sexta-feira, 11 de abril de 2008

Em defesa de Arthur Schopenhauer, ou: The Junkie Philosofy's Diaries

Eu sou o maior fã do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, mais conhecido como Schopenhauer parrudo, da parte sul do condado de São Paulo, Alabama. Não, ninguém gosta mais do alemão Teddy Bear do que eu. Considerando a história da filosofia como um todo, Arthurzinho seria o equivalente dentro desse universo das famosas frases de para-choques de caminhão, dizendo verdades toscas e cruas na cara dos incautos, sem se utilizar de palavras bonitinhas ou conceitos e teorias trabalhadas de maneira exaustiva. Ele não era nenhuma lady, essa é a verdade.
Eu era assim.

Nem Nietzche, que mesmo quando viajava ainda mantinha uma certa finess, nem Kant, que era exato como as calculadoras funcionais daquele seu colega mala que faz engenharia civil nas universidades pagou-passou da vida, não passavam nem perto do estilo "falei, e dane-se" dele (logicamente quando tratamos da escola alemã; lembremos que os filósofos iluministas eram todos uns príncipes, formosos, altivos E cortejadores). Sim, ele criou conceitos importantíssimos que influenciariam diversas gerações de pretensos metafísicos, mas basta ler qualquer estudo dele para ver que suas palavras eram duras como socos no meio das fuças. Nem mesmo sua obra-prima, O Mundo Como Vontade e Representação, aliviava o tom. Aposto que ele devia encher a cara nas tavernas da vida na sua fétida Danzig natal, cantando bebaço e desfilando impropérios contra as myladys alemães que ele tanto depreciava. Sim, ele tinha gravíssimos problemas com o sexo oposto. Seu estudo sobre as mulheres até hoje é lembrado com carinho pelas feministas que queimavam sutiãs na revolução sexual.

Pô, quem lê aquilo de maneira séria, só pode chegar a mesma conclusão que eu cheguei: o cara era um baita dum gozador. É de bater a cabeça de tanto dar risada. Um festival de barbaridades escritas da maneira mais natural possível, como se estivesse descrevendo um passeio num parque, ou coisa que o valha. Nietzche faz a gente rir? Não, não faz. No máximo nos dá perspectivas interessantíssimas sobre a nossa existência, e pistas realmente válidas sobre o papel do homem no mundo, mas, pô, cadê a diversão? Cadê o quarteirão com queijo saturado e as batatas-fritas no óleo, caçamba? Cadê o Tears For Fears? O Corinthians campeão do Brasileiro de 90, cheio de pernas-de-pau raçudos contra o estiloso e nietzcheniano São Paulo Futebol Clube de Telê Santana e Raí? Joga a verdade na minha cara, Arthur! E mulheres, pô, um pouco de senso de humor, né? Vocês REALMENTE acham que ele estava falando sério quando dissertava sobre vocês? Hein? O quê, ele estava? Nossa, que misógino-machista-recalcado-frustrado, hein? Bú pra você, Schopenhauer!


E fiquei assim. O mundo como vontade e terríveis, assombrosos, horrendos penteados

David Hume, nós que cá estamos, por ti esperamos.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

TETÉIA DA SEMANA

Anna Friel

Atriz inglesa, destaque na série mais hypada do momento, Pushing Daisies, que vai estreiar no Brasil num canal a cabo da vida nessa semana (o canal dos irmãos lá, aqueles mesmos). Começou construindo uma sólida carreira no teatro (sendo indicada até para o prêmio Tony). Resolveu então tentar algo no mundo do cinema. Depois de apanhar fazendo os dois horrendos filmes de futebol, Gol e Gol 2: Vivendo o Sonho (sim, aquele que tem o David Beckham, que como ator é um excelente cobrador de escanteios), Anna finalmente consegue fazer algo relevante para o mundo pop, ao ser escolhida para fazer a série do maluco que pode salvar as pessoas com um toque e matá-las no segundo. Sua personagem (uma defunta trazida do mundo dos mortos pelo personagem principal, e o seu dilema de não poder toca-lá acaba se tornando a força motora do show) é obviamente calcada na Amelie Poulin, mas se a série mantiver o nível dos primeiros episódios, poderá ser uma bela alternativa para aqueles que acham Heroes e Lost as coisas mais insuportáveis desse mundo. Fantasia e sensibilidade, meu!

Charlton Heston: um breve adeus

Ele abriu o mar morto. Ele lutou bravamente em épicas corridas de biga contra o poderoso Império Romano com Cristo do seu lado. Ele enfrentou um monte de macacos malucos e ainda viu a estátua da liberdade pegar umas ondas no final. Ele encarou o Orson Welles com 785 quilos e suando que nem um porco(tá, ele apenas precisou contracenar com ele num filme muito bom). Charlton Heston. Sim, o mito se foi. Para onde mesmo? Pra mim, tá vivão. Classic Hollywood vai se acabando assim, deixando poucos rastros. Quem sobrou? Tony Curtis? Olivia De Havilland? Karl Madden? Mickey Rooney? Sidney Poitier? O quê, Poitier é de uma geração posterior? Talk to the hand!
Deixa eu provar pra vocês que sei ler em hebraico. Está escrito ali na primeira tábua: "não serás presidente de organizações lobistas republicanas de portadores de armas e fabricantes das mesmas". Sorry, Mr. Heston, não resisti.

Homens e Mulheres....

Moderado entra no blog. Moderado percebe post de Fundamentalista sobre mesmo temas frequentes desde a germinação do mesmo blog. Moderado, cara costumaz assíduo e respeitador de mulheres, pensa: mas o que ele quis dizer com isso?

Fundamentalista no seu recente texto retoma idéias e meta-colagens de conceitos dos iluministas(se me lembro Hume era iluminista). O que ele vai fazer em seguida? Criar um dez mais de cinema baseado na "Investigação sobre os Princípios da Moral"? Um texto oriundo do século das luzes seria adequado para fundamentar a obsessão de entendimento sobre o universo feminino do camarada?

Ora, não gosto muito de Hume, o que li, pouco, não gostei. A corrente iluminista já nasceu com idéias erradas, fica um medo; o que vai ser em seguida? Durkeim, camarada agora vai justificar a incompreensão perante ao feminino pelo suicídio e, logicamente, pelo positivismo?

Sou o moderado, acredito em inteligência coletiva. Sou da cibercultura, acho estes textos velhos e gosto de desenho animado.

sábado, 5 de abril de 2008

Camarada Fundamentalista e a Solução Final

À parte o reducionismo, segundo o qual alguém escreveria solamente sobre o que o afligisse, ignorando os cálculos e a frivolidade indispensáveis ao, hmm, escritor, confesso que, se existe algo que me interessa, além da eternidade, é a mulher, este erro cognitivo da humanidade. Pois não sei se com a mesma consciência que eu ou, inclusive, com o mesmo sentido verdadeiro que aponto, Lacan outrora disse que não existe esse negócio de mulher. Logo, ui!

Mas ameaçando o tom esquizóide de um Nietzsche, houve, por incrível que pareça, alguém que pôde me ensinar algo sobre as mulheres.

Colocando em dúvida o princípio da causalidade, David Hume “compreendeu” as mulheres. Na verdade, transferiu a suposta dificuldade do problematizado para a problemática mesma. As mulheres não são irracionais, porque o (ir)racional não existe. Alguns o acusariam de jogar fora o bebê junto com a água do banho; nós, no entanto, o saldamos. Grande Hume; te resignastes a tua Xantipa, afinal!

Nem Capitu era Capitu, porque Capitu não existe!

Falando a não-iniciados, a coisa funciona da seguinte maneira. Quando empurro uma bolinha, daquelas das aulas de Física do Ensino Médio que figuravam o Incondicionado, e ela se mexe, muito homo-sapiens-sapiensmente digo de mim para mim que a causa do movimento da bolinha sou eu, empurrando-a, e aqui ganho um biscoitinho, um mestrado e uma bolsa pra estudar na Alemanha. Ora – e por isso eu e Hume somos maiores que você –, pois quem garante que o simples fato de um evento se suceder a outro cronologicamente implica que estejam os dois, em alguma medida, necessariamente relacionados por este fantasma da razão chamado causalidade?

Derrubando a causalidade, cai junto toda pretensão de previsibilidade. Toda vez que tocamos a bolinha, ela se mexe, mas isso até hoje. Pois, sendo impossível até então provar qualquer nexo de necessidade entre uma coisa e outra, novamente nada nos garante que, da próxima vez, a bolinha sairá do lugar. O único tempo do conhecimento é o agora, e no amor devemos ser estritamente empiristas, por mais grosseiro que isso seja.

A misoginia e o machismo não existem: o que existe é a Verdade!

Logo, se em vez da bolinha, temos a mulher, e eu metaforicamente ou não empurro a mulher, e esta se mexe, não quer dizer que da próxima vez ela vai se mexer, se eu fizer o mesmo. O que de fato não ocorre. E todos os cuidados e angústias do amor têm razão de ser. E toda a Filosofia houvera sido senão uma busca por certificação, bem como o amor. Daí que eu te digo: mulher é só uma metáfora ancestral para a constatação de que a estupidez da insistência humana com o que não tem jeito – ou seja, consigo mesma – não tem limites, o que, se por um lado é um truísmo, por outro é mais uma lição até hoje não apreendida.

Camarada Fundamentalista perscruta seu objeto e intui a Solução Final.

Alguma esperança? Depois que nietzschianamente abolirem o feminino das gramáticas, conversamos. Ui!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Pedro Almodóvar: um guia, e tão somente um guia

Semana passada foi aniversário da minha mãe, e dei para ela de presente um filme recente do diretor espanhol Pedro Almodóvar, A Má Educação. Isso me fez lembrar do quanto que esse blog vilipendia e marginaliza os diretores espanhóis. Lembram-se de alguma referência feita ao diretor e seus filmes nessas páginas virtuais? Eu não lembro. Esses camaradas indies, muito mais preocupados em babar o ovo para os enganadores do cinema alternativo norte-americano (lamentável, meu) do que reconhecer todas as cores e paixões dos filmes do diretor apaixonado pelos dramalhões do diretor alemão Douglas Sirk (que já morreu faz tempo, mas viveu uma bela e proveitosa vida). Chegou a hora de fazer um apanhado da carreira do espanhol. Como eu me preocupo com o bem-estar daqueles que descambam nesse universo excêntrico, e como a filmografia dele é extensa, farei um negócio bem leve, mas com muita consideração. A partir do seu filme de 82, Labirinto de Paixões, até os dias presentes. Te prezo aê, morô?

Cotações Fomos ao Cinema:
Lixo - Meia Boca - Bom -Excelente - Fundamental (meu estoque de adjetivos esgotou).

Labirinto de Paixões - 1982
Cotação Fomos ao Cinema: Meia Boca
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: zero. É mais fácil arranjar uma audiência com o Papa do que achar esse filme.
Filme mais absurdo feito por Almodovar, de fazer corar até o mais desavergonhado dos seres (hedonistas, where art thou?). Um dos personagens é um terrorista islâmico gay. E ele é o mais centrado de todos no filme. De bater a cabeça de tão engraçado. Mas prepare o estômago, vai por mim.



Maus Hábitos - 1983
Cotação Fomos ao Cinema: Meia Boca
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: zero também. Nem numa Livraria Cultura da vida tem. Isso não foi um elogio subliminar, não mesmo.
Almodovar achou que colocar freiras lésbicas e drogadas num filme apenas por colocar seria engraçado. Esqueceu apenas de escrever algo decente para amarrar a trama. Fraquinho. Ele voltaria ao tema religião (estudou num colégio católico quando moleque) com mais categoria anos depois.



Matador - 1986
Cotação Fomos ao Cinema: Bom
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: procurando muito, mas muito bem, é até possível de se achar, jogado em alguma prateleira por aí.
Primeiro filme de Almodovar no qual Antonio Bandeiras aparece como protagonista. Tão insano e polêmico como os outros, mas já se notava uma preocupação maior com o alcance da narrativa, mais complexa e profunda que nos outros filmes. Tons noir são sentidos por todo o filme, algo que voltaria com força em obras posteriores.



A Lei do Desejo- 1987
Cotação Fomos ao Cinema: Bom
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: mais difícil de achar que o anterior. Só com sorte mesmo. Bater em um ou dois vendedores poderia ajudar também.
Um Fellini 8 1/2 à moda Almodovar. Sim, já dá pra imaginar o que vem. Ainda mais na fase oitentista do espanhol. Mas é um filme vigoroso, sem dúvida, e corajoso, já que o personagem principal, um diretor gay envolvido num quadrilátero amoroso poderia facilmente ser confundido com a própria personalidade de Almodovar. Como se ele ligasse pra isso.



Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos - 1988
Cotação Fomos ao Cinema: Excelente
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: fraquíssima para um filme tão importante. Vergonhoso.
Primeiro clássico de Almodovar, filme que o jogou no rol dos diretores mais respeitados do cinema. Não sem justiça. Almodovar provou dominar com maestria os complicados meandros da alma feminina (seus melhores filmes tratavam desse tema). Carmen Maura deveria ter ganho um Oscar, mas nem lembrada foi.



Ata-me - 1990
Cotação Fomos ao Cinema: Meia Boca
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: boa. Fácil de achar. Não nas Americanas da vida, mas ainda sim facinho.
Filme que iniciou a parceria de Almodovar com a atriz Victoria Abril, não possui o mesmo nível dos anteriores, mesmo com uma boa perfomance de Antonio Bandeiras ( ele atua mal em filmes americanos por não conseguir falar inglês direito, mas é sim um ator competente).



De Salto Alto - 1991
Cotação Fomos ao Cinema: Bom
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: nem com reza braba.
Filme mais subestimado de Almodovar. Toca com rara sensibilidade num tema que poderia facilmente descambar para a comicidade, mãe e filha disputando o mesmo homem. Perfomance impecável da Victoria Abril.




Kika - 1993
Cotação Fomos ao Cinema: Lixo
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: infelizmente altíssima. Já vi até em saldão na já citada Americanas por inacreditáveis 10 reais. Justíssimo, mas ainda sim inacreditável.
Da série "o que ele estava pensando?". Filme horroroso, pretendia ser um trashzão desavergonhado e com todas as cores e dramas que um filme do Almodovar teria direito. No papel seria infalivel, mas na verdade acabou sendo somente dolorosamente constrangedor mesmo. Disparado o pior filme já feito por Almodovar, e enterrou sua parceria com a Victoria Abril, nunca mais retomada.



A Flor do Meu Segredo - 1995
Cotação Fomos ao Cinema: Meia Boca

Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: baixa, mas quando você menos esperar, vai trombar com ele por aí.
Filme que passou desapercebido, funcionou mais como balão de ensaio para a nova fase que Almodovar iniciaria em seguida, mais séria e com pouco espaço para a comédia.



Carne Trêmula - 1997
Cotação Fomos ao Cinema: Excelente
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: fraca. Dá pra achar, mas vai te exigir muito mesmo.
Filme que lançou ao mundo um mito chamado Javier Bardem. Sua categoria combinada com o melhor roteiro escrito por Almodovar em anos (em parceria com Jorge Guerricaechevarria) e com uma direção densa e plasticamente bela proporcionaram um grande filme, que iniciou uma trilogia inspiradíssima do diretor espanhol.


Tudo Sobre Minha Mãe - 1999
Cotação Fomos ao Cinema: Excelente
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: alta, bem fácil de se achar.
Volta de Cecilia Roth (que foi fundamental na fase maluca de Almodovar nos anos 80) aos filmes do diretor, uma homenagem inteligente e classuda à força da alma feminina. Incrível ver o quanto Almodovar estava entregando roteiros impecáveis e fazendo o seu cinema amadurecer graciosamente, dominando suas narrativas com rara categoria. Tudo o que era propositalmente exagerado nos seus filmes iniciais aqui virava pura maestria.



Fale Com Ela - 2002
Cotação Fomos ao Cinema: Fundamental
Acessibilidade aos Consumidores Tupiniquins: ao lado de Kika, o mais fácil de se achar dos filmes dele no Brasil. Não seria uma grande ironia que os dois filmes com maior disponibilidade dele aqui sejam justamente a sua melhor e a sua pior obra? Penso nisso muito, muito mesmo.
Obra-prima de Almodovar, filme que garantiu o lugar dele no céu dos grandes diretores do cinema e de quebra lhe deu seu primeiro e até agora único Oscar, de melhor roteiro original(merecidíssimo, pena que recebeu a estatueta do boneco de Olinda, Ben Affleck). Também obteve sua única indicação ao Oscar de melhor diretor, perdendo para o Roman Polanski pelo O Pianista. Quem diria que o mesmo diretor do Labirinto de Paixões seria capaz de fazer um filme como esse. Belo de doer, e com uma complexidade digna dos Kubricks e Bergmans da vida.


A Má Educação - 2004
Cotação Fomos ao Cinema: Bom
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: baixa, suei pra achar o DVD da minha mãe.
Depois de atingir um nível tão alto, e de dominar completamente o seu estilo narrativo, era natural esperar que Almodovar fosse filmar obras de cunho mais pessoal e menos universalistas. Esse filme é claramente caro para ele, já que trata (ficcionalmente, logicamente) de sua infância num colégio católico e de seus traumas e medos que influenciariam sua vida como cineasta de maneira decisiva. Não tem o nível dos três anteriores, mas ainda sim notamos a classe de Almodovar.


Volver - 2006
Cotação Fomos ao Cinema: Bom
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: alta, fácil de se achar.
Grande desempenho de Penelope Cruz (indicada ao Oscar pelo filme), um exercício surreal que poderia se passar como homenagem a Luis Bunuel, mas que tem seu brilho próprio. A visão de Almodovar das mulheres sempre me deixa fascinado. Incrível como ele brinca com as cores, sempre refletindo o estado existencial de seus personagens. O negócio agora é ver para onde ele encaminhará sua carreira (seu próximo filme está previsto apenas para o ano que vem).

segunda-feira, 31 de março de 2008

TETÉIA DA SEMANA

Laura Linney

Atriz norte-americana. Apareceu bem dando um pouco de luz ao péssimo filme Congo, em 1995. Depois disso, conseguiu construir uma bela carreira, emprestando sempre seu imenso talento a filmes como O Show de Truman, Conte Comigo, Sobre Meninos e Lobos, Simplesmente Amor (quando contracenou com o cosa-nostra Rodrigo Santoro), Kinsey e A Lula e a Baleia. Foi indicada pela terceira vez ao Oscar nesse ano com o filme A Família Savage (filme visto no Brasil por mim, o Fundamentalista e mais umas sete pessoas, infelizmente). Na fraca adaptação cinematográfica do livro Os Diários de Nanny, lançado ano passado, humilhou a Scarlett Johansson em todas as cenas que contracenevam juntas, fazendo a queridinha dos nerds ficar menor ainda perto do seu talento e conseguindo os únicos elogios reservados para o filme. Está na hora da Academia reconhecer que Linney está um patamar acima de suas colegas e finalmente fazer justiça a essa nova-iorquina, filha de um dramaturgo teatral e que sempre sonhou em atuar nas peças do pai. Logicamente o destino reservou surpresas mais fascinantes para a senhorita Linney.

domingo, 30 de março de 2008

O Belo é o Burro

Ouvindo o Tim Maia da fase racional, fiz a experiência de que o belo não é só burro, mas muito burro.

Quanta bobagem, mas que bonito! O que me lançou à melancólica consciência da nossa condição, clichê filosófico de praxe, porque se deduz daí que, para o homem, a beleza é necessariamente franqueada pelo sacrifício de toda e qualquer inteligência. Tá, sei, muito gentinha isso de ficar se lamentando pela inteligência, esse consolo a que se apela, porque sempre estamos nos sentindo feios (falo por você, como não), como quem é pobre, porém limpinho.

Se disser que está vendo o Universo em Desencanto, te dou uma na orelia.

Mais casos de que inteligência é prescindível e atrapalha, pra expandir o ponto de partida black:

A mulher bonita, em todas as suas variações da beleza exuberante, desde a voluptuosa nojentinha até a bonequinha sem sal.

Bach, outro péssimo letrista. Toda vez que queria versificar a partir de seu pietismo, a congregação se constrangia, contrita. Alguém talvez gostasse de emendar que, nessa mesma linha, tem a ópera em geral, but, well, a própria música é uma coisa burra, se a idéia da gente de inteligência é do tempo da palmatória, a minha é, segundo a qual inteligente e discursivo são indivisíveis, a-ham. Porque expressões como 'fraseado inteligente" ou "melodia inteligente", pra mim, que sou leigo, convenientemente não fazem sentido algum. Assim eu penso por bem da dominação dos que escrevem bem sobre os que não, que, tá, ainda está por vir. Grosseiramente, trata-se de Platão. É nóis.

Todos os filmes chineses com gente voando (aqui eu ia inserir parenteticamente que se trata de uma redundância, mas que piadinha vencida seria, né?). Porque, antes da gente dormir, é um espetáculo visual, etc.

Que mais, que mais?

Ah, e Jackson Pollock, se eu entendesse um poucochinho que seja de pintura.

Agora sim, o Universo em Desencanto.

Mas a Beleza é mesmo superior à Inteligência, ó simbolista, algo a que tenho de dar o braço a torcer, quando me pego cantando, todo alegrinho, da necessidade de se ler o livro e mandando os outros se imunizarem. “Apenas um, apenas um contato irá fazer nossa união legal.” Então, imuniza aí, ô.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Resenhas de Cds - Parte 2

Muitos meses atrás, publiquei um post falando sobre álbuns relevantes que tinham sido lançados no ano passado. Desde aquele texto para cá, muitas novidades foram colocadas à prova para os fãs de música, ol que me faz sentir na obrigação de dar uma geral nos álbums mais importantes. Um update, sim, um update. Para essa galera bonita, simpática, antenada e cada vez mais marombada (é isso aê, exercícios e bomba pra ficar forte ), ai vai as raçudas resenhas do Progressista, esse ser abissal com mania de usar a terceira pessoa para se referir a si próprio (o que denotaria talvez um transtorno de personalidade?).

Radiohead - In Rainbows
Cogitei por muito tempo fazer um texto falando sobre a campanha de divulgação do álbum, a já famosa "quer pagar quanto?", quando a banda resolveu disponibilizar as músicas no seu site, deixando a cargo dos fãs decidir quanto gostariam de pagar pelos downloads, podendo até baixar de graça. O Radiohead não é as Casas Bahia, mas também gosta de agradar o povão. Como faz muito tempo que a banda vive mais de polêmicas idiotas e promoções cabeças-oportunistas (preocupações furadas com o aquecimento global e a pobreza dos países de terceiro mundo, entre outras) do que de música mesmo, resolvi não me dar ao trabalho. Desde o belo OK Computer (longos dez anos atrás) que a banda vem fazendo algo que nem de longe lembra música, com discos pífios que servem somente para agradar críticos e fãs masoquistas. Sim, a banda virou um Godard musical. Sim, isso é um porre. Ver uma banda obviamente talentosa, com um vocalista inteligente (mala, mas inteligente) fazendo discos inaudíveis por pura birra do sucesso. Mas esse novo álbum, In Rainbows, realmente me surpreendeu. Menos caótico que os lixos anteriores (Kid A, Amnesiac e Hail to The Thief) e capaz de momentos realmente interessantes. Três músicas do disco fazem jus à produção da banda antes do período pós-Kid A, Nude, Reckoner e, principalmente, a última faixa, Videotaipe. Um milagre, mas Thom Yorke parece finalmente que pode existir experimentalismos com um mínimo de coerência melódica, e que, pasmem, isso pode resultar em belas canções. Ainda está longe da excelência de um OK Computer, mas o caminho parece estar corrigido. Mas se vacilarem de novo...

Foo Fighters - Echoes, Silence, Patience & Grace
A volta do enganador. Dave Grohl, o Forrest Gump do rock, mais uma vez nos oferece toda a sua inapitdão para o mundo das canções. Os discos que a banda lançou até o insípido There's Nothing Left To Lose (2001) primavam sempre por melodias risonhamente simples e riffs ganchudos e, yeah, pesados. Sim, era bem descerebrado, mas podia ser divertido pacas. Principalmente o The Colour And The Shape. Só que o senhor Grohl começou a sentir vergonha da falta de pretensões de sua banda, que inevitavelmente empalecia perante as comparações com uma banda tão cerebral como era o Nirvana. E aí... Bom, quando menos se espera, é aí que não sai nada mesmo. Depois do horrendo disco duplo In Your Honor , no qual pudemos comprovar o quanto Grohl era falho quando tentava soar mais sério, agora somos bombardeados com mais um atestado inequívoco de incompetência. Dá dó quando se ouve esse novo disco da banda, ver o quanto eles devem ter se esforçado para construir músicas mais complexas, de soluções menos óbvias e temas menos estúpidos, e sentir que eles novamente falharam miseravelmente. Pela milésima vez ele faz uma música em homenagem a Kurt Cobain e atacando a Courtney Love(Let It Die, melhorzinha do disco). Sério, depois vem reclamar quando comparam a sua banda com o Nirvana. De resto, o álbum mais uma vez alterna metade das músicas como pesadas e a outra metade como lentas. Mas é aquela coisa: quando o Foo Fighters que soar pesado e sério ao mesmo tempo, acaba soando como uma daquelas bandas horrendas derivativas do grunge que infestaram o rock nos anos 90, o que não pode, em momento algum, ser um elogio. Riffs jogados a ermo, refrões e melodias pouco inspiradas e terrivelmente cansativas. Um saco, o que é fatal para uma banda como essa. Erase/Replace, The Pretender, Loag Road to Ruin, não se salva uma. Como nos dois primeiros e melhores discos da banda quem tocou bateria foi o próprio Grohl (inegavelmente um bom bateirista), aqueles discos soavam bem mais nervosos que esses novos, culpa do incompetente Taylor Hawkins, incapaz de variar o ritmo de qualquer música que seja. Nas músicas lentas, Grohl tenta soar como Neil Young, e o resultado são canções impossíveis de ser ouvidas mais de uma vez. Sério, dá um bode. Mas o momento mais absurdo mesmo vem com a constragedora Cheer Up Boys (Your Make-Up is Running), tentativa de tirar um sarro dos emos. Patético, principalmente quando lembramos que muitas bandas emos por aí andam tocando melhor que o Foo Fighters. Tiozinho, dá um tempo, vai? Nem vou fazer a velha rotina do "Kurt Cobain deve estar se revirando no túmulo!". Juro que não vou.


My Chemical Romance - The Black Parade
Esse é o melhor disco que poderia sair desse grande balaio de gatos que convencionou-se chamar de "bandas emo". O melhor que os emos poderiam produzir. Simples: se as composições dessas bandas bandeiam para amores frustrados e medos desse mundo pervo e cruel, que tal então chutar o balde e tranformar tudo num belo de um dramalhão de uma vez, bem over e exagerado mesmo? O Queen fez com o hard rock e deu certo, imaginem então isso num mundo tão adequado quanto esse que moram os tristonhos emos? A falta de vergonha na cara da banda chega a ser um alento às vezes. Lógico que ainda é uma porcaria, mas pô, diverte um bocado. Welcome to The Black Parade é a melhor imitação de Bohemian Rhapsody já produzida, Mama é um lamento tão clichezento e exagerado que só podemos aplaudir mesmo(a faixa tem até a Liza Minnelli cantando, só faltou chamarem a Montserrat Caballé) e Teenagers vai fazer a molecada pentelha do seu prédio pogar. Sim, eles vão pogar e colocar delineadores. Prepare-se, a invasão está apenas começando.


White Stripes - Icky Thump
Outro enganador? Sim, pode apostar. Jack White e Meg White (que andou fazendo coisa muito feia por aí) voltam com o seu rock estúpido e minimalista. Depois de dispensar as guitarras no anterior, o melhorzinho da banda Get Behind Me Satan, Jack volta a despejar seus riffs farofentos nos pobres ouvidos dos ouvintes. Junto com a pior bateirista da história da humanidade, logicamente. Eu já vi a Karen Carpenter (ela mesmo, que morreu de bulimia e era vocalista dos, dãh, Carpenters) tocando bateria antes do sucesso, e ela dava de dez nessa ignóbil da Meg White. E, pelos céus, coloca um baixista pra tocar nessa bagaça! De resto, salvam-se no disco com muita boa vontade 300 MPH Torrential Outpour Blues (claramente melhor trabalhada que as outras do disco) e Conquest. De resto, tudo o que nós já ouvimos nos cada vez mais iguais discos da banda (com exceção do já citado GBMS. Talvez White devesse seguir o caminho que mostrou naquele penúltimo disco). O melhor desse lançamento foi que ele retardou o segundo disco do outro projeto do maleta White, o Raconteurs. Perto do Raconteurs, o White Stripes parece o Led Zeppelin.


Lenny Kravitz - It's Time For a Love Revolution
É incrível o quanto o Lenny Kravitz é brega. Sendo a música pesada, lenta, balada, dançante, roqueira, funkeada, não importa como, ele sempre consegue soar dolorosamente brega. Me dei ao trabalho de ouvir esse disco ao saber de elogios feitos para o mesmo, mas como sempre (algo que já era evidenciado pelo título) é um album, sim, isso mesmo, bregão. Seria Lenny o Sidney Magal yankee? Uma cigana aqui e outra acolá e ia ficar igualzinho. As velhas ladainhas ripongas, as mesmas baladas de corar até fã do Chicago, e os rocks que nunca conseguem pegar no breu. Aúnica coisa divertida no disco é contar quantas músicas possuem a palavra love no título. Tem até uma, que consegue ser mais brega que a horrorosa Again (um dos maiores hits dele), apropriadamente chamada Love, Love, Love. Blá, blá, blá. Um dos problemas dele é querer sempre tocar todos os instrumentos nas gravações de seus discos. Alguém precisaria falar que ele não é o Prince. Se montasse uma banda e trabalhasse delegando mais, quem sabe não sairiam coisas mais decentes. E tá vindo muito pro Brasil, logo vamos encontrar ele e as múmias do Deep Purple (banda que faz show todo mês por essas bandas) tomando uma caipirinha nos bares da Augusta.


Britney Spears - Blackout
Críticos de todas as partes elogiaram esse disco. Não consigo entender. Não sabia que cadáveres conseguiam gravar canções. Mais malhada e detonada que boneco de Judas em sábado de aleluia, Britney Spears hoje só serve para aqueles queiram apostar quando ela vai morrer em bolões. Não caiam no conto, o disco é tétrico. Se ele não é o desastre épico que se anunciava, os méritos são todos dos trocentos produtores (entre eles os Clutchs e o Neptunes). Ouvindo as músicas, chegava a duvidar que Britney tivesse cantado em qualquer parte do disco. Devem ter chamado uma sósia, já que a mulher mal consegue se comportar como um ser humano minimamente são, quanto mais trabalhar arduamente em cima de um disco. Quanto à elogiada música Gimme More, o mundo deve estar perdido mesmo. Se essa música for boa, eu me chamo Kevin Federline. Sim, eu quero a guarda dos moleques, Britney!


Jack Johnson - Sleep Through The Static
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O quê, alguém chamou aê?

quarta-feira, 26 de março de 2008

Para as massas

1. Mas agora eu também me popularizei, tenho orkut, e você pode me encontrar de havaianas no Largo da Batata, comprando DVD pirata do Calcinha Preta.

2. Marcelo Adnet na MTV: muuuuito engraçado (já fui mais articulado que isso, também). 15 Minutos é um dos novos programas da MTV. É, eu insisto na MTV. Hábito? Capaz. Esse Marcelo Adnet faz tipo um stand up. Sem medo de ser feliz, confesso que gargalho quando ele imita o José Wilker.

Para fazer um yuppie liberar uma grana pro blog, apelei pro vestidinho justo.

3. E onde José Wilker é crítico de cinema e Pedro Bial é poeta, Camarada Fundamentalista é escritor. Logo, logo saí o meu primeiro romance: As fantásticas aventuras de Neide e sua amiga Fatiminha na Terra de Vera Cruz, com prefácio de Diogo Vasconcellos, nosso correspondente em Portugal.

4. Ostentar cultura que a gente não tem sempre foi uma das minhas propostas a nível deste blog. Ter propostas também.

5. E o Rafinha ter ganhado o BBB 8 quer dizer que pelo menos metade do Brasil agora é emo? Medo.