quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Macaulay Culkin: Nós que aqui estamos por ti esperamos

Os dois natais mais abonados da história ocorreram em 1990 e 1992. Esqueceram de Mim 1 e Esqueceram de Mim 2. Os dois filmes somados ultrapassaram um bilhão de dólares em arrecadação. Um bilhão de dólares. Para fazer o segundo filme, o guri Caulkin levou para a casa (quer dizer, sua família malvada levou) cinco milhões de dólares, com apenas 12 anos de idade. Se corrigirmos esse valor pela inflação, hoje seriam 10 milhões de dólares. Sim, Giovanni Ribisi, você nunca vai ganhar nem metade disso por filme nenhum. Toda essa insanidade poderia ser considerada válida? O que essa série, que teve duas horrendas continuações lançadas direto para vídeo e com outros atores no lugar de Culkin, tinha de tão especial para ter conquistado tamanho êxito de público e ter feito de Culkin o maior astro daquela época? Eu, Camarada Progressista, impregnado pelo espírito natalino vivido pelo blog, venho aqui arriscar minhas tentativas de respostas. Quando o primeiro filme foi lançado, eu tinha apenas seis anos de idade, mas me lembro com clareza da onipresença do filme na mídia e nas discussões das rodinhas de conversas do pré-primário (hoje a molecada discute o Tropa de Elite e diz para os amiguinhos que eles deveriam "pedir para sair, senhor 02". Mas isso é assunto para depois).

Todos nós nos identificavámos com Culkin, o medo maior da infância de se ver sozinho, longe das barras dos pais, de ser abandonado, de estar à deriva perante um mundo cáustico e cruel, e de enxergá-lo por nós mesmos, e não mais com os olhos dos nossos progenitores. E justamente no Natal, data tão cheia de simbologias e cara aos infantos. Logicamente que a história do filme era bobinha, o que piorou ainda mais na continuação, supondo o absurdo que seria os pais deixarem para trás mais uma vez um filho, novamente na época do Natal, ele sendo atacado mais uma vez pelos mesmos meliantes do anterior numa cidade diferente. Pais relapsos, não? Deveriam estar totalmente calejados pelo trauma do primeiro acontecimento. Mas haviam milhões de dólares prontos para serem conquistados, e o negócio foi ir no seguro. O autor do roteiro dos dois filmes e criador de todos os personagens foi John Hughes, icônico diretor de filmes adolescentes dos anos 80, responsável por obras como Curtindo a Vida Adoidado e Clube dos Cinco, entre outros. Se fosse escolher um motivo pelo êxito da série, seria esse. O toque cálido de Hughes se fez presente no primeiro filme. Mesmo com a trama estúpida e banal, e mesmo sabendo que esse filme fora feito para estourar as bancas nas bilheterias ao invés de buscar supostos êxitos artísticos, como acabou fazendo, Hughes lança mão mais uma vez da sua inimitável visão de vida. Ele sempre consegue fazer os espectadores se importarem com os seus personagens, já que olha para eles com uma sensibilidade aguçadíssima, dando tempo para eles resolverem seus conflitos internos e externos, jamais jogando o carro na frente dos bois. Tem um talento nato para cenas de maior intimidade afetiva e psicológica entre personagens, algo que é um calo no pé de diversos roteiristas e diretores famosos, mas que com ele sempre funcionam. Momentos como quando a mãe de Kevin (personagem de Culkin) voltando para buscar o filho numa van de um grupo de polka encabeçado pelo sensacional John Candy refletem essa sensibilidade com perfeição. Um momento pouco lembrado, perdido entre as confusões de Culkin com os ladrões (como eles conseguiram escalar o Joe Pesci para interpretar um deles, e como eles conseguiram convencê-lo a fazer a continuação, será sempre um mi$tério), mas que contêm todas as características que fizeram a justa fama de Hughes. O que matou os dois filmes artisticamente (ugh!) e ao mesmo tempo os fizeram estourar a banca foi a escalação do diretor. O ignóbil Chris Columbus, incompetente de marca maior e autor de alguns dos filmes mais cretinos já feitos (O Homem Bicentenário deveria ter garantido para ele duzentos anos de cadeia na chincha como punição), mas que inegavelmente sabia o que esperava a platéia daquele início da década de 90, tanto que foi autor de outro filme que quebrou recordes de bilheteria na época, o pavoroso Uma Babá Quase Perfeita.

Se o filme tivesse sido dirigido por Hughes, provavelmente não teria feito o mesmo sucesso, já que seu estilo mais sutil e discreto não seria capaz de movimentar as multidões ávidas por algo mais energético e burro. Por isso que, tristemente, Columbus foi necessário. A sua energia estúpida e exagerada , combinada com o olhar melancólico e belo de Hughes, foram mais do que suficientes para o sucesso da empreitada. Macaulay Culkin seguiu a trilha da maioria dos astros infantis, e se afundou em drogas, bebidas, escandalos sexuais (testemunhou a favor de Michael Jackson no escândalo de Neverland), jamais repetindo o mesmo sucesso. Oras, não seria essa sim a bela tragédia natalina, as lembranças de épocas mais gloriosas e vívidas, e a melancolia deprimente e negativa ocasionada pelas reafirmações desses sentimentos? Nós esquecemos de John Hughes, afastado do showbussiness e hoje vivendo nos cafundós do Judas em Connecticut? Não. Esquecemos de Culkin, elo perdido das nossas juventudes? Não, não nos esquecemos. Nos esquecemos de Chris Columbus? Bem que queríamos! Tentamos de todas as maneiras nos esquecer dele, mas sempre há algum produtor pronto para lhe dar novas oportunidades, como na péssima versão cinematográfica do musical Rent, lançado para as moscas no ano passado. Queremos a volta de Hughes. Queremos uma vida menos infeliz para Culkin. Queremos a prisão perpétua para Columbus. Papai Noel, where art thou?

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Como John McClane salvou o Natal

O Natal, essa época cinematográfica, suscita vilanias e heroísmos na mesma proporção. É provavelmente a nota solene de que se revestem todas as coisas durante as festas que torna a data particularmente inspiradora de grandes e terríveis ambições, convocando respostas altruístas por parte daqueles que viremos a chamar nossos heróis. Cada ato ganha, então, uma eloqüência singular.

Por isso, tantas explosões, tantos terrorismos de última hora, ameaçando acabar com a mais ocidental das celebrações. De um contexto como esse é que nascem episódios inesquecíveis, momentos que se assomam à mente dos contadores de histórias muito adequadamente iniciados pela épica fórmula “Como fulano salvou o Natal”. Obviamente, não negligenciaremos tais heróis, nos quais, de fato, se deposita o melhor do espírito humano, e de forma tão concentrada que é inevitável que transborde num feito memorável.

E para abrir nossa infelizmente reduzida galeria (por falta de tempo dos colaboradores deste blog), como não poderia deixar de ser – John McClane. Trata-se de uma espécie de Heracles moderno. E, com efeito, supera o semideus, considerando-se que este levou, para realizar os Doze Trabalhos, muito mais tempo do que dispôs McClane, que salvou o Natal, por duas vezes, em apenas algumas horas, e sem qualquer patrocínio divino. (Notem que, curiosamente, quando o cenário não era o Natal, como nas duas seqüencias de 1995 e de 2007, o brilhantismo da série Die Hard se perdeu. O que ilustra a estreita ligação entre o significado desta época e o personagem.)

É, contudo, principalmente a motivação de John McClane que o faz maior que Heracles. Se um é levado a atender os pedidos de Eristeu, rei de Argos, talvez por uma penitência imposta pelo Oráculo de Delfos, ou seja, compulsoriamente; o outro cumpre com sua vocação heróica de maneira completamente altruísta, sob circunstâncias casuais. Isto é, se quisermos denominar acaso o nobre chamado para salvar milhares de vidas inocentes em perigo.

Neste ponto muitos talvez objetem, alegando que se trata de diferentes concepções de herói, inexistindo um termo de comparação suficiente. A estes, respondo que o espírito humano é o mesmo em todo o tempo, apesar de se colorir distintamente e que, se querem um exemplo de sacrifício semelhante ao do herói moderno, mas contemporâneo a Heracles, pensem em Antígona, que caiu em desgraça por amor a seu irmão Polinices. E nem menciono seu pai, Édipo, que, na verdade, agia movido por interesse particular, por orgulho.

Inesquecível!

Heracles obteve, como recompensa do cumprimento de seus Doze Trabalhos, a imortalidade e, assim, ascendeu ao Olimpo. Ora, o Olimpo de John McClane são as nossas mentes e corações, onde ele viverá perpetuamente incensado por nossa gratidão e admiração.

Quando coração era mais importante que músculos.

Nos dias de hoje, quando o obtuso Jack Bauer (que parece agora servir de parâmetro para composição de personagens de filmes de ação, inclusive para o último Die Hard) vem usurpar, em nosso imaginário, o sagrado lugar reservado aos heróis, é mais do que necessário que nos voltemos ao passado, à figura original de John McClane, a fim de recuperar nossos valores e repensar que rumo queremos dar à própria trajetória do gênero humano.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

TETÉIA DA SEMANA

Helena Bonham Carter

Atriz inglesa, musa-mor do maluco de plantão e diretor nas horas vagas Tim Burton, que levou essa história de musa tão a sério que até se casou com ela. Burton é fascinado pelo Natal, sempre trabalhando o lado sombrio e "gótico" da data nos seus filmes. A senhorita Bonham Carter, com seus trejeitos de atriz vitoriana e suas tendências para o burlesco, acaba caindo como uma luva no universo Burtoniano. E ela estava no Clube da Luta. E como estava: sua personagem é vital. Mas aquele era um filme natalino? You tell me.

sábado, 8 de dezembro de 2007

A mulher faz o homem

Neste Natal, tomaram minha masculinidade, e ainda estou em via de resgatá-la. Foi num encontro às cegas. Tá, nem tanto assim: eu já tinha visto a menina. Mas o constrangimento era o mesmo, com você encontrando a pessoa e pensando “onde é que eu estava com a cabeça?”. O encontro às cegas, que é das reminiscências arcaicas mais pronunciadas na atualidade, aponta para um tempo em que as pessoas não tinham escolha, quando o amor não acontecia nos termos e condições democráticos que agora acreditamos imprescindíveis.

Regressivos assim, ela e eu nos dispusemos inconscientemente a uma dança de morte, em que um tentava conquistar a supremacia sobre o outro. Não, não foi com essa clareza de termos que a coisa toda se manifestou pra nós. Na verdade, ainda que vocês não acreditem, eu costumo dar espaço às pessoas, contanto que eu tenha o controle da situação. Em outras palavras, ritualisticamente ocupo a posição masculina, macha. É necessário que eu conceda esse espaço; do contrário, como quando o outro o toma por si próprio, como dessa vez, eu me perco.

E o pior de tudo: ela o fez naturalmente, como se devesse ser assim. E parece que devia mesmo. E eu fiquei confuso e assustado como uma menininha.

Eu simplesmente não sabia o que fazer. E ela era extremamente compreensível com a minha situação, mas ao mesmo tempo não me dava brechas. Porque ela estava, afinal de contas, usurpando a posição macha, agora posso compreendê-lo claramente. Deixem-me caracterizá-la sucintamente, assim vocês concordarão comigo. 1) Ela determinava se sentávamos (e onde sentávamos) ou se andávamos. 2) Ela sugeria os tópicos da conversa e os desenvolvia. 3) Ela falava de questões e momentos difíceis da vida dela já superados. Já superados. 4) Ela citava filmes, peças e músicas que eu desconhecia. 5) Ela não ria dos meus comentários engraçadinhos. 6) Ela era mais prática do que eu.

Agora, da minha parte: 1) eu acatava; 2) eu olhava pra baixo, pra ponta dos sapatos, e chutava pedrinhas; 3) eu gaguejava, perplexo; 4) eu balançava a cabeça concordando, totalmente ignorante; 5) eu me desesperava; 6) eu queria fugir.

Em resumo, ela fez com que eu sentisse completamente dispensável, como uma garota. E ainda piora, pois eu estou em casa, doido pra vê-la novamente, sob o único argumento de que “ela tem uma coisa que eu não sei explicar o que é”. E eu acho que estou a fim. É, eu devo estar a fim. Idiota. Eu me transformei vocês sabem no quê. E eu acho que estou atraído por uma moça porque ela me lembra um vocês sabem o quê. Não que eu tenha alguma coisa contra quem se sinta atraído por vocês sabem o quê, mesmo sendo fundamentalista e tudo, porque o meu fundamentalismo é, nesse sentido, bem limitado.

Presumo que os bons espíritos do Natal, cuja missão é redimir os aparentemente incorrigíveis, querem que eu me arrependa da minha inócua misoginia e do meu machismo auto-indulgente. Camarada Fundamentalista é, afinal, um título comum aos dois gêneros.

Eu preciso que ela me diga algo. Eu não ligo se ela continuar ocupando a posição masculina, contanto que ela me trate com a mesma condescendência e maciez que eu costumava dispensar às mulheres. Na verdade, seria perfeito. É tudo que eu sempre quis – que elas fizessem tudo, porque eu sempre estou tão, tão cansado –, apesar de nunca haver imaginado que isso significasse ter de renunciar, em parte, à minha masculinidade. Mas, também, a gente acaba percebendo que não era tão importante, que dá pra se viver sem. Que é só o estúpido orgulho masculino! E que é o masculino, enfim? Uma convenção! Chocolate, bebês, cuidar do cabelo, fazer as unhas, não é tão ruim assim.

Eu de vestido. Eu de saltos. Eu falando que nem criança. Eu magoado. Eu frágil. (Espero que ela esteja lendo isso.) Eu me fiz de difícil. Eu disse que não estava rolando. Mas é que eu estava inseguro, só porque, no final das contas, ela está no controle. Você está no controle. É um milagre de Natal. Ho, ho, ho.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Especial Natal: Papai Noel às Avessas

O Natal, período de compras, ajudar o próximo e enriquecer o Greenpeace. Como o Natal é legal, sobretudo para os papais-noéis brasileiros: aquela marofa oriunda da tropicalidade e está lá o coitado, suando naquela roupa vermelha.

“Mas os shoppings têm ar-condicionado, né!”, grita alguma menina do fundo da sala.

Sem dúvida. Muitos shoppings de fato têm. Mas shopping de pobre é outro esquema, minha filha, fica lá um duende de roupa verde apertada abanando o bom velhinho (mas cadê os anões?), as vezes nem isso. Papai Noel Brasileiro tinha que ser de chinelo , shorts e uma barba branca bem rala, pois ainda é o bom velhinho, senão vai parecer padre, e bem, padre e criança, ainda com colinho, não dá muito certo.

Enfim lembrando desse maldito calor que nos ronda, por conseqüência, nossa tropicalidade, pensei num filme que vi recentemente: Papai Noel às Avessas ( Bad Santa, 2003).

O filme mostra dois trapaceiros: um, Billy Bob Thornton em sempre sensacional atuação, se fantasia de Noel; o outro, o “comediante” Tony Cox, se fantasia de duende. Assim, ambos costumam trabalhar em grandes lojas de departamentos a fim de roubá-las. Numa dessas lojas de departamento os personagens se deparam: com a crise da parceria bem sucedida até então; a intromissão de um chefe de segurança(Bernie Mac em ótima atuação) e a aproximação de Thornton com um menino gordinho que parece meio retardado. E todos os fatores somados dão o tom para o desfecho.

Na verdade, o longa tanto através do humor corrosivo presente na trama, como na própria atitude e personalidade do protagonista, acaba satirizando o “espírito de natal”; aquele espírito superficial que toma parte das maiorias das pessoas nesse período. Enfim, ponto para o personagem principal que conduz muito bem o longa, sobretudo por causa de sua tropicalidade, que faria o Zé Carioca perder as penas de inveja.

E não sei se Billy Bob Thornton sempre interpreta ele mesmo nos filmes: um cara durão, depravado, safado e de bom coração. Mas sempre quando faz isso é divertido, muito divertido. Ele até parece brasileiro, pela sua tropicalidade inserida na personagem, aí fica fácil imaginar um papai Noel brasileiro., a la Mr. Thornton, lógico.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Especial Natal: Comidas – Parte 1 : A Birosca e as compras na rua 25 de março

Nós do fomos ao cinema, este blog tão acessado pelas massas, decidimos através de um consenso democrático comentar nesse período de natal sobre comida. Além dos presentes, amigo secreto, tio chato, boa ações(como clicar no google adsense alheio), etc... para alguns o natal é a data para encher a pança, é a época que o pessoal come até peru( não consigo lembrar de outra data que eu faça isso).

Por isso, FOMOS AO CINEMA cita certos segredos gastronômicos para os desconhecedores da culinária da metrópole paulista. Hoje é dedicado para as pessoas que gostam de quitutes, aqueles salgados que dão aquela energia antes de uma boa pesquisa de compras na 25 de março ou pra levar escondido no cinemark, logicamente dentro de uma mochila.

Hoje citamos um salgado em particular, até hoje em minhas andanças gastronômicas nunca vi um quitute superior a este, falo dela, a minha querida BIROSCA. A BIROSCA é um salgado acima de qualquer outro, ela é o salgado do mundo ideal transformado em realidade, a Ambrósia da minha juventude, sem exageros o melhor salgado que comi na vida.


Descrição do Quitute:Ela lembra uma fogazza, mas não é frita e sua massa lembra a de uma boa esfiha fechada (e tão macia quanto). Agora parte do segredo: mesmo o salgado sendo assado parece que o recheio é frito. Seus sabores: frango/catupiry, calabreza/catupiry e queijo/presunto. O melhor é o preço: só custa R$ 1,30 cada.

Comentários acerca do Quitute:
“Quem comeu sabe: birosca, o salgado mais perfeito do mundo. (Homem sábio)
“Birosca, salgado perfeito, Idéia mesma de todos os salgados, dádiva fugidia de uma geração displicente, cantar-te-ei, quentinha, gostosa, para sempre desvencilhada de nós, anônimos amorosos teus!” (Outro homem sábio, corria feliz com seu salgado)

Local:
Rua Doutor Luiz Lasanha, 311(encostada na faculdade São Marcos), travessa da Nazaré
Ipiranga- São Paulo

(dúvidas, clique aqui)

Vantagens do Quitute: Ser o melhor salgado do mundo, ser próximo da faculdade de psicologia da São Marcos e ser muito barato

Desvantagens do Quitute: Ser vendido apenas lá(outro lugar que vendia fechou). O lugar que nós chamamos também de Birosca trabalha em um horário esquisito, aconselhamos você chegar lá antes das 9horas da manhã

Notas: Qualidade do Salgado, 10; Localização, 7; Atendimento, 9

NOTA FINAL: 8,7

Antes de fazer sua compras, que tal dar uma passada lá de manhã? Altamente Recomendável !

Godard e o Natal. O Natal e Godard. O Godard + o Natal. Silêncio

Um belo dia, em meados de 1964, Jean-Luc Godard acordou e resolveu que o Natal seria um tema interessante para um filme. O Natal das metáforas socialistas, segundo o francês. Não o Natal gordo e imundo dos yankees. Pensou Jean-Luc: "preciso fazer pelo Natal o que o Pasolini fez pela crucificação de Cristo. Tipo, ele tratou do fim, eu falo do começo, pelo menos do espírito que seguiu até os nossos dias, perdido nos perus dos yankees, minha idéia fixa favorita". Nessa altura, tinha Godard esquecido que o Pasolini era ateu. E que Cristo exercia igual fascínio nos dois por culpa do seu discurso gregário, quase uma antevisão dos ideais comunistas tão violentamente defendido pelos dois. Godard tinha esquecido dessas coisas. Mas como sempre foi um homem de câmeras paradas e idéias na cabeça, foi em frente. O filme se chamou "O Divertido Natal de Godard". Duas idéias definiam o mote do filme: uma, culpar os yankees pela degradação dos valores natalinos. Duas, imaginar Papai Noel como uma espécie de Marx moderno, tentando preservar suas ideologias e ao mesmo tempo tendo de faturar alguns fazendo propaganda. Colocou o Jean-Paul Belmondo como o bom velhinho, com uma bela pança postiça na barriga e um capuz vermelho cobrindo o rosto todo com quatro furos para os olhos, nariz e boca, ao invés do costumeiro gorro. Ao invés do personagem ser chamado no filme pela denominação francesa, Pere Noel, o filme todo ele é chamado de Santa Claus. Depois dos créditos, o filme abre com uma tomada externa de uma gigantesca fábrica com o logo da Coca-Cola, e uma legenda embaixo escrita "Atlanta, EUA". Em seguida, a câmera fixa-se atrás de uma cadeira na qual o Papai Noel está sentado, de frente para uma mesa, mas a visão do traseiro do velhinho nos impede de ver quem está sentado, já que a câmera não se move. Um estranho diálogo se segue, mais ou menos assim:

-Existe uma rejeição muito grande dos produtos americanos na França, estamos perdendo um ótimo mercado por bobeira. Por isso, queremos que você vá lá e faça aquela preza básica, distribua presentes e cocas a rodo para as crianças, que são o nosso alvo principal, já que elas convencem a família a seguir comprando o produto. E com a credibilidade da sua imagem, esperamos conseguir entrar nesse mercado. Sabe como os franceses são, adoram fingir que não gostam da gente, mas quando isso significa a perda de dólares, temos de tomar atitudes.
-Isso vai contra todos os meus valores, e contra todas minhas atribuições. Já tive que mudar a cor das minhas vestimentas e do meu saco de presentes para vermelho, e agora isso?
-Você deveria ter pensado nisso quando vendeu os direitos de exploração da sua marca para a gente por 100 anos. Agora, trate de se mexer e justificar os milhões depositados na sua conta na Finlândia. E pela última vez, as renas também precisam das roupas especiais com o nosso logo. Elas possuem muita visibilidade entre a criançada. Coloque também um nariz vermelho numa delas, e chame-a de Rudolph, nome de um dos criadores da fórmula da Coca. A nossa equipe de marketing garantiu que isso será um sucesso, vai rolar até revistinha em quadrinhos. Agora, se manda daqui e volte com belos números pra cá.
-Ok.

Um desolado papai Noel se levanta da cadeira e sai do recinto. Mesmo assim, não podemos ver quem estava na mesa falando com ele, por culpa das sombras que os envolviam.
Corte, e a câmera vai para uma praça, com uma legenda escrita "Paris" embaixo. Noel está sentado, vestido a caráter e bebendo uma garrafa do que se poderia dizer ser um vinho, pela coloração do líquido. Com o capuz na cara não podemos ver, mas é nítido, pelos seus gestos e sons, que ele está chorando. Segue-se meia hora do filme no qual tudo o que vemos é o pobre Noel vagando solitário pelos becos parisienses, tentando interagir com os locais, resultando em patéticas cenas de escárnio. Em certo momento, ele avista um grupo de moleques fumando cigarros atrás de latas de lixo. Resolve chegar perto deles, e ouvimos um diálogo entrecortado por imagens de coelhos sendo extirpados e procissões típicas da idade média, sempre com o áudio da conversa.

-Molecada, esse negócio de cigarro não está com nada. Vocês sabiam que um dos produtos usados na fórmula da Coca-Cola, como essa garrafa que tenho na mão, é a Cocaína?
-É? E daí?
-Daí que... vocês sabem... cigarro para a cocaína...
-Você é o Papai Noel?
-Sim, sou.
-E você não deveria estar dando presentes para a gente? Tipo, fingindo ser bonzinho, dando conselhos, reclamando da gente estar fumando, e tudo mais?
-Sim, eu deveria.

As crianças riem exageramante, e um dos guris dá um belo pontapé na canela do Noel, que caí no chão. As crianças saem correndo. Noel murmura:

-Está errado. Está tudo errado. Jesus castiga seu pobre servo que se vendeu para o diabo. O que faço? Pago a multa rescisória de 500 milhões de dólares?

Então, surge uma das renas na frente de Noel. Estranho, ele tinha estacionado o trenó num anexo na praça a qual o vimos chorando antes. Sem mover a boca, ouvimos então ela dizer para o bom e marketeiro velhinho:

-És um porco pronto para o abate, escravo do Capital.
-Só me faltava essa, uma rena falando comigo. Minha mente também se volta contra mim?
-Querias o fim da desigualdade. Querias a união dos povos. O que queres agora?
-Eu não tenho culpa! Falo da contradição que existia entre o meu discurso e a realidade. Todos aqueles duendes não trabalhavam de graça. E não tinha mais como ressarcir os desejos de todas as crianças do mundo e ao mesmo tempo pregar os benefícios da luta de classes! Que criem então duendes de puro altruísmo, capazes de trabalharem de sol a sol apenas pelo bem dos seus corações!
-Não conheces a propriedade de facto? Não conheces o poder do laço? Não conheces a pluralidade das regras? A invencível carga do medo? Os direitos de um não podem se sobrepor ao bem maior! Estamos falando de duendes aqui, certo? Anões? Melhor ainda.
-E o meu contrato? O que faço?
-És imune às leis empregatícias norte-americanas. Faça valer a tua luta através da imposição dos bons calotes.
-Falamos da Coca... sabe como é...
-Falamos da luta. É inevitável. Tu tens todas as cartas dos fedelhos deste mundo. És um símbolo. Coca quem?
-Falou, sua rena maluca. Você me convenceu. Me liberto das obrigações capitalistas. Volto a ser o senhor dos martelos e pás e o escambau. Mas vou manter a cor vermelha, mó stile. O que acha?
-Ótimo. Volto para o trenó, e nós nunca conversamos, para o bem dos fatos. Aponte para mim quando passarmos por Barmen, na velha Westphalia.
-Barmen? Não me diga que você...


A rena ficou muda. Noel tentou de todas as maneiras, mas ela não mais falava, tendo então voltado ao seu velho e natural estado irracional. Noel tentou entender se tinha mesmo tido uma conversa daquela ou se tinha sido uma alucinação. Mas era irreversível. A decisão era tomada. Depois, Noel pegou todas as garrafas do saco e as jogou violentamente no Rio Sena, numa bela tomada panorâmica. Corta, e na última cena, um trôpego Papai Noel é visto numa loja de departamentos, com a legenda "New York" embaixo no início da cena, com diversos homens de terno do lado (pelas expressões, podemos notar que se tratavam de advogados) e entretendo as crianças da loja, ouvindo seus pedidos numa fila e depois dando uma garrafinha de Coca de brinde para elas. Corte, e a última cena mostra uma rena morta, caída no meio de um campo de trigo, envolta por poças e poças de sangue, e Godard move a câmera contra ela num delicado zoom, parando somente quando a tela toda é tomada pelo seu olho. Então, uma legenda aparecia embaixo, com os seguintes dizeres: "mas já se tornara impossível distinguir quem era porco, quem era homem". Essa última legenda, que se constituía numa citação-plágio e que não fazia nenhum sentido dentro do filme, transformou-se numa grande fonte de problemas e explicações para Godard. Numa entrevista, um repórter foi fundo na questão:

-A citação Orweliana no final do filme não se constituía de um plágio forçado e desnecessário?
-Não. Se todos deveríamos ser iguais e ter direito às mesmas coisas, então qualquer obra também passa a ser de direito de todos. Eu posso reescrever um livro inteiro famoso, assinar o meu nome e ainda sim estaria certo. Não era plágio, era auto-afirmação.
-Ok. Esse raciocínio vale para você também? Se por acaso um Luc Besson da vida (a entrevista era recente) chegasse e dizesse que iria refilmar O Acossado sem pagar os devidos direitos, declarando estar exercendo uma "auto-afirmação" e colocando o Bruce Willis, a Gisele Bundchen e um monte de táxis envenenados no filme, você aceitaria isso livremente?
-Uhm... qual era o telefone do meu advogado mesmo?


Esse era o Natal para Godard, no final das contas.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Papai Noel negativo

Decidi reformular um Papai Noel só pra mim, dar-lhe medidas que me parecessem as mais adequadas. E confesso que não tive que pensar muito. Eu já andava com alguém na cabeça. A saber: Theodor W. Adorno. Exatamente, Adorno é o meu Papai Noel.

Caramba, eu estava lendo Minima Moralia e, olha, não tem como não se convencer de que ele não está lhe dizendo a verdade, absolutamente toda a verdade. E só por causa do tom. Nessa mesma linha, tem um Benjamin, que é um cara sussa, que fala com você de igual pra igual. Só uma palavra ou outra trai que, bom, ele não curte Coca-Cola assim tão de boa como você. Mas o Adorno... Dramático, me lembra um Isaías. Por sinal, é uma fala bíblica que poderia perfeitamente lhe servir de divisa: “O mundo jaz no Maligno”. O que é o mesmo que afirmar, como ele afirma, que “Não há mais nada de inofensivo”.

"Tchururu, tchururu, tchu..."

Para um Natal desprovido de ilusões, algo que, enfim, tão logo termino de escrever, revela-se um contra-senso, Adorno. Já ouço vocês cantarem “Um frankfurtiano incomoda muita gente / Dois frankfurtianos incomodam, incomodam muito mais”. Mas eu não ligo, porque vocês e eu passaremos.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Christmas Time is Here

Estava procurando uma imagem que sintetizasse o Natal, e me ocorreu um filme – The Royal Tenenbaums. Especificamente uma cena. Royal Tenenbaum está tentando se reconciliar com sua filha, Margot Tenenbaum. Ele a leva a uma sorveteria e, como é de seu feitio, lhe diz alguns disparates. Ao fundo, toca Christmas Time is Here, do Vince Guaraldi Trio, música do filme de Natal dos Peanuts, se lhes escapa.

Adultos infantilizados e crianças precoces: não consigo pensar em algo mais natalino que isso. A infantilização dos adultos vocês devem compreender que é obra do consumismo desenfreado. Quanto à precocidade das crianças – bom, acho que ninguém é mais afetado que elas por essa história toda da magia do Natal, quando a boa vontade renasce entre os homens e o melhor de nós vem à tona. As coitadinhas, então, fazem de tudo pra serem boas e se culpam quando – decentes como são – descobrem que não conseguem. Idealizar as crianças desse jeito é só um dos males de se ler muito J. D. Salinger.

TETÉIA DA SEMANA

Beverly D'angelo

Estrela (?) da imortal (??) série de filmes Férias Frustradas. O exemplar mais famoso da série, além do primeiro filme, era o terceiro, Férias Frustradas de Natal. Tendo de aturar o mala-mor Chevy Chase do lado, Beverly pouco pôde fazer além de contornar as caretas e expressões sem graça de seu parceiro de cena. Mas o filme virou um crássico de Natal da Sessão da Tarde (mas não o são todos os filmes que passam nessa sessão? Os caras amam colocar filmes natalinos nessa faixa), e será, logicamente, futuramente dissecado pelos experts desse blog. Fora a série, Beverly se destacou também no... e naquele outro clássico, o... há, teve também aquele baita filme, ganhou Oscar e tudo, o... é, bem, a vida é assim mesmo, fazer o quê. A, tá: ela foi parceira do Al Pacino por mais de vinte anos. Sem jamais se casarem. Al Pacino, que nunca viu um altar na vida. Uhm, deve ter sido um belo de um contrato... cala a boca, Progressista. E o Al Pacino nunca fez nada de interessante quando se trata de Natal. Então, dane-se ele.