

Brr... chega a dar arrepios
O que era Rosebud? Nós sabemos. Nós sabemos bem o que era.

Brr... chega a dar arrepios
O que era Rosebud? Nós sabemos. Nós sabemos bem o que era.O Pianista
Estava passando O Pianista na televisão, ééééé. E eu fiquei olhando de vez em quando. Porque O Pianista a gente no máximo olha. Não dá pra assistir ou ver um filme desses. Você vai ao banheiro, come uma bolacha, olha todo aquele sofrimento e miséria a que o povo judeu foi submetido pelo regime nazista, brinca com o gato, tira cera do ouvido. Essas coisas.
Não é porque é “muito forte”. Não, que bobagem. Schindler era bem mais dramático e eficiente nesse sentido. Foi quando o virtuosismo vislumbrado do Spielberg melhor funcionou, diga-se de passagem.
Seth Cohen (Adam Brody em atuação que lhe rendeu uma estatueta) de braços dados com os Aliados naquela praia famosa.
Mas qual era a idéia do Polanski ao filmar O Pianista? Era o pianista? O piano não pode ser porque aparece muito pouco. Ah, era mostrar como os judeus sofreram muito. Então. O Polanski não deve ter TV a cabo em casa e por isso nunca viu na vida um documentário sobre Auschwitz. Mas a gente já, a gente já.
Confundo sempre o Adam Brody com o Adam Brody. Um fez The O.C.
É o filme mais gratuito que eu já vi. Ruim, ruim. Mas sou eu que não tenho sensibilidade, que não gosto de judeus. Posso até acabar na cadeia porque o Polanski e o moleque do The O.C. resolveram se juntar pra fazer um filme só pra me ferrar. A vida é muito injusta, muito mais do que qualquer totalitarismo.
A Questão
No sofá da minha casa, que é a resistência reaça da sociedade brasileira (tão entregue à licenciosidade) muito mais do que o Olavo de Azevedo e o Reinaldo Carvalho, minha mãe e eu vendo flashes da Parada Gay. Se bem que falar de Parada Gay, com a Parada Gay aí, é tão uó... hmm, quanto usar reticências.
Mas aí apareceu um go-go boy falando que era o Homem-Melancia porque tinha uma bunda enorme, que ele começou a sacudir num shortinho vermelho, só que a única coisa que eu e a minha mãe vimos foi o cofrinho dele aparecendo. Minha mãe horrorizada, mas eu garanti pra ela que o cofrinho do rapaz não tinha nada a ver com Parada Gay, que aquilo era Brasil. Aquilo era subdesenvolvimento. Culpa do Lula.
Ai, mas de repente fiquei tão político, e isso é tão over. Daqui a pouco estou falando do fim do preconceito, da Parada Gay como movimento social e evento político. Fazer esteira também é bem social e político. Pessoas se reunindo em torno da esteira pra discutir seu uso comum pela sociedade, a necessidade de cotas para seu acesso.
Ombudsmancia
Agora, há de vir algum jagunço aqui e chiar porque eu sou preconceituoso. Se morre, meu, se morre! Lê as palavra antes de abrir a boca.

Mas pelo menos ninguém reclamou ainda da gente falar de cinema não sendo obviamente connaisseurs. Graças aos conselhos de Lady Macbeth, deixei de falar de cinema, para falar a partir de cinema.
Manezão francês, cujo filme ganhou a Palma De Ouro. Esqueci o nome dele, devo ter escrito aí em cima, olhem lá
E ai, Clint, pegou ou não pegou? Pegou que eu sei, seu velhinho pervo!
Eu era neném, não tinha talco; mamãe passou açúcar em mim!Cinebiografia musical é coisa de idiota. Amadeus é só meio burrinho e se salva porque fala de um negócio que cinema e cineastas não entendem, arte. Se bem que não dá pra ser mais burro que a música, a coisa mais próxima da pura forma. Pura forma é tipo a Isabeli Fontana ou também nome de academia em bairro de classe média. Ao passo que a escrita, essa coisa eminentemente cerebral, é a mais gentinha das artes.
Dito isto, fomos ao cinema ver Control, sobre Ian Curtis, vocalista suicidado do Joy Division.
Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei.
Fez sucesso em Cannes ano passado. Até pior, ganhou prêmio em Cannes, o que nunca é bom, porque o júri de Cannes, como de qualquer outro festival de cinema, é formado por atores, e atores não prestam.
Sean Penn adverte que só vai premiar um filme político, antes mesmo do festival começar. É um filisteu. Deve por acaso queimar edições da Divina Comédia porque a obra defende uma visão de mundo medievalista. Cretinice.
Pior que ator, só músico. No primeiro, o ego é maior que a sensibilidade, isto é, a frescura. No segundo, é o contrário. Ninguém me compreende, buáááááááááááá, e sai daqui, seu pobre.
Os únicos músicos que têm direito de ser uns cretinos são os cantores líricos. E só as mulheres. Aliás, só algumas, as mais bonitinhas. Tipo, a Tebaldi e a Callas, pra ficar nas canônicas. E não me fala do nariz da Callas, se não eu te meto a mão na Callas, ha, ha, ha.
Cozinho, lavo, passo, costuro e canto “Casta diva”, da Norma de Bellini.
O filme é p&b, recurso muito comum pra fazer coisas ruins parecerem artisticamente ruins. É ingênuo, mas funciona com o público de filmes do tipo, gente que gosta de “cinema alternativo”.
O jovem Alex era um degenerado, apesar da boa educação que recebera. Fazia coisas terríveis, principalmente contra as minorias. E desde muito cedo. Aos oito anos, descobrira as minorias, para nunca mais deixá-las em paz.
Não descansou, até que tivesse aborrecido a todas elas – negros, bichas, chinas, retardados, gordos, fãs de Charlie Brown Jr., judeus, mulheres, ô, inclusive as mulheres. Para o mal, os homens costumam ser incansáveis.
Saíam pelas noites, ele e sua gangue, formada por jovens igualmente privilegiados e podres, para encontrar suas vítimas. Geralmente, mendigos, só porque eram sujos e bêbados. Mas logo a aparente impunidade que os poupava teria fim. Pois havia muitas investigações nesse sentido, para acabar com o abuso contra as minorias, como as cometidas contra os mendigos.
Quando, certa noite, encontraram outro mendigo fedido, jogado na sarjeta, sob a marquise de um prédio do governo, que horror, puseram-se a abusar dele como se abusava das minorias em geral. Cercaram o pobre diabo e começaram a lhe contar piadas politicamente incorretas sobre negros, bichas, chinas, retardados, gordos, fãs de Charlie Brown Jr., judeus e mulheres burras, enfatizando que mulher burra é redundância, ha, ha.
Mas dessa vez, não sabiam eles, sua vítima era um policial disfarçado, todo sujo e bêbado, para aparentar ser mesmo um mendigo. E estava bem real. Ora, prenderam Alex e seus comparsas. Como eram menores, e era esse seu primeiro delito, os pais compareceram em juízo e responderam por eles. A sentença foi que o rapaz fosse enviado a uma instituição competente de recuperação de jovens degenerados.
O jovem Alex seria submetido a inúmeras sessões de um filminho em que um homem escorregava numa casca de banana e caía muito seguramente num sofá deixado no meio da rua pelo pessoal de uma empresa de mudança, e estava escrito no caminhão que era uma empresa de mudança, era a Granero, pois era importante que todos soubessem que era uma piada. Aprenderia assim o que era humor saudável – o simpático –, o verdadeiro humor, que não ofendia ninguém e que, de quebra, ainda fazia amigos por onde quer que fosse. E que o humor físico – desde que as carnes não ficassem à mostra, com exceção dos comerciais de cerveja e programas humorísticos para a família brasileira – era também grandemente aceito e recomendado para animar festinhas, de casamentos a batizados.
"Aprenderia assim o que era humor saudável – o simpático..." Mas, dentre os maiores benefícios que o tratamento lhe legaria, estava o que os médicos e professores da casa de recuperação chamavam DSCS, Dispositivo de Segurança para Comicidade Social. Consistia em pospor ao fim de um dito ou comentário jocoso a frase “É só uma piada”, ou suas variantes, tais como: “Isto é uma piada”, e também “Só estou brincando” ou “É brincadeirinha”.
Após três meses, Alex foi devolvido à sociedade curado. A partir de então, toda vez que lhe vinha o desejo de proferir uma observação irônica ou sarcástica, começava a babar e entrava em choque. Era preciso aproximar-lhe do nariz um pouco de vinagre para que recuperasse a consciência. Entretanto, por causa desses acessos, ele é que começou a ser vítima de piadas politicamente incorretas.
Fora apelidado “Tremelique”, e quando andava pela vizinhança, as crianças se sacudiam inteirinhas, com a boca cheia de Coca imitando a baba saindo da boca dele. Mas todo homem tem seu limite. Ele devia ter tentado o suicídio, como se espera a essa altura numa história assim, mas não foi isso, não. Ele resolveu criar um blog.
A seguir é transcrito o trecho de uma postagem de maio do ano passado:
“Estava pela Paulista, esperando uma amiga. E mais uma vez confiro que esta cidade não é absolutamente detestável, ao menos não como o divulgam no usual tom alarmista dos noticiários. Uma cidade que nos premia com visões com a clareza e o didatismo de ilustrações tiradas a um volume escolar de estudos sociais não pode ser absolutamente detestável. Pois nos quinze minutos em que estive parado por ali, vi um grupo de gays carecas e de camisetas justinhas posando para fotos, enquanto um moleque de rua, devidamente descalço como os moleques de rua fazem questão de andar, certamente para que não sejam confundidos com quaisquer outros moleques que não os de rua, os observava com o sorriso malicioso de quem, diante de tanta viadagem, se conforta imaginando que, particularmente em seu caso, um simples banho resolveria. E devo concordar com ele, pois era disso mesmo que ele mais precisava, de um banho. É o que as autoridades precisam entender e, tendo entendido, implementar: o assistencialismo do pão substituído pelo do sabão. De todo modo, os tão falados contrastes sociais jamais foram tão bem sintetizados quanto nesta cena, apesar do componente queer, francamente caricatural. Neste sentido, tenho de confessar que a cidade me surpreendeu negativamente.”
Como se vê, grotesco. Aristocraticamente grotesco. Quando ele escrevia, sentia um alívio absurdo, naturalmente seguido por espasmos, baba e coma. Mas, com o tempo, isso passou. Aparentemente, os efeitos do tratamento miraculoso estavam sendo revertidos, para horror da sociedade.
A foto destes dois gatinhos é só pra aliviar o post, cheio de piadas pesadas.
O pior, entretanto, veio quando ele escreveu:
“Só tem viado na Parada Gay”
(Isto é, nessa frase, duas coisas têm que ficar claras: a) se a Parada é gay, naturalmente se acharão “viados” nela; e b) a palavra “viado” tem o mesmo sentido ofensivo que quando empregada por um homem que preconceituosamente coloca em dúvida a masculinidade de outro. O humor resulta da aproximação desses dois fatos. Sem dizer que não tem só "viado" na Parada Gay; vão também familiares dos "viados".)
A casa veio abaixo. E-mails ameaçadores, scraps malcriados no Orkut. Ele foi novamente preso, só que dessa vez ele já era maior de idade, por isso o mandaram para o mesmo presídio em que o Nardoni estava. No dia em que lá chegou, a população indignada com o assassinato da menina Isabella dividia a calçada com militantes da causa gay, e eu vi pela televisão você lá também.
“Só tem viado na Parada Gay” virou uma divisa da campanha para o fim do humor politicamente incorreto, seguida da frase de indignação “Até quando isso?”, querendo dizer “Até quando as pessoas serão tão cruéis com as minorias?”, e não “Até quando haverá viados na Parada Gay?”.
Nos meses seguintes à prisão de Alex e à sua condenação à pena máxima, o governo ainda aprovaria uma lei segundo a qual todos eram obrigados a explicar uma piada que envolvesse qualquer tipo de ambigüidade, como constante nos parágrafos anteriores. Caso encerrado.
Homem de Ferro
Um herói coadjuvante! Precisa de um ator coadjuvante, de um diretor coadjuvante, e de atores do elenco de suporte acostumados a sempre serem.... coadjuvantes! Olha o exército de coadjuvantes aqui embaixo:
Robert Downey Jr.
Pô, bom ator! Tá limpaço, sem drogas, só na saúde, exercícios matinais, cereais no café-da-manhã, alimentação saudável e balanceada, muita água. Mas, olha... posso falar uma coisa, bem baixo, pra ninguém ouvir? Preferia quando ele atuava drogado. Foi até indicado ao Oscar na época! Chaplin, em 93, lembra? Perdeu pro Al Pacino, ceguinho no Perfume de Mulher. Mas foi quase. Coisa de uns 25 votos, pelo o que fontes me contaram. Nesse filme, O Homem de Ferro, domina bem a tela, mas... way over the top! Exagerado, jogado aos nossos pés! As drogas traziam o Betão Downey Jr. para um estado de introspecção agitada, era como se ele não estivesse lá, mas sim num mundo tão colorido, psicodélico! ELE VOAVA SOBRE AS NOSSAS CABEÇAS! Pega ele, lá em cima, pega! No Iron Man, não rola. Tá lá, e não deveria estar. Tira o pé do chão! Mas o que importa, o que realmente importa, é que ele tá benzão. Vai se adaptar! Vamos nos acostumar com ele assim, legal!
Gwyneth Paltrow
Muié do Chris Martin! Pô, ela traz o Homem de Ferro pro campo do amor! O que somos sem o amor? Não somos. Não estamos lá. Ela faz isso com o Homem de Ferro. Traz. Faz mal? Lógico que faz. Insossa! Desbotada! Você pegava? Mulheres, desconsiderem! Lapso! Odiei ela, mas sempre odeio ela, só no Tenenbaums não odiei ela! Gostei pacas dela lá. Aluga pra mim? Há, o Fundamentalista tem. Empresta! Empresta! Empresta!
Terrence Howard
Grande ator! Nova geração ai, pegando geral, e ele no comando! Coadjuvante de classe. Gostei da escalação; Função dele no filme é nula! Eu sei! Mas ele diz as linhas que lhe são cabidas com background! Um barato!
Há, se eu tivesse uma dessa na prisão... toma essa, Johnny Boy!
Jeff Bridges
Chegou a hora de falar do Jefferson Pontes! Ele é o vilão, bad guy, bad ass motherf#$5&*! Carecaço, barba na cara! Cadê a motivação do personagem? Vilão sem motivação? Maldade por maldade? Não! Ai entra outro aspecto: o...
Roteiro
Isso! Roteiro. Não importa num blockbuster de verão? Importa, não me decepciona! Lógico que importa! Tenta ser que nem o Batman Begins: pés no chão. Não, tá tudo errado! O cara veste uma armadura biônica para combater o mal? O cara coloca uma fantasia de morcego com cueca por cima para combater o mal? Os dois milionários? Não! Tá errado! Pega o Tim Burton! Chama ele pra mim! Se for assim, faz um negócio pra teenagers, cheio de ingenuidade e fantasia bonita, que nem o Homem-Aranha! Adulto burro compra! Adulto cabeça, esperto: tá fora!
Direção
Jon Fraveau! O Gordinho bacana de tantos filmes, virou diretor respeitado! Elf com o Will Ferrel, eu lembro! Zathura! Que aventura, que filme bacana, quanta fantasia! Iron Man agora. Fez um bom trabalho? Lógico que fez! O roteiro não era Cidadão Kane não, jão! Ele tentou. Mas não é um Kubrick! Não é um Antonioni! Não é nem um Bryan Singer, coitado! Diretor gente fina, todo mundo adora, eu gosto pacas. Mas não salva o filme! Pô, finalzinho chinfrim! Show me what you've got!
Efeitos Especiais
Bons! Os de Matrix Revolutions também eram! Não, não eram não. Mas vocês entenderam? É que, deixa eu falar! Pera que eu preciso falar! É que, tipo, efeitos especiais deveriam ser um retoque de luxo! Para não tirar o espectador do filme, se eles fossem toscos que nem no Howard the Duck! Herói pato? Só você, George Lucas!
Conclusão final
Eu odiei! Eu adorei! Eu quis embora! Eu quis ficar! Eu... eu... preciso de um...
When i hold you, in my arms
And i feel my finger on your trigger
I know, nobody can do me no harm, because
Happiness, is a Warm Gun, mama!
John Lennon


Segunda Foto: Palhaço francês


bastante coisa que vou colocando aos poucos, da maneira que vou adentrando nessa coisa de arte sequencial. Enfim, gostaria de comentar sobre "Mister X", obra de Dean Morter e Paul Rivoche. O resumo da pendenga: homem projeta uma cidadela retro-futurista onde perambula por ela analisando como a cidade influencia as pessoas. Além disso há uma pitada de noir: crimes acontecem, tramas complexas e "Mister X" busca salvar sua cidade,as pessoas que vivem nela e talvez a si mesmo nesse processo. Um personagem em busca de redenção e sua obra. Conceito interessante.