quinta-feira, 17 de abril de 2008
1 ano e 1 dia e alguns tiros
Mantendo o tema, ressalto uma retrospectiva, daquela data tão importante pra comunidade blogueira, oras, nós, camaradas nascemos nesse dia. Por isso seria interessante um retrospecto, ou seja, continuar a labuta dos meus colegas para esta tão importante data.
Massacre na Virginia Tech: um coreano matou seus coleguinhas da faculdade e depois se suicidou. 33 mortos e 21 feridos.
Helicoptéro da PM cai e mata seis: acidente que provocou a morte de seis pessoas no Espírito Santo
Essas foram as primeiras notícias que consegui busca através do grão mestre Google daquele dia. Seria melhor ter a notícia "Camaradas criam blog Fomos ao cinema", espero que aconteça isso conforme os anos.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
16/04/2007 - 16/04/2008
Há 81 anos nascia, na Baviera, Joseph Alois Ratzinger, e, não fosse isso suficientemente auspicioso, também há 119, em Londres, Charles Spencer Chaplin Jr., apontando certamente a heterogeneidade congênita deste blog, que se quis tantas coisas, inclusive antro de venenosas, quando seus camaradas eram, muito pelo contrário, miguxas fofuxinhas.
E um balanço seria inevitável, quisesse eu acrescentar aos anteriores mais um gesto burocrático-gregário, que, amontoados, nos levaram até aqui. Somos, de qualquer forma, responsáveis pelos maiores desmazelos da inteligência desde que Xenofonte quis ele mesmo dar sua versão da história à vida de seu mestre Sócrates.
O blogueiro quando jovem. Talvez se eu o mascarasse, dando-lhe características de normas do estilo, fosse possível validar a idéia de um balanço. Como se, usando de seu direito de discurso, sugerido pelos convidados unicamente para que dele muito cortesmente o aniversariante declinasse, este, ao contrário, começasse uma longa retrospectiva de sua vida, cheia de autocongratulações e trechos correspondentes aos maus bocados que passei. Com todo o mundo só querendo dançar, dançar, dançar.
O mundo só é tão ruim e as pessoas tão bregas, porque a maior parte do tempo – tipo, nos momentos realmente decisivos e tal – ninguém pensa pra fazer as coisas, apesar de alegarem exatamente o contrário por aí, a turma do “não se reprima”, que são justamente aqueles que mais se reprimem, e num sentido ruim. E por isso o cinema nacional, e hoje em dia maldizer o cinema nacional, não porque o cinema nacional já não dê mais motivo para isso, mas porque ficou démodé.
Ser do bem é um problema pra quem escreve, porque pra escrever bem tem que ser mau. E debochar. Debochar de velhinho cego de cadeira de rodas. Mas a gente é do bem. Eu sei, eu sei, quem, escrevendo, parece do mal, só parece, porque escrever é escrever, e ser é ser. Hmm. Só que às vezes, e o às vezes é o mais importante, porque o mais sincero, às vezes eu acho, eu sei que esse pessoal que não gosta de cinema nacional é malvadão mesmo. Mas não o tipo de malvadão que suja as mãos, mas que no máximo coloca o pé pra idoso tropeçar e, ai, que engraçado.
Ser mau.
Ser mau, debochar, não facilitar pro leitor, jamais escrever sob o efeito da novidade, tipo “nossa, que legal isso que eu acabei de descobrir”, sob pena de soar bocó. Mas soa bocó quem é bocó. Quem acha que ser malicioso é necessariamente fazer piada de sacanagem, apesar de que na maioria das vezes é isso mesmo.
Mas “ser mau, debochar, etc” equivale a escrever bem. E bate direitinho com o que eu li esses dias, que tem que ser gay pra escrever bem, mesmo que você não seja. E ser mau nem é ser mau; é mais, segundo a assepsia da moça que é “legal, não estou te dando mole”, ser politicamente incorreto, tirar a máscara e exorcizar o que vai por debaixo da peruca e do pó de arroz.
O leitor, uma alma sensível, é obviamente quem mais sofre, e diz “Ó céus, ignomínia, ignomínia!”, e caí desfalecido sobre o canapé. As menininhas do “ai, credo” também. Por sorte, não é este o caso. Porque a gente é do bem. Tanto que, quando eu penso no blogueiro malvadão que me faz rir, me vem a cara do Marco Maciel na cabeça, enquanto a gente é mais o Kassab abraçando o povo na inauguração do Expresso Tiradentes ou mandando algum descontente pro inferno. Muito coração, coração demais.
Pra ser mau: ser de direita, gay, rico, virginiano, morar em Porto Alegre e não, definitivamente não querer um mundo melhor. Ah, e trabalhar na Globo.
És o nosso estandarte; és tu, Fomos ao Cinema, eterno baluarte!
O olhar aguçado dos Camaradas, sempre observadores natos do cotidiano
Moderado entra online
E ai, vamos criar o blog?
Fundamentalista:
Vamos!
Moderado:
Qual vai ser o nome?
Fundamentalista:
Fomos ao.... Fomos ao...
Moderado:
Cinema?
Fundamentalista:
Pô, abalou Bangu! É isso ai, Fomos ao Cinema!
Moderado:
Abalou Bangu? Bom, mudando de assunto: e quanto aos nossos nicknames no blog? Iremos usar nossos nomes verdadeiros, ou alcunhas, como Teddy Boy Marino?
Fundamentalista:
Não, seremos os Camaradas, e eu serei o Fundamentalista.
Moderado
E eu o Moderado.
Fundamentalista
E o nosso amigo maleta lá, hein?
Moderado:
Ele vai ser o Progressista.
Fundamentalista
Legal! Tá decidido então.
Moderado
Valeu! E você reparou, que nós estávamos com os nicks que viriam a ser os nomes que escolhemos pro blog? Que coincidência, né?
Fundamentalista
Não reparei.
Moderado
Er...
Fundamentalista
(Desenho de um smiley tomando banho)
Moderado fica offline
E assim foi. Revelador, assim como quando Da Vinci desenhava sua Santa Ceia. Lindo mesmo. E para finalizar, deixem eu finalmente revelar o nome dos três Camaradas. Eu, Progressista, sou o
é o Fundamentalista. Finalmente, revelei o segredo do blog! Feliz Aniversário, Fomos ao Cinema!
segunda-feira, 14 de abril de 2008
TETÉIA DA SEMANA: EPÍLOGO
Marilyn Monroe

É uma das cinco personalidades mais importantes do Século XX, sem dúvida alguma, mas era toda sex appeal. Um sex appeal devastador e inigualável, mas tão e somente o sex appeal. Toda a sua substância era puramente física, todo o resto sendo apenas um oco constrangedor. Em nenhum momento vocês leram eu escrever a palavra “vulgar” aqui. Putz, agora deu pra ver. E ela deve muito para o Billy Wilder, que teve a idéia da mítica cena na calçada do metrô de Nova York no O Pecado Mora do Lado. E ao Hugh Heffner, logicamente. E ao Andy Warhol também? Ai não, ela não deve nada pro tcheco maluco. É outro ideal, importantíssimo, mas bem diferente.

Tinha toda a classe do mundo, dentro e fora das telas, e protagonizou a história de amor mais importante do cinema, mas não tem o “star power” da nossa escolhida. O Yul Brynner disse uma vez que ela era “forte que nem um cavalo”. Que careca desbocado!
O Mika e o mundo inteiro concordam que ela é uma unanimidade. Ouso dizer que de todas nessa lista, ela seria a que mais próximo poderia ter chegado da nossa escolhida. Mas traiu o mundo pop ao ir morar com o príncipe mala em Mônaco. Deu um belo talk to the hand para todos os seus fãs. Isso não se faz!
Greta Garbo
Um mito, mas por demais auto-centrada para poder merecer o posto da nossa Tetéia. Humildade (logicamente sem exageros) também é sinal de classe. E também era muito mistério pro gosto do pobre. O que tinha de ficar se escondendo pelos cantos, hein? Feio, bem feio.
Vivas, mas nem tanto (ups!)
Sophia Loren
Um nome fortíssimo, mas que, pelo menos a mim, sempre soará como sendo a Monica Bellucci da sua era. Obviamente mais talentosa, mas que ocupava um papel (imerecidamente) limitado dentro do contexto de sua época.
Brigitte BardotMaleta sem alça. Ver ela dando vexames e sendo presa em nome de causas ambientais não é exatamente o que eu chamo de “discrição”. E foi casada com o sujeito mais vulgar do mundo, Roger Vadim. Ela, a Jane Fonda e aCatherine Deneuve seriam eliminadas automaticamente somente por terem dado danda trela pra esse sujeito (patético vê-lãs de mãos dadas no enterro do cidadão, anos atrás).
Alive and Kicking (vivaças)
Sharon Stone“A minha carreira por uma cruzada de pernas”. Como muitos tonhos pensariam nela sem hesitar como maior tetéia de todas, tive de incluí-la aqui. Sadismo puro (opa, isso é com ela mesmo, vide o inclassificável Instinto Selvagem 2).

Britney Spears
É a celebridade viva mais famosa do mundo. Não sou eu que digo isso, é o Google, que sempre a declara como campeã absoluta de buscas no site. Se houvesse uma ‘Tetéia da Semana especial- starletes de manicômio”, quem sabe. Ela e a Frances Farmer, juntinhas. Seria lindo.

Os blogs amam ela. Tem um baita apelo, está por todas as partes, mas não convenceu realmente como atriz. Na única vez que encaixou com perfeição num papel, no belo filme Encontros e Desencontros, interpretou uma garota mais vulnerável e menos irritadiça, e nunca mais repetiu uma escolha parecida, sempre optando por interpretar as femme fatales que claramente não passam nem perto da sua real personalidade. Você não é devoradora de homens não, Scarlett!
Pra mim, sem dúvida a maior Tetéia viva, nunca foi para a sessão apenas por ser uma escolha dolorosamente óbvia. Foi seriamente considerada quando pensamos em fazer a última com uma celebridade ainda viva (o que sempre foi feito na sessão,), mas foi descartada quando decidimos quebrar a regra para fazer uma justiça poética. Mas fica aqui a nossa lembrança, uma pequena homenagem para ela, um prêmio de consolação por ter chegado tão perto. É como dizia a músiquinha: I can’t take my eeeeeyyyyyyeeeeeeessssss of. you!
Audrey Hepburn
Sim, vejam só o paradoxo, enquanto um falastrão como o John Wayne ficou bem longe do conflito, recusando-se covardemente a se alistar, Audrey, que talvez seja o maior símbolo da famosa suavidade feminina, não hesitou em ajudar as pessoas num momento horrendamente crítico, mesmo lhe custando ter de presenciar todo tipo de atrocidades. Não quis fazer o filme O Diário de Anne Frank por culpa de todas as memórias horrendas que o filme poderia trazer de volta (ela seria a escolha natural, já que viveu de perto a guerra na Holanda). Casou-se duas vezes, com os dois casamentos durando curiosamente o mesmo tempo (14 anos cada um), e sempre mostrando em entrevistas um profundo pesar pelo fim dos dois, culpando-se de maneira compulsiva por não ter conseguido levá-los até o fim. Os 23 filmes que ela fez, um número baixíssimo, devem-se às tentativas dela de passar tempo com sua família, principalmente no segundo, quando chegou a ficar quase uma década sem atuar Era a primeira escolha para o papel da mãe no Exorcista, mas somente faria o filme se ele fosse filmado em Roma, aonde morava com os filhos, e o papel acabou indo para a Ellen Bursthyn. Não quis se casar mais depois do fim do segundo, em respeito aos seus filhos e ao seu ex-marido também, atitude de rara, olhem só, veja, vocês, rara classe.
Tornou-se embaixadora da Unicef para países da África e América Latina nos anos 80, e ao contrário das Angelinas Jolies da vida, que levam legiões de repórteres e adotam filhos a torto e a direito por pura propaganda, sempre adotou um ativismo bem mais discreto e eficiente também, efetivamente viajando para nações carentes e alertando o mundo sobre os problemas existentes. Uma história exemplifica bem o que ela representava. Seu último filme foi o Além da Eternidade, um filme que Spielberg fez no final dos anos 80 com o Richard Dreyfuss. Ela interpretou um anjo, que recebia o personagem de Dreyfuss no céu, naquela que é disparada a melhor cena daquele filme (que era bem fraquinho, um dos raros filmes insípidos de Spielberg). Quando Spielberg foi escalar o elenco, na hora de decidir quem interpretaria o anjo ele olhou para a produção e os atores, e no mesmo segundo disse: “eu só consigo pensar em uma pessoa: Audrey Hepburn”. Então, ele conseguiu convecê-la a sair de um retiro que já durava oito anos dos filmes para fazer esse último papel. Quatro anos depois, Audrey morreria de câncer. A classe ficou, mais forte do que nunca. E podemos dizer que, finalmente, a Tetéia da Semana está em casa. Que final singelo.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Em defesa de Arthur Schopenhauer, ou: The Junkie Philosofy's Diaries
Eu era assim.
E fiquei assim. O mundo como vontade e terríveis, assombrosos, horrendos penteadossegunda-feira, 7 de abril de 2008
TETÉIA DA SEMANA
Anna FrielCharlton Heston: um breve adeus
Deixa eu provar pra vocês que sei ler em hebraico. Está escrito ali na primeira tábua: "não serás presidente de organizações lobistas republicanas de portadores de armas e fabricantes das mesmas". Sorry, Mr. Heston, não resisti. Homens e Mulheres....
Fundamentalista no seu recente texto retoma idéias e meta-colagens de conceitos dos iluministas(se me lembro Hume era iluminista). O que ele vai fazer em seguida? Criar um dez mais de cinema baseado na "Investigação sobre os Princípios da Moral"? Um texto oriundo do século das luzes seria adequado para fundamentar a obsessão de entendimento sobre o universo feminino do camarada?
Ora, não gosto muito de Hume, o que li, pouco, não gostei. A corrente iluminista já nasceu com idéias erradas, fica um medo; o que vai ser em seguida? Durkeim, camarada agora vai justificar a incompreensão perante ao feminino pelo suicídio e, logicamente, pelo positivismo?
Sou o moderado, acredito em inteligência coletiva. Sou da cibercultura, acho estes textos velhos e gosto de desenho animado.
sábado, 5 de abril de 2008
Camarada Fundamentalista e a Solução Final
À parte o reducionismo, segundo o qual alguém escreveria solamente sobre o que o afligisse, ignorando os cálculos e a frivolidade indispensáveis ao, hmm, escritor, confesso que, se existe algo que me interessa, além da eternidade, é a mulher, este erro cognitivo da humanidade. Pois não sei se com a mesma consciência que eu ou, inclusive, com o mesmo sentido verdadeiro que aponto, Lacan outrora disse que não existe esse negócio de mulher. Logo, ui!
Mas ameaçando o tom esquizóide de um Nietzsche, houve, por incrível que pareça, alguém que pôde me ensinar algo sobre as mulheres.
Colocando em dúvida o princípio da causalidade, David Hume “compreendeu” as mulheres. Na verdade, transferiu a suposta dificuldade do problematizado para a problemática mesma. As mulheres não são irracionais, porque o (ir)racional não existe. Alguns o acusariam de jogar fora o bebê junto com a água do banho; nós, no entanto, o saldamos. Grande Hume; te resignastes a tua Xantipa, afinal!
Nem Capitu era Capitu, porque Capitu não existe!
Falando a não-iniciados, a coisa funciona da seguinte maneira. Quando empurro uma bolinha, daquelas das aulas de Física do Ensino Médio que figuravam o Incondicionado, e ela se mexe, muito homo-sapiens-sapiensmente digo de mim para mim que a causa do movimento da bolinha sou eu, empurrando-a, e aqui ganho um biscoitinho, um mestrado e uma bolsa pra estudar na Alemanha. Ora – e por isso eu e Hume somos maiores que você –, pois quem garante que o simples fato de um evento se suceder a outro cronologicamente implica que estejam os dois, em alguma medida, necessariamente relacionados por este fantasma da razão chamado causalidade?
Derrubando a causalidade, cai junto toda pretensão de previsibilidade. Toda vez que tocamos a bolinha, ela se mexe, mas isso até hoje. Pois, sendo impossível até então provar qualquer nexo de necessidade entre uma coisa e outra, novamente nada nos garante que, da próxima vez, a bolinha sairá do lugar. O único tempo do conhecimento é o agora, e no amor devemos ser estritamente empiristas, por mais grosseiro que isso seja.
A misoginia e o machismo não existem: o que existe é a Verdade! Logo, se em vez da bolinha, temos a mulher, e eu metaforicamente ou não empurro a mulher, e esta se mexe, não quer dizer que da próxima vez ela vai se mexer, se eu fizer o mesmo. O que de fato não ocorre. E todos os cuidados e angústias do amor têm razão de ser. E toda a Filosofia houvera sido senão uma busca por certificação, bem como o amor. Daí que eu te digo: mulher é só uma metáfora ancestral para a constatação de que a estupidez da insistência humana com o que não tem jeito – ou seja, consigo mesma – não tem limites, o que, se por um lado é um truísmo, por outro é mais uma lição até hoje não apreendida.
Camarada Fundamentalista perscruta seu objeto e intui a Solução Final.
Alguma esperança? Depois que nietzschianamente abolirem o feminino das gramáticas, conversamos. Ui!
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Pedro Almodóvar: um guia, e tão somente um guia
Cotações Fomos ao Cinema:
Lixo - Meia Boca - Bom -Excelente - Fundamental (meu estoque de adjetivos esgotou).
Labirinto de Paixões - 1982Cotação Fomos ao Cinema: Meia Boca
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: zero. É mais fácil arranjar uma audiência com o Papa do que achar esse filme.
Filme mais absurdo feito por Almodovar, de fazer corar até o mais desavergonhado dos seres (hedonistas, where art thou?). Um dos personagens é um terrorista islâmico gay. E ele é o mais centrado de todos no filme. De bater a cabeça de tão engraçado. Mas prepare o estômago, vai por mim.
Maus Hábitos - 1983Cotação Fomos ao Cinema: Meia Boca
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: zero também. Nem numa Livraria Cultura da vida tem. Isso não foi um elogio subliminar, não mesmo.
Almodovar achou que colocar freiras lésbicas e drogadas num filme apenas por colocar seria engraçado. Esqueceu apenas de escrever algo decente para amarrar a trama. Fraquinho. Ele voltaria ao tema religião (estudou num colégio católico quando moleque) com mais categoria anos depois.
Matador - 1986Cotação Fomos ao Cinema: Bom
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: procurando muito, mas muito bem, é até possível de se achar, jogado em alguma prateleira por aí.
Primeiro filme de Almodovar no qual Antonio Bandeiras aparece como protagonista. Tão insano e polêmico como os outros, mas já se notava uma preocupação maior com o alcance da narrativa, mais complexa e profunda que nos outros filmes. Tons noir são sentidos por todo o filme, algo que voltaria com força em obras posteriores.
A Lei do Desejo- 1987Cotação Fomos ao Cinema: Bom
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: mais difícil de achar que o anterior. Só com sorte mesmo. Bater em um ou dois vendedores poderia ajudar também.
Um Fellini 8 1/2 à moda Almodovar. Sim, já dá pra imaginar o que vem. Ainda mais na fase oitentista do espanhol. Mas é um filme vigoroso, sem dúvida, e corajoso, já que o personagem principal, um diretor gay envolvido num quadrilátero amoroso poderia facilmente ser confundido com a própria personalidade de Almodovar. Como se ele ligasse pra isso.
Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos - 1988Cotação Fomos ao Cinema: Excelente
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: fraquíssima para um filme tão importante. Vergonhoso.
Primeiro clássico de Almodovar, filme que o jogou no rol dos diretores mais respeitados do cinema. Não sem justiça. Almodovar provou dominar com maestria os complicados meandros da alma feminina (seus melhores filmes tratavam desse tema). Carmen Maura deveria ter ganho um Oscar, mas nem lembrada foi.
Ata-me - 1990Cotação Fomos ao Cinema: Meia Boca
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: boa. Fácil de achar. Não nas Americanas da vida, mas ainda sim facinho.
Filme que iniciou a parceria de Almodovar com a atriz Victoria Abril, não possui o mesmo nível dos anteriores, mesmo com uma boa perfomance de Antonio Bandeiras ( ele atua mal em filmes americanos por não conseguir falar inglês direito, mas é sim um ator competente).
De Salto Alto - 1991Cotação Fomos ao Cinema: Bom
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: nem com reza braba.
Filme mais subestimado de Almodovar. Toca com rara sensibilidade num tema que poderia facilmente descambar para a comicidade, mãe e filha disputando o mesmo homem. Perfomance impecável da Victoria Abril.
Kika - 1993Cotação Fomos ao Cinema: Lixo
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: infelizmente altíssima. Já vi até em saldão na já citada Americanas por inacreditáveis 10 reais. Justíssimo, mas ainda sim inacreditável.
Da série "o que ele estava pensando?". Filme horroroso, pretendia ser um trashzão desavergonhado e com todas as cores e dramas que um filme do Almodovar teria direito. No papel seria infalivel, mas na verdade acabou sendo somente dolorosamente constrangedor mesmo. Disparado o pior filme já feito por Almodovar, e enterrou sua parceria com a Victoria Abril, nunca mais retomada.
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: baixa, mas quando você menos esperar, vai trombar com ele por aí.
Filme que passou desapercebido, funcionou mais como balão de ensaio para a nova fase que Almodovar iniciaria em seguida, mais séria e com pouco espaço para a comédia.
Carne Trêmula - 1997
Cotação Fomos ao Cinema: Excelente
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: fraca. Dá pra achar, mas vai te exigir muito mesmo.
Filme que lançou ao mundo um mito chamado Javier Bardem. Sua categoria combinada com o melhor roteiro escrito por Almodovar em anos (em parceria com Jorge Guerricaechevarria) e com uma direção densa e plasticamente bela proporcionaram um grande filme, que iniciou uma trilogia inspiradíssima do diretor espanhol.
Tudo Sobre Minha Mãe - 1999
Cotação Fomos ao Cinema: Excelente
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: alta, bem fácil de se achar.
Volta de Cecilia Roth (que foi fundamental na fase maluca de Almodovar nos anos 80) aos filmes do diretor, uma homenagem inteligente e classuda à força da alma feminina. Incrível ver o quanto Almodovar estava entregando roteiros impecáveis e fazendo o seu cinema amadurecer graciosamente, dominando suas narrativas com rara categoria. Tudo o que era propositalmente exagerado nos seus filmes iniciais aqui virava pura maestria.
Fale Com Ela - 2002
Cotação Fomos ao Cinema: Fundamental
Acessibilidade aos Consumidores Tupiniquins: ao lado de Kika, o mais fácil de se achar dos filmes dele no Brasil. Não seria uma grande ironia que os dois filmes com maior disponibilidade dele aqui sejam justamente a sua melhor e a sua pior obra? Penso nisso muito, muito mesmo.
Obra-prima de Almodovar, filme que garantiu o lugar dele no céu dos grandes diretores do cinema e de quebra lhe deu seu primeiro e até agora único Oscar, de melhor roteiro original(merecidíssimo, pena que recebeu a estatueta do boneco de Olinda, Ben Affleck). Também obteve sua única indicação ao Oscar de melhor diretor, perdendo para o Roman Polanski pelo O Pianista. Quem diria que o mesmo diretor do Labirinto de Paixões seria capaz de fazer um filme como esse. Belo de doer, e com uma complexidade digna dos Kubricks e Bergmans da vida.
A Má Educação - 2004
Cotação Fomos ao Cinema: Bom
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: baixa, suei pra achar o DVD da minha mãe.
Depois de atingir um nível tão alto, e de dominar completamente o seu estilo narrativo, era natural esperar que Almodovar fosse filmar obras de cunho mais pessoal e menos universalistas. Esse filme é claramente caro para ele, já que trata (ficcionalmente, logicamente) de sua infância num colégio católico e de seus traumas e medos que influenciariam sua vida como cineasta de maneira decisiva. Não tem o nível dos três anteriores, mas ainda sim notamos a classe de Almodovar.
Volver - 2006
Cotação Fomos ao Cinema: Bom
Acessibilidade para os consumidores tupiniquins: alta, fácil de se achar.
Grande desempenho de Penelope Cruz (indicada ao Oscar pelo filme), um exercício surreal que poderia se passar como homenagem a Luis Bunuel, mas que tem seu brilho próprio. A visão de Almodovar das mulheres sempre me deixa fascinado. Incrível como ele brinca com as cores, sempre refletindo o estado existencial de seus personagens. O negócio agora é ver para onde ele encaminhará sua carreira (seu próximo filme está previsto apenas para o ano que vem).





