segunda-feira, 10 de março de 2008

TETÉIA DA SEMANA

Camilla Belle
Atriz americana, mas uma brazuca de coração (explico no final o motivo), estrela do mais novo arrasa-quarteirão do alemão doido de pedra Roland Emmerich, 10.000 a.c., que estreiou sexta-feira aqui. Sim, mais um épico do diretor que deu ao mundo Independence Day, Godzilla e O Dia Depois de Amanhã. Seria isso um currículo ou uma ficha criminal? Bom, voltando a falar da Camilla, depois de fazer um bom currículo como atriz infantil em filmes como O Patriota (do Emmerich também) e Mundo Perdido, ela apareceu mais crescida e clamando um lugar ao sol para o mundo contracenando com um atorzinho de quinta, um tal de Daniel Day-Lewis, no filme A Balada de Jack e Rose. Tarefa pra deixar qualquer um preocupado (né não, Paul Dano?), mas que ela conseguiu tirar de letra, sem sumir perante o mito irlandês. Depois fez o péssimo remake do filme Quando um Estranho Chama, e agora aparece bem na mais nova produção de Emmerich, que estreiou em primeiro lugar nas bilheterias yankee. O filme vem sendo malhado, mas todos estão poupando Camilla das críticas, um bom sinal. Apesar de ter nascido em Los Angeles e do pai ser americano, Camilla é filha de uma brasileira, e toda a família da parte da mãe vive em São Paulo. Por isso, ela fala um português perfeito e está sempre por essas bandas, e anda dizendo por aí que se acha mais brasileira que gringa. Que bonito éééééééééé....., já dizia Luis Bandeira.

sábado, 8 de março de 2008

E no Dia Internacional das Mulheres

Depois do meu aniversário e do Natal, a data mais importante do ano é o Dia Internacional das Mulheres. Este blog é jovenzinho, menininho, então é a primeira vez que a gente comemora a maior dentre as ocasiões que não chegaram a ser feriado no calendário. Uma das coisas que se poderia fazer é dissertar sobre a hipocrisia e o absurdo que a data dissimula ou tenta dissimular. Que exista o dia da mulher, como existe o do índio e o da árvore, mostra que você, jovem leitora, está em desvantagem. No mínimo, vive tão ameaçada quanto a jabuticabeira no fim da rua.

Mas seria politicamente correto demais. Vai que depois não sai, e vira tipo um tique, gagueira, e eu passo a falar com a consciência; e sinceramente, quando penso em alguém falando só com a consciência, imagino um cara falando sozinho ou com uma voz metálica, que nem a do Stephen Hawking. Por sinal, alusão a Stephen Hawking não é nem um poucochinho politicamente correta, e não é pelo fato dele ser judeu, né, criançada?

Mas em vez de eu encher o saco dos fãs de Charlie Brown Jr. que estiverem me lendo acidentalmente, e fazer do post um libelo sobre como as mulheres sofreram e sofrem ainda hoje, com toda a problemática social condensada caramelizada, coberta com flocos crocantes e o delicioso chocolate Nestlé, montei uma pequena galeria de mulheres indispensáveis para qualquer patriarcado que se preze. Muito pessoal, pois sim. Dos critérios, você pergunta. Como foi tudo de memória e, eu não sei por quê, mas a minha sempre privilegia as mais bonitas, beleza foi importante, sim, se é o que você quer saber. E são poucas, porque cada uma delas baranrigaricuti-paradigmáticas. Dos paradigmas em questão, você pergunta. Tem a porção étnica e classy; tem a porção reminiscências da infância; e tem a tradicional porção babação de ovo macha. Cada qual com sua justificação equivalente.

Melhor foto que achei dela, de um filme, que, s'ocê quisé, tem no YouTube, com áudio grego original. Nossa! (Papas é a da esquerda, filisteu!)

Irene Papas. Atriz grega, que ficou famosa com sua participação em Zorba, o Grego (anda, faz a piadinha da cueca, filisteu!). Apesar de ou porque monocelhada, ah, mas que traços, que traços! Quanto caráter, quanta força nesse rosto. Admito que é estranha, no mínimo ambígua essa minha atração, já que caráter não é um elemento comum, talvez nem mesmo raro, da beleza feminina. Estamos diante, portanto, de uma verdadeira anomalia, pois se trata de um genuíno rosto de mulher transpassado, quase como uma aura (não, gente, esoterismo, não: é Walter Benjamin!), por qualidades masculinas. Ou tradicionalmente masculinas. Ó flagelo da humanidade, que associemos caráter exclusivamente ao homem masculino macho! Porque mulé tem que ser é bonita e cheirosa.

Outra foto terrível, tá. Mas é que as mulheres deste panteão, diferente de party girls e carreiristas diversas, se furtam a paparazzi.

Garotinha Ruiva. O fato de ela ser um desenho só acentua a natureza ficcional das demais mulheres que aqui figuram. Se você sabe redigir períodos subordinados que façam sentido, é claro que foi meio Charlie Brown na vida, a não ser que você seja gay, mas não sou eu que vou encrencar com isso. Leu Salinger (a saga da família Glass), assistiu The Royal Tenenbaums e Arrested Development, e gostou? Como dizem em comunidade de Orkut, que é o ponto mais baixo do estilo: entra aí. Mas se tiver um beagle, juro que te interno.

"..."

Nastassja Kinski. A maior objeção contra a homossexualidade masculina que existe e razão suficiente pra eu descer da torre de marfim e escrever coisas tão pueris como “maior objeção contra a homossexualidade masculina que existe”. Ou, falando objetivamente, a mulher mais bonita dos últimos, hmm, trinta anos. Eu nem tinha nascido e ela já era assim colossal, e desde então não apareceu um outro rosto que se comparasse ao da atriz alemã, filha de Klaus Kinski, que só pode ter vendido a alma pro diabo pra gerar alguém tão bonito, sendo ele tão bonito em itálico. Se ela disser vamo, eu vou. Só por causa do Paris, Texas, você deve estar imaginando aí nessa sua cabecinha tontinha, porque eu podia, até deveria, ter citado uma olímpica Classic Hollywood, mas eu sou indie, ô. Agora, a Mulher Samambaia...

Com essa heterogeneidade e justificativas, trata-se da homen-agem machista mais libertária que você já viu, a-ham. Mas ó só a surpresa que eu te preparei, lindona:

Porque tu é indie, né?

Leitora do Fomos ao Cinema. Opa, opa, opa. Essa mulher cheia do ziriguidum, com o samba no pé e uma idéia na cabeça, que é bonita, e é bonita, e é bonita. Você que me bouleversa enquanto eu recolho as cinzas do sutiã, mas você ri, ri, porque sabe que eu quero é te provocar, eu quero é te beijar, e vem comigo dançar, dançar, dançar. Ah, e se você dança, é claro que eu também danço, poxa.

sexta-feira, 7 de março de 2008

TOP 5- Bob Dylan

Como não pude ir no show dele ontem em Sampa (não tenho 900 paus para pagar pelos ingressos), faço aqui a lista das minhas canções favoritas dele. Como é bem provável que Bob não volte mais por essas bandas (67 anos, sabe como é), nada mais justo do que eu fazer essa pequena e honrada listinha.

5-All Along The Watchtower (1967): Dois cavaleiros se aproximavam, nessa bela metafora dos artistas (bobos da corte, segundo Dylan) versus o mundo.

4-Visions of Johanna (1965): Dylan onírico, desfilando belas imagens por cima de uma composição mais caprichada. Vale ouro, jão.

3-Desolation Row (1966): Um tratado classudo da ignorância e violência que marcaram a infância do jovem Bob (sim, Dylan um dia correu atrás de pipa e balão).

2-Simple Twist of Fate (1975): Devastado pelo fim do casamento, Dylan criou a única letra de amor da história do rock que chegou a ser comparada a Shakespeare. Um feito? Sim, pode apostar.

1-It's Alright Ma (I'm Only Bleeding) (1965): Seca e árida, com suas batidas densas de violão, um Dylan apocalíptico, flertando com o nilismo em sua busca por respostas (que o levariam a uma conversão religiosa nos anos 70). "It's life, and life only".

quinta-feira, 6 de março de 2008

Fortuna, Imperatrix Mundi!

É voltei, emanharado de trabalhos na faculdade já, primeira semana e querem que façamos o fichamento de trinta livros sobre comunicação, artes e filosofia, ou seja, sem tempo para conquistar o mundo, nem pelas beiradas; bordas tão acostumadas com minhas mordidas habituais.

Precisamos de um tempo para enriquecer, além da costumaz sorte que todos os milionários apresentam, deve vir junto tempo: o bom e velho ócio criativo, já citado diversas vezes nesse blog( e todas provalvelmente por este orador iregular).

Nessa madrugada, num dia de ócio particular, acabei assistindo Roda da Fortuna, filme dos irmãos Coen de 1994. Roda da fortuna aborda uma megacorporação onde seu diretor, no meio de uma reunião, se mata, jogando do último andar do prédio. Os acionistas majoritários querem aproveitar as quedas nas ações, na verdade, querem agrava-las afim de lucrar muito, para isso contratam um pretenso idiota para o cargo de diretor da empresa. Além das atuações de Paul Newman e Tim Robbins que merecem destaque, falamos de um filme dos grandes irmãos coen, ou seja, recheado de humor ácido e ironias as situções reais:como a dificuldade de conseguir o primeiro emprego e outras situação exageradas do mundo das corporações e seus efeitos nas pessoas.

Quer ganhar dinheiro, salte e arrisque na Roda da Fortuna. Era isso que queria falar. e se vc for idiota, melhor, pode ser que consiga um bom emprego

terça-feira, 4 de março de 2008

Mãe, essa aqui é a minha namorada indie

Mina indie é a resposta?

Com essa pergunta em mente, saí por aí esses dias, meio Tenenbaum, prestando-me a belos enquadramentos pelas ruas de São Paulo. Se bem que eu não acredito em mina indie. Nem em mina emo, punk, otaku ou intelectual. Por que mulher é uma criatura que, de tão complexa, é refratária a rótulos? Nããããão. É porque mulher é tudo poser. Mulher é poser? Gente, eu não sabia disso. Tô pretérito.

Mulher é poser porque gosta de homem. Homem gay também é poser, aliás. Gostar de homem é caso perdido, porque homem é, nas palavras de Camarada Mamãe Fundamentalista, vem a nós, vosso reino jamais. Deixa eu explicar. Enquanto mulheres estão interessadas em gente, homens estão interessados em coisas. Mulheres criam filhos, e homens constroem pontes. Entre a mãe e o engenheiro, a distância é de uma pensão pra bancar a educação da criança revoltada com o escroto que engravidou a minha mãe.

Típica indie que circula pela Augusta e Consolação.

Daí que mulher é poser porque parece que nasce pra ser abandonada. I got a theory, listen to me. Tem a ver com o que a Condoleezza Rice, a Sabrina Sato e a tua mãe (opa!) têm em comum. Todo mês o corpo delas se prepara pra gerar uma criança. Ou seja, mulher nasceu pra ser mãe. É uma vocação. Mas e o homem? Nasceu pra quê? Ué, pra ser filho da mãe, e aqui você ri assim, ó: qua-qua-qua-qua. É o Silvio quem paga o nosso salário.

O homem é o filho da mãe que é a mulher (quer pedir a ajuda dos lógicos?). Percebe que um nunca alcança o outro? Só quase. A mulher é coagida pelo processo natural das coisas a assumir a criança que foi dada à luz. E pra ter certeza disso, derrubam a diva, no mínimo, uns três dias, depois do parto, pra não poder fugir. Mas o homem, se quiser, foge nove meses antes da coisa engrossar pra valer. Tá, gente, o sistema não é perfeito, e eu sei que tem mulher abortando de graça, dando no pé que nem homem e jogando criança em lata de lixo. E tem também Juno ganhando Oscar, você ia esquecendo.

Mina indie em lágrimas durante uma sessão de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças.

Mas as istastístísticas, gente, as istastístísticas, que não me deixam mentir. A Mãe Solteira é já tão característica dessa terra radiosa quanto o Cristo Redentor, o Pelé e a Mulata Pelada, a da arquitetura do Niemeyer, porque a gente sempre fica highbrow se o assunto permite. Como disse um professor meu – e de vez em quando eu aprendo uma coisinha assim na escola, que eu cato no ar –, essa coisa de pai não pegou aqui no Brasil. Principalmente aqui, na verdade. O professor em questão é viúvo.

Lascívia vermelha, hihihi.

E, finalmente, mulher é poser porque, vem cá, mas você já viu uma mãe, mas mãe de verdade, se interessar por alguma coisa além dos filhos? Se se interessar, teve pelo menos um que pariu e jogou fora, fica vendo. Ai, que bonitinho eu falAnuH axim, tãUm faiXiStAzinhU xOvinishtAHHHH. Por isso que eu falo que mulher não gosta meeeesmo de cinema, de música, de livros ou de qualquer outra coisa. Porque mulher gosta é de pessoas, só por causa do filhinho que ainda nem teve. Repito: V-O-cação. E um dia o filhinho cresce e pica a mula com uma bandida qualquer, provavelmente uma mina indie, e fica mamãe sozinha, sem ter feito nada da vida a não ser ter dado de comer e vestido o sem-coração.

Mas mina indie é a resposta? Ela vai me amar como eu sou, que nem o pai da Juno disse que tinha de ser? E mina indie é tipo a Juno? Ou tipo a Ellen Page? Ou tipo a Diablo Cody? Eu estava pensando em alguém mais Margot Tenenbaum, se bem que eu não gostei de Shakespeare Apaixonado. Ah, quer saber, eu preciso é de um abraço seu.

Esse final foi pra te chocar.

Michael Jackson: 25 anos do Thriller

Saiu no Brasil recentemente a edição comemorativa dos vinte e cinco anos de lançamento do disco mais vendido da história, Thriller, do maluco de carteirinha Michael Jackson. Edição luxuosa, contando com remixes de gente como o Kanye West, Wi.l.l.i.a.m (o dono do péssimo Black Eyed Peas), entre outros menos cotados. Tal lançamento não deixa de ser um oportunismo, quando lembramos a lama na qual a carreira de Jackson está afundada, e que ele lançará seu primeiro álbum de inéditas em sete anos brevemente. Mas não se pode descartar a importância de um disco que vendeu 50 milhões de cópias no mundo todo. A pergunta é uma só: o disco era tão bom assim? Ou foi o sintoma de uma era? Como artista musicalmente falando, Jackson não tinha nem de longe o mesmo talento de um Prince, por exemplo. Seu único disco verdadeiramente bom é o primeiro, o belo Off The Wall. Thriller é irregular, para dizer o mínimo (dependendo totalmente do talento do produtor Quincy Jones),e os que seguiram eram bisonhos. Bad, Dangerous e Invicible, todos decepcionaram amargamente o público de um artista de quem todos tanto esperavam. Lógico que a turbulenta vida pessoal de Jacko não ajudou em nada, com seus inúmeros casos de pedofilia na casa dos horrores, mais conhecida como Neverland. Dica: se um dia for chamado para ir lá, educadamente decline do convite. Não é uma idéia, digamos, sadia. Mas agora, farei um faixa-a-faixa do disco que um dia ficou 27 semanas em primeiro lugar na parada da Billboard, e que colocou sete das suas nove faixas no top-10 americano. Disseco aqui então Thriller, em homenagem a todos que, assim como eu, são filhos da amalucada década de 80:

Capa da edição especial de aniversário, mostrando Michael e seus amiguinhos Zumbis.

1-Wanna be Startin' Somethin": Música mais acelerada do disco, soa inevitavelmente datada, com suas gordas linhas de baixo e sintetizadores pouco sutis. O trabalho de percussão foi todo realizado pelo coisa -nossa Paulinho da Costa, e é o único destaque da faixa. Com um refrão safado e repetido à exaustão, a música, que é a mais longa do disco (passando dos seis minutos) gruda e cansa rapidamente. Bola fora do mito Quincy Jones, que talvez tenha tido pouco o que fazer, pela música ter sido uma das quatro do disco escritas por Jackson, que deve ter teimado para ela sair desse jeito.

2- Baby Be Mine: Uma das duas do músicas do disco a não virar single de sucesso (a outra sendo The Lady In My Life), é muito melhor que outras músicas de Jackson que viraram hits. Faixa que mais lembra o espírito do disco anterior, Off The Wall, com uma produção bem mais orgânica. Black Music de primeira, injustamente esquecida.

3-The Girl is Mine: Lixo. Dueto fraquíssimo de Jackson com Paul McCartney, que resultou no fim da rápida amizade dos dois e na compra por Jacko dos direitos das músicas dos Beatles, o que foi trágica para os fãs da banda, que se viram impossibilitados de ouvir as músicas do grupo nas rádios e canais de TV, o que segue até hoje. O jeitão jeca da música é explicado pela triste fase que McCartney viveu nos anos 80, lançando discos que virariam piada. Nem Jones salvou essa.

4-Thriller: Todos se lembram do icônico clipe (na verdade um curta de quinze minutos), que lançou a MTV ao status de "canal jovem", algo que ela começa a perder somente agora, com o advento da internet. Mas quanto a música em si, méritos totais para Quincy Jones, que constrói um clima tenso e arrebatador utilizando basicamente apenas sequências infernais de baixo , sampleadas milhões de vezes por produtores, rappers e o escambau, com intervenções ocasionais precisas de metais, guitarras e sintetizadores. O refrão, majestosamente cantado por Jackson, presta uma homenagem dele aos seus filmes de terror favoritos (John Carpenter, Dario Argento, entre outros). Inicia a sequência de três canções que acabaram quase que sozinhas criando o status do disco.

5-Beat It: Com um riff de guitarra tocado por Eddie Van Halen (pasmem), Beat It é a canção mais "rock" do disco. O riff é melhor do que muitos que Van Halen produziu na sua própria banda, o que me leva a imaginar toda a grana que ele ganhou para tocar com Jackson. Ao invés do riff ser tocado repetidamente, nas pontes eram repetidas rápidas sequências de guitarra junto da bateria, para o riff entrar, gloriosamente, junto do refrão, em outra bela sacada de Quincy Jones. Rola até um solo de Van Halen no meio da música. Era impossível uma canção como essa não virar hit. Jackson tentou repetir a parceria com um guitarrista virtuoso ao convidar o Slash do Guns N' Roses para tocar na música Black and White, do álbum Dangerous, mas o resultado passou muito longe da excelência dessa. E deixou o Axl Rose louco da vida com Slash, já que até hoje ele reclama dessa "traição".

Michael e Quincy Jones, com dois dos trezentos Grammys ganhos pelo Thriller

6-Billie Jean: Os 4 minutos e 54 segundos mais espetaculares da história do pop. Nunca foi feita uma música tão perfeita quanto essa. Classuda do começo ao fim. Jackson e Jones estavam inspiradíssimos, e a música é referência para toda a produção musical até os dias de hoje. Sim, nós sabemos bem que o filho não era do Michael (ele não parece ser muito chegado, sabe como é), mas nem isso apaga a excelência dessa canção.

7-Human Nature: Música mais calma do disco, não mantem o nível estratosférico da canção anterior. Tem o jeitão das baladas daquela época, poderia ser facilmente composta por um Phil Collins da vida. Isso não pode, de maneira alguma, ser um elogio.

8-P.Y.T. (Pretty Young Thing): Constrangedora tentativa de Jackson soar como um garanhão pegador. Funkzinho sem maiores pretensões, que não consegue passar no teste do tempo, soando datado e quadrado. Péssimo uso de vocoders, que somente começam a encaixar bem em canções hoje em dia, vide o bom uso deles por bandas como o Daft Punk, por exemplo. A música fez sucesso mais por osmose, seguindo o caminho aberto pelas outras músicas, que ciraram uma demanda altísisma de músicas do Jacko junto com os fãs, do que por méritos próprios.

9-The Lady in My Life: Canção que fecha o disco, é a única balada propriamente dita. A letra é fraquíssima, e a música não fazia muito para escapar do rótulo "mela-cueca", apostando numa estrutura totalmente convencional e livre de maiores surpresas e invencionices. Imagino que era um ás guardado por Jackson e Jones caso o disco não estivesse fazendo sucesso, mas como a situação se mostrou absolutamente contrária, a música acabou não precisando sair à tona. Um desfecho nada satisfatório, mas que serviu apenas como, digamos, reserva de mercado.

Depois de tudo isso, é fácil perceber o quanto esse disco é superestimado. As 50 milhões de cópias devem-se à trinca fortíssima do meio do disco, Thriller, Beat It e, principalmente, Billie Jean, todas fruto do talento de Quincy Jones, muito mais do que o talento de Michael Jackson como compositor. O próximo disco de Jackson, que sairá ainda nesse ano, será produzido pelo incauto do Wil.l.i.am, o que não é nada promissor, já que é sinõnimo de samplers dolorosamente óbvios e melodias construídas todas em cima de onomatopéias, como vimos dezenas de vezes nas canções do Black Eyed Peas. Essa é a vantagem do Prince, que nunca precisou se apoiar em produtor nenhum, já que é capaz de emular uma banda inteira sozinho. Mas Thriller tinha o seu valor, com certeza, não tiremos isso de Jacko. Isso não!

segunda-feira, 3 de março de 2008

TETÉIA DA SEMANA

Alice Braga
Atriz paulistana, fazendo sucesso nos US and A (como diria Borat) ao aparecer junto do Will Smith no filme Eu Sou a Lenda. Sobrinha da Sônia Braga, construiu uma respeitável filmografia aqui na terra do Zé Carioca, fazendo filmes como Cidade Baixa e Cidade de Deus. Com o estouro do último filme no exterior e as surpreendentes indicações ao Oscar, Alice acabou sendo visada no cenário internacional, recebendo belas ofertas para colocar à prova o seu talento. Como se saiu bem ao dividir a cena com Smith, que é o astro mais rentável do mundo no momento (seus dez últimos filmes renderam mais de cem milhões nos EUA), podemos esperar coisas muitos boas dela. Está filmando com o renomado David Mamet um filme chamado Redbelt (junto do bibelô Rodrigo Santoro), filmou o Ensaio Sobre a Cegueira com o Fernando Meirelles e famosos como a Julianne Moore e o Mark Ruffallo, e tem outros grandes projetos engatilhados. Que ela é mais completa como atriz do que sua tia, isso não se duvida. Apareceu até na capa da Vanity Fair, conceituada revista americana, junto de outras atrizes promissoras. O caminho está engatilhado, é só ficar longe das party girls, que tudo vai dar certo.

Movimentos Pendulares e o cinema ou Drops do moderado

Camarada moderado is back. Após um período de trabalho árduo e sem internet em casa, voltei para misturas mais as coisas no "Fomos ao Cinema". Enfim, não sabendo do falar e não gosto de falar sobre nada, pois me lembra de uma tal série que detesto; resolvi, por fim, falar um pouco sobre cinema e algumas coisas a mais. Na verdade seria mais como Rapidinhas do Moderado.

Bem o oscar foi um merda, Juno ganhou de melhor roteiro, daí se denota a porcaria que foi a premiação, pelo amor de deus, até premiações do oscar tem limite, dessa vez a academia conseguiu ultrapassa-lo definitivamente; a, já quase esquecendo, temos , nós, blogueiros, leitores e fãs de cinema a obrigação de fazer o movimento, "por favor volte Billy Cristal".

Tim Burton, Jonnhy Depp e uma atmosfera gótica: será que já vi isso em outo lugar, pior, agora em versão musical. Misto de curiosidade e medo; enquanto o medo continuar vencendo não me atrevo a encarar esse filme.

domingo, 2 de março de 2008

The deep profound philosophy and other issues

Eu sou a favor de auto-ajuda se ninguém estiver ganhando dinheiro em cima, o que é – a sátira começa aqui – uma contradição em termos, eu sei, você sabe. Anyway, auto-ajuda pode funcionar, mudando algum aspecto da sua maneira de pensar. Mas para que isso aconteça, um poucochinho de auto-análise é indispensável, e o conhece-te-a-ti-mesmo volta com tudo, suuuupertendência. Mas não demais, que senão carrega o visual.

Profundidade, esse acessório tão superestimado, por exemplo, é resultado direto de auto-análise, mas que já cansou, tenho que te dizer. E, ao contrário do que o pessoal fala, profundidade não tem nada a ver com inteligência. Já vi muito estudante de Letras que entende o outro e a si mesmo, cheio de sensibilidade e ética. Em compensação, a maioria dos matemáticos que eu conheci era louca pra fazer uma ponta na Malhação. É a diferença entre pessoas como Antoine Saint-Exupéry e Ludwig Wittgenstein. A lacrimosidade e o espírito emo de O Pequeno Príncipe versus a insensibilidade e a aridez do positivismo lógico.

Day-Lewis: indivíduo profundo num momento de pouca profundidade.

Gente que nem Oscar Wilde também, que defendia que “O artista é um criador de belas coisas”, ou que “Um livro é bem ou mal escrito: eis tudo”, e que “A Arte é superfície”; enfim, que acha que tudo se resume à Beleza, trata-se de pessoas extremamente frívolas, sem amor nenhum no coração, sem S2 mesmo :o(.

O sistema educacional austríaco é célebre pela formação de indivíduos pouco profundos e superficiais. Acima, Hitler pequerrucho: eugenia e limpeza étnica como meios para o estabelecimento do III Reich à luz do ideal clássico de Beleza; e Wittgenstein: goleiro medíocre.

Profundidade que, como eu li outro lia, folheando um manual de Psicologia, depende de como o indivíduo elabora as próprias emoções. Aquele que, quando está triste, pergunta por que está assim, é profundo. Já o superficial é aquele que está triste porque está triste. Os primeiros estão sempre insistindo nos assuntos dos quais os segundos estão sempre fugindo. Wittgenstein, que era uma pessoa assim muito superficial, escreveu que perguntar a razão de se estar sentindo de uma determinada maneira não tem resposta, porque é uma pergunta sem sentido. Diz ele, no aforismo 6.5 do Tratactus Logico-Philosophicus: “Para uma resposta que não se pode formular, tampouco se pode formular a questão. O enigma não existe” E tem mais:

5.6 Os limites de minha linguagem significam os limites de meu mundo. Ou seja: se eu não disser que te amo, então eu não te amo; se eu não disser que estou triste, então eu não estou triste. O mesmo para o contrário: se eu disser que te amo, então eu te amo; se eu disser que estou feliz, então eu estou feliz, eeeehhhhh. Pensamento positivo é TU-DO!

5.631 O sujeito que pensa, representa, não existe. Ou seja: viver a vida, moçada: quem pensa demais, não vive.

6.43 O mundo do feliz é um mundo diferente do mundo do infeliz. Ou seja: geeeente, que deprê! Vamô parar com esse papo bravo, que tá tudo muito down, e vamô animando aí, que hoje eu vou causar, u-huuu!

7 Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar. Ou seja: rsrsrsrs.

Toda a chamada primeira fase de sua obra, representada pelo Tractatus, é uma crítica à suposta profundidade dos profundos, que se envolvem em intermináveis discursos vazios. Arrasô.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Arrested Development (Caindo na Real): O Efeito Juno

Dois personagens vitais no filme Juno, coqueluche recente do cinema alternativo e que já conta com uma comunidade de 5 mil membros do Orkut em meros 5 dias de lançamento no Brasil, foram interpretados por dois atores que interpretaram pai e filho no seriado Arrested Development (Caindo na Real, título dado pela Rede Globo e que, embora tenha perdido o trocadilho do original, não soa tão deslocado), criado por Mitchell Hurwitz e que foi ao ar na Fox de 2003 até 2006. Jason Bateman, que interpretava Michael Bluth, o irmão que tinha de manter a família disfuncional unida depois da prisão do pai, e que no Juno fez o coroa que iria adotar o filho da moleca, mas que medrou ao perceber que o contato com a Juno o fez redescobrir o seu adolescente interior, e todos os sonhos que vinham juntos com ele (bocejos), e o Michael Cera, que interpretava o filho de Jason no seriado, George-Michael Bluth, e que no Juno fez o moleque abobado que engravidava a garota. No filme, em nenhum momento os dois aparecem juntos, talvez propositalmente, para não alimentar a euforia dos fãs da série, que são considerados os mais fiéis entre os fãs de séries cult. A série estreiou na Fox em 2003, para durar apenas duas temporas e meia, lutando contra índices baixíssimos de audiência, mesmo sendo um sucesso absoluto de crítica. A Fox, canal conhecido pela pouca paciência com seus títulos e por sabotar produções em nome da audiência (os chatos que veneram o Arquivo X culpam o canal pela decadência da série), até que teve bastante com essa, talvez apostando no efeito Seinfeld, que também lidou com audiências baixas na duas primeiras temporadas, mas com o boca a boca, acabou explodindo no final da terceira. Mas como os indíces jamais demonstravam qualquer tendência de crescimento, decidiram, acabar com a série na terceira temporada, que teve apenas 13 episódios. O último episódio foi visto por apenas três milhões de pessoas nos EUA, uma das menores audiências de um episódio final para uma série que durou mais de duas temporadas. Mas os fãs jamais se conformaram, e transformaram o show num clássico caso de "seriado maldito/incompreendido". O resultado do barulho feito por eles é de que já é considerada seriamente a hípótese de um filme baseado no show (vi o Jason Bateman falando numa entrevista no tapete vermelho do Oscar no Domingo que tudo está bem encaminhado). Para se ter uma idéia do poder dos fãs, no site IMDB, que é considerado a bíblia do cinema e televisão, e que tem um sistema de notas para filmes e seriados baseados na votação dos usuários-membros, a nota do show é um altíssimo 9.7. Para se ter uma idéia, um filme com uma nota de 7.7 é considerado excelente. O melhor filme avaliado, Poderoso Chefão, tem 9.0. E entre os seriados, os dois que chegam perto são Os Sopranos e Seinfeld, com 9.5 e 9.4, respectivamente. Poderoso Chefão, Os Sopranos e Seinfeld. Trica de deixar qualquer um com as pernas bambas, como diria Bezerra da Silva. Mas os fãs do Arrested Development conseguiram fazer sua série preferida ser o produto de entretenimento melhor avaliado entre tudo o que já foi feito em matéria de cultura cinematográfica e televisiva desde o invento das câmeras. Um exagero de proporções dantescas.

Essa histeria dos fãs foi absolutamente benéfica para o filme Juno. Como o filme conquistou notoriedade através da propaganda boca-a-boca, o séquito do show teve um papel importantíssimo no frisson coletivo, ao ver dois atores fundamentais de sua série favorita nesse filme. Como eu nutro uma ojeriza mortal pelo filme, não posso deixar de culpar o seriado por ter parte nessa palhaçada toda. Analiso agora então, para tentar entender tanta loucura, os prós e contras do show, para enfir dar o meu veredito final. Para quem não viu o seriado e tem curiosidade, a Fox está passando todo dia, 5 e meia da tarde. Mas agora, prós e contras:

Prós:

A edição ágil

Jeffrey Tambor, que interpreta o patriarca da família, George Bluth, que é preso no primeiro episódio e passa quase que a totalidade do show na cadeia. Desde quando fazia o Larry Sanders Show, ele já era sensacional. Rouba toda cena que aparece.
Personagens bem construídos, que geram facilmente empatia com o público.
As famosas piadas subtextuais, que fizeram a fama do show. O único elemento realmente eficiente nos roteiros da série, vi belas sacadas em vários epísódios.

Michael Cera, que funciona muito melhor no seriado do que no Juno. Embora ele se limite a fazer a mesma coisa nos dois, seu ar abobado cai que nem uma luva no Arrested Development. Antes que me perguntem: não, não vi ainda Superbad.

-Vamos lá, foram 53 episódios: em quantos deles o meu figurino não foi o uniforme laranja de presidiário e essa bandana? Economia é isso aí.

Contras:
Mais uma vez, a edição ágil (não raremente, o show exagerava nesse aspecto, criando uma atmosfera exageradamente caótica)
Jason Bateman. Embora o personagem dele seja o clássico exemplo da figura sã e pé no chão cujas reações aos malucos que povoam o show deveriam ser o mote das risadas, falhou ao dar um ar excessivamente sério ao personagem. Como ele era o centro gravitacional do show, não é de se estranhar que os espectadores normais (não os fanáticos) acabassem se cansando. Falhava ao fazer o meio campo, o que ajudou a matar a série. Não digo com isso que esperasse que ele afundasse no cinismo, o que seria errado também, mas apenas que ele deveria ter trabalhado para que a seriedade do personagem também se revelasse com o desenrolar da série como uma grave excentricidade, o que era nítido pelo tom dos roteiros, mas que Jason acabou falhando em transmitir para o público.

Humor: embora o show não procurasse gargalhadas histéricas, assim como o filme que inspirou a série (nas palavras do próprio Jason Bateman), Os Excêntricos Tenenbaums, não eram poucos os episódios que geravam uma série de sorrisos espontâneos nos espectadores, mas nada além disso. Muitas vezes a obviedade do humor do show me deixou espantado.

Número de personagens: eram 9 personagens fixos, durante toda a duração do show. Encaixar histórias de todos esses personagens numa série com episódios de 20 minutos e narrada ainda por cima, seria uma tarefa hérculea. Imaginem Seinfeld tendo de apresentar histórias para 9 personagens, ao invés de 4, todo santo episódio. Aí não dá, nem Shakespeare daria um jeito.

Ron Howard: todos os episódios do seriado foram narrados por ele (a família Bluth era filmada para um documentário na série, assim como no The Office, e o Ron Howard fazia as vezes do narrador do próprio documentário, o que explica a sua aparição no último episódio). A narração emulava o trabalho feito por Alec Baldwin no Tenembaums, que explicava serenamente as intenções dos personagens, ao mesmo tempo em que relembrava eventos anteriores de suas vidas, o que foi seguido à risca pelo seriado. Mas algo não batia. Como os personagens no Tennenbaums tinham uma caracterização dramática, com o humor sendo revelado nas entrelinhas e interações, a narração de Baldwin encaixava com perfeição. Não acho que isso deveria ter sido seguindo num show cujos personagens, embora construídos da mesma maneira, tenham a atmosfera obviamente cômica. Ron Howard (que era o produtor executivo) deveria ter dado outro tom. Do jeito que fez, seu trabalho em nada acrescentava à série, sendo apenas um elemento a mais num show já cheio de excessos. Mas, bem, em se tratando de Ron Howard, eu esperava o quê? Código Da Vinci?"A Mona Lisa? É logo ali!", lembram-se? Loser, com letra maiúscula.

Veredicto: série mais superstimada de todos os tempos. Agradável de se ver, inteligentinha (embora não tão inteligente como acham os fãs), personagens divertiduxos, mas, caçamba, 9.7? Um 8.0 já estaria de belo tamanho, e olhe lá. E mais uma vez, agradeço aos fãs da série pelo Oscar ganho pela Diablo Cody (já posso perguntar: quem?). Parabéns. Muito Barulho por Nada, diria o bardo inglês.