terça-feira, 25 de março de 2008

The not so Good, the Bad & the Ugly

Infelizmente, certas coisas não são transferíveis: entre elas, carteirinha de clube e espírito. Daí que, fim de semana ensolarado, sem poder dar um mergulho na piscina e engolir meio litro de água clorada, você vai ver Onde os Fracos não têm Vez e sai do cinema torcendo o nariz, porque “não tem final”. Filisteu. Te rogo uma praga, hein: tomara que o Michael Bay nunca mais filme uma explosão. Medo.

Bad Boys II (2003), refilmagem de Thelma & Louise dirigida por Michael Bay, com as devidas correções machas no roteiro.

Mas disfarça pelo menos. Cá entre nós, sei que, pra você, final mesmo é o de Thelma & Louise, e até hoje você vende pros outros a groselha do “carpe diem” com aquela cena na cabeça. E no teu profile do orkut resume a tua ética: "ou tudo ou nada", "amigas para sempre", "a vida é pra valer". Porque o filistinismo deixa rastros.

segunda-feira, 24 de março de 2008

TETÉIA DA SEMANA

Beth Gibbons
Cantora inglesa, vocalista da mítica banda de trip-hop Portishead, que forma ao lado do Nirvana e do Radiohead a trinca de ouro da música na década de noventa (o quê, Prodigy? Habla com la mano!). Depois de lançarem dois discos seminais, Dummy (1994) e o epônimo Portishead (1997), a banda sumiu por longos dez anos, e finalmente anuncia o seu terceiro disco, por enquanto entitulado Thrid, previsto para sair em breve. Obviamente a senhorita Gibbons não ficou parada durante esse longuíssimo hiato, produzindo belos discos solos e vindo até para o Brasil em 2003. Que Beth coloca qualquer cantora de música pop hoje no chinelo, disso não há dúvida. O medo é o Portishead ter perdido o bonde da história, e Beth e seus parceiros de banda Adrian Utley e Geoff Barrow (principal compositor) não fazerem um disco à altura das glórias passadas. Mas, caçamba, do jeito que essa mulher canta, o cara pode colocar atirei o pau no gato (belo exemplo de dodecafonia musical) que ainda sim sai algo digno. Esperemos.

domingo, 23 de março de 2008

Fomos ao Cinema ver A Família Savage

Sorte pura a minha e do Fundamentalista. Conseguimos assistir ao filme A Família Savage (The Savages no original) na única data de pré-estréia nesse feriado, antes do lançamento oficial prometido para semana que vem (se é que eles não adiarão de novo). O filme foi indicado aos Oscars de roteiro original (para a sua roteirista-diretora, Tamara Jenkins) e melhor atriz (Laura Linney, que perdeu para a Marion Cottilard). E fôra elogiadíssimo em sua carreira de festivais no circuito europeu-americano. Segundo filme dirigido por Jenkins (sendo o anterior o pouco visto Os Subúrbios de Beverly Hills, que tinha o Alan Arkin e a Mena Suvari), pelo jeito marca uma virada na vida dessa diretora já quarentona. O roteiro conta a história de dois irmãos (uma dramaturga amadora e o outro professor de artes dramáticas) vivendo em cidades diferentes, marcados por uma infância de abandono (da parte da mãe que foi embora quando eram crianças) e abuso (da parte do pai), e que precisam se reunir para cuidar do mesmíssimo pai que os maltratou na infância, já que o pobre diabo se mostra às vias da demência, sendo despejado depois da morte da madrasta dos irmãos. Sim, já vejo você pensando ai: "família disfuncional? Irmãos separados e distantes se reunindo forçosamente por uma causa maior? Alarme de identificador de clichês do cinema alternativo americano, ativar!". Mas calma, filhão, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O roteiro não é um primor, chega a exagerar nas gracinhas em certos momentos (principalmente no meio do filme), mas acerta ao demonstrar o peso dramático da situação vivida pelos irmãos de uma maneira bem naturalista, evitando ao máximo climas demasiadamente soturnos. E, aí residindo o maior acerto de Jenkins, aposta todas as fichas em dois atores formidáveis, que conseguem construir tão organicamente seus personagens e a interação entre eles, que chega a parecer ser fácil atuar. Laura Linney e Philip Seymour Hoffman, os dois que na minha opinião ocupam facilmente o Top-10 de melhores atores em atividade. Muita sorte de Jenkins, mesmo, ter gente desse gabarito protagonizando seu filme.
Linney é o coração do filme, mostrando uma personagem à beira dos quarenta anos, longe de ter o domínio sobre suas emoções e sobre diversos aspectos na sua vida, mas que ao mesmo tempo nos comove o tempo inteiro com a sua inabalável (e na maioria das vezes desastrada) vontade de criar laços com seu pai e irmão, fazendo de tudo para ter algum peso e importância na vida deles (e seu caso com um homem casado reflete esse lado da sua personalidade). Considerando que Linney sempre se caracterizou por interpretar mulheres classudas e elegantes, marcando presença sempre com a inteligência que exalavam, é admirável ver como ela consegue com categoria fazer uma personagem tão imatura emocionalmente, embora obviamente culta. Realmente, a Marion Cottilard não venceu qualquer uma no Oscar não, tem que comemorar pra sempre esse prêmio (que foi merecido).
Philip Seymour Hoffman, depois de encontrar o Anton Chigurh pela frente. Pelo menos tá vivão. E a Laura Linney tá feliz: não perdeu para a Tilda Swinton. Disse ela: -Cate Blanchett, talk to the hand!
Quanto a Seymour Hoffman, seu personagem era ingrato, com seu racionalismo frio e nenhuma vontade de estabelecer relações mais profundas com sua irmã ou quem quer que fosse, e sua visão cáustica do pai poderia facilmente despertar a ojeriza do público. Mas Hoffman é outro que transborda talento, e consegue apenas com pequenos gestos e sutilezas (como numa bela cena na qual observa o pai na cadeira de rodas sendo arrumado por sua irmã num aeroporto) transmitir toda a dor e vazio da vida daquele homem. O roteiro de Jenkins, se protagonizado por atores menos capacitados, não teria tido tanto êxito. E nós, amanteigados, compramos a história desses dois irmãos quase que alienígenas na vida um do outro, e que acabam no final voltando a serem capazes de acrescentar algo, por menor que seja, nas suas vidas. Não dizia o outro que somente somos válidos como humanos quando fazemos alguma diferença ou importância na vida daqueles que nos são próximos? Linney e Hoffman, mas do que ninguém, sacaram isso com propriedade, e nos proporcionaram belos 117 minutos.

sábado, 22 de março de 2008

7 filmes

Quem disse que ficar em casa é chato? Breviário crítico-metidinho dos últimos filmes que eu vi. Mas falar do que a gente gosta faz o estilo cair vertiginosamente, tipo escrever “cair vertiginosamente”. Você baixa a guarda, larga a pose e fica todo docinho, todo sentimental.

No Calor da Noite: policial bonachão, com Rod Steiger de policial bonachão, as mãos de Sidney Poitier e Sidney Poitier. Muitas risadas e cenas antológicas. Números: Rod Steiger masca o mesmo chiclete 1.475.816 vezes durante os 110 minutos de projeção; e 72 são os confrontos com Sidney Poitier, mas apenas 68 aqueles em que pelo menos um dos dois aprende algo sobre o caráter do outro.

Viver a Vida: HUASHUASHUASHUASHUASH. Mclovin brechtiano.

Godard, em momento de descontração, dança com sua então esposa Anna Karina durante filmagens.

Superbad – É Hoje: Godard. Também brechtiano. Anna Karina massacrada. Mclovin. Leve lenços. You’ll know.

O Boulevard do Crime – Primeira Época: melhor que O Boulevard do Crime – Segunda Época.

O Boulevard do Crime – Segunda Época: Fréderick Lemaitre, Fréderick Lemaitre, Fréderick Lemaitre. E, quando comentá-lo com os amigos chatinhos que gostam e entendem (?) de cinema, choque (mas não se esqueça de fazer cara de Anna Karina) com “É melhor que toda a nouvelle vague junta”. Não me diga!

Memórias do Subdesenvolvimento: o quêêêêêêêêê? Cinema latino-americano que pensa? O quêêêêêêêê? Cinema latino-americano? Você? Não creio. E depois? Garota de Ipanema? Um cantinho e um violão?

A angústia existencial de viver só cercado de mulherão: uma porrada de suspension of disbelief.

O Grito: Antonioni sem medo no coração. Amando muuuuuito. Ladrões de Bicicleta com muita mulher bonita dando mole. E depois querem reduzi-lo ao esteticismo? Talk to the hand! (Andava num impasse: cinema italiano ou francês? Zurlini, Antonioni, Carné, Bresson. Difícil. Mas assistindo O Grito, vi Dorian Gray, essa aí em cima, e, pelamor, como era fácil decidir.)

Eu blogando em cena de filme independente a ser lançado.

Nous Avons été au Cinéma: e quando adaptarem pro cinema a minha história, sobre como eu passei de junkie a blogueiro, well, vou exigir, com cláusula de contrato e tudo, que a Chlöe Sevigny me interprete, tipo a Cate Blanchett interpretando o Bobo Dylan. Pegou mal? E se eu te disser que eu adooooooro David Bowie?

quarta-feira, 19 de março de 2008

Fomos ao Cinema: o primeiro Jubileu

No dia 16 de Abril de 2007 o Camarada Fundamentalista abria oficialmente o blog Fomos ao Cinema, com o já mítico texto "O Nome do Blog Mente". Completamos então, daqui a um mês, o nosso primeiro aniversário. Um ano, senhoras e senhores. Fomos desencorajados. Fomos intimidados. Cortaram bruscamente nossos carros em avenidas movimentadas. Enviaram cartas e e-mails com ameaças para nossas casas e computadores. Mandaram cabeças de cavalos para nossas camas quando acordávamos. Fomos perseguidos pelas inteligências britânicas, francesas e americanas (essa última soando como uma contradição em termos). Mas, ainda que feridos, continuamos firmes, disparando nossos tirinhos nos pés uns dos outros de vez em quando (tirinhos é muito emo-indie, meu!), mas nada que ameace a caminhada inabalável do nosso blog favorito. Por todo esse mês, iremos fazer belas homenagens à vida, aos camaradas e também, logicamente, aos nossos estimadíssimos leitores. Sim, o Fundamentalista irá dar um belo presente miguxesco para vocês. Um cavalheiro, é o que ele é. Aguardem, sim, aguardem.

Um dos méritos do blog nesse primeiro ano foi conseguir unir famílias disfuncionais, como essa da foto, que deve tanto aos nossos textos que até se antecipou às comemorações. Que é isso gente, não precisava, mesmo.

segunda-feira, 17 de março de 2008

TETÉIA DA SEMANA

Alicia Keys

Cantora americana. Atingiu o sucesso em 2002, logo com o seu primeiro disco, emplacando o sucessão Fallin. Na época com apenas 22 anos, Alicia se destacou ao se mostrar uma cantora autoral, habilidosa ao piano e também participando ativamente do processo de composição dos seus discos. Algo que era incomum quando vivíamos o fim da era Britney Spears/boy-bands, quando o negócio era cantar músicas grudentas criadas por produtores espertos. O sucesso de Alicia e Norah Jones e o início da derrocada das gravadoras, sufocadas pelo crescimento da internet, acabaram elevando, ainda que indiretamente, o padrão das composições do mundo pop. Hoje, temos as Amys Winehouses e Kates Nashes fazendo música de qualidade para as massas. Agradecemos a Alicia por isso. O seu mais novo disco, As I Am, acabou de ser lançado no Brasil, e a bela música No One já está fazendo estragos por aí. Hoje a concorrência é feroz, mas se depender da qualidade do novo disco, talvez ela possa clamar o seu lugar de cantora jovem mais respeitada do mundo pop. Sempre a achei mais talentosa que sua concorrente Norah, sem tanto medo de ousar e experimentar caminhos novos. Pelo menos sabemos que podemos acordar tranquilos de manhã sem esperarmos ver o seu nome na lista de obituários, como é comum com os fãs da Winehouse. Isso conta, e muito. Estatística, sabe como é.

sábado, 15 de março de 2008

Camarada Moderado por seus filmes favoritos

Saci, Curupira, Mula-sem-cabeça, Negrinho do Pastoreio, Loira do Banheiro, Homem do Saco, Chupa-cabra, Camarada Moderado. Just highlights. Este último a subversão dos paradigmas folcloristas. O folclore boêmio, engajado, concretista, eletrônico, experimental. O sampler do folclore. Abaixo, um pouco da sua trajetória de blogueiro:

Antes de ser blogueiro, Camarada Moderado fazia teatro de rua. Escrevendo, dirigindo e atuando. Aqui, ele maquia uma de suas atrizes (e também affair).

Camarada Moderado é conhecido por seu ecletismo e versatilidade. Prontamente, aceitou o desafio de ser blogueiro num blog coletivo. Aqui, decidido a blogar.

Ser blogueiro exige renúncias. Apesar da oposição de familiares e amigos, Camarada Moderado não se acovardou. Aqui, ele dando as costas aos caminhos fáceis e às soluções prontas.

Nem sempre é fácil conciliar amor e trabalho. Amar e blogar. Aqui, uma leitora suspirante do camarada. Camarada Moderado ama e bloga, mas às vezes...

... partir um coração é inevitável. Aqui, uma das muitas mulheres elegantemente destroçadas pela notícia de que a fila anda. Isto é, de que a fila andou.

Como tudo começou? Ora, como tudo sempre começa. Com um telefone tocando, como diria Jack Bauer ao Colin Farrell, em Por um Fio. Well, o telefone toca. Camarada Gracinha ligando pra convidar o Camarada Moderado para uma baladeeeeenha. Sussa, meu!

Marcam no metrô. Camarada Gracinha chega antes, espera uns quinze minutos, daí aparece o Camarada Moderado. All Star, camiseta vermelha. Ela sorri. Ela diz: “Posso?” E ele responde: “Claro.” Então, ela o beija. “Mas beijo é traição?”, ela questiona, confusa.

Beijo é traição? Pô, feliz aniversário, Camarada Moderado!

terça-feira, 11 de março de 2008

Em busca do all star rosa


Um dia começou. Não me lembro agora se era dia chuvoso, se nevava ou se o trânsito havia batido recorde de congestionamento. Mas sem dúvida foi um dia deveras importante, oras, nós, camaradas, realizávamos nossa reunião de pauta quando um de nós trés teve a brilhante confabulação:
"Precisamos de uma camarada para o nosso blog."

Nós eramos, ainda, o melhor da intelectualidade, como digo: dínamos pensantes, porém machos; acredito, muito machos. Gostavamos de mulheres, das meninas indies e da garota ruiva do Snoopy. Ou seja um macho alfa padrão, sem esquisitices e gostos peculiares, digamos, mais coloridos. Mesmo o progressista com seu apreço pela Ally Macbeal; sim, inclusive ele parece ser bastante hetero para balancear a trupe.

Camarada fundamentalista, nos seus últimos textos, parece que começou a sentir a ausência do gênero do convívio quase diário no blog, relatanto suas desilusões e sonhos com o sexo feminino. De um hermético padrão, agora é parecido mais com o desiludido e confessional camarada. Pergunto: camarada, onde escondeu tua tacanha?

Em verdade as mulheres parecem ter tomado de assalto o blog, falamos de mulheres novamente( primeiros meses) e frequente.

Uma vez propusemos o concurso "Você garota, faça parte do Fomos ao Cinema", infelizmente a vencedora renunciou ao cargo sem ao menos começar. Por isso, proponho, sem a consulta dos meus associados, um novo concurso, "faça parte do blog, meninas, ganhando uma camiseta". e por favor, a campeã traga nosso taciturno camarada de volta.

segunda-feira, 10 de março de 2008

TETÉIA DA SEMANA

Camilla Belle
Atriz americana, mas uma brazuca de coração (explico no final o motivo), estrela do mais novo arrasa-quarteirão do alemão doido de pedra Roland Emmerich, 10.000 a.c., que estreiou sexta-feira aqui. Sim, mais um épico do diretor que deu ao mundo Independence Day, Godzilla e O Dia Depois de Amanhã. Seria isso um currículo ou uma ficha criminal? Bom, voltando a falar da Camilla, depois de fazer um bom currículo como atriz infantil em filmes como O Patriota (do Emmerich também) e Mundo Perdido, ela apareceu mais crescida e clamando um lugar ao sol para o mundo contracenando com um atorzinho de quinta, um tal de Daniel Day-Lewis, no filme A Balada de Jack e Rose. Tarefa pra deixar qualquer um preocupado (né não, Paul Dano?), mas que ela conseguiu tirar de letra, sem sumir perante o mito irlandês. Depois fez o péssimo remake do filme Quando um Estranho Chama, e agora aparece bem na mais nova produção de Emmerich, que estreiou em primeiro lugar nas bilheterias yankee. O filme vem sendo malhado, mas todos estão poupando Camilla das críticas, um bom sinal. Apesar de ter nascido em Los Angeles e do pai ser americano, Camilla é filha de uma brasileira, e toda a família da parte da mãe vive em São Paulo. Por isso, ela fala um português perfeito e está sempre por essas bandas, e anda dizendo por aí que se acha mais brasileira que gringa. Que bonito éééééééééé....., já dizia Luis Bandeira.

sábado, 8 de março de 2008

E no Dia Internacional das Mulheres

Depois do meu aniversário e do Natal, a data mais importante do ano é o Dia Internacional das Mulheres. Este blog é jovenzinho, menininho, então é a primeira vez que a gente comemora a maior dentre as ocasiões que não chegaram a ser feriado no calendário. Uma das coisas que se poderia fazer é dissertar sobre a hipocrisia e o absurdo que a data dissimula ou tenta dissimular. Que exista o dia da mulher, como existe o do índio e o da árvore, mostra que você, jovem leitora, está em desvantagem. No mínimo, vive tão ameaçada quanto a jabuticabeira no fim da rua.

Mas seria politicamente correto demais. Vai que depois não sai, e vira tipo um tique, gagueira, e eu passo a falar com a consciência; e sinceramente, quando penso em alguém falando só com a consciência, imagino um cara falando sozinho ou com uma voz metálica, que nem a do Stephen Hawking. Por sinal, alusão a Stephen Hawking não é nem um poucochinho politicamente correta, e não é pelo fato dele ser judeu, né, criançada?

Mas em vez de eu encher o saco dos fãs de Charlie Brown Jr. que estiverem me lendo acidentalmente, e fazer do post um libelo sobre como as mulheres sofreram e sofrem ainda hoje, com toda a problemática social condensada caramelizada, coberta com flocos crocantes e o delicioso chocolate Nestlé, montei uma pequena galeria de mulheres indispensáveis para qualquer patriarcado que se preze. Muito pessoal, pois sim. Dos critérios, você pergunta. Como foi tudo de memória e, eu não sei por quê, mas a minha sempre privilegia as mais bonitas, beleza foi importante, sim, se é o que você quer saber. E são poucas, porque cada uma delas baranrigaricuti-paradigmáticas. Dos paradigmas em questão, você pergunta. Tem a porção étnica e classy; tem a porção reminiscências da infância; e tem a tradicional porção babação de ovo macha. Cada qual com sua justificação equivalente.

Melhor foto que achei dela, de um filme, que, s'ocê quisé, tem no YouTube, com áudio grego original. Nossa! (Papas é a da esquerda, filisteu!)

Irene Papas. Atriz grega, que ficou famosa com sua participação em Zorba, o Grego (anda, faz a piadinha da cueca, filisteu!). Apesar de ou porque monocelhada, ah, mas que traços, que traços! Quanto caráter, quanta força nesse rosto. Admito que é estranha, no mínimo ambígua essa minha atração, já que caráter não é um elemento comum, talvez nem mesmo raro, da beleza feminina. Estamos diante, portanto, de uma verdadeira anomalia, pois se trata de um genuíno rosto de mulher transpassado, quase como uma aura (não, gente, esoterismo, não: é Walter Benjamin!), por qualidades masculinas. Ou tradicionalmente masculinas. Ó flagelo da humanidade, que associemos caráter exclusivamente ao homem masculino macho! Porque mulé tem que ser é bonita e cheirosa.

Outra foto terrível, tá. Mas é que as mulheres deste panteão, diferente de party girls e carreiristas diversas, se furtam a paparazzi.

Garotinha Ruiva. O fato de ela ser um desenho só acentua a natureza ficcional das demais mulheres que aqui figuram. Se você sabe redigir períodos subordinados que façam sentido, é claro que foi meio Charlie Brown na vida, a não ser que você seja gay, mas não sou eu que vou encrencar com isso. Leu Salinger (a saga da família Glass), assistiu The Royal Tenenbaums e Arrested Development, e gostou? Como dizem em comunidade de Orkut, que é o ponto mais baixo do estilo: entra aí. Mas se tiver um beagle, juro que te interno.

"..."

Nastassja Kinski. A maior objeção contra a homossexualidade masculina que existe e razão suficiente pra eu descer da torre de marfim e escrever coisas tão pueris como “maior objeção contra a homossexualidade masculina que existe”. Ou, falando objetivamente, a mulher mais bonita dos últimos, hmm, trinta anos. Eu nem tinha nascido e ela já era assim colossal, e desde então não apareceu um outro rosto que se comparasse ao da atriz alemã, filha de Klaus Kinski, que só pode ter vendido a alma pro diabo pra gerar alguém tão bonito, sendo ele tão bonito em itálico. Se ela disser vamo, eu vou. Só por causa do Paris, Texas, você deve estar imaginando aí nessa sua cabecinha tontinha, porque eu podia, até deveria, ter citado uma olímpica Classic Hollywood, mas eu sou indie, ô. Agora, a Mulher Samambaia...

Com essa heterogeneidade e justificativas, trata-se da homen-agem machista mais libertária que você já viu, a-ham. Mas ó só a surpresa que eu te preparei, lindona:

Porque tu é indie, né?

Leitora do Fomos ao Cinema. Opa, opa, opa. Essa mulher cheia do ziriguidum, com o samba no pé e uma idéia na cabeça, que é bonita, e é bonita, e é bonita. Você que me bouleversa enquanto eu recolho as cinzas do sutiã, mas você ri, ri, porque sabe que eu quero é te provocar, eu quero é te beijar, e vem comigo dançar, dançar, dançar. Ah, e se você dança, é claro que eu também danço, poxa.