segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Cinecontraste: A orfã/ Arrasta-me para o inferno

Não é de hoje que o cinema nos dá suspense e terror, fazer as mocinhas pularem no colo dos seus acompanhantes é truque antigo do cinema, se pensarmos, as mocinhas pulam no colo dos rapazes muito antes do próprio cinema(ainda bem). O cinema funcionando como catarse e ajudando namoros: quantos relacionamento não se firmaram ou se formaram depois de uma sessão de sustos? Incontáveis...
Hoje estamos infestados dos ditos cujos “filmes de sustos” e no pacote aqueles filmes ultra violentos como Saw e seus derivados. Cansado de assistir Saw 5 e ficar sem entender nada porque não assisti os quatro anteriores, cansado das seqüências e das pré seqüência de O grito, como também de todos aquelas variantes copiadas de filmes japoneses onde tem uma menina morta que sair de um poço, TV ou qualquer buraco que um alma penada pode sair. Enfim, fui ao cinema e acabei pegando um sessão dupla: um filme atrás do outro, lembrando muito aquilo que existia na remota década de 70 que tentou ser revivido por Tarantino e Robert Rodriguez em Grindhouse. Tal projeto aqui, na terra brasilis, foi retalhado pelos nossos adorados e venerados distribuidores... vergonha e idiotice, pois uma pessoa em sã consciência e com posse das suas escolhas dificilmente se aventura a assistir um filme que seja dirigido somente pelo parceirão 100% do Tarantino.

Lado “A”: A menina má.com conhece o anjo malvado
Filme de suspense que se preze, além de uns sustinhos guardados em cada momento, precisa ter um bom vilão: carisma e afeição pelo público são quase requisitos mínimos. O problema foi quando Hollywood achou que poderia colocar qualquer criança com uma faca de rocambole e provocar sustos no público. É o seguinte; se ela não estiver possuída por nenhum demônio/alienígena/serial killer , como alguém que não alcança a prateleira de cima do armário da cozinha pode ser terrivelmente perigoso e fatal? No máximo a criança é uma peste insuportável, você dá um bica que ela se afasta, pode ser mais cruel e afastá-la segurando a cabeça: a pobre coitada vai tentar te pegar, mas com aqueles braços curtinhos vai ser difícil.


Pensava que o argumento da “A órfã” era esse: pais desgraçadamente azarados adotam uma criança que na verdade esconde um terrível segredo que prejudicará todos os alicerces desta já fragilizada família que acabara de perder um filho. De certa forma, não é bem esse, eles não apelaram para ocasional e freqüente possessão. Ainda sim o filme escorrega em muitos erros bobinhos, de gente pequena. A menina que adotaram, expatriada do Leste Europeu, começa a fazer suas estripulias e o filme vai ganhando ares de suspense, até tentar assustar a platéia com uma menina de onze anos, soa cômico e não é que a menina não é convincente; as crianças são o que há de melhor no filme, ótimas interpretações desses pequenos atores, com especial destaque para a protagonista; agora, os pais, estes deveriam fazer algum cursinho de verão de Artes Cênicas urgente.


No final das contas o filme não é tão ruim, comparado aos filmes de terror que se levam a sério, está numa boa posição. E o que aprendi com esse filme? Nunca adotar refugos do Leste Europeu...


Lado B, que lado B por sinal: o feijão com arroz de Sam Raimi
Homem Aranha 3 estreiou em algum período funesto de 2007: um filme que mostra a transformação de Peter Parker em revoltado(emo?) ao mesmo tempo que quase acabara com jovem carreira do diretor do filme, Sam Raimi. Dizem que o dedo de Tobey Maguire contribuiu para aquela merda que foi e é o terceiro filme do aranha, discussões a parte, depois disso nunca mais ouvira falar de Sam Raimi. Até anunciar que resolvera abandonar por um tempo a viúva emo, Peter Parker, e recomeçar realmente da onde parou e fazer o que sabia fazer melhor: filme de terror com grandes sacadas de humor negro.


Sam Raimi começou sua carreira de cineasta de fato com a trilogia de Ash, interpretado pelo fantástico Bruce Campbell. O protagonista de Noite Alucinante era cativante, o filme tinha monstro, zumbis, demônios e sempre com um tom de certa irreverência: apresentando cenas inusitadas e muito engraçadas. Ao fazer um filme de terror se aproveitava e zomba descaradamente da fórmula que nos fazia engolir, até o começo da década de 90; Jason, Freddy, Hallowen com sua safra interminável de sustos e seqüências que demonstravam que nem se o universo se extinguisse, aquelas monstros continuariam voltando. O ponto mais fortes nas obras de começo de careira de Raimi era nunca se levar tão a sério, atitude que não fez quando realizou o terceiro filme do cabeça de teia.

Grande filme sem ser poser e nem se levar a sério


Arrasta-me para o inferno é um roteiro manjadíssimo: mulher que recebe uma maldição de um cigana tem três dias( chupa essa, garotinha do Chamado) para tentar se livrar antes que um demônio surja e faça o que diz no título. Todas as convenções e clichês são utilizados e abusados de maneira criativa, inclusive para provocar risos: o filme é uma grande montanha russa alternando altos picos, onde impera o gênero terror com grandes declives, onde apresenta cenas fantásticas de humor negro.

Com uma trilha muito boa, assim vem pergunta: um filme faz a trilha ou seria o contrário? Com duas teclas Steven Spielberg teve seu vilão apresentado no melhor filme da sua carreira. Hitchcock com cenas rápidas e uma trillha dramática, um dos melhores momentos do cinema. Sam Raimi extremamente auxiliado pela trilha consegue fazer Arrasta-me para o inferno um dos melhores filmes de terror dos últimos tempos, sem se esforçar, trazendo o seu já manjado feijão com arroz sangrento.

domingo, 13 de setembro de 2009

On love for men

A maioria das pessoas inteligentes que eu li não acredita no amor. E a maioria das pessoas inteligentes que eu conheço finge que não acredita no amor. Essa disparidade pode ser facilmente explicada. Escrever é um modo de antecipar a morte. Quem tem um pingo de senso só escreve algo que imagina que não fará as pessoas rirem do defunto na posteridade. As pessoas inteligentes escrevem então para serem lidas depois de mortas. É um padrão de qualidade. Mórbido. Mas eficiente.

“Pois é, o amor não existe, e agora estou morto, etc, etc, fim.”

Quando estão mortas, as pessoas inteligentes se sentem livres para admitir que aquilo que era a maior promessa de felicidade de suas vidas não existia. Podem admiti-lo sem se sentirem humilhadas por serem tão burras. Estão mortas.

Você só será feliz se encontrar a garota certa. A garota certa é a promessa do amor em sua vida. E o amor, por sua vez, é a maior promessa de felicidade de sua vida.

Todo o mundo vive dizendo que não acredita no amor verdadeiro. Mas nem 10% das pessoas se perguntam o que é o amor verdadeiro. Isso porque mais de 90% das pessoas não são nem um pouco filosóficas. Não que a vida ficasse melhor ou mais fácil se as pessoas decidissem se perguntar pelo significado das coisas. As coisas no máximo demorariam mais pra acontecer. As pessoas levariam quinze minutos para cometer cagadas que normalmente aconteceriam em cinco.

Mulher bonita.

Mulher bonita é o aceno do diabo de auto medieval quando você só está de passagem. Todo pimpão por ser um jovem solteiro com a vida toda pela frente. A vida cheia de promessas é como uma flor que você leva ao nariz para sentir seu perfume numa manhã quente de janeiro. E depois um hálito gelado que sussurra muito perto da sua jugular sugere que você está deixando a vida passar. E você se perturba intimamente com o fantasma do carpe diem negligenciado. Burrão.

Mulher bonita é o depósito de ideal de todo homem pra manter a sanidade e não ceder ao cinismo debilitante da época. Ele pode desperdiçar seus dias num emprego que subestima sua inteligência e ignora seus valores e anseios mais básicos. Ele pode vender sua alma a cada sorriso forçado e aperto de mão contrariado. Ele pode – na verdade, se permite – isso e muito mais. Tudo porque no final ele será redimido pelo amor. Essa é a sua crença. Consciente ou não. E certamente brega. É ela que explica sua vidinha, ele ter uma vidinha. O que há de melhor nele é adiado pela expectativa permanente do amor que só uma mulher bonita pode realizar.

Feminilidade é ideologia. Doçura também.

Você só será feliz se encontrar a garota certa. A garota certa é a promessa do amor em sua vida. E o amor, por sua vez, é a maior promessa de felicidade de sua vida. (2)

A garota certa é bonita. A garota certa não é bonita porque você é fútil. A garota certa é bonita porque você não tem tempo nem paciência pra descobrir que a verdadeira beleza é interior. Como você é homem, e homens são muito práticos, você é muito prático e quer o pacote completo. A garota certa poderia até ser feia se não houvesse a mínima chance de a garota certa ser bonita. A mínima chance de a garota certa ser bonita faz a garota certa ser bonita.

Culpa.

Você se sente culpado porque a garota certa é bonita. O fato de a garota certa ser bonita e de você não querer parecer fútil pelo fato de a garota certa ser bonita faz com que você se torne excepcionalmente eloquente e articulado ao romantizar o fato muito simples de que a garota certa é bonita. Então você não diz que esta ou aquela garota é certa porque é bonita. Mas porque ela lembra uma atriz numa cena de um filme qualquer. A garota supostamente certa lembrar uma atriz numa cena de um filme qualquer é o máximo de romantismo num homem.

Romantismo macho.

Quando vou ao cinema ou quando fico em casa lendo um livro, só estou interessado em saber se o herói e a mocinha vão ficar juntos. É o que prende a minha atenção em qualquer história. Não importa o gênero. Não importa se é Henry James ou uma comédia romântica com Zooey Deschanel. Outro dia mesmo eu estava lendo Os espólios de Poynton, um Henry James da fase tardia, ou seja, uma coisa bem abstratamente esquisitinha, que eu não queria parar de ler até descobrir se Flora Vetch, a protagonista, ia ficar com Owen Gereth, filho de Miss Gereth.

O problema é que qualquer porcaria acaba me convencendo se tiver um cara e uma garota que não se sabe se vão acabar juntos. Lois & Clark – As novas aventuras do Super-Homem, por exemplo.

Estudo de caso - Lois & Clark – As novas aventuras do Super-Homem.

Outro dia eu estava assistindo Lois & Clark – As novas aventuras do Super-Homem quando comecei a me perguntar o que aconteceria se Clark Kent casasse com Lois Lane e nunca revelasse sua identidade secreta de Super-Homem. O que aconteceria quando o casamento começasse a se desgastar, o que levaria menos de três anos, porque Lois é o tipo de mulher que manda no marido e se irrita por ele obedecer e Clark é o tipo de cara que obedece se perguntando onde é que estava com a cabeça ao se casar com aquela megera. Lois continuaria se metendo em confusões e precisando ser salva pelo Super-Homem. E o Super-Homem continuaria salvando Lois.

É muito fácil salvar alguém por quem você está apaixonado. Estar apaixonado é inclusive a maior razão pra você querer salvar a vida de alguém. Mesmo que isso custe a sua própria vida ou a destruição do planeta Terra. E esta é justamente a questão. Quantas vezes o Super-Homem teve que escolher entre salvar o planeta Terra ou salvar Lois Lane? Muitas. E em todas elas ele conseguia fazer as duas coisas. E conseguia porque fazia um esforço danado nesse sentido. Só alguém muito apaixonado tem energia pra fazer esse tipo de esforço.

Lois Lane testemunha contra misoginia de comediante.

Imaginemos então que no mesmo dia em que o planeta Terra e Lois Lane novamente corriam perigo, Clark Kent saiu de casa pra salvar o mundo depois de uma discussão incrivelmente longa e sem sentido sobre a tampa do vaso aberta. E então ele se acha no impasse de sempre entre salvar toda a humanidade ou a garota. Só que a garota não é mais aquela que ocupava seus sonhos de adolescente babão. Com o frescor e o fascíncio que só a distância proporciona a uma pessoa. Ela se transformou na mulher que todas as manhãs o recebe na cozinha com uma carranca e a pele em torno dos lábios avermelhada porque acabou de depilar o buço. Porque essa garota tem um bigodinho. (O machismo inutilizou o homem para o bigodinho. Homens simplesmente não conseguem lidar com essa realidade. Claro que o bigodinho é só uma metáfora para as representações sexistas de gênero.)

Lois Lane está presa em uma fábrica de pregos em Metrópolis que vai explodir em menos de dois minutos. Super-Homem está tentando deter quatorze mísseis nucleares que acabaram de ser lançados para diferentes pontos da Terra. Ele pensa no bigodinho. Super-Homem está na Sibéria. Faltam três mísseis. Bigodinho. Super-Homem voa para deter o último dos mísseis. Bigodinho. O míssil está a menos de um quilômetro da superfície da Terra. Bigodinho. Ele segura o míssil com seus superbraços. Bigodinho. Bigodinho. Bigodinho.

Conclusão.

Muitas vezes a grandeza de um homem se resume a saber se ele é capaz de passar por cima de um bigodinho e amar a garota. Mas o problema é que nesse caso o bigodinho é como a manifestação física do gênio horrível da mulher com quem eu nunca devia ter me casado. Você vai me perguntar se não bastava o divórcio. Se era realmente necessário deixá-la morrer na explosão de uma fábrica de pregos. Mas o fato é que eu não disse que Super-Homem escolheu salvar o planeta Terra.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Os 20 filmes favoritos do Quentin Tarantino dos últimos 20 anos

Fiz um texto uma vez comentando sobre uma lista dos filmes favoritos do diretor Kevin Smith, e tentando identificar a influência dos mesmos nas obras-primas (Barrados no Shopping, O Império do Besteirol Contrataca) do rotundo diretor americano. Surfando (blergh!) pela net hoje, acabei me deparando com a lista de filmes favoritos do Quentin Tarantino nos últimos 20 anos. Detesto me repetir, mas farei o mesmo com a lista dele. Logicamente que em doses homeopáticas, já que são 20 filmes. Vamos a ela:


Battle Royale - Kinji Fukasaku (2000) - Penúltimo filme do diretor japonês Kinji Fukasaku, morto em 2003. É um lixão. Mas é a cara do Tarantino. Começou bem.

Igual a Tudo na Vida - Woody Allen (2003) – não é nada surpreendente o fato do Tarantino citar o pior filme jamais feito pelo Woody Allen na lista. Foi o único filme do Mr. Allen que o Taranta conseguiu entender. Muito bem, Quentin! Menino esperto!

Audição – Takashi Miike (1999) – Filme cultuado sobre um pobre viúvo sendo torturado por sua sádica namorada. É praticamente um filme exploitation. O Girl sadic power do filme deve fazer a cabeça do Taranta.

The Blade (Six–String Samurai) – Lance Mugia (1998) – Filme que mostra um guitarrista chamado Buddy (obviamente inspirado no mito Buddy Holly, já que o personagem usava os mesmos terninhos, tipo de cabelo e óculos do cantor) que também é um ás com uma espada na mão. Bocejos. O diretor Lance Mugia viria depois a dirigir o fantástico O Corvo 3, vulgo uma das piores porcarias que eu tive o desprazer de ver na minha vida. Way to GO, Taranta!

Boogie Nights – Paul Thomas Anderson (1997) – Poderia ser uma escolha justa, mas ai lembramos que o Taranta é truta do Thomas Anderson. Mas foi quase.

Jovens, Loucos e Rebeldes – Richard Linklater (1993) – Poderia ser uma escolha justa, mas ai lembramos que o Taranta é truta do Linklater. Mas foi quase.

Dogville – Lars Von Trier (2003) – Poderia ser uma escolha justa, mas ai lembramos que... ah, não, desculpem, não existem provas sobre uma possível amizade entre o Taranta e o Trier, então essa justificativa não é válida. Acho que no caso é mais correto afirmar que a escolha se deve ao velho complexo de “um poser reconhecendo o talento de outro poser”. Obs: eu gosto do filme.

Clube da Luta – David Fincher (1999) – É fácil perceber que O Clube da Luta é o filme que o Tarantino teria dado a vida para fazer. Mas como o filme não é uma colagem de referências como são os filmes do Taranta, e sim um trabalho original e genioso de um diretor de verdade, temos apenas de sentir pena do pobre Quentin. Tadinho.

Friday – F. Gary Gray (1995) – Filme escrito e estrelado pelo rapper Ice Cube (que precisa reformar o maravilhoso N.W.A. mais rápido do que nunca). Já vi algumas vezes, e nunca achei nada demais. O diretor F. Gary Gray é responsável por maravilhas do cinema contemporâneo como O Vingador, Uma Saída de Mestre e Be Cool, filme que conseguiu a proeza de reunir o elenco mais desinteressado no material que encenavam em toda a história do cinema. Mas já ouvi dizer que o Taranta é amigo do Gary Gray. O que não influenciou em nada a sua escolha. Imaginem.

O Hospedeiro – Joon-ho Boong (2006) – Tarantino e o cinema oriental. ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ

O Informante – Michael Mann (1997) - Um estranho no ninho. O filme não tem nenhum personagem com nome cool, nem personagens que pertençam a organizações criminosas com nomes cool. Mas tem um bocado de gente usando terno. Talvez seja isso.

Joint Security Area – Chan-wook Park (2000) – Tarantino e o cinema oriental. ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ

Encontros e Desencontros – Sofia Coppola (2003) – Poderia ser uma escolha justa, mas ai lembramos que o Taranta é truta da Sofia Coppola, e, pior, deu uns pitacos no roteiro do filme. Isenção total.

Matrix – Andy Wachowski e Larry Wachowski (1999)– Quando vi que o Quentin Tarantino tinha feito uma lista dos seus filmes favoritos nos últimos 20 anos, eu cruzei os dedos e comecei a repetir mentalmente: “tomara que ele não tenha colocado o Matrix, tomara que ele não tenha colocado o Matrix, tomara que ele não tenha colocado o Matrix”. É, não deu. Pena.

Memories of Murder – John-ho Boong (2003) – Filme que fede de tão ruim. Mas ai notamos ser esse o segundo filme do John-ho Boong na lista. O que já liga o radar de “putz, mais um que é amigo do Taranta”. É uma grande pena, mesmo. E, notando que o senhor Boong é o único diretor a emplacar 2 filmes na lista, concluímos que, para o Quentin Tarantino, o melhor diretor dos últimos 20 anos fora ele próprio é o John-ho Boong! GENIAL, TARANTA! CLAP, CLAP, CLAP!

Policy Story 3 (Supercop) – Stanley Tong (1993) – Um dos filmes protagonizados pelo Jackie Chan no início dos anos 90 que acabaram o revelando para o cinema ocidental. É divertidíssimo, mas ai o cidadão vir e colocá-lo em uma lista dos seus filmes favoritos nos últimos 20 anos vai um longo caminho. Quando você vai fazer 16 anos de idade, Tarantino?

Todo Mundo Quase Morto – Edgar Wright (2004) – Comédia mais superestimada dos anos 00. Mas o Taranta colocou o Edgar Wright para dirigir um dos fakes trailers do fantástico e extremamente bem sucedido Grindhouse. Ou seja: é truta.

Velocidade Máxima – Jan De Bont (1994) – O horrendo Jan De Bont agradece ao Taranta pela lembrança. Pena que ele desistiu de emplacar bomba atrás de bomba em Hollywood e esteja filmando apenas em sua terra natal, a Holanda. Volta, De Bont! O Taranta é seu fã!

Team America – Detonando o Mundo – Trey Parker (2004) – Trey Parker e Matt Stone se acham os Shakespeares da comédia contemporânea. Que lê uma entrevista dos criadores do South Park até imagina estar lendo o Orson Welles falando sobre Cidadão Kane. Como o Taranta também se acha pouco, fico aqui imaginando como deve ser um diálogo entre os 3:

Taranta: -Nossa, Parker e Stone, vocês são geniais!

Parker e Stone, em uníssono: -Não Taranta! Gênio és tu! Gênio és tu!

Taranta: -Vamos fazer uma coisa? Eu digo aqui, em alto e bom som: somos os 3 geniais! Êêêêêêêêêê

Parker e Stone: -Iupiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!

Só para completar: Family Guy humilha South Park. Seth MacFarlane é mito.

Corpo Fechado – M. Night Shyamalan (2000) – Corpo Fechado faz parte da lista de filmes mais chatos já feitos na história do cinema. Publico a lista aqui embaixo.

Filmes mais chatos já feitos:

6- O Sexto Sentido

5-Sinais

4- A Vila

3- A Dama na Água

2-Corpo Fechado

1-Fim dos Tempos

Literalmente. Fim.

Obs: curioso o fato do Taranta não ter colocado nenhum filme do seu amante profissional Robert Rodriguez na lista. Uma pena, já que Taranta certamente poderia ter colocado pérolas como A Balada do Pistoleiro, Spy Kids 1,2,3,4,5,6,7,8, Era uma Vez no México (Leone revirou-se no túmulo com essa), As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl, e, claro, o melhor filme de terror de todos os tempos, o poderoso A Prova Final, que revelou ao mundo o talento do Elijah Wood. Mancada, hein, Taranta?

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O Belchior sumiu


Volta, Belchior!

Fantástico mundo novo tem menos de 140 caracteres

A internet é um lugar incrível. Qualquer idiota com algum senso de perseverança pode, de um dia para outro, sair da sua mediocridade pessoal e expandir sua esfera pessoal além dos limites nunca dantes imaginados. Sabemos que, no início, tudo era bom, até Deus nos ensina isso: "Não coma daquela árvore, malandrão". A internet no seu começo era um lugar pacato e tranquilho cheio de frames e gifs mal recortados, tórrida inocência perdida e espurgada; onde cada site mal estruturado com um efeito malandrinho de html poderia nos assustar com seu dinamismo e cores vindas diretas da década de 80. Aqui uso o epíteto velho da nossa querida humanidade: mas o que é bom sempre pode piorar.


Isso era social media

Mircs, web pages pessoais, e-mail, icq, odigo para os mais nerds: não existia nenhum conceito por trás dessas coisas. Minto, existia uns malucos idealistas que pré-diziam toda a massaroca que seria os nossos tempos modernos, mas ninguém além daqueles circuitos acadêmicos estranhos dava oportunidade de fala aos coitados. Voltando, todo aquela parafernália digital existia como perfumaria para a real função da internet: trocar informações e facilitar ações colaborativas. Se avião era meio de transporte, virou arma precisa nas guerras; a energia atômica salvaria o mundo e não apenas ajudaria caras gordos e crianças pequenas a terem exito. Daí regurgito: por que logo a internet seria diferente?

Um revolução digital, sim senhor!


Que tal um sorvete social?

Desde então, meus caros, a internet virou um negócio, legal, cool, moderno. Antes remota e cheia de reclusos com abundância de acnes; agora moderna, antenada(posso twittar do meu celular, cara!). Tão radical quanto Nescau ela cresceu e ganhou várias teorias de caras descolados e jovens que diziam saber tudo sobre ela, caras que dispensavam todos aqueles velhos, mesmo aqueles que falavam dela há muito tempo. Surgiram muito nomes, designações, alcunhas e muitos outros temas vindos dos cientistas de mídias sociais, é, esse é o nome: mídias sociais. Diferente da visão orwelliana das faculdades de jornalismos e mais próxima das veredas pollianas dos cursos de publicidade, a cibercultura tingidas pelas cores dos nossos amigos publicitários, que bonitinho...

Blogs, videos e podcast inundaram a internet; o padeiro da minha rua tem um twitter(alguma coisa com pãozionhosquentesopa!), cheguei a conhecer mendigos com blog(será que ele sobrevivia de adsense?). A dança do quadrado está aí ao mesmo tempo que a saudosa Stephany com seu possante envenenado. Mas cá entre nós, cheguem mais perto, e a parte boa da internet: cadê a rede de convergência de idéias, conteúdo colaborativo, ações sociais? A tal da inteligência coletiva que as vezes surge como relâmpago no meio da tempestade? O ponto é justamente esse, perca tempo: os nossos amigos da social media, nós dizem para nós mantermos antenados onde surge uma mídia social nova a cada segundo... gostaria de saber cadê aquele negócio bonito que não era toda essa perfumaria e somente ela?

Alguém lá no fundo grita: "A Wiki! A Wiki!" Tá... mas e as outras coisas... e alguns me enumeram um monte de coisa, entretanto esse monte quem sabe é aqueles ratos de internet que postam viciadamente até pelo seu ipod(estou falando com vc). Meu tio não sabe procurar no google, não usa rss e nunca ouviu falar de torrent. Caímos em outro controle e mal uso onde aquele vilão não é só o conglomerado do Tio Disney, nem a Rede Globo, mas seu vizinho, seu colega de faculdade que tem 100 seguidores no twitter; quem sabe, dá uma olhada no espelho., não está se sentindo um tanto maquiavélico hoje?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Rsrsrsrsrs

O fim politicamente correto da opressão depende do começo da opressão politicamente correta. Acusar o humor como refúgio de racistas e fascistas é um exemplo. Perco a libertação que os politicamente corretos buscam, mas não perco a piada. Mas isto não é um manifesto.

O que aborrece nas almas sensíveis responsáveis pela instituição do politicamente correto como conduta crítica, e não como moralismo rasteiro – o que ele de fato é –, é, no mínimo, a falta de educação. É ser presunçoso da maneira mais grosseira possível. A certeza arrogante de sua própria justiça faz cada palavra sair de sua boca no familiar tom da ameaça. Você se faz juiz do seu irmão. Primeiro sobe num banquinho e do alto da sua superioridade moral recém-adquirida clama contra o fascismo e a discriminação nas entrelinhas de recados em porta de geladeira. Ô, ele está alimentado o ódio e o preconceito contra as minorias fazendo esse tipo de piada, temos que pará-lo, temos que denunciá-lo. Vem cá, nunca ouviu falar em: o sujo falando do mal-lavado?


Me deixa ser profético agora. Ser justo aos próprios olhos acaba sendo o único pecado que cristão e não cristão cometem que vai levá-los para o inferno, se não se corrigirem. Com toda a certeza. E o humor, que é justamente o remédio contra esse tipo de postura obtusa, é o que mais tem sido vigiado e atacado por essa gente justa.

A beatitude do humor se assenta em suas intenções. Quem faz uma piada não quer convencer ninguém da superioridade ariana e/ou masculina. A piada de loira não é um panfleto incitando as mulheres a saírem e afogarem oxigenadas, como no fundo e de fato elas querem fazer. Nem contar piada de português significa que você não vai deixar o Manoel operar o cérebro do seu unigênito. Aliás, se dermos ouvido a esse tipo de correção extrema – promovida pela hipersensibilidade moral dos politicamente corretos –, olhar de cima pra baixo racistas merece a guilhotina, já que contraria o postulado da igualdade entre os homens. E maldizer o indivíduo que preenche todos os requisitos do esteriótipo da loira burra vulgar que rouba namorado é preconceito.

O que estou dizendo é que todos estão condenados. Inclusive você. Inclusive eu. Então, seja mais humilde. E não um fascista ao contrário. Porque estão simplesmente inventando um fascismo arco-íris multiculturalista para combater o fascismo old school. É a mesma imposição que suprime, com simplismo desumano, o longo e difícil processo de aprender a viver e conviver, substituído pela força da lei.

O humor serve pra gente dizer o que não pode dizer. Num lance só, você confessa o pecado e se salva da hipocrisia. Porque, sob a chave do ridículo, as coisas se veem libertas de seu poder de dominação. O humor recontextualiza o mal e assim o neutraliza. Sua função é exorcizar. É uma verdade tão velha que é constrangedor ter que repeti-la. É hermenêutica básica, que estão jogando no lixo. Feminista acusando comediante é tão fascista como quem ri da piada porque é “assim mesmo que preto faz”. Porque ambos estão levando a piada a sério – que seria uma boa definição de fascismo: a piada levada a sério.


Rir não é o problema, e muito menos a piada. O problema é por que se ri. Eis a ambiguidade do humor. Que é a ambiguidade da arte. É perigosa porque a inteligência é perigosa. Esse perigo consiste em deixar que as pessoas tirem suas próprias conclusões, em não tomá-las pela mão com condescendência paternalista ou, se não funcionar, à força mesmo, para que pensem da maneira correta.

A piada não é inimiga. A piada é na verdade o diagnóstico de que as coisas não vão bem. Ela ridiculariza o opressor, e não o oprimido. Porque humor não é desculpa pra ser cretino sem censura. É, ao contrário, autorreconhecimento. A essência da ironia. Um instantâneo do ridículo, e do ridículo da nossa mediocridade. Quem faz a piada se inclui no problema na medida em que expõe o mal, e não o pratica. O piadista não se coloca acima, mas no lugar do opressor. Essa é a humildade do humor.

Estão querendo transformar falta de senso de humor em esclarecimento. Nunca pensei que ficaria do lado dos nazistas. Mas chegou a hora. Hoje vou sair e bater nuns pretos. E comprar minha Playboy.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Fomos ao Cinema ver Brüno

Sacha Baron Cohen é o melhor comediante em atividade no mundo do entretenimento. Seu timing cômico impecável não encontra pares entre os atores em atividade. Se falta ainda um Doutor Fantástico no currículo para podermos pensar em colocar o seu talento em disputa com o do lendário Peter Sellers, perdoamos Cohen quando lembramos que não existem muitos Kubricks dando sopa por aí nos dias de hoje. Mas preciso vir aqui lamentar a obviedade do seu mais novo longa, Brüno, baseado em um personagem do seu programa de comédia na TV inglesa, o The Da Ali G Show, um estilista austríaco gay e extravagante. Enquanto o seu longa anterior, o arrasa-quarteirões Borat, era extremamente bem contextualizado, e mantinha uma narrativa minimamente coerente, o que apenas fortalecia a sátira política presente no filme, Bruno carece pesadamente dos mesmos ingredientes, soando desde o primeiro minuto como um filme feito apenas para lucrar em cima do furor causado pelo filme anterior, e aproveitar o talento de Baron Cohen.

Os menos sensíveis podem matar as saudades do trema

A falta de foco do filme chega a ser vertiginosamente incômoda, visto que ele começa ameaçando seguir o caminho do personagem no programa de TV, fazendo troça do mundo da moda europeu e a sua conhecida superficialidade, voltando então as suas armas para o mundo das celebridades norte-americano e a sua busca insana pela fama, apontado para a batidíssima crítica sobre a adoção de crianças no terceiro mundo pelas celebridades, misturando a isso uma deslocada sátira política dentro do conflito palestino-israelense no oriente médio, para depois, e é ai que mora um dos fatores mais tristes do roteiro, apelar para um alvo fácil e preguiçoso: o choque provocado quando se expõe os valores conservadores do sul norte-americano em conflito com um personagem homossexual e de comportamento confrontador e subversivo.

Mais uma vez Sacha Baron Cohen aponta o canhão para o fanatismo religioso dos americanos, um alvo tão batido nesta década de 00, com os seus 8 anos de administração Bushiana nos EUA, e que já havia sido pintado com cores diferentes e com um efeito bem mais relevante e devastador no excelente Borat, quando Bush ainda morava na Casa Branca e a Guerra do Iraque estava em pleno vapor. Vi que a coisa ia ficar feia no filme quando, bem no seu meio, é anunciado que Bruno iria participar de um programa de televisão em Dallas, no coração do Texas. Sim, Sacha, nós todos estamos carecas de saber, o sul americano é um lugar de conceitos atrasados, valores ultrapassados e obscurantistas, e fanatismo religioso, e um lugar no qual obviamente um estilista europeu que gosta de desfilar por ai de calcinha de oncinha e flertar com congressistas republicanos não seria exatamente bem visto.

A mensagem mais uma vez é clara: fazer humor com os Americans Idiots, como diriam os punks de delineador do Green Day. Não sei se isso é pensado por Cohen e o seu diretor, Larry Charles (que também dirigiu o Borat e era da equipe de roteiristas de um seriado ai, um tal de Seinfeld) para agradar o público alvo do longa, os monetariamente saudáveis norte-americanos dos estados azuis, majoritamente democratas e que adoram ver os sulistas serem alvos de escárnio perante o mundo, na melhor tradição do “esses caipiras são os culpados pelo imperialismo americano, que, se fosse por nós, tão progressistas e libertários, jamais existiria”. Já passou da hora do senhor Sacha Baron Cohen olhar um pouco para o seu próprio quintal. Que tal pegar o personagem Brüno e jogá-lo no coração das cidades industriais inglesas?

Sacha Baron Cohen adverte: a adoção de crianças do terceiro mundo por celebridades é errada, e visa apenas a auto-promoção das mesmas

As mesmas cujos habitantes permitem o crescimento incessante de grupos de extrema-direita, louquinhos para mandar os imigrantes darem um passeio para bem longe das terras da Rainha? E que são tão conservadores quanto os surrados sulistas norte-americanos? Mas Baron Cohen é um inglês orgulhoso. O seu país, que foi vital para o estabelecimento do conflito no Iraque, motivado pelo tórrido romance entre George W. Bush e Tony Blair (que foi curiosamente esquecido pelas armas de Cohen no Borat), está acima de tudo isso. Tem consciência política, social e ideológica, trata com respeito gays, lésbicas, imigrantes e minorias, e não merece ser o alvo das inteligentes e calculadas troças de Cohen. Nem as outras nações civilizadas da Europa, esse continente fantástico que jamais gerou atrocidades como o neocolonialismo, o fascismo e o nazismo. O negócio é todos darmos as mãozinhas e cantarmos que “ nós não queremos ser um idiota americano” com a banda punk de delineador, em vez de olharmos para o próprio umbigo. Bode expiatório melhor não há. Ah, antes que me esqueça: o filme é hilário. Cohen consegue tirar humor de pedra. Mas o incômodo gerado pelas suas intenções obscuras quase joga tudo pelo alto. Já passou da hora de Sacha Baron Cohen criar coragem e nos mostrar os idiotas ingleses, franceses, alemães, espanhóis, italianos... Vai virar homem ou não, rapá? Ops, acho que rolou aqui uma homofobia bem básica... Como todos sabem, os idiotas vivem dentro de todos nós. The answer is blowin' in the wind, como diria o orgulhoso idiota americano Bob Dylan.


Obs: em protesto contra o tratamento que ando recebendo por parte dos meus inimigos, tanto internos quanto externos, escrevi o texto com o punho esquerdo levantado. Não vou negar que não foi lá muito confortável teclar assim, mas a resistência se faz necessária. Se um dia eu aparecer morto em algum porta-mala por ai, vocês já sabem quem foi o meu algoz. E eu fiquei feliz, pois foi o meu primeiro texto em muito tempo no qual eu não cito o filme Grupo Baader-Meinhof.

Sério, Progressista, NINGUÉM AGUENTA MAIS ESSA PIADINHA INTERNA, POMBAS! SEU CRETINO!

domingo, 23 de agosto de 2009

Meu amigos e eu conversando sobre arte – tipo um poema modernista

Ih, indie.


I.

Fui lá na exposição do Degas.
Ôôô. E aí?
Degas, meu. Sensorial.
Cezanne.
Cezanne.
E aquele tecido lá da saia da escultura?
Pô, tecido de bailarina. De roupa mesmo.
Sacada do cara.
Pffff.

II.

Saca os pré-rafaelitas?
É, tipo vi uma vez numa aula de História da Arte na FAU.
É muita informação mesmo.
Matisse.
Puuuuuuutz, Matisse. Toca aqui.

III.

E Kandinsky.
Bauhaus, é.
Tem Dalí.
Velásquez.
Muita renascença.

IV.

Meu preferido é Van Gogh. Aquele fogo todo, tipo um fogo mesmo.
A pincelada que queima, né?
Éééé, toda uma mistura. A representação mesmo.
Arte é mesmo o que vem de dentro.

V.

Sabe do que eu gosto? De abstracionismo.
Meu, Pollock!
Pollock!
Tem aquele filme com aquele carequinha.
Issssssso.
O carequinha, como é que o nome dele?

Pô, Matisse.

Dá até uma fome.

Nota: a ausência de palavrões é puramente ficcional.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Curso de filosofia, salvo engano, brasileira

Quer ser filósofo?

1. Ó.

Ó.

2. Pressupondo.

O sonho de todo filósofo é dizer algo que não pressuponha nada. Mas o máximo que consegue é estar consciente de que está pressupondo algo e admiti-lo.

3. Pressuposto.

Heidegger disse que filosofar é dialogar com filósofos.

4. E agora?

Encontre um filósofo.

Heidegger não conta, porque era nazista.

5. Encontrando um filósofo.

Vou escolher outro aleatoriamente.

6. Reconhecendo um filósofo.

Existem muitas maneiras de se reconhecer um filósofo. Duas são canônicas e bastante práticas.

7. As duas maneiras.

7.1. Método do Queijo e da Cordinha.

Você vai precisar de 1 (um) pedaço de queijo, 1 (uma) cordinha, 1 (uma) caixa e 1 (uma) vareta.

Amarre a cordinha na vareta. Pegue a caixa e vire-a de cabeça pra baixo. Encaixe a vareta em um dos cantos da caixa de modo que se possa colocar o pedaço de queijo embaixo. Então espere o filósofo ser atraído pelo queijo. Quando ele estiver sob a caixa, puxe a cordinha.

7.2. Método Lula Lá.

A segunda maneira é Convite à Filosofia, de Marilena Chauí. Tão eficaz quanto a primeira, mas um pouco mais cara.

8. Escolhendo aleatoriamente.

Dessa vez, vou recorrer à segunda maneira. Pego meu Convite à Filosofia e abro em qualquer página. Aqui, racionalismo. Descartes.

Não tem problema ele ser francês. Franceses também são seres humanos. Só não tomam banho. (Pressuposto: Faz tempo que não ouço alguém falar que francês não toma banho. Piadas com francês que não toma banho estão em baixa desde que o mundo resolveu se assumir brega sem medo no coração.)

La raison dans la philo.

9. E agora?

Encontrado o filósofo, dialogue.

10. Como dialogar.

Dialogar é dizer que alguém disse x, mas que você diz y. Mostrar a língua é dispensável. Só blogueiros mostram a língua.

Dialogar com a tia Lurdinha não vale. A desagregação das discursividades onto-teológicas faz o bolo de fubá queimar. (Pressuposto: A tia Lurdinha é um esteriótipo do familiar insensível às Grandes Questões da Humanidade, mas que espero que o advento do Twitter venha a desmentir nas próximas décadas.) Precisa dialogar com filósofos.

11. Dialogando com filósofos.

Descartes disse que o bom-senso é a coisa mais bem distribuída do mundo. É óbvio que nunca esteve no Brasil. Nem leu um livro do Richard Dawkins. Eu digo que o bom-senso é a coisa mais mal distribuída do mundo. E no Brasil é um pouquinho pior. Um lema que resume muito bem o que a gente pode chamar de metafísica brasileira é o seguinte:

Quando tudo fica feio e ruim, aí tudo fica bonito e legal.

E dá sistema. A metafísica brasileira explica também por que o coração do brasileiro transborda de misericórdia. A reeleição vitalícia de toda aquela molecada bagunceira do Legislativo é simplesmente perdão. Quem perdoa vive mais e mais feliz. Então. E depois dizem que esse país não é cristão. Perdoar político é uma prática tããão cristã. Cristianismo brasileiro, claro. Parece que o que faz do Brasil Brasil é a capacidade de dar sua própria versão de qualquer coisa que caia aqui. As más línguas dizem que uma versão piorada. A elite golpista, claro.

Pra vocês entenderem, vocês que não sabem nada de teologia, cristianismo brasileiro é como se o Anticristo fosse o Sérgio Mallandro. No fim dos tempos, o mundo inteiro se curvará perante a Besta, que gritará: “Rá, pegadinha do Mallandro!”

12. E agora?

Quem chegou até aqui é quase um filósofo. Basta depositar a quantia de R$ 50,00 na conta bancária abaixo que eu enviarei por e-mail seu certificado. E parabéns.

Banco do Brasil ag. 0646-7 conta 21.153-2

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Perguntas e Respostas - Camarada Progressista

Pergunta: Camarada Progressista, Bastardos Inglórios será um bom filme? Ou Tarantino continuará nos enganando, como vem fazendo desde o Jackie Brown?

Resposta: a pergunta é complexa, e permite diversas abordagens. Tarantino é inegavelmente um diretor talentoso. E um roteirista talentoso. Mas acha que é o Sergio Leone dos alternativos. E acha que é o Martin Scorsese dos alternativos. E acha que é o Godard dos alternativos norte-americanos. E acha que é o Quentin Tarantino dos alternativos norte-americanos, franceses, ingleses e alemães e também italianos e russos e latinos em geral. Logo, o sujeito acha que qualquer arroto que solta é divino. Logo, ele passa a ser desprovido de qualquer espécie de autocrítica. Logo, ele passa a realizar filmes carregando na mistureba e nas referências aos seus diretores favoritos, montando verdadeiros Frankesteins narrativos, que não conseguem disfarçar a sua falta de substância por baixo da embalagem luxuosa. Logo, contente-se com a dura realidade: Bastardos Inglórios será uma porcaria. Alugue o Cães de Aluguel e entupa o rabo de pipoca, que você ganha mais.

O bastão e o capacete

Pergunta: Seu cretino. Já que é tão engraçadinho, diz ai quais são as notas dos filmes dirigidos pelo Taranta na sua opinião, então!

Resposta: Cães de Aluguel – 8,5

Pulp Fiction – 9,5

Jackie Brown – 6

Kill Bill Volume 1- 7

Kill Bill Volume 2- 6,5


Pergunta: Aproveitando o ensejo, diga ai a nota de todos os filmes dirigidos pelo Sergio Leone!

Resposta: Colosso de Rodes – 6

Por Um Punhado de Dólares – 9

Por Um Punhado de Dólares a Mais -8,5

Três Homens em Conflito – 10

Era uma Vez No Oeste- 10

Quando Explode a Vingança- 8

Era Uma Vez na América – 10



Pergunta: Progressista, o que você acha do Black Eyed Peas?

Resposta: eu acho o will.i.am (se escreve assim, com minúsculas mesmo), líder da banda, um cara inteligente. Acho mesmo. O minimalismo melódico-estúpido das músicas do grupo é obviamente calculado. E ele é um sujeito que certamente teria condições de fazer um trabalho mais ambicioso, já que, como se vê nas entrevistas que dá, entende bastante de música, e não o faz por escolha própria. Quer ganhar dinheiro, e não existe nada de errado nisso. Colocou dois rappers espertinhos, uma loira Raimunda (já espero os fãs da Fergie colocando um contrato na minha vida), batidas óbvias e melodias onomatopédicas, mas de apelo imediato. Outro dia eu ouvi Boom Boom Pow tocando no último volume de um carro aqui perto de casa, e fiquei com a droga da música uma semana na minha cabeça. Estava quase metendo uma bala nos cornos para aliviar o sofrimento. Mas é a vida, meus caros. E o will.i.am vai enchendo a burra de dinheiro. E não há nada de errado nisso, repito. Podemos dizer que o will.i.am é o Liam Howlett dos anos 00? Não, isso seria uma injustiça. Black Eyed Peas é mil vezes melhor que a porcaria do Prodigy. Sem falar que chama as pequenas para dançar, em vez de pedir para nós darmos uns tapas nelas. Em mulher não se bate nem com uma flor, morô?

I’m so 3008, you so 2000 and late

Pergunta: Progressista, o que o Senhor achou do novo disco do Green Day, 21st Century Breakdown?

Resposta: o Green Day é a segunda pior banda punk da história, perdendo o trono apenas para aquele troço chamado Offspring. O Rancid era melhor, pois roubava a melhor parte da obra do The Clash, pelo menos. E o ativismo político da banda é constrangedor, pois na verdade é uma mera ferramenta de marketing, que foi muito bem-sucedida ao conseguir tirar a banda de anos de ostracismo e reconduzi-la de volta para as paradas de sucesso com o American Idiot. Melodias banais, letras tiradas diretamente de diários de adolescentes na puberdade, e as mesmas e batidas estruturas musicais. Ainda bem que esse disco não está fazendo tanto sucesso quando o anterior. Acho que agora podemos finalmente dizer que o Green Day já era. Já não era tempo.


Pergunta – o que você achou da Academia ter decidido indicar 10 filmes para a categoria de Melhor Filme no Oscar de 2010?

Resposta: a última vez que a Academia havia indicado 10 filmes na categoria principal tinha sido em 1943, longos 66 anos atrás. O vencedor naquele ano foi o Casablanca, o que deveria ser um ótimo presságio, mas ai lembramos que do lado do clássico concorreram negações como Canção para Bernadette, Madame Curie e Por Quem os Sinos Dobram. Vemos então que eles não aboliram as 10 indicações à toa. Mas ai, seis décadas depois, a Academia, assolada com a audiência cada vez mais baixa da premiação e pressionada pela ausência do O Cavaleiro das Trevas entre os indicados de 2008, resolve retomar essa nada brilhante ideia. Muito obrigado, Christopher Nolan. Se com 5 filmes eles conseguiam indicar coisas como O Leitor, Juno, Babel, Crash, Sideways, Ray, Seabiscuit, Chicago, As Horas, Gangues de Nova York, Uma Mente Brilhante, Gladiador, Chocolate, Erin Brockovich, O Tigre e o Dragão, Regras da Vida e À Espera de um Milagre, isso para ficar apenas em filmes indicados nos últimos 10 anos, imaginem as porcarias que eles vão indicar agora. Não sejamos ingênuos achando que eles tomaram essa decisão esperando poder indicar filmes verdadeiramente bons, aproveitando o maior espaço. Se eles quisessem, fariam isso com as 5 indicações mesmo, mas isso implicaria na indicação de filmes muitas vezes nada populares, e que baixariam ainda mais a já claudicante audiência da festa. A medida foi tomada para indicar blockbusters de apelo popular mesmo. Já aguardamos ansiosos as indicações para Transformers 2 e G.I. Joe. E quisera eu estar brincando. Quisera mesmo. Me cobrem no ano que vem. Quanto ao O Cavaleiro das Trevas, eu prometo um dia fazer um post mostrando os 858 buracos no roteiro, alguns de fazer o Homem-Aranha 3 parecer o Cidadão Kane. E pensar que, caso o Heath Ledger não tivesse tomado algumas pílulas a mais no seu quarto em Nova York, nada disso estaria acontecendo. Uma dica para os diretores que estiverem lançando um filme que esteja sendo minimamente hypado: matem os seus astros principais. E depois, contem os dólares e mandem uma parte para o seu amado Camarada Progressista.


Pergunta: Progressista, meus pais falam sempre de um tal de Tom Hanks, dizendo que ele foi o maior astro do mundo um dia, que os filmes dele sempre arrastavam multidões para os cinemas, que ele chegou a ganhar 2 Oscars em anos seguidos. Mas quem é esse cara? Eu nunca ouvi falar dele!

Resposta: os seus pais têm razão, moleque peidorrento. O Tom Hanks foi mesmo o ator mais famoso do mundo em meados da década de 90. Ele foi o Zac Efron daquela época, para você ter uma ideia.

Filme mais famoso protagonizado pelo Tom Hanks. Pede pros seus pais, moleque.

Pergunta: Progressista, 10 anos atrás, em 1999, o Beleza Americana era agraciado com o Oscar de melhor filme. Aproveitando a data redonda, diga para nós se o hype do filme na época se justifica hoje em dia, com um julgamento mais justo proporcionado pela distância do tempo.

Resposta: Depois de 10 anos, podemos dizer hoje, sem medo, que Beleza Americana é um cocô. Enorme e fedido. Fuja como se fosse a Peste Bubônica.



Pergunta: Qual é o pior filme dos anos 00?

Resposta. Até Quinta-Feira passada, eu responderia a essa pergunta citando um empate técnico entre 4 produções: Pearl Harbor (2001), Bad Boys 2 (2003), O Filho do Maskara (2005) e O Fim dos Tempos (2008). Até que, naquele fatídico dia, eu fui praticamente obrigado a assistir ao filme G.I. Joe. Saindo da sala de cinema depois dos mais longos 118 minutos da minha vida, percebi logo a verdade nua e crua: G.I. Joe supera todos eles, e é o pior filme desta década. E acho difícil que até o final do ano venha algum pior.


Pergunta: e o melhor?

Resposta: Os Excêntricos Tenenbaums (2001) , O Fabuloso Destino de Amelie Poulain (2001), Cidade de Deus (2002) ou Sangue Negro (2008). Um dos quatro, mas estou com preguiça de apontar qual deles é o melhor. E se achou ruim, enfia a cabeça na privada e dá a descarga.



Pergunta: seu imbecil, o melhor filme dos anos 00 é O Cavaleiro das Trevas! Só mesmo um recalcado e mal-amado para negar uma verdade tão óbvia! Tanto que haverão 10 indicações para melhor filme no Oscar justamente pelo frisson causado pela não-indicação do filme!

Resposta: é verdade. Acho inclusive que o filme deveria ter inspirado mais as pessoas. Cadê os milionários playbas que combatem o crime vestidos de morcego com uma cueca por cima da roupa? É uma pena. Mas ainda está em tempo. Fico imaginando o quartel do PCC sendo invadido por um malucaço vestido assim e dando porrada em todo mundo.


Pergunta: E a trilogia Senhor dos Anéis, Progressista? Não só são os melhores filmes da década, como também são dos melhores de todos os tempos!

Resposta: Desculpe magoar os seus sentimentos, mas eu acho os filmes um porre, e com aquele ar de auto-importãncia tão característico dos filmes do Peter Jackson, que se acha o David Lean neo-zelandês. Mas eu sei que faço parte de uma minoria. Mas eu sei de outro cara que também acha O Senhor dos Anéis insuportável. Não sei se você já ouviu falar dele, ele se chama Sean Connery. Segundo palavras do próprio: "eles me mandaram o roteiro, queriam que eu interpretasse o Gandalf, mas eu nunca entendi. Eu li o livro. Eu li o roteiro. Eu vi o filme pronto depois. E eu continuei não entendendo. Bobbits? Hobbits?". Mas ele é um zé-ninguém, então a opinião dele não deve valer muito.

Foto do cartaz do filme O Grupo Baader Meinhof, utilizada por mim no meu texto anterior

Pergunta: o amor existe, Progressista?

Resposta: talvez sim. Mas eu acho que também existe uma grande possibilidade dele não existir. Mas talvez na verdade ele possa vir fragmentado. Mas também ele pode aparecer aqui e ali. A verdade mora em uma dessas possibilidades.


Pergunta: Por que o Fomos ao Cinema não muda para o WordPress? É tão melhor que o Blogspot...

Resposta: Vem fazer a gente mudar, seu palhaço. Bate na cara! NA CARA, MALANDRO!



Progressista: um pessoal ai jura de pés juntos que você era o maior fã de Love Hina da paróquia, Progressista. E ai, vai negar?

Resposta: Eu jamais fugiria do meu passado. E do meu futuro?


Te o nobashite, ryoute agete