terça-feira, 15 de maio de 2007

Losers e a sufocação feminina

Ontem, eu estava numa grande livraria no coração da cidade onde moro (para os curiosos, a cidade fica na Latitude -23.5333 e na Longitude -46.6167) . Lia sossegadamente a edição ilustrada do livro O Código Da Vinci (eles poderiam colocar balões nos diálogos dos personagens, ficaria mais fácil e divertido ainda de ler, e dar o subtítulo de "para analfabetos funcionais"), quando notei, numas poltronas que ficam de frente para a parte de livros estrangeiros, algo um tanto quanto constrangedor. Um chato com duzentos livros de arquitetura estava sentado, quando duas meninas chegaram e sentaram nas poltronas do lado. O cara começou a puxar assunto com elas, alguma bobagem sobre pós-modernidade, e as duas, sem qualquer cerimônia, levantaram-se e se mandaram, deixando o cara falando com o vento. Ai você pensa, bom, depois dessa, o mala vai sossegar. Mas não.

Pouco depois, sentou perto dele uma mulher mais velha que as outras duas, mas com belas feições. Ela começou a ler um livro, mas teve de interromper, pois o cara puxou papo com ela também, falando, adivinhem, adivinhem, sim, da porcaria da pós-modernidade e dos livros de arquitetura que ele lia. Ao invés de tentar puxar assunto falando sobre o livro que a mulher lia, simplesmente começou a falar sobre assuntos referentes a ele mesmo. A mulher tentou, educadamente, dar atenção ao chato no começo, mas depois ficou nítido o total desconforto para ela, e no final o cidadão falava, falava e ela nem se dava ao trabalho de olhar pra cara dele.

NÃO É FÁCIL ser mulher, apesar de vocês Losers meterem o pau nelas por não conseguirem a sua atenção. Imagine, você está numa livraria, querendo relaxar do stress do dia a dia, lendo um livro da sua preferencia, e tem que interromper o que está fazendo para, por pura educação, dar atenção para um estranho sem noção e falastrão querendo dar em cima de você falando groselha sobre assuntos que fazem qualquer conversa ser natimorta. Imagino que aquela pobre mulher deva ser importunada frequentemente, em qualquer local ou atividade que esteja ou se proponha a fazer. Imagino ela na fila da padaria, louca pra compar logo os pães farelentos e ir pra casa, e algum chato começar a puxar assunto, a falar sobre a derrota do seu time do coração (acreditem, eu já vi um maluco puxar assunto futebolísticos com intuitos amorosos, certo ele, mulheres adoram futebol). Por isso, eu tenho orgulho de ser um cara feio que nem a fome. Posso ir pra qualquer lugar, sabendo que ninguém vai nem querer chegar perto de mim. Mulheres, eu me convaleço com as suas dores, e juro que nunca irei importuna-lás com bobagens, a não ser, claro, que vocês sejam corintianas e queiram falar sobre a última derrota do Timão...

Diga que me ama, Veja, diga!

Eu, amante ferido e desesperado, em acessos de amor e ódio:

Políticos não sofrem de baixa auto-estima, por isso dispensam elogios. E o governo não precisa ser defendido nem louvado por seus acertos. Mas o governo precisa ser atacado e denunciado quando falha. Eis o único dever da imprensa.

A imprensa não deve, jamais, se prestar à publicidade de partidos e personalidades políticas. Trata-se de alimentar mitos, de envolver a democracia na propensão sempre latente do povo ao messianismo.

Quando um jornalista congratula um político, pode ter certeza de que não é notícia, mas favor, compadrio.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

A Veja não me ama, mas eu amo ela

Eu comprei a minha Veja, que é a revista de que eu mais gosto no mundo inteiro. E o dia em que eu compro a Veja é o mais feliz da semana inteira. Vou correndo pra casa lê-la e, depois, na faculdade, eu conto pros meus amigos as coisas legais que eu aprendi, e eles ficam muito impressionados por eu saber tantas coisas do mundo e das atualidades.

Mas aí chegou essa semana, e não foi assim, eu não fiquei feliz: eu fiquei triste. E eu fiz tudo do jeito que sempre faço. Só que dessa vez, quando eu fui ler a Veja, eu li que eu, sim, eu era um sanguessuga. É, um sanguessuga! E que eu era do mal, só porque eu estudo na USP.

Mas eu não sou do mal, eu sou do bem; eu quero ser bonzinho - por isso eu leio a Veja! Vou explicar pra vocês, que também são cidadãos de bem.

Pra começar, eu sou filisteu - já disse isso antes -, que nem vocês, quer dizer, quase que nem vocês. Porque, de vez em quando, porque eu tô na USP, fico meio poser e, aí, meio blasé e tudo. É chato, mas é só de vez em quando.

Mas, em nome da sociedade, me marginalizaram, a Veja e um gordinho da Bandeirantes (que não entra na história), num desses programas da tarde em dia de semana. Disseram que eu e os meus colegas filisteus e posers da USP não retornamos nada do que a sociedade, ou seja, vocês, cidadãos de bem, investe na gente. Eles falaram assim, como se, só porque eu entrei na USP, eu já não fosse mais que nem vocês, como se eu não fizesse mais parte da sociedade. Pior, disseram que eu sou filhinho-de-papai.
E eu não sou, não. A minha mãe é a dona Conceição, e o meu pai é o seu Oscar. A gente mora na Vila das Mercês, a gente é de classe média bem, bem baixa, não tem carro, e eu até pouco tempo atrás era estagiário e ganhava 500 paus por mês.

Além disso, a Veja, de que eu gosto tanto, disse que eu não mereço ensino superior de graça porque eu não vou ganhar o Nobel. O Nobel é o índice de produtividade de conhecimento da Veja. Segundo ela, se eu, ganhando 500 reais por mês (quando eu ganhava, porque agora eu estou desempregado), tiver de pagar 800 só de mensalidade da USP totalmente privatizada, aí, sim, eu vou ganhar o Nobel. Vou escrever um livro classudo e ganhar o Nobel.

A Veja é pragmática: ou a universidade produz, ou não vale nada, e a gente fecha ela. Só que, tipo, a Renascença não aconteceu assim, na marra. A Renascença é um negócio que demorou uns quinhentos anos, de muita enrolação, de muita gente sem fazer nada. Isso era humanismo. Mesmo antes da Renascença, ou melhor, pra que eclodisse algo como a Renascença, foi necessário muito humanismo, ou seja, gente coçando o saco o dia inteiro. Sem ócio, não há valores humanistas. O trabalho embrutece o homem, esse trabalho voltado à produção, ao mercado, como é aquele de que a Veja quer saber. Trabalho, nesse sentido, e conhecimento não casam. Eu não tô dizendo que, se patrocinarem a USP e deixarem assim, como está, daqui a uns quinhentos anos, virá a Renascença tupiniquim. Pode ser que venha. Mas o que eu estou dizendo é que tem de haver isso que é a USP, um lugar onde as pessoas vão aprender a ler Homero e Tucídides no grego, independentemente se vai dar pra vender isso no shopping.

Além do mais, parte da USP já é meio que privatizada. E é justamente a parte bem comportada, que nunca entra em greve, que não adere à greve, a parte boa da USP, de que a Veja gosta. E é justamente essa a parte que todo o mundo toma pra dizer que a USP é da elite, e que nóis, que é pobre, a gente não temo acesso.
Mas FEA, Direito, Medicina e Politécnica não são a USP; são uma parcela representativa, mas também muito específica da comunidade. Eu, por exemplo, que sou pobre e burro, eu tô na FFLCH, pra ser professor, que eu sou otário e devia de saber que o Serra não gosta de professor e, por isso, não vai gostar de mim. Nem ele, nem o Lula.

E meritocracia existe, sim, e funciona, como tudo nessa vida, em parte. Mesmo que digam que não; mesmo que haja cotas, mesmo que eles digam que lá na USP os pobre num entra porque não tivero chance. Eu, de novo, sou prova de que isso é mentira. Eu que estudei a vida inteira em escola pública; tudo bem que não trabalhei até os dezoito anos, mas isso, como a maioria dos jovens. Só que, em vez de assistir ao Zorra Total (quer dizer, não toda a semana, ou não inteiro, só um pedaço), eu, que era um chato, ia ler Proust, zzzzzzz, e ia escrever poema boboca sobre como eu era um adolescente boboca e incompreendido. Por isso, eu passei no vestibular e, por isso, não virei um injustiçado do pernicioso sistema socioeconômico vigente. Estudo num prédio inacabado desde a década de 1960, por falta de verbas, e tenho aulas de latim numa sala de 150 alunos, também por falta de verbas, mas não sou nenhum injustiçado.

Poxa, e, afinal de contas, eu também sou que nem o Lula. Talvez por isso, a Veja de repente não goste de mim, apesar de eu gostar tanto, tanto dela. Mas, por outro lado, vocês, cidadãos de bem, têm de gostar de mim. Eu também vim de baixo. O Lula veio de baixo e chegou à Presidência da República; eu, a USP. A USP é cheia de Lulas. Cidadãos de bem, vocês votaram no Lula, acreditaram nele, então, acreditem em mim também.

Apesar de que eu, eu mesmo, acho que ter partido é falta de caráter. Que postura política, boa mesmo, idônea e justa, é a de Thoreau, que dizia que "o melhor governo é o que absolutamente não governa". O Mainardi mesmo recomendou uma vez a leitura de Thoreau. Portanto, termino eu, recomendando também Thoreau, e, apesar de tudo, como Winston Smith amava o Grande Irmão, amando a Veja, porque ela zela por mim.

Anúncio do Live Earth: preocupante

Hoje, no Rio de Janeiro, o ex-candidato-derrotado-no-colégio-eleitoral-mas-com-mais-votos-que-o-Bush Al Gore anunciou a cidade como uma das sedes do show Live Earth, que será realizado simultaneamente em 8 cidades no dia 7 de julho e terá como objetivo alertar o mundo sobre os riscos do aquecimento global. Até aí, beleza. O que realmente chamou a minha atenção foi quem fez o anúncio ao lado do Al Gore. Foi o Bono Vox? o Bill Gates? O Lula? A Angelina Jolie e o Brad Pitt? O Gilberto Kassab? O Pelé? O Betão? Não, não foi nenhum deles. Quem fez o anúncio junto com o senhor Gore foi ela, Maria das Graças Meneghel, mais conhecida como XUXA. Sim. Ela disse que se juntou a causa. Imagino que ela vá convocar todo o exército de duendes e gnomos para combater as malvadas corporações. Xuxa contra o Baixo Astral. Agora, vai. Tenho medo, muito medo.

TETÉIA DA SEMANA

Amélie Poulin
Garçonete de um típico bistrô Parisiense, Amélie Poulin é dona de uma timidez dolorosa, que a fez perder muitos momentos da sua vida. Só agora ela começa a se soltar, até arranjou um namorado, um cara legal que trabalha num sex shop e num parque de diversões. Os dois adoram andar de bike pelas boulevards da cidade-luz. Parabéns, Amélie, e mande um abraço para a sua irmã, investigadora da Policía Francesa e descendente direta de Jesus Cristo. Peraê, se a sua irmã é parente do homem, você... Eram os deuses astronautas?

Tetéia da semana: uma rápida introdução

Vejo que em breve teremos uma camarada. Estaria a sessão Tetéia da Semana com os seus dias contados? Teremos que, em nome dos modos e da política de boa vizinhança, eliminar esse post para deixarmos e futura camarada mais confortável dentro desse blog? É lógico que não. Afinal, toda mulher reclama, mas no fundo adora homenagens com toques de cafajestagem. Logo, logo, ela implorará para ser escolhida para a sessão.

domingo, 13 de maio de 2007

Uma premissa a invasão aos mijadouros femininos

Constatação: As mulheres vão no banheiro em bando.

Problemática: Por que elas fazem isso?

Partida do estudo: Além das habituais pesquisa de campo que contém altíssimo risco de vida e sujeitas a cárcere e multas, o estudo foi amparado por uma modesta e rara pesquisa bibliográfica.

Pesquisa Bibliográfica:
Isabel, Princesa; Lei dos mictórios
Harnein, A. A.; A arquitetura interior dos banheiros femininos
Jacobs, James Stuart; Banheiros Públicos na sociedade ocidental
Internet

Primeira hipótese: Elas vão porque tem medo de irem sozinhas.
Não é a toa que as mulheres são chamadas de sexo frágil, elas , fisicamentes, costumam ser mais fracas. E não se resume nessa premissa, graças a evolução, elas são emocionalmente instáveis. Qualquer homem que tivesse cólicas provavelmente seria um homicida, elas, diferentemente, conseguem suportar as dores, mas com certeza faz com que elas fiquem instáveis emocionalmentes, logicamente parecem, sendo emocionais, mais fracas.

Segunda hipótese: Fofoca.
Muito sutiens foram queimados, infelizmente conflagramos, dia a dia, um mundo terrivelmente machista. Olhe pela janela e você tem grandes chances de observar alguma mulher sendo ojerizada nas ruas, talvez seja vc mesmo que, ao olhar para alguma mulher nesse exemplo, faça isso. Pedreiros, marceneiros, funcionários públicos até os padres(esquecendo suas tradicionais predileções por infantes). Então o único refúgio seguro para serem elas mesmas seria o banheiro feminino; onde acenderiam o cigarro e falariam que o membro de um cara é maior que outro.

Terceira hipótese: Um local recreativo majoritariamente feminino.
Agora essa suposição não exclui inteiramente a segunda, pq ainda seria um lugar exclusivamente feminino onde as mulheres pudesse ser elas mesmas, contudo analisado sobre outro prisma: diversão. Quando somos crianças poucas mulheres, aquelas chamadas de molecas, brincavam com coisas divertidas; as outras apenas sentavam e fingiam ser mães, isso nem de brincadeira é legal, se não muito assustador. Elas talvez quisessem brincar com a gente mas, pela contexto histórico, elas não podiam, e ate hoje não podem se manifestar sobre isso. Passa-se algum tempo elas estão mais velhas e sentem necessidade daquelas brincadeiras. E no recinto feminino, lá no restroom, todas as diversões são multiplayers: mesa de ping-pong, pebolim e mesas de truco e ludo; para se divertir sempre tem a necessidade de uma parceira, ainda que meio desconhecida.

Conclusões Gerais e primárias acerca da pesquisa.
A primeira hipótese foi descarada logo no começo do estudo, pois a própria bibliografia desmentiu essa hipótese. Infelizmente nossa verba para a pesquisa mingou e tivemos que interromper a pesquisa. Resta-nos a grande dúvida: tem um pembolim ou apenas privadas mais perfumadas e portas dos banheiros mais limpas?

Concurso "A garota do fomos ao cinema" ou "Procura-se a camarada feminista"

Caras leitoras e leitores, recebemos mais de 100 cartas, na verdade e-mails, destinadas ao concurso. Depois de excluídas as ameaças de morte e os e-mails com participantes homens (o camarada progressista teve a infeliz situação de abrir a foto de um tal sujeito chamado Bruno, até agora ele está atônito), chegamos a dez opções viáveis. A segunda seleção foi feita baseada nas fotos 10x15 e na avaliação do currículo, sobretudo do currículo, restou apenas duas pessoas. Agora pretendemos fazer entrevista e a prova oral, contudo eu tive um infeliz incidente com uma das participantes que resolvi relatar.
Eu, na minha terna casa, estava conversando com uma das participantes, a conversa rondava sobretudo as regras do concurso, as suas chances, etc. Quando ela, que estava ocupada vendo e-mails ao mesmo tempo que falava comigo, de repente saiu do bate-papo. Não sei se enchi o saco dela, costumo ser um pessoa polida e com cuidados com colegas que conheço há pouco tempo. Saiba que sua participação no concurso é primordial, não pude falar dos resultado anteriormente por causa do prazo do edital. Agora não se esqueça: marque o dia da entrevista oral e boa sorte.

Camarada Fundamentalista e as mulheres: exposição de um caso

Um amigo meu me disse assim:

"- Suponhamos, por favor, apenas suponhamos que eu seja um sujeito bonzinho e normalíssimo, que não faz nada de ruim pra ninguém, dentro e fora do amor. Te pergunto: quando é que vai me aparecer uma guria [ele é de Porto Alegre, todo o mundo é de lá agora] que me faça bem, só pra variar? Não uma maluca, nem uma meninota, tampouco uma chata."

Neste exato momento, a mãe da Helen Hunt deveria ter intervindo, como em As good as it gets:

"- Não existe isso, meu filho!"

"- Não, eu não acredito, mãe da Helen Hunt em As good as it gets. Existe, sim, uma linda mulher pra mim, e não é nenhuma dessas aí que eu conheci. É cheirosa e bem cuidada, mas sabe exatamente quem é: uma mulher, enfim. Tem postura e, sobretudo, merece e conquista, e nunca deixa de fazê-lo, meu respeito."

Como os senhores vêem, apesar de ou porque misógino, também romântico.

O Aranha e o Papa foram ao cinema

Por que o Aranha e o Papa ganharam tanto relevo no blog? Quatro respostas sortidas:

1. A mais óbvia e eventualmente verdadeira: porque os dois estão na mídia.

2. Porque os dois são, em sentido lato, personagens autênticas, que assumem quem são e o que pensam da vida: um, nerd, pró-tecnocracia; outro, católico, contrário ao aborto, num tempo de tantas crenças pasteurizadas e descafeinadas, sob a ditadura do politicamente correto. Essa a resposta com vantagem de poder ser apresentada em congressos zzzzzzz... acadêmicos.

3. Porque a gente não tinha mais sobre o que escrever.

4. Porque a gente quis.

Estamos abertos a outros palpites, afinal, este blog é feito não só por nós, mas também por vocês.

Camarada Fundamentalista e as mulheres

Este post requereria ser melhor contextualizado, tornando-se, contra a minha vontade, extenso. Por isso, fica ele assim mesmo, meio gratuito, quase dada, sujeito a todo tipo de mal-entendidos, mas curtinho. Tomem-no como a primeira gota da minha ainda timidamente demonstrada sabedoria acerca das mulheres. Talvez seja a amargura, apesar de que sou não de me amargurar, felizmente. É mais certo que seja, enfim, pura e simplesmente deboche. Relativizem, portanto.

Sempre procurem saber do outro (na verdade, não importa se menino ou menina) o que esta sugestão de monólogo supondo um diálogo indica:

“- Gosta da sua família? Não? Ah, então você é o amor da minha vida.”

sábado, 12 de maio de 2007

Cinema - estréias da semana

Com toda essa correria brutal provocada pela vinda do Papa Bento XVI ao Brasil (foi muito cansativo, ver tudo pela televisão com a bunda no sofá), por pouco não saíram as críticas da semana. Mas, com o esforço conjunto de toda a equipe e o apoio do pessoal da manutenção, aqui estão, filmes da semana:

Um Crime Perfeito: Anthony Hopkins interpreta um milionário pancada que mata a esposa e desafia um jovem advogado (Ryan Gosling, indicado ao Oscar esse ano, por outro filme que não estreiou na selva ainda) a provar a sua culpa. Sim, você não está enganado, já viu esse filme antes, só que não tem a Jodie Foster pré-lesbianismo (tá, são boatos, eu não posso provar, mas aonde tem fumaça...). Fuja como se fosse uma condenação a morte.

Invasão de Domicílio: Jude Law é um arquiteto que resolve preparar uma armadilha para saber quem anda roubando objetos seus num escritório que monta num bairro pobre, e descobre ser um jovem imigrante sérvio, e ele resolve ajudar o moleque e acaba se apaixonando pela mãe do menino. Só por ter o Jude Law já é motivo para você evitar sequer chegar perto das salas de cinema, mas a mãe do guri é interpretada pela péssima Vera Farmiga, a Ben Affleck de saias. Já sabe, evite aborrecimentos.

Baixio das Bestas: filme que fala de 3 histórias paralelas passadas na Zona da Mata pernambucana, uma delas envolvendo prostitutas. Sim, você já viu esse filme antes, e ele chamava Amarelo Manga, mas nesse pra completar o sofrimento ainda temos que aturar o Giovanni Ribisi brasileiro, Caio Blat. E, afinal, que raios de nome é esse? Baixio das Bestas? Saudades da época que os filmes nacionais tinham nomes que iam direto ao ponto, como os clássicaços-aços-aços Navalha na Carne e Matou a Família e Foi ao Cinema.

Complementando ou A epifânia esquizofrênica do camarada moderado

Esqueçamos um pouco o papa e também esses anos recentes. Vou me afirmar, um confissão na verdade, como a maioria dos jovens da minha geração queria ter vivido outra época e em outro lugar, acho que isso é coisa de pessoas insatisfeitas, a maioria dos jovens são, sobretudo incomodadas, mas a questão não é essa; quero falar que adoro os anos 70, isso mesmo, se pudesse eu seria negro na década de setenta vivendo em alguma cidade estadunidense.

Shaft, nascimento do cinema de arte marcial nos Eua, funk: caráter fundamental pra viver nessa época. Exitia alguma possibilidade de um tempo como aquele ser ruim? Esse período foi a solidificação dos nuances culturais dos anos 50 e 60; os beatniks, os hippies, contracultura, Elvis, Jerry Lee Lewis, Beatles, Hitchcock, arte pop, concretismo, feminismo,jazz modal. Tudo isso mexeu-se num liquidificador e daí surgiu os anos 70.

Onde tudo era colorido, brilhante e dançante. Onde as bandas obscuras eram de rock progressivo. Onde James Brown reinava. Onde as bandas tinham nomes geniais: Pure Wilderness, Funkadelic, The Supremes; pra ficar só nas mais populares. Onde se usava roupas geniais. Onde tropeçavamos na rua e já caíamos numa pista de dança. Sempre que tento ver esse período, imagino muitas cores, pistas dançantes e todas as pessoas do meu devaneio tem swing, deveria ser assim. Era uma época talvez otimista, você dançava até quando estava triste, raramente acontecia de ficar triste. Como ficar triste onde você sempre sai na rua e parece que começa a tocar uma música muito swingada?

Mas como o sol antecede a lua, os anos brilhantes antecederam os anos 80 e ninguém estava preparado para aquilo, melhor não falar que pode dar azar. Voltemos aos tempos recentes...onde sonhamos em parecer outra pessoa olhando sempre para um espelho.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Cobertura da Imprensa

Bom, eu realmente acho utopia esperar que os programas vespertinos que transmitiam ao vivo do Mosteiro conseguissem fugir desse reducionismo. Era aquilo que eles podiam tirar da situação: fiquem de olho, pois a qualquer momento o Papa pode sair para a varanda envolta numa redoma de plástico dar um tchauzinho para a patuléia ansiosa. Seria estranho mesmo se eles dedicassem o tempo falando sobre as verdadeiras razões que levaram um Papa altamente conservador como o Bento XVI a deixar o conforto do Vaticano e se dedicar a uma longa viagem e compromissos incessantes, que seriam cansativos até para um jovem, quanto mais para um oxagenário como ele. Esse tipo de jornalismo, ou, sendo mais preciso, o jornalismo em si, a informação e o seu processo de apuração, sempre serão trocados pelo imediatismo, pelas obviedades e pelo show. O que vale é o efeito pirotécnico, não o efeito informativo. É assim, sempre foi e sempre será. Agora, é só assistir um Fox News da vida para saber que esse problema não é algo exclusivo de nós, felizes habitantes do terceiro mundo. Em qualquer canto desse planeta, a qualidade da informação passa pelo poder esforço, de escolha e critério daqueles que a procuram. É fácil saber aonde existe o fast-food, o lixo, e onde existe a verdade.

Fechando as pontas, se houver alguma.

Camarada Fundamentalista deixou um importante link ( o da ocupação da usp), agora eles poderiam deixar um link nosso no site deles, vou falar com os garotos. Agora camarada progressista, o que seria interessante era testar a eficácia da blindagem tanto do papamóvel como do vidro no Mosteiro de São Bento, depois do acidente do mêtro ando meio desconfiado das coisas. Alguém tem um lança foguete pra emprestar? Por puro cárater de validação da premissa, seria interessante se alguém ficasse lá também, quem se habilita?

Cuco XVI

O jornalista é um indivíduo de coração simples. Mais do que isso, ele tem essa rara capacidade de tornar a vida simples. Não importa a grandeza que um evento possa ter, o jornalista sempre consegue reduzi-lo a alguma trivialidade ao gosto do populacho.

Quanto à visita do Papa, se há alguma importância ou significado nela não vem ao caso. Digno de nota é saber: será que ele vai sair na sacada?

Todos reunidos em frente ao Mosteiro de São Bento Resort, onde o Papa está hospedado, esperando o cuco sair da casinha dele. Transformaram Bento XVI num cuco da fé.

São essas idéias fixas, como a do "quadrado mágico", que fazem a pauta do jornalismo televisivo nacional.

Notas sobre o Papa 3: complementando

Interrompemos a programação normal do blog (a importantíssima notícia da milésima greve da USP só nessa semana) para dizer que o Papa celebrará uma missa também na frente da catedral da Sé. Horário? Desconhecido.

Blog da ocupação da Reitoria da USP

Comprometido com a notícia e a serviço da comunidade (pois é...), tá aqui o link pro blog da galera que está ocupando a Reitoria da USP. O blog expõe a visão dos estudantes nessa disputa com o governo do Estado que, sim, lançará novamente a comunidade USP a uma greve. Só que dessa vez, ao que parece, organizada e com propósitos legítimos e definidos. Diferente da greve do ano passado.

http://ocupacaousp.blog.terra.com.br/

Notas sobre o Papa 2: Agenda da Sexta

Hoje, as 9:30 pelo horário oficial de Brasília, Joseph Ratzinger, o Papa Bento XVI, celebrou uma missa campal no Campo de Marte, no bairro de Santana, Zona Norte de São Paulo. Na missa, ele canonizou Frei Galvão, que passou a ser o primeiro santo brasileiro. Na missa, Bento XVI aproveitou para criticar as piadas envolvendo a associação do seu nome ao do personagem de quadrinhos brasileiro Chico Bento, e as charges que circular colocando o mesmo com vestes papais: "O Chico Bento é um gaiato do interior, ingênuo e com um coração de ouro. Eu nasci numa pequena vila da Baviera, e por isso me identifico com as aventuras divertidas da turma, mas as semelhanças acabam por aí, pois o meu nome verdadeiro é Joseph, e não tem nenhum Joseph em todo o universo da Turma da Mônica". Depois de fazer esse importante adendo, o Papa se dirigirá para o Mosteiro de São Bento para um encontro com Bispos brasileiros. Mais notícias em breve.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Aproveitando o bom dia

Aproveitando que dormi moderamente bem e o dia está com moderação de frio, aliado a tudo o achocolatado esta moderado na sua temperatura. Tudo começa bem, pelo menos para mim. Sei que esles brigaram, é sempre assim na minha ausência. Desde a quinta série os dois vivem de engalfinhando, não é recente, e pra quem sobra separar? Lógico, este que vos fala. Agora me diz; o que o papa vai achar desses dois sempre brigando? Vamos passar vergonha, rezo para que o papa, na hora da briga, estava de óculos escuros e não pode ver aquele banzé direito. Vou tentar resolver com os garotos e obriga-los a pedir desculpas para Vossa Santidade.

O papa gosta de jardinagem e tudo no seu devido lugar.

Abraços moderados,
camarada moderado