Chega de falar do que eu não sei; de agora em diante, doutoro-me. E isso, me responsabilizando por tudo o que for dito; e até pelo que foi dito, as cagadas de outrora. Por exemplo, se voltarem a postagens anteriores (se vocês não leram, pelo menos eu li), depararão grosserias e horrores em várias áreas do conhecimento, sobretudo literatura. O único ponto que me parece irreparável, e todos hão de concordar comigo, é minha psicologia comportamental das mulheres. Aprofundado, pode-se consolidar como o caminho mais legítimo, isto é, para mim, no mundo das letras: auto-ajuda para quem não gosta de auto-ajuda. E gente que não gosta de auto-ajuda, não gosta por preconceito. Mas pompa resolve tudo, e o preconceito cai fácil, fácil: com purpurina, até pobre brilha, é o que dizem. Ora, investindo-se um pouquinho na forma, os resultados podem ser surpreendentes. Tipo La Rochefoucauld, Schopenhauer.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Cinema - Estréias da semana (o retorno)
O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford - Diretor: Andrew Dominik; Elenco: Brad Pitt, Casey Affleck e Mary Louise Parker
Viagem a Darjeeling - Diretor: Wes Anderson; Elenco: Owen "Suicide Solution" Wilson (sacaniei), Jason Schwartzman e o nariz do Adrian Brody.quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Top 5: Cinco boas rãzões para se dar uma bela duma surra no Ben Affleck
As razões são:quarta-feira, 21 de novembro de 2007
A metalinguagem e metareferência nos quadrinhos publicados hoje, dois exemplos
Tamanha a variedade, surpreendente para um mercado minguado como o brasileiro, onde é capaz de encontrar quadrinhos para não leitores de quadrinhos. Obras que diferem bastante do comum nas bancas de jornais. Daí que parto o meu primeiro exemplo.
Um quadrinho divertido?
Fun Home, obra de Alison Bechdel, onde a autora, através de um relato autobiográfico em quadrinhos, traça as suas primeiras experiências homossexuais como também o seu relacionamento conturbado e complicado com o pai, um homossexual enrustido, que através da permanência de um casamento forçado, mantendo ao mesmo tempo suas relações extraconjugais com seus alunos. E este pai da autora teria se "matado" por causa desse homossexualismo não assumido. A obra em si não explicita isso, mas durante todo o relato de Alison, ela parece insinuar isso.A obra apresenta várias referências literárias, com especial atenção para Ulisses, obra de James Joyce(o grande destruidor do romance), e sua relações com a Odisséia, de Homero. No decorrer da própria narrativa, ela própria relaciona sua relação com o pai com as relações paternas de Bloom, protagonista de Ulisses.
Além da narrativa soberba, do texto genial, da metalinguagem e metareferência que enriquecem e acrescentam muito a obra(seria outra obra sem isto, apenas uma história bobinha). Mais, deixam a obra aberta, caso comum da arte moderna, a obra aberta para o diálogo; metareferencial, onde aponta coisas que se relacionam com ela, Alison executa tudo de maneira genial, a obra foi contemplada com Eisner Award de 2007 e também foi eleito o melhor "livro" de 2006 pela revista Time. Quem diria, outro livro de figurinhas desbancando os chatos herméticos viciados em Proust, este, o chato mais hermético de todos.
Grant Morrison
Rei das referências e metalinguagem, Grant Morrison, teve recentemente publicado sua obra mais megalomaníaca: Os Sete Soldados da Vitória, publicado no brasil em 8 volumes de 100 páginas cada. A última edição saiu neste mês.A DC comics deu liberdade total a Grant Morrison, ele resolveu trabalhar com sete heróis de segunda categoria: Justin, o Cavaleiro Andante; Frankstein; Senhor Milagre; Klarion, o menino bruxo; Projétil; e por fim, Zatanna. Através de um lançamento cronológico onde cada herói teve sua revista, em 4 edições, alternando numa ordem já premeditada por Morrison e começando como também finalizando com outra duas edições, respectivamente: Sete Soldados da Vitória #0 e Sete Soldados da Vitória #1.
O interessante, além dos incríveis artistas convocados para tal empreitada, é como Morrison amarra a trama. Ora, os protagonistas apresentam, aparentemente, um inimigo comum, porém não formam um supergrupo. Longe disso, eles apenas, as vezes, se encontram durante a história, isso só alguns e ocasionalmente. Através do esforço isolado de cada um, acabam minando a força dos Sheedas, os malzões da história, e por fim, um deles tem que se sacrificar para impedir a ceifa dos Sheedas.
Morrison alterna de revista pra revista, citando elas mesmas, uma na outra e assim por diante; as repercussões das ações dos personagens acabam influenciado os personagens de outras revistas. E acaba acrescentando muito a história, ao invés de trabalhar apenas com uma boa história de um supergrupo que impede uma dominação alienigena(coisa que já existe aos montes). Grant não quis ser original, ele já fez isso antes, ele apenas percebeu que seria mais interessante, sobretudo para os tempos atuais e para a obra, tratar da maneira que tratou, isso mesmo, a sensibilidade do roteirista acabou trazendo muito mais valor para os quadrinhos do que a teimosia da pessoas que acham que Proust é o máximo e deve ser imitado, assim como todos os outros chatos herméticos da literatura atual, pois os antigos tinham motivo para serem herméticos e chatos.
Outra coisa interessante, neste outro exemplo de obra aberta: a leitura em conjunto, pois cada leitor perceberá certas referências e influências, sejam elas de quadrinhos, de cinema, de literatura, de cultura. A obra se põe como um jogo, onde cada releitura possibilita outras interpretações e impressões, indiferentes delas serem erradas ou certas. Então, que tal largar seu Proust e jogar um pouco?
Sobre literatura e crítica literária marxista
Um dia haverá uma grande explosão, e todas as cidades e máquinas serão destruídas. Voltaremos à estaca zero tecnológica. Só sobreviverão, coincidentemente, esses indivíduos atualmente perdidos e inúteis, os simpatizantes da literatura. Eu sei bem o perigo dessas categorias vagas e por isso muito abrangentes – qualquer professorzinho universitário é elevado a um Spinoza, por tabela. Mas, ainda assim, peço que tomem simpatizante num sentido lato, lato. Afinal, comigo é que nem estar na cozinha do pensamento, de pijama em casa com as idéias. A gente nunca desenvolve nada que dê pra levar pro boteco pra se mostrar pra rapaziada.
Mas voltando: então, tem esse holocausto, e esses remanescentes maricas que gostam de livros. E finge que esse povo também não vai ter de se ver com nenhum problema relativo à escassez de alimento ou água. Tipo, o mundo vai ter explodido, uma porrada de gente morrido e tal, mas de resto tudo certo. É isso mesmo, isso mesmo, vocês pegaram bem o espírito da coisa. Bom, é aí que esse povo, muito de boa, em vez de encher o saco do público com intermináveis solos metalingüísticos, só pra mostrar como eles são perspicazes e virtuoses e tudo o mais, e também porque eles não tem nada melhor do que isso pra falar, é aí que eles vão escrever uns livros legais, que nem antigamente, quando era impossível que alguém, narrando uma história, dissesse que estava narrando uma história, porque a história era boa demais pra eles precisarem se perder em maçantes questões de método e simplesmente porque todo o mundo ia achar isso muito chato, muito babaca, que nem blog e tal. (Ah, mas antigamente era outra coisa, o sentido estava dado, a totalidade, etc, o crítico dialético vem aqui buzinar na minha orelha. Ah, é? Bom, cala a boca, e deixa eu contar a minha história. Nunca ouviu falar em suspension of disbelief? E não se preocupa que o finalzinho aí embaixo tá do jeitinho que você queria, Lukács.)
Este homem, ele ainda saltita pelo campo de centeio.
Afinal, eles vão ter alguma coisa pra contar que não sejam as desventuras de sua vida pequeno-burguesa de outrora. Eles vão falar sobre essa grande explosão e de como eles salvaram o mundo, mesmo que a verdade (é, a verdade...) seja que eles só tenham sobrevivido à droga da explosão, de cagados que eles eram. E todo o mundo vai pagar pau. E isso é Literatura. E História também, com movimento dialético e o escambau.
A volta do camarada, Algarve nunca mais
"Onde vc estava, camarada?""Por aí, dei umas voltas; a pé, carro, trem, bicicleta. Algumas vezes navio."
"E pra onde vc foi, camarada?"
"Por aí, rodei algumas cidades: São Paulo, Araraquara, Bauru, Oswaldo Cruz, Marsilac e daí fui pra Algarve: grande cidade, lá dei umas voltas de bicicleta, sobretudo."
"E por que voltaste?"
"Acabou o dinheiro do google adsense, acabou o 'patrocínio'."
"Ah..."
Momento Reinaldo Azevedo: "A minha vida. A vida de um homem".
Uma breve reflexão para os jovens estudantes
"Aqueles que semeiam o trigo, colhem a tempestade, embora um fenômeno natural não possa ser ocasionado por um evento de cunho agrário, se for essa a terminologia correta. A não ser, lógico, quando falamos em terremotos, os quais podem, sim, ser ocasionados por sementes gigantes capazes de moverem placas tectônicas, o que, como não poderia deixar de ser, ainda não aconteceu. Quer dizer, pelo menos há uma pequena possibilidade, que envolveria a produção de frutos gigantescos e... é... err... bem...ok, na verdade, não há possibilidade alguma. Fiquemos com o sentido metafórico então, tomando certas liberdades de interpretação? Se sim, fico contente".
É fofo esse blog
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Um blog fofo
Depois de trocar os livros pelos blogs definitavemente, uma coisa que eu reparei é que, por mais que fizéssemos braço de ferro com a Natureza, somos um blog fofo, em comparação com outros meninos e meninas tão pretensiosos quanto nós.
