sábado, 14 de junho de 2008

Rua Augusta: saudades e besteiras na madrugada

A noite começa. Mas quando a noite realmente começa? Simples, quando os noturnos saem de casa a fim de alguma distração fácil; sentar num bar e falar besteiras daquelas que não saem do bar: filosofia de botequim, para os mais íntimos.


Numa das ruas de São Paulo: Augusta, a noite caminha adentro, começou há muito tempo. Dois colegas discutiam amenidades sobre futebol enquanto minha cabeça pensava em movimentar a noite: dar uma volta, um passeio por esta avenida tão heterogênea, pois sempre é bom dar um passeio, botar as idéias no lugar, senão tirar todas e deixa-las num canto e só depois voltar e buscar, só bem de manhã.


Ok, alguns minutos de conversa e decidimos: um rolê na Augusta era necessário. Chamamos o garçom, pedimos pra fechar a conta, dividimos e partimos ladeira abaixo no sentido centro. Atravessamos a Rua Luís Coelho, um colega queria um cineminha no Unibanco.


"Vamos descendo e ver o que acontece."- sabiamente pontuou outro amigo. Tornava-nos vítimas do acaso e da impulsividade, melhor. Passamos a Antônio Carlos e nada nos chamou ao Sarajevo como também ao lotado Vitrine e nem pensamos no Ibotirama, pois sempre estava lotado. Continuamos, Matia Aires, Peixoto Gomide e antes de cruzarmos a Avenida Dona Antônia de Queiroz, no meio do caminho, um senhor com uma bengala chamou nossa atenção:


"E ae rapaziada, não querer conhecer umas menininhas hoje? Pra entrar é 15 reais e tem direito a duas horas de cerveja de garrafa."


Cada um olhou para o outro, lembrando que haviam olhado nas suas respectivas carteiras faz algum tempo e elas estavam um tanto desprovidas de conteúdo, e resolveram entrar em um desses famosos American Bar's que infestavam a Augusta na década de 80. Um pedaço da boca do lixo paulistana muito antes da Luz. E afinal, quinze reais é um preço justo por duas horas de cerveja de garrafa e também por se arriscar, 15 reais, é um preço justo.


Algumas cervejas depois já conversávamos efusivamente com as meninas da casa, dentre todas uma me chamou a atenção: primeiro, estava vestida diferente, ou seja com bastante roupa; se gundo, seu estilinho rocker misturado com indie me agradou muito. Uma Helena Ramos,tal sua beleza. Fui conversar com a garota, estava curioso.


"Ah... estou visitando minhas amigas, to me despedindo de São Paulo hoje, vou morar em Curitiba e abrir um negócio com minha namorada."


Era uma coisa a se pensar, eu acho. Não perguntei qual seria o negócio que a moça abriria lá em Curitiba, gostei de conversar com ela, bastante; parece que tal ofício demanda um tato pessoal que a pessoa acaba adquirindo, ou seja, ela quando conversava comigo me tratou, mesmo não mais trabalhando na casa e não fazendo mais programas, como eu gostaria de ser tratado numa conversa. As duas horas passaram, saímos de lá e já era a noite, a Cidade Sonegada dava sinais da manhã e nós caminhávamos pela Augusta, agora no sentido inverso.



Você deseja saber mais?
Um pouco da história da boca do lixo paulistana

Helena Ramos: musa da boca do lixo paulistana

Matéria da Offline sobre a Rua Augusta

Bruce Lee vs Gay Power: clássico do cinema boca do lixo

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Ah o amor...Albergue Espanhol e Bonecas Russas

Bem, dia 12 de junho, dia dos namorados nas terras brasilis. Enfim, tal dia me fez lembrar do amor, e filmes recentes que acabam esbarrando nesse tema.


Pensei na verdade em dois filmes em que o protagonista é o mesmo, afinal também gostaria de apontar uma evolução do personagem e não só falar coisas "bonitinhas", afinal isso fica a cargo do camarada progressista. Gostaria de falar de algumas comédias românticas com um certo conteúdo: sim, esta era minha busca, findara quando me lembrei de dois filmes do "francesinho" Cédric Klapisch: Albergue Espanhol(2002) e Bonecas Russas(2005).


Ambos os filmes falam as desventuras do protagonista Xavier, vivido por Romain Duris, como também sua evolução durante esses dois períodos de grande experiência.


Em Albergue Espanhol, Xavier, com 25 anos de idade, consegue uma bolsa para cursar um mestrado em Barcelona onde acaba convivendo com pessoas de diferentes nacionalidades no lugar que ele decide morar em Barcelona; por ventura, suas experiências amorosas e seu futuro rompimento com a sua namorada desde o colégio, esta interpretada por Audrey Tautou. Dois aspectos interessantes deste filme é a narrativa contruída e o modo como o diretor trata do universo dos universitários; certas situações como a plaquinha sobre o telefone com todas os idiomas para atender o telefone de maneira correta e um pouco de verossimilhança com a realidade tornam o filme gostoso de se ver. O amor de Xavier se descobre no final do final, o qual eu não vou contar, recomendo que vejam.


Já em Bonecas Russas o protagonista está mais velho e tenta a todo custo ganhar alguma dinheiro, nem que seja como ghostwriter de pessoas insonsas ou escrevendo novelas de segundo escalão. Se no primeiro filme mostra um personagem cheio de sonhos e esperanças, agora nesse o protagonista parece ter ainda sonhos, mas agora tem que lidar com a conta de luz e água, etc. Se antes tudo era possível, agora mostra o amadurecimento da personagem em busca de algo mais estável, sem deixar de lado suas metas e sonhos. O diretor utiliza mais efeitos nesse filme, enquadramentos ousados e narrativas não-lineares, mostrando que, como o protagonista, amadureceu sua linguagem cinematográfica.


Através desses dois filmes o diretor traça uma evolução do personagem como também uma direção sua, pessoal, seria interessante ele mostrar outro filme com este personagem, o que acham?


E por fim acabei não falando nada fofo, por isso vai lá progressista!



Você deseja saber mais?
Critica do filme Albergue Espanhol

Crítica do filme Bonecas Russas

Camarada progressista e sua Ally

Moderado x Progressista, análise baseada em filmes

terça-feira, 10 de junho de 2008

Jackson Conti - Sujinho (2008)

Já que falamos de música por aqui, só dar uma olhada no último post do camarada fundamentalista. Agora ele resolveu ficar ouvindo ópera, estou pensando em comprar uma vitrola pro meninão. Depois, uma bengala, de brinde com a vitrola, talvez aumente a idade do veinho camarada. Depois é só colocar uma mantinha quando ele estiver ouvindo suas "Carminas Buranas da vida" enquanto deixamos a música rolar até ele adormecer. Pronto.


Verdade, eu gostava mais quando ele ouvia umas bandas descoladas holandesas e o saudoso Jorge Ben, fazer o quê, não é mesmo? Bem, eu continuo ouvindo as mesmas porcarias, inclusive uma delas lançou um novo álbum, por isso comecei a escrever este post.


Jackson Conti lançou o álbum chamado Sujinho. Mas quem diabos é Jackson Conti? Ele é um dos muitos heterônimos musicais de Madlib, o grande produtor workaholic da costa oeste estadunidense; seu enfoque é sobretudo em pesquisar músicas e criar hip-hop alternativo baseado nelas, o famoso sampler que tanto adoro. Da suas experimentações: criando músicas para filmes imaginários( The Beat Conducta Vols 1-4), a criação de dez bandas imaginárias( Yesterday Universe); Madlib sempre demonstrou um apurado senso musical e uma técnica impressionante, pra quem não sabe ele toca todos os intrumentos, pior, ele toca todos os instrumentos necessários de uma banda pop muito bem.


Voltando, Jackson Conti é uma dessas bandas que ele criou no Yerterday. Junto de Mamão, baterista do Azymuth, ele apresenta dezoito faixas de tirar o fôlego. Inclusive algumas são samplers de famosas músicas brasileiras. As pérolas se distanciam da dificuldade musical do Yesterday New Quintet: banda base que gerou esse projeto; as músicas se aproximam mais de funk e jazz do que as experimentações frequentes dele.


A admiração pela música brasileira vem de tempos, por isso ele insistiu com Mamão de fazer esse projeto e o Yesterday Universe que também conta com a participação do baterista. Depois de ouvir e gostar bastante bateu uma dúvida: o nome "Sujinho" deve-se a uma homenagem ao famoso restaurante paulistano? Ouçam e digam o que vocês acham.



Você deseja saber mais?
Mais sobre o Madlib

Um pouco sobre sampler

Um bom site sobre o álbum: Original Pinheiros Style

domingo, 8 de junho de 2008

Rigoletto

Você sabia que Renata Tebaldi e Maria Callas eram rivais nas décadas de 1950 e 1960? Mas que as duas fizeram as pazes em 1968, porque cada qual sabia que era melhor que a outra, mas que isso é coisa que se guarda do lado esquerdo do peito? Mais uma rivalidade que você desconhecia, viu?

Mas ópera é a coisa mais bonita do mundo. Naturalmente, depois disto:


Passei a tarde ouvindo Verdi: Rigoletto e Aida. Rigoletto é sempre Rigoletto, desde a primeira vez que a ouvi pela Cultura FM, em transmissões diretas do MET. Mas Aida não me convenceu. Ainda. Dãããã.

Rigoletto é uma ópera em quatro atos sobre um nigger que resolve folgar com quem não deve, ou seja, um branco rico. Rigoletto tem uma filha que é um estouro, Gilda, interpretada por Rita Hayworth no famoso filme homônimo de 1946, de Charles Vidor.

As célebres rotinas de Rigoletto, na melhor tradição bufa da denúncia pelo humor, recurso muito sagaz do libretista.

No final, [spoiler] Gilda é assassinada por engano no lugar do Duque de Mântua, dando a entender que a opressão continua. Rigoletto ouve o Duque de Mântua cantando “La donna è mobile”, então imediatamente abre o saco onde deveria estar o corpo do nobre e encontra sua filha Gilda agonizante.

A versão de Rigoletto que estive ouvindo é de 1964, com Dietrich Fischer-Dieskau no papel de Rigoletto e Renata Scotto no papel de Gilda.

Estava procurando fotos da Renata Scotto no Google só pra descobrir que ela parece um Muppet. Isso estraga um pouco a minha imagem da Gilda no duo com o Duque de Mântua, de “E il sol dell’anima”. Em compensação, imaginar a Miss Piggy agonizando dentro de um saco é mais divertido, mesmo que suprima um tantinho a tragicidade.

Rita Hayworth dentro do saco é uma das cenas mais emocionantes do cinema mundial.

E aonde eu vou as pessoas me vêm falar de Puccini, como se Puccini fosse mais pop que Verdi. Rigoletto, meus queridos, Rigoletto.

Minha objeção a Puccini é, no fundo, senão uma defesa de Verdi, pois se Rocco e i Suoi Fratelli me provoca lágrimas, High Noon me comove muito mais.

No libreto, baseado na peça de Vitor Hugo, Le Roi S’amuse, Francesco Maria Piave, por causa da censura da época, recorreu à maldição que o Conde Monterone lança sobre Rigoletto como metáfora para a discriminação sofrida pelos pretos.

Maldição do Conde sobre Rigoletto:

“e tu serpente, tu che d'un padre ridi al dolore, sii maledetto!”

E é claro que eu me lembrei de In the Heat of the Night, com Sidney Poitier e Rod Steiger, quando o velho aristocrata sulista leva do Poitier um tapa na cara e fica todo melindrado.

sábado, 7 de junho de 2008

Manual Prático do indie pinguim - Parte 6: Tiras e o universo infantil

Continuar a labuta sobre esse tema me diverte, conversava com um amigo sobre o tema, ele logo, sabiamente, pontuou:
"Você tem que falar das tirinhas, das tirinhas..."


O boom do jornalismo estadunidense, com as famosas brigas entre períodicos, foi também o aparecimento dos quadrinhos nas mídias impressas, por tabela, sua maior visibilidade. As tiras encartadas no jornal, desde Yellow Kid aos dias atuais, encanta as pessoas, por fim, solidificou as artes gráficas e a relação jornalismo e quadrinhos.


Como bom indie que se preze: gostar de mexer em programas gráficos acaba levando a pesquisa e a curiosidade para conhecer tiras: quadrinhos limitados, em sua maioria, por três ou quatro quadros. Enfim, todo indie pinguim que se preza deve, no mínimo, conhecer as tiras listadas abaixo.


1)Little Nemo(1905) - Criado por Winsor McCay
Uma das grandes e interessantes tiras do século XX. Com o uso de uma mesma trama: um garoto explora mundos surreais para sempre, no final, acordar e perceber que tudo não passou de um sonho bizarro(e sempre cainda da cama). Simples e superficial se imaginar pela descrição até agora, mas a tira surpreende: seja pelo uso da narrativa(dizem que influenciou muitos filmes e quadrinhos), a surrealidade dos universos percorridos pelo garoto ou pela qualidade do traço que lembra muitos cartazes do século XIX, contudo com um apelo mais cartunesco. A trama foi mantida até o final da tira, sem muitas reviravoltas. O sucesso da tira provocou até um briga pela sua publicação: do New York Herald com o New York American, do Hearst. As tiras, em formato digital, são encontradas no Comic Strip Library(em inglês). Fica um dúvida: será que influenciou todos aqueles filmes que finalizam com "Tudo não passou de um sonho"? Não me venha falar que é culpa só de Shakespeare, eu não acredito.


2)Peanuts(1950) - Criado por Charles M. Schulz
Minduim e sua turma começam a traçar seu curso de sucesso na década de 50, assim atingindo o mundo todo e tendo também gerado um desenho animado muito bem produzido. A premissa das aventuras é simples: mostra crianças e suas descobertas e aventuras. Mas como o protagonista, Charlie Brown, é um derrotado: loser na concepção léxica da palavra, acaba sendo sempre decepções e desventuras. Charlie é o personagem hamletiano pateta: sempre incapaz de agir da maneira certa e sempre cometendo os mesmo erros por causa da sua falta de habilidade em quase tudo. O interessante, além das tiras, são as partes do desenho animado onde aparecem adultos: nós, telespectadores, não entendemos o que os adultos falam(só as crianças do desenho), mostrando também que a criança vive em outro universo à parte do adulto e que se adentrarmos em um universo estaremos, por lógica, fora do outro.


3)Mafalda(1966) - Criada por Quino
Tira latino-americana, já se imagina protesto, ainda mais sendo argentina. Na mosca! Mas pensar que uma menina politizada iria causar tamanho rebuliço, é improvável. Quino sabiamente articulou uma turma onde os arquétipos sociais se representam na Mafalda e em sua turma. Boas sacadas, aliadas a muito uso de imagens da imaginação infantil. As tiras estão situadas no Clube da Mafalda. O quadrinho tem um estilo muito bom, como uma narrativa continda e soberba; os argentinos, parecem, dominam a arte sequencial muito bem. Enfim, Mafalda é realmente muito bom, mas dizem que as charges e os cartuns do Quino são superiores à tira. Outra coisa interessante é que ela é muitas vezes comparadas com O Charlie Brown, Umberto Eco acha isso, inclusive.


4)Turma da Mônica(1963, Franjinha e Bidu foi em 59) - Criada por Maurício de Souza
Influenciado pelo Peanuts, A turma da mônica é outra tira interessante voltada para o universo infantil. Seu viés, no entanto, é mais para as crianças e pré-adolescentes(sobretudo nos dias de hoje que o estúdio maurício de souza quer entreter as crianças). Contudo as origens revelam as raízes que tem com suas publicações irmãs: boas sacadas e críticas ao costumes. As tiras tem um bom arquivo no Tirinhas TDM. O interessante da Turma da Mônica é que o autor foi criando um universo de personagens que abrangesse além dos personagens da Rua do Limoeiro, por ventura, os personagens se encontram em grandes sagas a la comics de super-heróis. Minha crítica só pontua algo: a produção em série que se tornou a tira, ao longo dos anos, fez a qualidade cair, resultando em algo banal que simplesmente faz parte de um conglomerado. Nem me falem dos novos personagens politicamente corretos!


5)Calvin and Hobbes(1986) - Criado por Bill Watterson
Não, João Calvino e Thomas Hobbes não fazem parte de uma cruzada tirânica pelas tirinhas mundo afora. O "lobo do homem" é apenas um bichinho de pelúcia e é um tigre de verdade apenas para o outro protagonista: Calvin, logicamente. Como todas as outras boas tiras anteriores, alia a genialidade da época com sacadas atemporais. Um menino e seu bichinho de pelúcia: nada mais. Suas aventuras partem daí e se desenvolvem de todas as formas possíveis e imagináveis. Bom site sobre o garoto é o Depósito do Calvin. O Autor tem um política de proibir qualquer produto atrelado ao nome "Calvin and Hobbes", assim os genéricos e entusiástas ficaram a cargo da confecção e venda de tais produtos, até que é um cara legal, não?


Agora não me encham o saco e vão ler tiras nos links, muitas tiras!



Você deseja saber mais?
Manual Prático do indie pinguim - Parte 1: Discos de Jazz

Manual Prático do indie pinguim - Parte 3: Caixa de sobrevivência do Indie

Manual Prático do indie pinguim - Parte 4: Uma introdução a arte sequencial

Manual Prático do indie pinguim - Parte 5: Ser blogueiro?

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Top 5- Grandes Façanhas dos Popstars Oitentistas

Anos 80. Que delícia. Época dourada. Diversão pura. Nós não vivíamos; nós escrutávamos. O que isso significa? Não tenho a menor idéia. Mas aquela foi uma era de megastars. Megastars, e ainda por cima engajados. Sim, as preocupações com o meio ambiente, hoje tão em voga, começaram a existir naquela época. A África também ardia as estrelas de preocupações, e um sem-número de eventos dedicados a cobrir as necessidades básicas do continente mais negligenciado do planeta foram colocados em prática. Tudo lindo mesmo. Mas, olhando agora, de maneira isenta, passados tantos anos, quais foram os maiores sacrifícios feitos pelas estrelas daquela época, que vive febril e mais viva do que nunca nas nossas mentes, assoladas pela impessoalidade da era da internet? Cabe a mim, Progressista, revelar a verdade, num Top-5 justo e imparcial. Porque eu sou justo e imparcial. Namasté.

5- Nome do Popstar: George Michael
Nacionalidade: Inglesa
Hits mais bacanudos naquela década: Faith, I Want Your Sex, Careless Whisper, One More Try
Façanha: manter sua homossexualidade escondida por propósitos comerciais


Vamos fazer um exercicío básico de administração voltada para o mundo do entretenimento. Qual o target, o alvo, a parcela de consumidores mais procurada pelo mundo pop? Sim, são elas, as garotas aborrescentes, ainda longe de se ocuparam com algo mais produtivo como trabalho e contas para pagar, e que torram a mesada dada pelos pais em discos, ingressos para filmes e tudo mais. George Michael tinha atingindo em cheio essa fatia do público nos loucos anos 80. Vamos, então, ir mais longe nesse exercício. Normalmente, o apelo das canções pop para essa parte do público implica numa espécie de, digamos, "cooptação de papéis" por parte das jovens donzelas. Elas ouvem as canções, como se o alvo das lamúrias cantadas pelo seu ídolo fossem dirigidas para si próprias. Sim. Elas não separam as coisas. A música ouvida versa sobre elas, e tão somente elas, e pronto. "Ai, que romântico!", ouvimos por ai. Agora, então, vem a última parte do exercício. Imaginem que uma garota devote sua existência em torno de um determinado cantor. Ai, então, ela descobre que todas aquelas músicas que lhe provocavam rios de lágrimas, na verdade não eram cantadas para "ela". Nem para outra mulher, que o seja. Eram cantadas para outro homem. Pois o seu ídolo, na verdade, é gay. Não, a tonhice delas jamais permitiria tamanha "traição". E lá se iam os dólares embora. George Michael enfrentou essa condição até onde pôde para poder seguir sua carreira. Deixou pistas aqui e acolá (como na música Freedom do seu segundo álbum, Listen Without Prejudice), evitava gravar clipes em determinado ponto de sua carreira, brigou com gravadoras e tudo mais. Só foi sair do armário, como se diz da famosa expressão, em 1998, quando foi pego no escândalo do banheiro no parque em Los Angeles. Foi por um triz. Hoje, Michael está quase esquecido, mas o seu sacrifício em nome dos dólares sempre será lembrado. Outros como Montgomery Clift não suportaram. Ele ficou em pé. Ponto pra ele.



4-Nome do Popstar: Paul McCartney
Nacionalidade: Inglesa
Hits mais bacanudos naquela década: No More Lonely Nights, Take It Away, Spies Like Us, Ebony and Ivory (é, não foi uma década das mais brilhantes para o Macca)
Façanha: Virar vegetariano


A carreira de Paul McCartney nos anos 80 foi como a grossa maioria das estrelas das duas décadas anteriores (Eric Clapton, David Bowie, Rolling Stones e outros mais): constrangedora no âmbito artístico, muito mais voltada para factóides e ativismos do que para a criação de músicas e álbuns minimamente decentes. McCartney aborreceu o mundo na época com seu ativismo barulhento em favor dos direitos dos animais, campanha que abraçou ao lado de sua mulher, Linda McCartney (in memorian). A consequência mais profunda desse comportamento foi sua conversão para o vegetarianismo. Como eu não posso sequer imaginar como deve ser uma vida na qual alguém abre mão de comer carne, digo aqui que imagino, sim, o ato de Macca como uma grande façanha. Mas precisava ter aporrinhado tanto? Lembram do show dele no Maracanã, em 90? Proibiu a venda de hamburgeres e outros produtos derivados de carne bovina, suína ou o escambau. Mala. Mas repito: foi uma façanha.





3-Nome da Popstar: Tina Turner
Nacionalidade: Americana
Hits mais bacanudos naquela década: We Don't Need Another Hero, What's Love Got to Do With It
Façanha: dar um belo chute no traseiro do seu marido insano e violento, Ike Turner


Tina Turner já era um mito da música quando a década de 80 chegou, mas sua imagem ainda permanecia presa ao lado da do seu marido, Ike Turner, que controlava sua carreira a ferro e fogo, e com algumas bolachas na cara também. Cansada de apanhar do maluco, e querendo escrever sozinha seu nome no rol das estrelas, Tina resolveu bancar um improvável divórcio, pessoal e profissional, do abusivo Ike. A sua coragem se pagou, e Tina acabou vendendo quintilhões de discos na época, disassociando de vez seu nome da figura sombria de seu ex-marido. Embora ele alegasse até a hora de sua morte, no ano passado, que batia, mas também apanhava um bocado dela. A sua auto-biografia foi apropriadamente entitulada "Quero o Meu Nome de Volta". Mas a vingança de Tina contra os abusos cometidos por ele foi doce. A imagem de Ike Turner sempre será a do marido violento, em detrimento dos seus dotes como compositor, uma imagem que traz antipatia à simples menção do seu nome, enquanto Tina terá sempre seu nome colocado ao lado das lendas da música. A verdade? Jamais saberemos.



2-Nome do Popstar: Michael Jackson
Nacionalidade: Americana
Hits mais bacanudos naquela década: Thriller, Billie Jean, Bad e o escambau
Façanha: abrir mão da sua sanidade


Não deve ser fácil ter o seu nome na capa do disco mais vendido da história da humanidade. Isso deve trazer muita pressão para o indivíduo em questão. Michael Jackson, jogado desde criança sobre a luz dos holofotes, e sempre sofrendo abusos físicos e psicológicos do pai, não poderia jamais ter sido o sorteado, por culpa de sua baixíssima auto-estima. Mas alguém tinha que ser dono dessa marca. Jackson então resolveu o que fazer depois de ter atingindo tal nível de estrelato. Despediu-se de sua sanidade, e resolveu assumir as vestes de Napoleão Bonaparte. Sim, Michael ficou é maluco de uma vez, daqueles de carteirinha, que ficam olhando por horas seguidas para uma parede, rindo indefinidamente. Sua insanidade persiste firme até hoje, e provavelmente será sempre dominante na vida do cidadão que possue o nome escrito na capa do disco mais vendido da história da humanidade. Pois alguém tinha de assumir essa marca. Mesmo que às custas da sua sanidade. Michael entendeu o jogo. Mas não posso parabenizá-lo, por motivos óbvios. Mas fica aqui o registro.



1-Nome da Popstar: Sinéad O'Connor
Nacionalidade: Irlandesa
Hit mais bacanudo naquela década: Nothing Compares To You (a música é de 1990, então faz parte tecnicamente dos anos 80)
Façanha: raspar a cabeça, ficando carequinha da Silva


O clipe abria com uma bela cantora com o cabelo raspado, em close-up, na frente de um desolador fundo negro. Um arranjo arrastado de cordas entrava quase que ao mesmo tempo. Segundos depois, uma voz cristalina e poderosa emendava os seguintes versos: "It's been seven hours and fifteen days, since you took your love away". Sim, meus amigos, foi uma devastação. Nothing Compares to You, música escrita pelo também popstar Prince (ausente desse ranking, embora também tenha cometido suas façanhas) especialmente para ela. Ele deve ter pegado. Mas a música tocava em todos os cantos. Lembro-me claramente de uma vez, quando minha mãe levava eu e minha irmã para a escola, e a música estava tocando no rádio de um boteco fétido pelo qual nós sempre passávamos em frente no caminho. Mesmo tão criança, pude jurar que os bebuns estavam mergulhados na melancolia classuda da canção, que hoje percebo ser perfeita para esse tipo de ambiente. Mas por que Sinéad O'Connor, irlandesa tão lindinha que poderia ter facilmente virado Tetéia (e por que não virou, então, Progressista?), resolveu cortar suas melenas e assumir a imagem de "cantora-rebelde-confessional-careca" para o mundo? A explicação é simples: sua crença no budismo, e na imagem de pureza que ela imagina passar uma cabeça sem cabelos. Seria lindo se houvessem explicações mais intricadas, mas no caso de uma louca de pedra como O'Connor (queimou a foto do Papa João Paulo II num episódio do Saturday Night Live, ato que arruinou sua carreira), a explicação mais simples é a mais correta. Com as tretas envolvendo a independência do Tibete e o governo chinês, e o boicote às Olimpíadas de Pequim em solidariedade ao Dalai Lama, podemos dizer que O'Connor, além de tudo, foi visionária? Não. Seria um exagero. Mas um brinde à maior façanha dos popstars oitentistas.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Cidadão Kane: Uma Análise Profunda

Vamos brincar de Cidadão Kane? Vamos? Legal! Olha, vou analisar aspectos do filme e do personagem principal, Orson W... ops, quer dizer, Charles Foster Kane, divididos em duas categorias: prós e contras. Divertido, vai ser. Ioda, eu falo como. Star Wars, nada a ver com o tema. Louco, eu sou. Vamos lá então. Prós e Contras:


Prós:

Kane era riquíssimo. Então, era um bom provedor. Conseguiu sustentar legal suas duas esposas, além de construir um vasto império. É importantíssimo que um homem possa providenciar do bom e do melhor para a sua esposa. Que bom. Ponto para Kane.


Kane tinha boa visão empresarial. Ponto importante. Isso o ajudou a ficar mais rico do que já era (sua família já era riquíssima, ele apenas expandiu o patrimônio). Sua rede de jornais foi importante.


Suas esposas eram bonitas. Um homem rico precisa de mulheres bonitas do lado, e Kane compreendeu bem. Se fossem feias, não seria exatamente um desastre, mas também não seria bom. Melhor que fossem bonitas, então.


Kane era alto. Importante que um homem rico seja alto, embora isso nem sempre aconteça. Com isso, conseguia causar uma sensação ainda mais sufocante de domínio sobre os demais. Se fosse baixo, Kane apenas poderia exercer poder sobre seus semelhantes com o seu dinheiro. Sendo alto, já podia chamar qualquer um para a porrada, que com certeza se garantiria. Técnicas de lutas orientais poderiam ajudar? Poderiam, mas não eram moda no início do século XX. Mas tinha o boxe, esporte que infelizmente não exercia qualquer atrativo sobre Kane.

Não sucumbiu aos problemas de infância. Separado da mãe (idéia da própria) para poder ter uma educação fina, Kane poderia ter facilmente se deixado abater. Mas como não gostava muito dela mesmo, foi um alívio se ver longe dela. Pôde então, já cedo, desenvolver um intelecto abrangente e incisivo. Com a mãe do lado? Seria possível, mas um tanto quanto improvável.


Não virou boyzinho. Com uma fortuna de herança, poderia ter vivido a Doce Vida. Mas preferiu trampar duro. O trampo dignifica o homem.


Contras

Isolamento. Kane se deixou isolar dos demais ao ser engolido por suas próprias pretensões e cobiças, num mundo incapaz de compreender sua visão deliciosamente ambiciosa de vida. Enquanto todos tinham dorzinhas na consciência, Kane queria ganhar dinheiro e influenciar o pensamento dos americanos. Tipo um Big Brother midiático. A idéia era ótima, mas ele foi engolido por ela. Pena.


A segunda esposa. Ela era lindona, mas era perva. Ele deveria ter controlado ela sem maiores problemas, mas tinha absurdas dificuldades nesse campo. A burralda arruinou uma produção de ópera toda bancada por Kane somente para ela estourar, além de gerar um atrito definitivo com o braço direito de Kane no Jornal, que se recusou a escrever uma crítica positiva sobre a atuação da esposa de Kane. Uns sacodes na moleca teriam resolvido.


A queda da bolsa de 29. Gerou inacreditáveis problemas financeiros para Kane. Os impostos de Roosevelt sobre os milionários foram um soco no estômago. Preocupações que poderiam ter sido evitadas.


Calvície na velhice. Kane tinha dinheiro saindo pelo ladrão, e poderia ter dado um jeito nessa incômoda situação. Obviamente, ele nunca deve ter ouvido falar de produtos revolucionários como o Sana Hair, que promete devolver a composição original do seu cabelo em 20 dias, no máximo. Se soubesse, teria sido diferente.


O nome da gigantesca e nababesca propriedade na qual viveu isolado com a segunda esposa. Xanadu. Na época parecia ter um belo apelo, mas se Kane pudesse prever o futuro (algo que um homem tão poderoso como ele deveria ter achado um meio de conseguir), jamais teria dado esse nome. Hoje em dia, esse nome está associado de maneira irreversível ao horroroso filme da Olivia Newton John de 1981, Xanadu, que também gerou uma música horrenda e grudenta. Xanadu virou sinônimo de breguice pura. Além do filme, houve também a longuíssima e insuportável canção composta pela banda Rush, de inacabáveis 11 minutos, que também deu sua contribuição para manchar o nome Xanadu para sempre. Kane deveria ter tido mais cuidado. Eu poderia ter ajudado, darei agora sugestões de nomes mais nobres para o lar de Kane nas suas últimas décadas de vida, mesmo sabendo que elas jamais poderão ser aproveitadas (que pena):
Brr... chega a dar arrepios

-Eldorado dos Carajás- seria bom para combater a idéia de alienação social que existia quando os americanos na grande depressão se lembravam de Kane. Uma homenagem como essa teria amolecido o coração dos famintos yankees.


-Maracanã - faria jus às épicas dimensões da propriedade


-Marsilac - o maior bairro de São Paulo, virtualmente inabitado e cheio de áreas verdes, lembra muito a composição de Xanadu. Seria um belo nome também.


-Rancho da Pamonha - nome que realçaria o aspecto gastronômico da propriedade, além de poder gerar uma boa possibilidade de lucros para Kane. Se arrumasse um bom cozinheiro, poderia ganhar muito dinheiro com os viajantes que parassem por lá para comprar boas doses de currais e milhos quentes. Considerando que a nossa querida Palmirinha Onofre foi contemporânea de Kane, ele poderia ter lançado mão dos seus raros dotes culinários nessa empreitada, visto que Palmirinha é um produto do interior paulista, mais que familiarizada com a arte de verter milho em gostosuras.


Último aspecto contra: Rosebud. Não é uma boa palavra para se dizer no momento da morte, nem fica bem como última palavra dita por alguém antes de morrer. Acho que teria sido importante se Kane tivesse dito coisas edificantes como "farinha pouca meu pirão primeiro", "aonde cabem dez cabem vinte", "drogas matam", "respeite o meio-ambiente", "a soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa", "Eu era fã do Wilson Simonal", e, logicamente, "timãããããão, eô!". Lamentável.
O que era Rosebud? Nós sabemos. Nós sabemos bem o que era.


Conclusão: Kane queria ser amado, com muito amor. Não foi. Tchau, Kane. Lembraremos sempre de você.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Munbutu e os lisboetas

Da maneira que o blog vai, um dia, como quando eu crescer e me tornar o astronauta mais famosos de Hollywood, teremos um público maior e mais heterogêneo. Algumas pessoas teimam em nos incentivar, obrigado todos! Há alguns ainda que caem por acidente, graças aos buscadores toscos e ceguetas, agradecemos a eles também.

Por fim, há um fator interessante cuja lógica ainda não entendi: como há tanto acessos de portugal e alguns gatos pingados oriundos do continente africano, penso da forma simplista: Google!. Por isso na nossa próxima e inviável reunião de pauta discutiremos nosso acordo ortográfico neste blog. Afinal, da maneira micro a repetir as atitude macro dos países de língua portuguesa. E que caia a trema!

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Aconteceu

O Pianista

Estava passando O Pianista na televisão, ééééé. E eu fiquei olhando de vez em quando. Porque O Pianista a gente no máximo olha. Não dá pra assistir ou ver um filme desses. Você vai ao banheiro, come uma bolacha, olha todo aquele sofrimento e miséria a que o povo judeu foi submetido pelo regime nazista, brinca com o gato, tira cera do ouvido. Essas coisas.

Não é porque é “muito forte”. Não, que bobagem. Schindler era bem mais dramático e eficiente nesse sentido. Foi quando o virtuosismo vislumbrado do Spielberg melhor funcionou, diga-se de passagem.

Seth Cohen (Adam Brody em atuação que lhe rendeu uma estatueta) de braços dados com os Aliados naquela praia famosa.

Mas qual era a idéia do Polanski ao filmar O Pianista? Era o pianista? O piano não pode ser porque aparece muito pouco. Ah, era mostrar como os judeus sofreram muito. Então. O Polanski não deve ter TV a cabo em casa e por isso nunca viu na vida um documentário sobre Auschwitz. Mas a gente já, a gente já.

Confundo sempre o Adam Brody com o Adam Brody. Um fez The O.C.

É o filme mais gratuito que eu já vi. Ruim, ruim. Mas sou eu que não tenho sensibilidade, que não gosto de judeus. Posso até acabar na cadeia porque o Polanski e o moleque do The O.C. resolveram se juntar pra fazer um filme só pra me ferrar. A vida é muito injusta, muito mais do que qualquer totalitarismo.

A Questão

No sofá da minha casa, que é a resistência reaça da sociedade brasileira (tão entregue à licenciosidade) muito mais do que o Olavo de Azevedo e o Reinaldo Carvalho, minha mãe e eu vendo flashes da Parada Gay. Se bem que falar de Parada Gay, com a Parada Gay aí, é tão uó... hmm, quanto usar reticências.

Mas aí apareceu um go-go boy falando que era o Homem-Melancia porque tinha uma bunda enorme, que ele começou a sacudir num shortinho vermelho, só que a única coisa que eu e a minha mãe vimos foi o cofrinho dele aparecendo. Minha mãe horrorizada, mas eu garanti pra ela que o cofrinho do rapaz não tinha nada a ver com Parada Gay, que aquilo era Brasil. Aquilo era subdesenvolvimento. Culpa do Lula.

Ai, mas de repente fiquei tão político, e isso é tão over. Daqui a pouco estou falando do fim do preconceito, da Parada Gay como movimento social e evento político. Fazer esteira também é bem social e político. Pessoas se reunindo em torno da esteira pra discutir seu uso comum pela sociedade, a necessidade de cotas para seu acesso.

Ombudsmancia

Agora, há de vir algum jagunço aqui e chiar porque eu sou preconceituoso. Se morre, meu, se morre! Lê as palavra antes de abrir a boca.

Mas pelo menos ninguém reclamou ainda da gente falar de cinema não sendo obviamente connaisseurs. Graças aos conselhos de Lady Macbeth, deixei de falar de cinema, para falar a partir de cinema.

Festival de Cannes - Au Revoir, Les Enfants

O Festival de Cannes, como tem sido costumeiro nas últimas edições, mais uma vez decepcionou. Além da grande burrada de terem escolhido o senhor de todos os malas, Sean Penn, como presidente do juri, ainda tiveram a pachorra de dar a Palma de Ouro de melhor filme para uma produção francesa (no caso, o filme Entre Les Murs, do diretor Laurent Cantet). Sabe quando o seu time vai jogar fora de casa, e o juizão rouba descaradamente em favor do time da casa, fazendo você querer jogar a televisão pela janela? Mesma coisa aqui. Bela tentativa, senhor Penn. Mas quando você dá uma olhada na lista de filmes que estavam na competição oficial, vê que o negócio estava desolador. Um filme não muito apreciado da múmia viva Clint Eastwood, o bipolar Ensaio Sobre a Cegueira do Fernando Meirelles (dividiu de maneira estranha o público), um filme elogiado pela nossa crítica tacanha do insuportável Walter Salles (que um dia resolveu sair da sua insignificância ao se achar no direito de vaiar um Elia Kazan, que deve ter ficado tristíssimo com o fato) e um filme do Soderbergh, do qual falarei em seguida, mas que acho que poderá, sim, ter grande efeito sobre as catástrofes ambientais que assolam o nosso mundo. Ai embaixo, falo sobre cada filme separadamente. Se falarei do filmeco francês que ganhou a Palma de Ouro? É lógico que não. Depois da Nouvelle Vague, tudo o que o cinema francês deu ao mundo foi o "genial" Luc Besson. Amelie Poulin o quê?

Manezão francês, cujo filme ganhou a Palma De Ouro. Esqueci o nome dele, devo ter escrito aí em cima, olhem lá



Filme do Clint Eastwood - Changeling

Depois que fez 245 anos de idade, o Clint Eastwood ficou um tanto quanto hiperativo. Dizem que isso acontece mesmo quando você dura tanto tempo, mas no caso do segundo cowboy mais famoso da história ( John Wayne, nós que cá estamos por ti esperamos), não deixa de ser um fato curioso. É um filme por ano, um atrás do outro (ou até dois, como no caso do Cartas de Iwo Jima/A Conquista da Honra). Tá ligadão, o velhote. Mas nesse caso, olha... Angelina Jolie é um parque de diversões, mas somente para o seu marido maconheiro, Brad Pitt. Nós que não podemos tirar lasca, temos de aturar as caretas da bocuda nos seus péssimos filmes. Como o filme foi recebido sem entusiasmo, pode-se imaginar que Eastwood apostou no cavalo errado. Ops....
E ai, Clint, pegou ou não pegou? Pegou que eu sei, seu velhinho pervo!

Filme do Walter Salles - Linha de Passe

Que bode... O mundo já começou a se cansar dos filmes brasileiros. A moda passou. O que ficou? As mesmíssimas histórias que nos atormentam desde o Modernismo, a idéia de "cultura de massa focando a brasilidade", os enredos envolvendo famílias de bom coração lutando contra as adversidades da vida, com muito futebol, samba e malandragem. O complexo de Gilberto Freyre, que afirma ser a cultura um bem das massas. Isso não ajuda em nada o país, já que reafirma e exalta o complexo de inferioridade que aflinge a nossa sociedade, que se conforma com o papel que lhe é atribuído, amansando e eliminando qualquer traço de combatividade, e nem faz o nosso cinema evoluir, já que estamos estacionados no binômio "cinema de arte pra gringo ver/ produções pipoquentas da Globo Filmes". A chinelagem, que é vendida como patrimônio nacional, quando deveria ser combatida com todo o ranço do mundo, já que, como já dito um milhão de vezes, serve para propósitos muitíssimos bem definidos. Se a miséria e a cultura que nasce dentro dela é exaltada, fica mais difícil para a camada menos favorecida da nossa sociedade se rebelar contra essa situação, e mais fácil para as velhas figurinhas carimbadas continuarem enchendo a bucha de dinheiro em detrimento do povo. Salles mais uma vez faz papel de trouxa, o que lhe cabe muito bem, considerando toda a sua arrogância, já que o sujeito realmente pensa pertencer à elite do cinema mundial. O seu papel é outro, e é parecidíssimo com o dos Seus Jorges, Carlinhos Browns, Marisas Montes e Bebéis Gilbertos da vida: rebolar pra gringaiada aplaudir, enquanto o status quo é mantido por essas bandas. Pena que esse sons andam ficando cada vez menores...


Filme do Fernando Meirelles - Ensaio Sobre a Cegueira

Duas diferenças separam e favorecem Fernando Meirelles ante seu colega Walter Salles. Primeira: não tenta vender mentiras, sabe bem o seu papel como cineasta, e seus filmes existem por si mesmos, sem dependerem nem se beneficiarem de um pretenso contexto sócio-político por trás. Segunda: ele realmente é talentoso. Mas a idéia de filmar um livro assim, que qualquer pessoa minimamente sã desse mundo que tenha colocados seus olhos nele sabe ser quase que impossível de se converter para a liguagem do cinema, realmente foi estúpida. Maldita hora que foram dar o Nobel para o escritor português. A recepção dividida que teve o filme (fria por parte da crítica, e efusiva por parte do público) apenas evidencia melhor os problemas de um projeto desse tipo. E o elenco está cheio de figurinhas que andam me dando nos cornos, como o Mark Rufallo e a Julianne Moore (que cada vez mais pensa que atuar significa ficar bocejando o filme todo). Para os paulistanos, valerá a curiosidade de ver a cidade ser cenário de diversas cenas do filme. Imagino ir ver o filme com um colega pervo, e o chato ficar apontando pra tela gritando "olha lá o Minhocão!", "putz, é a Juscelino Kubistchek!" e "nossa, Higienópolis, meu!". É, seria dose.


Filme(s) do Steven Soderbergh - Che: The Argentinian e The Guerrila

Imaginem um filme do Steven Soderbergh. Putz, deu calafrios. Mas vai ficar pior. Imaginem que esse filme é a biografia do Che Guevara, interpretado pelo insuportável Benicio Del Toro. Agora, imaginem que, não contente em levar um projeto assim adiante, Soderbergh faça um filme tão longo, que resolva dividi-lo em dois, alá Kill Bill, e que os filmes juntos atinjam a inacreditável metragem de 258 minutos. 258 minutos de um filme sobre o Che Guevara, dirigido pelo Soderbergh e interpretado pelo Benicio Del Toro. O que é, Cleópatra dois, a missão? Por favor, alguém faça isso parar! Sério! Bush, invadir o Iraque? Invade é a casa do diretor careca e dá um belo dum sacode nele, caramba! Taca a mãe pra ver se quica.
Eu era neném, não tinha talco; mamãe passou açúcar em mim!


Depois desse show de horrores, é válido dizer qual filme despertou o maior número de aplausos e críticas positivas no festival, mais até do que o ganhador da Palma. Era um filme que estava fora da competição oficial. Kung Fu Panda. Sério. O desenho da Dream Works sobre um Urso Panda que luta Kung Fu, dublado pelo Jack Black, foi o filme que despertou o maior carinho do público e críticos do festival. Para o mundo aí, que o Progressista vai descer. Tchau e benção.