quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Heroes, The Office e a greve dos roteiristas

O bicho tá pegando na gringolândia. Os roteiristas de Hollywood entraram em greve, pela primeira vez desde 1988, quando uma greve de proporções semelhantes teve efeitos drásticos nas produções cinematográficas e televisivas. Basicamente, daquela vez a paralisação durou cinco meses, e os estúdios e canais de tv resolveram chutar o balde e contratar cada vez mais e mais roteiristas baratinhos, o que baixou drasticamente o nível das produções. Agora, justamente no momento que as séries americanas vivenciavam o seu momento mais criativo desde a popularização dos televisores na década de 50, vem essa paralisação e joga um balde de água fria. O medo de todos, é que essa greve gere um impasse igual ao que ocorreu em 88, e que os chefões do entreternimento tomem as mesmas atitudes daquela vez, o que seria mortal para as ambições artísticas dos projetos existentes. Ou seja, o nível iria cair lá embaixo, mais uma vez. No começo, fiquei animado quando soube que a horrenda, ridícula e absurda série Heroes poderia ter o final da sua segunda temporada abruptamente mudado para dezembro. Seria maravilhoso. Adoraria ver os Heroes freaks chorando ao ver sua sériezinha de quinta indo praticamente para o limbo por culpa de uma greve. Mas nem tudo o que reluz é ouro.

Pouco depois de saber esse notícia do Heroes, descubro que a sensacional versão americana da série The Office também será brutalmente prejudicada. O problema é que muitos atores do elenco também são roteiristas, escrevendo diversos episódios da série, e todos aderiram em massa à greve. O ator principal, Steve Carell, resolveu ser solidário aos seus colegas e não apareceu para gravar no primeiro dia da greve, nem nos subsequentes. Ou seja, a quarta temporada da série está seriamente ameaçada, já que apenas dois capitulos estão prontos para essas semanas pós-greve, o que significa que logo terão de colocar reprises no ar. E se o fim dessa paralisação for o mesmo da de 19 anos atrás, provavelmente a série como um todo também poderá estar seriamente ameaçada. Um absurdo. Estavam querendo até criar um The Office 2, com outros atores, tamanho o culto criado à série (idéia estúpida, mas que dá uma idéia boa da excelência da série. Grande Ricky Gervais). Os Seinfeldmaníacos, que estavam finalmente conseguindo suprir sua demanda de séries cômicas inteligentes, já podem voltar a se preocupar seriamente. Já a série mais subestimada da história da humanidade, Lost, essa tem esperança ainda, já que a temporada começa apenas em fevereiro e já existem oito episódios gravados. Ou seja, os insuportáveis Lostmaníacos (que perdem em chatura apenas para os Heroes freaks) ainda podem esperar com alguma folga o fim dessa greve sem terem de ver sua série favorita virar um Esquadrão Classe A da vida. Nós do blog iremos acompanhar o desenrolar dessa história toda e relatar tudo para vocês? Não sei. Talvez eu fique empolgado com essa idéia e resolva fazer uma greve contra o Fundamentalista e o Moderado, esses opressores do proletariado e serventes do capitalismo brutal!

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Isobel Campbell

Ex-integrante da banda indie Belle & Sebastian, que fez um baita barulho no início da década, e hoje empreendendo uma digna carreira solo. Isobel entrou na banda depois de um breve romance com o fundador, Stuart Murdoch, e participou da banda desde o início das atividades, em 1996 (tinha parcos 20 anos na época) até 2002, quando saiu por motivos pessoais, formando uma outra banda chamada Gentle Waves que durou dois discos, e depois, ai sim, produzindo discos solos, inclusive lançado um álbum com o cachaceiro mor do grunge Mark Lanegan, ex-Screaming Threes e membro honorário do Queens of The Stone Age. Ela chegou a vir para o Brasil com o Belle & Sebastian, lembro dela até no programa do mala do Jô Soares entrevistando a banda, e ela quieta, com a famosa cara de "como fala esse gordo chato!". Ela era, junto com os dois Stuarts, Murdoch e Davis (esse também saiu da banda recentemente) a porta-voz da banda. Pena que hoje em dia, sem Isobel e Davis, ninguém se lembra mais que o Belle & Sebastian existe. Mas da senhorita Campbell, não nos esquecemos. Como poderíamos?

Woody Allen, Godard e o American Pie

Existem filmes que literalmente nos chamam de burros. Na cara dura mesmo. Tipo, apontam o dedo e falam: "vai lá jão, quero ver você assistir o bagulho e não sair babando oligofrenicamente depois". Lógico que não ajuda nada quando você assiste o negócio nas altas horas da madrugada e um tanto quanto sonado. Funciona bem quando se vê um American Pie da vida, cujas piadas já vem com tradução simultânea e ajuste imediato para todos os tipos de mentes e estados físicos e psicológicos. Tipo naquele filme maluco do Roger Vadim, Barbarella, quando a Jane Fonda chegava no planeta e os maluquinhos falavam uma língua que ela não entendia, e ela simplesmente apertava um botão no pulso e pronto, lá iam eles falar um inglês perfeitíssimo, com direito a impecáveis sotaques britânicos em alguns casos (por essas e outras que considero o Vadim lado a lado com o mito Ed Wood, mas isso é outro papo). Nos American Pies da vida, quando o cara solta um pum (o que ocorre a cada cinco segundos no filme) você já sabe, por mais sono que tenha ou mais chumbado que esteja, que é hora de dar uma risada, só pra manter o status quo. Rá, rá, rá. Tipo, "eu não sou intelectualóide, e não me recusarei a rir desse pum, pois isso me faria descer ao nível daqueles imbecis que assistem festivais do Godard nos cines universitários da vida e ainda batem a cabeça de felicidade". Opa, eu citei o nome Godard na última sentença? Pronto, cheguei no assunto principal. Não, não é o Godard. Quer dizer, não majoritamente. É mais a idéia toda que existe por trás dos filmes dele. O negócio é que outro dia aí, assistia televisão em outra madrugada insone, quando ao passar por um canal de filmes Cult (um doce pra quem adivinhar qual) vejo que eles exibiam um filme de 1987, dirigido pelo Jean-Luc Godard e com o Woody Allen e a Molly Ringwald, musa-mor dos anos 80, ao menos para os teenagers espinhudos. Todas essas informações (tirando logicamente a descrição da Senhorita Ringwald, embora ache que seria muito engraçado se eles agregassem essas groselhas nos resumos, tipo quando fosse um filme do Tom Cruise, "elenco: Tom "Cientologia freak" Cruise) eu encontrei quando apertei a tecla que mostra o resumo dos programas em exibição, um pequeno luxo de muita valia, principalmente para quem num passado não muito distante tinha que enfiar bombril na antena para assistir o bagulho. Tempos modernos. Enfim, o filme chamava Rei Lear, obviamente calcado na peça do Shakeaspeare. Não me lembrava de tal película na carreira do Godard, nem que o Woody Allen estava envolvido (ele que odeia atuar em filmes de outros diretores) e muito menos que a Molly Ringwald estivesse no meio. Tamanha loucura nem chega perto do que era esse filme. Sem dúvida alguma, a coisa mais insana que eu já assisti em toda a minha vida. Tudo aquilo que falam de mal do Godard podia ser comprovado nesse exercício de agonia travestido de cinema. A tão achincalhada fase eighties do Jean-Luc.


Basicamente, o filme conta uma história passada num mundo no qual o acidente nuclear de Chernobyl (que tinha acontecido pouco tempo antes do filme ser feito) tinha tido efeitos quase apocalípticos, e toda a história da arte tinha sido perdida. Então um cidadão chamado William Shakespeare Quinto resolve tentar fazer algo para resgatar parte dessa história, e chegando num resort (?) acaba, apenas por presenciar os fatos lá ocorridos, lembrando de todos os diálogos da peça Rei Lear. Fatos esses que envolvem um chefe da Máfia e sua filha oportunamente chamada Cordelia (interpretada pela Molly Ringwald), um professor chamado Jean-Luc Godard (interpretado pelo próprio), que fica xerocando sua própria mão o filme todo (sem motivo aparente), quatro globins humanóides que ficam atormentando Cordelia, e um cavalheiro deveras fidalgo sem função alguma no filme e cuja namorada (interpretada pela Julie Delpy, tinha me esquecido dela) fica constantemente invisível. Sim. Invisível. Ai, o Shakespeare Quinto resolve fazer um filme com a peça, e manda o negócio para Nova Iorque, para um tal de Senhor Alien (agora sim, interpretado pelo Woody Allen) editar. A trama por si já seria o suficiente para mandar o Godard e todos os envolvidos para os melhores hospícios da Normandia. Mas a execução do negócio é que acaba dando aquela sensação de que a loucura é um troço subestimado. Os personagens jamais olham uns para os outros. Todos falam como se estivessem fazendo monólogos, discursos, não existem conversas propriamente ditas. Sempre olhando para o alto, para o lado, para o chão, para qualquer lugar que não a cara dos outros personagens. A câmera, como de praxe em diversos filmes do Godard, jamais se move. Inúmeras vezes durante o filme, mesmo quando personagens falavam alguma coisa, o áudio era interrompido por berros insanos de gaivotas voando na cena no momento. É, gaivotas. Umas duzentas vezes durante o filme. Não que fosse desagradável ver algum personagem que estivesse falando alguma bobagem sobre a contemporaneidade do Shakespeare sendo interrompido pelo barulho das gaivotas. Sem dúvida, foram os momentos mais agradáveis do filme.
Todos sabemos que o Woody Allen é um grande fã da nouvelle vague, e que deve ter sido uma honra para ele atuar num filme de um dos seus ídolos. Mas, cá entre nós, justamente o Woody Allen, que sempre demonstrou nos seus filmes, livros e rotinas de comédia uma maneira brilhante de falar de alta cultura com bom humor e sem cabecismos, participar de um troço insano desses, somente a idolatria para justificar. Já a Molly Ringwald, essa deve ter se achado a principal beneficiada com a empreitada. Afinal, na época ela vivia dando entrevistas dizendo-se cansada do mundinho do John Hughes, e querendo expandir seus horizontes de atuação para não ficar presa naquele universo adolescente. Perdeu, patricinha. Tanto fez que nunca mais se livrará do estigma. Godard nenhum foi capaz de trazer o antídoto para o doce mundo do senhor Hughes. Eu aguento esses negócios na boa, adoro brigar com filmes que tentam zoar com a minha cara, se bobear eu poderia até chamar essa película para a porrada, dar uns belos cascudos nela, quebrar o seu nariz e coisa e tal. Nada me atinge. E vamos lá, todos sabemos que o negócio do Godard eram os "conceitos". Os seus filmes depois de uma época viraram teses. Época essa que dura mais ou menos até os dias de hoje, precisamente. Enredo, personagens, diálogos, câmeras que, por Cristo, se movem durante o filme. Coisas que deixaram os filmes do Godard fazem uns bons trinta anos. Citei o American Pie no começo para exemplificar uma idéia. A de que filmes como esse e o Rei Lear do Godard são exercícios de cinema diametricamente opostos, um chamando o espectador de anta, mas tentando explicar tudo direitinho para que ele possa prestigiar o bagulho e trazer as sonhadas verdinhas depois, e o outro já usando a burrice do pobre espectador como pressuposição, nem se dando ao trabalho de tentar demonstrar coisa alguma. No meio desses dois extremos é que jazem as verdadeiras pérolas da sétima arte. O que hoje em dia significaria o quê, os filmes do Paul Thomas Anderson? Ué, o que o Adam Sandler tava fazendo naquele filme do maluquinho que ficava embriagado de amor então?

sábado, 3 de novembro de 2007

Camarada Fundamentalista escorregando no tomate

As pessoas não acreditam que eu sou romântico, elas riem quando eu digo que sou carinhoso. Pra ser sincero, não entendo por que tanto ceticismo a meu respeito. É o fundamentalismo? É o esnobismo fake? Ou só porque eu escrevo que não gosto de fã do Chico Buarque?

Chega uma hora em que todo homem cede e admite que é fraco, de alguma maneira fraco. Acho que a minha vez chegou. Porque vocês aprenderam muito de mim. Vocês ouviram muitas coisas a respeito do amor e das mulheres, coisas que por força do medo, da ignorância ou da má-fé das pessoas costumam ser caladas. Mas mesmo um mestre como eu, um Sócrates no amor, mais cedo ou mais tarde, há que se confessar limitado, possivelmente ignorante. Até mesmo, estúpido. Mas qual seria a minha estupidez no amor, a minha estupidez acerca das mulheres? Eu vou lhes contar.

Tem a ver com Edward Hopper. Vocês sabem, aquele pintor norte-americano, que, por causa de Paris, Texas, do Win Wenders, acabou caindo nas graças da molecadinha. Eu podia me gabar, dizendo que já gostava de Edward Hopper antes de ter assistido Paris, Texas. Mas seria medíocre, seria desnecessário; além do mais, gostar de Edward Hopper, pelo que eu sei, não é lá muito highbrow.

De qualquer forma, é a pintura de Hopper que alimenta as minhas maiores ilusões em relação às mulheres. Daquelas ilusões que fazem John Wayne corar. Contemplar uma de suas telas me faz suspender, momentânea e inadvertidamente, minha misoginia aguçada, criada a leite e ovos. Talvez eu devesse parar por aqui. Já me expus o bastante. Mas não, prossigamos.

Outro dia eu estava olhando pra New York Movie (1939).

E comecei a imaginar que talvez esta moça gostasse de assistir Charlie Brown, não porque o Snoopy era uma gracinha; que talvez ela já tivesse visto Persona mais vezes do que eu, mas sem essa história de se identificar com a Elisabeth ou com a Alma, uma distinção extremamente duvidosa; que talvez ela só gostasse de sentar num banco de praça e ver as nuvens e as pessoas passarem. Mas aí, quando você começa a tecer idílios em bancos de praça, que fica até parecendo poema do Manuel Bandeira, é que a coisa tá feia; aí, você sabe que está perdendo o juízo, que está querendo ser lírico, quando não tem um pingo de lírica no seu coeficiente de gênio. E o contra-senso se revela como tal: uma mulher que seria, tipo, um homem. E aí eu achei que a coisa tava ficando muito esquisita, parei e fui assistir as Quebradeiras, na MTV.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

A Copa do Mundo é nossa. Com brasileiro, não há empreteira que possa

É, cambada, o que ninguém esperava aconteceu. A FIFA anunciou hoje, às 12:30, que o Brasil será a sede da Copa do Mundo de 2014. Um anúncio absolutamente surpreendente. Acho que desde 1950 todos nós sabíamos que essa Copa seria aqui. Éramos os únicos concorrentes (Colômbia e Argentina saltaram fora por serem países, digamos, mais sérios), já que, pelo rodízio da FIFA, essa Copa teria de ser realizada obrigatoriamente na América do Sul, o que tirou potenciais concorrentes europeus, asiáticos e a Austrália da disputa. Mas mesmo assim, mantiveram a palhaçada, com direito a anúncio oficial com transmissão pela Rede Globo, sempre pronta para servir de boba da corte da nação. Nossa, quanta emoção. NENHUM estádio brasileiro tem qualquer condição de sediar uma Copa, de acordo com os estatutos de segurança da FIFA. Nem Maracanã, nem Morumbi, nem Arena da Baixada. Nenhum. Ou teremos de fazer 14 novos estádios ou teremos de fazer reformas profundas em todos eles. O que significa o de sempre: bilhões de dólares que serão desviad... quer dizer, utilizados para a construção dos mesmos. O governo sorri. A Globo sorri. A CBF sorri. O Paulo Coelho, que participou da equipe brasileira que foi fazer lobby pra gringaiada na sede da FIFA em Zurique e que eu nunca vi falar de futebol na vida, sorri. E quem pagará o pato seremos, como sempre, eu e você, financiadores dessa pataquada (iniciativa privada nenhuma irá bancar sozinha essa Copa inteira, nem sonhem com isso). E as cidades brasileiras? Afinal, São Paulo e Rio são duas das cidades mais seguras do mundo, com eficientíssimos sistemas de transportes, túneis que desmoronam e o escambau. A velha história de sempre. Quanto ao papo de que "uma Copa somente ajudaria a melhorar a infraestrutura das cidades envolvidas", mais groselha no ar. Os seis últimos países que sediaram uma Copa foram, pela ordem: Itália, EUA, França, Coréia do Sul/Japão e Alemanha. Precisa falar do abismo que separa essas nações da nossa, em qualquer tipo de critério? Financeiro, social, escolham o nome e chorem. Copa do Mundo não vai acabar com as infindáveis mazelas que assolam essa República. O México, que sediou a Copa em 1986 pela segunda vez por culpa da desistência da Colômbia (é, parece que lá o pessoal é mais vivo pelo menos), o fez numa época em que não existiam exigências tão criteriosas para se sediar um Mundial como as de hoje em dia, muito por culpa dos eventos lamentáveis ocorridos em estádios ingleses nos anos 80 que fizeram a FIFA fazer marcação cerrada nas condições dos estádios que sediassem eventos por ela subsidiados. Além de tudo, os estádios no México são muito melhores que os nossos, sobre qualquer prisma. Por isso tudo, lamento demais a politicagem da FIFA, e lamento mais ainda ter de servir de muleta para eminências pardas da política nacional (Lula, Ricardo Teixeira) encherem seus egos e outras coisas também. O negócio é zoar com a cara da FIFA: vamos exigir que a Rua Javari seja a sede paulistana do evento. Adoraria ver um Holanda e Argentina sendo jogado no amabilíssimo campo da Moóca, com aqueles vendedores de algodão doce tacando coisas na muringa dos jogadores, torcedores cuspindo nos jões que errassem passes de dois metros. Realidade, lance os seus implacáveis lencóis da vergonha sobre as nossas cabeças.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Winona Ryder
Cito apenas um fato para demonstrar a envergadura de uma Winona Ryder. O Francis Ford Coppolla diz até hoje que se ela pudesse ter feito o filme Poderoso Chefão 3 (do qual teve de desistir de fazer, por culpa de um até hoje mal explicado problema estomacal), ele seria equiparado aos dois primeiros. Sendo que a substituta dela no filme foi a própria filha do cidadão, a ex-atriz e hoje diretora em atividade Sofia Coppolla. Ou seja, o cara passa por cima da própria filha para reverenciar Winona. E vocês ai achincalharam ela de todas as maneiras na época do Free Winona. Eu sei que ela ainda vai voltar, saindo do exílio forçado nas bombas do Adam Sandler, que é o último lugar no qual ela mereceria estar. Respeito, muito respeito com ela, seus incautos. Há, e feliz aniversário também, lógico. 36 anos, hein, senhorita Ryder? Parece que foi ontem...

domingo, 28 de outubro de 2007

Tragédia Social Brasileira Companhia de Teatro

E eu que achava que sabia o que é que era indie! Tá, aquela moçadinha de All Star e calça xadrez molenga é indie mesmo. Mas tem coisa mais indie que isso no mundo, tipo o Fred Astaire cantando Night and Day; faz o Sinatra parecer o Timbaland de tão pop. Mas, vixe, quando a gente fica achando que um cara como Fred Astaire cantando parece Yo La Tengo, bom, no meu caso, é que o meu nível de brasilidade tá lá embaixo, mesmo depois de eu ter ido ao cinema sete vezes torcer pelo Capitão Nascimento no combate à a.k.a. Tragédia Social Brasileira, oficina de teatro célebre entre os cabeçóides, responsável por fazer vir à luz muitos dos grandes talentos da cultura nacional, inclusive o recentemente falecido Paulo Autran, que brilhou com El Loco Glauber Rocha no palco do subdesenvolvimento à brasileira, em Terra em Transe. Esse povo lucrou, isto é, artisticamente, com essa molecadinha bonita e animada, aí pela rua, vendendo chicrétchi e fazendo malabarismos mil nos faróis.

Bendita seja essa galerinha que colocou a gente aqui!
E viva Pixote, e viva o cinema de autor!

Pois então, nesse sentido, o Capitão Nascimento me lembrou outro grande melhorador da humanidade, Platão, por ambos se posicionarem contrariamente às artes, já que, ainda que a partir de perspectivas distintas, intuiam o mesmo, que dou sob uma formulação mais próxima ao caso do oficial do Bope: que a condição primeira pra que exista a arte é que a vida continue sendo uma droga. Ah, camaradas, eu sei que vocês, em seu esclarecimento crescente, sempre sentenciaram nas rodinhas universitárias e, por que não, também nos almoços de domingo na casa da mamma, quando discutindo com seu tio reaça que diz que tem que ter censura sim e que arte é coisa de viadinho, e aí vocês vociferam mesmo, que a arte é amoral. Amoral, tio, amoral! "Ah, seu moleque, primeiro arranja um serviço, cria três filhos e aí depois vem falar comigo", responde ele rindo, com o copo de cerveja na mão e a barrigona agitando-se debaixo da camisa polo encardida. E você fica quieto, remoendo que isso é típico da consciência pequeno-burguesa, de querer vir esfregar sua superioridade calcada na moral do trabalho; ah, mas ele nem sabe que Marx, ah, que Marx nunca teve um emprego de verdade na vida, e pensar na vagabundagem de Marx é opor à superioridade dele a sua, e isso te consola, além de que, poxa, a macarronada, hmm, uma delícia! Mas, então, mesmo que vocês neguem, a existência da arte pressupõe um fato moral: quer dizer, cedo ou tarde, a gente se desentende com a Camarada Vida e diz "mas tu é muito ordinária mesmo, minha filha", e nessa hora a gente fica parecendo tão Nelson Rodrigues!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

O Magnata: pior filme feito nessa terra que tem palmeiras, Corinthians e o escambau?

O negócio é o seguinte: todo mundo sabe que o cinema brasileiro, por absoluta falta de condições financeiras, técnicas e logísticas (falta de estúdios apropriados e tudo mais), gere um número altíssimo de produções abaixo de qualquer tipo de crítica. Lógico que isso não é uma generalização estúpida, ainda somos capazes de produzir os Cidades de Deus e os Tropas de Elite da vida para livrarmos a nossa cara, mas chuto sem medo de errar que mais de dois terços dos filmes lançados nos nossos cinemas são medonhos. A situação hoje é melhor do que a dos anos 80, auge das pornochanchadas e do cinema da Boca do Lixo, quando cinema nacional era sinônimo de pornografia light. Clássicos imortais como o sensacional O Romance da Empregada, filme que tinha mais palavrões do que qualquer Tarantino, A Freira e a Tortura, A Noite das Taras, O Dia do Gato e Amor, Estranho Amor, todos filmes que representavam a absoluta falta de noção que tomou de assalto os realizadores daquela era. Ver uma mulher vestida nessas produções era mais difícil do que achar torcedores da Portuguesa de Desportos soltos por aí. Depois que o Collor acabou com a festa, e ficamos 4 anos sem ver filmes nacionais, a coisa acalmou, e os filmes da retomada tentam se manter longe do padrão estabelecido pelos anos 80. Pena que isso não significou uma melhora qualitativa significante nas produções. Enquanto bons filmes como Cidade Baixa, Dois Perdidos numa Noite Suja, O Cheiro do Ralo e Cinema, Aspirinas e Urubus dão a impressão de terem sido feitos claramente no limite, com poucas condições financeiras, temos de ver as produções da Globo Filmes, casa dos farsantes Moacyr Góes e Daniel Filho (alguém aí já notou que eu não suporto esse cara? Não?), saírem com orçamentos muito mais decentes. E os filmes da Lei Rouanet, Progressista? A graninha que sai dos cofres públicos não seria um alívio financeiro para diversas películas?

Eu digo: sim, seria. Mas a Lei Rouanet serve para propósitos bem definidos. O que tem de publicitário louco pra virar diretor que consegue financiamento com ela não está no gibi. E também, logicamente, estultices sem tamanho que, por fatores que fogem a qualquer lógica minimamente racional, conseguem milhões de reais para serem completadas. O que justifica um projeto como O Magnata, filme "escrito" (calafrios) pelo adolescente de 37 anos Chorão, vocalista da pior banda de Santos (e olha que Santos não é exatamente uma Manchester no quesito bandas), Charlie Brown Jr, ser aprovado para essa lei? Como é que usam o nosso dinheiro pra financiar um lixo desses? Cadê o enrolador do Gilberto Gil pra justificar essa palhaçada? O filme vem sido exibido para críticos, e todos têm sido unânimes em apontar a película como momento mais baixo do cinema nacional. E os trailers que andam circulando pela net também dão uma boa ídéia da tragédia que se aproxima dos nossos cinemas. Talvez o Garrincha-Estrela Solitária finalmente possa perder o posto de pior filme já feito por essas bandas. A "história" (sic) do filme versa sobre um rockeiro imaturo (interpretado pelo canastra Paulo Vilhena) que herda uma fortuna do pai, começa a fazer um monte de bobagens, até se apaixonar por uma garota justo quando acontece um crime que pode ter terríveis consequências na sua vida. Tudo permeado com diversas, inúmeras, intermináveis cenas de skatistas. Sério. Sabe aquele tema batidíssimo nas "canções" (mais uma vez, sic) do Charlie Brown Jr., do ignóbil que consegue subir na vida e que não sabe lidar com o dinheiro e com a fama, aprendendo que na verdade, o amor é o que realmente importa nessa vida, tá ligado, eu sou bicho, toda patricinha adora um vagabundo e coisa e tal? Coisas que o Chorão martela nos nossos pobres ouvidos desde o surgimento da banda, longínquos 10 anos atrás? A propagação da sua completa ignorância, que na maneira Lula de ser, vira motivo de orgulho para o cidadão, já que indica, na sua lógica burra e torpe, um contato genuíno com a "brasilidade", o nosso complexo macunaímico de ser. Chorão se gaba de não saber fazer poesia, de ser malandro, de não usar sapato, de ter lutado pelo que é seu, mas não pensa duas vezes em usar o dinheiro de pessoas que verdadeiramente lutaram pelo que era delas para financiar seu atentado à sétima arte. Mas eu não vejo a hora do filme estreiar: se for metade do que andam falando por aí, deve ser de bater a cabeça de tanto dar risada. Tcharroladrão!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Débora Falabella

Atriz mineira, destaque na horrenda novela Duas Caras e que também esteve recentemente estrelando a enésima adaptação do livro Primo Basílio para os cinemas. Talvez a atriz mais talentosa de sua geração, tem sido rosto frequente nos filmes nacionais, desde o sucesso do longa Lisbela e o Prisioneira. Também tem uma carreira crescente nas novelas, desde que se destacou interpretando uma junkie na Mulheres Apaixonadas. Consegue sempre se destacar em todos os projetos que empreende, o que é uma façanha quando lembramos que ela já fez dois filmes com o Daniel Filho, o que seria um atestado de morte para qualquer atriz. Ainda não é uma Cláudia Abreu, mas acreditamos piamente que esse dia está chegando. Quem sabe se começar a dizer não para todo e qualquer projeto que tenha o nome do Daniel Filho no meio?

sábado, 20 de outubro de 2007

Variedades

Todas as postagens que eu deveria e gostaria de ter feito nesses últimos dias, mas que, talvez pelo meu gênio (tipo o dâimon socrático) me soprando paternal e contrariamente, abandonei. Todas elas, quer dizer, a tentativa delas, vinculo logo abaixo, pra verem que, mesmo que não pareça, eu estive pensando em vocês.

Dois fragmentos dispersos sobre Tropa de Elite:

É um filme poderoso, e seu maior mérito é a ambigüidade, que faz vir à tona a estupidez da audiência, o fascismo latente de noções vagas e mal-ajambradas. Trata-se provavelmente de nosso Clube da Luta; ao menos, suscitou reações semelhantes – os filisteus politicamente corretos acusando-o de fascista, e os fascistas louvando-o como uma imagem rígida da justiça. E, no entanto, o filme é uma objeção a ambos os lados.

Na casa do Capitão Nascimento, quem lava a louça é ele, que eu sei. Poxa, cadê o machão, o cabrón das antigas, aquele que matava barata a cuspe? E, no entanto, eis o novo herói nacional: Macunaíma dark. Macunaíma, por causa da miscigenação até da Ética. Ética, sabe, aquela moça que era filha de um fazendeiro rico lá pelas bandas de Goiás, só que foi se engraçar com um moleque da cidade grande, cheio de farelo de marxismo na camisetinha do MST, engravidou e agora divide um cômodo no Crusp (o conjunto habitacional pros estudantes da USP) com uma família boliviana clandestinamente instalada e ainda espera o namoradinho largar as cervejadas e providenciar de uma vez a maldita revolução.

Dois provérbios húngaros (meu húngaro está enferrujado, por isso desculpem a tradução; a quem puder ajudar a melhorá-la, agradeço):

Nézd meg az anyját, vedd el a lányát.

Antes de casar com a filha, dê uma boa olhada na mãe.

Serény asszonynak rest a lánya, rest asszonynak serény a lánya.

Mãe trabalhadora, filha preguiçosa; mãe preguiçosa, filha trabalhadora.

Ah, esses húngaros, ainda hei de ver minhas máximas vertidas em sua inacessível língua!