeld).


3-Seu Madruga, um X-men? (Membros: 140.000)
Eu odeio Chaves. Eu não suporto o Chaves. Eu odeio o Chapolin. Eu odeio o Bolanos. Eu odeio a Chiquinha, o Quico e o escambau. Mas até aí, tudo bem. O que me mata é um bando de marmanjo barbado criando e discutindo um tema tão estúpido numa comunidade. O Seu Madruga é um X-Men. Quanta criatividade. Os "argumentos" usados para a engraçadíssima (há, há, há) hipótese são, de acordo com a descrição da comunidade: "Ele fica 14 meses sem pagar o aluguel", "Ele sempre enrola o Seu Barriga", "Ele já foi campeão de boxe". Sério. Nessas horas que eu vejo que o Comunismo é uma boa idéia: botar toda essa cambada quebrando tijolo ao invés de perder o tempo com bobagens. Há, mas o Chaves é uma metáfora social inteligente, né? Se vocês dizem, eu acredito...

2-Eu detesto a Segunda-Feira (Membros: 750.000)
Não? JURA? Você detesta a Segunda-Feira? Achei que era só eu, bom saber! Mas infelizmente, tenho uma má notícia pra você: eu não poderei entrar nessa comuna. O meu mapa astral diz que o dia mais favorável pra mim é a Segunda, então, sabe como é, né? Pena. Mas eu reconheço a total validade e importância dessa comuna. O mundo precisa realmente saber quais são as pessoas que não gostam da Segunda Feira. Serão elas que liderarão o mundo na era pós-aquecimento global, com certeza. Aqueles workaholics que odeiam os finais de semana! Danem-se eles!


1- Sou legal, não estou te dando mole (Membros: um milhão e meio)
A campeã absoluta da cretinagem. Deixem-me descrever o tipinho das meninas que infestam essa triste comunidade: são garotas que gostam de estar sempre rodeadas por capachos bajulando e inflando os seus egos, adoram atiçar esses pobres seres, dando abertura para essas patéticas criaturas se declararem, e eles, esperando uma confirmação que parecia certa, mordem a isca, para então somente elas poderem ter a oportunidade de dizer um colossal não e se divertirem com a miséria do pobre coitado. Depois, considerando o quanto as mulheres dão atenção para as chamadas convenções da sociedade, e considerando também o horror que elas têm de serem chamadas de, usando uma linguagem perjoravita, "galinhas", elas acabam entrando nessa comunidade, para tirarem a culpa dos seus atos das costas, culpando aqueles seres mal intencionados que não souberam interpretar uma simples demonstração de amizade e companheirismo. Enquanto houverem seres patrocinando esse comportamento absurdo, essa comunidade existirá, firme e forte. Aí, vocês perguntam: "mas Progressista, e os homens que participam dessa comunidade? Não tem só mulher não!". Bom, para os rapazes que participam dessa comuna, eu tenho um número apenas: 3069-6707. Esse é o telefone do Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. O horário de atendimento é das 8:30 até as 16:00. Quando a atendente perguntar sobre alguma preferência em relação ao campo de atuação do psiquiatra, diga apenas isso: "eu gostaria de lidar com um profissional que trate da parte de super-dimensionamento do ego". Pronto, logo você estará muitíssimo bem encaminhado. Boa sorte.

Política para quem precisa

Ah, não! Poupe-nos dos seus inquietantes ataques de modéstia, Fundamentalista. É senso comum que os seus textos políticos são pérolas de situacionismo, e suas observações ferinas e aguçadas são festejadas por estudantes de Comunicação Social, não sem justiça. Não é a toa que colocaram em você a alcunha de "Voltaire das Mercês". É o novo Candido, chutando o rabo do Pangloss e ficando entediado com as suas Cunegundes.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Camarada Fundamentalista penitente

Pior do que blog sobre política, é este blog falando sobre política. E pior do que este blog falando sobre política, sou eu falando neste blog sobre política.
O importante é que eu me arrependi, e eu sei que o perdão existe, mesmo que não venha de você.
***
PS: essa recusa da obra da juventude exclui, por favor, meu apoio à candidatura de Steve Buscemi, que aí não se trata de política, mas de fé. Fé humanista, uma coisa tosca, admito; mas, ainda assim, fé.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Monica Veloso

Amante do ilustríssimo Senador da República, Renan Calheiros. Com a absolvição de Renan, inocentado da acusação de quebra de decoro parlamentar na semana pessada pelos seus companheiros de senado (com letra minúscula mesmo), Monica poderá continuar tendo a escola da sua filhinha paga com o nosso dinheiro. Isso não é lindo? Lúdico, diria eu. Essa é a minha sincera homenagem aos nossos senadores, bastiões da moral e incorruptíveis guardiões da sociedade. Lembrem-se sempre, antes de criticarem os nossos adorados políticos: VOCÊS colocaram eles lá. Que eu saiba, ninguém foi obrigado a votar no senhor Calheiros, ou nos deputados Mauf e Fernando Collor (sim, para os esquecidos, os dois são Deputados Federais eleitos) com uma arma na cabeça. Vocês merecem tudo isso. Chorei de dar risada com a saída Chapliniana do Renan depois da votação. É tanta cara-de-pau, que eu nem sei porque ele não disse de uma vez que tinha aprontado, mas que iria ser absolvido mesmo assim. Nem precisaria ter fingido ser inocente, seu Calheiros! No mais, mais uma vez reintero minhas sinceras gratulações aos nossos senadores e políticos. O pior do Brasil é o brasileiro. E viva a república das bananas.



Obs: irei apanhar do Fundamentalista, que odeia que falemos de política nesse blog. Adendo feito, bom dia para todos.

domingo, 16 de setembro de 2007

Me fala de amor!

"Esquece a política e me fala de amor." Então, tá. Amor é mesmo um assunto bem melhor que política. Se Shakespeare não tivesse falado de amor, o que ele disse de política nem interessaria. De fato, nunca interessou. Embora sempre haja chatos pra dissertarem sobre o "Shakespeare político" e embolsarem títulos junto à Academia, que esta descanse em paz. Porque Shakespeare era um cara esperto, talvez o artista mais esperto do mundo, e eu nem sabia que talento artístico e esperteza andavam juntos. Pra mim, ou se era artista e otário, ou pós-moderno (tsc, tsc, tsc) e esperto. Mas a gente tá aqui, nessa vida, é pra aprender coisa nova até chegar a nossa hora (credo...), né?
Shakespeare ia na onda, pra cair nas graças de quem precisasse cair. E fez o que fez, sendo o preferido dos figurões e agradando às massas. Tipo eu, Shakespeare era igualzinho a mim. Eu, que sou a parte "chata e inteligente" desse blog, assombrando os filisteus e suas namoradinhas com a carranca da alta cultura, à parte os esgares de concessões a Nelly Furtado e college bands. Não acham que com Shakespeare era a mesma coisa? Quando aqueles rapazinhos vinham fazer testes pra sua companhia teatral, não supunham que o seu Shakespeare ia botar eles pra correr citando Plínio, o Velho, com a King James em riste? Que nem eu e vocês.

Mas olha, gente, é bom parar com isso, que eu sou do povão. Não vou falar que sou filisteu, porque gosto de Persona, do Bergman, e o Paulo Coelho não; e uma coisa que a gente aprende nesse caminho acidentado que é o de se garantir uma formação intelectual e artística é que se a gente está divergindo do Paulo Coelho (e por que não dizer também de quem gosta de Drummond irrestritamente...), não tem como não estar andando certo. E olha que numa entrevista, há muito tempo, ele disse que gostava de Dom Quixote. Mas se eu gosto de My hero, do Foo Fighters, o Paulo Coelho também pode gostar de Cervantes, não pode? Apesar de que quando fotografaram a Glória Maria e ele no aeroporto, o bruxo tinha, junto com São Cipriano for dummies, um livro fininho que um aluno de Engenharia amigo meu disse que era Dom Quixote para as crianças, do Monteiro Lobato. Esse meu amigo reconheceu a capa na hora, pois foi o único livro que ele leu inteiro e gostou mesmo. "Que nem o Alckmin", eu falei pra ele. "É", me respondeu, sacudindo a cabeça, bem entusiasmado.

(O Paulo Coelho e a Glória Maria estavam esperando o avião deles pra um lugar do Extremo Oriente onde gravaram o treinamento da Uma Thurman com o Gordon Liu em Kill Bill: Volume 2. Esperaram muito por causa da crise aérea... ai, eu disse que não ia falar de política, caramba! Já chega a piada do Alckmin, que eu nem ia colocar se o engenheiro tivesse sacado.)

Mas foi pra falar de amor que eu postei. E Amor, pra mim, é liberar total o meu jeitinho filisteu de ser, que eu também tenho. Por isso, costumo confundir estar apaixonado com aquilo que eu sinto ouvindo essas bandinhas indie (lá-lá-lá-lá...) que eu tenho aqui, no meu MP3 player, sem ninguém no busão que vai pra facul lotado de fã de Chico Buarque ficar sabendo. Uma definição musical do amor, pois, em tópicos:

1) é como uma banda indie;

2) tem vocal de uma menininha bonita que andava com os esquisitões na época do colégio e, daí, formou uma banda com eles, porque ela era cheia de atitude;

3) as canções são sempre melodiosas, TÊM refrão, e as letras falam de losers encontrando o amor, perdendo o amor, tentando compreender o amor, sendo enganados no amor e - meu Deus, até onde vai a imaginação dessa rapaziada! - enganando no amor, losers enganando no amor.
B-servação: falar do Paulo Coelho é que nem bater em cachorro morto; e nem estou falando da obra do Paulo Coelho, que aí é palhaçada mesmo. Se eu falo dele, da pessoa dele, do mago que ele é, é porque ele foi encrencar com o Bergman, e depois deste morto, e pra mim Bergman é que nem o Corinthians pros corintianos.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A MTV e o VMB: uma exibição de atrocidades


Quando a alta cúpula da MTV anunciou, no começo do ano, que o canal iria diminuir drasticamente o espaço dado para os videoclipes na programação, acabando inclusive com o programa Disk MTV, que estava no ar na emissora desde o primeiro dia de exibição, em 1990, criou-se uma comoção estridente entre o público da emissora. O chororô foi geral, mas o canal se manteve irredutível. A justificativa dada, colocando a culpa na internet pela pouca audiência conseguida pelos programas de clipes, foi o motor que manteve essa convicção do canal em pé, apesar dos protestos. Mas quando foi dada essa notícia, apenas uma constatação veio na minha mente. O VMB, Video Music Brasil, que desde a sua criação, em 1995, tornou-se disparado a maior audiência e maior fonte de faturamento do canal. Pois bem. Todas as categorias da premiação tratavam de clipes. Das categorias técnicas até o prêmio mais importante, a escolha da audiência, tudo girava em torno deles. Então, se a MTV anunciava a virtual eliminação dos mesmos da sua programação, , automaticamente também anunciava a extinção da premiação também, já que não existe o menor sentido em premiar clipes numa emissora que dedica uma exígua faixa na sua programação para eles, e que nem programas de paradas têm mais, sendo que o Disk e o Top 20 Brasil (também extinto) eram os maiores termômetros para a premiação. Esse seria o raciocínio lógico. Mas para os padrões da MTV atual, nada precisa ser necessariamente o que parece ser.

PARTE UM: MORTE NATURAL

O canal hoje é um cadáver, alimentando-se de programas horrendos da matriz norte-americana, que correspondem a mais da metade da programação, e produções da própria MTV Brasil que deixam a desejar em todos os níveis de produção e conteúdo que se possa imaginar. A detestável Daniela Ciccarelli, que tem 3 programas na casa, entre eles o abjecto Beija Sapo, é o rosto atual do canal, algo que é absolutamente compreensível, já que ela atende a todas as exigências do público alvo da emissora. O merchandising invasivo e excessivo nos programas é nauseante, é impossível não ligar em qualquer programa do canal e não ser bombardeado com ofertas de torpedos de celulares, refrigerantes, sandálias, cartões de créditos, todo tipo de bobagem que já seria difícil de aturar nos comerciais, também agora bem no meio dos já péssimos programas. Parece aqueles vespertinos de fofocas das Gazetas e Rede TVs da vida, mas com o verniz "cool" e "descolado" da MTV por trás, como que se fosse um selo de qualidade para os adolescentes babões, que só consomem aquilo que lhes induzem. Ao lado da Cicarelli, os outros Vjs não ajudam muito não, com os veteraníssimos Cazé e Marina Person constrangedoramente deslocados, Marcos Mion inócuo como sempre a novata Luísa Michelletti e o "causa perdida" Léo Madeira dando um show de desinformação no péssimo Jornal da MTV, que deveria ser o centro de influência da emissora, mas é somente motivo de escárnio para os verdadeiros fãs de música. Vendo todo esse panorama desolador, é impossível não se lembrar de tempos melhores na emissora, quando para ser Vj era necessário saber exatamente tudo aquilo que estava se falando, e que as apostas da emissora e os programas eram capazes de trazer novidades e discussões realmente relevantes e inquietantes. Tempos de apresentadores como o Gastão Moreira, Fábio Massari, Zeca Camargo e até, pasmem, Thunderbird. A faixa de programas americanos era preenchida com o sensacional desenho Beavis and Butthead, a Liquid Television, o Aeon Flux, entre outros. Nada dos lixos de agora. Tempos nos quais o Lado B, mítico programa de clipes alternativos, tinha uma hora de duração. Que o Gás Total, excelente programa de clipes que passava nas tardes apresentado pelo Gastão, tinha duas horas e meia somente com os Nirvanas e Smashing Pumpkins da vida. Hoje, lambemos os ossos jogados pela cínica e estúpida direção do canal, incapaz de ler corretamente os avisos e oportunidades no meio da maior crise da indústria musical.

PARTE DOIS: MORTE CONSCIENTE

Eu não achava que eles teriam coragem de seguir em frente com isso. Seguindo a fundo no meu pensamento, achava que eles tinha matado a sua galinha dos ovos de ouro. Era o fim do VMB. Mas houve muito de ingenuidade nesse raciocínio. É lógico que a MTV não iria abrir mão do único programa na emissora capaz de gerar repercussão e dinheiro no meio de toda essa crise. Apenas teriam de mudar a roupagem, para absorver a estrutura da programação nova do canal. Ou seja, criar meios de não ter de depender dos clipes para realizar a premiação. Eles conseguiram, lógico. Aboliram todas as premiações por seguimento. Esqueçam categorias como melhor clipe de rock, de pop, de axé, de samba, de rumba, de polka, de mambo, de guarânia e o escambau. Primeiro passo. O segundo, mais forte e impactante: todos os prêmios não mais terão os clipes como alvo, e sim as músicas e os artistas isoladamente. O famoso "molde Grammy"da coisa. Artista do ano, Hit do ano, Show do ano, nada disso tendo a ver com os clipes. Terceiro passo: tchau, categorias técnicas. Nada mais de melhor fotografia, melhor diretor e adjacentes. Essas três decisões diminuíram consideravelmente o número de categorias e, mais profundamente, significaram a total renúncia feita pela MTV à mídia que era o carro chefe do canal e a sua própria razão de existência e moeda de influência: os clipes. Querem que nós compremos que o M da sigla seja referente somente a música em si, e não para a representação em vídeo da mesma, ignorando a cartilha pela qual a emissora rezou nos últimos 17 anos. Truque antigo, velho, como ensinar para um cachorro matreiro a abanar o rabo. Cabe a nós, que admitimos, sim, que a velha MTV fez brotar nos nosso corações (eu sou brega mesmo, jão) o amor pelo rock e pela cultura pop, não comprar essa palhaçada e torcer para que o inevitável fim, que atingirá também a MTV americana, que vive os mesmos problemas da nossa, venha o mais rápido e indolorosamente possível. Se temos o You Tube e a internet toda para, pelas nossas mãos, saciar as mesmas necessidades de consumo e opinião que antes deixávamos preguiçosamente a cargo da nossa querida Eme Tê Vê, por que então temos de lamentar? Foi bom enquanto durou, mas que possamos então apertar o botão que proporcione o fim dessa injustificável agonia. A não ser, lógico, para os masoquistas que adoram ver programas com nomes de mega corporações de refrigerantes promovendo encontros entre o CPM-22 (argh!) e o Babado Novo (urgh!). Mas quem nasce com vocação pra lata de lixo...