quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Um texto sem refresco


Um calor absurdo atinge nossa metrópole. Uns dizem que a primavera chegou de vez e outros gostam de ressaltar o período de calor com a famosa conversa de elevador "que calor não?"; deixando os idiotas da obviedade e a retórica de lado, pensei em muitas coisas para postar neste blog no meu período de retiro espiritual forçado, em verdade, até rascunhei uns trechos sobre temas interessantes abrangendo desde música até fenomenologia aplicada ao cinema. Poderia, inclusive, colocar uns trechos desconexos com a finalidade de denotar que não fiquei sem fazer nada, mostrando assim que minha cabeça não é um deserto de idéias, mas quer saber: não vou falar nada, principalmente porque não sei como dizer e justificar as minhas frequentes escapadas e ausências. Posso ter ido para Paris, Texas...




sábado, 11 de outubro de 2008

Se Superman é Clark Kent, Tyler Durden é Tyler Durden

Os nomes que adotamos na internet são todos pseudônimos, só pra constar. E no mundo real nossas identidades permanecem secretas, ainda que, entre si, nos conheçamos e nos freqüentemos, nós que escrevemos, cantamos e posamos para internautas do mundo inteiro. Somos como uma liga da justiça que, em dia de semana, é gente como a gente, que pega ônibus e passa mal se come maionese vencida. Quando nos encontramos pelas ruas de São Paulo, por exemplo, como outro dia em que encontrei Mallu Magalhães no metrô, nos cumprimentamos discretamente, às vezes apenas com um olhar cúmplice.

Eram umas três e meia da tarde, e eu embarquei na estação Ana Rosa, a caminho de..., para me deparar com Mallu, sentada com o violão no colo. Ela quase não conseguiu disfarçar a surpresa e contentamento ao me ver:

- Oi, Camarada Fundamentalista! – um tom de voz quase que alto demais, que ela já diminuiu pela metade ao prosseguir: - Que bom te ver, rsrsrs.

- Bom te ver também, Mallu Magalhães, rsrsrsrsrsrs – respondi, me ajeitando entre um cara enorme, de sobretudo, e uma mulher cheia de sacolas, que me fizeram pensar que Mallu Magalhães era o tipo de pessoa que não segurava sacolas nem mochilas para os outros em ônibus e metrôs, tsc, tsc, tsc. Mas eu sou muito julgador, por isso afastei esse pensamento da cabeça e ia perguntar não sei quê pra ela, quando o trem parou bruscamente, e o cara enorme oscilou como um carvalho golpeado por um guindaste, e me perdoem a eloqüência inesperada da imagem.

"Mallu, que surpresa!"

(Um fã da Mallu que leu a primeira versão deste relato observou que provavelmente ela não se oferecera para segurar as sacolas da mulher das sacolas porque estava com seu inseparável violão no colo, como eu mesmo mencionei. Plausível, mas mantive o original, compensando-o com este adendo, por achar mais honesto registrar minha possível precipitação. Agradeço ;) especialmente, portanto, a Wilson F., o fã, que me garantiu que Mallu Magalhães não só segura bolsas e sacolas, como cede seu assento para idosos, gestantes e deficientes físicos.)

Ô, sim, era naquela época de constantes falhas mecânicas do metrô, que não suportava o aumento excessivo de usuários com a integração metrô-ônibus possibilitada pelo Bilhete Único. O vagão lotado, e quente como é na Linha Verde, já imaginem, porque, não sei se lembram, mas as paradas devido a falhas mecânicas então podiam durar de vinte a trinta minutos, como de fato se deu.

Passados dez minutos, e nada, as pessoas se abanando, bufando e resmungando, como uma purulenta galé de degredados, Mallu e eu tivemos a idéia de salvar o dia, principalmente considerando que havia ali muitos dos internautas que tanto nos amavam em segredo. Demos uma piscadela, e ela já foi tirando o violão da capa. Não foi preciso mais nada para que meia dúzia – dentre os quais, um casalzinho indie e um rapaz com um Dom Casmurro do Estadão nas mãos – a reconhecesse, mas, contidos como são os jovens bem-nascidos, procuraram apenas chegar mais perto, porque sabiam que dali sairia aquele folk gostoso e intimista, ora entranhado, que fez a fama de Mallu Magalhães.

"Essa aqui é pro meu grande rsrs camarada rsrsrsrs, Camarada Fundamentalista."

A pedido meu, que considerava a mais representativa cover de seu repertório e especialmente adequada à ocasião, sem dizer que a de Mallu era a melhor interpretação desde a versão original de Johnny Cash, ela começou a introdução de “Folsom Prison Blues”:

“I hear the train a comin'

It's rolling round the bend

and I ain't seen the sunshine since I don't know when,
I’m stuck in Folsom prison, and time keeps draggin' on
but that train keeps a rollin' on down to San Anton.
When I was just a baby my mama told me:
Son, always be a good boy, don't ever play with guns.
But I shot a man in Reno just to watch him die
When I hear that whistle I hang my head and cry.”

E que olhar era aquele no rostinho de Mallu, da angústia negra de Memphis, da revolta estudantil do Quartier Latin, da sanha assassina das Bolsas em 1997, era o puro espírito maldito! Arrepiado, dizia comigo mesmo que já não estávamos num vagão de metrô entre as estações Paraíso e Brigadeiro, aquilo era a Caverna de Adulão, referência que os leitores versados nas Escrituras não deixarão passar. E continuou, prodigiosa:

“I bet there's rich folks eating in a fancy dining car
they’re probally drinkin' coffee and smoking big cigarrs.
Well I know I had it coming, I know I can’t be free
but those people keep a movin'and that’s what torture means.”

(Muitos blogueiros me perguntam, em congressos de que participo, se a introdução de letras de música, mesmo quando devidamente contextualizadas, como “é o caso de seus posts”, eles contemporizam, se mesmo assim é legítima. A pergunta procede desde que muitos amadores, notadamente miguxinhas não filiadas, fazem disso um expediente gratuito e preguiçoso. Costumo dizer que a subversão fraudulenta de um recurso legítimo depõe, por certo, tão-somente contra o subversivo, como se diz que a lei é boa, nós é que somos corruptos.)

“Well if they'd free me from this prison,
if that railroad train was mine
I bet I'd move just a little further down the line
far from Folsom prison is where I long to stay
and I'd let that lonesome whistle blow my blues away.”

Aquilo era um canto da terra, profundo e verdadeiro apenas como um produto da natureza podia ser. E eu tinha certeza de que todos naquele cubículo haviam transcendido, nem que por quatro minutos, porque quando desembarcaram, minutos mais tarde, na Trianon-Masp e na Consolação, iam com um semblante como que purificado por uma grande fúria finalmente liberada pela voz e violão de Mallu Magalhães. Ela, que também o pressentira, quando nos despedimos no Sumaré, onde ela ia descer, me confessou, renunciando por um instante a sua grande humildade de artista folk:

- E pensar que eu nunca estive em Folsom Prison, rsrsrsrsrsrsrs.

– Nem nós, Mallu, nem nós.

A Arte, e somente a Arte, é capaz de nos unir tanto na miséria aviltante, como na glória excelsa.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Fomos ao Cinema ver Ensaio Sobre a Cegueira




Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.


Camarada Progressista acorda. Camarada Progressista toma café, e liga para o Camarada Fundamentalista.

C.P -Alô. Vamos ver o Ensaio Sobre a Cegueira

C.F. -Vamos. Vamos ver o Ensaio Sobre a Cegueira

C.P. -Vamos chamar aquela amiga que leu o livro e achou bala?

C.F. -Vamos. Vamos chamar aquela amiga que leu livro e achou bala

C.P. -Eu sei a história do livro. Todo mundo fica cego, do nada. A sociedade começa a entrar em colapso, e todos acabam descobrindo -depois de muita sujeira e sacanagem- que o ser humano somente pode aproveitar o relacionamento com os seus semelhantes de uma maneira harmônica e civilizada quando ele não pode enxergá-los, livrando-se assim dos preconceitos e pré-julgamentos em relação aos seus iguais. O negócio segundo o velho batuta é todo mundo colocar uma venda nos olhos e sair amando todo mundo. Bem que eu achava que os cegos sempre tinham muito amor para dar mesmo. O filme deve ser a mesma coisa. Um monte de simbolismos bonitos e ingênuos. O Saramago, velho comuna que é, acredita mesmo nessas bobagens.

C.F. -É verdade.

C.P. -Né?

C.F. -É

C.P -Marca ai, e vamos.

Marcamos, e fomos

Depois do filme:

C.P -Pô, esse filme é uma porcaria

C.F. -É

C.P. -Teríamos aproveitado melhor se tivéssemos visto com uma venda nos olhos. Você sabe, apenas com o áudio, não teríamos de ter aturado o anacronismo Stoneano do Meirelles, ou então a desagradável sensação de ver a nossa cidade usada como um símbolo do colapso da civilização ocidental, da inadequação humana, e de todo o resto.

C.F. -Mas isso não seria deveras metalinguístico?

C.P -Talvez fosse essa a intenção do cara, percebemos que a melhor maneira de entender o espírito do filme fosse vê-lo com os olhos fechados ou obstruídos. Vamos tentar ver o filme de novo dessa maneira? Com uma venda nos olhos?

C.F. -Não, pombas. Isso seria deveras constrangedor. Vai você, que eu fico. Leva a amiga que achou o filme bala.

C.P. -Ela aceitaria a experiência?

C.F. -Não sei. Liga lá. Hi - 5

C.P. -Hi-5



Liguei. Ela não aceitou. Fui então sozinho. Entrei normal na sala de cinema, sussa. Ai, quando as luzes se apagaram, peguei minha venda e coloquei nos olhos. Magia. O filme aconteceu para mim. Emocionante. Jamais havia notado o quanto podemos evoluir como seres humanos quando colocamos uma venda nos olhos. Liguei então para o Fundamentalista


C.P. -Alô

C.F. -Alô

C.P. -Vi o filme com uma venda nos olhos. Transcendi.

C.F. -Você é um idiota.

C.P. -Você diz isso agora. Se ficasse com os olhos fechados, perceberia o quanto uma afirmação dessas pode ser carregada de ódio e pré-julgamentos. Vamos fazer assim: feche os olhos, e eu falarei mais uma vez sobre a experiência que tive, e você verá que a sua reação anterior foi equivocada.

C.F. -Ok. Fechei os olhos.

C.P. -Bom. Vamos tentar de novo. Oi, Fundamentalista, eu assisti de novo o Ensaio Sobre a Cegueira, dessa vez com uma venda nos olhos. Transcendi.

CF. -(Segundos de silêncio depois) Você é um idiota. Nossa, chamar você de idiota com os olhos fechados foi uma experiência única. Transcendi.

C.P. -Bah. Será que eu consigo as 10 pratas que paguei?

C.F. -Não sei. Tente pedir a grana de volta com uma venda nos olhos.

C.P. -Ha ha. Nessas eu já tirava a venda e te mandava uma nas fuças. Mudando de assunto, você viu o casamento da Sandy?

C.F. -Vi. Também tenho acompanhado todas as notícias relacionadas ao casório, lua de mel e tudo mais. Estou gastando um dinheirão com as Contigos da vida. Mas vale a pena. A Sandy é realeza.

C.P. -Digo o mesmo! Será que o cara que ela casou será um bom marido? Qual é o nome dele mesmo? Joca, Jonas, Lúcio, André, Márcio... putz... deu um branco..

C.F. -Não é Ricardo? Ele era daquela grupo meio Hanson com violinos, não era?

C.P. -Era sim. Mas o pai dele fazia parte. Então, era um grupo meio Hanson com violinos e com o pai junto. Mas arrisco dizer que era melhor que o Hanson. Liga pra nossa amiga, ela sabe o nome do carinha, parece que ela acha ele um pão.

C.F. -Ligo sim. E a crise econômica, você tem se informado a respeito?

C.P. -Putz, não... é que, tipo, dá um bode de ler sobre... Mas conta aí pra mim o que está rolando!

C.F. -Estou por fora também. Pena.

C.P. -Pena.
O telefone tocou. Era outra linha.

A mulher do médico levantou-se e foi à janela. Olhou para baixo, para a rua coberta de lixo, para as pessoas que gritavam e cantavam. Depois levantou a cabeça para o céu e viu-o todo branco, Chegou a minha vez, pensou. O medo súbito fê-la baixar os olhos. A cidade ainda ali estava.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

De como Jewel e eu salvamos a Augusta

Jewel e eu. A Jewel de 95 é um dos meus 14 grandes amores. É uma lista fixa que foi inaugurada muito antes de eu saber que seria uma lista, quando eu vi um dos irmãos Hanson, aquele, e achei que era uma garota, pelo que me lembro, mas isso não vem ao caso.

Depois mais equívocos, quando eu me apaixonei pela Victoria (então) Adams, ainda Posh Spice, por causa de “2 Become 1”, que eu cantava junto, em falsete, apontando com o dedinho que nem ela fazia no clipe.

Mas se é natural sentir atração por um homem, achando que é uma mulher, e mesmo depois de descobrir, não querer acreditar, bem, e gostar de Jewel?

Em Pieces of You, seu debut, ela expôs sua alma dilacerada, ecoando a dor de multidões que comprariam o disco, garantindo um colinho milionário para suas lamentações intermináveis, mas totalmente justificadas. Porque ela não negociaria seus sentimentos para agradar ninguém. Aqui, o paralelo com Marilyn Mason é evidente e inevitável, como muito bem assinalado pelo Wikipedia.

Mas Jewel e eu. Talvez nossa história tenha começado apenas por causa da rua Augusta. Sim, acho que é isso mesmo. Já posso me lembrar...

Jewel de 95.

De como eu desci a Augusta, sentido centro, e provei um pouco do mundo cão. Como descesse a Augusta, sentido centro, muito, muito longe de casa, logo ficou claro pra mim que seria difícil viver o lado Coca-Cola da vida ali. E a coisa só piorou, quando a Bichinha Pobre, perto de mim, disse detestar cinema nacional. Nesse instante, devastado, pela quinta vez naquela semana jurei vingança ao Capital, que fazia do homem proletário, e do proletário consumidor, e do consumidor bichinha, aquela bichinha.

Um menino como eu, criado a leite com pêra, conhecia lugares como a Augusta apenas de ver Amarelo Manga ou Baixio das Bestas. Aliás, assistir Baixio das Bestas é um tipo de obra social.

De como eu me juntei com o dono do Feliciano’s Bar para trazer Jewel pra Augusta e salvar aqueles desgraçados. Com essas noções de degradação social do cinema brasileiro misturando-se na minha cabeça, é que eu me lembrei do clipe de “Who Will Save Your Soul”, em que a Jewel salvava um bando de excluídos incontinentes num banheiro público só tocando violão. Foi aí que eu tive a idéia de trazê-la pra cá, e então era só ela tocar violão e fazer aquele bando de pederastas e meretrizes mudarem de vida.

Parei pra tomar uma Coca num boteco, eu, um menino criado a leite com pêra, mas que, àquele ponto, já não tinha mais escrúpulo algum. O dono do bar, que era uma espécie de Paul Newman paraibano, chegou-se pro meu lado e disse: – Eu sei o que você tá pensando, que isso aqui não tem jeito. Mas você, um menino criado a leite com pêra, não veio parar aqui por acaso. Não podem imaginar como aquelas palavras me devolveram toda a vontade de mudar o mundo. Puxei na hora um santinho do Glauber Rocha que eu carregava comigo, junto ao peito, e beijei-o.


Terminei a Coca de um só gole e disse àquele clarividente comerciário:

- Eu acho que sei o que fazer, mas preciso da sua ajuda.

- Opa – ele respondeu e bateu o paninho encardido contra o balcão.

Contei então pra ele o meu plano de trazer Jewel pra Augusta. Nessa hora fizemos o Hi-5.

De como eu não tinha idéia de como trazer Jewel pra Augusta e salvar aqueles desgraçados e acabei desacreditado pelo dono do Feliciano’s Bar. Então, o dono do bar me perguntou como traríamos a “Jiu” e seu violão pra Augusta. Respondi que eu não era um indivíduo particularmente prático. – E não particularmente? – ele me perguntou. Desconversei, falando que uma coisa dessas não acontecia assim, da noite pro dia, a-ham.

De como o acadêmico falha miseravelmente em alcançar o Homem Comum. O problema todo do Homem Comum é esse: a incapacidade de deter-se no plano das idéias, viver uma experiência puramente teórica, por mais paradoxal que pareça. Ele quer ver logo os resultados, quer partir pra ação quando não é hora. E, aliás, quem pode saber qual é a hora? Era o que eu procurava explicar ao dono do bar. Inutilmente.

De como tudo acabou inesperadamente comigo cantando pro dono do Feliciano’s Bar “Who Will Save Your Soul”, porque também ele era um desgraçado. Então, eu comecei a cantar, arriscando inclusive um falsete:

People living their lives for you on TV
They say they're better than you and you agree
He says "Hold my calls from behind those cold brick walls"
Says "Come here boys, there ain't nothing for free"
Another doctor's bill, a lawyer's bill
Another cute cheap thrill
You know you love him if you put in your will
Who will save your soul when it comes to the flower
Who will save your soul after all the lies that you told, boy
Who will save your soul if you won't save your own?

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Paul Newman - Uma Retrospectiva

Sábado, a nobre arte da parrudagem sofreu um golpe letal. Paul Newman, ator norte-americano e mito nas horas vagas, morreu de câncer no pulmão, aos 83 anos. Sério, top-4 dos cools da era pós-Classic Hollywood, ao lado dos pouco importantes Marlon Brando, James Dean e Steve McQueen. Basicamente, todo homem que nasceu depois de 1950 tem tentado ser como esses quatro, lógico que falhando todos miseravelmente no final. Mas ao invés de tentarmos ser Paul Newman e aguentar uma saraivada de porradas do George Kennedy e ainda nos mantermos em pé como ele fez no Rebeldia Indomável, que tal admitirmos que somos uns franguinhos, e homenageá-lo, recolhendo-nos à nossa insignificância? Todos em pé, pois agora vem a retrospectiva Paul Newman. Que momento. Que vida. Que Bernie Mac. Er, quer dizer, que Paul Newman.

Gata em Teto de Zinco Quente. No melhor estilo Tennessee Williams, Elizabeth Taylor estava necessitada, e querendo chamego. Newman não. Era quando ele quisesse, na hora que ele quisesse, e com quem ele quisesse. Entenderam? Por isso, Taylor saiu de mãos abanando. Outro homem seria sido tachado de maricas por perder tamanha oportunidade. Newman não. Quem era louco?

Desafio à Corrupção. No filme de Robert Rossen, Newman mostrou que a sinuca, normalmente associada aos tiozinhos cachaceiros e gordos, poderia também ser um troço perigoso. Fast Eddie Nelson jogando legal, o jogo da mesinha e o jogo da vida também. Bolas na caçapa, socos na fuça, e um George C. Scott arregando no final. Apelão? Não. Na cara de Newman vocês não diriam isso.

Rebeldia Indomável. Cool Hand Luke. O sangue e o inferno. Depois desse filme, todo machão começou a querer apanhar e ficar de pé. Para depois ir chorar na cama da mamãezinha. Newman? Ha ha. O inferno era seu velho conhecido. Brad Pitt aprendeu direitinho a lição, como vimos no Clube da Luta. Será, mesmo?

Butch Cassidy. O final, depois imitado no clássico sapatão Thelma e Louise, poderia sugerir uma certa, digamos, atração velada e fatal entre Butch e Sundance Kid, a velha simbologia boiola do oeste e dos cowboys, Brokeback Mountain style. Não, não, não. Na cara de Newman, ninguém nem respiraria pensando tamanho absurdo. Na do Robert Redford são outros quinhentos, o cara tá vivo ainda e sempre fez o tipinho "homem sensível". Lógico que depois, quem fizer isso terá que se ver com Paul na outra dimensão. O risco é de vocês.

Golpe de Mestre. Os incautos sempre imaginam ser esse uma continuação do Butch Cassidy, já que foi feito poucos anos depois e contava com Paul Newman e Robert Redford dirigidos mais uma vez pelo George Roy Hill. Tonhos, o filme se passa na Chicago da década de 30, auge da decadência americana pós-crash de 29. Quem falasse uma bobagem dessas na cara de Newman...

Inferno na Torre. Filme longo, chato e exagerado. Mas os dois protagonistas eram Paul Newman e Steve McQueen. Sério, com esses dois era "bom dia, Senhor" e depois olhar para cima, para aqueles que dessem valor às suas vidas. Eles mandaram os roteiristas escreverem o mesmo número de palavras nos diálogos para os dois, somente para eles poderem disputar de maneira justa quem seria o melhor ator. É parrudagem demais para nós, homens comuns.

Grupo de humor inglês Monty Phyton. Não, Paul Newman não fazia parte dele. Não, ele jamais participou do seriado de televisão, dos filmes ou dos especiais. Não, não se sabe qual era a opinião dele a respeito do grupo. Por que então eles estão aqui? Porque eles eram engraçados pra cacete. Pra dar uma descontraída, sabe como é, o clima anda tenso e triste demais nesse post.

O Veredito. No filme de Sidney Lumet, Newman oferece uma das três atuações de cachaceiros mais lembradas da história do cinema (as outras duas sendo o Ray Milland no Farrapo Humano e o Jack Lemmon no Sonhos do Passado). Não que alguém fosse chamá-lo de pau d'água na cara dele. Diríamos apenas, "nossa, Senhor Newman, eu nunca vi uma atuação tão realista de um alcoólatra! O Senhor foi tão perfeito que até dá pra acreditar que é chegado numa birita na vida real!". Nessa, não ficariam nem os pensamentos na cabeça do infeliz. E cadê a Charlotte Rampling? Era uma coisinha meiga essa atriz.

A Cor do Dinheiro. Continuação forçada do Desafio À Corrupção, 20 anos depois do filme original. Divide com Gangues de Nova Iorque o título de pior filme feito pelo Martin Scorcese. Mas rendeu a Newman seu único Oscar, entre as 10 indicações que recebeu na carreira. A Academia pode ser tudo, menos louca. E Newman tentou ensinar a arte da cooleza e da parrudagem para o Tom Cruise, mas sabe como é, o cara tem que nascer com isso dentro de si. Se não, toca pra cientologia, que é o oposto do cool.

Na Roda da Fortuna! Os Irmãos Coen puderam contar com Newman quase de graça, já que ele era fã dos filmes da dupla. Provavelmente foi a escolha de ator mais acertada na história do cinema. Newman humilha em toda cena que aparece. E ninguém foi louco o bastante para tentar mudar isso. Tim Robbins foi de uma subserviência sábia

Estrada da Perdição, último filme live-action protagonizado por Newman, rendeu também sua última indicação ao Oscar. Mesmo com 76 anos de idade, ainda sim Newman provocava temor nas arcadas dentárias alheias. É pra quem pode, não para quem quer.

Carros. Não, esse não é o Paul Newman vestido de carro vintage. Seria uma posição muito desconfortável para um senhor de 80 anos de idade. Newman apenas emprestou sua voz para o carro ai em cima. Última vez na qual sua voz foi ouvida no cinema, quase cinquenta anos depois do começo de sua carreira. Não que alguém fosse louco de chegar nele e falar, "nossa, véio, ainda está nessa de fazer filmes? Vai pra casa jogar bingo!". Geração após geração aprendia com louvor a lição: com o Paul Newman é sempre bom manter o respeito, conserva os dentes. D2!

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Para finalizar, gostaria de dizer que a persona cool-não-ligo-para-nada-e-se-você-tiver-algum-problema-com-isso-vem-e-fala-na-minha-cara não correspondia ao verdadeiro Paul Newman, que era um notório gentleman e ativo financiador de obras de caridade, ações humanitárias e movimentos de minorias. Não, eu não arreguei pra ele não! Não falem uma coisa dessas! Tá, tá bom, vocês venceram. É que, tipo, vi ontem mais uma vez o Rebeldia Indomável e bateu um medão... Sim, Senhor Newman! O Senhor tem razão, Senhor Newman! Sim, eu sou um moleque idiota, Senhor Newman!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Post com fotos de Ashley Judd

Hoje eu vi, no metrô, um advogado segurando Terra Fria, aquele filme com a Charlize Theron. Sabia que era advogado porque, além do DVD, carregava uns três livros ruins e, o principal, a certa altura da conversa com uma moça ok, ele disse que alguma coisa era improcedente. Nessa hora, eu disse “Ah, tá”.

Aqui uma foto da Ashley Judd, que eu acho um tesouro.

Mas Charlize Theron merece um parágrafo.

Mais de uma vez vieram me falar da beleza de Charlize Theron, dizendo que era ideal etc e tal. Sabe, já tive uma namorada que era a cara dela. Chamava-se Vanessa e tinha cara de esquilo, pelo que eu me lembro. Mas, então. Charlize, filha de Charles e Gerda Theron, nasceu em 7 de agosto de 1975, em Benoni, África do Sul. Uma boa cantada pra se usar com ela é: “Sonhei com você essa noite, neném”.

Mais uma.

Mas de volta. Me preocupou o seguinte: o fato de os advogados de hoje estarem trocando o vade mecum por filmes de tribunal. Eu, por exemplo, já seria bacharel. Essa semana vi Tempo de Matar, só pra constar. Aquele discurso final do Matthew McConaughey é de deixar a gente arrepiado. “Agora imaginem que essa garotinha é branca!” – e lambe o beiço melado de suor e lágrimas. Chocrível!


E aqui outra.

Terra Fria não é tão contundente, principalmente para aqueles que estão acostumados a filmes contundentes. Trata-se de um drama sobre um processo por assédio sexual movido contra uma empresa mineradora de Minnesota, Estados Unidos. (O grifo é do autor, a fim de auxiliar estudantes de Direito que freqüentam este blog.) Nele, Charlize Theron é uma mulher de fibra que aparece às vezes bem esculhambada pra gente não ter dúvida da fibra. :oP

domingo, 28 de setembro de 2008

Ainda os homens do amanhã

Sábado, 14 de fevereiro de 2047. 13h26. Eu estou em apuros, mamãe. Acabei de chegar em Buenos Aires e não me lembro onde mora o tio Val... Ô, sim, lembrei. Tá bem. Te ligo quando chegar lá. Beijo.

14h41. Oi, mamãezinha, cheguei. Estou bem. Tio Val também. A nova cabeça de Gustav Mahler que colocaram nele, apesar do ar severo e das novas mas esperadas fixações com a morte, lhe ficou muito bem. Prefiro-o assim, realmente. A senhora tem de conferir. Tia Marta é que não se conforma; discutem o dia todo porque a cabeça cheira esquisito, e quando brigam, ela começa a gritar “Sinfonia dos Mil, Sinfonia dos Mil!”, e ele quer morrer.

Maman aos 14.

Segunda, 16 de fevereiro de 2047. 20h51. Acabei de voltar do Museu. Ouvimos algumas gravações do que era música há 30, 40 anos. Um horror. Um dos fragmentos, intitulado "Bildam n° 14", devo confessar que era chatíssimo, tinha quatro minutos que pareciam se estender por horas. Tá, o interesse arqueológico, pff. Agora entendo o ditado de que “civilização e energia elétrica são incompatíveis”. Por Diomedes, pensar que já fizeram música com computador. Computador, mamãe! Graças ao bom Calímaco, abandonou-se a guitarra elétrica, a bateria eletrônica e outras obscenidades mais.

Quinta, 19 de fevereiro de 2047. 17h03. Desculpe a demora, é que estive envolvido com a caça a coalas, que se tornaram uma praga nas pradarias. Ah, a senhora sempre me fala de amor. Estou vendo uma moça chamada Helena, muito dócil e prendada. Acho que a arrematarei hoje à noite. Pediram $15 por ela, mas eu não tinha trocado comigo na hora. Mandei reservar. Me deseje sorte, maman.

Me (third from the left) and my mates at... rsrsrsrs Love u guys!

Sábado, 21 de fevereiro de 2047. 11h23. Ô, mamãe querida, estou correndo hoje. Mais tarde, tio Val – que agora insiste em falar alemão, vá bem – vai reger um coro de setecentas crianças carentes entre 21 e 37 anos, todas sem as presas. Lindas. Acredita que ainda não me acostumei com as cebolas daqui, que todos dizem ser as melhores. Ainda me sangra o nariz, mas dizem que é normal. Ah, a tal Helena era uma bela de uma enrascada. Tinha os olhos castanhos, mamãe. Castanhos! Não tinha reparado na hora. Por sorte a senhora que me atendeu era honesta e gentil, e me mostrou devidamente todas as características da moça. Claro, certamente previa devolução futura, sob protestos e reclamações, de que eu não a pouparia. Enfim, ainda espero o amor...

E todo o mundo tem o seu own private dâimon.

sábado, 27 de setembro de 2008

Sweet about me, nothing sweet about me

Quando parece que tudo vai dar errado, começo a pensar na beleza de Claudia Abreu, que é brasileira e atriz, duas coisas que são absolutamente terríveis justamente por poderem ter sido tão boas; provavelmente num outro mundo. E a participação dela no pior e o fato dela continuar sendo tão bonita, meu, acho que sou um romântico.

Fiz um trato com a Martha Suplicy que era o seguinte: se ela não mostrasse a cara durante a campanha ou mesmo depois, votava nela, apesar de tudo. Porque no começo eu estava com essa esperança de que ela não apareceria nenhuma vez. Mas ela descumpriu o nosso trato, desfilando com o surrado tailleur petista e falando que o fato de ser mulher gera preconceito, daí que, se ela se divorcia, então é vagabunda. E eu fiquei sensibilizado nessa hora. Ah, a sociedade paulistana: conservadora e machista. Malufista. E não perde um programa da Hebe.

Ficar sensibilizado por causa de um político – um que é por acaso uma mulher de garra, que diz o que pensa – é como ter pena do Dunga, porque, coitado, o povo brasileiro cobra muito dele. O gênio peripatético do leitor certamente não ignorará como sofismamos no período anterior.

Ser autêntico, dizer o que se pensa. A inversão dos valores. Nietzsche, atacando Sócrates, reclamava que a dialética é uma grosseria; que era indigno argumentar. Mas era ateu. E era também indigno ser ateu. Como não tomar banho ou falar de boca cheia. Richard Dawkins não é o capeta; só alguém que arrota à mesa.

Quando tudo fica feio e ruim, aí tudo fica bonito e legal.

Claudia Abreu civiliza o estilo, pra eu, falando de eleições, envilecê-lo. Sócrates, após ser condenado à morte pelos quinhentos, assim finaliza seu discurso: “Mas agora é hora de partirmos: eu, para morrer; e vocês, para viver. Quem de nós vai para melhor é a todos inaparente, mas não ao deus”. Pois eu queria que nos importasse ser políticos como o era Sócrates: sendo teóricos e, portanto, fazendo da lucidez, que costuma quase sempre vir da reflexão, nossa prática em relação ao cachorro correndo atrás do próprio rabo, a.k.a. mundo das pessoas ser humanas. Porque ser lúcido é olhar o cachorro, e só assim, o que não é um truísmo, porque eu sei que tem muita gente querendo ser o cachorro. (E a forma de dizê-lo é truncada porque precisa.)

Mas também sei que tem gente que defende lucidez no cachorro. Relativistas, é claro. Mas se depois de ouvir os últimos quartetos de Beethoven, ainda continuo achando felicidade em ouvir Gabriella Cilmi cantando “Sweet about me”, como não ser um relativista? Como não justificar posições contraditórias? Mas é culpa da televisão, e de Bergman em DVD. A gente acaba com sensibilidade artística de comercial de desodorante.

Bergman em DVD: o cúmulo da civilização. Em todos os sentidos. Entenda como quiser.

Mas conservadores é que acham bom ser lúcido. Eu acho.

Essa Gabriella Cilmi, ela é um pão. (Isso de dizer que alguém é um pão: só cabe pra quando o dito pão é homem?) E a maquiagem e a produção do clipe induzem o pobre marmanjo à pedofilia sem culpa, disfarçando ainda mais os 16 anos da menina, esses 16 anos de hoje em dia, na base de muita proteína na alimentação. O que faria Sócrates?

Também os homens do amanhã dirão que não sabiam?

E a velha questão se ainda é pedofilia se tem 16. Os que dizem “já” – “se tem 16” – se entregam nessa hora. E como os lamentamos, tsc, tsc, tsc. Mas são os homens do amanhã que hão de decidi-lo, se é, a partir de critérios o mais objetivos possível.

Mas e você, caro leitor, que tem 20 e poucos, poucos... e namora uma colegial, que pensa? Nabokov era Humbert Humbert, como Flaubert Madame Bovary? Ou Lolita? Aliás, Flaubert era Madame Bovary?

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Sobre o show da Madonna e Lobos

É isso ai, turma. Em Dezembro, a garota material que vive num mundo material virá à terra de Machado e Alencar pela segunda vez, para fazer cinco shows no Rio de Janeiro (onde tem o Corcovado) e em São Paulo (onde tem o Fura-Fila). Que delícia. Para entrar no clima de tamanho acontecimento pop, preparo aqui um guia completo sobre o show, para vocês que querem ir, mas não são familiarizados com o universo da diva cinquentona. Bruaca!

Sobre o show
Os ingressos são mais caros que a fome. As filas para comprá-los são maiores que as de sopão de mendingo. O povinho descolado que se interessa pelo mundo fashion infestará as fileiras do Maracanã e do Bambódromo, ops, Bambineira, er, ops, quer dizer, Morumbambi, er, ups, tá, tá, eu falo o nome correto, Morumbi (mas deveria chamar Vila Sônia, verdadeiro bairro no qual se localiza o estádio do São Paulo Futebol Clube). Definitivamente, não é um show para o povão, tipo a Ivete no maraca. Mas se você for do proletariado e estiver arriscando guardar o salário de cinco meses para poder comprar ingresso para o show, eis algumas informações para você não passar vergonha quando for paquerar aquela menina riquinha de Moema (ou da Tijuca, se você for carioca) no meio do show. As meninas também, logicamente, se quiserem arrumar um riquinho, vão em frente. Sim, é uma excelente oportunidade para os alpinistas sociais finalmente tirarem a barriga da miséria. Show da Madonna, também um evento de cunho sociológico.


Parte do show que será visto no Brasil. Ou, como diria o outro, Madonna brincando de Príncipe Adam.


Sobre os discos da Madonna
O disco lançado nesse ano e sobre o qual toda a turnê está baseada, Hard Candy, é um lixão. Não dá mais para aguentar os Timbs (Timbaland e Justin Timberlake) assombrando todo disco pop lançado nos últimos anos. Chega. Se houver no show mais de duas canções dessa porcaria, vocês já sairão lesados, e deveriam cogitar pedir a devolução da grana. Se houver mais de duas canções do disco anterior, Confessions on a Dance Floor, que também era pior do que bater na mãe, vocês sairão mais lesados ainda, e poderiam cogitar um processo criminal contra a produção do show. Se houver cinco segundos de qualquer canção do antepenúltimo disco, a tragédia grega American Life, vocês deveriam cogitar o suicídio, esse subestimado. É, como se pode ver, a carreira da Madonna anda de vento em popa. Sugestões para a bruacona não sacanear os fãs brazucas e fazer um show minimamente decente: tocar o Like a Prayer inteiro, metade do True Blue, algumas canções do Erotica (mas com sacanagem!), Like a Virgin, Material Girl, Bordeline, Vogue, Ray of Light e, tá, vai, Don't Tell Me, musiquinha graciosa que salvou o Music. E, pelos céus, NENHUMA música do disco mais chato da história da humanidade, Bedtime Stories. Se isso acontecer, quebrem tudo! Sério, taca pipoca na moringa da véia. E dá-lhe coro: BRUACA! BRUACA!


Sobre a carreira cinematográfica da Madonna
Hahahahahahahahahahahahahaha! O Framboesa de Ouro agraciou a nossa diva pop com o título de pior atriz do século XX. Justíssimo. Mas se você quiser se exibir, diga para a mina da Vila Madalena a qual você estiver dando em cima que a Madonna é casada com o Tarantino inglês, o Guy Ritchie. O quê? Eu disse Tarantino inglês? HAHAHAHAHAHAHAHAHA! Eu não me aguento. Um brinde para todos aqueles que acharam Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes uma obra-prima. É, se hoje em dia até privada no meio da Avenida Paulista é considerada arte...


Sobre a amizade dela com o Michael Jackson
Eles foram juntos a uma cerimônia do Oscar em 1991. De mãos dadas e tudo. Ela achou ele esquisito. Ele achou ela velha demais para os, er, digamos, padrões de idade dele. A amizade terminou assim, intensa e breve como uma chuva de verão. Pena.

Não, ele não pegou. Com toda a certeza desse mundo.



Sobre ela e o Prince
Ele ajudou a Madonna a escrever uma canção no Like a Prayer, a bela Love Song. E foi só. Pena.


Sobre ela e a Bjork
A Bjork compôs a canção título do horrendo Bedtime Stories e ajudou na produção de outras faixas (o resto ficou por conta do péssimo produtor Babyface). Mas isso não importa. O que realmente conta é que na época existiram rumores de um possível caso amoroso entre as duas. Cole aqui então sua piada de lesbianismo favorita. Mas ficou nisso apenas. Pena.

Sobre ela e o Elton John
Pouco tempo atrás o Elton John criticou a Madonna, dizendo que ela não cantava ao vivo nos seus shows e sempre fazia uso de playbacks. Disse ainda que por isso ela não mandaria mais cartões de Natal para ele, mas que ele estava pouco se lixando. Depois ele se arrependeu e disse ser um falastrão, e que iria pedir desculpas para ela. Não sabemos se ela aceitou ou não, o que não deixa de ser uma pena.

Sobre ela e a Cabala
Madonna é adepta dessa "religião". Irrelevante. Pena.

Sobre ela e a Gwyneth Paltrow
Eram amigas, mas a amizade terminou porque a Paltrow disse não aguentar o estilo de vida Madonniano, as Cabalas e tudo mais. Sei. Cano alto brabo que acabou mal. Paltrow ficou tão arrasada que apelou para o coxinha-mor, Cris Martin. Dignidade? Necas. Pena.

Sobre o livro infantil que ela escreveu
Pais que comprarem um livro infantil escrito pela Madonna para os seus filhos deveriam levar umas bicudas nos coturnos. Agora, se eles comprarem o outro livro dela, o Sex, para dar uma levantada no casamento, ai eu dou o maior apoio. Melhor do que ir em terapias de casal.

Cala a boca, criançada, que eu tô falando!


Sobre ela e o aquecimento global
A Madonna finge que se preocupa com isso, nós fingimos que achamos a preocupação dela sincera, e todo mundo fica feliz.

Sobre ela e o conflito Israel-Palestina
Não existem informações oficiais sobre a opinião de Madonna em relação a esse conflito.

Sobre ela e o conflito Rússia-Geórgia
Não existem informações oficiais sobre a opinião de Madonna em relação a esse conflito.

Sobre ela e a eleição americana
Madonna é pró-Barack Obama. Pegou mal quando ela mostrou num vídeo na abertura da turnê que vem ao Brasil em dezembro uma montagem com o Obama junto com Gandhi e outros símbolos da paz, e o John McCain junto com Hitler e outros símbolos do mal. É, de sutileza e política a Madonna realmente entende. Por essas e outras que a campanha do Obama anda de mal a pior. Democratas, sempre prontos para jogarem na privada as chances que aparecem.

Sobre Madonna e Lobos
Ela não estava no filme, nem tem qualquer tipo de relação com o Clint Eastwood. Mas ela foi casada com o ator principal. O que me lembra de entrar no último tópico, que é...

Sobre ela e o Sean Penn
Madonna e Sean Penn foram casados por um curto período de tempo nos anos 80. Casamento esse que foi marcado por uma cobertura insana da imprensa, tiros do doidaço Sean em helicópteros de paparazzis no dia do casamento, e agressões físicas de parte a parte (parece que eles adoravam trocar uns tapas). Legal ver o Sean Penn bancar o pacifista hoje, e lembrar que ele adora dar uns tapas em mulheres e atirar por ai. Mas isso ficou no passado, e hoje eles são amigos. São mesmo? Vocês que me dizem.

PORRADA! PORRADA!


Para encerrar, dois Top-5:

Piores músicas da Madonna:
5-Take a Bow
4-Secret
3-Bedtime Stories
2-Frozen
1-American Life


Melhores músicas da Madonna:
5-Live to Tell
4-Ray of Light
3-Open Your Heart
2-Vogue
1-Like a Prayer


Obs: dedico esse texto à minha irmã, que faz aniversário hoje e é fã da Madonna. Come on, Vogue, let your body move to the music!

sábado, 20 de setembro de 2008

Brothers, Casa dos Artistas, Roberto Justus

Silvio Santos é um cara esperto. Poucos não admitem isso, até eu, pra quem pensa que nós nos nutrimos de boa literatura e canal de filmes cult, gosto de zapear bastante pelos canais da televisão aberta, sobretudo quando esqueço a conta da Sky escondida em algum canto. Voltando, o nosso amigo do Sbt é um cara deveras sábio: lembro que muito antes de Big Brother 7 e tramas desenrolando por baixo das cobertas na globo. Nosso Sílvio lançou um "genérico" do grupo holandês, mas com um diferencial: nada de idiotas desconhecidos e gostosas  querendo aparecer, pelo contrário, tínhamos alí velhos conhecidos esquecidos oriundos de besteiróis da década de 80; músicos apagados, atores esquecidos, coquetes já nem tão reluzentes. O sumo de outrora, um sucesso passado agora remixado para as novas gerações e mais: seriam todos como eles realmente são, sem falsas e péssimas interpretações. Se bem me lembro até ser pressionado pela Endemol e a cia do senhor Roberto Marinho, a empreitada de nosso amigo ia muito bem, era divertido também; pois, ainda tinha o senhor de cerimônias bilhonário de outro muitas personalidades interessante, sobretudo o tal do Supla.

Nossa amigão em dos seus momentos mais descontraídos no seu programa dominical

Roberto Justus é um cara com bastante grana. Um homem letrado e já falei que tem bastante dinheiro? Percebendo a atual eclosão dos reality shows resolveu se divertir um pouco aproveitando a tendência. Mostrar os erros e mandar os outros embora da empresa era um hábito corriqueiro de nosso mecena publicitário; cara legal, contudo, nunca tolerou incompetentes, ainda mais nas suas empresas que trabalham com quantias gigantescas de dinheiro; em algum momento percebeu que poderia atuar da mesma maneira em cadeia nacional através de um programa que simulasse suas empreitadas, lógico, sem comprometer seu próprio conglomerado, então o nosso homem de madeixas brancas bem cuidades deixou-se levar pela mass media, mas quem disse que coordenar um programa sobre aprendizes era seu intento? Ele queria música nas suas veis, mostrar todo o seu lirismo, aproveitando da sua imagem na televisão, demostrar seu lirismo exacerbado através da música.

De dois homens endieirados, chegamos, através da musicalidade, em um menos milionário, contudo com a mesma verve para o estrelato: Supla. O amigo cabeludo que nos divertia apaixonado pela garota japonesa enquanto ensaiava seu triunfo nos corredores da Casa dos Artistas, nos divertinho e nós fazendo verter lágrimas modestas. Era aquele que, num futuro próximo, viria a ter seu próprio programa, quiça uma rede de televisão junto com uma agência publicitária.

Do seu álbum com uma publicidade agressiva para os reality shows até o seu próprio programa, quiça a prefeitura em pleitos futuros? o governo?

O Charada Brasileiro enfim deu seus primeiros passos rumo a seu domínio midiático: resolveu juntar as bandas com seu irmão, também de alcunha Suplicy- entretanto mais conhecido como João, e criar um entreterimento digno de final das tardes de sábado. Com o título  criativo de "Brothers" e com o apoio de exibição da Rede TV  conseguiu começar sua grande empreitada nos televisores brasileiros. Sem muita apelação, sem muita crítica social, apenas acompanhado do estilo rock and roll e pitadas de bossa nova. Com a premissa de trazer diversão e interatividade( vc pode conversar com um tal de Betty Net, via chat, nada de telefones e beijinhos pra mamãe) para solavancar o público brasileiro de sua poltrona, resta saber se será de raiva o felicidade... bem wap-bop-loola-Brothers!