
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Hitchcock Apresenta: Memória dos Campos

segunda-feira, 16 de junho de 2008
O cabeça de ovimem cima do muro maldizendo tudo que os ostro falando
ae senhorzinho.....
vou te conta uma istorinha da carocheta, senta aí un tantinho
minina má proxeneta caixinha d' oro era mui amiga da madafenstra, filha do neto grude velho da portera do oeste. Cumeça toda minha istoria na parte da portera
ovim todo prominente
magnata da gema dorada.
Num diantava fala com ele, não arrediava o pé dele dcima do muro, bixim muito do teimoso
era a temosia peça mais estrela do braquim
não importava;
era homê, muié, tigra, bengala, cobra.
todo mundo avisava
"um dia se oCê cai, como fica?"
todo risonho remedava:
"bem amarelim pra ri da cara docês"
e passidançava Bob Fosse, muito dodeducado, sabia os gringo todo, dmemoria até a ponta da língua.
Passo uns dia, passo umas noite, nem alembro, vc, fazia anos ou era bem do próximo da sua data, a certeza tah no calendário pregado na cuzinha da minha casa, entonces, minina nova pareceu; das banda do rir torto. Ela vêio todo raponçosa, bebendo a´gua d'ali e d'acolá, rondavandada a portera
"esperanpenso, oce ta fazini adi baixo?
"aindanada, mas deixe de apoquentar, deixa vai subir, me ajuda?"
"ddeixar vou, mas nem drruba"
osso e carne e clara e ovo
ovim rumo no chão dalajota
minina deslembrou dajuda
sai cantintans uma musiqueta,
porreta minina, cantantim toda boba
do lado de ká d''ovim, squerdo saiu uma minina-toda, rainha das briga de rinha, galinha de todo chiquero
minino-mim todo tristim fez blog pra ficar em sempre cinema, assim bnão mais tristim
Fui ao cinema ver Shine a Light, e fiquei triste. O por quê? Explico.
"Shine a Light é um documentário que retrata uma performance artificial de uma banda de sexagenários milionários sem muito mais o que dizer, dirigido por um diretor abastado que a muito tempo desistiu de tentar, preferido se acomodar perante a ribalta dos caminhos seguros e previsíveis. Quando a idade deveria ter produzido sapiência, reflexão e contemplação, produziu conveniência. Rolling Stones e Martin Scorsese, antes artifícies de uma revolução, hoje são burocratas de uma máquina de lucros, marcial em sua implacável eficiência."


"Nossa, que tanto o Martin Scorsese tinha que aparecer no documentário? Parece o Michael Moore. Tipo, olha eu aqui, sou um diretor mitológico e sou fã dos Rolling Stones, então, aplausos, por favor!".
Essa primeira anotação denota já um grande desconforto (podem chamar de constrangimento mesmo) com a sutileza de elefante com a qual Martinho conduziu o documentário. Nos últimos anos, Scorsese tem feito de tudo para embaraçar ao máximo possível seus fãs, que um dia viram as glórias de um Taxi Driver e um Touro Indomável e agora aguentam o velho babando. Antes seus filmes nos deixavam sem fôlego. Hoje, olhamos para o relógio, esperando os exercícios de futilidade do melhor amigo do Robert De Niro acabarem.
"O Keith Richards é um guitarrista subestimado, e o Charlie Waitts é um baterista subestimado, o Ron Woods é um guitarrista-base subestimado, e o Mick Jagger é um cantor subestimado, e eu sou um cínico deveras (YES!) subestimado"
"Mick Jagger é um ser amoral. Merece uma antologia da maldade bussiness-type. Nada deve a um Gates da vida"

"Onde eles gravaram esse show? No teatro Procópio Ferreira? Sério, cadê as marcações? To be or not to be?"Apertado demais! Os velhos parecem que vão trombar e capotar, de tão perto que tocam"
"Pô, o documentário sobre o grupo The Band que ele fez nos anos 70, The Last Waltz, dá de 10 nesse. Havia um distanciamento naquele, algo vital para qualquer documentário que se preze"
"NÃO, JACK WHITE NÃO! MIL VEZES NÃO! MISERICÓRDIA! EU FAÇO O QUE VOCÊS QUISEREM! EU FAÇO A DANÇA DO QUADRADO! JURO!"
Sim, escrevi com maiúsculas. Foi como tomar a famosa anestesia do dentista do bairro. Parece que ele ficou umas três horas, ao invés dos reais poucos minutos. Se eu soubesse, nem teria... bom, vocês já sabem.
"A Cristina Aguilera lembra uma Betty Boop platinada."
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"Nossa, aquelas duas minas no canto são bem decentes.. o que fazem assistindo um documentário de cunho geriátrico, como esse?"
Putz, esse ai escapou, não tem muito a ver com o tema, e desconsiderem, e, tipo, olha, não foi de propósito, e... é, não deu.
"Bill Clinton não gosta de rock, é um entusiasta do Jazz, então mais uma vez estava brincando de ser popstar. Lewinski perva"
Alguém ai acha que a Hillary daria uma boa tetéia? Eca! O quê, a Tetéia da Semana acabou? Por que ninguém me avisou? Quem fez isso? Sério, dá o endereço do palhaço que eu vou lá fazer a vida dele ficar um pouco mais triste. I can't get no! Pampam, paranam, parararapam!
"Eu era neném; não tinha talco; mamãe passou açúcar em mim"
E alguém ousaria discordar?
Antes de encerrar, mais uma vez, a foto de um bloquinho amarelo que lembra o meu bloquinho amarelo, só para vocês verem mais uma vez o quão irado ele é:
A Madama e o Torneiro Mecânico
Para Pauline.
Porque, quando eu for humilhado e martirizado pela causa da justiça, que não seja por alguém de quem, em agonia excruciante e entre alucinações, eu me lembre como uma Cruella de Vil com chapinha falando como um oficial da SS miguxo: “Queridinhos, vocês agora vão todos pra câmara de gás sem dar um piu. Um piu! Ouviram?”
Dentre as fábulas modernas, nenhuma é tão rica em ensinamentos como a arquifamosa “A Madama e o Torneiro Mecânico”, adaptação da fábula de Esopo “A Serpente e a Anta”.
Contam que fazia muitos anos que a Dona Anta estava, como se diz, pela Caixa, graças à ajudinha de um médico truta seu. Mas a sorte dela mudou de uma hora pra outra quando responsabilizaram pela perícia outro médico, que, percebendo o esquema, queria fazê-la voltar ao batente. Muito brava, Dona Anta partiu pra cima, mas, enganchando o chinelo de dedo na cadeira, bateu com a boca na quina da mesa e só não foi presa porque começou a chorar que nem uma menininha quando os seguranças lhe travaram as patas.
Esopo.Vinha andando muito desconsolada pela rua, enquanto tirava o gesso que já não servia pra nada, quando viu entrando numa clínica de estética a Dona Serpente, acompanhada de um segurança de 1,90 e 140 quilos, tão chique ela que até parecia atriz da Globo, e eu acho que era mesmo. Dona Serpente, sem hora marcada, chegou aos berros porque uma mancha que ela tinha em cima da cabeça dela de serpente não tinha saído depois da última limpeza de pele. Apesar da médica lhe explicar que aquela mancha não sairia porque era da espécie de serpente que ela era, Dona Serpente já começava o discursinho do “Você sabe com quem está falando?”, que era exatamente a questão.
Do lado de fora, espreitando, Dona Anta ouvia tudo com atenção. Depois de empurrar uma atendente que a quis conduzir à sala de exames, Dona Serpente saiu possessa, porta afora, seguida pelo segurança. Na calçada, no entanto, sendo abordada pela Dona Anta, que pedia só “um minutinho da vossa atenção, madama”, mandou que o Waldinei, o segurança, entrasse em ação, o que ele fez de pronto, dando uma cacetada na cabeça da Dona Anta debaixo do boné encardido de partido político. Waldinei ainda achou por bem dar-lhe alguns chutes no estômago, já que não tinha ninguém olhando, enquanto Dona Serpente entrava no carro.

Em entrevista ao A Tarde é Sua, da RedeTV, Narcisa Saldanha Tamborindeguy disse jamais ter ouvido falar na fábula da Madama e do Torneiro Mecânico.
Mas Dona Anta era persistente quando estava em jogo a possibilidade de não ter de trabalhar por mais pelo menos uns três anos ou até mais, se ela conseguisse arrancar daquela perua (Dona Anta não era boa de zoologia) uns 500 reais, dinheiro mais do que suficiente pra comprar carvão pras churrascadas quinzenais com carne podre que o governo costumava enterrar nas proximidades da floresta, porque a cerveja era o Diógenes que providenciava. Por isso, com o resto de forças que tinha, gritou que havia um jeito de tirar aquela mancha da cabeça da Dona Serpente, mesmo ela sendo de uma espécie de serpente com mancha na cabeça. “Fala logo”, disse a serpente com aquela voz enjoadinha de serpente, fazendo sinal pro Waldinei parar de chutar a Dona Anta.
Limpando o sangue da boca, o mamífero disse: “Ólia, madama, s’a çinhora kinzé, eu poçu tira eza manxa da sua cabessa”. E explicou que era só cortar a cabeça da Dona Serpente que, por ela ser uma serpente, cresceria de novo. Dona Serpente, que, por causa das sessões contínuas de bronzeamento artificial, andava menos astuta do que de costume, achou a explicação bem convincente.
Tirou 500 conto da carteira de couro de anta e jogou pra Dona Anta, cujos olhos brilharam, apesar do inchaço decorrente das pancadas começar a lhe deformar a fisionomia de anta. Querendo por isso mesmo se vingar, Dona Anta, muito mau-agradecida, disse assim para Dona Serpente: “S’a madama qinze, eu messmu cortou pra sinhoura”. Fazendo uma cara enorme de nojo, Dona Serpente já ia recusando, quando viu refletida no retrovisor do carro aquela mancha horrorosa em sua cabeça. Apavorada, ela concordou com que Dona Anta mesma fizesse o serviço com aquelas patas que não pareciam ver água há mais de ano, contanto que fosse imediatamente.
Foram, então, as duas e o Waldinei pra rua de trás da clínica de estética, onde havia um terreno baldio. “Vai doer?”, perguntou Dona Serpente. “Nada”, respondeu Dona Anta, que já levantava bem alto uma faca que ela achou no meio do lixo, mas que ela disse que tinha trazido de casa porque sempre costumava fazer isso de cortar cabeça de serpente com mancha. E de um só golpe decepou a cabeça de Dona Serpente. Voltando-se ao Waldinei, Dona Anta pediu que ele levasse a patroa e a cabeça para casa e esperasse pelo menos umas 24 horas até que começasse a brotar a nova cabeça, e deu o fora em seguida.
Passadas 24 horas, não cresceu porcaria de cabeça nova nenhuma. Mas, em compensação, a mancha na cabeça já cinzenta da Dona Serpente estava muito mais clara do que antes, ainda que não tivesse sumido. Três dias depois, que foi quando o Seu Serpente voltou da “reunião de negócios”, encontrou Waldinei inconsolável com a cabeça fedorenta da patroa no colo. Seu Serpente chamou então a polícia, que saiu imediatamente em busca da Dona Anta, que foi facilmente localizada, dando uma churrascada olímpica na floresta do Heliópolis. Na mata fechada, o pagodão e o barulhinho de havaianas sendo arrastadas contra o cimento facilitaram o serviço da polícia, que desconfiou do fato daquele churrasco ser tão opulento e não contar apenas com carne podre do governo. Interrogou um por um e chegou ao nome da Dona Anta, que foi pra delegacia apanhando no camburão.
Moral da história: as pessoas são caricaturas de si mesmas. Se você entrar numa clínica de estética, vai encontrar pelo menos uma Soraya Montenegro e uma Paola Bracho fazendo limpeza de pele. Se der um pulo no Heliópolis, vai ver pobres em lajes fazendo churrasco e ouvindo a Dança do Créo. E é tudo gente perversa.
Fim
sábado, 14 de junho de 2008
Rua Augusta: saudades e besteiras na madrugada
A noite começa. Mas quando a noite realmente começa? Simples, quando os noturnos saem de casa a fim de alguma distração fácil; sentar num bar e falar besteiras daquelas que não saem do bar: filosofia de botequim, para os mais íntimos.Numa das ruas de São Paulo: Augusta, a noite caminha adentro, começou há muito tempo. Dois colegas discutiam amenidades sobre futebol enquanto minha cabeça pensava em movimentar a noite: dar uma volta, um passeio por esta avenida tão heterogênea, pois sempre é bom dar um passeio, botar as idéias no lugar, senão tirar todas e deixa-las num canto e só depois voltar e buscar, só bem de manhã.
Ok, alguns minutos de conversa e decidimos: um rolê na Augusta era necessário. Chamamos o garçom, pedimos pra fechar a conta, dividimos e partimos ladeira abaixo no sentido centro. Atravessamos a Rua Luís Coelho, um colega queria um cineminha no Unibanco.
"Vamos descendo e ver o que acontece."- sabiamente pontuou outro amigo. Tornava-nos vítimas do acaso e da impulsividade, melhor. Passamos a Antônio Carlos e nada nos chamou ao Sarajevo como também ao lotado Vitrine e nem pensamos no Ibotirama, pois sempre estava lotado. Continuamos, Matia Aires, Peixoto Gomide e antes de cruzarmos a Avenida Dona Antônia de Queiroz, no meio do caminho, um senhor com uma bengala chamou nossa atenção:
"E ae rapaziada, não querer conhecer umas menininhas hoje? Pra entrar é 15 reais e tem direito a duas horas de cerveja de garrafa."
Cada um olhou para o outro, lembrando que haviam olhado nas suas respectivas carteiras faz algum tempo e elas estavam um tanto desprovidas de conteúdo, e resolveram entrar em um desses famosos American Bar's que infestavam a Augusta na década de 80. Um pedaço da boca do lixo paulistana muito antes da Luz. E afinal, quinze reais é um preço justo por duas horas de cerveja de garrafa e também por se arriscar, 15 reais, é um preço justo.Algumas cervejas depois já conversávamos efusivamente com as meninas da casa, dentre todas uma me chamou a atenção: primeiro, estava vestida diferente, ou seja com bastante roupa; se gundo, seu estilinho rocker misturado com indie me agradou muito. Uma Helena Ramos,tal sua beleza. Fui conversar com a garota, estava curioso.
"Ah... estou visitando minhas amigas, to me despedindo de São Paulo hoje, vou morar em Curitiba e abrir um negócio com minha namorada."
Era uma coisa a se pensar, eu acho. Não perguntei qual seria o negócio que a moça abriria lá em Curitiba, gostei de conversar com ela, bastante; parece que tal ofício demanda um tato pessoal que a pessoa acaba adquirindo, ou seja, ela quando conversava comigo me tratou, mesmo não mais trabalhando na casa e não fazendo mais programas, como eu gostaria de ser tratado numa conversa. As duas horas passaram, saímos de lá e já era a noite, a Cidade Sonegada dava sinais da manhã e nós caminhávamos pela Augusta, agora no sentido inverso.
Você deseja saber mais?
Um pouco da história da boca do lixo paulistana
Helena Ramos: musa da boca do lixo paulistana
Matéria da Offline sobre a Rua Augusta
Bruce Lee vs Gay Power: clássico do cinema boca do lixo
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Ah o amor...Albergue Espanhol e Bonecas Russas
Pensei na verdade em dois filmes em que o protagonista é o mesmo, afinal também gostaria de apontar uma evolução do personagem e não só falar coisas "bonitinhas", afinal isso fica a cargo do camarada progressista. Gostaria de falar de algumas comédias românticas com um certo conteúdo: sim, esta era minha busca, findara quando me lembrei de dois filmes do "francesinho" Cédric Klapisch: Albergue Espanhol(2002) e Bonecas Russas(2005).
Ambos os filmes falam as desventuras do protagonista Xavier, vivido por Romain Duris, como também sua evolução durante esses dois períodos de grande experiência.
Em Albergue Espanhol, Xavier, com 25 anos de idade, consegue uma bolsa para cursar um mestrado em Barcelona onde acaba convivendo com pessoas de diferentes nacionalidades no lugar que ele decide morar em Barcelona; por ventura, suas experiências amorosas e seu futuro rompimento com a sua namorada desde o colégio, esta interpretada por Audrey Tautou. Dois aspectos interessantes deste filme é a narrativa contruída e o modo como o diretor trata do universo dos universitários; certas situações como a plaquinha sobre o telefone com todas os idiomas para atender o telefone de maneira correta e um pouco de verossimilhança com a realidade tornam o filme gostoso de se ver. O amor de Xavier se descobre no final do final, o qual eu não vou contar, recomendo que vejam.
Já em Bonecas Russas o protagonista está mais velho e tenta a todo custo ganhar alguma dinheiro, nem que seja como ghostwriter de pessoas insonsas ou escrevendo novelas de segundo escalão. Se no primeiro filme mostra um personagem cheio de sonhos e esperanças, agora nesse o protagonista parece ter ainda sonhos, mas agora tem que lidar com a conta de luz e água, etc. Se antes tudo era possível, agora mostra o amadurecimento da personagem em busca de algo mais estável, sem deixar de lado suas metas e sonhos. O diretor utiliza mais efeitos nesse filme, enquadramentos ousados e narrativas não-lineares, mostrando que, como o protagonista, amadureceu sua linguagem cinematográfica.Através desses dois filmes o diretor traça uma evolução do personagem como também uma direção sua, pessoal, seria interessante ele mostrar outro filme com este personagem, o que acham?
E por fim acabei não falando nada fofo, por isso vai lá progressista!
Você deseja saber mais?
Critica do filme Albergue Espanhol
Crítica do filme Bonecas Russas
Camarada progressista e sua Ally
Moderado x Progressista, análise baseada em filmes
terça-feira, 10 de junho de 2008
Jackson Conti - Sujinho (2008)
Verdade, eu gostava mais quando ele ouvia umas bandas descoladas holandesas e o saudoso Jorge Ben, fazer o quê, não é mesmo? Bem, eu continuo ouvindo as mesmas porcarias, inclusive uma delas lançou um novo álbum, por isso comecei a escrever este post.
Jackson Conti lançou o álbum chamado Sujinho. Mas quem diabos é Jackson Conti? Ele é um dos muitos heterônimos musicais de Madlib, o grande produtor workaholic da costa oeste estadunidense; seu enfoque é sobretudo em pesquisar músicas e criar hip-hop alternativo baseado nelas, o famoso sampler que tanto adoro. Da suas experimentações: criando músicas para filmes imaginários( The Beat Conducta Vols 1-4), a criação de dez bandas imaginárias( Yesterday Universe); Madlib sempre demonstrou um apurado senso musical e uma técnica impressionante, pra quem não sabe ele toca todos os intrumentos, pior, ele toca todos os instrumentos necessários de uma banda pop muito bem.Voltando, Jackson Conti é uma dessas bandas que ele criou no Yerterday. Junto de Mamão, baterista do Azymuth, ele apresenta dezoito faixas de tirar o fôlego. Inclusive algumas são samplers de famosas músicas brasileiras. As pérolas se distanciam da dificuldade musical do Yesterday New Quintet: banda base que gerou esse projeto; as músicas se aproximam mais de funk e jazz do que as experimentações frequentes dele.
A admiração pela música brasileira vem de tempos, por isso ele insistiu com Mamão de fazer esse projeto e o Yesterday Universe que também conta com a participação do baterista. Depois de ouvir e gostar bastante bateu uma dúvida: o nome "Sujinho" deve-se a uma homenagem ao famoso restaurante paulistano? Ouçam e digam o que vocês acham.
Você deseja saber mais?
Mais sobre o Madlib
Um pouco sobre sampler
Um bom site sobre o álbum: Original Pinheiros Style
domingo, 8 de junho de 2008
Rigoletto
Você sabia que Renata Tebaldi e Maria Callas eram rivais nas décadas de 1950 e 1960? Mas que as duas fizeram as pazes em 1968, porque cada qual sabia que era melhor que a outra, mas que isso é coisa que se guarda do lado esquerdo do peito? Mais uma rivalidade que você desconhecia, viu?
Mas ópera é a coisa mais bonita do mundo. Naturalmente, depois disto:

Passei a tarde ouvindo Verdi: Rigoletto e Aida. Rigoletto é sempre Rigoletto, desde a primeira vez que a ouvi pela Cultura FM, em transmissões diretas do MET. Mas Aida não me convenceu. Ainda. Dãããã.
Rigoletto é uma ópera em quatro atos sobre um nigger que resolve folgar com quem não deve, ou seja, um branco rico. Rigoletto tem uma filha que é um estouro, Gilda, interpretada por Rita Hayworth no famoso filme homônimo de 1946, de Charles Vidor.
As célebres rotinas de Rigoletto, na melhor tradição bufa da denúncia pelo humor, recurso muito sagaz do libretista.
No final, [spoiler] Gilda é assassinada por engano no lugar do Duque de Mântua, dando a entender que a opressão continua. Rigoletto ouve o Duque de Mântua cantando “La donna è mobile”, então imediatamente abre o saco onde deveria estar o corpo do nobre e encontra sua filha Gilda agonizante.
A versão de Rigoletto que estive ouvindo é de 1964, com Dietrich Fischer-Dieskau no papel de Rigoletto e Renata Scotto no papel de Gilda.
Estava procurando fotos da Renata Scotto no Google só pra descobrir que ela parece um Muppet. Isso estraga um pouco a minha imagem da Gilda no duo com o Duque de Mântua, de “E il sol dell’anima”. Em compensação, imaginar a Miss Piggy agonizando dentro de um saco é mais divertido, mesmo que suprima um tantinho a tragicidade.
Rita Hayworth dentro do saco é uma das cenas mais emocionantes do cinema mundial.
E aonde eu vou as pessoas me vêm falar de Puccini, como se Puccini fosse mais pop que Verdi. Rigoletto, meus queridos, Rigoletto.
Minha objeção a Puccini é, no fundo, senão uma defesa de Verdi, pois se Rocco e i Suoi Fratelli me provoca lágrimas, High Noon me comove muito mais.
No libreto, baseado na peça de Vitor Hugo, Le Roi S’amuse, Francesco Maria Piave, por causa da censura da época, recorreu à maldição que o Conde Monterone lança sobre Rigoletto como metáfora para a discriminação sofrida pelos pretos.
Maldição do Conde sobre Rigoletto:
“e tu serpente, tu che d'un padre ridi al dolore, sii maledetto!”
E é claro que eu me lembrei de In the Heat of the Night, com Sidney Poitier e Rod Steiger, quando o velho aristocrata sulista leva do Poitier um tapa na cara e fica todo melindrado.
sábado, 7 de junho de 2008
Manual Prático do indie pinguim - Parte 6: Tiras e o universo infantil
O boom do jornalismo estadunidense, com as famosas brigas entre períodicos, foi também o aparecimento dos quadrinhos nas mídias impressas, por tabela, sua maior visibilidade. As tiras encartadas no jornal, desde Yellow Kid aos dias atuais, encanta as pessoas, por fim, solidificou as artes gráficas e a relação jornalismo e quadrinhos.
Como bom indie que se preze: gostar de mexer em programas gráficos acaba levando a pesquisa e a curiosidade para conhecer tiras: quadrinhos limitados, em sua maioria, por três ou quatro quadros. Enfim, todo indie pinguim que se preza deve, no mínimo, conhecer as tiras listadas abaixo.
1)Little Nemo(1905) - Criado por Winsor McCayUma das grandes e interessantes tiras do século XX. Com o uso de uma mesma trama: um garoto explora mundos surreais para sempre, no final, acordar e perceber que tudo não passou de um sonho bizarro(e sempre cainda da cama). Simples e superficial se imaginar pela descrição até agora, mas a tira surpreende: seja pelo uso da narrativa(dizem que influenciou muitos filmes e quadrinhos), a surrealidade dos universos percorridos pelo garoto ou pela qualidade do traço que lembra muitos cartazes do século XIX, contudo com um apelo mais cartunesco. A trama foi mantida até o final da tira, sem muitas reviravoltas. O sucesso da tira provocou até um briga pela sua publicação: do New York Herald com o New York American, do Hearst. As tiras, em formato digital, são encontradas no Comic Strip Library(em inglês). Fica um dúvida: será que influenciou todos aqueles filmes que finalizam com "Tudo não passou de um sonho"? Não me venha falar que é culpa só de Shakespeare, eu não acredito.
2)Peanuts(1950) - Criado por Charles M. SchulzMinduim e sua turma começam a traçar seu curso de sucesso na década de 50, assim atingindo o mundo todo e tendo também gerado um desenho animado muito bem produzido. A premissa das aventuras é simples: mostra crianças e suas descobertas e aventuras. Mas como o protagonista, Charlie Brown, é um derrotado: loser na concepção léxica da palavra, acaba sendo sempre decepções e desventuras. Charlie é o personagem hamletiano pateta: sempre incapaz de agir da maneira certa e sempre cometendo os mesmo erros por causa da sua falta de habilidade em quase tudo. O interessante, além das tiras, são as partes do desenho animado onde aparecem adultos: nós, telespectadores, não entendemos o que os adultos falam(só as crianças do desenho), mostrando também que a criança vive em outro universo à parte do adulto e que se adentrarmos em um universo estaremos, por lógica, fora do outro.
3)Mafalda(1966) - Criada por QuinoTira latino-americana, já se imagina protesto, ainda mais sendo argentina. Na mosca! Mas pensar que uma menina politizada iria causar tamanho rebuliço, é improvável. Quino sabiamente articulou uma turma onde os arquétipos sociais se representam na Mafalda e em sua turma. Boas sacadas, aliadas a muito uso de imagens da imaginação infantil. As tiras estão situadas no Clube da Mafalda. O quadrinho tem um estilo muito bom, como uma narrativa continda e soberba; os argentinos, parecem, dominam a arte sequencial muito bem. Enfim, Mafalda é realmente muito bom, mas dizem que as charges e os cartuns do Quino são superiores à tira. Outra coisa interessante é que ela é muitas vezes comparadas com O Charlie Brown, Umberto Eco acha isso, inclusive.
4)Turma da Mônica(1963, Franjinha e Bidu foi em 59) - Criada por Maurício de SouzaInfluenciado pelo Peanuts, A turma da mônica é outra tira interessante voltada para o universo infantil. Seu viés, no entanto, é mais para as crianças e pré-adolescentes(sobretudo nos dias de hoje que o estúdio maurício de souza quer entreter as crianças). Contudo as origens revelam as raízes que tem com suas publicações irmãs: boas sacadas e críticas ao costumes. As tiras tem um bom arquivo no Tirinhas TDM. O interessante da Turma da Mônica é que o autor foi criando um universo de personagens que abrangesse além dos personagens da Rua do Limoeiro, por ventura, os personagens se encontram em grandes sagas a la comics de super-heróis. Minha crítica só pontua algo: a produção em série que se tornou a tira, ao longo dos anos, fez a qualidade cair, resultando em algo banal que simplesmente faz parte de um conglomerado. Nem me falem dos novos personagens politicamente corretos!
5)Calvin and Hobbes(1986) - Criado por Bill WattersonNão, João Calvino e Thomas Hobbes não fazem parte de uma cruzada tirânica pelas tirinhas mundo afora. O "lobo do homem" é apenas um bichinho de pelúcia e é um tigre de verdade apenas para o outro protagonista: Calvin, logicamente. Como todas as outras boas tiras anteriores, alia a genialidade da época com sacadas atemporais. Um menino e seu bichinho de pelúcia: nada mais. Suas aventuras partem daí e se desenvolvem de todas as formas possíveis e imagináveis. Bom site sobre o garoto é o Depósito do Calvin. O Autor tem um política de proibir qualquer produto atrelado ao nome "Calvin and Hobbes", assim os genéricos e entusiástas ficaram a cargo da confecção e venda de tais produtos, até que é um cara legal, não?
Agora não me encham o saco e vão ler tiras nos links, muitas tiras!
Você deseja saber mais?
Manual Prático do indie pinguim - Parte 1: Discos de Jazz
Manual Prático do indie pinguim - Parte 3: Caixa de sobrevivência do Indie
Manual Prático do indie pinguim - Parte 4: Uma introdução a arte sequencial
Manual Prático do indie pinguim - Parte 5: Ser blogueiro?
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Top 5- Grandes Façanhas dos Popstars Oitentistas
Vamos fazer um exercicío básico de administração voltada para o mundo do entretenimento. Qual o target, o alvo, a parcela de consumidores mais procurada pelo mundo pop? Sim, são elas, as garotas aborrescentes, ainda longe de se ocuparam com algo mais produtivo como trabalho e contas para pagar, e que torram a mesada dada pelos pais em discos, ingressos para filmes e tudo mais. George Michael tinha atingindo em cheio essa fatia do público nos loucos anos 80. Vamos, então, ir mais longe nesse exercício. Normalmente, o apelo das canções pop para essa parte do público implica numa espécie de, digamos, "cooptação de papéis" por parte das jovens donzelas. Elas ouvem as canções, como se o alvo das lamúrias cantadas pelo seu ídolo fossem dirigidas para si próprias. Sim. Elas não separam as coisas. A música ouvida versa sobre elas, e tão somente elas, e pronto. "Ai, que romântico!", ouvimos por ai. Agora, então, vem a última parte do exercício. Imaginem que uma garota devote sua existência em torno de um determinado cantor. Ai, então, ela descobre que todas aquelas músicas que lhe provocavam rios de lágrimas, na verdade não eram cantadas para "ela". Nem para outra mulher, que o seja. Eram cantadas para outro homem. Pois o seu ídolo, na verdade, é gay. Não, a tonhice delas jamais permitiria tamanha "traição". E lá se iam os dólares embora. George Michael enfrentou essa condição até onde pôde para poder seguir sua carreira. Deixou pistas aqui e acolá (como na música Freedom do seu segundo álbum, Listen Without Prejudice), evitava gravar clipes em determinado ponto de sua carreira, brigou com gravadoras e tudo mais. Só foi sair do armário, como se diz da famosa expressão, em 1998, quando foi pego no escândalo do banheiro no parque em Los Angeles. Foi por um triz. Hoje, Michael está quase esquecido, mas o seu sacrifício em nome dos dólares sempre será lembrado. Outros como Montgomery Clift não suportaram. Ele ficou em pé. Ponto pra ele.
A carreira de Paul McCartney nos anos 80 foi como a grossa maioria das estrelas das duas décadas anteriores (Eric Clapton, David Bowie, Rolling Stones e outros mais): constrangedora no âmbito artístico, muito mais voltada para factóides e ativismos do que para a criação de músicas e álbuns minimamente decentes. McCartney aborreceu o mundo na época com seu ativismo barulhento em favor dos direitos dos animais, campanha que abraçou ao lado de sua mulher, Linda McCartney (in memorian). A consequência mais profunda desse comportamento foi sua conversão para o vegetarianismo. Como eu não posso sequer imaginar como deve ser uma vida na qual alguém abre mão de comer carne, digo aqui que imagino, sim, o ato de Macca como uma grande façanha. Mas precisava ter aporrinhado tanto? Lembram do show dele no Maracanã, em 90? Proibiu a venda de hamburgeres e outros produtos derivados de carne bovina, suína ou o escambau. Mala. Mas repito: foi uma façanha.
Tina Turner já era um mito da música quando a década de 80 chegou, mas sua imagem ainda permanecia presa ao lado da do seu marido, Ike Turner, que controlava sua carreira a ferro e fogo, e com algumas bolachas na cara também. Cansada de apanhar do maluco, e querendo escrever sozinha seu nome no rol das estrelas, Tina resolveu bancar um improvável divórcio, pessoal e profissional, do abusivo Ike. A sua coragem se pagou, e Tina acabou vendendo quintilhões de discos na época, disassociando de vez seu nome da figura sombria de seu ex-marido. Embora ele alegasse até a hora de sua morte, no ano passado, que batia, mas também apanhava um bocado dela. A sua auto-biografia foi apropriadamente entitulada "Quero o Meu Nome de Volta". Mas a vingança de Tina contra os abusos cometidos por ele foi doce. A imagem de Ike Turner sempre será a do marido violento, em detrimento dos seus dotes como compositor, uma imagem que traz antipatia à simples menção do seu nome, enquanto Tina terá sempre seu nome colocado ao lado das lendas da música. A verdade? Jamais saberemos.
Não deve ser fácil ter o seu nome na capa do disco mais vendido da história da humanidade. Isso deve trazer muita pressão para o indivíduo em questão. Michael Jackson, jogado desde criança sobre a luz dos holofotes, e sempre sofrendo abusos físicos e psicológicos do pai, não poderia jamais ter sido o sorteado, por culpa de sua baixíssima auto-estima. Mas alguém tinha que ser dono dessa marca. Jackson então resolveu o que fazer depois de ter atingindo tal nível de estrelato. Despediu-se de sua sanidade, e resolveu assumir as vestes de Napoleão Bonaparte. Sim, Michael ficou é maluco de uma vez, daqueles de carteirinha, que ficam olhando por horas seguidas para uma parede, rindo indefinidamente. Sua insanidade persiste firme até hoje, e provavelmente será sempre dominante na vida do cidadão que possue o nome escrito na capa do disco mais vendido da história da humanidade. Pois alguém tinha de assumir essa marca. Mesmo que às custas da sua sanidade. Michael entendeu o jogo. Mas não posso parabenizá-lo, por motivos óbvios. Mas fica aqui o registro.
O clipe abria com uma bela cantora com o cabelo raspado, em close-up, na frente de um desolador fundo negro. Um arranjo arrastado de cordas entrava quase que ao mesmo tempo. Segundos depois, uma voz cristalina e poderosa emendava os seguintes versos: "It's been seven hours and fifteen days, since you took your love away". Sim, meus amigos, foi uma devastação. Nothing Compares to You, música escrita pelo também popstar Prince (ausente desse ranking, embora também tenha cometido suas façanhas) especialmente para ela. Ele deve ter pegado. Mas a música tocava em todos os cantos. Lembro-me claramente de uma vez, quando minha mãe levava eu e minha irmã para a escola, e a música estava tocando no rádio de um boteco fétido pelo qual nós sempre passávamos em frente no caminho. Mesmo tão criança, pude jurar que os bebuns estavam mergulhados na melancolia classuda da canção, que hoje percebo ser perfeita para esse tipo de ambiente. Mas por que Sinéad O'Connor, irlandesa tão lindinha que poderia ter facilmente virado Tetéia (e por que não virou, então, Progressista?), resolveu cortar suas melenas e assumir a imagem de "cantora-rebelde-confessional-careca" para o mundo? A explicação é simples: sua crença no budismo, e na imagem de pureza que ela imagina passar uma cabeça sem cabelos. Seria lindo se houvessem explicações mais intricadas, mas no caso de uma louca de pedra como O'Connor (queimou a foto do Papa João Paulo II num episódio do Saturday Night Live, ato que arruinou sua carreira), a explicação mais simples é a mais correta. Com as tretas envolvendo a independência do Tibete e o governo chinês, e o boicote às Olimpíadas de Pequim em solidariedade ao Dalai Lama, podemos dizer que O'Connor, além de tudo, foi visionária? Não. Seria um exagero. Mas um brinde à maior façanha dos popstars oitentistas. 