segunda-feira, 29 de outubro de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Winona Ryder
Cito apenas um fato para demonstrar a envergadura de uma Winona Ryder. O Francis Ford Coppolla diz até hoje que se ela pudesse ter feito o filme Poderoso Chefão 3 (do qual teve de desistir de fazer, por culpa de um até hoje mal explicado problema estomacal), ele seria equiparado aos dois primeiros. Sendo que a substituta dela no filme foi a própria filha do cidadão, a ex-atriz e hoje diretora em atividade Sofia Coppolla. Ou seja, o cara passa por cima da própria filha para reverenciar Winona. E vocês ai achincalharam ela de todas as maneiras na época do Free Winona. Eu sei que ela ainda vai voltar, saindo do exílio forçado nas bombas do Adam Sandler, que é o último lugar no qual ela mereceria estar. Respeito, muito respeito com ela, seus incautos. Há, e feliz aniversário também, lógico. 36 anos, hein, senhorita Ryder? Parece que foi ontem...

domingo, 28 de outubro de 2007

Tragédia Social Brasileira Companhia de Teatro

E eu que achava que sabia o que é que era indie! Tá, aquela moçadinha de All Star e calça xadrez molenga é indie mesmo. Mas tem coisa mais indie que isso no mundo, tipo o Fred Astaire cantando Night and Day; faz o Sinatra parecer o Timbaland de tão pop. Mas, vixe, quando a gente fica achando que um cara como Fred Astaire cantando parece Yo La Tengo, bom, no meu caso, é que o meu nível de brasilidade tá lá embaixo, mesmo depois de eu ter ido ao cinema sete vezes torcer pelo Capitão Nascimento no combate à a.k.a. Tragédia Social Brasileira, oficina de teatro célebre entre os cabeçóides, responsável por fazer vir à luz muitos dos grandes talentos da cultura nacional, inclusive o recentemente falecido Paulo Autran, que brilhou com El Loco Glauber Rocha no palco do subdesenvolvimento à brasileira, em Terra em Transe. Esse povo lucrou, isto é, artisticamente, com essa molecadinha bonita e animada, aí pela rua, vendendo chicrétchi e fazendo malabarismos mil nos faróis.

Bendita seja essa galerinha que colocou a gente aqui!
E viva Pixote, e viva o cinema de autor!

Pois então, nesse sentido, o Capitão Nascimento me lembrou outro grande melhorador da humanidade, Platão, por ambos se posicionarem contrariamente às artes, já que, ainda que a partir de perspectivas distintas, intuiam o mesmo, que dou sob uma formulação mais próxima ao caso do oficial do Bope: que a condição primeira pra que exista a arte é que a vida continue sendo uma droga. Ah, camaradas, eu sei que vocês, em seu esclarecimento crescente, sempre sentenciaram nas rodinhas universitárias e, por que não, também nos almoços de domingo na casa da mamma, quando discutindo com seu tio reaça que diz que tem que ter censura sim e que arte é coisa de viadinho, e aí vocês vociferam mesmo, que a arte é amoral. Amoral, tio, amoral! "Ah, seu moleque, primeiro arranja um serviço, cria três filhos e aí depois vem falar comigo", responde ele rindo, com o copo de cerveja na mão e a barrigona agitando-se debaixo da camisa polo encardida. E você fica quieto, remoendo que isso é típico da consciência pequeno-burguesa, de querer vir esfregar sua superioridade calcada na moral do trabalho; ah, mas ele nem sabe que Marx, ah, que Marx nunca teve um emprego de verdade na vida, e pensar na vagabundagem de Marx é opor à superioridade dele a sua, e isso te consola, além de que, poxa, a macarronada, hmm, uma delícia! Mas, então, mesmo que vocês neguem, a existência da arte pressupõe um fato moral: quer dizer, cedo ou tarde, a gente se desentende com a Camarada Vida e diz "mas tu é muito ordinária mesmo, minha filha", e nessa hora a gente fica parecendo tão Nelson Rodrigues!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

O Magnata: pior filme feito nessa terra que tem palmeiras, Corinthians e o escambau?

O negócio é o seguinte: todo mundo sabe que o cinema brasileiro, por absoluta falta de condições financeiras, técnicas e logísticas (falta de estúdios apropriados e tudo mais), gere um número altíssimo de produções abaixo de qualquer tipo de crítica. Lógico que isso não é uma generalização estúpida, ainda somos capazes de produzir os Cidades de Deus e os Tropas de Elite da vida para livrarmos a nossa cara, mas chuto sem medo de errar que mais de dois terços dos filmes lançados nos nossos cinemas são medonhos. A situação hoje é melhor do que a dos anos 80, auge das pornochanchadas e do cinema da Boca do Lixo, quando cinema nacional era sinônimo de pornografia light. Clássicos imortais como o sensacional O Romance da Empregada, filme que tinha mais palavrões do que qualquer Tarantino, A Freira e a Tortura, A Noite das Taras, O Dia do Gato e Amor, Estranho Amor, todos filmes que representavam a absoluta falta de noção que tomou de assalto os realizadores daquela era. Ver uma mulher vestida nessas produções era mais difícil do que achar torcedores da Portuguesa de Desportos soltos por aí. Depois que o Collor acabou com a festa, e ficamos 4 anos sem ver filmes nacionais, a coisa acalmou, e os filmes da retomada tentam se manter longe do padrão estabelecido pelos anos 80. Pena que isso não significou uma melhora qualitativa significante nas produções. Enquanto bons filmes como Cidade Baixa, Dois Perdidos numa Noite Suja, O Cheiro do Ralo e Cinema, Aspirinas e Urubus dão a impressão de terem sido feitos claramente no limite, com poucas condições financeiras, temos de ver as produções da Globo Filmes, casa dos farsantes Moacyr Góes e Daniel Filho (alguém aí já notou que eu não suporto esse cara? Não?), saírem com orçamentos muito mais decentes. E os filmes da Lei Rouanet, Progressista? A graninha que sai dos cofres públicos não seria um alívio financeiro para diversas películas?

Eu digo: sim, seria. Mas a Lei Rouanet serve para propósitos bem definidos. O que tem de publicitário louco pra virar diretor que consegue financiamento com ela não está no gibi. E também, logicamente, estultices sem tamanho que, por fatores que fogem a qualquer lógica minimamente racional, conseguem milhões de reais para serem completadas. O que justifica um projeto como O Magnata, filme "escrito" (calafrios) pelo adolescente de 37 anos Chorão, vocalista da pior banda de Santos (e olha que Santos não é exatamente uma Manchester no quesito bandas), Charlie Brown Jr, ser aprovado para essa lei? Como é que usam o nosso dinheiro pra financiar um lixo desses? Cadê o enrolador do Gilberto Gil pra justificar essa palhaçada? O filme vem sido exibido para críticos, e todos têm sido unânimes em apontar a película como momento mais baixo do cinema nacional. E os trailers que andam circulando pela net também dão uma boa ídéia da tragédia que se aproxima dos nossos cinemas. Talvez o Garrincha-Estrela Solitária finalmente possa perder o posto de pior filme já feito por essas bandas. A "história" (sic) do filme versa sobre um rockeiro imaturo (interpretado pelo canastra Paulo Vilhena) que herda uma fortuna do pai, começa a fazer um monte de bobagens, até se apaixonar por uma garota justo quando acontece um crime que pode ter terríveis consequências na sua vida. Tudo permeado com diversas, inúmeras, intermináveis cenas de skatistas. Sério. Sabe aquele tema batidíssimo nas "canções" (mais uma vez, sic) do Charlie Brown Jr., do ignóbil que consegue subir na vida e que não sabe lidar com o dinheiro e com a fama, aprendendo que na verdade, o amor é o que realmente importa nessa vida, tá ligado, eu sou bicho, toda patricinha adora um vagabundo e coisa e tal? Coisas que o Chorão martela nos nossos pobres ouvidos desde o surgimento da banda, longínquos 10 anos atrás? A propagação da sua completa ignorância, que na maneira Lula de ser, vira motivo de orgulho para o cidadão, já que indica, na sua lógica burra e torpe, um contato genuíno com a "brasilidade", o nosso complexo macunaímico de ser. Chorão se gaba de não saber fazer poesia, de ser malandro, de não usar sapato, de ter lutado pelo que é seu, mas não pensa duas vezes em usar o dinheiro de pessoas que verdadeiramente lutaram pelo que era delas para financiar seu atentado à sétima arte. Mas eu não vejo a hora do filme estreiar: se for metade do que andam falando por aí, deve ser de bater a cabeça de tanto dar risada. Tcharroladrão!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Débora Falabella

Atriz mineira, destaque na horrenda novela Duas Caras e que também esteve recentemente estrelando a enésima adaptação do livro Primo Basílio para os cinemas. Talvez a atriz mais talentosa de sua geração, tem sido rosto frequente nos filmes nacionais, desde o sucesso do longa Lisbela e o Prisioneira. Também tem uma carreira crescente nas novelas, desde que se destacou interpretando uma junkie na Mulheres Apaixonadas. Consegue sempre se destacar em todos os projetos que empreende, o que é uma façanha quando lembramos que ela já fez dois filmes com o Daniel Filho, o que seria um atestado de morte para qualquer atriz. Ainda não é uma Cláudia Abreu, mas acreditamos piamente que esse dia está chegando. Quem sabe se começar a dizer não para todo e qualquer projeto que tenha o nome do Daniel Filho no meio?

sábado, 20 de outubro de 2007

Variedades

Todas as postagens que eu deveria e gostaria de ter feito nesses últimos dias, mas que, talvez pelo meu gênio (tipo o dâimon socrático) me soprando paternal e contrariamente, abandonei. Todas elas, quer dizer, a tentativa delas, vinculo logo abaixo, pra verem que, mesmo que não pareça, eu estive pensando em vocês.

Dois fragmentos dispersos sobre Tropa de Elite:

É um filme poderoso, e seu maior mérito é a ambigüidade, que faz vir à tona a estupidez da audiência, o fascismo latente de noções vagas e mal-ajambradas. Trata-se provavelmente de nosso Clube da Luta; ao menos, suscitou reações semelhantes – os filisteus politicamente corretos acusando-o de fascista, e os fascistas louvando-o como uma imagem rígida da justiça. E, no entanto, o filme é uma objeção a ambos os lados.

Na casa do Capitão Nascimento, quem lava a louça é ele, que eu sei. Poxa, cadê o machão, o cabrón das antigas, aquele que matava barata a cuspe? E, no entanto, eis o novo herói nacional: Macunaíma dark. Macunaíma, por causa da miscigenação até da Ética. Ética, sabe, aquela moça que era filha de um fazendeiro rico lá pelas bandas de Goiás, só que foi se engraçar com um moleque da cidade grande, cheio de farelo de marxismo na camisetinha do MST, engravidou e agora divide um cômodo no Crusp (o conjunto habitacional pros estudantes da USP) com uma família boliviana clandestinamente instalada e ainda espera o namoradinho largar as cervejadas e providenciar de uma vez a maldita revolução.

Dois provérbios húngaros (meu húngaro está enferrujado, por isso desculpem a tradução; a quem puder ajudar a melhorá-la, agradeço):

Nézd meg az anyját, vedd el a lányát.

Antes de casar com a filha, dê uma boa olhada na mãe.

Serény asszonynak rest a lánya, rest asszonynak serény a lánya.

Mãe trabalhadora, filha preguiçosa; mãe preguiçosa, filha trabalhadora.

Ah, esses húngaros, ainda hei de ver minhas máximas vertidas em sua inacessível língua!

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

TOP 10- Piores atores hollywoodianos

Lembrando sempre: Ben Affleck não é humano. Ele é um robô criado pelos irmãos Weinsten na era de ouro da Miramax. Eles queriam transformar o Matt Damon numa estrela, e como o cidadão não se garantia muito na época ainda, criaram o Ben Affleck para garantir que, por pior que fossem as atuações do Matt Damon, as críticas acabassem dizendo: "o Damon perto desse Ben Affleck é o Marlon Brando. Esse cara é sério mesmo?". Por isso, ele não entra na lista.
Obs: essa lista é de responsabilidade única e exclusiva do Camarada Progressista, não refletindo necessariamente a opinião dos outros dois camaradas.

10-Mark Ruffallo
Os críticos o adoram. Ficam doidos com as "nuances" interpretativas dele. Burros. Ruffallo é tão carismático quanto um poste de rua. Sem dúvida alguma, o ator mais superestimado de sua geração. No filme Zodíaco, ele interpretou um policial que serviu de modelo para o filme Bullit, estrelado pelo Steve McQueen. Imaginamos então que o policial devia ser um sujeito um tanto quanto durão, excêntrico, maluco. E o Ruffallo vai lá e interpreta o cara que nem se fosse um almofadinha nerdesco. Steve McQueen, pô! Como ele está aqui em Sampa, filmando o Ensaio sobre a Cegueira, vou ver se esbarro nele pra falar a real na cara. Ruffallo, you sucks!



9-Billy Crudup
Maldito o dia em que criaram o método. Se serviu de modelo para grandes atores, também acabou dando material para canastras de todos os tipos nos torturarem com suas caras e bocas. Billy Crudup não foge dessa rotina. Assistir um filme com o sujeito é pior do que bater na mãe. É um tal de boca aberta pra cá, mão no bolso pra lá, cabeça prum lado, braço para o outro, que você acaba pedindo somente para chegar logo o fim. O cidadão destruiu o filme Quase Famosos, do Cameron Crowe, com sua total inaptidão para a arte da atuação. Obrigado por nada, senhor Crudup.

8-Dermot Mulroney
Ser inexpressivo é uma arte. E Dermot Mulroney é um aluno aplicadíssimo dela. Tivemos o desprazer de ver esse cidadão em milhares de comédias românticas lançadas no vácuo do sucesso do filme O Casamento do Meu Melhor Amigo. Sempre a mesma cara de cachorro morto, seja qual for o filme ou o personagem que ele interpreta. Que nunca foge do padrão criado pelo filme da Julia Roberts: o sujeito bem sucedido e sem sal que acaba sendo objeto de desejo da protagonista burra. O pior é que ele também estava no Zodíaco. Meu Deus, tá na hora do David Fincher mudar o diretor de elenco, né não?

7-John Leguizamo
Um dos piores desprazeres da minha vida foi ter assistido numa madrugada insone um filme no qual esse cidadão interpretava um rapaz de meia idade com deficiências mentais. Não tenho nem como começar a tentar descrever o que era aquilo. Nem lembro o nome do filme, de tão traumatizante a experiência. Além de tentar estragar todos os filmes que participa (até o Moulin Rouge ele tentou), ainda temos de aturar as rotinas de comédia do sujeito na HBO. Sério, se eles colocassem um papagaio parado no palco, seria mil vezes mais engraçado.


6- Michael Pitt
Na cena indie yankee, não tem pra ninguém. Michael Pitt é o cara. Todo santo filme é a mesma voz anasalada, a mesma sonolência, o mesmo ar de cara-maluco-mais -ingênuo que ele empresta para todos os seus personagens, sejam eles caricaturas de rockstars mortos (vai que é sua, Gus Van Saint) ou jovens estudantes participando de orgias em Paris. Se a cena independente americana tem uma péssima reputação de cabecismo e indulgência, deve muito para esse cara.



5-Jared Leto
Eu nutro um ódio mortal pelo Jared Leto. Sempre conseguindo papéis em bons filmes, trabalhando com diretores respeitados, sem ter a menor condição para isso. Outro fruto da cena indie americana (uhm, começo a enxergar isso como um sintoma...), Leto acha que um bom trabalho de atuação significa acreditar que todos os seus personagens, eu disse, TODOS, são psicopatas. É inacreditável. O cara não muda o disco nunca. Mesmo quando o personagem claramente não pede por traços de instabilidade emocional, lá vai o Leto e interprete como se o cidadão estivesse à beira da internação no primeiro sanatório da esquina. E ainda temos de aturar a sua horrenda banda, o 30 Seconds to Mars, que vem pro Brasil mês que vem. Pobres de nós.


4-Giovanni Ribisi
Esse perdeu as aulas mais básicas de composição de personagem. Não conseguiu encontrar um tom certo nem no Encontros e Desencontros. Nem um Bergman da vida conseguiria arrancar algo desse ignóbil. Protagonizou um momento sensacional no horrendo filme A Estranha Perfeita, ao lado da Halle Berry, quando tinha de explicar uma conclusão sua para a personagem dela no final do filme, aluguem o filme só para ver essa cena ridícula e bater a cabeça de tanto dar risada. Mas ele vai continuar por aí, arrumando papéis em grandes filmes, enquanto atores mais talentosos continuarão sendo ofuscados pelas luzes do anonimato.



3-Orlando Bloom
O dicionário Houaiss define a palavra carisma, na sua derivação por analogia, como sendo um "conjunto de habilidades e/ou poder de encantar, de seduzir, que faz com que um indivíduo (p.ex., um cantor, um ator) desperte de imediato a aprovação e a simpatia das massas". Game Over, Orlando Bloom. Fatality. E eu, que tive de aturar 150 minutos no filme Cruzada com esse cidadão. Na série Piratas do Caribe, ele foi totalmente, absolutamente, furtivamente, eclipsado pelo Johnny Depp. Se bobear, tem gente que nem lembra que ele estava no filme. E a gracinha da Keira Knightley teve de mudar o foco da sua personagem por culpa da total apatia desse jão. Imperdoável.


2-Robert Duvall
Eu sei, ele participou da melhor trilogia da história do cinema. Eu sei, ele estava no Apocalipse Now. Eu sei, ele foi indicado seis vezes ao Oscar e ganhou uma estatueta. Eu sei de tudo isso. Mas nada disso muda minha opinião. Robert Duvall é o ator mais superestimado da história, desde o nascimento da tragédia grega. Eu nunca consegui aturar o tipinho de atuação desenvolvido por ele. Pode me bater se quiser, mas se o filme tem o Robert Duvall no elenco e não se chamar O Poderoso Chefão ou Apocalipse Now, eu nem me dou o trabalho de assistir.

1-David Hasselhoff
Respeito. Muito respeito por um ator que conseguiu ter o seu filme roubado por um carro numa série de quinta categoria. Respeito por um cara que consegue "atuar" (sic) pior que dois peitos falantes numa série estrelada por salva-vidas correndo em câmera lenta numa praia. Não é qualquer um que poderia ser o pior ator vivo. Mas Hasselhoff sabe que alguém teria de ter tal honraria, e não poderia ser qualquer mané. Ele sabe que a coroa lhe pertence, inquestionavelmente. Hasselhoff é um mito, e nós, meros mortais, apenas podemos olhar admirados. E que venham mais filmes e séries nos quais ele possa ser elipsado por, quem sabe, mangueiras, cadeiras, sofás, escovas de dentes e tampas de privada. Way to go, Hasselhoff! Vida longa ao Rei.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Novas diretrizes em tempos de... paz?

Depois de muito tempo, os camaradas conseguiram se reunir. E quando mentes tão férteis e brilhantes conseguem se juntar em meio a uma agenda exaustiva como a deles, com certeza coisas boas surgiriam. E não deu outra, decisões bombásticas, revolucionárias e perversamente subversivas foram tomadas, e já no próximo mês teremos novidades que irão torpedear o mundo virtual de tal maneira, que conseguiremos, enfim, superar a Britney Spears como campeões de buscas nos googles da vida. Eu nem me atrevo a adiantar o conteúdo de tais resoluções, mas digo que não, vocês não estão preparados. Fundamentalista e Moderado, homens à frente do seu tempo, visionários, iconoclastas, inquietos, comos os grandes artistas foram e o são, mais uma vez tramam um cenário fantástico de acontecimentos. Twist and shout.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Cat Power

Cantora norte-americana. Musa do selo independente Matador, chegada no folk por excelência, chegou a ser habituê aqui nessas terras no começo da década, lembro dela até participando do programa de rádio Garagem, meio bebaça, mas conseguindo tocar umas musiquinhas ainda. Mas no geral as passagens eram desastrosas, já que Cat tinha na época um estranho medo de palcos que a levava a dar uma de Tim Maia, atrasando shows, esquecendo letras, começando e interrompendo abruptamente canções. Esse comportamento fez a carreira dela estagnar por muito tempo, o que explica também sua ausência por aqui também. Mas agora ela volta para o Tim Festival (o herdeiro não-reconhecido do Free Jazz, tragam os exames de DNA por favor), que acontecerá em Novembro. Boatos dão conta de que ela estaria ficando pancada, chegando a ser internada em clínicas para recuperação de "surtos psicóticos" e stress emocional depois de shows no ano passado. Mas também garantem que ela vive um momento de extremo profissionalismo, que o comportamento errático ficou no passado e que essas internações foram, diríamos, um pit-stop necessário. Vamos ver agora, qual é a verdade. Sairemos ganhando de qualquer jeito: se ela estiver bem e fizer bons shows, com o seu belo repertório, estaremos no céu: se ela surtar e bater com o violão na cabeça, vai ser divertido. Ruim para ela, mas divertido.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Fomos ao Cinema ver: Tropa de Elite

Eu confesso, estava louco para descer a lenha nesse filme. Don't believe the hype, dizia para mim mesmo. Vá, veja com os seus próprios olhos, e salomonicamente desfira o implacável veredicto. Todo esse ceticismo chegava às vias da raiva quando ia num stand center da vida e me deparava com cópias piratas do filme em todos os cantos, chegando até a ver uma versão chamada "Tropa de Elite 2", que seria, acho eu, uma versão com edição diferente das cópias normais, ou mais atualizada perante as que circulavam havia meses no mercado informal. Sim, o pessoal estava se dando ao requinte de editar o filme ao seu bel-prazer, juntando as partes do filme que circulavam na net para fazerem a famosa"camelô's cut", uma beleza. Quando descobri que estimativas chutavam que haviam sido vendidas um milhão de cópias piratas do filme, percebi que era impossível escapar. Era o filme sair nos cinemas para eu ir conferir e vir aqui contar para vocês. Pois bem, posso dizer que no final dos 118 minutos de exibição do filme, sentia como se tivesse levado uma surra. Eu e o Fundamentalista, que vimos a película num cinema afrescalhado na mais paulista das avenidas (problemas logísticos, nós somos do povão, jão!), sáimos atônitos, desconcertados da sala de exibição. Basicamente, o roteiro, escrito pelo diretor José Padilha em parceria com o roteirista Bráulio Mantovani (Cidade de Deus) e com o ex-sargento do BOPE Rodrigo Pimentel, conta a história de três personagens que dividem a vontade de mudar uma realidade acachapante, mas que, tomados por uma sufocante sensação de indignação e impotência, acabam cedendo a comportamentos de extrema violência e inadequação dentro de valores sociais.

Os três roteiristas acabaram usando um artifício inteligente para conseguirem surpreender os espectadores. Ao permitirem que a película seja vista e transmitida ao espectador pelos olhos do Capitão Nascimento, comandante do BOPE, a famosa Tropa de Elite do título e braço das forças armadas no contigente policial carioca, um sujeito de valores fortíssimos, que sente verdadeiro desprezo pelas fileiras policias contaminadas pela corrupção que permite a proliferação do tráfico, mas que ao mesmo tempo usa de métodos condenáveis para realizar o seu trabalho, os roteiristas acabam nos jogando dentro daquela realidade torturante, sem meias palavras ou romantizações desnecessárias e covardes. Cada palavra dita pelo Capitão na narração é como uma bela pancada no estômago, já que geralmente são intermediadas com cenas de torturas de jovens, estudantes e mulheres, e suas discrições irrepreensíveis do cenário e das relações entre o tráfico acabam nos levando a, ainda que incoscientemente e instintivamente, compactuar com os métodos do sujeito, já que a polícia, que deveria trabalhar para coibir essa situação, corronpe com absurda facilidade e impede o combate às drogas, e a classe média é talvez a maior vilã do filme ao cobrir de hipocrisia uma situação provocada pelas suas próprias necessidades. É aí que reside a questão principal do filme, que o levou a ser acusado de fascista pelos ignóbeis sociólogos e jornalistas "formadores de opinião". O fato do filme ser narrado pelo incorruptível e violento Capitão Nascimento, e do filme trazer uma suposta visão "romanceada" dos membros do BOPE, não significa, em momento algum, que compactuam-se com os métodos e a visão daqueles homens. Seria, porcamente comparando, como se o Stanley Kubrick compactuasse com o comportamento do personagem Alex no filme Laranja Mecânica. Afinal, o personagem narra o filme todo e todos os acontecimentos do filme são permeados com suas observações, que geralmente eram chocantes justificativas dos seus atos brutais e chamados patéticos de pena e compreensão, afogados em cinismos e sarcasmos. E digo isso como mero efeito narrativo, não entrando no mérito da validade ou não dos atos dos policiais do BOPE. Entendam, burros e incautos: um bom filme levanta questões e confia na nossa capacidade intelectual e de discernimento. Ele não julga os seus personagens, não os divide em maniqueísmos baratos, não usa de efeitos de trilha sonora para acetuar bondade ou maldade nos mesmos. Ele simplesmente conta uma história e deixa a nossa bagagem de vida cuidar do resto.
É o caso do Tropa de Elite. Capitão Nascimento, Matias e Neto, os três personagens principais, são homens que tomam a decisão de se manterem fiéis a princípios de honra e caráter, julgando os seus deveres com a nação e com a sociedade maiores do que qualquer tentação ou saídas fáceis, mas que somente conseguem atravessar todo o mar de lama que os rodeiam incorruptíveis na base da porrada. Não conseguem admitir a propensão de seus colegas a cairem nos braços da corrupção, nem toleram a passividade dos moradores da favela e dos mais favorecidos que condenam abertamente mas ao mesmo tempo fazem uso velado dos serviços dos traficantes. Por isso, vemos o Capitão Nascimento sendo cruel e implacável com policiais corruptos no curso que administra para escolher o seu sucessor no BOPE. Por isso que vemos o Matias interromper uma manifestação de paz em memória de uma patricinha morta pelos traficantes, surrando raivosamente um companheiro de faculdade que vendia drogas na instituição e participava da manifestação, e bradando contra a hipocrisia daqueles jovens que não abriam mão dos seus baseados e queriam ainda bancar uma máscara de indignação. E também vemos no final Nascimento e Matias irrompendo com o BOPE numa favela à procura de um traficante, não hesitando em ameaçar inocentes moradores, que na visão deles, compactuam e se mantém impassíveis diante dos traficantes. A capacidade de indignação que eles sentem não encontra pares em todos esses cenários, e eles, embrutecidos e coléricos, desferem golpes contra suas próprias afirmações de vida e caráter. Ao menos, eles pensam assim. Impôem-se pelo medo e pelo temor. Ao agirem dessa maneira extrema , nos jogam outra questão: o próprio desrespeito ao ser humano e ao valor de uma vida não os colocam junto daqueles traficantes e policiais corruptos? Afinal, um homem que coloca em risco a vida de inocentes, que usa da violência como método de coibir a própria violência, que usa da tortura como principal método de investigação, não estaria apenas propagando o fogo de um incêndio dantesco? E afinal, indo mais longe: seria essa a única maneira de combater esse cenário doente? Afinal, os únicos homens capazes de seguirem linhas de comportamento capazes de lutar contra os traficantes são também os homens que não hesitam em matar e torturar seus semelhantes. O filme levanta todas essas questões, traz personagens inesquecíveis, como o patético Capitão Fábio, que parece ter esquemas de corrupção em todos os cantos da cidade, mas ao mesmo tempo é um ser fraco e patético, incapaz de encarar de frente a gravidade e os efeitos de seus atos. Matias e Neto, interpretados com correção pelo estreante André Ramiro e pelo subestimado Caio Junqueira, respectivamente. A nossa ex-tetéia, Fernanda Machado, não pareceu em sintonia com a sua personagem, ou como ela deveria ser, mas como ela é linda, estamos pouco se lixando, é só pedir mais atenção da próxima vez. E, lógico, o já icônico (para o bem e para o mal) capitão Nascimento. Já zoei nesse blog o fato de 95% dos filmes nacionais terem o Wagner Moura no elenco, mas isso não diz respeito ao talento do cidadão. O cara é bom mesmo, fazer o quê, só devia usar com mais parcimônia seus talentos e não embarcar em duzentos projetos por mês. Se ele não for indicado ao Oscar de melhor ator (sim, você entendeu bem, OSCAR), será um absurdo. Seu domínio cênico e sua caracterização precisa e imponente de um homem sério tomado pela indignação e pela brutalização ficarão para a história do nosso cinema. Uma das melhores atuações que eu já vi na vida. Méritos para o diretor José Padilha, estreiando em ficção depois de dois documentários. As cenas de tiroteio humilham todo e qualquer filme hollywoodiano, e a história, mesmo tendo diversos flashbacks e idas e voltas narrativas, jamais deixa de soar envolvente e brilhantemente agonizante. Eu queria falar mal. Mas, infelizmente, esses playboys que vão assistir filmes com idéias pré-concebidas são o caô. CAMARADA PROGRESSISTA, VOCÊ É O NOVO XERIFE! E AGORA, SEU MOLEQUE?

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Camarada moderado vai ao cinema: O Homem que desafiou o diabo

Fomos ao cinema. Na verdade fui com uma amiga, aproveitando a deixa que o Espaço Unibanco estava cobrando dois reais o ingresso para qualquer sessão; motivo era que ontem(segunda-feira) foi aniversário do Espaço Unibanco.

Dentre todos aqueles filmes que estavam em exibição (vc pode conferir aqui) alguns eu estava curioso há muito tempo: O ano que meus pais saíram de férias e Bem vindo a São Paulo, sobretudo. Ambos filmes que denotam e esboçam a verdadeira retomada do cinema brasileiro, qual já comentei neste blog. O primeiro é uma história de um garoto dirigida por um cara especialista no universo infantil, Cao Hambúrguer, que foi responsável por entreter as tardes das crianças brasileiras, basta citar que esse moço é responsável por nada menos que Castelo Ra-Tim-Bum e derivados da grade da Cultura; por isso quando o filme entrara em cartaz, no grande circuito, sugeri aos meus camaradas que assistíssemos, porém eles refutaram minha idéia, como sempre fazem; ouvidos moucos ao camarada moderado(olha eu reclamando disso); interessante pensar que o filme ganhou alguns prêmios nos festivais afora e tem possibilidade de concorrer ao Oscar, ironias da vida. O segundo é um estigma que carrego desde a mostra de cinema de 2005, onde o filme estreara de fato; documentário feito por vários cineastas famosos(bons ou não) sobre nossa adorada cidade paulistana e mostrando, cada diretor, sua visão sobre a metrópole; parecia também uma boa escolha para aquela noite de segunda-feira, porém qualquer planejamento meu foi por água abaixo.

Acabei não assistindo a nenhum dos dois (vida cheia de reviravoltas e acasos, não?), fui ao cinema naquele dia ver O homem que desafio o diabo, dirigido por Moacyr Góes e produzido pela Globo Filmes (PERIGO! PERIGO! PERIGO!). É fato que não sou um grande entusiasta da Globo Filmes, como também de Moacyr Góes; ainda longe de qualquer pedantismo, não sou fã de Godard ou Win Wenders, sou partidário do cinema de terceira via(moderado?), assim por dizer.

Resolvi dar uma chance(novamente) a Globo Filmes, mas esperava o pior: algo entre um filme da Xuxa(sem os duendes) e algum longa dos extintos Trapalhões, lógico que recheado de efeitos especiais e atores globais de segundo escalão. Resolvi até olhar o Guia da Folha para ver se restara um fio de esperança, pelo menos um filme divertido a la sessão da tarde, infelizmente a Folha havia concordado com minha intuição sobre o filme. Quando o estupro é inevitável, relaxe e goza; olhei para minha amiga, apertei a mão dela e me aconcheguei na poltrana, estava pronto, podia ser o que for, estava pronto.

A sinopse é a seguinte: Zé Araújo (Marcos Palmeira) é um homem boêmio que gosta de freqüentar cabarés e ouvir cantadores de viola. Após tirar a virgindade de uma turca, ele é obrigado pelo pai dela a se casar. Durante anos Zé passa por seguidas humilhações, provocadas por sua esposa. Um dia, ao ouvir uma piada sobre sua situação, ele se revolta, destrói o armazém do sogro e ainda dá uma surra na esposa. Ao terminar ele monta em seu cavalo e parte sem destino, decidido a ter uma vida de aventuras. A partir deste dia Zé Araújo passa a ser conhecido como Ojuara, enfrentando inimigos e vivendo situações inusitadas.

O veredicto: filme deveras interessante, um filme quase; quase bom, quase sempre engraçado(com momentos de bom humor), quase com geniais interpretações( atente para a aparição de Otto), quase com genial fotografia, etc. Não sei, porém o filme falta alguma coisa, algum elemento que carece ao todo. Pensava qual problema poderia ser, até minha companheira, genialmente, constatar:

“O filme não tem um ritmo definido, acho...”

Deveria ter dado um beijo na boca dela, brilhante dedução; o longa apresentava uma história longa, uma trama cheia de elementos. Quer dizer, havia uma necessidade de pelo menos amarrá-las bem e nem isso o diretor consegue, os muitos elementos criam uma história fora de ritmo que incomoda, algumas vezes durante o filme, pelo menos. Contudo o filme não é de todo mal: tem boas situações; Marcos Palmeira segura bem o filme como protagonista; outra pérola é o ator que interpreta o Tinhoso, Nei Leandro Castro, em atuação formidável. Fora algumas escolhas erradas de elenco e o problema de ritmo(“ajudado” pelas escolhas dos planos, sobretudo os em câmera lenta). O filme ainda desce bem. E é sempre bom ver o que sendo produzido nas terras brasilis.