terça-feira, 9 de outubro de 2007

Camarada moderado vai ao cinema: O Homem que desafiou o diabo

Fomos ao cinema. Na verdade fui com uma amiga, aproveitando a deixa que o Espaço Unibanco estava cobrando dois reais o ingresso para qualquer sessão; motivo era que ontem(segunda-feira) foi aniversário do Espaço Unibanco.

Dentre todos aqueles filmes que estavam em exibição (vc pode conferir aqui) alguns eu estava curioso há muito tempo: O ano que meus pais saíram de férias e Bem vindo a São Paulo, sobretudo. Ambos filmes que denotam e esboçam a verdadeira retomada do cinema brasileiro, qual já comentei neste blog. O primeiro é uma história de um garoto dirigida por um cara especialista no universo infantil, Cao Hambúrguer, que foi responsável por entreter as tardes das crianças brasileiras, basta citar que esse moço é responsável por nada menos que Castelo Ra-Tim-Bum e derivados da grade da Cultura; por isso quando o filme entrara em cartaz, no grande circuito, sugeri aos meus camaradas que assistíssemos, porém eles refutaram minha idéia, como sempre fazem; ouvidos moucos ao camarada moderado(olha eu reclamando disso); interessante pensar que o filme ganhou alguns prêmios nos festivais afora e tem possibilidade de concorrer ao Oscar, ironias da vida. O segundo é um estigma que carrego desde a mostra de cinema de 2005, onde o filme estreara de fato; documentário feito por vários cineastas famosos(bons ou não) sobre nossa adorada cidade paulistana e mostrando, cada diretor, sua visão sobre a metrópole; parecia também uma boa escolha para aquela noite de segunda-feira, porém qualquer planejamento meu foi por água abaixo.

Acabei não assistindo a nenhum dos dois (vida cheia de reviravoltas e acasos, não?), fui ao cinema naquele dia ver O homem que desafio o diabo, dirigido por Moacyr Góes e produzido pela Globo Filmes (PERIGO! PERIGO! PERIGO!). É fato que não sou um grande entusiasta da Globo Filmes, como também de Moacyr Góes; ainda longe de qualquer pedantismo, não sou fã de Godard ou Win Wenders, sou partidário do cinema de terceira via(moderado?), assim por dizer.

Resolvi dar uma chance(novamente) a Globo Filmes, mas esperava o pior: algo entre um filme da Xuxa(sem os duendes) e algum longa dos extintos Trapalhões, lógico que recheado de efeitos especiais e atores globais de segundo escalão. Resolvi até olhar o Guia da Folha para ver se restara um fio de esperança, pelo menos um filme divertido a la sessão da tarde, infelizmente a Folha havia concordado com minha intuição sobre o filme. Quando o estupro é inevitável, relaxe e goza; olhei para minha amiga, apertei a mão dela e me aconcheguei na poltrana, estava pronto, podia ser o que for, estava pronto.

A sinopse é a seguinte: Zé Araújo (Marcos Palmeira) é um homem boêmio que gosta de freqüentar cabarés e ouvir cantadores de viola. Após tirar a virgindade de uma turca, ele é obrigado pelo pai dela a se casar. Durante anos Zé passa por seguidas humilhações, provocadas por sua esposa. Um dia, ao ouvir uma piada sobre sua situação, ele se revolta, destrói o armazém do sogro e ainda dá uma surra na esposa. Ao terminar ele monta em seu cavalo e parte sem destino, decidido a ter uma vida de aventuras. A partir deste dia Zé Araújo passa a ser conhecido como Ojuara, enfrentando inimigos e vivendo situações inusitadas.

O veredicto: filme deveras interessante, um filme quase; quase bom, quase sempre engraçado(com momentos de bom humor), quase com geniais interpretações( atente para a aparição de Otto), quase com genial fotografia, etc. Não sei, porém o filme falta alguma coisa, algum elemento que carece ao todo. Pensava qual problema poderia ser, até minha companheira, genialmente, constatar:

“O filme não tem um ritmo definido, acho...”

Deveria ter dado um beijo na boca dela, brilhante dedução; o longa apresentava uma história longa, uma trama cheia de elementos. Quer dizer, havia uma necessidade de pelo menos amarrá-las bem e nem isso o diretor consegue, os muitos elementos criam uma história fora de ritmo que incomoda, algumas vezes durante o filme, pelo menos. Contudo o filme não é de todo mal: tem boas situações; Marcos Palmeira segura bem o filme como protagonista; outra pérola é o ator que interpreta o Tinhoso, Nei Leandro Castro, em atuação formidável. Fora algumas escolhas erradas de elenco e o problema de ritmo(“ajudado” pelas escolhas dos planos, sobretudo os em câmera lenta). O filme ainda desce bem. E é sempre bom ver o que sendo produzido nas terras brasilis.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Tina Fey


Ex-roteirista e atriz do Saturday Night Live e estrela, roteirista e produtora da série 30 rock, recém agraciada com o Emmy de melhor série cômica e que pode ser vista aqui pelo canal Sony. Tem sido chamada pela imprensa americana de "Jerry Seinfeld de saias", pelo talento demonstrado como escritora e por também atuar nos seus projetos, o que é um exagero, mas ela parece ter o dom pra fazer boas gracinhas. Mas a quem estamos enganando, vocês devem lembrar dela mesmo como a professora boazinha de matemática no filme Meninas Malvadas, com a (primeira vez que esse nome é mencionado no blog) Lindsay Lohan. Vocês podem não saber, mas foi ela que escreveu o roteiro do filme. O quê, já tinham lido isso quando eu falei sobre o filme no mítico mês Lindsay Lohan? É verdade, que memória a minha.

sábado, 6 de outubro de 2007

Ally McBeal: Lembranças da era Clinton

A vitória de Bill Clinton nas eleições de 1992 deram a presidência dos Estados Unidos de volta ao Partido Democrata, depois de doze anos seguidos sobre a égide dos Republicanos. O efeito dessa mudança foi sentido com força na cultura americana. Sem a sombra do conservadorismo dos Republicanos, que criou uma cultura de heróis e monstros Pop que assolaram o mundo nos anos 80 (Michael Jackson, Madonna, Prince e Axl Rose dizem algo para você?), e com um crescimento econômico vultuoso que pois fim a recessão americana que tinha, ainda que indiretamente, criado a aversão aos Yuppies corporativos, apedrejados em filmes como Uma Secretária de Futuro e Wall Street- Poder e Cobiça, e ao mesmo tempo cultivando uma legião de losers, aqueles esquecidos e excluídos pelas amarras republicanas, que acabariam sendo rotulados com o surgimento do grunge. Com Clinton no poder, toda a revolta bradada pelos pulmões de Kurt Cobain e companhia perdia frontalmente o sentido. Até mesmo os rappers jogaram o discurso político, que marcou grandes expoentes do gênero como o Public Enemy e N.W.A no lixo, abraçando a luxúria e a ostentação como formas de vida e música. Com o suicídio de Cobain em 94, a coisa descambou de vez: até o final da década, surgiriam bandas e bandas que emulavam o som pesado dos grunges, mas despindo o discurso de qualquer tipo de abordagem sociológica ou os lamentos épicos que marcaram as bandas de Seattle.

Bandas como Hottie & the Blowfish, Live, Bush, No Doubt, Counting Crows, Matchbox 20, Sugar Ray, Smash Mouth, Third Eye Blind, cantoras como Alanis Morissette, Sheryl Crow e Jewell e estrelas pops como Mariah Carey, Puff Daddy e, no final, as boys bands, Backstreet Boys e afins, todos esses artistas assépticos, com sonoridades limpas e sem qualquer tipo de preconceitos ou discriminações, abraçando todos os públicos e deixando de lado os comportamentos esdrúxulos e megalomaníacos das estrelas da década anterior. Um tipo de artista mais acessível, antenado com os problemas do mundo, pronto para recriminar preconceitos de qualquer ordem, opção sexual e cor, um retrato fiel do discurso dos Democratas, e que ia de encontro com o comportamento mais, digamos, "venham todos, vamos ganhar dinheiro e nos abraçar, tem pra todo mundo" proposto por Clinton. Perderam a vergonha das notas de dólares, e os Yuppies, tão humilhados antes, viravam então o molde de toda uma nação. Na TV, víamos o sucesso impressionante das sitcoms, majoritamente passadas em Nova Iorque. Com a difusão da TV a cabo nessa mesma época, pudemos, através das Sonys, Foxs e Warner Channels da vida, acompanhar de perto todo o boom desses programas. Friends, Seinfeld, Frasier, Mad About You, Everybody Loves Raymond, todas séries que compartilhavam o espírito da época com precisão, como se fossem celebrações de todo aquele sucesso e progresso vividos pelos yankees. Nesse cenário tão fofo (ui!) e otimista, surgia então a melhor alegoria de toda aquela época. Não, não era o Seinfeld. Esse era a Nêmesis perfeita, o despotismo que existia quando toda uma sociedade aceitava como maior sucesso de sua era um programa cujo mote era simplesmente rir daquilo tudo. Truque genial. Olha, estamos tão abertos para o mundo, amando tanto tudo e todos, que aceitamos, sim, esses cínicos rindo de toda a nossa alegria. Tiremos do maravilhoso seriado o rótulo de retrato daquele momento. Não é o caso. O rótulo cai direitinho, com toda a justiça, numa advogada magérrima e (segundo as más línguas, eu não concordo) promíscua de Boston. Sim, senhoras e senhores. Ally McBeal. O retrato fiel da era Clinton. A série criada por David E. Kelley era um espelho de todas as vertentes que marcavam aqueles momentos tão belos do mundo pré-11/09. Um bando de advogados e advogadas, todos jovens, bonitos, ricos, competentíssimos nas suas funções mas ao mesmo tempo devotando um tempo precioso às suas questões existenciais, algo que é (propositalmente, diga-se de passagem) irônico, já que sabemos bem que os advogados são vistos como seres frios e cínicos pela sociedade. Essas características davam aos personagens uma profundidade tridimensional que era exigida pelos espectadores da época. Mas se eu descrevesse a série assim, estaria sendo injusto, como são injustos todos aqueles que negam o óbvio: Ally McBeal foi uma das séries mais subestimadas já feitas. É, sim, lembrada e cultuada, mas sem o fervor merecido. Uma série que propunha-se cômica, tendo uma hora de duração e sem a tradicional trilha de risadas, com uma linguagem que diferenciava de qualquer coisa feita naqueles tempos. Sem Ally McBeal, jamais veríamos hoje séries engraçadinhas e dispostas a brincar com a própria linguagem, como os Dexters e Houses da vida. O show lançou também as primeiras dúvidas sobre o formato das sitcoms, que acabariam tendo hoje em dia a sua virtual extinção. Infelizmente, o seriado durou apenas cinco temporadas, ou quatro e meia na verdade, já que foi tesourado abruptamente no meio da quinta temporada.

Os motivos da derrocada? Eu tenho os meus: o uso limitado de espaço, já que a série se passava quase que totalmente entre os tribunais de Boston e a empresa na qual os advogados trabalhavam. Isso não afetaria uma sitcom, cujos 20 minutos por episódio permitiam o uso contínuo dos mesmos espaços e cenários, mas numa série com uma hora de duração, a história era diferente (embora isso não me atrapalhasse, não via problema algum). O ator que interpretava o Billy, amor de infância da Ally que advogava com ela na mesma empresa. O cara era muito fraco, e isso ficou evidente quando trouxeram na quarta temporada o Robert Downey Jr. para apimentar a coisa toda, o que também é outro motivo. Depois que o junkie-mor de hollywood se juntou ao elenco, tudo foi por água abaixo. Os indíces de audiência até melhoraram, mas depois de um tempo a série se descaracterizou totalmente, virou o "show do Downey Jr.". E aquele que, para mim, é o maior motivo da vida relativamente curta do show: a série era avançada demais para a época, em termos de linguagem e comportamento. Se tivesse surgido hoje em dia teria sido bem melhor absorvida pelos espectadores. Mas aí vocês, espertalhões, perguntam: se a série era o retrato da era Clinton, como então que ela não foi compreendida bem pelos espectadores daquela mesma era? Xeque-mate.

A era Clinton acabou atolada em escândalos sexuais que mostraram que os norte-americanos, pelo menos para os padrões deles, tinham ido longe demais. A brincadeira tinha acabado. Para eles, se nem a Casa Branca poderia ser imune aos comportamentos que afrontavam as reservas morais dos yankees, então tudo tinha sido em vão. E a Ally McBeal pagou o pato, afundando junto do governo o qual servia de espelho. E depois, os aviões botaram o World Trade Center no chão, a era Bush Junior assolou o país, e hoje temos o Jack Bauer como símbolo da paranóia de toda uma nação. Mas para não acabarmos nostálgicos e tristes, lembremos de tudo aquilo que fez de Ally McBeal uma das melhores séries já feitas: os diálogos ferinos e inteligentes, o humor de cartoon que foi uma inovação sem precedentes, com as épicas intervenções de elefantes, bebês malucos, músicas que paravam e começavam junto de pensamentos e memórias dos personagens, personagens que quando dispensados amorosamente eram jogados em latas de lixo, e todo tipo de maluquices que não eram nada comuns em séries de uma hora. A icônica interpretação da Calista Flockhart, excelente em todos os momentos, até na decadência, do show. Os coadjuvantes sensacionais, como Richard Fish e a secretária Elaine. E, principalmente, o quinto maior personagem da história das séries de comédias americanas, perdendo somente para os quatro principais do Seinfeld, e ganhando das Lucys e dos Friends com folga: John Cage. Esse conseguia ser um elemento de subversão maior até do que as brincadeiras de linguagem do show. Extremamente tímido, cortês, gentil, meio lunático, absolutamente alheio com tudo que acontecia ao seu redor, mas ao mesmo tempo um excelente profissional, capaz de render momentos memoráveis quando defendia seus casos no show, Cage era inexplicável. O tempo dos personagens, dos diálogos e das interações, tudo era jogado para o alto quando John Cage estavam em cena, provocando reações hilárias de todos os seus companheiros de direito, quase sempre jogados em silêncios incrédulos ante os atos dele. Cage era um trunfo sempre usado por David Kelley, e sua interação com a Ally McBeal sempre trouxe belos e hilários momentos. Num mundo ideal, os dias de Bill Clinton na Casa Branca não teriam terminado como terminaram, Al Gore teria sido eleito, já que teve um número maior de votos, o onze de setembro teria acontecido, mas a reação a ele poderia ter sido muito mais precisa e inteligente (e olha que eu acho o Al Gore um mala, mas perto do Bush Junior até o Lula vira estadista sério), a política suicida e arrogante do Bushzinho não teria gerado uma onda de ódio aos americanos que culminaria na ascensão de figurinhas lamentáveis como Hugo Chavez, Mahmoud Ahmadinejad e, argh, Luís Inácio Lula da Silva, Seinfeld jamais teria terminado e, principalmente, Ally McBeal teria tido um fim digno. Confessem que, naqueles loucos dias, vocês também amaram a Calista Flockhart. É, vão zoando aí. Aluguem-se com o Kiefer Sutherland suado. É disso que vocês gostam, não é mesmo?

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

My fair lady

A avó de um amigo meu me perguntou outro dia o que significava “filisteu”. Com um sorriso cheio de dentes podres, respondi à velhinha incauta, que já olhava apalermada o infinito, esquecida de que perguntara algo, esquecida mesmo de que eu estava ali ao lado dela:

“A senhora tem tempo?”, e nem deixei que dissesse mais nada. Chamei o neto dela e pedi o DVD de A Lula e a Baleia (The Squid and the Whale), esse Fanny & Alexander nova-iorquino, com um gostinho de clipe do Paviment, o que definitivamente não é um elogio. 80 minutinhos que passariam voando.

Tive de cutucá-la umas seis, sete vezes durante o filme, principalmente na cena que nos interessava, quando Jeff Daniels – com cara de urso ou, pelo menos, de biólogo da National Geographic que corre atrás de ursos – chama de filisteu o professor de tênis/amante de sua esposa. Seu filho pergunta, então, o que é um filisteu, e ele explica que se trata de alguém que não gosta de bons livros e bons filmes. O moleque conclui que é um filisteu, afinal de contas.

Tá, eu podia ter simplesmente respondido isso pra ela. Mas seria fácil demais, filistino demais. Além do mais, era privá-la de saber se ela mesma era ou não uma filistéia. Pois, vejamos, a questão toda se tornara uma missão pra mim, e do tipo civilizatório. No dia seguinte, eram umas dez e meia da manhã, quando apareci (o meu amigo não estava; quem atendeu a porta foi a própria velhinha).

“Tudo bem com a senhora?”

“Quem é você, rapazinho?

“Ah, eu sou amigo do seu neto; me deixa entrar aí.”

Debaixo do braço, eu tinha uma tela da Vista de Delft, do Vermeer, que, se não era a melhor reprodução que eu já tinha visto, pelo menos passaria pelo crivo das retinas tão fatigadas daquela avozinha. É claro que vocês sabem por que eu escolhi justamente esse quadro, é claro que sabem.

Falei:

“Senta aqui, vovó, e olha pra cá”, e aguardei.

“Senta aqui, vovó, e olha pra cá”

Mas, passados cinco minutos, nenhuma comoção, lágrima ou desmaio.

Eu estava frustrado, profundamente frustrado. Peguei o Vermeer e me fui, com uma amargura indescritível; suponho que saía como Proust, ao se dar conta de que, apesar de seu monumental esforço, a Busca inteira não valia um murinho; ou como um carnavalesco deixando a Sapucaí, a maquiagem borrada pela chuva e pelo suor, e a certeza da desclassificação, porque um dos carros alegóricos quebrara, malgrado os meses de trabalho extenuante, malgrado a genialidade da concepção artística da Gioconda indígena, com uma arara azul no regaço.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Epopéia de um garoto

No começo ele vivia numa bolha; explorava apenas partes dos limites do seu quarto e só aquelas que eram contidas pela parte interna da bolha, até sua melhor amiga resolver casar com o idiota de plantão que não tinha nada a ver com ela( as mulheres no seu habitue; prefiro não comentar muito, pois já estive nos dois papéis; não, nunca quis casar com um idiota, deixando claro minha heterossexualidade). Isso mexeu com o garoto, ele resolveu sair da sua vida encarcerada em busca do seu amor verdadeiro, entretanto repremido até agora(engraçado como sentimos falta quando as coisa estão longe...). Munido de uma bolha portátil, pois ainda não tinha imunidade e percorrendo um longo caminho que findaria nas cataratas do Niágara.

Ao percorrer todo aquele percurso, nesse interim, conheceu toda aquela realidade pungente o qual ele mesmo não fazia parte. Libertou-se do isolamento imposto pelo seus pais, penetrando outras esferas pessoais e íntimas. Parecia claro que haveria uma grande possibilidade dele romper a bolha na qual era dependente, mesmo que reprensentasse a morte e fez tal rompimento pelo amor que ele acreditava, por sacrifício e para demonstrar o seu afeto pela garota.

No final Jimmy Bubble não morreu, toda aquela situação de reclusão e isolamento era um artifício criado por sua mãe para evitar que o menino não conhecesse as mazelas do mundo exterior e, consequentemente, não rompesse nunca os vínculos maternos. Ele conquista a garota, faz amigos para toda a vida, ajuda no relacionamento dos seus pais: daria um bom desfecho para um heroí como também para uma obra de ficção. Contudo, não é de ficção que tratamos agora, falamos do mundo real onde os finais nem sempre são felizes e os casamentos costumam acabar em divórcio.

Enfim, saber o motivo claro dele trocar sua linda mulher por um coelho imaginário, so pode ser respondido pela falta de lógica do mundo em que vivemos. Ele cresceu, saiu do seu cercado e haveria a possibilidade que aquela linda e loira garota veio a ser um empencilho para a continuação da sua experimentação com a realidade. Mudou de cidade, arranjou pais novos(incrível como a internet possibilita as coisas nos dias de hoje), mas ainda era uma vida problemática e complicada. Com o seu amadurecimento ele perdeu sua inocência, sua capacidade de não se levar tão a sério. E com aquele amadurecimento trouxe também uma percepção perculiar da realidade e deve ter assustado o não tão mais garoto. Como Cassandra suas visões acabariam prejudicando sua vida e poderiam vir a encerrar a vida dele. Foi o que muito pensaram que aconteceu, entretanto os fatos são outros.

De Jimmy Bubble, ao depressivo Donnie Darko( engraçado pensar que ambos os nomes tem consoantes duplas). A leitura do textos de Thoreau, sobretudo aqueles que falam sobre a volta do homem a natureza, acabaram influenciando essa figura quase mitológica. E seguindo o modelo da fênix ele precisava renascer novamente, resolveu refugiar-ser no meio rural, longe da loucura da urbanidade que o prejudicara tantas vezes antes. Como vaqueiro e com o nome de Jack Twist(ironia ou acaso?) ele entrou em contato com o seu ser rural. Tentou ainda conviver com o seu ex-amor, ela havia mudado muito, é verdade; os tempos não foram generosos para a garota mas ele tentou ter uma vida normal com ela, constituir família e quem disse que ele conseguiria?

Na vida bucólica do campo conheceu alguém que mexeu com sua tentativa de ser normal: Ennis del Mar( os nomes com consoantes duplas estão realmente presente na vida dele). A capacidade e a vontade de experimentar de Jack(Jimmy ou Donnie) havia chegado no auge; era um pacote completo, daqueles de filmes românticos e trágicos: o amor proibido entre dois homens másculos numa sociedade completamente machista e pouco liberal. Lógico, findou em tragédia ou foi assim que Ennis pensara.

Ele havia fugido novamente, seu paradeiro, desconhecido. A primeira hipótese foi que ele resolver virar ator; a segunda, ele tornou-se um cartunista obcecado por assassinatos. Contudo ambas as hipóteses são apenas especulações de revistas de fofocas e sites de internet com notícias duvidosas, ambos podem ser apenas obras de ficção.

TETÉIA DA SEMANA

Fernanda Machado

Atriz paranaense. Destaque na última novela das oito da Globo, a sorumbática Paráiso Tropical. Como o Gilberto Braga, autor da novela para os incautos, resolveu vir com a manjadíssima palhaçada de "Quem matou fulano(a)?" pela milésima vez, não conseguindo êxito dessa vez, já que todos estavam pouco se lixando para o assassino da canastrona Taís, o final acabou não fazendo justiça ao talento dessa jovem (26 anos, e viva a indiscrição) atriz. A trama de sua personagem, a jovem prostituta Joana, acabou sendo um dos raros destaques na novela. Esse camarada pode dizer que já tinha percebido o talento dessa graciosa aspirante a starlete muito antes de tudo isso acontecer, numa horrenda novela das sete chamada Começar de Novo, exibida há dois anos, quando ela interpretou a filha do galináceo e galã idoso de plantão Marcos Paulo. Fernanda tem muito mais classe que a careteira da Alessandra Negrini, e por isso mereceria já ser considerada para papéis maiores. Mas pelo jeito continuará vivendo de migalhas, quem sabe até se submetendo à humilhação suprema, tendo de ir para a Record ganhar uns trocados. Mas torçamos para que isso não aconteça, e que ela possa continuar trazendo classe para um meio tão batido e bruscamente vulgar como o das soap-operas brazucas.

sábado, 29 de setembro de 2007

Fenomenologia do Sex and the city

Finalmente, ficou claro pra mim quem nós somos, o que é o Fomos ao Cinema, entre os blogues brasileiros. Nós, Camarada Moderado, Camarada Progressista e Camarada Fundamentalista, somos o Saia Justa dos blogues. Piadas sem graça e pautas - muitas vezes interessantes - tratadas de maneira infame e fútil, mas sempre, sempre com um verniz cabeça e, ao mesmo tempo, descolado, cool. E bota cool nisso!

(Ao lado, o (desejo de) vir-a-ser das integrantes do Saia Justa e, por que não dizer, dos camaradas deste blog.)

Humor em texto escrito não é grande coisa mesmo. Se você quer rachar o bico, como diz a molecada, vai assistir Zorra Total e Todo o Mundo em Pânico 1, 2 e 3. Com literatura e afins, no máximo, uma risadinha, mas, na maioria das vezes, só um sorrisinho mesmo, do tipo “ah, esse rapaz, que espirituoso que ele é, ha, ha, ha”. (Tá bom, tá bom: se você tiver espírito suficiente pra absorver o pensamento, dançar com ele, tomá-lo pra si, dá pra rir bastante; mas é trabalhoso, muito trabalhoso.)

Tipo humor inglês. Nada dessa coisa escrachada que desmancha penteado e derruba peruca. O que não é educado, afinal. Mas a literatura, por outro lado, é uma coisa educada, porque exige concentração. O sujeito tem que calar a boca pra ler, e não existe maior demonstração de boa educação que se calar a boca. É a essência das boas maneiras um indivíduo que jamais revele o que está pensando ou sentindo. É muito feio se mostrar, se expor sob qualquer aspecto.

Eu sei que aqui não é nem isso. Nem humor inglês. É mais pastelão, tipo os Três Patetas, com o sketch terminando com uma guerra de tortas. Apesar de, nesse caso, o Moe ser meio filosófico, meio profundo, como vocês costumam dizer. Mesmo sendo outra a chave pra se compreender o Camarada Fundamentalista, mesmo sendo essa chave o amor.

Porque tudo o que eu escrevi até hoje sempre proveio única e exclusivamente do meu amor. São todas declarações de amor, mesmo que de vez em quando invertidas. Porque eu sou todo amor. Em mim não existe isso de gosto ou espírito. Quando eu assisto um filme, por exemplo, eu não julgo se o filme é bom ou ruim (se me ouvirem falando se um filme é bom ou ruim, podem ter certeza de que estarei só fingindo que sei o que significa esse tipo de discriminação, pra assim agradar a audiência, tão perdida nessa história de crítica), eu me deixo encontrar pelo filme, sobre o Sena e sob a luz da lua, e depois fico cantando I love you for sentimental reasons pra caixinha do DVD.

Nasci pra escrever canções de amor, pra ser Jorge Ben e morar num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, mas só consegui aprender a ler La Rochefoucauld em francês e, em vez de ser identificado como um moralista, ser chamado de de filósofo, como se eu soubesse da insustentável leveza do ser e outras questões dignas de Márcia Tiburi, essa sim, uma das pensadoras mais vigorosas destes dias tão saia-justa, quá, quá, quá, quá, quá.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Camarada Fundamentalista, um brasileiro (ou Gisele Bündchen, heroína de nossa gente)

Eu e o Brasil – uma das relações mais bonitas e delicadas que eu conheço. Tão delicada que chega a ser invisível para os olhos alheios, mesmo os dos meus íntimos. E como me acusam de ser insensível, de tratar mal a quem eu amo, de ser frio e distante! Ah, mas só o Brasil e eu é que sabemos: como eu lhe sou gentil e terno quando estamos a sós, como sou todo carinho com suas milhares de exceçõezinhas e caprichinhos. E pareço até o Manuel Bandeira, de tão emo que eu fico.

Eu, no ônibus lotado, logo de manhãzinha, com meu Grande Sertão: Veredas na mochila, sonhando com Riobaldo e Diadorim. Eu me trancando no banheiro do serviço pra matar tempo, e a hora do almoço chegar mais depressa – tão Macunaíma! E os blogs que eu leio, então! Especialmente o de um moço cheio de francofonices, zombando de Cansei de Ser Sexy e do cânone literário nacional, tsc, tsc, tsc. E não é que ele, fazendo assim, não podia ser mais Brasil?

Pois o Brasil é senão o impasse entre ser o outro ou simplesmente não ser nada. Veja lá: roupa de Papai Noel no verão, a Constituição Federal, a MTV, a Gisele Bündchen, e os exemplos não acabam mais. Tudo postiço, tudo coisa que não é daqui, porque, afinal de contas, o que é daqui, o que é aqui? O otimismo dos tropicalistas que me lêem talvez julgue o cenário exageradamente desolador. No entanto, não vou florear as coisas para poupá-los; mas posso pedir, como consolo, que atentem ao Latino: pois, apesar de tudo, há algo como o Latino. Dali há de nascer um novo país, sem Peri nem Ceci, e por isso certamente maior.

Nossa seção Brasil foi tocada de lado, principalmente por mim: confiram, minha última postagem é do tempo em que eu procurava consolidar minha candidatura à Câmara Estadual de São Paulo, amealhando apoio junto aos universitários. Pra isso, até briga com o Reinaldo Azevedo eu arranjei. Logo com ele, que eu amo tanto. E involuntariamente, poxa! Mas eu quero retomar meu compromisso, diante de vocês, de amar o Brasil, e de falar dele, e de beijá-lo na frente de todo o mundo, porque o que é que a gente leva da vida senão o que a gente faz de bom pra quem a gente ama, né?

E, bom, eu também estou atrás da minha brasilidade, tão empulhada pelos meus vícios indie e meus flertes com o mainstream. Ai, é tão hipócrita da minha parte falar assim do mainstream, como se eu também não estivesse interessado no que é que a baiana tem. Por exemplo o blogspot, que é tão establishment; sem dizer que, bom, não colocamos à toa uns anúncios do Google Adsense logo AÍ ACIMA, claro que sem ficar induzindo ninguém a ir lá clicar e ajudar a gente, pois, pessoal, a gente estamos aqui, pessoal, trabalhando honestamente, pessoal, mas a gente podíamos estar roubando e matando, mas, não, pessoal, a gente estamos aqui, trabalhando pra obter o sustento da gente honestamente, pessoal, e por isso, pessoal, a gente agradeceríamos a colaboração, pessoal, e quem puder ajudar, que Deus abençoe, mas quem não puder ajudar, que Deus abençoe também, pessoal, e desculpa por tudo, pessoal.

A Maldição do Radiohead

Eu gosto do Radiohead. Embora esteja muito longe de poder ser considerado fã da banda, gosto um bocado de alguns discos e músicas do grupo do loser e freak de plantão Thom Yorke. Já que essa banda não me provoca arroubos de paixão, mas também passa longe de ser um estorvo para os meus ouvidos, deveria nutrir com ela uma relação saudável, que trouxesse momentos agradáveis em dias soturnos, que é quando a elegante sombriedade da banda se faz necessária. Mas acontecimentos bizarros com esse Camarada que vos fala mostram que a história não é bem essa. Voltemos no tempo então, no modo Mc Fly de ser da coisa (vai que é sua, Michael J. Fox!).

2001. Ensino Médio, terceiro ano do colegial. Compro numa loja vagabunda perto do meu colégio o cd OK Computer, terceiro álbum do Radiohead. Preço: 35 pilas. Sabe-se lá o motivo, resolvo levar o disco para a escola, no dia seguinte. Mostro para os meus colegas, que ficam alvoriçados, já que muitos gostavam da banda. O primeiro a pedir emprestado o Cd é o nosso conhecidíssimo Camarada Moderado, que tinha se juntado naquele ano à nossa classe. Empresto. Uma semana depois, o Camarada traz o cd de volta, como combinado. Mas outro amigo nosso, cuja identidade manterei em sigilo, pede o disco emprestado. Cedo o mesmo, mais uma vez, nos mesmos termos do acordo feito com o Moderado. Mas depois de uma semana, quando fui cobrar o nosso amigo (nossa relação nunca foi exemplar, então a conversa foi rude), ele disse que tinha emprestado para outro amigo nosso, aí esse outro amigo disse que já tinha devolvido o cd para ele, e nesse acusa de cá, acusa de lá, a verdade é que eu nunca mais vi a cor do cd. OK para o computador, mas não para mim, ó trágico destino. Mas deixei para lá e segui minha vida adiante.

Um ano depois, quando fazia Cursinho numa famosa instituição de ensino numa avenida mais famosa ainda (glamour é pouco), resolvo comprar o cd Pablo Honey, primeiro álbum do Radiohead, aquele que tem a mítica canção Creep. Nem me atrevi a levar para o cursinho, sabe como é. Pois bem, ouço o cd por dois dias, moderadamente, já que tinha que estudar pra porcaria do Vestibular. No terceiro dia, quando pego o disco e coloco para ouvir, noto que o mesmo estava travando logo na primeira música. Não acreditava, um cd comprado a meros três dias, dando pau. Pego o cd na mão e noto um gigantesco risco, ocupando um raio inteiro do cd. Eu tinha tido todo o cuidado do mundo para manusear o disco, ele não veio com risco nenhum, ele não caiu no chão em nenhum momento. Nada poderia ter causado tamanho rombo naquele pequeno círculo de plástico e alumínio. Até hoje guardo o disquinho riscado na caixa original do cd, ele sempre a rir da minha incurável patetice. Rá, rá, rá, não deu nem pra três dias, jão, já entrei nos pormenores das danificações, certo truta? Cdzinho abusado....

Depois dessas duas pauladas seguidas em menos de um ano, resolvo dar um tempo. Fico bons cinco anos sem nem pensar em comprar um cd do Radiohead, só ouvindo algumas faixas baixadas por mim na internet. Mas depois de tamanho hiato, andava por uma Americanas da vida, observando atentamente as famosas promoções da loja, quando me deparo com algo surpreendente. Os cds The Bends e Hail To The Thief, 10 pilas cada. Aí não deu pra resistir. Gastando 20 reais, quase a metade do que tive de desenbolsar para comprar o OK Computer seis anos antes, teria em mãos o segundo e sensacional cd do Radiohead (meu favorito da banda) e o disco mais recente lançado por eles, respectivamente. Essa oferta tentadora ativou minha temida impulsividade (canceriano babão) e lá fui eu pro caixa. Voltei lépido e feliz para casa, acreditando que finalmente poderia curtir em paz as adornadas músicas de Thom e cia. Ledo engano. A maldição iria se fazer presente, pela (acredito eu) última e derradeira vez. Ouço os discos por toda uma semana, principalmente o The Bends. Num belo dia, me disponho a ouvir mais uma vez os cds, pego o meu case e procuro pelos mesmos. Acho o Hail to The Thief, ouço um pouco, depois resolvo colocar o outro. Procuro no mesmo case, onde jurava que tinha colocado o The Bends, e não acho. Olhos nos outros cases, e nada. Reviro o quarto inteiro, olho em todas as caixas de cds, gavetas do armário, embaixo da cama, enfim, coloco o quarto de cabeça pra baixo e não acho o bendito. Depois expandi minha busca para o resto da casa, olho em todo os cantos possíveis e imagináveis, e nada de achar. Passado um ano todo, mesmo eu procurando com frequência, mesmo tendo olhado cinquenta vezes em todos os lugares onde o cd pudesse estar, não tive qualquer êxito na minha busca. O cd, mais rápido do que veio, sumiu sem deixar qualquer rastro. A caixa original ainda está comigo, esperando, como a esposa que tolamente aguarda a volta do marido que, tendo um dia saído para compar cigarros, nunca mais deu as caras. Corna, sabe bem ela que não existe volta. Que ache outro disquinho para completar a tampa da sua panela.

Quanto ao Hail To The Thief, esse acabou tão riscado em poucas semanas de execução, que já hesitava em funcionar. Algumas poucas vezes ia, outras muitas mais emperrava, empacando feito mula parruda. Numa dessas irritantes vezes que o cd teimava em não funcionar, travando logo nos primeiros acordes da primeira canção (Humberto Gessinger, descanse em paz), 2+2 = 5, me enfureci de tal maneira, que peguei o disco e taquei na parede, colérico como um cão, babando e espumando toda a sua raiva. Era o meu eu lírico, tortuoso e vingativo, levantando-se contra a maldição. E a maldição, tinhosa como só ela, aspiciosa e malévola, devolveu o ataque despedaçando o disco em diversas partes, o contato violento com o reboco da parede sendo o juiz e mediando os termos. A maldição saía vitoriosa, e eu recebia a condenação definitiva. No Radiohead for me. Se vocês estiveram achando tudo isso coincidência, deixem-me pegar outra banda inglesa da mesma geração, britpop por excelência, para fazer uma comparação: Oasis.

Tenho todos os cds da banda, alguns, como o What's The History Morning Glory e o Definitely Maybe, comprados há mais de uma década. E todos eles funcionam perfeitamente até hoje. Um deles, o Be Here Now, mesmo estando totalmente riscado (não por culpa minha, mas essa é uma longa história, eu cuido bem dos meus cds), muito mais até do que estava o Hail to the Thief, funciona sem problema algum, jamais travando qualquer segundo que for. Somente com os disquinhos da bandeca do Thom Yorke é que o bicho pega. O motivo da existência dessa maldição, eu jamais saberei. Vou chutar um motivo bem tosco e idiota, e vocês julguem se falei groselha ou não. Li uma vez numa revista (acho que foi a mais uma vez extinta Bizz, se não me engano), em meados de 2000, uma matéria que falava sobre uma suposta sincronia entre o disco Kid A, lançado naquele mesmo ano pelo Radiohead, e o chatíssimo filme Bruxa de Blair. Que, nos mesmos moldes da famosa sincronia Mágico de Oz/Dark Side of the Moon, garantia que as músicas do disco correspondiam com absoluta precisão às cenas do filme, com as letras do senhor Yorke descrevendo cenas que ocorriam, partes instrumentais sincronizando com danças dos personagens, entre outros fatores. Pois bem, eu fiquei tão impressionado, que resolvi fazer o teste. Peguei emprestado o Kid A com um amigo meu, que fazia um curso técnico comigo na época e para o qual eu sempre emprestava discos, e aluguei o filme e fiz a sincronia. Correspondia mesmo com as descrições da revista. Mas talvez esse ato de curiosidade pode ter custado, vamos ver, 35 mais 30 (preço que paguei no Pablo Honey) mais 20, ou seja, 75 reais. E, pelo teor desse texto também, parte da minha tão prezada sanidade, e muitos de vocês com certeza concordarão com isso. "Esse progressista é um bebum ambulante mesmo, maluco que só ele". Há: devolvi o Kid A inteiro para esse amigo, sem problemas, o negócio é comigo mesmo. This is what you get, when you mess with us...

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Caravana de São Miguel Paulista...

Não dá pra esconder, vocês viram o contador do Site Meter aí do lado, não viram? Não vou me fazer de difícil. Pois é, mais uma vez ressalto, confesso que a gente também quer faturar algum. E nesses últimos dias, logo agora que eu (e, pelo que eu sei, também o Camarada Progressista) tenho passado por mais uma crise criativa, o número de acessos estourou, e parece que vocês têm acessado diretamente nosso humilde endereço blogspot. E isso, assim, do nada, porque até outro dia eram só os camaradas de sempre, um séquito diminuto, mas fidelíssimo.

E eu, amante dos holofotes, amigo dos olhares alheios, não podia resistir, por isso dou uma de Silvio Santos e passo a interagir com o auditório: "E vocês, aí do fundo, estão vindo de onde? São... São Miguel Paulista! Eh, São Miguel Paulista! Nossa, mas é muito longe!"

(Ah, sim, vai que alguém aí tenha uma amiga ou irmã bonitinha e esperta, e que fale francês: eu, Camarada Fundamentalista, entre 20 e 25 anos, cabelos negros e ondulados; gosto de crianças, algodão-doce e bexigas, e de ir ao cinema e dar longas caminhadas ao entardecer; e procuro quem me ensine a Marselhesa no original.)