quarta-feira, 16 de abril de 2008

És o nosso estandarte; és tu, Fomos ao Cinema, eterno baluarte!

Hoje é o aniversário desse blog. Sabe aqueles bares do centro que se orgulham em ostentar na entrada placas com dizeres como "servimos você a mais de duzentos anos"? Sim, nós já estamos caminhando para isso. Lógico que não somos embriagantes como um bom uísque, ou gordurosos e suculentos como aquela porção de pastéizinhos, mas, pô, não deixa de ser algo realmente divertido. O blog deve-se muito mais aos esforços dos Camaradas Moderado e Fundamentalista, que vinham alimentando juntos a idéia de construírem um espaço para destacar suas visões sobre a vida, o mundo pop, jazz (alguém pelo menos tinha prometido, esperamos até hoje), quadrinhos, música e, olhem só, vejam vocês, cinema.


O olhar aguçado dos Camaradas, sempre observadores natos do cotidiano


Um dia, numa conversa de MSN numa daquelas noites tediosas e inúteis, os dois resolveram tirar as idéias do campo teórico e efetivamente colocá-las em prática, criando então o blog. Madrugada do dia 16 de Abril de 2007. Me mandaram um convite imediatamente (estava online no dia, não estava com sono, sabe como é), e eu aceitei. Com o tempo, os três foram seguindo caminhos bem distintos. O Moderado (quando ele posta, logicamente, o que necessita o alinhamento de todos os planetas e alguns satélites mais) é o cara cool, sofisticado, dândi, um verdadeiro amante profissional, o alfa que traz a galera pra pensar e refletir sobre a tropicalidade. Sim, vocês já pensaram sobre a nossa tropicalidade ultimamente? Vocês deveriam ler mais o Moderado, então. O Fundamentalista é o virtuose. O nosso Keith Moon. Não, ele não sai pelado atropelando motoristas por aí. Mas seu brilhantismo é notório. Alguém segura esse moleque! E eu, bom... É, eu estou aí também. Gostaria de mostrar para vocês como foi a conversa épica de MSN, na qual Moderado e Fundamentalista decidiram criar o blog. Eu roubei o histórico, e mostro pra vocês aqui. Foi assim:


Moderado entra online
E ai, vamos criar o blog?

Fundamentalista:
Vamos!

Moderado:
Qual vai ser o nome?

Fundamentalista:
Fomos ao.... Fomos ao...

Moderado:
Cinema?

Fundamentalista:
Pô, abalou Bangu! É isso ai, Fomos ao Cinema!

Moderado:
Abalou Bangu? Bom, mudando de assunto: e quanto aos nossos nicknames no blog? Iremos usar nossos nomes verdadeiros, ou alcunhas, como Teddy Boy Marino?

Fundamentalista:
Não, seremos os Camaradas, e eu serei o Fundamentalista.

Moderado
E eu o Moderado.

Fundamentalista
E o nosso amigo maleta lá, hein?

Moderado:
Ele vai ser o Progressista.

Fundamentalista
Legal! Tá decidido então.

Moderado
Valeu! E você reparou, que nós estávamos com os nicks que viriam a ser os nomes que escolhemos pro blog? Que coincidência, né?

Fundamentalista
Não reparei.

Moderado
Er...

Fundamentalista
(Desenho de um smiley tomando banho)

Moderado fica offline



E assim foi. Revelador, assim como quando Da Vinci desenhava sua Santa Ceia. Lindo mesmo. E para finalizar, deixem eu finalmente revelar o nome dos três Camaradas. Eu, Progressista, sou o



é o Fundamentalista. Finalmente, revelei o segredo do blog! Feliz Aniversário, Fomos ao Cinema!

segunda-feira, 14 de abril de 2008

TETÉIA DA SEMANA: EPÍLOGO

Quarta-feira é dia de festa no blog, com o nosso primeiro aniversário. Sim, a festa vai ser de arromba, um verdadeiro rega-bofe de fazer essas festinhas do Amaury Jr. (simplesmente um luxo!) corarem de vergonha. Jet-Set é isso ai. Mas, deixa eu falar sério com vocês por um instante. Muda a tônica, Dj, diria o mito Sérgio Mallandro. Tomei uma decisão realmente dolorosa : no more Tetéia da Semana. Resolvi acabar com a sessão mais tradicional das Segundas-Feiras depois da Tela Quente.

A sessão, que estreiou exatamente uma semana depois do início do blog, com a cantora inglesa Lilly Allen ocupando o espaço que viria a ser compartilhado com outras 46 mulheres (foram 52 semanas de posts, mas a Lindsay Lohan ocupou 4 vezes o espaço no seu mês especial, em Junho), chega hoje ao seu derradeiro post. Tomei essa decisão por achar que a sessão já cumpriu o seu papel no blog. Nesse ano inteiro, pudemos construir um belo panorama das mulheres que provocam a nossa admiração por trazerem algo realmente válido e relevante para o cenário pop contemporâneo. Mulheres que trazem graça, inteligência e elegância para um mundo um tanto quanto aborrecido quanto esse que encaramos hoje em dia.

Nem sempre foram escolhas perfeitas (me arrependo amargamente de 4 delas, mas não confesso nem sobre tortura quais são), mas saibam que sempre tentamos entregar escolhas realmente interessantes para vocês. A última Tetéia, que será revelada no final desse post, foi escolhida por ser o modelo que me veio na mente quando revelei ao Camarada Fundamentalista a idéia da sessão, a mulher que personificou (uhm, dica grátis ai) o verdadeiro espírito que as Tetéias deveriam exalar, ainda que cada uma à sua maneira. A única cujo nome poderia ser escolhido como substituto para a sessão, e ainda sim todos pegariam a idéia das Tetéias no ato. Mas antes de revelar, gostaria de trazer um rápido olhar sobre as outras figuras, vivas ou mortas, que poderiam pleitear o da nossa última Tetéia, e que ocuparam ou ocupam um lugar marcante no imaginário pop, mas que ainda sim não puderam superar a nossa escolhida. É importante lembrar que a última Tetéia vai fugir da regra que marcou a sessão, já que não escolhíamos (salvas raríssimas exceções) por opção celebridades óbvias demais, como as Britneys da vida . E também preciso dizer que criaremos novas sessões para ocupar o lugar da Tetéia. Sem mais delongas, ai vai. No final do texto, a última tetéia.

Mortas


Marilyn Monroe
É uma das cinco personalidades mais importantes do Século XX, sem dúvida alguma, mas era toda sex appeal. Um sex appeal devastador e inigualável, mas tão e somente o sex appeal. Toda a sua substância era puramente física, todo o resto sendo apenas um oco constrangedor. Em nenhum momento vocês leram eu escrever a palavra “vulgar” aqui. Putz, agora deu pra ver. E ela deve muito para o Billy Wilder, que teve a idéia da mítica cena na calçada do metrô de Nova York no O Pecado Mora do Lado. E ao Hugh Heffner, logicamente. E ao Andy Warhol também? Ai não, ela não deve nada pro tcheco maluco. É outro ideal, importantíssimo, mas bem diferente.





Ingrid Bergman
Tinha toda a classe do mundo, dentro e fora das telas, e protagonizou a história de amor mais importante do cinema, mas não tem o “star power” da nossa escolhida. O Yul Brynner disse uma vez que ela era “forte que nem um cavalo”. Que careca desbocado!







Grace Kelly
O Mika e o mundo inteiro concordam que ela é uma unanimidade. Ouso dizer que de todas nessa lista, ela seria a que mais próximo poderia ter chegado da nossa escolhida. Mas traiu o mundo pop ao ir morar com o príncipe mala em Mônaco. Deu um belo talk to the hand para todos os seus fãs. Isso não se faz!







Greta Garbo
Um mito, mas por demais auto-centrada para poder merecer o posto da nossa Tetéia. Humildade (logicamente sem exageros) também é sinal de classe. E também era muito mistério pro gosto do pobre. O que tinha de ficar se escondendo pelos cantos, hein? Feio, bem feio.





Vivas, mas nem tanto (ups!)





Sophia Loren
Um nome fortíssimo, mas que, pelo menos a mim, sempre soará como sendo a Monica Bellucci da sua era. Obviamente mais talentosa, mas que ocupava um papel (imerecidamente) limitado dentro do contexto de sua época.





Brigitte Bardot
Maleta sem alça. Ver ela dando vexames e sendo presa em nome de causas ambientais não é exatamente o que eu chamo de “discrição”. E foi casada com o sujeito mais vulgar do mundo, Roger Vadim. Ela, a Jane Fonda e aCatherine Deneuve seriam eliminadas automaticamente somente por terem dado danda trela pra esse sujeito (patético vê-lãs de mãos dadas no enterro do cidadão, anos atrás).





Alive and Kicking (vivaças)


Sharon Stone
“A minha carreira por uma cruzada de pernas”. Como muitos tonhos pensariam nela sem hesitar como maior tetéia de todas, tive de incluí-la aqui. Sadismo puro (opa, isso é com ela mesmo, vide o inclassificável Instinto Selvagem 2).





Britney Spears
É a celebridade viva mais famosa do mundo. Não sou eu que digo isso, é o Google, que sempre a declara como campeã absoluta de buscas no site. Se houvesse uma ‘Tetéia da Semana especial- starletes de manicômio”, quem sabe. Ela e a Frances Farmer, juntinhas. Seria lindo.





Scarlett Johansson
Os blogs amam ela. Tem um baita apelo, está por todas as partes, mas não convenceu realmente como atriz. Na única vez que encaixou com perfeição num papel, no belo filme Encontros e Desencontros, interpretou uma garota mais vulnerável e menos irritadiça, e nunca mais repetiu uma escolha parecida, sempre optando por interpretar as femme fatales que claramente não passam nem perto da sua real personalidade. Você não é devoradora de homens não, Scarlett!


Natalie Portman
Pra mim, sem dúvida a maior Tetéia viva, nunca foi para a sessão apenas por ser uma escolha dolorosamente óbvia. Foi seriamente considerada quando pensamos em fazer a última com uma celebridade ainda viva (o que sempre foi feito na sessão,), mas foi descartada quando decidimos quebrar a regra para fazer uma justiça poética. Mas fica aqui a nossa lembrança, uma pequena homenagem para ela, um prêmio de consolação por ter chegado tão perto. É como dizia a músiquinha: I can’t take my eeeeeyyyyyyeeeeeeessssss of. you!


Bom, é chegada a hora então. Rufem os tambores. Preparem os agogôs. Liguem os amplificadores. Aqui vai, a última Tetéia da Semana do Fomos ao Cinema, com direito ao título em cima e tudo, sabe como é, tradição é tradição.

TETÉIA DA SEMANA

Audrey Hepburn
Não poderia ser outra. Era ela que eu tinha em mente, quando revelei ao estimado Fundamentalista a idéia da sessão. Por isso, nada mais justo que ela seja eleita a última Tetéia da Semana. Hepburn foi a personificação da classe e elegância em todos os aspectos de sua vida. Hoje é o maior ícone fashion, tendo sua imagem e estilo usados à exaustão por estilistas e grifes de todo o mundo. Foi uma atriz extremamente talentosa, indicada cinco vezes ao Oscar (ganhou o prêmio na sua primeira indicação, pelo filme A Princesa e o Plebeu). Para se ter uma idéia, ela fez 23 filmes em toda a sua carreira apenas, o que confere um índice altíssimo de indicações. Sua conduta na vida pessoal refletia toda a classe que mostrava nos filmes, algo raro entre as estrelas de qualquer era. Nascida em Bruxelas, filha de um banqueiro inglês e de mãe holandesa, Audrey era ainda adolescente quando explodiu a Segunda Guerra Mundial. Sem hesitar, alistou-se como enfermeira voluntária num hospital na Holanda, aonde morava com a mãe.

Sim, vejam só o paradoxo, enquanto um falastrão como o John Wayne ficou bem longe do conflito, recusando-se covardemente a se alistar, Audrey, que talvez seja o maior símbolo da famosa suavidade feminina, não hesitou em ajudar as pessoas num momento horrendamente crítico, mesmo lhe custando ter de presenciar todo tipo de atrocidades. Não quis fazer o filme O Diário de Anne Frank por culpa de todas as memórias horrendas que o filme poderia trazer de volta (ela seria a escolha natural, já que viveu de perto a guerra na Holanda). Casou-se duas vezes, com os dois casamentos durando curiosamente o mesmo tempo (14 anos cada um), e sempre mostrando em entrevistas um profundo pesar pelo fim dos dois, culpando-se de maneira compulsiva por não ter conseguido levá-los até o fim. Os 23 filmes que ela fez, um número baixíssimo, devem-se às tentativas dela de passar tempo com sua família, principalmente no segundo, quando chegou a ficar quase uma década sem atuar Era a primeira escolha para o papel da mãe no Exorcista, mas somente faria o filme se ele fosse filmado em Roma, aonde morava com os filhos, e o papel acabou indo para a Ellen Bursthyn. Não quis se casar mais depois do fim do segundo, em respeito aos seus filhos e ao seu ex-marido também, atitude de rara, olhem só, veja, vocês, rara classe.

Tornou-se embaixadora da Unicef para países da África e América Latina nos anos 80, e ao contrário das Angelinas Jolies da vida, que levam legiões de repórteres e adotam filhos a torto e a direito por pura propaganda, sempre adotou um ativismo bem mais discreto e eficiente também, efetivamente viajando para nações carentes e alertando o mundo sobre os problemas existentes. Uma história exemplifica bem o que ela representava. Seu último filme foi o Além da Eternidade, um filme que Spielberg fez no final dos anos 80 com o Richard Dreyfuss. Ela interpretou um anjo, que recebia o personagem de Dreyfuss no céu, naquela que é disparada a melhor cena daquele filme (que era bem fraquinho, um dos raros filmes insípidos de Spielberg). Quando Spielberg foi escalar o elenco, na hora de decidir quem interpretaria o anjo ele olhou para a produção e os atores, e no mesmo segundo disse: “eu só consigo pensar em uma pessoa: Audrey Hepburn”. Então, ele conseguiu convecê-la a sair de um retiro que já durava oito anos dos filmes para fazer esse último papel. Quatro anos depois, Audrey morreria de câncer. A classe ficou, mais forte do que nunca. E podemos dizer que, finalmente, a Tetéia da Semana está em casa. Que final singelo.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Em defesa de Arthur Schopenhauer, ou: The Junkie Philosofy's Diaries

Eu sou o maior fã do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, mais conhecido como Schopenhauer parrudo, da parte sul do condado de São Paulo, Alabama. Não, ninguém gosta mais do alemão Teddy Bear do que eu. Considerando a história da filosofia como um todo, Arthurzinho seria o equivalente dentro desse universo das famosas frases de para-choques de caminhão, dizendo verdades toscas e cruas na cara dos incautos, sem se utilizar de palavras bonitinhas ou conceitos e teorias trabalhadas de maneira exaustiva. Ele não era nenhuma lady, essa é a verdade.
Eu era assim.

Nem Nietzche, que mesmo quando viajava ainda mantinha uma certa finess, nem Kant, que era exato como as calculadoras funcionais daquele seu colega mala que faz engenharia civil nas universidades pagou-passou da vida, não passavam nem perto do estilo "falei, e dane-se" dele (logicamente quando tratamos da escola alemã; lembremos que os filósofos iluministas eram todos uns príncipes, formosos, altivos E cortejadores). Sim, ele criou conceitos importantíssimos que influenciariam diversas gerações de pretensos metafísicos, mas basta ler qualquer estudo dele para ver que suas palavras eram duras como socos no meio das fuças. Nem mesmo sua obra-prima, O Mundo Como Vontade e Representação, aliviava o tom. Aposto que ele devia encher a cara nas tavernas da vida na sua fétida Danzig natal, cantando bebaço e desfilando impropérios contra as myladys alemães que ele tanto depreciava. Sim, ele tinha gravíssimos problemas com o sexo oposto. Seu estudo sobre as mulheres até hoje é lembrado com carinho pelas feministas que queimavam sutiãs na revolução sexual.

Pô, quem lê aquilo de maneira séria, só pode chegar a mesma conclusão que eu cheguei: o cara era um baita dum gozador. É de bater a cabeça de tanto dar risada. Um festival de barbaridades escritas da maneira mais natural possível, como se estivesse descrevendo um passeio num parque, ou coisa que o valha. Nietzche faz a gente rir? Não, não faz. No máximo nos dá perspectivas interessantíssimas sobre a nossa existência, e pistas realmente válidas sobre o papel do homem no mundo, mas, pô, cadê a diversão? Cadê o quarteirão com queijo saturado e as batatas-fritas no óleo, caçamba? Cadê o Tears For Fears? O Corinthians campeão do Brasileiro de 90, cheio de pernas-de-pau raçudos contra o estiloso e nietzcheniano São Paulo Futebol Clube de Telê Santana e Raí? Joga a verdade na minha cara, Arthur! E mulheres, pô, um pouco de senso de humor, né? Vocês REALMENTE acham que ele estava falando sério quando dissertava sobre vocês? Hein? O quê, ele estava? Nossa, que misógino-machista-recalcado-frustrado, hein? Bú pra você, Schopenhauer!


E fiquei assim. O mundo como vontade e terríveis, assombrosos, horrendos penteados

David Hume, nós que cá estamos, por ti esperamos.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

TETÉIA DA SEMANA

Anna Friel

Atriz inglesa, destaque na série mais hypada do momento, Pushing Daisies, que vai estreiar no Brasil num canal a cabo da vida nessa semana (o canal dos irmãos lá, aqueles mesmos). Começou construindo uma sólida carreira no teatro (sendo indicada até para o prêmio Tony). Resolveu então tentar algo no mundo do cinema. Depois de apanhar fazendo os dois horrendos filmes de futebol, Gol e Gol 2: Vivendo o Sonho (sim, aquele que tem o David Beckham, que como ator é um excelente cobrador de escanteios), Anna finalmente consegue fazer algo relevante para o mundo pop, ao ser escolhida para fazer a série do maluco que pode salvar as pessoas com um toque e matá-las no segundo. Sua personagem (uma defunta trazida do mundo dos mortos pelo personagem principal, e o seu dilema de não poder toca-lá acaba se tornando a força motora do show) é obviamente calcada na Amelie Poulin, mas se a série mantiver o nível dos primeiros episódios, poderá ser uma bela alternativa para aqueles que acham Heroes e Lost as coisas mais insuportáveis desse mundo. Fantasia e sensibilidade, meu!

Charlton Heston: um breve adeus

Ele abriu o mar morto. Ele lutou bravamente em épicas corridas de biga contra o poderoso Império Romano com Cristo do seu lado. Ele enfrentou um monte de macacos malucos e ainda viu a estátua da liberdade pegar umas ondas no final. Ele encarou o Orson Welles com 785 quilos e suando que nem um porco(tá, ele apenas precisou contracenar com ele num filme muito bom). Charlton Heston. Sim, o mito se foi. Para onde mesmo? Pra mim, tá vivão. Classic Hollywood vai se acabando assim, deixando poucos rastros. Quem sobrou? Tony Curtis? Olivia De Havilland? Karl Madden? Mickey Rooney? Sidney Poitier? O quê, Poitier é de uma geração posterior? Talk to the hand!
Deixa eu provar pra vocês que sei ler em hebraico. Está escrito ali na primeira tábua: "não serás presidente de organizações lobistas republicanas de portadores de armas e fabricantes das mesmas". Sorry, Mr. Heston, não resisti.

Homens e Mulheres....

Moderado entra no blog. Moderado percebe post de Fundamentalista sobre mesmo temas frequentes desde a germinação do mesmo blog. Moderado, cara costumaz assíduo e respeitador de mulheres, pensa: mas o que ele quis dizer com isso?

Fundamentalista no seu recente texto retoma idéias e meta-colagens de conceitos dos iluministas(se me lembro Hume era iluminista). O que ele vai fazer em seguida? Criar um dez mais de cinema baseado na "Investigação sobre os Princípios da Moral"? Um texto oriundo do século das luzes seria adequado para fundamentar a obsessão de entendimento sobre o universo feminino do camarada?

Ora, não gosto muito de Hume, o que li, pouco, não gostei. A corrente iluminista já nasceu com idéias erradas, fica um medo; o que vai ser em seguida? Durkeim, camarada agora vai justificar a incompreensão perante ao feminino pelo suicídio e, logicamente, pelo positivismo?

Sou o moderado, acredito em inteligência coletiva. Sou da cibercultura, acho estes textos velhos e gosto de desenho animado.

sábado, 5 de abril de 2008

Camarada Fundamentalista e a Solução Final

À parte o reducionismo, segundo o qual alguém escreveria solamente sobre o que o afligisse, ignorando os cálculos e a frivolidade indispensáveis ao, hmm, escritor, confesso que, se existe algo que me interessa, além da eternidade, é a mulher, este erro cognitivo da humanidade. Pois não sei se com a mesma consciência que eu ou, inclusive, com o mesmo sentido verdadeiro que aponto, Lacan outrora disse que não existe esse negócio de mulher. Logo, ui!

Mas ameaçando o tom esquizóide de um Nietzsche, houve, por incrível que pareça, alguém que pôde me ensinar algo sobre as mulheres.

Colocando em dúvida o princípio da causalidade, David Hume “compreendeu” as mulheres. Na verdade, transferiu a suposta dificuldade do problematizado para a problemática mesma. As mulheres não são irracionais, porque o (ir)racional não existe. Alguns o acusariam de jogar fora o bebê junto com a água do banho; nós, no entanto, o saldamos. Grande Hume; te resignastes a tua Xantipa, afinal!

Nem Capitu era Capitu, porque Capitu não existe!

Falando a não-iniciados, a coisa funciona da seguinte maneira. Quando empurro uma bolinha, daquelas das aulas de Física do Ensino Médio que figuravam o Incondicionado, e ela se mexe, muito homo-sapiens-sapiensmente digo de mim para mim que a causa do movimento da bolinha sou eu, empurrando-a, e aqui ganho um biscoitinho, um mestrado e uma bolsa pra estudar na Alemanha. Ora – e por isso eu e Hume somos maiores que você –, pois quem garante que o simples fato de um evento se suceder a outro cronologicamente implica que estejam os dois, em alguma medida, necessariamente relacionados por este fantasma da razão chamado causalidade?

Derrubando a causalidade, cai junto toda pretensão de previsibilidade. Toda vez que tocamos a bolinha, ela se mexe, mas isso até hoje. Pois, sendo impossível até então provar qualquer nexo de necessidade entre uma coisa e outra, novamente nada nos garante que, da próxima vez, a bolinha sairá do lugar. O único tempo do conhecimento é o agora, e no amor devemos ser estritamente empiristas, por mais grosseiro que isso seja.

A misoginia e o machismo não existem: o que existe é a Verdade!

Logo, se em vez da bolinha, temos a mulher, e eu metaforicamente ou não empurro a mulher, e esta se mexe, não quer dizer que da próxima vez ela vai se mexer, se eu fizer o mesmo. O que de fato não ocorre. E todos os cuidados e angústias do amor têm razão de ser. E toda a Filosofia houvera sido senão uma busca por certificação, bem como o amor. Daí que eu te digo: mulher é só uma metáfora ancestral para a constatação de que a estupidez da insistência humana com o que não tem jeito – ou seja, consigo mesma – não tem limites, o que, se por um lado é um truísmo, por outro é mais uma lição até hoje não apreendida.

Camarada Fundamentalista perscruta seu objeto e intui a Solução Final.

Alguma esperança? Depois que nietzschianamente abolirem o feminino das gramáticas, conversamos. Ui!

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Pedro Almodóvar: um guia, e tão somente um guia

Semana passada foi aniversário da minha mãe, e dei para ela de presente um filme recente do diretor espanhol Pedro Almodóvar, A Má Educação. Isso me fez lembrar do quanto que esse blog vilipendia e marginaliza os diretores espanhóis. Lembram-se de alguma referência feita ao diretor e seus filmes nessas páginas virtuais? Eu não lembro. Esses camaradas indies, muito mais preocupados em babar o ovo para os enganadores do cinema alternativo norte-americano (lamentável, meu) do que reconhecer todas as cores e paixões dos filmes do diretor apaixonado pelos dramalhões do diretor alemão Douglas Sirk (que já morreu faz tempo, mas viveu uma bela e proveitosa vida). Chegou a hora de fazer um apanhado da carreira do espanhol. Como eu me preocupo com o bem-estar daqueles que descambam nesse universo excêntrico, e como a filmografia dele é extensa, farei um negócio bem leve, mas com muita consideração. A partir do seu filme de 82, Labirinto de Paixões, até os dias presentes. Te prezo aê, morô?

Cotações Fomos ao Cinema:
Lixo - Meia Boca - Bom -Excelente - Fundamental (meu estoque de adjetivos esgotou).

Labirinto de Paixões - 1982
Cotação Fomos ao Cinema: Meia Boca
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: zero. É mais fácil arranjar uma audiência com o Papa do que achar esse filme.
Filme mais absurdo feito por Almodovar, de fazer corar até o mais desavergonhado dos seres (hedonistas, where art thou?). Um dos personagens é um terrorista islâmico gay. E ele é o mais centrado de todos no filme. De bater a cabeça de tão engraçado. Mas prepare o estômago, vai por mim.



Maus Hábitos - 1983
Cotação Fomos ao Cinema: Meia Boca
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: zero também. Nem numa Livraria Cultura da vida tem. Isso não foi um elogio subliminar, não mesmo.
Almodovar achou que colocar freiras lésbicas e drogadas num filme apenas por colocar seria engraçado. Esqueceu apenas de escrever algo decente para amarrar a trama. Fraquinho. Ele voltaria ao tema religião (estudou num colégio católico quando moleque) com mais categoria anos depois.



Matador - 1986
Cotação Fomos ao Cinema: Bom
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: procurando muito, mas muito bem, é até possível de se achar, jogado em alguma prateleira por aí.
Primeiro filme de Almodovar no qual Antonio Bandeiras aparece como protagonista. Tão insano e polêmico como os outros, mas já se notava uma preocupação maior com o alcance da narrativa, mais complexa e profunda que nos outros filmes. Tons noir são sentidos por todo o filme, algo que voltaria com força em obras posteriores.



A Lei do Desejo- 1987
Cotação Fomos ao Cinema: Bom
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: mais difícil de achar que o anterior. Só com sorte mesmo. Bater em um ou dois vendedores poderia ajudar também.
Um Fellini 8 1/2 à moda Almodovar. Sim, já dá pra imaginar o que vem. Ainda mais na fase oitentista do espanhol. Mas é um filme vigoroso, sem dúvida, e corajoso, já que o personagem principal, um diretor gay envolvido num quadrilátero amoroso poderia facilmente ser confundido com a própria personalidade de Almodovar. Como se ele ligasse pra isso.



Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos - 1988
Cotação Fomos ao Cinema: Excelente
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: fraquíssima para um filme tão importante. Vergonhoso.
Primeiro clássico de Almodovar, filme que o jogou no rol dos diretores mais respeitados do cinema. Não sem justiça. Almodovar provou dominar com maestria os complicados meandros da alma feminina (seus melhores filmes tratavam desse tema). Carmen Maura deveria ter ganho um Oscar, mas nem lembrada foi.



Ata-me - 1990
Cotação Fomos ao Cinema: Meia Boca
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: boa. Fácil de achar. Não nas Americanas da vida, mas ainda sim facinho.
Filme que iniciou a parceria de Almodovar com a atriz Victoria Abril, não possui o mesmo nível dos anteriores, mesmo com uma boa perfomance de Antonio Bandeiras ( ele atua mal em filmes americanos por não conseguir falar inglês direito, mas é sim um ator competente).



De Salto Alto - 1991
Cotação Fomos ao Cinema: Bom
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: nem com reza braba.
Filme mais subestimado de Almodovar. Toca com rara sensibilidade num tema que poderia facilmente descambar para a comicidade, mãe e filha disputando o mesmo homem. Perfomance impecável da Victoria Abril.




Kika - 1993
Cotação Fomos ao Cinema: Lixo
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: infelizmente altíssima. Já vi até em saldão na já citada Americanas por inacreditáveis 10 reais. Justíssimo, mas ainda sim inacreditável.
Da série "o que ele estava pensando?". Filme horroroso, pretendia ser um trashzão desavergonhado e com todas as cores e dramas que um filme do Almodovar teria direito. No papel seria infalivel, mas na verdade acabou sendo somente dolorosamente constrangedor mesmo. Disparado o pior filme já feito por Almodovar, e enterrou sua parceria com a Victoria Abril, nunca mais retomada.



A Flor do Meu Segredo - 1995
Cotação Fomos ao Cinema: Meia Boca

Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: baixa, mas quando você menos esperar, vai trombar com ele por aí.
Filme que passou desapercebido, funcionou mais como balão de ensaio para a nova fase que Almodovar iniciaria em seguida, mais séria e com pouco espaço para a comédia.



Carne Trêmula - 1997
Cotação Fomos ao Cinema: Excelente
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: fraca. Dá pra achar, mas vai te exigir muito mesmo.
Filme que lançou ao mundo um mito chamado Javier Bardem. Sua categoria combinada com o melhor roteiro escrito por Almodovar em anos (em parceria com Jorge Guerricaechevarria) e com uma direção densa e plasticamente bela proporcionaram um grande filme, que iniciou uma trilogia inspiradíssima do diretor espanhol.


Tudo Sobre Minha Mãe - 1999
Cotação Fomos ao Cinema: Excelente
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: alta, bem fácil de se achar.
Volta de Cecilia Roth (que foi fundamental na fase maluca de Almodovar nos anos 80) aos filmes do diretor, uma homenagem inteligente e classuda à força da alma feminina. Incrível ver o quanto Almodovar estava entregando roteiros impecáveis e fazendo o seu cinema amadurecer graciosamente, dominando suas narrativas com rara categoria. Tudo o que era propositalmente exagerado nos seus filmes iniciais aqui virava pura maestria.



Fale Com Ela - 2002
Cotação Fomos ao Cinema: Fundamental
Acessibilidade aos Consumidores Tupiniquins: ao lado de Kika, o mais fácil de se achar dos filmes dele no Brasil. Não seria uma grande ironia que os dois filmes com maior disponibilidade dele aqui sejam justamente a sua melhor e a sua pior obra? Penso nisso muito, muito mesmo.
Obra-prima de Almodovar, filme que garantiu o lugar dele no céu dos grandes diretores do cinema e de quebra lhe deu seu primeiro e até agora único Oscar, de melhor roteiro original(merecidíssimo, pena que recebeu a estatueta do boneco de Olinda, Ben Affleck). Também obteve sua única indicação ao Oscar de melhor diretor, perdendo para o Roman Polanski pelo O Pianista. Quem diria que o mesmo diretor do Labirinto de Paixões seria capaz de fazer um filme como esse. Belo de doer, e com uma complexidade digna dos Kubricks e Bergmans da vida.


A Má Educação - 2004
Cotação Fomos ao Cinema: Bom
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: baixa, suei pra achar o DVD da minha mãe.
Depois de atingir um nível tão alto, e de dominar completamente o seu estilo narrativo, era natural esperar que Almodovar fosse filmar obras de cunho mais pessoal e menos universalistas. Esse filme é claramente caro para ele, já que trata (ficcionalmente, logicamente) de sua infância num colégio católico e de seus traumas e medos que influenciariam sua vida como cineasta de maneira decisiva. Não tem o nível dos três anteriores, mas ainda sim notamos a classe de Almodovar.


Volver - 2006
Cotação Fomos ao Cinema: Bom
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: alta, fácil de se achar.
Grande desempenho de Penelope Cruz (indicada ao Oscar pelo filme), um exercício surreal que poderia se passar como homenagem a Luis Bunuel, mas que tem seu brilho próprio. A visão de Almodovar das mulheres sempre me deixa fascinado. Incrível como ele brinca com as cores, sempre refletindo o estado existencial de seus personagens. O negócio agora é ver para onde ele encaminhará sua carreira (seu próximo filme está previsto apenas para o ano que vem).

segunda-feira, 31 de março de 2008

TETÉIA DA SEMANA

Laura Linney

Atriz norte-americana. Apareceu bem dando um pouco de luz ao péssimo filme Congo, em 1995. Depois disso, conseguiu construir uma bela carreira, emprestando sempre seu imenso talento a filmes como O Show de Truman, Conte Comigo, Sobre Meninos e Lobos, Simplesmente Amor (quando contracenou com o cosa-nostra Rodrigo Santoro), Kinsey e A Lula e a Baleia. Foi indicada pela terceira vez ao Oscar nesse ano com o filme A Família Savage (filme visto no Brasil por mim, o Fundamentalista e mais umas sete pessoas, infelizmente). Na fraca adaptação cinematográfica do livro Os Diários de Nanny, lançado ano passado, humilhou a Scarlett Johansson em todas as cenas que contracenevam juntas, fazendo a queridinha dos nerds ficar menor ainda perto do seu talento e conseguindo os únicos elogios reservados para o filme. Está na hora da Academia reconhecer que Linney está um patamar acima de suas colegas e finalmente fazer justiça a essa nova-iorquina, filha de um dramaturgo teatral e que sempre sonhou em atuar nas peças do pai. Logicamente o destino reservou surpresas mais fascinantes para a senhorita Linney.

domingo, 30 de março de 2008

O Belo é o Burro

Ouvindo o Tim Maia da fase racional, fiz a experiência de que o belo não é só burro, mas muito burro.

Quanta bobagem, mas que bonito! O que me lançou à melancólica consciência da nossa condição, clichê filosófico de praxe, porque se deduz daí que, para o homem, a beleza é necessariamente franqueada pelo sacrifício de toda e qualquer inteligência. Tá, sei, muito gentinha isso de ficar se lamentando pela inteligência, esse consolo a que se apela, porque sempre estamos nos sentindo feios (falo por você, como não), como quem é pobre, porém limpinho.

Se disser que está vendo o Universo em Desencanto, te dou uma na orelia.

Mais casos de que inteligência é prescindível e atrapalha, pra expandir o ponto de partida black:

A mulher bonita, em todas as suas variações da beleza exuberante, desde a voluptuosa nojentinha até a bonequinha sem sal.

Bach, outro péssimo letrista. Toda vez que queria versificar a partir de seu pietismo, a congregação se constrangia, contrita. Alguém talvez gostasse de emendar que, nessa mesma linha, tem a ópera em geral, but, well, a própria música é uma coisa burra, se a idéia da gente de inteligência é do tempo da palmatória, a minha é, segundo a qual inteligente e discursivo são indivisíveis, a-ham. Porque expressões como 'fraseado inteligente" ou "melodia inteligente", pra mim, que sou leigo, convenientemente não fazem sentido algum. Assim eu penso por bem da dominação dos que escrevem bem sobre os que não, que, tá, ainda está por vir. Grosseiramente, trata-se de Platão. É nóis.

Todos os filmes chineses com gente voando (aqui eu ia inserir parenteticamente que se trata de uma redundância, mas que piadinha vencida seria, né?). Porque, antes da gente dormir, é um espetáculo visual, etc.

Que mais, que mais?

Ah, e Jackson Pollock, se eu entendesse um poucochinho que seja de pintura.

Agora sim, o Universo em Desencanto.

Mas a Beleza é mesmo superior à Inteligência, ó simbolista, algo a que tenho de dar o braço a torcer, quando me pego cantando, todo alegrinho, da necessidade de se ler o livro e mandando os outros se imunizarem. “Apenas um, apenas um contato irá fazer nossa união legal.” Então, imuniza aí, ô.