domingo, 25 de novembro de 2007

Girls just want to have fun

Gostos? Não. Eram parâmetros, e absolutos. Absolutos. Aquele que por eles viver jamais errará. Jamais.

Desconfio que o anti-semitismo se instala sorrateiramente entre nós. Seinfeld e Proust atacados como nunca antes visto. E ambos judeus. Sem dizer que estudos apontam na genealogia de Shakespeare certa ascendência judaica, provavelmente marrana. E alguém duvida? Lady Macbeth não é a típica mãe judia? “Vai, Jacob, não seja frouxo, vai lá e mata aquele goyim, maldito incircunciso!” Mas é claro que só estamos brincando, é claro. Como não?

Mas pra que o clima não fique pesado, e a discussão se encerre enquanto é tempo, algumas fotos da Cyndi Lauper:

sábado, 24 de novembro de 2007

O camarada e seus gostos

Mas que coisa: de um dia para outro o camarada fundamentalista elege as coisas que ele considera geniais, como num faniquito intelectual repentino, que se mostra deveras interessante.

Falar de Shakeaspeare é covardia; certos cânones são incontestáveis, é um dever cívico ser simpatizante do bardo inglês, o mesmo que falar que gosta de Homero e, para nós brasileiros, Guimarães Rosa. A penetração cultural e a presença dessas obras são tamanhas que fica difícil dizer o contrário, a obra sai do seu cárater fechado, recluso e aporta suas referências para além: permeando obras, seja por influência direta como também por imanência. Parece que a obra flutua num espaço que contamina outras obras. Por isso, quando o camarada afirmou seu gosto pelo dramaturgo não fez mais que a obrigação.

Enquanto refutou Jack Kerouac, o camarada começou a fazer polêmica e mostra que ele adora também os americanos pré-beatnik: Faulkner e Hemingway, sobretudo. Fundamentalista, um saudosista melancólico, gosta dessa época muito: Edward Hoper é outro que faltou esse camaradinha dizer, mas ele disse negando o cânone da literatura beat, mas ele esquece que quando faz isso, acaba negando Conrad e talvez o próprio Hemingway, como Kerouac, pessoas errantes, expatriados, pessoas pé na estrada. Mas enfim eu também não sou muito fã do Jack, mas ele é longe de ser um embuste como foi Pollock, basta notar sua influência, que permeia até hoje.

Não vou criticar Arcade Fire ou mesmo Seinfeld, já denotei minha opinião acerca disso( o bom e velho embuste indie). Queria é falar de Proust. Como disse em postagem anteriormente, um cara chato . Coitado, ficou vinte e tanto anos escrevendo uma grande merda que ninguém nunca lê, resolveram,por pena do garoto homossexual com problemas respiratórios, dar algum crédito para o francês. Este, ser fanático por brioche, foi o outro fator. Cite outro escritor francês desse período(não, não vale o Sarte); já que não existia, eles resolveram empurrar o menino guela abaixo da cultura ocidental e parece que não deu muito certo, como Pollock, muitos falam dele, mas poucos conhecem a fundo sua obra, pois se conhecessem não falariam dela. Graças a deus, depois de algum tempo, temos autores de verdade, como Georges Perec e Raymond Queneau, mas isto fica pra outro post.

Revolução em imagens

Somos camaradas, e nunca preguei revolução? Ah, Brasil: lógica aqui não tem vez mesmo, o carnaval subsume tudo, e a gente larga os bacamartes e vai ouvir Águas de Março. Mas tá, revolução.

Pelo que se viu até agora, a camaradagem tem uma proposta, sim, antes que a Elite Golpista venha acusar que não. Alguns postulados nossos (agora sistematizados):

Jim Jarmusch é indie. Tem gente que não sabia.




















Oscar Wilde era cafetão (a pimp).

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Do Bom e do Ruim nas Artes e na Cultura

E já colocando em prática minhas resoluções de fim de ano antecipadas (o último post), Parâmetros do Bom e do Ruim nas Artes e na Cultura. É, e eu disse que não manjava dessas transcendências, sei, sei. Mas esquece. Meu passado tá sendo revisionado, já avisei. Lá vai:

  • Bom: Shakespeare, Seinfeld, Arcade Fire, Proust.

  • Ruim: Manoel de Barros, Robert Rodriguez, college bands brasileiras, Jack Kerouac.

Mea culpa tardio

Chega de falar do que eu não sei; de agora em diante, doutoro-me. E isso, me responsabilizando por tudo o que for dito; e até pelo que foi dito, as cagadas de outrora. Por exemplo, se voltarem a postagens anteriores (se vocês não leram, pelo menos eu li), depararão grosserias e horrores em várias áreas do conhecimento, sobretudo literatura. O único ponto que me parece irreparável, e todos hão de concordar comigo, é minha psicologia comportamental das mulheres. Aprofundado, pode-se consolidar como o caminho mais legítimo, isto é, para mim, no mundo das letras: auto-ajuda para quem não gosta de auto-ajuda. E gente que não gosta de auto-ajuda, não gosta por preconceito. Mas pompa resolve tudo, e o preconceito cai fácil, fácil: com purpurina, até pobre brilha, é o que dizem. Ora, investindo-se um pouquinho na forma, os resultados podem ser surpreendentes. Tipo La Rochefoucauld, Schopenhauer.

Cinema - Estréias da semana (o retorno)

É isso aí. Trago de volta a seção mais over desse blog. Estreías da semana, o guia mais sincero e equivocado de filmes que existe na net. Pois desse teclado saem somente as teclas da verdade. Confere ai o bagulho:


O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford - Diretor: Andrew Dominik; Elenco: Brad Pitt, Casey Affleck e Mary Louise Parker
As filmagens ficaram prontas em 2005. O filme demorou dois anos para sair, já que o corte final tinha quase quatro horas de duração, o que deixou o pessoal do estúdio um tanto quanto nervoso. No final, deixaram 160 minutos mesmo, sabe como é. Falaram maravilhas desse filme, o que não deixa de ser meia verdade. O Brad Pitt e o Casey Affleck (o irmão Affleck que não merece apanhar) garantem o êxito do filme, auto indulgente demais nas suas tentativas de poesias visuais, aquela coisa Terrence Mallickiana de colocar os personagens olhando para o horizonte em meio a uma paisagem deslubrante. Sim, eu gosto dos filmes do Terrence Mallick, mas o Andrew Dominik, ex-diretor de comerciais na Austrália (precisamos começar a eliminar os atores e diretores australianos, é uma epidemia, e deixar somente o Peter Weir) passa longe da excelência do mestre. Pelo menos a gente já sabe qual vai ser o final do filme, afinal a história americana e o quilométrico título já garantem o serviço.

Viagem a Darjeeling - Diretor: Wes Anderson; Elenco: Owen "Suicide Solution" Wilson (sacaniei), Jason Schwartzman e o nariz do Adrian Brody.
O Wes Anderson voltou! Ouviram? O quê, ninguém ficou lá muito animado? A, tá, vamos todos crucificar o cidadão por culpa do Vida Marinha. Que nem era tão ruim assim. A história não é muito promissora, três irmãos que embarcam numa viagem pela Indía em busca da mãe. O elenco é indigesto, o insuportável nariz do Adrian Brody foi uma escolha infeliz, e o Jason Schwartzman já merece a honraria de Coppolla menos talentoso. Mas filmes do senhor Anderson jamais poderiam ser julgados pela superfície. Sei que não chega nem perto do neo-clássico moderno Excêntricos Tennembaums, mas aí seria pedir demais. E tem um bônus: antes de começar o filme propriamente dito, passa um curta chamado Hotel Chavelier, que introduz o personagem do Jason Schwartzman. São treze minutos em companhia da Natalie Portman, que contracena com ele apenas nessa parte. Um alívio para quem tem de encarar depois uma hora e meia do napudo mais insuportável do ocidente. Maldito Polanski.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Top 5: Cinco boas rãzões para se dar uma bela duma surra no Ben Affleck

As razões são:

5- Gigli- Contato de Risco
4-Gigli- Contato de Risco

3-Gigli- Contato de Risco

2-Gigli- Contato de Risco

1-Gigli- Contato de Risco


Sério. Esse atentado estava passando ontem na TV a cabo. É a pior coisa jamais concebida pela mente de um ser humano (Martin Brest, no caso). Se o holocausto e a bomba atômica foram a vergonha da humanidade no século passado, o século que vivemos agora já terá a sua, mesmo faltando ainda 93 anos para o fim. E ainda vem gente dizer que tem peninha do Ben "Boneco de Olinda" Affleck e da Jennifer Lopez, que tiveram suas carreiras encerradas com esse projeto. Foi muito pouco. Eu nunca terei as duas horas que perdi assistindo aquilo de volta. Foi como uma lavagem cerebral, não consegui me livrar de assistir o desastre até o fim. Nós vamos mesmo deixar os dois sairem impunes por isso? Eu não. Estou tomando providências legais para ser ressarcido em nome dos milhares de neurônios perdidos e do tempo disperdiçado. Quanto ao Al Pacino, resolvi fingir que não vi ele no filme. Imagino que ele deva fazer o mesmo também.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

A metalinguagem e metareferência nos quadrinhos publicados hoje, dois exemplos

Sabe, este camarada que vos fala costuma ler bastante quadrinhos, um fato corriqueiro e diário, é verdade. Hoje as publicações de quadrinhos no país estão apresentando grande variedade e grande qualidade: é fácil encontrar qualquer tipo de "gibi", independente de gosto: seja um leitor que gosta de super-heroís, um leitor que gosta de quadrinhos adultos, mangás , etc.

Tamanha a variedade, surpreendente para um mercado minguado como o brasileiro, onde é capaz de encontrar quadrinhos para não leitores de quadrinhos. Obras que diferem bastante do comum nas bancas de jornais. Daí que parto o meu primeiro exemplo.

Um quadrinho divertido?

Fun Home, obra de Alison Bechdel, onde a autora, através de um relato autobiográfico em quadrinhos, traça as suas primeiras experiências homossexuais como também o seu relacionamento conturbado e complicado com o pai, um homossexual enrustido, que através da permanência de um casamento forçado, mantendo ao mesmo tempo suas relações extraconjugais com seus alunos. E este pai da autora teria se "matado" por causa desse homossexualismo não assumido. A obra em si não explicita isso, mas durante todo o relato de Alison, ela parece insinuar isso.

A obra apresenta várias referências literárias, com especial atenção para Ulisses, obra de James Joyce(o grande destruidor do romance), e sua relações com a Odisséia, de Homero. No decorrer da própria narrativa, ela própria relaciona sua relação com o pai com as relações paternas de Bloom, protagonista de Ulisses.

Além da narrativa soberba, do texto genial, da metalinguagem e metareferência que enriquecem e acrescentam muito a obra(seria outra obra sem isto, apenas uma história bobinha). Mais, deixam a obra aberta, caso comum da arte moderna, a obra aberta para o diálogo; metareferencial, onde aponta coisas que se relacionam com ela, Alison executa tudo de maneira genial, a obra foi contemplada com Eisner Award de 2007 e também foi eleito o melhor "livro" de 2006 pela revista Time. Quem diria, outro livro de figurinhas desbancando os chatos herméticos viciados em Proust, este, o chato mais hermético de todos.

Grant Morrison

Rei das referências e metalinguagem, Grant Morrison, teve recentemente publicado sua obra mais megalomaníaca: Os Sete Soldados da Vitória, publicado no brasil em 8 volumes de 100 páginas cada. A última edição saiu neste mês.

A DC comics deu liberdade total a Grant Morrison, ele resolveu trabalhar com sete heróis de segunda categoria: Justin, o Cavaleiro Andante; Frankstein; Senhor Milagre; Klarion, o menino bruxo; Projétil; e por fim, Zatanna. Através de um lançamento cronológico onde cada herói teve sua revista, em 4 edições, alternando numa ordem já premeditada por Morrison e começando como também finalizando com outra duas edições, respectivamente: Sete Soldados da Vitória #0 e Sete Soldados da Vitória #1.

O interessante, além dos incríveis artistas convocados para tal empreitada, é como Morrison amarra a trama. Ora, os protagonistas apresentam, aparentemente, um inimigo comum, porém não formam um supergrupo. Longe disso, eles apenas, as vezes, se encontram durante a história, isso só alguns e ocasionalmente. Através do esforço isolado de cada um, acabam minando a força dos Sheedas, os malzões da história, e por fim, um deles tem que se sacrificar para impedir a ceifa dos Sheedas.

Morrison alterna de revista pra revista, citando elas mesmas, uma na outra e assim por diante; as repercussões das ações dos personagens acabam influenciado os personagens de outras revistas. E acaba acrescentando muito a história, ao invés de trabalhar apenas com uma boa história de um supergrupo que impede uma dominação alienigena(coisa que já existe aos montes). Grant não quis ser original, ele já fez isso antes, ele apenas percebeu que seria mais interessante, sobretudo para os tempos atuais e para a obra, tratar da maneira que tratou, isso mesmo, a sensibilidade do roteirista acabou trazendo muito mais valor para os quadrinhos do que a teimosia da pessoas que acham que Proust é o máximo e deve ser imitado, assim como todos os outros chatos herméticos da literatura atual, pois os antigos tinham motivo para serem herméticos e chatos.

Outra coisa interessante, neste outro exemplo de obra aberta: a leitura em conjunto, pois cada leitor perceberá certas referências e influências, sejam elas de quadrinhos, de cinema, de literatura, de cultura. A obra se põe como um jogo, onde cada releitura possibilita outras interpretações e impressões, indiferentes delas serem erradas ou certas. Então, que tal largar seu Proust e jogar um pouco?

Sobre literatura e crítica literária marxista

Um dia haverá uma grande explosão, e todas as cidades e máquinas serão destruídas. Voltaremos à estaca zero tecnológica. Só sobreviverão, coincidentemente, esses indivíduos atualmente perdidos e inúteis, os simpatizantes da literatura. Eu sei bem o perigo dessas categorias vagas e por isso muito abrangentes – qualquer professorzinho universitário é elevado a um Spinoza, por tabela. Mas, ainda assim, peço que tomem simpatizante num sentido lato, lato. Afinal, comigo é que nem estar na cozinha do pensamento, de pijama em casa com as idéias. A gente nunca desenvolve nada que dê pra levar pro boteco pra se mostrar pra rapaziada.

Mas voltando: então, tem esse holocausto, e esses remanescentes maricas que gostam de livros. E finge que esse povo também não vai ter de se ver com nenhum problema relativo à escassez de alimento ou água. Tipo, o mundo vai ter explodido, uma porrada de gente morrido e tal, mas de resto tudo certo. É isso mesmo, isso mesmo, vocês pegaram bem o espírito da coisa. Bom, é aí que esse povo, muito de boa, em vez de encher o saco do público com intermináveis solos metalingüísticos, só pra mostrar como eles são perspicazes e virtuoses e tudo o mais, e também porque eles não tem nada melhor do que isso pra falar, é aí que eles vão escrever uns livros legais, que nem antigamente, quando era impossível que alguém, narrando uma história, dissesse que estava narrando uma história, porque a história era boa demais pra eles precisarem se perder em maçantes questões de método e simplesmente porque todo o mundo ia achar isso muito chato, muito babaca, que nem blog e tal. (Ah, mas antigamente era outra coisa, o sentido estava dado, a totalidade, etc, o crítico dialético vem aqui buzinar na minha orelha. Ah, é? Bom, cala a boca, e deixa eu contar a minha história. Nunca ouviu falar em suspension of disbelief? E não se preocupa que o finalzinho aí embaixo tá do jeitinho que você queria, Lukács.)

Este homem, ele ainda saltita pelo campo de centeio.

Afinal, eles vão ter alguma coisa pra contar que não sejam as desventuras de sua vida pequeno-burguesa de outrora. Eles vão falar sobre essa grande explosão e de como eles salvaram o mundo, mesmo que a verdade (é, a verdade...) seja que eles só tenham sobrevivido à droga da explosão, de cagados que eles eram. E todo o mundo vai pagar pau. E isso é Literatura. E História também, com movimento dialético e o escambau.

A volta do camarada, Algarve nunca mais

"Onde vc estava, camarada?"
"Por aí, dei umas voltas; a pé, carro, trem, bicicleta. Algumas vezes navio."

"E pra onde vc foi, camarada?"
"Por aí, rodei algumas cidades: São Paulo, Araraquara, Bauru, Oswaldo Cruz, Marsilac e daí fui pra Algarve: grande cidade, lá dei umas voltas de bicicleta, sobretudo."

"E por que voltaste?"
"Acabou o dinheiro do google adsense, acabou o 'patrocínio'."
"Ah..."