sábado, 29 de setembro de 2007

Fenomenologia do Sex and the city

Finalmente, ficou claro pra mim quem nós somos, o que é o Fomos ao Cinema, entre os blogues brasileiros. Nós, Camarada Moderado, Camarada Progressista e Camarada Fundamentalista, somos o Saia Justa dos blogues. Piadas sem graça e pautas - muitas vezes interessantes - tratadas de maneira infame e fútil, mas sempre, sempre com um verniz cabeça e, ao mesmo tempo, descolado, cool. E bota cool nisso!

(Ao lado, o (desejo de) vir-a-ser das integrantes do Saia Justa e, por que não dizer, dos camaradas deste blog.)

Humor em texto escrito não é grande coisa mesmo. Se você quer rachar o bico, como diz a molecada, vai assistir Zorra Total e Todo o Mundo em Pânico 1, 2 e 3. Com literatura e afins, no máximo, uma risadinha, mas, na maioria das vezes, só um sorrisinho mesmo, do tipo “ah, esse rapaz, que espirituoso que ele é, ha, ha, ha”. (Tá bom, tá bom: se você tiver espírito suficiente pra absorver o pensamento, dançar com ele, tomá-lo pra si, dá pra rir bastante; mas é trabalhoso, muito trabalhoso.)

Tipo humor inglês. Nada dessa coisa escrachada que desmancha penteado e derruba peruca. O que não é educado, afinal. Mas a literatura, por outro lado, é uma coisa educada, porque exige concentração. O sujeito tem que calar a boca pra ler, e não existe maior demonstração de boa educação que se calar a boca. É a essência das boas maneiras um indivíduo que jamais revele o que está pensando ou sentindo. É muito feio se mostrar, se expor sob qualquer aspecto.

Eu sei que aqui não é nem isso. Nem humor inglês. É mais pastelão, tipo os Três Patetas, com o sketch terminando com uma guerra de tortas. Apesar de, nesse caso, o Moe ser meio filosófico, meio profundo, como vocês costumam dizer. Mesmo sendo outra a chave pra se compreender o Camarada Fundamentalista, mesmo sendo essa chave o amor.

Porque tudo o que eu escrevi até hoje sempre proveio única e exclusivamente do meu amor. São todas declarações de amor, mesmo que de vez em quando invertidas. Porque eu sou todo amor. Em mim não existe isso de gosto ou espírito. Quando eu assisto um filme, por exemplo, eu não julgo se o filme é bom ou ruim (se me ouvirem falando se um filme é bom ou ruim, podem ter certeza de que estarei só fingindo que sei o que significa esse tipo de discriminação, pra assim agradar a audiência, tão perdida nessa história de crítica), eu me deixo encontrar pelo filme, sobre o Sena e sob a luz da lua, e depois fico cantando I love you for sentimental reasons pra caixinha do DVD.

Nasci pra escrever canções de amor, pra ser Jorge Ben e morar num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, mas só consegui aprender a ler La Rochefoucauld em francês e, em vez de ser identificado como um moralista, ser chamado de de filósofo, como se eu soubesse da insustentável leveza do ser e outras questões dignas de Márcia Tiburi, essa sim, uma das pensadoras mais vigorosas destes dias tão saia-justa, quá, quá, quá, quá, quá.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Camarada Fundamentalista, um brasileiro (ou Gisele Bündchen, heroína de nossa gente)

Eu e o Brasil – uma das relações mais bonitas e delicadas que eu conheço. Tão delicada que chega a ser invisível para os olhos alheios, mesmo os dos meus íntimos. E como me acusam de ser insensível, de tratar mal a quem eu amo, de ser frio e distante! Ah, mas só o Brasil e eu é que sabemos: como eu lhe sou gentil e terno quando estamos a sós, como sou todo carinho com suas milhares de exceçõezinhas e caprichinhos. E pareço até o Manuel Bandeira, de tão emo que eu fico.

Eu, no ônibus lotado, logo de manhãzinha, com meu Grande Sertão: Veredas na mochila, sonhando com Riobaldo e Diadorim. Eu me trancando no banheiro do serviço pra matar tempo, e a hora do almoço chegar mais depressa – tão Macunaíma! E os blogs que eu leio, então! Especialmente o de um moço cheio de francofonices, zombando de Cansei de Ser Sexy e do cânone literário nacional, tsc, tsc, tsc. E não é que ele, fazendo assim, não podia ser mais Brasil?

Pois o Brasil é senão o impasse entre ser o outro ou simplesmente não ser nada. Veja lá: roupa de Papai Noel no verão, a Constituição Federal, a MTV, a Gisele Bündchen, e os exemplos não acabam mais. Tudo postiço, tudo coisa que não é daqui, porque, afinal de contas, o que é daqui, o que é aqui? O otimismo dos tropicalistas que me lêem talvez julgue o cenário exageradamente desolador. No entanto, não vou florear as coisas para poupá-los; mas posso pedir, como consolo, que atentem ao Latino: pois, apesar de tudo, há algo como o Latino. Dali há de nascer um novo país, sem Peri nem Ceci, e por isso certamente maior.

Nossa seção Brasil foi tocada de lado, principalmente por mim: confiram, minha última postagem é do tempo em que eu procurava consolidar minha candidatura à Câmara Estadual de São Paulo, amealhando apoio junto aos universitários. Pra isso, até briga com o Reinaldo Azevedo eu arranjei. Logo com ele, que eu amo tanto. E involuntariamente, poxa! Mas eu quero retomar meu compromisso, diante de vocês, de amar o Brasil, e de falar dele, e de beijá-lo na frente de todo o mundo, porque o que é que a gente leva da vida senão o que a gente faz de bom pra quem a gente ama, né?

E, bom, eu também estou atrás da minha brasilidade, tão empulhada pelos meus vícios indie e meus flertes com o mainstream. Ai, é tão hipócrita da minha parte falar assim do mainstream, como se eu também não estivesse interessado no que é que a baiana tem. Por exemplo o blogspot, que é tão establishment; sem dizer que, bom, não colocamos à toa uns anúncios do Google Adsense logo AÍ ACIMA, claro que sem ficar induzindo ninguém a ir lá clicar e ajudar a gente, pois, pessoal, a gente estamos aqui, pessoal, trabalhando honestamente, pessoal, mas a gente podíamos estar roubando e matando, mas, não, pessoal, a gente estamos aqui, trabalhando pra obter o sustento da gente honestamente, pessoal, e por isso, pessoal, a gente agradeceríamos a colaboração, pessoal, e quem puder ajudar, que Deus abençoe, mas quem não puder ajudar, que Deus abençoe também, pessoal, e desculpa por tudo, pessoal.

A Maldição do Radiohead

Eu gosto do Radiohead. Embora esteja muito longe de poder ser considerado fã da banda, gosto um bocado de alguns discos e músicas do grupo do loser e freak de plantão Thom Yorke. Já que essa banda não me provoca arroubos de paixão, mas também passa longe de ser um estorvo para os meus ouvidos, deveria nutrir com ela uma relação saudável, que trouxesse momentos agradáveis em dias soturnos, que é quando a elegante sombriedade da banda se faz necessária. Mas acontecimentos bizarros com esse Camarada que vos fala mostram que a história não é bem essa. Voltemos no tempo então, no modo Mc Fly de ser da coisa (vai que é sua, Michael J. Fox!).

2001. Ensino Médio, terceiro ano do colegial. Compro numa loja vagabunda perto do meu colégio o cd OK Computer, terceiro álbum do Radiohead. Preço: 35 pilas. Sabe-se lá o motivo, resolvo levar o disco para a escola, no dia seguinte. Mostro para os meus colegas, que ficam alvoriçados, já que muitos gostavam da banda. O primeiro a pedir emprestado o Cd é o nosso conhecidíssimo Camarada Moderado, que tinha se juntado naquele ano à nossa classe. Empresto. Uma semana depois, o Camarada traz o cd de volta, como combinado. Mas outro amigo nosso, cuja identidade manterei em sigilo, pede o disco emprestado. Cedo o mesmo, mais uma vez, nos mesmos termos do acordo feito com o Moderado. Mas depois de uma semana, quando fui cobrar o nosso amigo (nossa relação nunca foi exemplar, então a conversa foi rude), ele disse que tinha emprestado para outro amigo nosso, aí esse outro amigo disse que já tinha devolvido o cd para ele, e nesse acusa de cá, acusa de lá, a verdade é que eu nunca mais vi a cor do cd. OK para o computador, mas não para mim, ó trágico destino. Mas deixei para lá e segui minha vida adiante.

Um ano depois, quando fazia Cursinho numa famosa instituição de ensino numa avenida mais famosa ainda (glamour é pouco), resolvo comprar o cd Pablo Honey, primeiro álbum do Radiohead, aquele que tem a mítica canção Creep. Nem me atrevi a levar para o cursinho, sabe como é. Pois bem, ouço o cd por dois dias, moderadamente, já que tinha que estudar pra porcaria do Vestibular. No terceiro dia, quando pego o disco e coloco para ouvir, noto que o mesmo estava travando logo na primeira música. Não acreditava, um cd comprado a meros três dias, dando pau. Pego o cd na mão e noto um gigantesco risco, ocupando um raio inteiro do cd. Eu tinha tido todo o cuidado do mundo para manusear o disco, ele não veio com risco nenhum, ele não caiu no chão em nenhum momento. Nada poderia ter causado tamanho rombo naquele pequeno círculo de plástico e alumínio. Até hoje guardo o disquinho riscado na caixa original do cd, ele sempre a rir da minha incurável patetice. Rá, rá, rá, não deu nem pra três dias, jão, já entrei nos pormenores das danificações, certo truta? Cdzinho abusado....

Depois dessas duas pauladas seguidas em menos de um ano, resolvo dar um tempo. Fico bons cinco anos sem nem pensar em comprar um cd do Radiohead, só ouvindo algumas faixas baixadas por mim na internet. Mas depois de tamanho hiato, andava por uma Americanas da vida, observando atentamente as famosas promoções da loja, quando me deparo com algo surpreendente. Os cds The Bends e Hail To The Thief, 10 pilas cada. Aí não deu pra resistir. Gastando 20 reais, quase a metade do que tive de desenbolsar para comprar o OK Computer seis anos antes, teria em mãos o segundo e sensacional cd do Radiohead (meu favorito da banda) e o disco mais recente lançado por eles, respectivamente. Essa oferta tentadora ativou minha temida impulsividade (canceriano babão) e lá fui eu pro caixa. Voltei lépido e feliz para casa, acreditando que finalmente poderia curtir em paz as adornadas músicas de Thom e cia. Ledo engano. A maldição iria se fazer presente, pela (acredito eu) última e derradeira vez. Ouço os discos por toda uma semana, principalmente o The Bends. Num belo dia, me disponho a ouvir mais uma vez os cds, pego o meu case e procuro pelos mesmos. Acho o Hail to The Thief, ouço um pouco, depois resolvo colocar o outro. Procuro no mesmo case, onde jurava que tinha colocado o The Bends, e não acho. Olhos nos outros cases, e nada. Reviro o quarto inteiro, olho em todas as caixas de cds, gavetas do armário, embaixo da cama, enfim, coloco o quarto de cabeça pra baixo e não acho o bendito. Depois expandi minha busca para o resto da casa, olho em todo os cantos possíveis e imagináveis, e nada de achar. Passado um ano todo, mesmo eu procurando com frequência, mesmo tendo olhado cinquenta vezes em todos os lugares onde o cd pudesse estar, não tive qualquer êxito na minha busca. O cd, mais rápido do que veio, sumiu sem deixar qualquer rastro. A caixa original ainda está comigo, esperando, como a esposa que tolamente aguarda a volta do marido que, tendo um dia saído para compar cigarros, nunca mais deu as caras. Corna, sabe bem ela que não existe volta. Que ache outro disquinho para completar a tampa da sua panela.

Quanto ao Hail To The Thief, esse acabou tão riscado em poucas semanas de execução, que já hesitava em funcionar. Algumas poucas vezes ia, outras muitas mais emperrava, empacando feito mula parruda. Numa dessas irritantes vezes que o cd teimava em não funcionar, travando logo nos primeiros acordes da primeira canção (Humberto Gessinger, descanse em paz), 2+2 = 5, me enfureci de tal maneira, que peguei o disco e taquei na parede, colérico como um cão, babando e espumando toda a sua raiva. Era o meu eu lírico, tortuoso e vingativo, levantando-se contra a maldição. E a maldição, tinhosa como só ela, aspiciosa e malévola, devolveu o ataque despedaçando o disco em diversas partes, o contato violento com o reboco da parede sendo o juiz e mediando os termos. A maldição saía vitoriosa, e eu recebia a condenação definitiva. No Radiohead for me. Se vocês estiveram achando tudo isso coincidência, deixem-me pegar outra banda inglesa da mesma geração, britpop por excelência, para fazer uma comparação: Oasis.

Tenho todos os cds da banda, alguns, como o What's The History Morning Glory e o Definitely Maybe, comprados há mais de uma década. E todos eles funcionam perfeitamente até hoje. Um deles, o Be Here Now, mesmo estando totalmente riscado (não por culpa minha, mas essa é uma longa história, eu cuido bem dos meus cds), muito mais até do que estava o Hail to the Thief, funciona sem problema algum, jamais travando qualquer segundo que for. Somente com os disquinhos da bandeca do Thom Yorke é que o bicho pega. O motivo da existência dessa maldição, eu jamais saberei. Vou chutar um motivo bem tosco e idiota, e vocês julguem se falei groselha ou não. Li uma vez numa revista (acho que foi a mais uma vez extinta Bizz, se não me engano), em meados de 2000, uma matéria que falava sobre uma suposta sincronia entre o disco Kid A, lançado naquele mesmo ano pelo Radiohead, e o chatíssimo filme Bruxa de Blair. Que, nos mesmos moldes da famosa sincronia Mágico de Oz/Dark Side of the Moon, garantia que as músicas do disco correspondiam com absoluta precisão às cenas do filme, com as letras do senhor Yorke descrevendo cenas que ocorriam, partes instrumentais sincronizando com danças dos personagens, entre outros fatores. Pois bem, eu fiquei tão impressionado, que resolvi fazer o teste. Peguei emprestado o Kid A com um amigo meu, que fazia um curso técnico comigo na época e para o qual eu sempre emprestava discos, e aluguei o filme e fiz a sincronia. Correspondia mesmo com as descrições da revista. Mas talvez esse ato de curiosidade pode ter custado, vamos ver, 35 mais 30 (preço que paguei no Pablo Honey) mais 20, ou seja, 75 reais. E, pelo teor desse texto também, parte da minha tão prezada sanidade, e muitos de vocês com certeza concordarão com isso. "Esse progressista é um bebum ambulante mesmo, maluco que só ele". Há: devolvi o Kid A inteiro para esse amigo, sem problemas, o negócio é comigo mesmo. This is what you get, when you mess with us...

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Caravana de São Miguel Paulista...

Não dá pra esconder, vocês viram o contador do Site Meter aí do lado, não viram? Não vou me fazer de difícil. Pois é, mais uma vez ressalto, confesso que a gente também quer faturar algum. E nesses últimos dias, logo agora que eu (e, pelo que eu sei, também o Camarada Progressista) tenho passado por mais uma crise criativa, o número de acessos estourou, e parece que vocês têm acessado diretamente nosso humilde endereço blogspot. E isso, assim, do nada, porque até outro dia eram só os camaradas de sempre, um séquito diminuto, mas fidelíssimo.

E eu, amante dos holofotes, amigo dos olhares alheios, não podia resistir, por isso dou uma de Silvio Santos e passo a interagir com o auditório: "E vocês, aí do fundo, estão vindo de onde? São... São Miguel Paulista! Eh, São Miguel Paulista! Nossa, mas é muito longe!"

(Ah, sim, vai que alguém aí tenha uma amiga ou irmã bonitinha e esperta, e que fale francês: eu, Camarada Fundamentalista, entre 20 e 25 anos, cabelos negros e ondulados; gosto de crianças, algodão-doce e bexigas, e de ir ao cinema e dar longas caminhadas ao entardecer; e procuro quem me ensine a Marselhesa no original.)

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O fundamentalismo em prática

Odeio todos os graduandos, sobretudo os de Letras. E, dentre os de Letras, sobretudo aqueles cuja maior ambição acadêmica (num sentido lato) é se tornarem professores de inglês. E sem exceções, até se for mulher, e bonita, porque o meu ódio contra a mediocridade humana é a coisa mais imparcial que eu conheço no mundo todo. E nisso, até pareço um cruzado, degolando os malditos sarracenos. E não que eu não seja medíocre, pois o sou freqüentemente: acho que até por isso mesmo eu fico com mais raiva ainda e desconto nos medíocres-sem-culpa.

Mas o que me mata é alguém ter a oportunidade de se tornar, de alguma forma, melhor e mais relevante para a droga desse mundo e simplesmente se fechar, achando tudo muito chato, difícil ou estranho. As três palavras mais usadas por gente medíocre, prisioneiros da convencionalidade que são. (“Difícil” pode ser substituído por “complicado”; e “estranho”, por “esquisito”.)

Mas, então, vocês, muito conciliadores e brandos, podem me perguntar: “Mas camarada, pode você por acaso legislar sobre o que é melhor ou pior e, daí, considerar alguém medíocre ou não?” Em outras palavras: quem tu pensa que é? Ora, respondendo no mesmo tom que vim adotando desde o início deste texto, diria: “será que o nome Camarada FUNDAMENTALISTA não diz nada? Se não diz, no máximo, posso pedir, e muito gentilmente, que afastem de mim esse papinho relativista de vocês”.

Mas eu amo vocês. Vocês nos adicionaram aos favoritos, e por isso eu amo vocês. Vocês vão clicar naqueles links do Google Adsense que a gente colocou logo aí em cima mostrando que, afinal de contas, a gente também quer faturar um pouquinho que seja com essa história toda, e por isso eu amo vocês. Sim, e por tudo isso, a minha resposta tem de ser melhor e mais educada que aquela. Vamos a ela, pois.

Na verdade, só tenho uma coisa a dizer: gente medíocre também incomoda vocês, eu sei que sim. Esse pessoal pra quem não se pode dizer nada que escape ao vocabulário e universo de idéias da novela das oito, sem escutar, acompanhado de uma careta: “Ãh, como assim? Não entendi”. Nessas horas, o que vocês fazem? Vocês não saem andando, não viram e dizem “ah, fala com a minha mão”? Pois se não fazem, deveriam. Chega de paz e amor.

E, por favor, não se trata de rejeitar o fácil pura e simplesmente, e de viver em função de tudo quanto seja hábito e expressão de exceção, deixando de usar a sua bota-plataforma só porque todo o mundo tá usando, mesmo você tendo começado a usá-las muito antes de virar moda. Não é nada disso. Não torçam as minhas palavras. A questão é outra: a questão é a seguinte: se um dia o horóscopo falhar e você ficar sem saber o que fazer, a quem você vai recorrer? A alguém que vai morrer sem ter lido, no grego, Parmênides conceituar o Ser e o não-Ser? Ah, pois eu não creio nisso de jeito nenhum, menina.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

è o fim do caminho, to ouvindo demais isso, perae deixa eu dar uma mijada

Estou ouvindo, nos últimos cinco anos, que algum ramo morreu: já me falaram que a arte morreu, por isso Duchamp começou, no final da sua vida, a jogar xadrez compulsivamente, pois acreditava que a única arte verdadeira era o xadrez, a única que não fora maculada, digo fora já que os puristas estetas seguidores dele acham que o xadrez faleceu quando Kasparov perdeu do Deep Blue. Uma vez fui numa palestra chamada “a poesia morreu, mas não fui eu que matei”, os palestrantes eram todo auto-demoninados poetas; nunca vi propaganda mais enganosa. Ora, se a poesia está morta, pq diabos tem poetas lá na frente, deveria ter um crítico de poesia, um estudioso da área, quem sabe um editor e, talvez, dois ou três poetas defendendo o contrário, a réplica presente para criar uma boa discussão. Mas justamente aqueles, aqueles que negavam a premissa da discussão logo de cara e estavam em peso. Parecia um sarau, os poetas declamavam uma poesia deles e depois aquela babação e inflação de ego; pessoas comuns passavam rapidamente, algumas enfurecidas foram embora, outras nem entravam na sala. Aí percebi que realmente a poesia, pelo menos aquela coisa que concebiam como tal, para o povo em geral estava morta, enterrada e bem enterrada.

Outras execuções foram anunciadas: a da força estudantil, a do socialismo, a da religião, sobretudo. Como pode dizer que os estudantes não tem força? Que agora são passivos? Basta pensar, as coisas mudam, hoje os centros acadêmicos estão desarticulados e existe outras áreas de grande interesse para os jovens, não tem mais uma ditadura ou repressão clara: não existe um inimigo comum, é isso. Como também é válido para todas as áreas nas quais devemos concentrar as forças. As escolhas, a vida, tudo fragmentou-se e os inimigos comuns seguiram o exemplo, seguiram e aprenderam muito bem; tanto que hoje dão escola. Deixo aqui sem comentar sobre religião e política, pois são religião e política.

Voltando para o extermínio, é fácil perceber o quão longe estamos de tudo e ao mesmo tempo perto; é caro leitor, são momentos de esquizofrenia, nada daquele demodê dos anos 80: o caminho é o abismo, besteira! Estamos perdidos com a velocidade das coisas, os futuristas ficariam loucos com a atualidade, ainda bem que a maioria já morreu. Essa velocidade virtual vem acompanhada junto de uma letargia urbana. Você pode muito bem comprar coisas pela internet, se comunicar com alguêm na China e ver um filme que nem entrou em cartaz e tudo isso ao mesmo tempo e sem sair de casa, mas existem letargias: trânsito, caos urbano, poluição, terrorismo em todo lugar, violência e todas as mazelas cotidianas que atrasam nossa vida. Os meios materias não acompanharam os meios imaterias; aconteceu os Jetsons, só que ao contrário do desenho: não temos robôs, carros flutuantes ou cachorros que falam, contudo os computadores, a biotecnologia, a comunicação que diferença... daí dessa incongruência contribuir para um certo pessimismo, ainda que tenhamos as esteiras automáticas nos aeroportos, mas só nos aeroportos e em alguns lugares chiques.

Se mudou e tudo mudou mesmo, como o chamado pós-modernismo em que vivemos é o mesmo do final da década de 70? Pois toda aquela base de estudo do homem e da sociedade- vulgo comunicação, filosofia e ciências sociais- é a base ainda para os estudos atuais. Acho que toda aquela base findou junto com a década de 80, posteriormente mais breve, com a queda do muro e da Urss( falei que não ia falar, mas...). Ou seja, precisamos de outros parâmetros, os quais ainda não foram cristalizados. Contudo podemos se otimistas, pois se o anos 80 acabaram bem, sem a morte conceitual de nada(apenas do bom gosto), pq justamente agora querem nos fazer acreditar que as coisas estão morrendo e tudo terá um fim trágico?

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Joss Stone
Cantora inglesa, que com apenas 20 anos de idade já tem 3 discos lançados. É uma versão refinada e turbinada das jurássicas (exagerei?) starletes americanas Britney Spears e Cristina Aguilera, já que canta cem mil vezes melhor que as duas e também tem mais bom gosto na hora de selecionar o seu repertório, enveredando mais pelo bom caminho da soul music, ao invés de apostar no velho pop pasteurizado que marcou a carreira de tantas cantoras nos últimos tempos. Tinha 16 anos quando seu primeiro disco, The Soul Sessions, foi lançado. Um prodígio, sem dúvida. Se comparada com as suas pares britânicas, Lilly Allen e Amy Winehouse, Joss tem se mostrado quase uma freira franciscana. Enquanto as outras duas afundam-se em mares de indulgência, drogas e excessos, faltando em shows a lá Tim Maia e dando vexames seguidos, Stone encontrou sua polêmica mais forte quando surgiram rumores sobre um caso dela com o produtor de seu último disco lançado nesse ano, Introducing Joss Stone. Como o cidadão era bem mais velho, tentaram fazer fogo em cima do assunto. Mas nada que tirasse o sono de ninguém. Quer dizer, depois de terem achado até vídeo da Meg White fazendo coisas feias, eu não duvido de mais nada... Olha lá, hein, Joss Stone!

domingo, 23 de setembro de 2007

Manual Prático do indie pinguim - Parte 4: Uma introdução a arte sequencial

Depois de três partes ricas, três atos que fariam qualquer dramaturgo sentir uma ponta de inveja. Voltei, sobretudo pelo apelo popular a esse guia de sobrevivência da contemporaniedade. Essa parte é um leve respiro, pois falarei de um tema esquecido pelas massas: os quadrinhos, mas nunca esquecido pelo adorados indie.

Essa seção foi pensada para vc, camarada x, que tem intenções de começar a adentrar no mundo dos quadrinhos. Pode até ser para más intenções, deixando claro, impressionar mulher nunca é mal intenção, se bem que poucas mulheres ficam impressionadas com alguém que goste e manje de gibis, se conhece tal garota, me apresente, pelo menos para eu tirar um foto e mostrar para os amigos, a foto tem que ser com uma edição do batman.

Agora, abaixo temos cinco gibis imprecindíveis para o começo da aventura( me senti a caixinha do Todynho agora)

1) Cavaleiro das Trevas - DC Comics - Frank Miller
Não existe personagem mais interessante, no mundo do super-heróis, do que o homem morcego. É um dos poucos heróis cuja galeria de vilões é bem respeitável, cada um destes apresentando uma variação de alguma psicopatologia e poucos têm superpoderes, criando um contraste interessante com o protagonista e sua obssessão pela justiça.

Frank Miller resolveu brincar com a mitologia do personagem: a trama se passa num futuro onde os Eua é um país totalitário onde as ações do assim chamados heróis não são benquistas pelo governo, com exceção do Superman cuja ações são coordenadas pelo proprio governo, não passando de uma marionete do estado.

Neste universo Batmam sofre as mazelas do tempo: ele está velho; enfraquecendo e perdendo a maioria das suas habilidades físicas , contando ainda mais com suas astúcia e engenhosidade e ,sobretudo com seu espírito inabalável, no final das contas, ele acaba sendo um personagem em busca de redenção, terreno que Frank Miller trabalha muito bem. Não por acaso, esta é uma das melhores histórias em quadrinhos de todos os tempos. A Panini relançou um encadernado de ótima qualidade que contem toda saga, incluindo a tão criticada continuação, mas mesmo assim vale o investimento.


2)Watchman - DC Comics -Alan Moore/Dave Gibbons
No mesmo período do lançamento do cavaleiro das trevas Moore e Gibbons recriaram um universo todo. Os dois quadrinistas deram fõlego para os quadrinhos e tiraram um pouco da mácula da década de 80.

Imaginem a seguinte coisa: os Eua proibiu todo o tipo de heroísmo, com exceção dos heróis autorizados pelo governo e alguns clandestinos que não desistiram dos seus ideais. Nesse status quo, um dos grandes heróis é assasinado , como uma reação em cadeia a investigação e a descoberta pelo responsável provoca coisas sem precedentes, por fim seu expetacular desfecho. Sobre esse prisma alguns estudiosos chegaram a afirmar que a obra tenta explicar, por vias indiretas, a teoria do caos. Ponto de vista interessante depois de algumas releituras.

Watchman foi relançado várias vezes, a ultima foi feita pela Brainstore.


3) Akira - Katsuhiro Otomo
Para contemplar nossa tríade de hqs bem influenciadas por 1984, temos Akira. Num mundo apocalíptico dominado por gangues e empresas sem escrúopulos, daí surge uma trama sobre pessoas com poderes mentais que findará num tema clássico: A rivalidade entre dois amigos e seu trágico desfecho

Além do enrendo bem elaborado, a arte de Otomo é fantástica, influenciou toda geração posterios e mais, solidificou o Japão como produtor de quadrinhos e desenhos animados.


4) O sistema - DC Comics - Peter Kuper
Se pensarmos desde quando as histórias em quadrinhos existem, poderemos considerar que elas existem há muito tempo: desde o tempo das cavernas, onde eram usadas para registros como também para contar histórias através de imagens

Ora, se os quadrinhos começaram sem nenhum balão para fala ou recordatório, era de se esperar que ainda hoje existissem gibis que partilham dessa premissa: narrativa e imagens, apenas.

O Sistema ilustra o cotidiano de uma metrópole que poderia ser qualquer cidade grande ocidental. Nas quase 100 páginas não encotramos nenhuma fala de personagens ou qualquer muleta verbal ou de escrita além das próprias imagens cujo encadeamento é soberbo: passando de personagem a personagem, indo e voltando, como nenhum cinema, teatro, animação ou livro foi capaz de transmitir. Como se todas aquelas pessoas executassem uma música que ora é harmônica e ora é desarmônica com a cidade que habitam

Pode-se dizer que Peter Kuper conseguiu captar a conteporaniedade das cidades utilizando de um recurso que existe desde a pré-história.

5)Contrato com Deus e outras histórias de cortiço - Will Eisner
Cotidiano tratado belamente atrelado a um experimentalismo visual: seria um bom resumo dessa graphic novel. Nenhum superpoder, nada de intrigas internacionais ou monstros intergaláticos para combater. Sim, existem demônios, mas eles são internos, pessoais, no encaram de frente dia a dia, antes do trabalho. A principal história fala de um homem que sempre foi um bom homem, mas que perdeu a fé quando sua querida filha morre. O cotidiano é o mote desse trabalho tão bem executado por aquele que hoje é chamado de "o" mestre dos quadrinhos.

Contrato com Deus foi relançado recentemente pela Devir numa edição de boa qualidade.


sexta-feira, 21 de setembro de 2007

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

TOP 5- Piores Comunidades do Orkut

Nada pode ser pior do que uma comunidade tosca no Orkut. Presenteio vocês com as cinco piores, as mais nocivas, nauseantes e degradantes. Nas palavras de Conrad: "o horror, o horror...".

5-Lindomar: o Sub-Zero brasileiro (Número de Membros: 240.000)
Oba, que legal! Rolou uma treta grupal, e o Lindomar chegou na voadora? WHO CARES? Dane-se o Lindomar e todos os imbecis que participam dessa porcaria. E mais respeito com o Sub-Zero, pô! Qualquer mané agora sendo comparado com ele? Não é assim não! O único que encarava o Raiden de igual pra igual.



4-Te incomodo? Que peeeeeeenaaaaaaa!!!!! (Membros: Dois milhões e meio)
É aquilo que chamo de "comunidade atenuante". Explicando: eu posso ser um(a) completo(a) idiota, agir que nem um(a) completo(a) idiota, ser um(a) histérico(a) filho(a) de uma mãe, agir sempre de acordo com os meus interessantes, pisando em quem quer que seja que passe no meu caminho, e ainda sim estarei certo. Por que? Por que eu estou na comunidade "Te incomodo? Que peeeeeeeennnaaaaaaaaa!!!!!". Eu posso tudo! E o resto do mundo que se dane. Invejosos! "Pessoas... elas são as piores" (Jerry Seinfeld).


3-Seu Madruga, um X-men? (Membros: 140.000)
Eu odeio Chaves. Eu não suporto o Chaves. Eu odeio o Chapolin. Eu odeio o Bolanos. Eu odeio a Chiquinha, o Quico e o escambau. Mas até aí, tudo bem. O que me mata é um bando de marmanjo barbado criando e discutindo um tema tão estúpido numa comunidade. O Seu Madruga é um X-Men. Quanta criatividade. Os "argumentos" usados para a engraçadíssima (há, há, há) hipótese são, de acordo com a descrição da comunidade: "Ele fica 14 meses sem pagar o aluguel", "Ele sempre enrola o Seu Barriga", "Ele já foi campeão de boxe". Sério. Nessas horas que eu vejo que o Comunismo é uma boa idéia: botar toda essa cambada quebrando tijolo ao invés de perder o tempo com bobagens. Há, mas o Chaves é uma metáfora social inteligente, né? Se vocês dizem, eu acredito...

2-Eu detesto a Segunda-Feira (Membros: 750.000)
Não? JURA? Você detesta a Segunda-Feira? Achei que era só eu, bom saber! Mas infelizmente, tenho uma má notícia pra você: eu não poderei entrar nessa comuna. O meu mapa astral diz que o dia mais favorável pra mim é a Segunda, então, sabe como é, né? Pena. Mas eu reconheço a total validade e importância dessa comuna. O mundo precisa realmente saber quais são as pessoas que não gostam da Segunda Feira. Serão elas que liderarão o mundo na era pós-aquecimento global, com certeza. Aqueles workaholics que odeiam os finais de semana! Danem-se eles!


1- Sou legal, não estou te dando mole (Membros: um milhão e meio)
A campeã absoluta da cretinagem. Deixem-me descrever o tipinho das meninas que infestam essa triste comunidade: são garotas que gostam de estar sempre rodeadas por capachos bajulando e inflando os seus egos, adoram atiçar esses pobres seres, dando abertura para essas patéticas criaturas se declararem, e eles, esperando uma confirmação que parecia certa, mordem a isca, para então somente elas poderem ter a oportunidade de dizer um colossal não e se divertirem com a miséria do pobre coitado. Depois, considerando o quanto as mulheres dão atenção para as chamadas convenções da sociedade, e considerando também o horror que elas têm de serem chamadas de, usando uma linguagem perjoravita, "galinhas", elas acabam entrando nessa comunidade, para tirarem a culpa dos seus atos das costas, culpando aqueles seres mal intencionados que não souberam interpretar uma simples demonstração de amizade e companheirismo. Enquanto houverem seres patrocinando esse comportamento absurdo, essa comunidade existirá, firme e forte. Aí, vocês perguntam: "mas Progressista, e os homens que participam dessa comunidade? Não tem só mulher não!". Bom, para os rapazes que participam dessa comuna, eu tenho um número apenas: 3069-6707. Esse é o telefone do Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas. O horário de atendimento é das 8:30 até as 16:00. Quando a atendente perguntar sobre alguma preferência em relação ao campo de atuação do psiquiatra, diga apenas isso: "eu gostaria de lidar com um profissional que trate da parte de super-dimensionamento do ego". Pronto, logo você estará muitíssimo bem encaminhado. Boa sorte.