Odeio todos os graduandos, sobretudo os de Letras. E, dentre os de Letras, sobretudo aqueles cuja maior ambição acadêmica (num sentido lato) é se tornarem professores de inglês. E sem exceções, até se for mulher, e bonita, porque o meu ódio contra a mediocridade humana é a coisa mais imparcial que eu conheço no mundo todo. E nisso, até pareço um cruzado, degolando os malditos sarracenos. E não que eu não seja medíocre, pois o sou freqüentemente: acho que até por isso mesmo eu fico com mais raiva ainda e desconto nos medíocres-sem-culpa.
Mas o que me mata é alguém ter a oportunidade de se tornar, de alguma forma, melhor e mais relevante para a droga desse mundo e simplesmente se fechar, achando tudo muito chato, difícil ou estranho. As três palavras mais usadas por gente medíocre, prisioneiros da convencionalidade que são. (“Difícil” pode ser substituído por “complicado”; e “estranho”, por “esquisito”.)
Mas, então, vocês, muito conciliadores e brandos, podem me perguntar: “Mas camarada, pode você por acaso legislar sobre o que é melhor ou pior e, daí, considerar alguém medíocre ou não?” Em outras palavras: quem tu pensa que é? Ora, respondendo no mesmo tom que vim adotando desde o início deste texto, diria: “será que o nome Camarada FUNDAMENTALISTA não diz nada? Se não diz, no máximo, posso pedir, e muito gentilmente, que afastem de mim esse papinho relativista de vocês”.
Mas eu amo vocês. Vocês nos adicionaram aos favoritos, e por isso eu amo vocês. Vocês vão clicar naqueles links do Google Adsense que a gente colocou logo aí em cima mostrando que, afinal de contas, a gente também quer faturar um pouquinho que seja com essa história toda, e por isso eu amo vocês. Sim, e por tudo isso, a minha resposta tem de ser melhor e mais educada que aquela. Vamos a ela, pois.
Na verdade, só tenho uma coisa a dizer: gente medíocre também incomoda vocês, eu sei que sim. Esse pessoal pra quem não se pode dizer nada que escape ao vocabulário e universo de idéias da novela das oito, sem escutar, acompanhado de uma careta: “Ãh, como assim? Não entendi”. Nessas horas, o que vocês fazem? Vocês não saem andando, não viram e dizem “ah, fala com a minha mão”? Pois se não fazem, deveriam. Chega de paz e amor.
E, por favor, não se trata de rejeitar o fácil pura e simplesmente, e de viver em função de tudo quanto seja hábito e expressão de exceção, deixando de usar a sua bota-plataforma só porque todo o mundo tá usando, mesmo você tendo começado a usá-las muito antes de virar moda. Não é nada disso. Não torçam as minhas palavras. A questão é outra: a questão é a seguinte: se um dia o horóscopo falhar e você ficar sem saber o que fazer, a quem você vai recorrer? A alguém que vai morrer sem ter lido, no grego, Parmênides conceituar o Ser e o não-Ser? Ah, pois eu não creio nisso de jeito nenhum, menina.














