terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Mamãe, me ensine a dançar!


Os camaradas foram ver Encantada, pobres incautos: fiquei até feliz de não ser convidado para a sessão. Certas coisas deixo pra eles, os meninos são otimistas ainda. Vi o nome Disney e Musical inserido num mesmo filme, fico com um pouco de medo, deveras não sou muito fã de musical. Deixo os clássicos do musical para Rubens Ewald Filho, logo sobra mais dvds na prateleiras para o moço colecionar.

Até assisto uns clássicos, meio a contragosto, mas assisto. Ora são clássicos, contudo também são musicais; imagino um cara cantando e dançando, o protagonista, um tipo bonitão com queixo capaz de furar olho; na minha cabeça ele, o principal, nunca é o melhor dançarino, o melhor costuma ser um cara secundário não muito bonito. Continuando a construção, imagino o cara dançando mediocrimente, uma garoa de leve e a cidade inteira, um cenário falso, pegando fogo. Mas o cara continua dançando mal, ignorando tudo ao redor: bons tempos do oficial advertindo Gene Kelly.

Não é a questão daquilo soar fora da realidade, e sim porque sempre parece incongruente ao contexto. Aguentar um cara que dança mal e canta pior ainda, é um pé no saco. E te digo: na maioria das vezes ele consegue atuar pior ainda, saudades de Fred Astaire, grande homem! Péssimo ator, mas sabia dançar.

Espero algum dia ainda que alguém filmará o musical supremo: um filme mudo, com uma grande trilha. Enquanto isso eu fico com a escola de Dança do sr. Myagi

Wax on! Wax off!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

TETÉIA DA SEMANA

Guta Stresser

Atriz paranaense, protagonista do filme Nina e mais famosa por fazer parte da série global A Grande Família, remake de outra do mesmo nome passada nos anos 70, interpretando a caçula da família Bebel. Lógico que a série, que começou no já longínquo ano de 2001, já demonstra algum cansaço, mas não se pode negar que é um produto de classe superior. As três temporadas antes da morte do ator Rogério Cardoso em 2004 são sensacionais, e a série não deve nada para qualquer sitcom yankee, pelo contrário, quando lembramos de coisas como Three and A Half Man sentimos até orgulho de sermos brasileiros. Guta tem um papel de destaque na série, conseguindo se impor mesmo diante de excelentes atores como Marco Nanini, Pedro Cardoso e o finado Rogério Cardoso. Tenho ressalvas apenas em relação ao filme Nina. Quantas a equipe tomou quando foram filmar aquilo? De resto, vejamos como andará a carreira dela quando a série encerrar as suas atividades, o que está previsto para meados desse ano. Aguardemos então, sim, aguardemos.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Bruce Lee vs. Gay Power

Certas vezes me pergunto: qual o limite do cinema? O que pode ser filmado, finalizando e, por ventura, comercializado? Hoje em dia, com advento da internet e seu desenvolvimento para a popularização do meio imagético, através de sites como youtube, tudo é válido e possível, como também acessível, por isso temos muita besteira na internet e nos meio audiovisuais em geral; não censuro essas coisas, em certo grau sou favorável do cinema non-sense, do humor negro e ramificações afins, mas até esse tipo de cinema b, existe um limite, coisa que até Ed Wood percebeu.

Enfim, estava em casa, numa madrugada ociosa, eu e uma amiga, assistindo o Canal Brasil, quando nós deparamos com essa pérola do cinema boca do lixo brasileira: Kung Fu Contra as Bonecas(1976), só pelo título era de se esperar uma boa diversão, pelo menos uns sorrisos amarelos. Pra quem nunca acompanhou o cinema nacional, ou conhece a história dele, o cinema boca do lixo foi um movimento dos cineastas paulistas, através de filmes de baixo orçamento e propostas inusitadas conseguiu grande apelo popular, lotando os cinemas de todo país; uma mistura arrojada de humor, pastiche e paródias inusitadas garantiram um bom momento para o cinema brasileiro e também ótimos títulos: "Senta no Meu que Entro na Tua" é um exemplo disso; os títulos são costumavam ser um resumo do que esperar, e não era coisa boa, logicamente não se levavam a sério, e aí estava o charme e a força desse cinema.

Tanto Ed Wood como Mojica são fontes e incentivadores direto desse cinema: o qual parece nunca ser pretensioso, conhecer o universo e querer dar respostas pra eles, não, longe disso, eles querem entreter e apenas isso. Que as respostas do mundo fique para as religiões, a filosofia e a ciência; aqui, no mundo da ficção, nós no divertimos e fazemos rir; tirar o público um pouco da sua vivência miserável com baixo orçamento e muita criatividade, é disso que trata, sem confabulações geniais, viradas de roteiro ou mesmo um estética maravilhosa. Mesmo assim, o filme te conquista, talvez seja isso mesmo: a honestidade, a cara limpa do filme, a cumplicidade que te leva ao um grau de admiração e compadecimento e, depois de uns minutos, você está rindo das besteiras e do clima irreal, aí você foi capturado.

Voltando ao filme, Kung Fu contra as Bonecas, trata da história de um homem que volta a casa paterna e descobre que sua família foi brutalmente assasinada por um bando de cangaceiros. O protagonista, auxiliado por uma sensual lutadora de capoeira, parte em busca dos cangaceiros e acaba descobrindo que eles não são tão, digamos, espada como os cangaceiros deveriam ser. O roteiro é uma mistura da Série Kung Fu com o filme Operação Dragão, protagonizado por Bruce Lee; o filme correu o circuito internacional com o nome Bruce Lee vs. Gay Power, o título tentou aproveitar a fama do ator americano, ora, na época tudo que tinha kung fu em cinema, era atribuíodo a Lee, pelo menos o que vendia. A película recheada de humor acído e non-sense, apresenta até boas coreografias de luta , tanto para época e se tratando de um filme brasileiro, ainda mais do cinema boca do lixo. Nosso Bruce Lee do sertão diverte e o mais engraçado; um dos roteiristas é Walter Negrão, pra quem não sabe, grande responsável por série da globo, preferia que ele continuasse a escrever filmes boca do lixo, mesmo. Ironias da vida. Enfim, filme recomendado para um dia cinzento, sobretudo se for um Domingão do Faustão.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Parabéns, Camarada Fundamentalista!

Hoje é um dia de festa no blog. O Camarada Fundamentalista completa mais uma primavera. Sim, um começo lustroso de ano. Depois dos arroubos das festas de Natal e Ano Novo, temos agora que enfrentar um mega jet-set em homenagem ao Camarada. Ele, um dos homens mais admirados do país, merece um belo abraço de todos vocês aí do outro lado (não, não escrevo da ex-Berlim Oriental, refiro-me às barreiras virtuais. Na verdade, nunca estive na velha Berlim). Sem sua obstinação e suas palavras classudas e límpidas, não poderíamos jamais ter construído qualquer coisa que fosse. Fundamentalista, não só um camarada, mas sim um estandarte.

Uhm, eu me lembro dessa foto de algum lugar...

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Fomos ao cinema ver Encantada

Sala Disney do Cinemark, aquela com o Mickey mandando o Pluto desligar o celular. Então, isso pra assistir Encantada. Eu afundava na poltrona toda a vez que via uma pochete se aproximando, acompanhada da esposa entediada e/ou eufórica, e a criança acima do peso. Mencionei que é um filme da Disney? Porque é. Uma coisa que vocês vão querer lembrar, assim evitarão muitos mal-entendidos e falsas expectativas.

Pois foi bem divertiduxo, em alguns momentos até espirituoso. Com exceção dos vinte minutos finais, que me deram a impressão de que o roteirista estava cheio de escrever, então amarrou vários elementos de contos de fadas, como lhe vieram à cabeça, e pronto, o negócio estava feito. Depois foi pra casa assistir Grey’s Anatomy com a mãe.

Entre outras coisas, eu sempre quis ser figurante de filme da Disney. Figurante dançarino. Vivem em conflito o meu figurante dançarino interior e o meu intelectual interior. Tento resolver o impasse por aqui, blogando. Mas vocês vêem, que prova maior da decadência cultural dos nossos dias: trinta anos atrás, alguém desejaria ser figurante de An American in Paris, Singin’ in the Rain; mas eu, eu fico com Encantada.

Ai, ratinho, você fala? Ah, mas isso é tãããããão pós-moderno!

E eu ainda estou com That’s How You Know na cabeça, Amy Adams e os backing vocals rastafaris. O que poderia comprometer o meu julgamento, se eu fosse menos cínico que a maioria das pessoas pra quem o filme foi feito: platéias que já não engolem musicais, eu acho. Tanto que estão até representadas na tela pelo Patrick Dempsey, que faz as vezes de galã cético em relação ao amor. Acho que ele devia levar um pouco desse cinismo pra Grey’s Anatomy. Atenuaria o tom boboca-vislumbrado da série.

Então, você tem a Amy Adams e o Patrick Dempsey, astros de segundo escalão, num filme da Disney. Eu só não sei direito distinguir a madrasta desenho animado da Susan Sarandon. As más línguas dizem que o desenho animado faz menos careta. Seja como for, eu me diverti horrores.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

TETÉIA DA SEMANA

Ellen Page

Atriz americana, todos devem se lembrar dela nos filmes dos X-Men, interpretando a garota mutante psíquica espertinha Kitty Pride, que no final do terceiro filme, depois do farsante, ops, diretor Brett Rattner ter matado metade do elenco principal, acaba tendo de se juntar aos mutantes mais experientes (leia-se Wolverine) para descer a porrada nos partidários do Magneto. É dada como certa a sua indicação para o Oscar de melhor atriz desse ano pelo filme Juno, no qual interpreta uma adolescente enfrentando uma gravidez não planejada. Já ganhou e foi indicada para uma penca de prêmios, então não será nada surpreendente ver a moleca mutante ganhando o Oscar. Quem sabe ela não pega a estatueta e dá na cabeça do Senhor Rattner, por ter a colocado no meio do fogo cruzado? Magneto move pontes com a mente, jão!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Premier monde etc.

A França em ebulição, e eu não ia aproveitar? Alguns fatos:

Sarkozy, como Balzac, atribuiu-se a partícula: doravante, Nicolas de Sarkozy.

Proibiram o cigarro na França. Para fazer valer a lei, volta a guilhotina. Tabagismo e decapitação, sem dúvida o Brasil nunca vai ser primeiro mundo. Falta-nos radicalismo, literalidade. Literalidade que só a guilhotina pode proporcionar à consciência de um povo. Aqui, dizíamos "cabeças vão rolar", e nunca tivemos idéia do que isso significava; hoje, dizemos "democracia", que permanece tão obscuro quanto "humor inteligente". Acreditem, ser irônico é já ser antibrasileiro.

Carla Bruni era modelo, mas é difícil achar boas fotos dela no Google. Nem dela, nem da Elisha Cuthbert, que sempre posa pra fotos que um blog família como este nunca publicaria. Tá, o que é que a Elisha Cuthbert tem a ver com os franceses? Nada. Mas pior a Jenna Fischer, e é com ela que eu encerro o post:

A cada Jim Halpert sua Pam Beesly.

Idílio?

Sobremesa e verdade

As ceias de Natal e Ano Novo me levaram a reforçar certas convicções.

Vamos falar a verdade: flocos é o melhor sabor de sorvete, por suas qualidades muito sutis: especialmente pelo fino contraste das raspas de chocolate. Muito, muito sofisticado. Creme é delicioso, mas over: de vez em quando, você se permite, mas já sabendo que o risco de vexame é grande. Baunilha é mais contido, por outro lado. E chocolate, bom, chocolate é a prova cabal do filistinismo numa pessoa, é para os desprovidos de espírito. Mesmo um chocólatra, isto é, principalmente um chocólatra há de convir que se trata de uma adaptação muito pobre para sorvetes isso que a gente chama sabor chocolate. Como um bom livro que resultou num filme medíocre. Chocolate é uma coisa, e sorvete é outra.

Mas e morango? Vou dizer pra vocês o que é que eu penso de quem toma sorvete de morango por opção: tudo mulherzinha. Homem que toma sorvete de morango não fica só no sorvete de morango. Morango. Até o nome entrega. E nem me venham falar de napolitano: que grosseria! É o mesmo que celebração ecumênica, com o babalorixá e o pastor luterano de mãos dadas abençoando a multidão. Muito politicamente correto, mas burro, burro, burro.

Retrospectiva 2007 - Fomos ao Cinema

Eu não suporto retrospectivas. Quando os canais de tv, jornais e sites de internet resolvem apelar para esse artifício para preencher as suas programações vazias de Janeiro (todo mundo de férias, sabe como é), fico fulo da vida. Então o que diabos estou fazendo aqui assinando um texto que tem como título justamente tão odiada palavrinha? Eu não tenho a menor idéia. Quer dizer, não vamos nos enganar: o quintal dos outros é sempre mais limpo que o nosso. Aí, cê pega essa frase, inverte, e aí explica bem o meu comportamento aparentemente incoerente. Pareceu confuso? Lógico que pareceu. Mas eu vou é cortar esse papinho brabo, e ir direto ao que realmente interessa: relembrar quatro fatos marcantes do nosso primeiro ano de atividade, desde o início de blog, no já longínquo mês de Abril de 2007.

Mês Lindsay Lohan


Como profetas do apocalipse, dedicamos um mês inteiro para a maior periguete do mundo contemporâneo. Textos, crônicas, resenhas de todos os filmes feitos por ela, nada ficou de fora, sempre com o nosso olhar crítico, imparcial e insento. Das party girls, Lindsay é a maior, e como ela vai capotar logo, então já fizemos a nossa parte. Seria como se nós tivéssemos um blog em 1962 e fizéssemos (reparem no uso indiscriminado do Pretérito Imperfeito do Subjuntivo) um mês inteiro dedicado à Marylin Monroe antes da morte dela. Celebremos os vivos ainda vivos, e não os mortos toda e inteiramente mortos!


Greve da USP e as Tretas Moderado/Fundamentalista X Reinaldo Azevedo

Dois estudantes beneméritos da Universidade de São Paulo, os Camaradas Moderado e Fundamentalista se deixaram tomar pelas chagas da verdade e resolveram meter a real no colunista mais tarja preta do hemisfério sul, Reinaldo Azevedo, o Diogo Mainardi sem talento, quando o incauto resolveu chamar os estudantes públicos e grevistas de "vagabundos" e "neomaoístas". O Fundamentalista deixou o senhor Azevedo tão melindrado, que o mesmo convocou seu exército de nerds republicanos para ofendê-lo, por meio de comentários nos seus posts(o blog do cidadão é moderado e o cidadão pode-se dar ao luxo de escolher os comentários que vão ao ar, um exemplo de democracia). Um verdadeiro baile no fantoche da Veja, sem dúvida.

Seinfeld e as Tretas Moderado X Fundamentalista/Progressista

Uma guerra civil ameaçou tomar conta do até então Suiçamente neutro blog. Depois de um texto meu falando sobre a chegada do box da oitava temporada da série criada por Jerry Seinfeld e Larry David, uma reação em cadeia de pura cólera se deu início, com ataques e ironias de ambos os lados, e que duram até os dias de hoje. Basicamente, eu e o Fundamentalista somos fãs da série, enquanto que o Moderado a abomina incondicionalmente, já que ele acha que a série é coisa de indies imbecilóides, e que o humor do show não se adequa ao seu estilo de humor. A treta foi tão grande que uniu até dois desafetos declarados, como eu e o Fundamentalista.´E também gerou outras discórdias, como quando o Moderado acusou os dois outros camaradas de não seguirem suas dicas. De toda a discussão e de todas as brigas, pouco se resolveu, já que aparentemente nenhum dos lados cederá em momento algum. O que nos restaria? Ignorar o assunto ou seguirmos com as trocas de farpas? Enterrar algo assim não diz respeito à imaculada tradição de combatividade dos camaradas. Por isso, esperem muita treta para esse ano ainda. E prevejo mais um motivo de discórdia em vista: Michael Scott e companhia. Aguardem.

Mês de Natal
Outro mês temático, acabou sendo um completo e profundo estudo dos efeitos da celebração do nascimento de Cristo e seus efeitos dentro da cultura Pop. Filmes, estudos sociológicos-filosóficos e odes aos efeitos que a data cria nos, sobe trilha, corações humanos. Falamos de Ernest, Capra, Sartre e Dwight Schrute, homens que um dia trabalharem por natais mais dignos e humanos para os seus iguais. Estudamos a solidão humana, o assombro de pais em relação ao comportamento errático de seus filhos, a miséria e as sombras que pairam nesse momento que gera tanta reflexão e desalento para os menos afortunados. O que mais poderia se esperar? Um fim grandioso para esse nosso já lendário primeiro ano.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

TETÉIA DA SEMANA

Kate Nash

Cantora inglesa, primeira tetéia do novo ano que se inicia nesse blog que odeia clichês (principalmente aquele Progressista lá). Bombando nas rádios inglesas com a bela Foundations (um nome nada usual para canções de amor pops) e escrevendo todas as músicas de seu primeiro disco, Made of Bricks, tem tudo para dar um belo de um pé na bunda das bagaceiras Amy Winehouse e Lily Allen das paradas (tem apenas 20 anos de idade). Como elas vão capotar logo, então veremos a senhorita Nash dominando todo o bagulho. Quer dizer, até ela ir pára os States e ser chamada para uma baladinha com a Lindsay Lohan... opa, quer dizer, isso já aconteceu. Fazer o quê, né?