Guta Stressersegunda-feira, 14 de janeiro de 2008
TETÉIA DA SEMANA
Guta Stressersábado, 12 de janeiro de 2008
Bruce Lee vs. Gay Power
Enfim, estava em casa, numa madrugada ociosa, eu e uma amiga, assistindo o Canal Brasil, quando nós deparamos com essa pérola do cinema boca do lixo brasileira: Kung Fu Contra as Bonecas(1976), só pelo título era de se esperar uma boa diversão, pelo menos uns sorrisos amarelos. Pra quem nunca acompanhou o cinema nacional, ou conhece a história dele, o cinema boca do lixo foi um movimento dos cineastas paulistas, através de filmes de baixo orçamento e propostas inusitadas conseguiu grande apelo popular, lotando os cinemas de todo país; uma mistura arrojada de humor, pastiche e paródias inusitadas garantiram um bom momento para o cinema brasileiro e também ótimos títulos: "Senta no Meu que Entro na Tua" é um exemplo disso; os títulos são costumavam ser um resumo do que esperar, e não era coisa boa, logicamente não se levavam a sério, e aí estava o charme e a força desse cinema.
Tanto Ed Wood como Mojica são fontes e incentivadores direto desse cinema: o qual parece nunca ser pretensioso, conhecer o universo e querer dar respostas pra eles, não, longe disso, eles querem entreter e apenas isso. Que as respostas do mundo fique para as religiões, a filosofia e a ciência; aqui, no mundo da ficção, nós no divertimos e fazemos rir; tirar o público um pouco da sua vivência miserável com baixo orçamento e muita criatividade, é disso que trata, sem confabulações geniais, viradas de roteiro ou mesmo um estética maravilhosa. Mesmo assim, o filme te conquista, talvez seja isso mesmo: a honestidade, a cara limpa do filme, a cumplicidade que te leva ao um grau de admiração e compadecimento e, depois de uns minutos, você está rindo das besteiras e do clima irreal, aí você foi capturado.Voltando ao filme, Kung Fu contra as Bonecas, trata da história de um homem que volta a casa paterna e descobre que sua família foi brutalmente assasinada por um bando de cangaceiros. O protagonista, auxiliado por uma sensual lutadora de capoeira, parte em busca dos cangaceiros e acaba descobrindo que eles não são tão, digamos, espada como os cangaceiros deveriam ser. O roteiro é uma mistura da Série Kung Fu com o filme Operação Dragão, protagonizado por Bruce Lee; o filme correu o circuito internacional com o nome Bruce Lee vs. Gay Power, o título tentou aproveitar a fama do ator americano, ora, na época tudo que tinha kung fu em cinema, era atribuíodo a Lee, pelo menos o que vendia. A película recheada de humor acído e non-sense, apresenta até boas coreografias de luta , tanto para época e se tratando de um filme brasileiro, ainda mais do cinema boca do lixo. Nosso Bruce Lee do sertão diverte e o mais engraçado; um dos roteiristas é Walter Negrão, pra quem não sabe, grande responsável por série da globo, preferia que ele continuasse a escrever filmes boca do lixo, mesmo. Ironias da vida. Enfim, filme recomendado para um dia cinzento, sobretudo se for um Domingão do Faustão.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Parabéns, Camarada Fundamentalista!
Uhm, eu me lembro dessa foto de algum lugar...
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Fomos ao cinema ver Encantada
Sala Disney do Cinemark, aquela com o Mickey mandando o Pluto desligar o celular. Então, isso pra assistir Encantada. Eu afundava na poltrona toda a vez que via uma pochete se aproximando, acompanhada da esposa entediada e/ou eufórica, e a criança acima do peso. Mencionei que é um filme da Disney? Porque é. Uma coisa que vocês vão querer lembrar, assim evitarão muitos mal-entendidos e falsas expectativas.
Pois foi bem divertiduxo, em alguns momentos até espirituoso. Com exceção dos vinte minutos finais, que me deram a impressão de que o roteirista estava cheio de escrever, então amarrou vários elementos de contos de fadas, como lhe vieram à cabeça, e pronto, o negócio estava feito. Depois foi pra casa assistir Grey’s Anatomy com a mãe.
Entre outras coisas, eu sempre quis ser figurante de filme da Disney. Figurante dançarino. Vivem em conflito o meu figurante dançarino interior e o meu intelectual interior. Tento resolver o impasse por aqui, blogando. Mas vocês vêem, que prova maior da decadência cultural dos nossos dias: trinta anos atrás, alguém desejaria ser figurante de An American in Paris, Singin’ in the Rain; mas eu, eu fico com Encantada.
Ai, ratinho, você fala? Ah, mas isso é tãããããão pós-moderno!
E eu ainda estou com That’s How You Know na cabeça, Amy Adams e os backing vocals rastafaris. O que poderia comprometer o meu julgamento, se eu fosse menos cínico que a maioria das pessoas pra quem o filme foi feito: platéias que já não engolem musicais, eu acho. Tanto que estão até representadas na tela pelo Patrick Dempsey, que faz as vezes de galã cético em relação ao amor. Acho que ele devia levar um pouco desse cinismo pra Grey’s Anatomy. Atenuaria o tom boboca-vislumbrado da série.Então, você tem a Amy Adams e o Patrick Dempsey, astros de segundo escalão, num filme da Disney. Eu só não sei direito distinguir a madrasta desenho animado da Susan Sarandon. As más línguas dizem que o desenho animado faz menos careta. Seja como for, eu me diverti horrores.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
TETÉIA DA SEMANA
Ellen Pagesexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Premier monde etc.
A França em ebulição, e eu não ia aproveitar? Alguns fatos:
Sarkozy, como Balzac, atribuiu-se a partícula: doravante, Nicolas de Sarkozy.
Proibiram o cigarro na França. Para fazer valer a lei, volta a guilhotina. Tabagismo e decapitação, sem dúvida o Brasil nunca vai ser primeiro mundo. Falta-nos radicalismo, literalidade. Literalidade que só a guilhotina pode proporcionar à consciência de um povo. Aqui, dizíamos "cabeças vão rolar", e nunca tivemos idéia do que isso significava; hoje, dizemos "democracia", que permanece tão obscuro quanto "humor inteligente". Acreditem, ser irônico é já ser antibrasileiro.
Carla Bruni era modelo, mas é difícil achar boas fotos dela no Google. Nem dela, nem da Elisha Cuthbert, que sempre posa pra fotos que um blog família como este nunca publicaria. Tá, o que é que a Elisha Cuthbert tem a ver com os franceses? Nada. Mas pior a Jenna Fischer, e é com ela que eu encerro o post:
A cada Jim Halpert sua Pam Beesly.
Idílio?
Sobremesa e verdade
As ceias de Natal e Ano Novo me levaram a reforçar certas convicções.
Vamos falar a verdade: flocos é o melhor sabor de sorvete, por suas qualidades muito sutis: especialmente pelo fino contraste das raspas de chocolate. Muito, muito sofisticado. Creme é delicioso, mas over: de vez em quando, você se permite, mas já sabendo que o risco de vexame é grande. Baunilha é mais contido, por outro lado. E chocolate, bom, chocolate é a prova cabal do filistinismo numa pessoa, é para os desprovidos de espírito. Mesmo um chocólatra, isto é, principalmente um chocólatra há de convir que se trata de uma adaptação muito pobre para sorvetes isso que a gente chama sabor chocolate. Como um bom livro que resultou num filme medíocre. Chocolate é uma coisa, e sorvete é outra.
Mas e morango? Vou dizer pra vocês o que é que eu penso de quem toma sorvete de morango por opção: tudo mulherzinha. Homem que toma sorvete de morango não fica só no sorvete de morango. Morango. Até o nome entrega. E nem me venham falar de napolitano: que grosseria! É o mesmo que celebração ecumênica, com o babalorixá e o pastor luterano de mãos dadas abençoando a multidão. Muito politicamente correto, mas burro, burro, burro.
Retrospectiva 2007 - Fomos ao Cinema
Dois estudantes beneméritos da Universidade de São Paulo, os Camaradas Moderado e Fundamentalista se deixaram tomar pelas chagas da verdade e resolveram meter a real no colunista mais tarja preta do hemisfério sul, Reinaldo Azevedo, o Diogo Mainardi sem talento, quando o incauto resolveu chamar os estudantes públicos e grevistas de "vagabundos" e "neomaoístas". O Fundamentalista deixou o senhor Azevedo tão melindrado, que o mesmo convocou seu exército de nerds republicanos para ofendê-lo, por meio de comentários nos seus posts(o blog do cidadão é moderado e o cidadão pode-se dar ao luxo de escolher os comentários que vão ao ar, um exemplo de democracia). Um verdadeiro baile no fantoche da Veja, sem dúvida.
Uma guerra civil ameaçou tomar conta do até então Suiçamente neutro blog. Depois de um texto meu falando sobre a chegada do box da oitava temporada da série criada por Jerry Seinfeld e Larry David, uma reação em cadeia de pura cólera se deu início, com ataques e ironias de ambos os lados, e que duram até os dias de hoje. Basicamente, eu e o Fundamentalista somos fãs da série, enquanto que o Moderado a abomina incondicionalmente, já que ele acha que a série é coisa de indies imbecilóides, e que o humor do show não se adequa ao seu estilo de humor. A treta foi tão grande que uniu até dois desafetos declarados, como eu e o Fundamentalista.´E também gerou outras discórdias, como quando o Moderado acusou os dois outros camaradas de não seguirem suas dicas. De toda a discussão e de todas as brigas, pouco se resolveu, já que aparentemente nenhum dos lados cederá em momento algum. O que nos restaria? Ignorar o assunto ou seguirmos com as trocas de farpas? Enterrar algo assim não diz respeito à imaculada tradição de combatividade dos camaradas. Por isso, esperem muita treta para esse ano ainda. E prevejo mais um motivo de discórdia em vista: Michael Scott e companhia. Aguardem.
Mês de Natalterça-feira, 1 de janeiro de 2008
TETÉIA DA SEMANA
Kate Nashsegunda-feira, 31 de dezembro de 2007
TOP-5: Melhores/Piores filmes do ano
Melhores filmes lançados em 2007:
5-ZodíacoMais um belo momento de David Fincher, um filme obssessivo e inteligente, que conseguiu se sobressair mesmo com uma (na minha opinião) equivocada escolha de elenco. A longa duração do filme é um empecilho apenas para aqueles incapazes de se prenderem a uma boa história e todas suas nuances. É o filme mais contido visualmente de Fincher, sem os virtuosismos que marcaram seus trabalhos anteriores. Aliás, os melhores filmes por ele feitos são aqueles que se prenderam mais a história. Vide O Quarto do Pânico, que é cheio de efeitos e virtuosismos e é uma bela porcaria.
4-Pequena Miss SunshineMaior surpresa do ano, o primeiro esforço cinematográfico do casal Jonanthan Dayton e Valerie Farris (que dirigiram duzentos clipe do Smashing Pumpkins anteriormente) foi um esforço de sentimentalismo nada óbvio, ao mesmo tempo que soube brincar com os clichês do senil cinema alternativo americano. E tinha no elenco o Steve Carell, cada vez mais ídolo de dois terços do blog. Se bem que a escolha original para o papel era o Bill Murray... é, não tinha como errar mesmo.
3-Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à AméricaMockumentary que deu um pau no provincianismo dos yankees, mostrando através das interações reais do personagem Borat (criação do comediante inglês Sacha Baron Cohen) com anônimos do interior dos EUA toda a ignorância e complexo de superioridade existente no coração daquele país. E Baron Cohen garantiu o show com seu timing perfeito.
2-O Bom PastorInjustiçado thriller de espionagem dirigido pelo ator Robert De Niro, inexplicavelmente deixado de lado por crítica e público (criticaram a longa duração do filme principalmente), é um belo exercício de personagem, e o intricado roteiro garante uma classe que pouco se encontra nos filmes do gênero hoje em dia. Matt Damon provou ser capaz de atuar, ao compor um personagem incapaz de mostrar qualquer tipo de descontrole ou emoções. Sua face no filme é intransponível.
1- O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert FordUm filme feito com o espírito da dourada década de 70, época mais brilhante da história da sétima arte. Sem qualquer tipo de pressa ou vontade de colocar os carros na frente dos bois, critica a cultura das celebridades direto da fonte, da primeira de todas, Jesse James, ao mesmo tempo que olha com grande frustração e auto-piedade para a patética saga de Robert Ford, que virou um vilão de primeira categoria apenas por ter enxergado a verdadeira essência de James, ao invés de se conformar e comprar o mito vendido pelo sensacionalismo da época. Sensacionais atuações de Brad Pitt e principalmente de Casey Affleck, a quem deixo mais uma vez o conselho: mude o sobrenome. Você é talentoso demais para carregar essa cruz injusta nas costas.
Menções honrosas: Tropa de Elite, Cartas de Iwo Jima, Filhos da Esperança
Piores filmes lançados em 2007:
5-BabelZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZglobalização,
ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZcaleidoscópio humano, ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ Gael Garcia Bernal,
ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ mega astros hollywoodianos engajados (essa é sua, Brad Pitt), ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ diretor Mexicano. Aliás, lanço aqui a campanha: DIRETORES MEXICANOS, PEÇAM PRA SAIR!
4-DreamgirlsAo invés de comprarem longo a história da Diana Rosse das Supremes, vieram com essa ficção de quinta baseada na história real, mudando os nomes dos personagens e criando músicas novas. O resultado foi desastroso. Trilha de quinta categoria, que em nada honra a categoria das canções das Supremes, ex-participante do American Idol ganhando o Oscar e, apocalypse now, Eddie Murphy sendo indicado para o prêmio, apenas por cantar três musiquinhas toscas durante o filme. Mas nada disso supera a maior das verdades: esse filme é constrangedor. Sério, assisti no cinema e senti-me constrangido, por mim e pelos atores que participaram. Bem que eu achei estranho quando soube que o Jamie Foxx não queria fazer. Vergonhoso.
3- Homem-Aranha 3Sério: é um dos piores roteiros que já vi na vida. Tem de pegar os incautos que escreveram essa tristeza (para ser mais preciso, Sam Raimi e o seu irmãozinho Ivan Raimi) e encher de porrada. Sam Raimi principalmente, se é pra fazer filme de má vontade, que fique em casa comendo amendoins então. Não dá, os dois primeiros filmes tão dignos e decentes, e aí vem esse lixo pra jogar tudo descarga abaixo. Só não chega ao nível de um Batman e Robin porque Joel Schumacher é imbatível na sua ruindade absoluta. Mas só de eu ter pensado se seria algo possível, só de eu ter imaginado Homem-Aranha 3 do lado daquela "coisa", significa algo muito, muito ruim.
2-Número 23Jim Carrey, descanse em paz. Acabou. Eu avisei: não se meta com o Joel Schumacher. Deixa ele lá, quieto, dando comida para os seus gatos. Mas não teve jeito. O resultado foi desastroso. Carrey, ator que precisa sempre de um diretor talentoso para segurar seus instintos histriônicos (Peter Weir e Milos Forman que o digam) se viu totalmente solto para entregar uma atuação ridícula, e Schumacher mostrando ter o talento para direção de qualquer calouro ingressando nas faculdades de cinema da vida. Ou seja: nenhum. O cara fez duzentos filmes, trabalhou com alguns dos melhores atores, sempre consegue financiamento para os seus, ahn, digamos, "filmes", e é incapaz de planejar uma só tomada que seja ao menos decente. Sem dúvida, Ed Wood foi um injustiçado.
1-TransformersSe o Michael Bay tivesse lançado cinco filmes nesse ano, independentemente dos temas, elenco ou outros fatores, os cinco filmes estariam encabeçando nessa lista. Como lançou um só, então é direto para o primeiro lugar. Michael Bay é o maior câncer da história do cinema. E todos os que deixam ele seguir em frente e incentivam a sua carreira(como o senhor Steven Spielberg, produtor desse lixo baseado num horrendo desenho da década de 80) deveriam ser classificados como terroristas.

