sábado, 21 de março de 2009

Cuidado! Sua família corre perigo!

Muita gente tropeça em nós ou porque digitou no Google o nome de algum filme errado, ou porque estava procurando Orlando Bloom Costinha piores atores pegando pinguim indie. Eu não sou advogado, mas isso aí deve ser ilegal.

Mas a maioria desses pervertidos (olha, teve uma época em que todo internauta [do grego, marinheiro do meio] era pervertido; tipo, a Polícia Federal deveria checar todo o mundo que já teve ICQ, mas enfim) tem a mentalidade totalitária.

A mentalidade totalitária é parecida com bócio ou crista de galo. Dá pra pegar em corrimão de escada, banheiro público ou se não enxaguar direito.

Um dos benefícios sociais de alcance universal do monoteísmo (anota isso aí, que é intelectualmente chique) é acabar com a idolatria. Ninguém está acima da crítica senão Deus. E isso por definição. Deus pode ser, dependendo de onde se nasce, aquele que traz a chuva, ou quem segura a grande massa de águas. Para nós, é aquele que está acima da crítica. Se você diz que, por exemplo, o Coldplay é absolutamente sensacional, então o Coldplay é Deus. Pessoal, eu não sou teólogo, mas isso aí é blasfêmia. Chris Martin andando sobre o Canal da Mancha, Chris Martin criando o mundo em seis dias, Chris Martin entregando o Decálogo: Não farás cuecão atômico em mim; Não dirás que o Coldplay é o Radiohead descafeinado, etc e tal.

Ha! Eu não sabia!

"Quem é competente faz sucesso." E não pode criticar quem faz sucesso, porque isso é inveja. Ditaduras são construídas sobre muito menos, pessoal. É hora de botar a mão na consciência, porque o metrô está lotado e ninguém vai saber que foi você.

Agora vou usar o argumento Hitler ou argumento nazista.

Antes, a explicação do argumento Hitler:

Toda vez que se quer encerrar a discussão ou, o que é quase a mesma coisa, ganhar a parcela judia da plateia, deve-se apelar a um paralelo dramático, chamado argumento Hitler. "Nossa, mas foi a mesma coisa com o nazismo", ou "Hitler chegou ao poder assim", ou ainda as formas simplificadas "Isso é nazismo" e "Que nem o Hitler".

Pessoal, se a gente não pode falar mal do Coldplay, logo, logo o nazismo está de volta. E digo mais: se a gente não falar mal do Coldplay, o nazismo vai voltar. O que é que os fãs do Coldplay preferem? Ouvir Coldplay ou o nazismo? Pessoal, eu não sou médico, mas o nazismo matou muita gente!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Vá ao show do Radiohead, mas não me chame.

É isso ai, cambada. A crise está batendo na canela de todos. O Fomos ao Cinema, esse blog mais procrastinado que aluguel de malandro, não será afetado pelo tumulto que assola a realidade econômica da geopolítica internacional, já que não somos uma sociedade anônima em busca de lucros fáceis, o que significa que nós não buscamos a renda de títulos, ações e capitais, e por isso não estamos sujeitos a cobranças de impostos,encargos trabalhistas e outras ferramentas. O máximo que poderia acontecer seria alguém confiscar os nossos computadores, mas ai nós poderíamos pedir uns trocados nos faróis para postarmos nas lan houses da vida. A velha rotina do "boa tarde senhores motoristas, eu poderia estar roubando, mas estou aqui, pedindo alguns minutos do seu tempo para mostrar para vocês essa deliciosa novidade, o Chocobis de morango e blá, blá, blá". Uma vez eu fiz uma piada assim para uma ex-namorada, e ouvi um "isso foi muito insensível da sua parte". Pô, fiquei constrangido. Mas o relacionamento estava indo para a tumba mesmo, e a menina tinha tanto humor quanto o Hitler, então tudo ficou bem depois.

Mas, já pedindo para vocês esquecerem essa digressão irritante, venho aqui colocar o dedo na cara do Thom Yorke e dizer que eu estou boicotando o show que a banda mais mala do hemisfério norte fará aqui na terra dos modernistas (nós te amamos, Oswald de Andrade) domingo. Sim, Radiohead, da minha bufunfa vocês não verão nem a sombra! Sei que a banda nem dormirá de preocupação com isso, mas preciso alertar todos os indies que se deslocarão até a longínqua Chácara do Jóquei (é tão longe que nem São Paulo é mais), no bairro da Vila Sônia. Todos vocês que atravessarão a cidade até as fronteiras do oeste precisam ter em mente que esse show poderá ter dois cenários distintos. Peguei a lista de músicas tocadas nos dois shows que a banda fez na Cidade do México (solto um estereotipado arriba para os mexicanos) dias atrás, e a coisa vai ser feia. Quer dizer, se a banda resolver seguir a lista do primeiro show, veremos um suicídio coletivo da indieaiada, no melhor estilo Reverendo Jim Jones, de tão chato que seria o negócio. Se a banda seguir o set-list do segundo dia, ai vai melhorar um pouco só, mas ainda sim veremos um "eu não aguento mais!" aqui e acolá. Lógico que ainda haverão os shows do Kraftwerk (o krautrock morreu, antes ele do que eu) e a volta do Los Hermanos, mas eu vou me concentrar no cardápio principal. Manda ai garçom, dois filés com fritas, morô? Vamos aos dois cenários então:



Radiohead, no melhor estilo Judas Priest. Breaking the law, Breaking the law

Primeiro Cenário
Set-List do primeiro show na Cidade do México

1. 15 Step
2. Airbag
3. There There
4. All I Need
5. Nude
6. Weird Fishes/Arpeggi
7. The Gloaming
8. National Anthem
9. Faust Arp
10. No Surprises
11. Jigsaw Falling Into Place
12. Lucky
13. Reckoner
14. Optimistic
15. Idioteque
16. Fake Plastic Trees
17. Bodysnatchers

Primeiro Bis
18. Videotape
19. Paranoid Android
20. House of Cards
21. My Iron Lung
22. Street Spirit (fade out)

Segundo Bis
23. Pyramid Song
24. Just
25. Everything In Its Right Place

Esse set-list é o mais comum na turnê da banda, e é provável que seja o seguido no show. A sequência inicial (as 17 músicas antes do primeiro bis) é assustadora. Sério, pagar 200 pilas para ver um show dominado por músicas dos soporiferos Kid A, Amnesiac, Hail to the Thief e In Rainbows (que tem TODAS AS MÚSICAS na lista) é de corar. As três do Ok Computer perdidas ali (Airbag, No Surprises e Lucky) são lindas de morrer (ui!), mas ao vivo provocam apenas o sono dos espectadores. Idioteque é uma excelente canção (a melhor do Kid A), mas ao vivo faz a galera toda procurar o bar. E Fake Plastic Trees... blergh. A pior música do The Bends é sempre tocada ao vivo pelo Radiohead como se a banda estivesse fazendo por pura obrigação, jogando para os fãs. Quando menos se espera, é ai que não sai nada mesmo.

O primeiro bis pode acordar finalmente a galera, já que Videotape é a melhor música do In Rainbows (e ao vivo normalmente soa muito bem), My Iron Lung garante boas guitarradas, e Paranoid Android é espetacular, e ao vivo, por mais letárgica que a banda seja, sempre fica apocalíptica. House of Card é um lixo e Street Spirit é uma musica que jamais deveria ser cogitada para se tocar em qualquer show. Mas o Radiohead... Mas o Thom Yorke...
O último bis tem Just apenas para salvar os incautos, já que Pyramid Song é música de elevador da pior qualidade, e Everything in Its Right Place encerrando um show é uma ofensa de uma banda que acha que qualquer arroto que solta é divino. Sério, é piada. Isso é um show, caramba, não um funeral. Se esse for o set-list do show em Sampa, eu repito, temo pelo pior. Mas as coisas podem ser um pouco melhores.




Segundo Cenário
Set-list do segundo show na Cidade do México

01-- 15 Step
02-- There There
03-- The National Anthem
04-- All I Need
05-- Kid A
06-- Karma Police
07-- Nude
08-- Weird Fishes/Arpeggi
09-- The Gloaming
10-- Talk Show Host
11-- Videotape1
12-- You and Whose Army?
13-- Jigsaw Falling Into Place
14-- Idioteque
15-- Climbing Up The Walls
16-- Exit Music (For a Film)
17-- Bodysnatchers

Primeiro Bis
18-- How to Disappear Completely
19-- Paranoid Android
20-- Dollars and Cents
21-- The Bends2
22-- Everything In Its Right Place

Segundo Bis
23-- Like Spinning Plates
24-- Reckoner
25-- Creep

Não é um grande alívio, mas os mexicanos que foram no segundo show tiverem muito mais sorte que os seus conterrâneos que foram no primeiro. Esse set-list é melhor. Longe do ideal, mas um cenário menos catastrófico. Tirando a mania da banda de começar os shows com a inqualificável 15 Step (zzzzzzzzz), temos 3 grandes canções do OK Computer que soam bem ao vivo (Karma Police, Climbing Up The Walls e Exit Music), as músicas dos quatro últimos discos estão melhor colocadas, Paranoid Android permaneceu na lista (se a banda não tocar, quebrem tudo por lá) e, por um milagre divino, a banda incluiu The Bends, canção que garante um bom momento "vamo pulá", como diria SandyeJunior, e Creep. E é aqui que mora o grande mistério do negócio todo. Todo mundo sabe que a banda detesta a música que a lançou ao estrelato, que eles tocam raríssimas vezes ao vivo (normalmente em cidades importantes), e que, quando o fazem, normalmente rola uma má vontade do tamanho de um bonde, ou eles esculhambam tudo de uma vez mesmo, mudando o ritmo e andamento, o Yorke mudando a letra, entre outras molecagens.

Ainda sim, Creep é a única canção do Pablo Honey (primeiro disco) que a banda vem tocando esparsamente nos últimos 10 anos. O resto do álbum simplesmente é ignorado em todas as turnês. Realmente, é de emocionar o carinho que a banda trata o álbum que fez os seus integrantes poderem pagar as suas contas. Só porque ele tem uns clichezinhos do rock alternativo (a velha alternância calmaria-distorção da cartilha Nirvanista assola as músicas) e umas letras meio "mamãe, o mundo é feio", a banda tem vergonha dele. Mas vocês virariam as costas para um filho? Mesmo que, sei lá, ele fosse boca suja, ou batesse em vocês e tudo mais? NÃO! Já passou da hora do Radiohead perder a guarda do moleque. Mas voltando à grande questão, o negócio é saber se eles vão tocar Creep em São Paulo ou não. Se tocarem, por mais safada ou não que seja a execução, vai ser o bicho.

Vi uma vez um vídeo bem maltratado com eles tocando a canção num festival chumbrega dos Estados Unidos em meados de 94, e foi, usando uma expressão batidíssima, catártico. Se eu fosse apostar, colocaria o show do Rio (que será hoje) na questão. A banda vai tocar Creep no Brasil, mas apenas em uma das cidades. Portanto, caso amanhã, meu caro indie paulistano, você leia nos periódicos (momento de época do dia) que a banda tocou Creep na Praça da Apoteose (arrepia Salgueiro!) no Rio, pode colocar a cabeçinha nos braços e chorar. Se não, esfregue as mãos. Aviso do seu melhor amigo, Camarada Progressista, esse insuspeito detrator de Yorke e cia.


Essa foto prova as minhas intenções de amizade com os fãs dos Los Hermanos.

Notas dos discos do Radiohead:
Pablo Honey - 7
The Bends - 9
OK Computer - 10
Kid A - 7,5
Amnesiac - 0
Hail To The Thief - 2,5
In Rainbows - 5

Obs: em breve, tudo sobre os shows da Liza Minelli no Brasil. Músicas, reação do público, depoimentos dos famosos presentes, bastidores, e muito mais.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Fomos ao Cinema ver Entre os Muros da Escola

Vou descrever aqui as coisas que descobri assistindo ao filme francês Entre Os Muros da Escola, vencedor da Palma de Ouro em Cannes no ano passado e indicado derrotado ao Oscar de melhor filme estrangeiro (perdeu para a produção japonesa Okubirito), e que retrata com um ar quase documental o cotidiano de uma classe em uma escola pública na periferia de Paris, e a luta de um professor jovem e idealista para conseguir transmitir os seus ensinamentos para os maltratados alunos. Sim, você deve estar pensando, "mas eu já vi esse filme um milhão de vezes!". Dessa vez é bem diferente, vai por mim. François Bégaudeau, que interpreta o professor, também escreveu o roteiro, baseado em suas próprias experiências como professor. Ele também é vocalista de uma banda punk francesa (uma contradição em termos), escreve colunas de futebol, é autor e roteirista. E, segundo os suspiros e assovios das moças presentes na sessão na qual me encontrava, é biito também. Baita exagero, logicamente.



Coisas que descobri:

Paris tem periferia.

Paris tem escolas públicas.

Paris tem bons alunos.

Paris tem maus alunos.

Paris tem tensões raciais.

Paris tem imigrantes ilegais

Paris tem imigrantes de diversas etnias, muitos deles de ex-colônias francesas, e muitos deles ilegais.


Paris tem professores brancos dando aulas em escolas de periferia, o que gera constantes tensões com os alunos de outras etnias, que se sentem marginalizados e inferiorizados, e muitos deles ilegais. E imigrantes ilegais infelizmente não são permitidos pela constituição francesa, o que em nada afeta o lema daquele país (o lindo Liberdade, Igualdade e Fraternidade).

Paris tem imigrantes chineses ilegais.

Paris tem estudantes chineses que são os melhores alunos nas suas respectivas salas de aula, mesmo sendo imigrantes ilegais.

Eu, eu , eu, eu!


Paris tem estudantes encrenqueiros que são os piores alunos das suas salas, e mesmo sendo imigrantes legais, têm sobre as suas cabeças ameaças de deportação. Ou seja, tanto os bons e os maus alunos acabam enfrentando os mesmos tipos de problemas, se forem imigrantes legais ou ilegais provenientes de continentes como África e Ásia e estiverem vivendo na periferia de Paris.

Professores brancos dando aula para alunos em salas de aula da periferia de Paris com esmagadora predominância de alunos de outras etnias acabam podendo soar um bocado arrogantes, com uma perigosa condescendência permeando os seus atos. Mas eles são brancos e franceses, então eles estão bem.

Conselhos de classe de escolas na periferia parisiense podem ser discriminatórios quando lidam com imigrantes legais ou ilegais. Por isso, se um dia vocês forem imigrantes legais ou ilegais estudando em uma escola na periferia de Paris e venham a passar por um conselho de classe, tenham em mente uma coisa: ferrou.

Imigrantes africanos são muito orgulhosos em relação às nações de origem das suas famílias. O que nos lembra, dado o altíssimo número de ex-colônias francesas na África, que a França se divertiu pacas no continente negro na época do neocolonialismo.

Se você tem duas alunas chatas pra cacete, que ficam interrompendo a aula o tempo todo e tirando um sarro da sua cara, você, professor, em vez de fazer valer a sua autoridade pelos métodos convencionais, pode simplesmente chamá-las de prostitutas na frente da sala toda, e tudo ficará bem. Ninguém questionará a sua falta de polidez, seu misoginismo flagrante e outras coisas menos cotadas.
Agora, se o aluno mais rebelde da sua sala pergunta, na frente de todos os seus alunos, se você é gay, ai você poderá responder educadamente. Totalmente proporcional.
Eu sou o punk da periferia, sou da Freguesia do Ó, ó, aqui pra vocês!

Os emos da periferia parisiense são melhores que os nossos. Eles têm uma razão social, o que é muito importante.

Zidane é mais citado no filme que o presidente Nicolas Sarkozy. Talvez o careca devesse considerar morar por um tempo no Palácio de Versalhes. A molecada toda ama o rapaz, filho de imigrantes argelinos.

A seleção argentina de futebol é citada, mas a brasileira não. E agora, Galvão Bueno?

O futebol é a cura para todo mal. Depois de 130 minutos de aulas mais parecidas com batalhas, xingos, bravatas e racismos para todos os lados, tudo o que precisamos fazer para recuperar o nosso senso comunitário é organizar uma bela pelada entre alunos e professores. Meio que nem o Golpe Baixo, aquele filme do Burt Reynolds que foi refilmado recentemente com o Adam Sandler. Putz, eu tinha de enfiar o Burt Reynolds e o Adam Sandler nesse texto. O que acontece comigo?

Paris é muito hypada. Se as cidades européias fossem bandas, seria sem dúvida alguma o Radiohead.
O filme é bom.

domingo, 8 de março de 2009

Rorschach e os Piratas

Terry Gilliam uma vez disse que seria infilmável a obra de Alan Moore e Dave Gibbons, pelo menos para os padrões comerciais de algumas horas sentado numa poltrona de cinema devorando raivosamente um saquinho de pipoca. Senhores, ele afirmara que seria necessário horas, na verdade doze, para realizar a façanha satisfatoriamente. Até aí, Terry Gilliam sempre foi um brincalhão, não conhecia Zack Snyder e dizia isso em pleno auge da década de noventa.

"Do revolucionário diretor de 300", como diz na chamada, vemos o quadrinho virar filme e sem as exageradas 12 horas de duração: Watchman não é filme para mostras de cinema, é um filminho pipoca mesmo; sentar a bunda na cadeira e devore sua pipoca com mais parcimônia; duas horas e 45 minutos, pois, demorará então até chegar nos créditos.

E sinceramente, 300 me decepcionou muito: não por colocar maquiagem e efeitos para deixar todos os espartanos parecendo ratos de academia ou adoradores de fitness, mas sim por demonstrar, devido a uma certa preocupação de fidelidade, todos os buracos daquela história de Frank Miller, mostrar pelo menos para mim. Agora Madrugada dos Mortos foi uma boa refilmagem. E parece que o Zackinho, amigo de colégio e que adorava suco de pera e ovomaltino, tomou um poquinho de coragem e resolveu tentar alguma coisa mais ousada e "revolucionária" que os gregos de tanga que se amavam antes das batalhas.

1986. São duas décadas e alguns anos, muita gente que vai assistir o filme nem tinha nascido. Desses, alguns nem saberão que Nixon era um cara legal, nem sempre usava nariz falso e só saiu do cenários político graças ao Forrest Gump e nem Dr. Manhattan conseguiu salvar o escândalo na época, ele deve ter ficado verde de inveja: um retardado conseguiu fazer uma coisa que nem cara que cria brinquedinhos de vidro em Marte com a mente, invejinha do homenzinho azul. Depois de duas horas de filme, percebi que o peladão superpoderoso era nosso queridos Billy, sempre se escondendo nas suas atuações, acabei nem percebendo esse detalhe. Penso que talvez porque sua atuação é tão boa que nem percebi que era um ator, era tão boa que parecia efeito especial. Os dias já são outros, vemos tudo do azulão e nada da Rebecca Romijn-Stamos quando ela participou do filme do Brian Singer: peladão pode, mas mulher não, realmente os tempos são outros. E se tratando de uma adaptação bem que poderia ser Doutora: ao invés do expressivo pequeno billy, a estonteante Rebecca Romijn-Stamos. Nós já sabemos que ela sabe interpretar com bastante tinta azul pelo corpo.

Ah.. se você fosse azul nesse filme também

A mancha psicológica de Rorschach estava maneira, eu quero ter uma camiseta daquela, no final me perguntaram se tinha gostado do filme. Calmamente eu disse:

"E os piratas?"

sábado, 7 de março de 2009

Fomos ao cinema ver Watchmen


Pelo espírito de Sigmund

"I'm not locked in here with you! You're locked in here with ME!"
(Rorschach para a plateia pouco antes do filme começar.)

That's all about sex.

Diário de Rorschach: 6 de março de 2009. Americanos pronunciam Rorschach como "Rórtchek". Estranho. Estreia de Watchmen. Não entendi o maldito filme. 163 minutos. Estou exausto. Dr. Manhattan fala como um padre, é superpoderoso e azul. Parece um Viagra gigante. Liberais pederastas, sempre dando um jeito de enfiar sexo em tudo. Quando vierem me pedir ajuda, quando gritarem "Salve-nos!", vou exigir o reembolso do estacionamento.

Diário de Rorschach: 7 de março de 2009. Fui novamente àquele centro espírita na Kensington St. Talvez eu esteja viciado. Dane-se. Havia algo estranho no filme de ontem. Precisava de respostas. Estou confuso. Estão dizendo que Watchmen é uma estilizada fantasia sexual com Richard Nixon. Algo a ver com os EUA terem vencido no Vietnã graças ao Viagra. Não acredito. Distorceram tudo. Dan e eu éramos só dois caras que gostavam de jogos e de ficar juntos o tempo todo. Dan agora é ator, sempre faz papel de fracassados fornicadores. E no entanto é impotente. Que ironia. Edward também é ator. Acho que é o destino natural dos mascarados, como nos chamavam nos anos 1980, quando diziam que a Aids era um castigo divino. Talvez se Nixon não tivesse ferrado tudo, as coisas fossem melhor. Mas divago.

Diário de Rorschach: 11 de março de 2009. Revi Harry Potter e a Câmara Secreta e aluguei Big Fish. Ando desconfiado. A questão é a seguinte: como Emma Watson pode ser apenas uma menininha de 12 anos de idade em Harry Potter e um ano depois ter 24 em Big Fish? Me disseram que haveria uma outra Emma Watson e que ela se chamaria Alison Lohman. Besteria! é o que eu digo. Trata-se de uma conspiração. Alan Moore me avisou disso. Provavelmente Emma Watson sempre tenha sido uma moça de 24 anos. Preciso achar Sam Rockwell. Ele deve saber de alguma coisa, acho que ele é cientólogo.

Emma Watson.

Emma Watson com Sam Rockwell e Nicholas Cage.

Diário de Rorschach: 12 de março de 2009. Estava revendo alguns episódios da terceira temporada de Friends. Deus, como era bom. E aquele Ross, que cara. Li num blog que Watchmen é uma distopia com roupagem comics e explosões que agradam a garotada entre 20 e 50 anos fã de mulheres peitudas em colantes. Mas se Jon é o Viagra e Adrian consegue manipulá-lo para realizar seu plano moralmente questionável para deter a ameaça "nuclear", então o mundo é salvo por quem sabe usar o Viagra? Essa é a mensagem do filme? Usem corretamente o Viagra? Jon andando pelado o tempo todo me fez lembrar dos velhos tempos quando ele andava pelado o tempo todo. Como éramos jovens!

Dr. Manhattan demonstra seu completo domínio sobre a matéria multiplicando-se.

Diário de Rorschach: 14 de março de 2009. Vi o filme pela quinta vez e é muito profundo. Estive pensando em Jon novamente. Ele é o típico homem contemporâneo, que tem de se multiplicar pra dar conta na cama e no trabalho. Mas no fundo quer se mudar pra Marte e ficar sozinho com seus brinquedinhos. "The existence of life is a highly overrated phenomenon", Jon diz no filme. Esse tipo de aniquilacionismo budista era só uma desculpa dele pra ficar exibindo seu negócio azul para estranhos. Ele podia manipular a matéria como bem entendesse. Podia ter tido classe. O fato de Watchmen ser morbidamente violento e, tanto quanto pode ser uma produção comercial, sexualmente explícito não quer dizer que é um filme adulto. Não tinha o John Malkovich.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Fomos ao cinema ver Slumdog Millionaire

Jamal Malik, garoto do chá, aí vai a pergunta valendo não 20 milhões de rúpias (aliás, quanto valem 20 milhões de rúpias?), mas 8 Oscar:

Que tipo de urso é o melhor?

a) Urso polar.
b) Urso branco.
c) Urso negro.
d) Battlestar Galactica.

Estava escrito que Slumdog Millionaire levaria 8 Oscar. E Slumdog Millionaire merece 8 Oscar, só não sei se 8 Oscar merecem uma ida ao cinema. Cerca de uma hora antes de ver o filme do Danny Boyle, eu estava em casa assistindo a Manhattan – desculpem a imagem lasciva a seguir, é puramente documental – sem camisa. Quem me dera nem tê-la vestido.

Churchill achava que os indianos precisavam dos ingleses pra cuidar da Índia. Ao passo que Gandhi dizia que os indianos podiam se virar sozinhos. Bom, a conclusão que eu tiro de Slumdog é que ambos estavam errados. Entrega tudo na mão do Papa ou da Disney. Porque quando o elenco começa a dançar no final do filme na melhor tradição Bollywood, as coisas realmente fizeram sentido e eu vi que tinha entrado numa sessão de Madagascar 2. No lugar de marsupiais, indianos se remexendo muito.

Durante anos assisti resignadamente às pessoas se entregando a um culto doentio aos pinguins. Claro que um engodo internacional armado pelos judeus. Pinguins = judeus, etc e tal. Mas agora são os indianos. Temo que, com isso, eu já não tenha liberdade pra dizer que indianos são inferiores. Não é que sejam, bom, talvez sejam, mas não é esse o meu ponto. Não é o momento pra tratar disso. O fato é que eu prefiro pinguins.

É óbvio que não acho os hindus inferiores. Respeito muito suas crenças. Se tivesse de escolher entre comer uma vaca ou um hindu, comeria o hindu. Além disso, sou uma pessoa muito espiritual. Costumo ter como que visões. Por exemplo, o Grande Pinguim me disse que eu podia escarnecer do hinduísmo e que, se eu matasse dez hindus, Kristen Bell se casaria comigo. Matei e comi os dez. Slumdog Millionaire, por outro lado, é obviamente um filme sem alma. E duvido muito que tenha sequer um corpo. Não importa, pois a Academia não parece ligar pra antropologia filosófica, reencarnação ou cinema.

20 milhões de rúpias, 8 Oscar e R$ 18 pelo ingresso: mais cara que Latika, só Eva.

Mas acho injusto acusarem Danny Boyle de plagiar a galinha do Fernando Meirelles. Em Mumbai existem muitas galinhas. Agora, é o Silvio Santos quem devia processar. Transformado em vilão do filme só porque é judeu. E é broxante descobrir que eles fizeram o pequeno Azharuddin (o garotinho que interpreta o protagonista na infância) afundar num monte de /palavrão/ pelo mesmo motivo que Peter Parker foi mordido por uma aranha radioativa e acabou interpretado por Toby Maguire, isto é, por causa de uma garota. Mas a essa altura do filme, a gente é que se pergunta o que é que está fazendo ali se nem tem uma garota envolvida no negócio.

"Eu me remexo muito!"

Não me entenda mal, se você estiver passando pelo cinema, ficar cansado e quiser pagar pra sentar, compre um ingresso pra Slumdog Millionaire. Nada é ruim. Se eu dissesse isso, não estaria fazendo crítica; estaria falando a verdade, mas não fazendo crítica. Tudo tem alguma coisa que preste. Sua vó vai gostar de Slumdog Millionaire. Está escrito.

Pra efeitos desse post, sou indiano e hindu.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Fomos ao Cinema ver O Lutador

Mickey Rourke é um caso perdido. Provavelmente vai jogar no lixo todas as oportunidades de carreira que aparecerão em cima do seu sucesso nesse O Lutador. Como já está acontecendo, quando descobrimos que um dos seus próximos projetos é um filme do Sylvester Stallone sobre uma ditadura sul-americana (err... Hugo Chaves in in the house?) que é derrubada por um grupo de mercenários. Eu não sei vocês, mas eu vomitei quando li sobre o projeto. 1986 já foi faz tempo, embora o senhor Stallone jamais se convença disso. Rourke embarcar nessa barca furada diz muito sobre a sua complicadíssima personalidade, sobre o medo de se afundar nas responsabilidades de uma carreira de sucesso que marcou a sua vida em Hollywood e o fez largar tudo em meados dos anos 90 para voltar para o boxe. Sim, ele estará no próximo filme do Jonathan Demme (que aparentemente resolveu acordar para a vida e fazer filmes que não sejam remakes), mas sabe como é, um tiro certo, duzentos errados, e a munição vai pro espaço. Uma pena, já que Rourke é um baita ator.


A perfomance dele no filme do ex-enganador Darren Aronofski é uma aula. Percebemos tudo o que se passa na psique do personagem somente olhando para a sua face durante o filme, sem precisarmos das palavras para isso. O ar desesperançoso, seco e emocionalmente frustrante do filme cai como uma luva nessa época de crise que vivemos, tornando o filme um marco zero da causa, praticamente. A câmera segue o seu personagem, o lutador de luta livre Randy "The Ram" Robinson, que foi um dos grandes do esporte nos anos 80, mas que agora sobrevive trabalhando no estoque de um mercadinho e participando de lutas em ambientes pouco glamourosos nos fins-de-semana, e não perde um segundo sequer da sua completa inadequação ao mundo que o cerca, o seu jeito desastrado com as mulheres -exemplificado pela sua relação com a filha (Evan Rachel Wood, muito melhor sem o Marilyn Mason por perto) que lhe odeia por ele a ter largado quando criança e com a stripper Cassidy, interpretada pela Marisa Tomei, que obviamente o trata com um mínimo de atenção somente por enxergá-lo como um cliente, algo que foge à compreensão de Randy, que realmente pensa ter alguma importância ou conexão com aquela mulher -, e a fuga da realidade que ele vivencia quando sobre no ringue e volta a ser, por alguns minutos, a lenda da luta-livre que tanto significa para os fãs do gênero, mesmo essas lutas sendo exercidas em ambientes que passam longe do glamour do seu auge como lutador. Mas esses momentos, como mostrado com maestria pelo filme, significam para Randy a única parte da sua vida na qual ele é tratado com respeito e admiração, ao invés dos chutes seguidos que leva no mundo exterior. A própria natureza cênica do esporte (Aronofski mostra antes de um dos combates toda a preparação dos lutadores, combinando os golpes como se fossem coreografias de um musical) acaba sendo uma rima da importância que aquele ambiente tem na sua vida miserável. Como se em todos os outros instantes ele fosse um fantasma esperando ser trazido de volta à vida por alguém que possa vir a compreendê-lo, e naqueles poucos minutos em cima do ringue tudo passasse a fazer algum sentido.






Randy vive em um mundo que o deixou a muito tempo para trás, e sua vida consiste em desesperadamente resgatar uma época na qual ele teve um mínimo de importância, e o diálogo que trava com Cassidy sobre o Kurt Cobain (segundo ele, uma bichinha chorosa) e os lamentos do grunge terem varrido do mapa a diversão no rock (a trilha do filme é recheada de bandas de hair metal e metal farofa, estilo que estava no auge na época em que Randy era um lutador de sucesso) é uma bela metáfora sobre o sofrimento arrastado e tortuoso que a vida contemporãnea significa para ele. E Rourke brilhantemente nos mostra o sufocante constraste dessa realidade, entre o seu Randy que só lhe traz frustrações e amarguras e o The Ram, o Lutador que parece invencível em cima do ringue. Como o papel traz ecos da própria vida pessoal de Rourke (que supostamente ficou incomodado ao fazer a cena na qual Randy corta frios no mercadinho, por lembrá-lo de momentos miseráveis na sua vida), é daqueles raros casos no qual alguém nasce para intepretar determinado papel. Como ele era apenas a terceira escolha de Aronofski (Nicolas Cage e, olhem só vejam vocês, Sylvester Stallone eram os preferidos do diretor), não deixa de ser curioso. Aronofski abandona as trucagens e o virtuosismo vazio dos seus filmes anteriores (Pi, Requiém para um Sonho e A Fonte, três filmes que conseguiam a proeza de não contar história alguma) e realiza um filme denso, angustiante e que não tem medo de sujar as mãos mostrando uma realidade nada glamourosa, de personagens que não possuem qualquer perspectiva de melhora ou de abertura de horizontes, ou de morais que possam significativamente transformar as suas existências. O filme sabe que a melhor redenção da vida é estar pronto até para morrer por algo em que acreditamos ou que nos traz a verdadeira felicidade. Assim como Vicky Cristina Barcelona, O Lutador é um filme melhor que todos os cinco indicados a melhor filme no Oscar desse ano. Mas eu nem vou por esse caminho, se não vamos ficar até amanhã escrevendo aqui, pombas. Mas, assim como Randy, eu curto pacas vocês. Pile-drive!




Obs: Nicolas Cage era a primeira escolha para o papel. Isso me fez perceber certas similaridades entre a história desse filme e a do filme que deu a Cage o Oscar de melhor ator, Despedida em Las Vegas. Nos dois filmes temos personagens que arruinaram as suas vidas e que percebem que nada mais importa, resolvendo morrer fazendo aquilo que mais gostam (no caso do personagem de Cage naquele filme era encher a cara mesmo). E nos dois, vemos uma garota com uma profissão relacionada a sexo (a prostituta interpretada pela Elisabeth Shue no primeiro e a Stripper da Marisa Tomei no segundo) tentando, mesmo com sentimentos confusos, resgatar esses homens do destino que resolveram traçar para si mesmos. Nos dois filmes vemos uma cena na qual as duas garotas são humilhadas por um grupo de rapazes jovens. E os dois filmes possuem um ar quase documental, utilizando câmeras na mão seguindo os seus personagens nas suas sagas de queda e decadência, sem efeitos ou glamourizações baratas. Mas, tipo assim, é só uma impressão. Lembremos do caso Taxi Driver - Rastros de Ódio (contando as devidas proporções, logicamente), quando Scorsese quis homenagear a fortíssima história contada no filme de John Ford. Mesmo caso aqui, imagino que Aronofski deve ser fã do Mike Figgis e ficou impressionado com a história daquele filme, ou coisa que o valha. Não é como quando você COPIA OS PRIMEIROS 10 MINUTOS INTEIROS DE UM FILME E AINDA TEM A CARA DE PAU DE NEGAR E FAZER CARA FEIA EM ENTREVISTAS QUANDO PERGUNTADO SOBRE, COMO O PALHAÇO DO DANNY BOYLE VEM FAZENDO NO CASO CIDADE DE DEUS - QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO. Desculpem as maiúsculas. Beijo-me-liga.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Entrevista comigo sobre o Oscar

O que você achou da premiação de Slumdog Millionaire?

Fiquei feliz com a vitória do cearense Danny Boyle, ganhando o prêmio que Fernando Meirelles perdeu. Além disso, é um grande filme.

Você viu o filme?

Vi, sim. Tem uma barraquinha aqui perto de casa e...

Mas fale um pouco sobre o grande vencedor da noite.

Você está falando do Slumdog? Porque eu fiquei sabendo que um sujeito, aquele ator de Battlestar Galactica, pegou a Rihanna no fim da festa, então eu achei que você estava se referindo a isso.

Não.

Bom [aborrecido], em Slumdog Millionaire, Márcio Garcia é Bahuan, que quer se casar com Juliana Paes, mas, como é um dalit, precisa ganhar alguns milhões pra comprar ações da Google Índia e assim provar para seus compatriotas que: sendo Brâman tudo, é também o capital internacional, para quem naturalmente não existem castas. É, aliás, interessante ressaltar [se empolga] que na cinematografia comercial existem algumas fórmulas de prestígio. A que Fernando Meirelles, José Padilha e Danny Boyle seguiram é:

subdesenvolvimento + espetáculo = indicação a Oscar e/ou Urso de Ouro, se já vimos isso antes.

O elemento "espetáculo" é que exige a condicional "se já vimos isso antes", que, por sua vez, é plenamente satisfeita pelo elemento "subdesenvolvimento". É um modelo extremamente coeso, exemplar da dialética da forma [limpa o canto da boca espumante]. Está anotando?

Sim.

Convém falar de Tarantino, filmes de artes marciais e Big Mac?

Não precisa. E existem outras fórmulas como essa?

Sim, a dos filmes com macaco. Nesse caso, os autores divergem quanto à mais adequada formulação, porque sem dúvida a variedade das obras se furta a uma categorização rígida. Constante apenas é o elemento "macaco". Alguns autores acrescentariam os vagos "inocência" e "macaquice", este último bastante controvertido. Eu destacaria, das fórmulas propostas:

menino + macaco = matinê

menino triste + macaco = matinê com lição de vida sobre amizade

elenco Friends + macaco = Urso de Ouro

Interessante, mas isso é científico ou você está apenas fazendo gracinha?

Existe realmente alguma diferença?

Não, desde que Brâman é tudo.

Exatamente.

"Kristen Bell é um dos grandes talentos desta nova geração. Veronica Mars me fez ver que homens e mulheres são iguais."

Mas fale sobre Kate Winslet. O que acha sobre ela não querer mais aparecer nua em filmes?

Acho um preconceito tacanho esse contra a nudez de mulheres velhas, em nossa sociedade.

Kate Winslet tem só 33…

Putz.

E o que acha do dublador brasileiro oficial de Sean Penn, que é pastor evangélico, se recusar a trabalhar em Milk, grande perdedor da noite?

Não sabia que Sean Penn era pastor evangélico.

E não é. Me refiro ao dublador brasileiro.

Sempre acho certo quando as pessoas se recusam a trabalhar.

Mesmo se fosse um cirurgião que se recusasse a fazer uma operação que salvaria a vida de sua filhinha Stephane?

Mas a questão toda é porque Milk é gay, né?

Sim.

Olha. Existem gays e não gays nesta sociedade, né? Pois bem. Se o cara é gay, tem uma razão pra ser, né? Uma razão válida ou não, né?

Não sei.

Tá com medo que eu diga que você é gay, né? Fica tranquilo, eu já sei que você é, você trabalha na televisão.

Não, não trabalho, não. E isso é preconceito.

O quê?

Isso.

Ah, é. É que eu sou blogueiro. Mas voltando à sua pergunta inicial. Concordância e tolerância são coisas bem diferentes. Harvey Milk deve saber disso.

Harvey Milk já morreu. Foi assassinado.

Pomba. Isso é spoiler.

Você então é homófobo?

Só porque eu acho que as pessoas podem não achar que as outras deveriam achar que devem viver de uma maneira qualquer?

É.

Pomba, que entrevista tosca [aborrecido]. Além disso, eu não gosto de filme dublado.

Mas e o profissionalismo, onde é que fica? Esse dublador não deveria ser mais profissional e colocar suas convicções pessoais de lado?

Sim, como a gente coloca o cérebro num pote sobre a mesa e dá entrevistas como essa [aborrecido]. Eu não acredito em profissionalismo. Quando alguém fala que tem o profissional e o ser humano, ou o político e o ser humano, na verdade nunca tem o ser humano, e o cara só quer faturar uma grana. A mesma coisa com o pipoqueiro e o ser humano, o jogador e o torcedor, etc.

Você gosta de futebol?

Aff [aborrecido].

E sobre o carnaval? Quem você acha que leva o título esse ano, no Rio e em Sampa?

Por favor, não acredito que você disse "Sampa". Sampa? Brincadeira. Sampa!

Você tem twitter?

Nem [aborrecido].

Muito obrigado por essa entrevista, na qual pudemos tratar de temas relevantes para a sociedade, como homossexualidade, preconceito e os vencedores do Oscar 2009. Muito obrigado. Boa-noite.

Boa-noit... Não, peraí. Deixa eu falar de novo. Pergunta de novo.

Não era uma pergunta.

Boa-noite e boa sorte.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Festa do Oscar 2009, ou: alguém devolva as 4 horas da minha vida que foram perdidas assistindo a essa porcaria

A festa do Oscar foi a velha tortura de sempre. Como tem sido de praxe nos 81 anos de história do prêmio, somos submetidos a 4 horas de enrolações, constrangimentos, hipocrisias, números musicais inúteis, discursos sacais para, no final de tudo, vermos um filme horrendo sair com a estatueta de melhor filme. Tirando as 10 ocasiões nas quais um filme realmente bom saiu com o prêmio, em todas as outras 71 o mundo testemunhou belas atrocidades, o que já deveria ser configurado como genocídio da arte por parte de tribunais internacionais. Nesse ano, tivemos de ver um filme mela cueca, uma sessão de tarde com mais truques que a média e que rouba dos 10 minutos iniciais de Cidade de Deus na cara dura como Quem Quer Ser um Milionário sair com 8 prêmios. A Lista de Schindler saiu com 7 estatuetas em 94. É de deixar malandro com a bunda em pé mesmo. Pobre Schindler, e pobre Spielberg, que anunciou o prêmio de melhor filme com aquela cara de "por que eu não fiquei na minha mansão jogando Halo 3 on line?". Mas 2009 será sempre lembrado como o ano no qual os 5 indicados a melhor filme não mereciam estar na lista. Full house, fosse isso um jogo de cartas.
Os produtores da festa desse ano ( Bill Condon e Lawrence Mark) suaram a camisa para mudar o status quo de apresentações soporiferas, mas os filmes em disputa eram tão ruins que eles pouco puderam fazer. Lendo os periódicos hoje de manhã (estou me sentindo bem de época hoje, não sei o motivo), noto uma grande carga de elogios à apresentação de Hugh "Australia era uma droga de filme mas eu estou na moda" Jackman. Ok, a abertura com ele zoando os filmes indicados como se eles fossem feitos com as restrições da crise global foi inspirada, mas nada que se compare a momentos épicos como o Billy Cristal (volta, Billy!) entrando no palco como Hannibal Lecter em 1991. Na verdade, ele foi o apresentador oficial, mas depois da abertura voltou umas boas 4 ou 5 vezes apenas. Foi mais aquele esquema de "vamos colocar todos os astros que pudermos apresentando os prêmios para que ninguém note que nós não aguentamos mais colocar comediantes apresentando". A margem de boas sacadas (urgh, isso me lembra alguém...) da produção da festa foi bem maior que a dos anos anteriores. A idéia de colocar 5 vencedores de anos anteriores introduzindo os indicados das categorias de atuação foi até inspirada, já que gerou raríssimos momentos de verdadeira espontaneidade (como a Sophia Loren falando sobre a Meryl Streep e o Robert de Niro sobre o Sean Penn, o que gerou emoções genuínas nos dois indicados). Não que esteja imune a críticas totalmente, já que em alguns momentos era nítido que o ator que introduzia o indicado nada sabia sobre o outro, como quando o Ben Kingsley falava sobre o mito Mickey Rourke (que foi vestido como um cafetão barato e em nenhum momento deixou de mostrar o seu tédio com a situação toda), ou então a Shirley MacLaine falando sobre a Anne Hathaway. Mas o pior mesmo foi o Cuba Gooding Jr. falando sobre o Robert Downey Jr, e começando a gritar histericamente como na vez em que ganhou o prêmio longínquos 13 anos atrás. Downey Jr. não sabia onde enfiar a cara, e deve ter se arrependido de estar sóbrio, desejando loucamente uma carreirinha de pó para aliviar o sofrimento daquele momento patético. Parabéns Cuba, não bastassem os filmes trágicos que você nos enfia goela abaixo, agora vai mandar o Downy Jr. de volta para o mundo da bandidagem.

Mas o melhor momento foi a Jennifer Aniston apresentando os prêmios de animação com o Jack Black. Sabia. Eu cantei a pedra. Sério, as pessoas nesse mundo não têm orgulho mais? Hilário, tiveram a cara de pau de dar um close na Angelina Jolie, que ria polidamente. Aniston não via a hora de sair do palco, tanto que já ia caminhando para fora quando o Jack Black a pegou pelo braço e lembrou que faltava ainda o prêmio de melhor curta de animação. Pena que ela não xingou o casal Brangelina do palco. Mas que foi um momento precioso, isso foi.

Sem mais delongas, vamos aos premiados, que é para vocês poderem ler rápido e voltarem para a farra nesse Carnaval. Mas com responsabilidade, hein? Putz, a quem eu estou enganando? Caiam na sacanagem de uma vez. Ninguém é de ninguém!


Melhor Atriz Coadjuvante - Penelope Cruz, Vicky Cristina Barcelona

Essa talvez tenha sido a única premiação justa da noite. Cruz humilha no filme do Woody Allen, que é melhor que todos os 5 indicados na categoria principal. Foi feio quando a Anjelica Houston introduziu a atriz espanhola, dizendo que nos seus filmes, "mesmo não entendendo muito bem o que ela fala, podemos sentir tudo que ela expressa pelas emoções que ela transmite". Se fosse eu, ia lá e quebrava a cara da nariguda. Mas a Penelope é um docinho, e se mostrou realmente emocionada com o prêmio, afirmando que sempre assistia à cerimônia quando criança. Tocante.



Essa foto nos lembra um fato estarrecedor: Goldie Hawn já ganhou um Oscar.



Melhor Ator Coadjuvante - Heath Ledger, O Cavaleiro das Trevas

Favas contadas desde a morte do ator; um ano e meio atrás. Pai, mãe e irmã receberam o prêmio em nome do ator. Lógico, é muito fácil ser aplaudido em pé pelos maiores astros do mundo e receber um prêmio como esse em nome do seu filho. Agora, ajudá-lo quando ele ainda estava vivo, ai não, né? Tentar interná-lo em alguma clínica, lutar para livrá-lo dos vícios, nada disso, né não? Bela família tinha o Ledger. Começo a entender melhor os motivos da sua morte.



Família de Ledger praticando necrofilia. Não, vocês não leram aqui eu escrevendo que a irmã dele é uma formosura.



Melhor roteiro original e roteiro adaptado - Dustin Lance Black - Milk e Simon Beaufoy -Quem Quer Ser um Milionário, respectivamente

Que beleza. Uma biografia e um filme que rouba descaradamente Cidade de Deus ganhando os prêmios de roteiro. Isso apaga a bela idéia que tiveram para apresentar os indicados, com o Stevie Martin e a Tina Fey (que deveria ser proibida de ser tão bonita, merecidamente ovacionada quando entrou no palco) agindo de acordo com um roteiro que ia sendo escrito no telão.


Melhor Atriz - Kate Winslet, O Leitor

O filme é tão ruim que é meio que difícil aceitar esse prêmio, mesmo sabendo que a perfomance da Kate Winslet é a melhor coisa nele. E ela já teve momentos muito mais brilhantes que foram ignorados em anos anteriores. A Academia tem essa maldita mania de premiar atores pelas suas atuações mais convencionais, ignorando as melhores perfomances dos mesmo. O discurso dela foi histérico, o que prova que ela sempre quis ganhar o prêmio mesmo ( e a cara feia dela em 98 não foi por nada mesmo). Perdeu pontos comigo. Quer dizer que o seu negócio e ganhar Oscar, né, minha filha? Meio que patético mesmo. E a Meryl Streep é a velha piada de sempre. 15 indicações e apenas 2 prêmios, um principal e um de coadjuvante. Até o dragão de Komodo da Hillary Swank tem mais. L de Loser na testa da mulher, por favor.

Kate Winslet dando uns pegas no Stephen Daldry, com o seu marido Sam Mendes observando no fundo. Cof, cof, cof, corno, cof, cof. Putz, que tosse...




Melhor Ator - Sean Penn, Milk- A Voz da Igualdade

A Academia realmente esnobou o mito Mickey Rourke. Palhaçada. Sua perfomance no belo O Lutador coloca o Penn no chinelo. Mas como ele caiu no gosto dos votantes (ele mesmo disse isso no discurso) ultimamente, junta-se ao seleto rol dos atores com dois prêmios principais (já dei a lista ano passado, mas repito mais uma vez: Gary Cooper, Spencer Tracy, Tom Hanks, Daniel Day-Lewis, Marlon Brando, Dustin Hoffman e Jack Nicholson). Mas preciso falar sobre algo digamos, err, bizarro que notei no comportamento de Penn na noite. Achei-o muito mais sensível que em anos anteriores. Nitidamente derramou lágrimas quando anunciado pelo Robert de Niro, sempre que mostrado pela câmera sorria desavergonhadamente, e no seu discurso derramou manteigagens e sutilezas gestuais que não poderiamos esperar de alguém como ele. Será que a sua perfomance no Milk deixou aflorar algo na sua personalidade que estava escondido na sua rígida figura de bad boy? Realmente, esse filme é mesmo inspirador. Ui!



Um meigo Sean Penn, mostrando tudo o que aprendeu na composição do seu Harvey Milk. No fundo é possível ver o Anthony Hopkins boquiaberto com o popô de Penn. Pagou um pau!



Melhor Diretor - Danny Boyle, Quem Quer Ser um Milionário

Parem o mundo que eu quero descer. Danny Boyle ganhou um Oscar. Os incautos que votaram nele deveriam ser submetidos a exibições seguidas e ininterruptas do A Praia. Por anos a fio. Lavagem cerebral e tortura mental, no melhor estilo Laranja Mecânica mesmo.

Corta a estatueta na metade e manda para o Fernando Meirelles, seu plagiador barato.



Melhor filme - Quem Quer ser um Milionário?

Quer dizer então que isso é o melhor filme de 2008? Entre todos os filmes lançados no ano passado, em todos os cantos do mundo, essa porcaria foi o melhor? A Academia é uma piada mesmo. Cansei dessa merda. Sugiro que eles troquem a estatueta no ano que vem. Ao invés de um careca pelado, que façam logo uma bunda de ouro mesmo. É a melhor homenagem para uma instuição que resolve que filmes como Gladiador, Mente Brilhante, Crash, Paciente Inglês, Conduzindo Miss Daisy, Chicago, Rain Man, e uma lista infinita de filmes sejam considerados os melhores dos anos em que foram lançados. Quem Quer ser Um Milionário? se junta a essa lista, o que no final acaba sendo justo. Burro sou eu, que perco o meu tempo ainda com essa palhaçada. Mas tenho de dizer que a vitória do Quem Quer Ser um Milionário? ao menos serviu para algo. Podemos dizer agora que Gandhi já não é mais o pior filme a ter vencido o Oscar de melhor filme e ser passado na Índia. Parabéns, Boyle!

2 bilhões de indianos no palco, recebendo o prêmio com o Danny Boyle e o produtor Christian Colson


Vocês acharam que eu iria me esquecer de citar o Ron Howard? Não, jamais. Lá estava ele, com a sua careca obscena, seu olhar apalermado e sua notória cara de pau. Frost/Nixon saiu de mãos vazias, mas o nosso enganador favorito irá voltar. Como Jason, ele sempre parece derrotado, para quando menos esperamos voltar com algum filme chapa branca e levar mais algumas estatuetas para casa. Por isso desde já preparo a minha estaca. O duelo final está chegando.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Fomos ao Cinema ver Frost/Nixon

Frost/Nixon é um filme baseado em uma peça escrita por Peter Morgan e que reproduzia as entrevistas dadas pelo na época ex-presidente norte-americano Richar Nixon ao apresentador inglês David Frost. Foi a primeira entrevista dada por Nixon depois do escândalo de Watergate e a sua subsequente renúncia ao cargo de Presidente, em 1974 (única vez na história dos EUA que isso aconteceu). Sério. O Diretor Ron Howard simplesmente fez um filme inteiro refilmando as entrevistas e colocando os mesmos atores da peça (Frank Langella como Nixon e Michael Sheen com Frost) no filme. Ou seja, duas horas inteiras com entrevistas que poderiam ser facilmente colocadas em um documentário com os protagonistas originais, com muito mais tensão e contexto histórico, e sem a babaquice eterna de Howard. Qualquer imbecil conseguiria fazer um filme em cima de uma premissa tão cretina como essa.
Uma câmera na mão, o conteúdo das entrevistas transcritos para o roteiro, e dois atores bons de imitações (tipo o Tom Cavalcante e o Tiririca) e pronto, você também poderia fazer um filme como Frost/Nixon. Um filme desse ser levado a sério e, pasmem, ser indicado ao Oscar de melhor filme, é meio que o sintoma do Apocalipse, esse desconhecido. Mas Howard é um lobista nojento, sempre fazendo filmes café-com-leite para garantir o seu nome nas listas de indicados, sem se preocupar em trazer qualquer originalidade ou inventividade para as suas produções. Em nome dessa palhaçada toda, o Fomos ao Cinema, querendo provar para vocês toda a cretinagem da situação toda, imagina como seria uma entrevista dada pelo defunto Nixon (tombou em 1994) ao mesmo Frost (que está vivaço e chutando) nos dias de hoje, 32 anos depois da original. Depois iremos filmar o conteúdo e transformar no já aguardadíssimo Frost/Nixon - Reloaded. In your face, Ron Howard!



David Frost - Começando a entrevista, gostaria de perguntar ao senhor se hoje, passados 35 anos dos fatos que acarretaram na sua renúncia ao cargo de Presidente, ainda se vê como inocente. Fala a verdade pra gente, véio, tu espionou os democratas legal, né? Cê tá mortinho mesmo, qual diferença vai fazer negar tudo agora?

Richard Nixon - Bom Dia, Roger. Sim, sou inocente. Fui vítima da agenda liberal.

Frost - Er, meu nome é David, Senhor Nixon. Mas por favor, fale mais sobre essa suposta agenda liberal e quais seriam os seus tentáculos, as esferas de influência da mesma e que teriam conspirado para tirar o Senhor do poder. Puxa, tive que segurar o riso agora, agenda liberal é demais para a minha cabeça.

Nixon - Desculpe por ter confundido o seu nome, Roger. Os supostos liberais-democratas dessa grande nação conseguiram me tirar do poder na marra. Esses democratas bundudos não aceitavam jamais que um republicano de botas sujas como colocasse em prática um plano de governo que efetivamente realizasse tudo aquilo que eles vinham prometendo desde 1776, e que jamais cumpriram. Eu libertei os EUA do demônio do segregacionismo, eu abri diálogo com as nações mais fechadas do mundo, eu tirei a nação daquele buraco chamado Vietnã. Eu, um republicano, tirei o país dos corredores da morte das selvas vietnamitas, nos quais fomos colocados por aquele democrata bonitão e pervo, o John Kennedy. Os democratas bundas-sujas jamais poderiam aceitar isso. Eu desmascarei esses Benjamins Franklins de coturno baixo. Déspotas! A agenda liberal foi a minha ruína, mas as páginas da história irão lembrar de Nixon como...

Frost - Tá, tá, entendi. E, mais uma vez, é David, pombas. Se liga, véio. Se eu ficasse te chamando de Reagan você iria ficar putinho, né? Respeito é bom e conserva os dentes. Voltando à entrevista, o Senhor então continua negando, mesmo com o conteúdo das fitas e o depoimento de pessoas como John Dean e Alexander Butterfield claramente indicando o contrário, que nada teve a ver com a espionagem do quartel-general dos democratas no Hotel Watergate? Cara de pau, hein?

Nixon - Roger, entenda uma coisa. John Dean e Alexander Butterfield são dois traidores da pátria. Fosse um país mais, digamos, fechado, e eles teriam perdido as cabecinhas na guilhotina. Eles foram cooptados pela agenda liberal, e entraram na conspiração. As fitas foram plantadas pelos próprios democratas. O despotismo deles é crônico. Meu truta Mao Tse-Tung me dizia sempre que a cabeça de um inimigo deve ser servida em prato de ouro. E a dos traidores devem ser comidas com garfos de ouro. Eu amava aquele velhinho chinês. Tantas lembranças... Verões quentes, invernos mais ainda...


Frost e Nixon

Frost - É DAVID, POMBAS! Defunto surdo. (Frost ergue-se e dá um tapão na cabeça do espírito de Nixon). Já vi que você vai negar isso até depois de morto. Vamos mudar de assunto então. Já que você mencionou o Mao, diziam que ele jamais escoveu os dentes na vida, já que, segundo ele, um tigre jamais escova os seus dentes. Quando vocês se beijavam, vinha aquele bafão? Como você conseguia aguentar?


Nixon - É, era um bafo de levantar defunto. Ops! Hi-5 (Frost retribui o gesto). Nas minhas últimas viagens para a China eu já ia abastecido de Tridents e Halls, daqueles de porta de balada, para aguentar melhor o tranco. Mas eu tenho que te dizer, o bafo da minha esposa Pat era tão ruim quanto. A véia realmente tinha um futum na boca.

Frost - E a sua fama de racista- secreto-e-boca-suja? Você uma vez chamou a atriz e política Helen Gahagan Douglas de lésbica suja, os filósofos gregos da Escola de Atenas de " um bando de homossexuais", e dizia que o homossexualismo era a maior praga do mundo, usado como arma dos comunistas contra o ocidente, além de desancar judeus e negros em particular. Isso não ia contra a sua imagem de inimigo do segregacionismo? Não era uma hipocrisia, a mesma da qual você acusa os seus inimigos da agenda liberal? Cara, eu nunca vou me cansar dessa.


Nixon - Eu jamais chamei aquela lésbica suja da Helena Douglas de lésbica suja! E também jamais chamei aqueles gays da Escola de Atenas de homossexuais! E também jamais achei que a porcaria do homossexualismo era a maior praga do mundo! E eu amo de paixão aqueles desgraçados dos judeus e negros! E eu nunca fui boca-suja, p@#$5! C@##$@! V@# T#@ N#@! C@%&!

Dois atores interpretando Frost e Nixon


Frost - É, véio, tá difícil. A sua loucura dos tempos de vivo permanece no além. Vamos mudar mais uma vez de assunto. A série animada Os Simpsons constantemente tira uma com a sua cara, desde o início do show, lá em 89, quando o Senhor ainda estava vivo. Um personagem inclusive muito famoso do show, Milhouse, o amigo nerd e estúpido do Bart Simpson, era nomeado em sua "homenagem" (Richard Milhouse Nixon). O que o senhor acha de ser o presidente mais zoado de um show tão famoso como esse? Indica o seu papel puramente anacrônico na cultura pop, como se o Senhor fosse a antítese do cool?


Nixon - Eu detesto Os Simpsons, prefiro muito mais o Family Guy.

Frost - Eu também! Hi-5

Nixon - Hi-5 (retribuindo o gesto).

Frost- E os filmes do Ron Howard? O que o Senhor acha deles? E o que achou do Nixon do Oliver Stone?


Nixon - Eu amo o Ron Howard. Moleque lindo. Amei Uma Mente Brilhante e Splash- Uma Sereia em Minha Vida. Aquela Daryl Hannah... eu jogava na cama e fazia mulher. Quanto ao Oliver Stone e ao filme que ele vez sobre a minha vida, devo dizer que achei uma ofensa colocarem o Anthony Hopkins para me interpretar. Aquele palhaço inglês!

Frost - Epa! Dobra a língua para falar da minha Inglaterra, seu véio sujo. E continua o misógino de sempre, hein? Mas nem como presidente uma mulher como a Daryl Hannah daria bola para você.

Nixon - Ela não me daria bola mesmo. Já a sua mulher...

Frost - Hã? Repete o que você falou.

Nixon- Nada. Bonita a sua esposinha, né? Vou comandar um plano de reconhecimento de território nela.

Frost - Seu yankee maldito! Eu furo os seus olhos!

Nixon - Calma! Relaxe, meu amigo irlandês.

Frost - IRLANDÊS NÃO, POMBAS! ME CHAMA DO QUE QUISER, DE LATINO, CIGANO, HINDU, BUDISTA, ORIENTAL, FROUXO, GAY, LÉSBICO, MAS DE IRLANDÊS NÃO! EU VOU TE ENCHER DE PORRADA! VOU PEGAR A AGENDA LIBERAL E DAR NO MEIO DOS SEUS CORNOS!

Nixon - Vem!

Os dois se atracam em uma briga, e a entrevista termina.

FIM