





Restringir seu gosto aos favoritos, preferencialmente filmes pouco citados e p&b, e autores canônicos mas ofuscados por highlights como Homero, Shakespeare, etc. Mas, sobretudo, restringir seu vocabulário, o que também equivale a granjear uma poética e eventualmente uma ontologia, uma metafísica, whatever.
Dois gestos lançariam o Fomos ao Cinema de vez à mera categoria de blog, que eu nem mais poderia me referir a nós mesmos como o Fomos ao Cinema, já não haveria estatura pra isso. A saber: a indicação de um outro blog, por exemplo, o portuga Estado Civil, e eu contar alguma coisa de muito pessoal a meu respeito, por exemplo, dizer que eu tenho prisão de ventre. Não preciso dizer que não farei nem uma coisa nem outra.
Hoje eu acordei bem. Ontem, também. Em geral, eu sempre acordo bem, até pra trabalhar. Eu devo ser louco. Eu acordo e lavo o rosto, bem lavado. Quer dizer, às vezes, eu esqueço de lavar o rosto, né? Mas só às vezes, que ninguém é de ferro, gente. Mas aí eu lembro e vou e lavo. Aí eu tomo café. Hoje eu tomei café, por exemplo. E tem café, tem leite, tem pão, tem manteiga (quer dizer, não é Manteiga, é margarina com manteiga; mix, sabe? supergostoso!). E tem bolacha, tem suco, tem tudo. Tipo, feriado ou sábado, que nem hoje, eu fico aqui de boa, blogando, de pijama. O bom do feriado e do sábado é que a gente não trabalha, né? A gente descansa, ufa! Mas tem gente que não, também. Gente que trabalha até de sábado e feriado, aquela correria. A vida da gente é maluca mesmo.
Mas então, eu queria contar mesmo é que eu tô pra conhecer uma mina, olha, que tem tudo pra dar certo. Depois de tantos percalços... Então, vocês me desejem sorte, beleza?
Esqueci de dizer: só sou eu esses dias. Camarada Progressista viajou pra Shangri-la, volta na segunda; e o Camarada Moderado, bom, ele tá firme. Quatro dias isolado, portanto. Um homem pode enlouquecer desse jeito. Tom Hanks conversava com uma bola de vôlei. Vocês são a minha bola de vôlei.
Por influência de blogues de universitários de Jornalismo, essa gente vislumbrada e por isso mesmo cheia de energia, preencherei o vazio criativo causado pela ausência dos camaradas postando textos curtinhos, sobre coisas descoladas, do tipo "só estou escrevendo sobre o que eu senti", mea culpa tradicional que já te prepara pra um monte de groselha, e da pior, porque o sujeito tem que ter uma subjetividade que se garanta como objetividade pelo menos no caso dos moleques começarem a gritar iééé-iééé, vai deixar? vai deixar?. E vou até postar mais de uma vez ao dia.
Podia também postar textos curtinhos sobre coisas com relevância social, que também faz parte, mas a minha sacolinha de consciência social and stuffs anda vazia, preciso ir mais ao shopping ver a molecada se divertindo no farol.
Ó, gente, mas é só temporariamente que o Fomos ao Cinema vai ficar parecendo um blogue mesmo, que eu vou até chamar ele de blog só. Depois, volta tudo ao normal, e vocês fingem que a gente nunca deixou de ser um site wannabe. Ai, já são tantas as concessões...
Cinco coisas que eu gosto e que me deixam mal diante de gente cínica wannabe, universitários leitores de Clarice Lispector e o populacho blasé em geral, aleatoriamente listadas:
Porque a obra, mesmo não sendo muito inteligente, é sempre mais inteligente que o autor:
“Quem é o capitão Nascimento no filme? É um sujeito que dedicou sua vida à tropa de elite. Passou sua vida justificando para si mesmo a violência que perpetra nas favelas. Ele está vendo que a dedicação que teve foi equivocada e não se sustenta numa sociedade civilizada. O filme mostra isso, apresentando o personagem com síndrome de pânico, que não consegue sustentar a realidade na qual apostou ou conciliar uma vida em família com a mulher e o filho, é um personagem angustiado”.
(José Padilha, diretor de Tropa de Elite.)
Burro. Capitão Nascimento não tem conflito nenhum. Fora ter de ouvir a ladainha da esposa, não há outro motivo pra ele querer largar o BOPE.
É isso aê, cambada. Para aqueles que não conseguem nem dizer hello na língua de Shakespeare, que querem desesperadamente compreender o significado das suas canções favoritas sem ter de apelar para aquele amigo mala que carrega livros de RPG embaixo do braço e acha o máximo citar despudoramente por aí expressões como "mana", "nível de dano" e o escambau, aqui vou eu, humilde e anglicano Camarada Progressista, ensinar o caminho das pedras. Para começar, traduzo a melhor música da década 00. Mr. Brightside, do The Killers, inclusive dando meus pitacos nos versos, pra elucidar melhor os pontos duvidosos com toda a classe do mundo. Não precisa agradecer, estamos aqui ao seu dispor mesmo (mas não abusa não, jão).
Cláudia Abreu