terça-feira, 12 de maio de 2009

Preview - Filmes do Verão Americano de 2009

É ISSO AI, CAMBADA! Passado o jubileu de comemorações do aniversário do blog mais anti-social da internet, eu, Camarada Progressista, mais demagogo que vereador de cidade pequena em época de eleição, venho aqui trazer para vocês os filmes que vão agitar (putz, essa foi de doer) a temporada de blockbusters do verão americano, que foi aberta de maneira informal com o lançamento na última semana dos filmes Wolverine e Star Trek. É, eu sei, não é uma abertura das mais promissoras (pelo amor, não existem trekkers brazucas, né não? Se existirem, dou um conselho: vão carregar sacola de feira na rua, seus malandrecos!), mas a grande questão que fica é: os filmes que virão em Junho e Julho arrebatarão as multidões nesses tempos de crise econômica e gripe suína em que vivemos? Afinal, se o cinema existe como uma espécie de cultura de escape que ocasionalmente acaba produzindo frutos de qualidade que possam extrapolar essa mera definição e entrar no rol das verdadeiras obras de alta cultura, então é justamente em tempos difíceis como esse que ele se justifica, não é? Por favor, mandem e-mails levando para a frente essa importante discussão. Sem mais delongas, o verdadeiro preview dos filmes do verão americano. Banzai.

Transformers: A Vingança dos Derrotados – Diretor: Michael Bay; Elenco: Shia LaBeouf, Megan Fox, Hugo Weaving, Rainn Wilson
Sério. Esse é, ao lado do próximo Harry Potter (que será abordado logo abaixo) o filme mais aguardado dessa temporada. Depois os médicos falam da gripe suína, essa subestimada. Sortudo é o homem que jamais colocou os seus lívidos olhos em um filme dirigido por Michael Bay. Será que a Dreamworks e o senhor Steven Spielberg (um dos produtores dessa atrocidade) não poderiam poupar a humanidade dessa bomba, considerando a horrenda época em que vivemos, com crises econômicas e pandemias assolando o nosso cotidiano? Será que a vontade de colocar mais dólares no rabo é tão intensa assim? Mais uma oportunidade para o Shia LaBeouf mostrar o vácuo absoluto de carisma que é. E tomara que certos sites brazucas por ai não repitam a palhaçada que ocorreu na época do lançamento do primeiro, quando colocaram críticas elogiosas em meio a uma pornográfica propaganda do filme. Nem todo mundo é trouxa não, seus comédias. E quem tiver um problema com isso, estamos aqui para resolver qualquer tipo de diferença. YEAH!


Harry Potter e o Enigma do Príncipe – Diretor:David Yates; Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Ruppert Grint
Calma, pessoal. Está acabando. Esse é o penúltimo filme da série. Quer dizer, nem tudo é perfeito, já que o último livro do bruxo mais emo da paróquia, Harry Potter e as Relíquias da Morte, será dividido em dois filmes lançados em 2010 e 2011, consecutivamente. Tava bom de mais para ser verdade. J.K Rowling já é uma zilionária, podendo pagar motel pros homens, o que é mais importante (essa citação gratuita da Tati Quebra Barraco chega a vocês por cortesia da Comrades Inc. Ltda), Daniel Radicliffe já pegou geral usando a fama adquirida com os filmes, e ainda sim, somos obrigados a agüentar mais um lançamento do Harry Potter. Como a série teve o seu ínicio em 2001 e verá o seu último filme em 2011, teremos um ciclo completo. Uma década inteira de sofrimento. Mas tem um alento. Ao contrário do invencível Michael Bay, a senhora Rowling é um tanto quanto atormentada, com tretas com o pai e tudo mais. Quem sabe não rola uma burguesíssima e básica overdose de pílulas? Dinheiro na mão é vendaval... é vendaval... na vida de uma sonhadora...

Bruno - Diretor: Larry Charles; Elenco: Sacha Baron Cohen
Depois de fazer essa galera bonita rir à beça com o hilário Borat, Sacha Baron Cohen, esse alegre e suingado rapaz inglês, chama mais uma vez o diretor e ex-roteirista da série Seinfeld, Larry Charles, para produzir mais um filme, dessa vez sobre o seu terceiro personagem mais famoso, o estilista gay Bruno (Ali G, o qual eu confesso que não vejo muita graça, e Borat são os mais famosos criados por Cohen). O filme terá os mesmos moldes do Borat, fazendo o personagem contracenar com pessoas de verdade e tirando a graça das reações imprevisíveis das mesmas. Mas, como diria lá o outro, um raio não cai necessariamente duas vezes no mesmo lugar. Irá Baron Cohen conseguir surpreender o público repetindo a mesma fórmula do seu sucesso anterior, agora com um personagem que talvez não gere a mesma empatia no público? O negócio é confiar, já que Larry Charles raramente erra (ninguém foi roteirista de uma série como Seinfeld à toa) e Cohen sabe como poucos constranger os incautos que se submetem às bravatas dos seus personagens. Dessa vez, não torcerei pelo suicídio de ninguém. E se alguém achou que exagerei nos textos anteriores, eu peço desculpas. NOT!


Exterminador do Futuro: A Salvação – Diretor: McG; Elenco: Christian Bale, Sam Worthington, Bryce Dallas Howard, Helena Bonham Carter
A série Exterminador do Futuro estava morta e enterrada, de maneira merecida, depois da recusa de James "eu sou o rei do mundo!" Cameron em dirigir o terceiro filme, que acabou fracassando miseravelmente quando lançado em 2003 ,e da eleição de Arnold Schwarzenneger para governador da Califórnia. Por esses fatores, todos nós pudermos respirar aliviados momentaneamente, já que os dois primeiros filmes, que são pequenos clássicos modernos (ui!) já tinham sido mais do que suficientes para o universo dos personagens. Seguiríamos então todos as nossas vidas. Mas, infelizmente, nós nos esquecemos de contar com um fato estarrecedor: Christian Bale é um idiota. Um cretinaço de marca maior. Os dois ou três produtores que estavam loucos para realizarem o quarto filme de uma série morta precisavam apenas que um astro de primeiro escalão topasse fazer parte do projeto para trazer os investimentos necessários para bancar a produção. Lógico que Bale topou a parada. E á vamos nós, rumo a mais uma bomba, dirigida pelo inacreditável McG (“autor” dos horrendos filmes das Panteras) e que cujo roteiro já foi reescrito a pedido do próprio Bale, tamanha era a ruindade do roteiro original. Quando você menos espera, é ai que não sai nada mesmo. Mas uma coisa boa pelo menos saiu dessa insanidade toda. O mundo finalmente conheceu o verdadeiro Christian Bale, quando o áudio de uma discussão do ator com o diretor de fotografia vazou na internet. O ataque de estrelismo do Batman dos pobres pegou muito, mas muito mal mesmo. E justificou um evento anterior, no qual Bale foi preso na pré-estréia do Cavaleiro das Trevas por culpa de ataques verbais e ameaças cometidas contra a sua mãe e irmã. Muitos duvidaram das duas, achando que elas estavam apenas procurando embarcar na fama do parente famoso, mas os gritos de Bale contra o pobre incauto acabaram mostrando que era tudo verdade. Vale lembrar que foi a irmã de Bale que introduziu o ator no ramo da atuação. Além de ser um cretino, Bale é também um baita de um ingrato. O filme pode até surpreender, mas tudo indica que será mesmo uma bomba. E Bale já precisa olhar com cuidado para os rumos que a sua carreira tomará a partir de agora. E o McG... não, sem essa de chutar cachorro morto.


Uma Noite no Museu, BlábláblábláSmithalgumacoisaqueninguémliga – Diretor: Um dos amigos do Ben Stiller – Elenco: Ben Stiller e seus amigos famosos e decadentes
É de dar nos cornos mesmo. Lembram de como era o mundo antes do Ben Stiller ficar famoso? Lembram como tudo era mais simples e divertido? Que saudades. Depois de lançar oitocentos filmes por ano no começo da década e amargar uma massacrante exposição de imagem que provavelmente teria significado o fim da sua carreira e um alívio mais do que merecido para os fãs de cinema, o sucesso inesperado do primeiro Uma Noite do Museu acabou revitalizando a sua carreira. Nada mais surpreendente do que apostar no que já caiu no gosto bovino das massas.Façam um teste: selecionem 5 filmes do senhor Stiller de maneira aleatória, e reparem no desenvolvimento dos personagens que ele interpreta. Não importando o gênero do filme, a trama, os coadjuvantes, é sempre a mesma coisa. Personagem introvertido, inseguro, pisado por todos em sua volta, acaba sempre, exatamente no meio dos filmes, tendo um ataque inesperado de raiva, que embora lhe cause constrangimentos, acaba sendo determinante para eles adquirirem confiança e, até o final dos filmes, conseguirem superar os seus traumas e alcançarem os seus objetivos. É sempre igual. Digo apenas algo para todos os pais que levarem os seus filhos para assistir a essa porcaria: JUIZADO DE MENORES. Cuidado.


Anjos e Demônios - Diretor: Ron Howard 666; Elenco: Tom "alguém empresta uma carreira de sucesso para mim ai?" Hanks, Ewan "deixa comigo Tom, toma que o filho é teu" McGregor, Ayelet Zurer
Quando o horrendo livro Código Da Vinci começou a vender mais do que pão quente em padaria de bairro, não ficou nada difícil imaginar quem seria o diretor ideal para comandar a inevitável adaptação cinematográfica da bomba. Um palhaço de marca maior como o Ron Howard, obviamente. Ele e o Dan Brown nasceram um para o outro. Os dois compartilham aquela mediocridade asséptica e segura, uma capacidade rara de jogar sempre no seguro para agradar as massas, e o entendimento básico de que a melhor maneira de se comunicar com os seus espectadores é tratá-los como se fossem crianças de 8 anos de idade. É um casamento perfeito. O filme Código Da Vinci rendeu zilhões de bilheteria em um âmbito mundial (nos EUA foi bem, mas abaixo do que se esperava), e nada mais justo do que manter o mesmo time para a adaptação do livro que deu sequência às aventuras nada emocionantes do Indiana Jones dos pobres, Robert Langdon. A péssima notícia em toda essa história é que a única coisa que se sobressaiu no fraquíssimo filme anterior não vai estar mais lá para salvar o dia. Sim, a graciosa Audrey Tautou não estará nessa continuação, já que a personagem dela não aparecia no livro Anjos e Demônios. Por isso, basta apenas rezar para a verdadeira Opus Dei fazer alguma coisa a respeito. Pô, galera, vocês eram bem mais eficientes na idade média, né não? Se dois ignóbeis como Howard e Brown aparecessem naqueles tempos, era fogueira na hora. Inquisição, essa injustiçada.


Whatever Works - Diretor: Woody Allen; Elenco: Larry David, Evan Rachel Wood
Ok. O negócio é o seguinte: eu não vou perder esse filme por nada nesse mundo. Woody Allen e Larry David juntos. Sério, se isso não é um motivo mais do que suficiente para você levantar o seu rabo gordo do sofá e ir ao cinema, eu não sei mais o que nós podemos fazer por você. Eu já estou lá. Como os filmes do senhor Allen normalmente demoram para chegar aqui na terra na qual tudo se planta, temo pelo pior. Por isso, já vou mandando e-mails tensos e nervosos para a distribuidora brazuca. Recomendo a vocês fazerem o mesmo. Pena que Woody apenas dirigirá o filme. Perderemos a chance de vê-lo contracenando com David na tela. No mais, já estou também no aguardo da próxima temporada do Curb Your Enthusiasm, que reunirá pela primeira vez em dez anos os quatro protagonistas do Seinfeld em um arco narrativo. Sim, a vida pode ser boa, muito boa.


Funny People - Diretor: Judd Apatow; Elenco: Adam Sandler, Seth Rogen, Eric Bana e Jason Schartzman
O superestimado Judd Apatow é, indubitavelmente, o Midas da comédia dessa segunda metade da década de 00. Tudo o que ele e o Seth Rogen tocam vira ouro, e rende os tubos nas bilheterias. Adam Sandler é mais um a se render ao hype feito em cima do nome do diretor e roteirista. Em teoria, parece ser um sucesso garantido. Mas sabe como é. A noção de Sandler de comédia é tão equivocada que eu não me espantaria se ele conseguisse destruir esse filme, tendo em vista o seu histórico de caracterizações insuportavelmente exageradas em filmes cômicos. Dizem que esse é provavelmente o filme mais ambicioso do diretor, que teria se unido até com o oscarizado diretor de fotografia Januzs Kaminski para o filme. Sei não, meus instintos dizem que... bom, veremos.



Inimigos Públicos - Diretor: Michael Mann; Elenco: Christian Bale, Johnny Depp, Billy Cudrup
Esse é o filme mais aguardado da temporada de verão nos circuitos mais, digamos, sérios de cinema. Mann é amado pelos críticos, e uma história passada no auge da depressão dos anos 30 contando a saga de três míticos gangsters como John Dillinger, Pretty Boy Floyd e Baby Face Nelson, e a perseguição empregada por J. Edgar Hoover e o FBI não pode ser nada menos do que promissora. Johnny Depp como Dillinger deve ser o bicho, mas temos que controlar o entusiasmo, já que não foi uma nem duas vezes na sua carreira que Michael Mann exagereu na dose e conseguiu transformar filmes promissores em verdadeiros espetáculos de auto-indulgência, o Christian Bale é um mala, e imaginar o Billy Crudup como o J. Edgar Hoover, chefão do FBI por mais de meio século, é um tanto quanto bizarro. Mas o que realmente pega comigo é ver o nome do Giovanni Ribisi no elenco. Acho que vou tentar algo ousado quando for ver o filme. Vou subornar o projetista da sala de cinema para editar o filme, cortando toda e qualquer cena na qual o senhor Ribisi apareça. É sério. Nem com cachaça na cabeça dá para aguentar um troço desses. Mas, tirando essas ressalvas, imagino que o filme deva ser bom.


Hannah Montana, O Filme - Diretor: Hannah Montana; Elenco: Hannah Montana, Hannah Montana e Hannah Montana
hEhEhEhEhE! é iSsU aI, gAlErInHa! u fIlMe dAh hANnAh mOnTaNa eStA xEgAnDu!!!! hIhIhIhIhIhIhI! mUiTa aVeNtUrA, AzArAcAuM i dIvErSaUm! hEu i uS mEuS mIgUxInHuS i mIgUxInHaS nAuM vEmUs a hOrA! jÁ vAmUs tOdUs pArA a fIlA nU cInEmA! HiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHi! kEn nAuM gOsTa dA hANnAh e bObU, fEiu i cHaTu! i mALvAdU! mAs a mInHa mAe nAuM vAi mE DaR dInHeIrU pArA hEu kOmPrAr uS inGrEsSuS!!! bUáááááááááááááá!!!! iSsU e iNjUsTu! hEu mErEçU, sO tIrU nOtAs bOaS nA iSkOlA, sOu cOmPoRtAdU! sErA kI alGuEm aI pOdI Mi aJuDaR? fAçAuM uMa rIFa! i dEPoIs mE mAnDen u dInHeIrU, pUr FaVoR!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Grandes Frases do Cinema - Traduções

O Poderoso Chefão
-I'll make an offer he can't refuse

-Eu farei uma proposta a qual ele não poderá recusar.



Cidadão Kane

-Rosebud

-Rosebud



O Iluminado


-Here's Johnny!

-Aqui está o Johnny!





Meu Ódio Será Sua Herança

-If they move, kill'em

-Se eles se moverem, matem todos.

Jerry Maguire
-Show me the money
-Mostrai-me o dinheiro

...E O Vento Levou
-Frankly, my dear, i don't give a damn
-Francamente, minha querida, eu não dou a mínima.

Taxi Driver

-You talkin' to me? You talkin' to me? You talkin' to me? Then who the hell else are you talking... you talking to me? Well I'm the only one here. Who the fuck do you think you're talking to? Oh yeah? OK.

-Você está falando comigo? Você está falando comigo? Você está falando comigo? Então com quem diabos mais você está falando... você fala comigo? Bem eu sou o único aqui. Com quem você acha que está falando? Ah é? Tudo bem.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Wolverine não é um bom filme.

Infelizmente, Wolverine é um filme fraco. Um personagem tão vibrante, carismático, com uma história rica construída através de décadas nas HQs e com um intérprete tão adequado como Hugh Jackman, acabou sucumbindo a uma produção de gosto duvidoso e a um roteiro fraco e esquemático. Sabendo da fragilidade da trama, o inexperiente diretor Gavin Hood (um ator acostumado a papéis de coadjuvantes e com poucos créditos como diretor no currículo) aposta tudo no ritmo, abusando de cortes rápidos e sequências de ação.
Uma pena que a produção deixe de se esmeirar na construção dos personagens, se afastando das discussões tão importantes levantadas pelos filmes da série X-Men dirigidos pelo Bryan Singer (os dois primeiros) e pelo talentoso Brett Ratner (o último). O filme também desperdiça um talentoso exército de coadjuvantes (Liev Schreiber, Ryan Reynolds, Danny Huston), que surgem com pouca motivação e repetindo suas linhas de diálogo de maneira monocórdica e monótona. Mas quem gosta de uma adrenalina, de muita violência e de um clássico conto de vingança com um personagem sarcástico e carismático, vai se amarrar. E esperar que momentos como os vividos nos filmes dos mutantes possam se repetir sempre.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A Volta do Polêmico: Oliver Stone e o seu W.



Oliver Stone é um diretor de paixões. Um questionador, um polêmico, um cineasta pronto para desafiar a verdade pré-estabelecida e lançar novos campos de visões sobre fatos marcantes na trajetória da sociedade americana contemporãnea. Depois de demonstrar o seu virtuosismo técnico em filmes que questionavam momentos como a Guerra do Vietnã, o assassinato de John Kennedy, o fascínio que a violência causa no subconsciente americano e a trajetória de homens polêmicos como Richard Nixon e Fidel Castro, Stone volta as suas armas contra o desastroso ex-presidente George W. Bush, cujos 8 anos de reinado na Casa Branca geraram cicatrizes que provavelmente jamais serão curadas na memória coletiva daquele país.
Escolhendo a dedo o ator Josh Brolin para representar o fraco Bush Jr., Stone lança um efetivo e necessário estudo de personagens, que ousa questionar as intenções e latentes inseguranças do personagem, a herança do legado da família Bush sobre as suas ações, a equipe que ele formou ao seu redor e que é considerada por muitos como uma verdadeira quadrilha em busca de petrodólares fáceis (busca essa que gerou uma das guerras mais infrutíferas e inúteis da história da humanidade, a Guerra do Iraque), e o legado que a sua "obra" como presidente deixará para o seu país, que por culpa dos seus atos ficou negativamente marcado pela comunidade internacional, como jamais em momento algum na sua longa história, e a culpa do povo americano por ter dado tanto crédito e poder para um homem com pouquíssimos e duvidosos predicados.
Cercando o eficiente Brolin com um notável exército de coadjuvantes (a lista tem Richard Dreyfuss, Jeffrey Wright, Thandie Newton, James Cronwell e Ellen Burstyn, entre outros), Stone procura, com mais disciplina narrativa do que em outros momentos da sua brilhante carreira, ser o mais imparcial possível, mas sem perder em nenhum momento a sua linha de questionamento, nem deixar a narração descambar para um possível tom de deboche, como em outras produções que questionaram a administração Bush, como Fahrenheit 11/9, do documentarista Michael Moore. Stone é sóbrio, contudente e certeiro, sabendo que não poderia desperdiçar sua munição em uma situação tão delicada como a de retratar em filme a história de um personagem ainda bem vivo, e que cuja passagem pela presidência mal terminou, estando ainda bem fresca na memória do mundo como um todo.
Com isso, e tendo em mente o modus operandis dos outros filmes de Stone, podemos concluir que temos, terminados os 129 minutos de projeção do filme, a história contada da maneira mais isenta possível sobre um personagem que assombrará a nação mais poderosa do mundo por eras. Stone não corre atrás da história, ele se antecipa e arrisca lançar o seu próprio e bem particular olhar sobre ela. E esse combativismo será agradecido por nós, espectadores, por todo o sempre.

domingo, 26 de abril de 2009

Pornografia e Erotismo: um adendo

Perguntaram-me uma vez se sabia a diferença entre essas duas modalidades; sim, era um conversa de bar.


“Bem...”


A conversa durou duas horas: da explicação minha veio a argumentação dos outros, logo da argumentação passamos para uma calorosa discussão e, por fim, uma confusão local. Aqui como a réplica vem através de comentários e ninguém vai ficar gritando comigo “offlinemente”, assim explanarei algumas teorias sobre o assunto.


1)Quando temos o predomínio de planos super-close e detalhe estamos falando de uma produção do ramo do entretenimento do sexo, caso seja o oposto; as pessoas demoram para tirar a roupa, nem isso, muitas vezes transam com as roupas do corpo, aí passamos levemente para o imagético erótico. Considerando que meias, sapatos saltos agulha e adornos de ouro nunca foram roupas e se aparecerem invalida completamente o viés erótico. Exceção para filmes de malandro e rappers, nessas particularidades valem os adornos de ouro.


2) Entregadores de pizzas, encanadores, bombeiros, enfermeiras, aeromoças e colegias não costumam ter uma vida louca cheias de tramas sexuais, muito menos costumam, todas eles, serem adeptos do sexo casual relâmpago com desconhecidas(os) esquecendo assim que deveriam estar trabalhando ou quem sabe fazendo a lição de Estudo Sociais. Caso aparece em abundância tais elementos. voltamos ao universo da pornografia.


3)Se existe algo no mínimo parecido com um enredo,um roteiro onde os personagens movam alguma trama em busca de superação/eliminação de um problema. Se caso aja um mínimo desenrolar de uma trama que não pareça burlesca demais até para a média de filmes B de terror, então parece-me um filme erótico


O Mestre: animando os cinemas do centrão


4) Trilhas incidentais dificilmente são colocadas nos momentos íntimos das personagens, caso ocorra, será algo condizente com a trama e não um clone bêbado do Kennie G com dor de barriga a tocar o saxofone da trilha inteira.


5)As protagonistas costumam ter motivações. E as vezes aparecem, caso a motivação não seja fazer sexo o tempo todo e todos os personagens tenham tal motivação, exceção caso seja um filme do Andy Kaufman, com o título Quero Ser Michael Douglas.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

J.G. Ballard, RIP: 1930-2009


E o mundo da literatura sofreu uma forte perda no dia 19 de Abril. J.G. Ballard, aclamado escritor inglês (embora nascido em Xangai, na China, por culpa do emprego do pai), autor de clássicos da literatura contemporãnea como Império do Sol, Crash - Estranhos Prazeres e Exibição de Atrocidades, faleceu de uma doença não especificada, a qual ele vinha sofrendo a alguns anos, segundo o seu agente. Ballard foi uma influência marcante para diversos escritores, poetas e músicos das novas gerações, já que suas obras ( predominantemente trabalhos de ficção científica) eram marcadas por suas distopias e temáticas urbanas. No mundo do cinema, Ballard causou momentos de grande comoção, ao ter obras como Império do Sol e Crash sendo filmadas por diretores de porte, como Steven Spielberg e David Cronenberg. Ballard, um viúvo desde a morte de sua esposa, Helen Mary Matthews, em 1965, deixa 3 filhos. Sua perda será sentida.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O idoso, nosso amigo

A velocidade e a competitividade do mundo contemporâneo são formas inevitáveis de exclusão. Quem mais sofre nisso são os idosos, os popularmente chamados velhinhos. Somos levados a crer que a democracia não é, afinal, para todos quando os membros mais frágeis de nossa sociedade são submetidos ao descaso das autoridades, em filas quilométricas de hospitais ineficientes, e à indiferença da sociedade civil, enredada em sua sanha consumista que não leva a lugar nenhum.

É nesse cenário desolador, no entanto, que mudanças são sempre possíveis, por mais incrível que pareça. É tempo de refletirmos juntos, reconhecermos deficiências e encontramos soluções. Abrir-se-á então uma grande oportunidade de nos colocarmos no lugar do outro e vivenciarmos a experiência do abandono e da tristeza. E, perplexos, nos perguntaremos: será que não somos também os culpados? Será que, no fim das contas, não tratamos o velhinho como um animal, que deve se contentar com os nossos restos de afeto e – por que não dizer? – de comida?

Basta um dia nas ruas de uma metrópole rica e impessoal como São Paulo para sermos confrontados por uma realidade muito mais atroz que aquela pintada nas cores opacas da mais pungente obra literária. Eu mesmo fiz essa experiência e percorri, em nome dos jovens muito ocupados com seus estudos e suas carreiras, os becos absurdos a que idosos são empurrados pela marcha desumana dos negócios. Em suas fisionomias, contemplei as escolhas que fizemos, escolhas que passam por cima de direitos que qualquer legislação do mundo supõe inalienáveis. Em suas fisionomias, a decadência de nosso modo de vida estava escrita com traços irregulares e fibrosos que apenas o silêncio e a reflexão nos permitem ler.

Os idosos são hoje subumanizados, são cidadãos de segunda classe, vivendo numa marginalização sem nome. A verdade é que convenientemente esquecemos que também nós seremos idosos um dia. Mas, em vista de como vão as as coisas, também nós seremos vítimas de uma sociedade que não valoriza a experiência de vida, que não cuida dos fragilizados. O individualismo insano que praticamos é a sentença de morte futura que pesa sobre nossas cabeças. Quem nos acolherá? Quem olhará por nós quando somos incapazes de olhar por estas criaturas inúteis em que se transformaram os jovens de outrora? Rezemos para que nossos filhos e netos demonstrem a compaixão que nós mesmos não demonstramos.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O mais novo filme de Charlie Kauffman: Sinédoque, Nova York

Sinédoque, Nova York é a mais nova realização do aclamado roteirista norte-americano Charlie Kauffman. Autor do roteiro de clássicos contemporâneos como Quero Ser John Malkovich, Confissões de uma Mente Perigosa, Adaptação (que lhe rendeu um Oscar de melhor roteiro) e Brilho Eterno De uma Mente Sem Lembranças, Kauffman escreve o roteiro e também faz a sua estreia como diretor nessa nova produção, que conta, com os tradicionais traços surrealistas do escritor, a história de um dramaturgo hipocondríaco reavaliando os seus relacionamentos com as mulheres da sua vida.



Se utilizando das suas tradicionais quebras narrativas e alterações de percepções e realidades, Kauffman cria, ao adentrar na mente do perturbado dramaturgo, um fascinante caleidoscópio do comportamento humano, refletindo com maestria os incontáveis meandros e nuances que existem nas dinâmicas de relacionamentos no mundo moderno. Interpretando o dramaturgo, temos o brilhante ator Philip Seymour Hoffman (ganhador do Oscar e melhor ator pelo filme Capote), roubando mais uma vez a cena e transformando a nós, espectadores, em cúmplices das angústias e bravatas do protagonista.


Completando o elenco, temos um talentoso time de atrizes que, pronto para dar vida às mulheres que provocam tanta dor de cabeça ao atormentado dramaturgo. Samantha Morton, Catherine Keener, Michelle Williams, Hope Davis, Dianne Wiest e Jennifer Jason Leigh estão entre as estrelas que completam o talentosíssimo elenco. As narrativas paralelas que se chocam durante o filme (os eventos ocorridos na vida real do protagonista e as peças de teatros escritas por ele) são metáforas brilhantes para o choque de estilos vivenciado pelos Estados Unidos, que depois de 8 anos mergulhados na administração Bush, agora navegam liderados pelo novo timoneiro Barack Obama. Como se a história tivesse sido escrita de maneira turva e turbulenta com Bush, e agora chegasse Obama com uma pena pronta para descrever a verdade, a justiça e a clareza da vida.






Como o protagonista desse filme, perdido entre essas várias verdades, lutando e esperando a verdade aparecer na linha do seu destino, que será escrito por ninguém mais, ninguém menos do que ele mesmo, assim como os americanos escreveram o seu turbulento ao elegerem duas vezes Bush, e agora encontraram a verdade ao elegerem Obama.


Além de nos proporcionar um raro, elegante e inteligente exercício de estilo, que não se prende ao convencional e nem espera respostas fáceis e soluções simples para os anseios dos seus complexos personagens, Charlie Kauffman também nos traz, com os traços impávidos e belos da melhor ficção, a melhor reflexão lançada até o presente momento sobre o novo mundo que se monta à nossa frente. Mundo esse que tem “Obama” escrito por todo ele. A nós, resta apenas a oportunidade de agradecermos, e desejarmos que momentos como esse possam sempre se repetir.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Post de aniversário de blog

Falar de blog é tão relevante quanto reportagem sobre dona de casa que come tijolo.

Mas o que é um blog?

Um blog é um exercício de narcisismo.

Podia também ser um exercício de halterofilismo.

Semana passada finalmente tomei coragem pra assumir e contei pra minha mãe que sou blogueiro há quase dois anos. Claro que no fundo, no fundo eu sempre fui blogueiro, e ela sempre soube disso. As mães simplesmente sabem. O problema é que se recusam a admitir.

Desde pequeno ela notava que eu era diferente das outras crianças, essencialmente mais frouxo e cheio de manias. Como já existia no mundo um Woody Allen, que era por acaso um judeu novaiorquino baixinho, ela se contentou em me criar pra ser um japonês paulistano baixinho. Não foi fácil crescer em meio ao preconceito. Tive de superar o fato de ser japonês.

Em vez de fazer Engenharia...

Mas eu estava falando da minha infância difícil de exclusão e humilhação. Depois que me roubaram a terceira lancheira consecutiva quando eu ainda estava no Pré, minha mãe teve certeza de que eu era uma criança especial. Para ela isso queria necessariamente dizer que eu era gênio. Foi o que ela me disse. Eu lembro que ela estava enxugando dentro das minhas orelhas daquele jeito enérgico que as mães fazem entochando o tecido grosso da toalha bem fundo até a pele ficar vermelha.

Calma, mãe, eu só tava blogando!

Quando via as meninas da quarta série, a Andressa, a Fabi, a Simone, a Rita, circulando entre si o caderninho de enquete, eu ficava com um comichão e tinha vontade de arrancar da mão delas e me trancar no banheiro imundo da escola e responder qual era a minha cor favorita, o meu refrigerante favorito e de que menino, quer dizer, menina eu gostava.

Anos mais tarde comprei eu mesmo um caderno a fim de registrar minhas experiências, impressões e sentimentos. E na adolescência tive algumas experiências.

Meus heróis?

Naturalmente, são todos heróis intelectuais. Groucho Marx, Charles Chaplin, Sócrates, Mel Brooks, Woody Allen, Larry David. E eu.

Inclusive, escrevi um samba étnico:

"Se até Sócrates era judeu, por que não eu? Por que não eu?"

Ai, que absurdo, é claro que eu nunca fiz parte do PC aqui, em Itapecerica da Serra.

O que é um blog?

O blog é uma gota, um suspiro, um guarda-chuva, um pato.

Deixe-me explicar a situação para vocês. Isto é um blog, ou seja, por trás dele existem pessoas desocupadas. Se vocês olharem nos arquivos do blog, poderão observar que eu era um idiota no começo e agora sou o Messias e vim lhes dizer que a resposta é uma só:


Uma palavra que me defina? Narcisista.

Eu queria escrever um livro charmoso e irônico como Rhapsody in Blue, que é uma peça musical. Gatsby quase chega lá, mas é romântico em vez de irônico. Tudo bem. Deixa comigo. Seria o seguinte. Um jovem (naturalmente meu alterego) idealista, corajoso e incansável luta contra as injustiças de seu tempo até conhecer, do outro lado das linhas inimigas, Katharine Hepburn, a filha do governador. E daí em diante ele ficará dividido entre seus nobres ideais e o amor. Muita paixão numa prosa sedutora e elegante.

Ele amava o blog, sua vida, sua inconsequência, sua ambiguidade moral.

O que é um blog?

O blog é um "Não!".

Quem escreve quer ser lido. Deveria ser óbvio. Mas tem uma meia dúzia de espíritos livres para quem é feio querer ser lido. Querer ser famosinho. Desde que descobriram a potência crítica do diminutivo, não restou um ídolo sequer a ser derrubado.

Mas quer saber? Eu quero ser famosinho. Acho que quem escreve deveria ser incensado e, por que não?, defumado como são os jogadores de futebol e os atores de Hollywood. Escritores surpreendidos em praias do Mediterrâneo, com seus físicos decadentes à mostra, ou com os seios saltando de vestidos espalhafatosos na noite de entrega do Camões. E claro que também fotografadas nossas Clarices e Cecílias sem calcinha descendo de limusines para sessão de autógrafos e aulas magnas sobre a difícil posição da mulher literata.

O que é um blog?

É um abraço universal e metafísico que eu quero dar no mundo todo pela impossibilidade mesma do carinho.

Aniversário é um momento especialmente constrangedor porque revela que tipo de ideias tolas e extravagantes as pessoas alimentam a respeito de si mesmas. Muito pior quando blogs ou blogueiros aniversariam. Os mais discretos ou hipócritas geralmente acabam dizendo, como desculpa para referir o fato, meia dúzia de platitudes sobre o ridículo da data e querem que os leitores as engulam como uma "reflexão distanciada".

Mas certamente é mais interessante que eu fale sobre a minha vida. Conheço histórias melhores. Histórias de homens que se viram desafiados pelas circunstâncias.

O que é um blog?

Um pum. Pum. Pum. Pum. Pum. Pum. Pum. Pum. Pum. Pum. Pum. Pum. Pum. Pum. Pum.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Você tem um Twitter? Parabéns! Você é um(a)... (resposta no final do post)




camarada progressista






Soulja Boy is in da house, Biatches!
18:03 minutos 12 Abril por Camarada Progressista


"O homem sensível, emocional e romântico não é um homem. Ele é uma mulher". Autor desconhecido
18:00 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


A música acabou, então eu parei de ouvi-la
17:57 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Ouvindo We Didn't Start The Fire, by Billy Joel
17:52 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Pena
17:32 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Aborto a piada então
17:25 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Na verdade, o Hamlet está mal encaixado também
17:23 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Ai ficaria batuta
17:15 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Preciso encaixar o Harry Potter nisso ai
17:08 12 de Abril por Camarada Progressista


Harry Potter e a Pedra Filosofal
17:03 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Hamlet foi ao banheiro. Qual é o nome do filme?
16:58 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Por terem conseguido levantar o show
16:55 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Parabéns aos roteiristas
16:53 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Aí, nos últimos 5 episódios, a trama deu uma virada maluca e pegou no breu
16:50 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


A recente temporada (quinta) do The Office vinha sendo uma decepção
16:45 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Hoje eu me peguei pensando: o homem é o lobo do homem. Ai eu lembrei que essa sentença já existia
16:35 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


A personagem da Joan Fontaine é a típica mulher de malandro
16:25 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


O personagem do Cary Grant é ambíguo
16:15 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Conta a história de um golpista malandro que casa com uma mulher bonita da alta sociedade, e a mulher começa a achar que o cara é um assassino, e que irá matá-la
16:08 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


O filme é muito bom
16:04 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Hitchcock era conhecido por fazer filmes com muito suspense
15:56 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


O filme tem muito suspense
15:45 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


O filme tem o Cary Grant e a Joan Fontaine
15:32 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Outro filme que eu vi outro dia foi o Suspeita, do Alfred Hitchcock. Para quem não sabe, ele era um diretor inglês.
15:23 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Digo isso porque o Ian era epiléptico, e as cenas mais tristes no filme são as que mostram os seus ataques. Por que as pessoas precisam passar por isso? Vamos fazer o seguinte: pegue nas mãos da pessoa com epilepsia mais próxima de você e cante "Give Peace a Chance"
14:56 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Eu achei a atriz romena Alexandra Maria Lara -que interpretou a amante do Ian, Annik Honoré no filme- um cajuzinho. Ela estava no Leitor, aquele filme do borogodó! Por ela, o Ian deveria até largar a epilepsia, se isso fosse possível
14:50 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Que coisa triste, as pessoas se matarem. Por que as pessoas fazem isso? Por que não podemos todos viver em paz e amarmos uns aos outros? Faça o seguinte: pegue no braço da pessoa mais próxima de você e cante "Imagine"
14:45 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Esqueci de falar, mas o Joy Division era gótico e depressivo, e o New Order era dançante e gay, urban style
14:42 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Esqueci de falar: os 3 membros que sobraram depois do suicídio dele formaram o New Order
14:40 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Esqueci de falar: ele se matou usando o método de enforcamento
14:39 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Esqueci de falar: o Ian Curtis era vocalista do Joy Division
14:38 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Tudo maravilhoso
14:36 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Nossa, gente, ontem eu comprei o DVD do Control, filme sobre a vida do Ian Curtis, e que coisa maravilhosa, que filme maravilhoso, e que vida maravilhosa!
14:30 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Só o Jota Quest sabe expressar tudo o que eu sinto. "Pra que tanto telefonema, se o homem inventou o avião?"
14:22 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Uau! o Velozes e Furiosos 5 será filmado no Brasil! Como é bom estar vivo!
14:16 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista


Ghost - Do Outro Lado da Vida é o filme DA MINHA VIDA! UÔÔÔÔÔÔÔÔÔU, MAI LÓVI!
14:07 minutos 12 de Abril por Camarada Progressista





Idiota

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Trotsky & Anastácia

Trotsky

Anastácia

16 de Abril - 2 anos de Fomos ao Cinema. Viva a Mãe Rússia.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Barney


Barney

Barney



Barney


Barney



Barney




Barney

JTS?

sábado, 21 de março de 2009

Cuidado! Sua família corre perigo!

Muita gente tropeça em nós ou porque digitou no Google o nome de algum filme errado, ou porque estava procurando Orlando Bloom Costinha piores atores pegando pinguim indie. Eu não sou advogado, mas isso aí deve ser ilegal.

Mas a maioria desses pervertidos (olha, teve uma época em que todo internauta [do grego, marinheiro do meio] era pervertido; tipo, a Polícia Federal deveria checar todo o mundo que já teve ICQ, mas enfim) tem a mentalidade totalitária.

A mentalidade totalitária é parecida com bócio ou crista de galo. Dá pra pegar em corrimão de escada, banheiro público ou se não enxaguar direito.

Um dos benefícios sociais de alcance universal do monoteísmo (anota isso aí, que é intelectualmente chique) é acabar com a idolatria. Ninguém está acima da crítica senão Deus. E isso por definição. Deus pode ser, dependendo de onde se nasce, aquele que traz a chuva, ou quem segura a grande massa de águas. Para nós, é aquele que está acima da crítica. Se você diz que, por exemplo, o Coldplay é absolutamente sensacional, então o Coldplay é Deus. Pessoal, eu não sou teólogo, mas isso aí é blasfêmia. Chris Martin andando sobre o Canal da Mancha, Chris Martin criando o mundo em seis dias, Chris Martin entregando o Decálogo: Não farás cuecão atômico em mim; Não dirás que o Coldplay é o Radiohead descafeinado, etc e tal.

Ha! Eu não sabia!

"Quem é competente faz sucesso." E não pode criticar quem faz sucesso, porque isso é inveja. Ditaduras são construídas sobre muito menos, pessoal. É hora de botar a mão na consciência, porque o metrô está lotado e ninguém vai saber que foi você.

Agora vou usar o argumento Hitler ou argumento nazista.

Antes, a explicação do argumento Hitler:

Toda vez que se quer encerrar a discussão ou, o que é quase a mesma coisa, ganhar a parcela judia da plateia, deve-se apelar a um paralelo dramático, chamado argumento Hitler. "Nossa, mas foi a mesma coisa com o nazismo", ou "Hitler chegou ao poder assim", ou ainda as formas simplificadas "Isso é nazismo" e "Que nem o Hitler".

Pessoal, se a gente não pode falar mal do Coldplay, logo, logo o nazismo está de volta. E digo mais: se a gente não falar mal do Coldplay, o nazismo vai voltar. O que é que os fãs do Coldplay preferem? Ouvir Coldplay ou o nazismo? Pessoal, eu não sou médico, mas o nazismo matou muita gente!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Vá ao show do Radiohead, mas não me chame.

É isso ai, cambada. A crise está batendo na canela de todos. O Fomos ao Cinema, esse blog mais procrastinado que aluguel de malandro, não será afetado pelo tumulto que assola a realidade econômica da geopolítica internacional, já que não somos uma sociedade anônima em busca de lucros fáceis, o que significa que nós não buscamos a renda de títulos, ações e capitais, e por isso não estamos sujeitos a cobranças de impostos,encargos trabalhistas e outras ferramentas. O máximo que poderia acontecer seria alguém confiscar os nossos computadores, mas ai nós poderíamos pedir uns trocados nos faróis para postarmos nas lan houses da vida. A velha rotina do "boa tarde senhores motoristas, eu poderia estar roubando, mas estou aqui, pedindo alguns minutos do seu tempo para mostrar para vocês essa deliciosa novidade, o Chocobis de morango e blá, blá, blá". Uma vez eu fiz uma piada assim para uma ex-namorada, e ouvi um "isso foi muito insensível da sua parte". Pô, fiquei constrangido. Mas o relacionamento estava indo para a tumba mesmo, e a menina tinha tanto humor quanto o Hitler, então tudo ficou bem depois.

Mas, já pedindo para vocês esquecerem essa digressão irritante, venho aqui colocar o dedo na cara do Thom Yorke e dizer que eu estou boicotando o show que a banda mais mala do hemisfério norte fará aqui na terra dos modernistas (nós te amamos, Oswald de Andrade) domingo. Sim, Radiohead, da minha bufunfa vocês não verão nem a sombra! Sei que a banda nem dormirá de preocupação com isso, mas preciso alertar todos os indies que se deslocarão até a longínqua Chácara do Jóquei (é tão longe que nem São Paulo é mais), no bairro da Vila Sônia. Todos vocês que atravessarão a cidade até as fronteiras do oeste precisam ter em mente que esse show poderá ter dois cenários distintos. Peguei a lista de músicas tocadas nos dois shows que a banda fez na Cidade do México (solto um estereotipado arriba para os mexicanos) dias atrás, e a coisa vai ser feia. Quer dizer, se a banda resolver seguir a lista do primeiro show, veremos um suicídio coletivo da indieaiada, no melhor estilo Reverendo Jim Jones, de tão chato que seria o negócio. Se a banda seguir o set-list do segundo dia, ai vai melhorar um pouco só, mas ainda sim veremos um "eu não aguento mais!" aqui e acolá. Lógico que ainda haverão os shows do Kraftwerk (o krautrock morreu, antes ele do que eu) e a volta do Los Hermanos, mas eu vou me concentrar no cardápio principal. Manda ai garçom, dois filés com fritas, morô? Vamos aos dois cenários então:



Radiohead, no melhor estilo Judas Priest. Breaking the law, Breaking the law

Primeiro Cenário
Set-List do primeiro show na Cidade do México

1. 15 Step
2. Airbag
3. There There
4. All I Need
5. Nude
6. Weird Fishes/Arpeggi
7. The Gloaming
8. National Anthem
9. Faust Arp
10. No Surprises
11. Jigsaw Falling Into Place
12. Lucky
13. Reckoner
14. Optimistic
15. Idioteque
16. Fake Plastic Trees
17. Bodysnatchers

Primeiro Bis
18. Videotape
19. Paranoid Android
20. House of Cards
21. My Iron Lung
22. Street Spirit (fade out)

Segundo Bis
23. Pyramid Song
24. Just
25. Everything In Its Right Place

Esse set-list é o mais comum na turnê da banda, e é provável que seja o seguido no show. A sequência inicial (as 17 músicas antes do primeiro bis) é assustadora. Sério, pagar 200 pilas para ver um show dominado por músicas dos soporiferos Kid A, Amnesiac, Hail to the Thief e In Rainbows (que tem TODAS AS MÚSICAS na lista) é de corar. As três do Ok Computer perdidas ali (Airbag, No Surprises e Lucky) são lindas de morrer (ui!), mas ao vivo provocam apenas o sono dos espectadores. Idioteque é uma excelente canção (a melhor do Kid A), mas ao vivo faz a galera toda procurar o bar. E Fake Plastic Trees... blergh. A pior música do The Bends é sempre tocada ao vivo pelo Radiohead como se a banda estivesse fazendo por pura obrigação, jogando para os fãs. Quando menos se espera, é ai que não sai nada mesmo.

O primeiro bis pode acordar finalmente a galera, já que Videotape é a melhor música do In Rainbows (e ao vivo normalmente soa muito bem), My Iron Lung garante boas guitarradas, e Paranoid Android é espetacular, e ao vivo, por mais letárgica que a banda seja, sempre fica apocalíptica. House of Card é um lixo e Street Spirit é uma musica que jamais deveria ser cogitada para se tocar em qualquer show. Mas o Radiohead... Mas o Thom Yorke...
O último bis tem Just apenas para salvar os incautos, já que Pyramid Song é música de elevador da pior qualidade, e Everything in Its Right Place encerrando um show é uma ofensa de uma banda que acha que qualquer arroto que solta é divino. Sério, é piada. Isso é um show, caramba, não um funeral. Se esse for o set-list do show em Sampa, eu repito, temo pelo pior. Mas as coisas podem ser um pouco melhores.




Segundo Cenário
Set-list do segundo show na Cidade do México

01-- 15 Step
02-- There There
03-- The National Anthem
04-- All I Need
05-- Kid A
06-- Karma Police
07-- Nude
08-- Weird Fishes/Arpeggi
09-- The Gloaming
10-- Talk Show Host
11-- Videotape1
12-- You and Whose Army?
13-- Jigsaw Falling Into Place
14-- Idioteque
15-- Climbing Up The Walls
16-- Exit Music (For a Film)
17-- Bodysnatchers

Primeiro Bis
18-- How to Disappear Completely
19-- Paranoid Android
20-- Dollars and Cents
21-- The Bends2
22-- Everything In Its Right Place

Segundo Bis
23-- Like Spinning Plates
24-- Reckoner
25-- Creep

Não é um grande alívio, mas os mexicanos que foram no segundo show tiverem muito mais sorte que os seus conterrâneos que foram no primeiro. Esse set-list é melhor. Longe do ideal, mas um cenário menos catastrófico. Tirando a mania da banda de começar os shows com a inqualificável 15 Step (zzzzzzzzz), temos 3 grandes canções do OK Computer que soam bem ao vivo (Karma Police, Climbing Up The Walls e Exit Music), as músicas dos quatro últimos discos estão melhor colocadas, Paranoid Android permaneceu na lista (se a banda não tocar, quebrem tudo por lá) e, por um milagre divino, a banda incluiu The Bends, canção que garante um bom momento "vamo pulá", como diria SandyeJunior, e Creep. E é aqui que mora o grande mistério do negócio todo. Todo mundo sabe que a banda detesta a música que a lançou ao estrelato, que eles tocam raríssimas vezes ao vivo (normalmente em cidades importantes), e que, quando o fazem, normalmente rola uma má vontade do tamanho de um bonde, ou eles esculhambam tudo de uma vez mesmo, mudando o ritmo e andamento, o Yorke mudando a letra, entre outras molecagens.

Ainda sim, Creep é a única canção do Pablo Honey (primeiro disco) que a banda vem tocando esparsamente nos últimos 10 anos. O resto do álbum simplesmente é ignorado em todas as turnês. Realmente, é de emocionar o carinho que a banda trata o álbum que fez os seus integrantes poderem pagar as suas contas. Só porque ele tem uns clichezinhos do rock alternativo (a velha alternância calmaria-distorção da cartilha Nirvanista assola as músicas) e umas letras meio "mamãe, o mundo é feio", a banda tem vergonha dele. Mas vocês virariam as costas para um filho? Mesmo que, sei lá, ele fosse boca suja, ou batesse em vocês e tudo mais? NÃO! Já passou da hora do Radiohead perder a guarda do moleque. Mas voltando à grande questão, o negócio é saber se eles vão tocar Creep em São Paulo ou não. Se tocarem, por mais safada ou não que seja a execução, vai ser o bicho.

Vi uma vez um vídeo bem maltratado com eles tocando a canção num festival chumbrega dos Estados Unidos em meados de 94, e foi, usando uma expressão batidíssima, catártico. Se eu fosse apostar, colocaria o show do Rio (que será hoje) na questão. A banda vai tocar Creep no Brasil, mas apenas em uma das cidades. Portanto, caso amanhã, meu caro indie paulistano, você leia nos periódicos (momento de época do dia) que a banda tocou Creep na Praça da Apoteose (arrepia Salgueiro!) no Rio, pode colocar a cabeçinha nos braços e chorar. Se não, esfregue as mãos. Aviso do seu melhor amigo, Camarada Progressista, esse insuspeito detrator de Yorke e cia.


Essa foto prova as minhas intenções de amizade com os fãs dos Los Hermanos.

Notas dos discos do Radiohead:
Pablo Honey - 7
The Bends - 9
OK Computer - 10
Kid A - 7,5
Amnesiac - 0
Hail To The Thief - 2,5
In Rainbows - 5

Obs: em breve, tudo sobre os shows da Liza Minelli no Brasil. Músicas, reação do público, depoimentos dos famosos presentes, bastidores, e muito mais.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Fomos ao Cinema ver Entre os Muros da Escola

Vou descrever aqui as coisas que descobri assistindo ao filme francês Entre Os Muros da Escola, vencedor da Palma de Ouro em Cannes no ano passado e indicado derrotado ao Oscar de melhor filme estrangeiro (perdeu para a produção japonesa Okubirito), e que retrata com um ar quase documental o cotidiano de uma classe em uma escola pública na periferia de Paris, e a luta de um professor jovem e idealista para conseguir transmitir os seus ensinamentos para os maltratados alunos. Sim, você deve estar pensando, "mas eu já vi esse filme um milhão de vezes!". Dessa vez é bem diferente, vai por mim. François Bégaudeau, que interpreta o professor, também escreveu o roteiro, baseado em suas próprias experiências como professor. Ele também é vocalista de uma banda punk francesa (uma contradição em termos), escreve colunas de futebol, é autor e roteirista. E, segundo os suspiros e assovios das moças presentes na sessão na qual me encontrava, é biito também. Baita exagero, logicamente.



Coisas que descobri:

Paris tem periferia.

Paris tem escolas públicas.

Paris tem bons alunos.

Paris tem maus alunos.

Paris tem tensões raciais.

Paris tem imigrantes ilegais

Paris tem imigrantes de diversas etnias, muitos deles de ex-colônias francesas, e muitos deles ilegais.


Paris tem professores brancos dando aulas em escolas de periferia, o que gera constantes tensões com os alunos de outras etnias, que se sentem marginalizados e inferiorizados, e muitos deles ilegais. E imigrantes ilegais infelizmente não são permitidos pela constituição francesa, o que em nada afeta o lema daquele país (o lindo Liberdade, Igualdade e Fraternidade).

Paris tem imigrantes chineses ilegais.

Paris tem estudantes chineses que são os melhores alunos nas suas respectivas salas de aula, mesmo sendo imigrantes ilegais.

Eu, eu , eu, eu!


Paris tem estudantes encrenqueiros que são os piores alunos das suas salas, e mesmo sendo imigrantes legais, têm sobre as suas cabeças ameaças de deportação. Ou seja, tanto os bons e os maus alunos acabam enfrentando os mesmos tipos de problemas, se forem imigrantes legais ou ilegais provenientes de continentes como África e Ásia e estiverem vivendo na periferia de Paris.

Professores brancos dando aula para alunos em salas de aula da periferia de Paris com esmagadora predominância de alunos de outras etnias acabam podendo soar um bocado arrogantes, com uma perigosa condescendência permeando os seus atos. Mas eles são brancos e franceses, então eles estão bem.

Conselhos de classe de escolas na periferia parisiense podem ser discriminatórios quando lidam com imigrantes legais ou ilegais. Por isso, se um dia vocês forem imigrantes legais ou ilegais estudando em uma escola na periferia de Paris e venham a passar por um conselho de classe, tenham em mente uma coisa: ferrou.

Imigrantes africanos são muito orgulhosos em relação às nações de origem das suas famílias. O que nos lembra, dado o altíssimo número de ex-colônias francesas na África, que a França se divertiu pacas no continente negro na época do neocolonialismo.

Se você tem duas alunas chatas pra cacete, que ficam interrompendo a aula o tempo todo e tirando um sarro da sua cara, você, professor, em vez de fazer valer a sua autoridade pelos métodos convencionais, pode simplesmente chamá-las de prostitutas na frente da sala toda, e tudo ficará bem. Ninguém questionará a sua falta de polidez, seu misoginismo flagrante e outras coisas menos cotadas.
Agora, se o aluno mais rebelde da sua sala pergunta, na frente de todos os seus alunos, se você é gay, ai você poderá responder educadamente. Totalmente proporcional.
Eu sou o punk da periferia, sou da Freguesia do Ó, ó, aqui pra vocês!

Os emos da periferia parisiense são melhores que os nossos. Eles têm uma razão social, o que é muito importante.

Zidane é mais citado no filme que o presidente Nicolas Sarkozy. Talvez o careca devesse considerar morar por um tempo no Palácio de Versalhes. A molecada toda ama o rapaz, filho de imigrantes argelinos.

A seleção argentina de futebol é citada, mas a brasileira não. E agora, Galvão Bueno?

O futebol é a cura para todo mal. Depois de 130 minutos de aulas mais parecidas com batalhas, xingos, bravatas e racismos para todos os lados, tudo o que precisamos fazer para recuperar o nosso senso comunitário é organizar uma bela pelada entre alunos e professores. Meio que nem o Golpe Baixo, aquele filme do Burt Reynolds que foi refilmado recentemente com o Adam Sandler. Putz, eu tinha de enfiar o Burt Reynolds e o Adam Sandler nesse texto. O que acontece comigo?

Paris é muito hypada. Se as cidades européias fossem bandas, seria sem dúvida alguma o Radiohead.
O filme é bom.

domingo, 8 de março de 2009

Rorschach e os Piratas

Terry Gilliam uma vez disse que seria infilmável a obra de Alan Moore e Dave Gibbons, pelo menos para os padrões comerciais de algumas horas sentado numa poltrona de cinema devorando raivosamente um saquinho de pipoca. Senhores, ele afirmara que seria necessário horas, na verdade doze, para realizar a façanha satisfatoriamente. Até aí, Terry Gilliam sempre foi um brincalhão, não conhecia Zack Snyder e dizia isso em pleno auge da década de noventa.

"Do revolucionário diretor de 300", como diz na chamada, vemos o quadrinho virar filme e sem as exageradas 12 horas de duração: Watchman não é filme para mostras de cinema, é um filminho pipoca mesmo; sentar a bunda na cadeira e devore sua pipoca com mais parcimônia; duas horas e 45 minutos, pois, demorará então até chegar nos créditos.

E sinceramente, 300 me decepcionou muito: não por colocar maquiagem e efeitos para deixar todos os espartanos parecendo ratos de academia ou adoradores de fitness, mas sim por demonstrar, devido a uma certa preocupação de fidelidade, todos os buracos daquela história de Frank Miller, mostrar pelo menos para mim. Agora Madrugada dos Mortos foi uma boa refilmagem. E parece que o Zackinho, amigo de colégio e que adorava suco de pera e ovomaltino, tomou um poquinho de coragem e resolveu tentar alguma coisa mais ousada e "revolucionária" que os gregos de tanga que se amavam antes das batalhas.

1986. São duas décadas e alguns anos, muita gente que vai assistir o filme nem tinha nascido. Desses, alguns nem saberão que Nixon era um cara legal, nem sempre usava nariz falso e só saiu do cenários político graças ao Forrest Gump e nem Dr. Manhattan conseguiu salvar o escândalo na época, ele deve ter ficado verde de inveja: um retardado conseguiu fazer uma coisa que nem cara que cria brinquedinhos de vidro em Marte com a mente, invejinha do homenzinho azul. Depois de duas horas de filme, percebi que o peladão superpoderoso era nosso queridos Billy, sempre se escondendo nas suas atuações, acabei nem percebendo esse detalhe. Penso que talvez porque sua atuação é tão boa que nem percebi que era um ator, era tão boa que parecia efeito especial. Os dias já são outros, vemos tudo do azulão e nada da Rebecca Romijn-Stamos quando ela participou do filme do Brian Singer: peladão pode, mas mulher não, realmente os tempos são outros. E se tratando de uma adaptação bem que poderia ser Doutora: ao invés do expressivo pequeno billy, a estonteante Rebecca Romijn-Stamos. Nós já sabemos que ela sabe interpretar com bastante tinta azul pelo corpo.

Ah.. se você fosse azul nesse filme também

A mancha psicológica de Rorschach estava maneira, eu quero ter uma camiseta daquela, no final me perguntaram se tinha gostado do filme. Calmamente eu disse:

"E os piratas?"

sábado, 7 de março de 2009

Fomos ao cinema ver Watchmen


Pelo espírito de Sigmund

"I'm not locked in here with you! You're locked in here with ME!"
(Rorschach para a plateia pouco antes do filme começar.)

That's all about sex.

Diário de Rorschach: 6 de março de 2009. Americanos pronunciam Rorschach como "Rórtchek". Estranho. Estreia de Watchmen. Não entendi o maldito filme. 163 minutos. Estou exausto. Dr. Manhattan fala como um padre, é superpoderoso e azul. Parece um Viagra gigante. Liberais pederastas, sempre dando um jeito de enfiar sexo em tudo. Quando vierem me pedir ajuda, quando gritarem "Salve-nos!", vou exigir o reembolso do estacionamento.

Diário de Rorschach: 7 de março de 2009. Fui novamente àquele centro espírita na Kensington St. Talvez eu esteja viciado. Dane-se. Havia algo estranho no filme de ontem. Precisava de respostas. Estou confuso. Estão dizendo que Watchmen é uma estilizada fantasia sexual com Richard Nixon. Algo a ver com os EUA terem vencido no Vietnã graças ao Viagra. Não acredito. Distorceram tudo. Dan e eu éramos só dois caras que gostavam de jogos e de ficar juntos o tempo todo. Dan agora é ator, sempre faz papel de fracassados fornicadores. E no entanto é impotente. Que ironia. Edward também é ator. Acho que é o destino natural dos mascarados, como nos chamavam nos anos 1980, quando diziam que a Aids era um castigo divino. Talvez se Nixon não tivesse ferrado tudo, as coisas fossem melhor. Mas divago.

Diário de Rorschach: 11 de março de 2009. Revi Harry Potter e a Câmara Secreta e aluguei Big Fish. Ando desconfiado. A questão é a seguinte: como Emma Watson pode ser apenas uma menininha de 12 anos de idade em Harry Potter e um ano depois ter 24 em Big Fish? Me disseram que haveria uma outra Emma Watson e que ela se chamaria Alison Lohman. Besteria! é o que eu digo. Trata-se de uma conspiração. Alan Moore me avisou disso. Provavelmente Emma Watson sempre tenha sido uma moça de 24 anos. Preciso achar Sam Rockwell. Ele deve saber de alguma coisa, acho que ele é cientólogo.

Emma Watson.

Emma Watson com Sam Rockwell e Nicholas Cage.

Diário de Rorschach: 12 de março de 2009. Estava revendo alguns episódios da terceira temporada de Friends. Deus, como era bom. E aquele Ross, que cara. Li num blog que Watchmen é uma distopia com roupagem comics e explosões que agradam a garotada entre 20 e 50 anos fã de mulheres peitudas em colantes. Mas se Jon é o Viagra e Adrian consegue manipulá-lo para realizar seu plano moralmente questionável para deter a ameaça "nuclear", então o mundo é salvo por quem sabe usar o Viagra? Essa é a mensagem do filme? Usem corretamente o Viagra? Jon andando pelado o tempo todo me fez lembrar dos velhos tempos quando ele andava pelado o tempo todo. Como éramos jovens!

Dr. Manhattan demonstra seu completo domínio sobre a matéria multiplicando-se.

Diário de Rorschach: 14 de março de 2009. Vi o filme pela quinta vez e é muito profundo. Estive pensando em Jon novamente. Ele é o típico homem contemporâneo, que tem de se multiplicar pra dar conta na cama e no trabalho. Mas no fundo quer se mudar pra Marte e ficar sozinho com seus brinquedinhos. "The existence of life is a highly overrated phenomenon", Jon diz no filme. Esse tipo de aniquilacionismo budista era só uma desculpa dele pra ficar exibindo seu negócio azul para estranhos. Ele podia manipular a matéria como bem entendesse. Podia ter tido classe. O fato de Watchmen ser morbidamente violento e, tanto quanto pode ser uma produção comercial, sexualmente explícito não quer dizer que é um filme adulto. Não tinha o John Malkovich.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Fomos ao cinema ver Slumdog Millionaire

Jamal Malik, garoto do chá, aí vai a pergunta valendo não 20 milhões de rúpias (aliás, quanto valem 20 milhões de rúpias?), mas 8 Oscar:

Que tipo de urso é o melhor?

a) Urso polar.
b) Urso branco.
c) Urso negro.
d) Battlestar Galactica.

Estava escrito que Slumdog Millionaire levaria 8 Oscar. E Slumdog Millionaire merece 8 Oscar, só não sei se 8 Oscar merecem uma ida ao cinema. Cerca de uma hora antes de ver o filme do Danny Boyle, eu estava em casa assistindo a Manhattan – desculpem a imagem lasciva a seguir, é puramente documental – sem camisa. Quem me dera nem tê-la vestido.

Churchill achava que os indianos precisavam dos ingleses pra cuidar da Índia. Ao passo que Gandhi dizia que os indianos podiam se virar sozinhos. Bom, a conclusão que eu tiro de Slumdog é que ambos estavam errados. Entrega tudo na mão do Papa ou da Disney. Porque quando o elenco começa a dançar no final do filme na melhor tradição Bollywood, as coisas realmente fizeram sentido e eu vi que tinha entrado numa sessão de Madagascar 2. No lugar de marsupiais, indianos se remexendo muito.

Durante anos assisti resignadamente às pessoas se entregando a um culto doentio aos pinguins. Claro que um engodo internacional armado pelos judeus. Pinguins = judeus, etc e tal. Mas agora são os indianos. Temo que, com isso, eu já não tenha liberdade pra dizer que indianos são inferiores. Não é que sejam, bom, talvez sejam, mas não é esse o meu ponto. Não é o momento pra tratar disso. O fato é que eu prefiro pinguins.

É óbvio que não acho os hindus inferiores. Respeito muito suas crenças. Se tivesse de escolher entre comer uma vaca ou um hindu, comeria o hindu. Além disso, sou uma pessoa muito espiritual. Costumo ter como que visões. Por exemplo, o Grande Pinguim me disse que eu podia escarnecer do hinduísmo e que, se eu matasse dez hindus, Kristen Bell se casaria comigo. Matei e comi os dez. Slumdog Millionaire, por outro lado, é obviamente um filme sem alma. E duvido muito que tenha sequer um corpo. Não importa, pois a Academia não parece ligar pra antropologia filosófica, reencarnação ou cinema.

20 milhões de rúpias, 8 Oscar e R$ 18 pelo ingresso: mais cara que Latika, só Eva.

Mas acho injusto acusarem Danny Boyle de plagiar a galinha do Fernando Meirelles. Em Mumbai existem muitas galinhas. Agora, é o Silvio Santos quem devia processar. Transformado em vilão do filme só porque é judeu. E é broxante descobrir que eles fizeram o pequeno Azharuddin (o garotinho que interpreta o protagonista na infância) afundar num monte de /palavrão/ pelo mesmo motivo que Peter Parker foi mordido por uma aranha radioativa e acabou interpretado por Toby Maguire, isto é, por causa de uma garota. Mas a essa altura do filme, a gente é que se pergunta o que é que está fazendo ali se nem tem uma garota envolvida no negócio.

"Eu me remexo muito!"

Não me entenda mal, se você estiver passando pelo cinema, ficar cansado e quiser pagar pra sentar, compre um ingresso pra Slumdog Millionaire. Nada é ruim. Se eu dissesse isso, não estaria fazendo crítica; estaria falando a verdade, mas não fazendo crítica. Tudo tem alguma coisa que preste. Sua vó vai gostar de Slumdog Millionaire. Está escrito.

Pra efeitos desse post, sou indiano e hindu.