sábado, 8 de agosto de 2009

Fomos ao cinema ver Inimigos Públicos

Inimigos Públicos é filme de macho pra macho, segundo uma estética muito macha que Mann veio aperfeiçoando até chegar aqui mais sóbrio e nos entregar sua visão do romantismo macho, essa modalidade original dos romantismos. Mulheres deveriam mesmo acreditar senão no romantismo macho, que é claro que cobra seu preço em que talvez seu amante não volte, garota, porque o romântico macho crê que prova de amor é indispensável e que é dada apenas sob a forma de algum heroísmo, que como todo heroísmo é estritamente inconsequente e perigoso. É meio sexista, pois propõe que o mundo é o mundo do herói, no qual a mulher só pode ser aquela que precisa ser salva. Sexista, condescendente, etc e tal, mas muito bonito, como mostra Mann.

Pelamor, alguém me salve do mal!

Cada cena é obra de ourivesaria, ou coisa que o valha, latejando em nossas cabeças depois da sessão e nos garantindo que se trata de um espetáculo, de muito bom gosto, conforme deveriam ser dois em cada quatro filmes lançados, os outros dois sendo um de mau gosto intencional e o outro de mundo cão em estética modernista. Isso até vir algum gênio sob a inspiração de Shiva para restabelecer o Espírito desencarnado das artes nas artes e assim nos tirar do atoleiro de cinismo que matou John Hughes, acho eu, se é que não foi a Baader-Meinhof 15ª geração.

Marion Cotillard pode negar o 11 de Setembro e, dependendo do dia, o Holocausto, contanto continue sendo bijuzinho como aqui, emocionando o fundo do peito amigo macho mediante sua presença francesa exportação, naturalmente kitsch, mas por isso mesmo incrivelmente consumível. E Johnny Depp é o John Dillinger romantizado que Mann pediu a Deus, caindo morto covardemente varado de bala com a gentileza de galã hollywoodiano que se acha mais do que isso, talvez um tipo de Dillinger legalizado, como se Depp cumprisse os desejos consumistas de bon vivant do assaltante de 1930 estrelando num blockbuster como a versão bucaneira de Keith Richards, mas eu posso estar enganado.

No banco de trás, a mulher observa os homens sendo homens.

Como o eixo narrativo é a história de amor de Dillinger com Billie Frechette, pode levar a namorada, que mais gostará quanto menor for seu coeficiente libertário, mas lembrando que, segundo Michael Mann, namorar mulher libertária é o mesmo que namorar homem.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Preenchendo o perfil

Percebi que eu não dou a mínima. Assim, absolutamente, em geral. A totalidade da indiferença ou indiferença à totalidade. Radicalismos assim pedem explicação. Bom. Estava lendo uns blogs; é sempre assim, a pessoa está bem, mas de repente entra em crise porque foi à academia, ou porque estava lendo uns blogs, ou porque tomou um sorvete de casquinha. Bom, lendo uns blogs, notei como as pessoas se interessam pelas coisas. Poxa, as pessoas se interessam mesmo, e muito, pelas coisas. Escrevem posts enormes sobre notas de escândalos com parlamentares. Linkam matérias de revistas científicas norte-americanas sobre como os gays estão tentando dominar o mundo (verdade). Analisam, em profundidade, cretinices em textos postados por outros blogueiros. Divulgam bandas obscuras, com faixa a faixa de toda a discografia, que você nem podia imaginar que já vem desde a década de 1970. Enfim, é “de uma grande efervescência cultural essa blogosfera”, pra arremedar estilo novela das oito.

Mas eu não dou a mínima. Não tenho vontade nem de escrever sobre filmes, que eu vejo só por prazer. Sem profissionalismo nem disposição maníaca. Escrever sobre filmes me dá um bode terrível justamente porque milhões de pessoas estão fazendo isso com muito mais vontade e instinto assassino. Se empenhando mesmo em analisar e fundamentar suas impressões sobre um filme. Ou seja, fazendo a coisa com aquela seriedade que te faz levantar da mesa e dizer que está ficando tarde.

Na faculdade o pessoal está aprendendo justamente isso, né? Esse instinto assassino que também chamam de paixão pela vida, mas que eu no fundo só acho uma obrigação autoimposta de ser intrometido porque disseram que isso é sinal de inteligência. E porque disso depende seu emprego. Daí o sujeito ler muito pouco, e com mínima retenção de conteúdo, mas ter um milhão de referências, como verbetes que ele saca numa conversa, só por uma muito contemporânea compulsão por citar. Você quer conversar com um ser humano, mas ele só tem nomes, e não ideias próprias, coisas que geralmente não têm muito glamour, porque ainda não foram devidamente lapidadas. Ou seja, não são bonitas de se dizer. É preferível dizer alguma platitude pomposa disponível no Wikipedia.

A ideia é que você lê Dostoievski e assiste filmes do Bergman porque assim que entrou na faculdade descobriu que é isso que pessoas do seu curso fazem. Você está preenchendo lacunas de seu perfil. Você está preenchendo um perfil. Nossa. No fundo, gosta de literatura beat, que é o mesmo que não gostar de literatura, e de filmes como Magnolia. Filmes sensíveis assim. Assuma-se então. A verdade é que fomos criados diante da televisão, certo? Isso faz de toda esta geração uma farsa no que diz respeito à arte. Mas isso é justificar, o que eu não quero. Vou pular isso então.

Camarada Moderado, Rogério L. e Paulo Nishihara com umas meninas esquisitas do tempo do colégio.

Gente como a gente não deveria fazer faculdade. Deveria vender coco na praia, entardecer de calção, essas coisas que não forçam muito e que constituem a vida boa. Certas vocações não se expressam em carreiras profissionais. Mas disseram que a gente tem que ser diplomado. Então...

Mas naturalmente são os blogs bons, com ideias e pensamento autônomo, bem escritos e divertidos que me fazem me sentir mal por ser tão desinteressado. Inclusive as pessoas interessantes têm mais interesse que eu. Uma pista? A maioria é católica. Precisa então defender o papa. O nível geral de estupidez do mundo se mede pela quantidade de ataques ao papa, ou mesmo pelo fato de atacarem o papa. É o common sense da intelectualidade: pra ser intelectual, você tem que “apreciar” Godard (até você sabe que Godard no máximo se aprecia; Godard e umas tantas outras coisas foram feitas não para serem amadas, mas apreciadas) e ser contra o papa. Ser contra o papa é o tipo de ideia tão idiota que mesmo a forma de enunciá-la te constrange a não o fazer. Afinal, o que é que você é? Baygon? Contra moscas e baratas. Bom lembrar que gente como a Madonna protesta contra o papa. De que vale ter um QI de 150 quando você o usa como a Madonna? Protestar contra o papa, pff.

Mas essa é a minha tese. Ter de estar contra um mundo contra o papa e de certo modo defendê-lo de seus terríveis detratores (estou pensando na Madonna; quantos jovens católicos apostataram por causa dela? Certamente toda uma geração.) é que torna as pessoas interessadas. Mas eu não sou católico nem a favor do papa. Tem gente que é a favor do papa, que é tão idiota quanto... Nesse nível de reflexão e inteligência, o melhor é ser o papa. Ele tem curso superior e fala várias línguas.

E os não católicos? Os protestantes sem medo no coração, como eu, e os designers, e as cheerleaders que leem Gatsby às escondidas no quarto depois da meia-noite, e as menininhas mordazes em geral que vão se casar com um cara bem goiaba, com cara de pochette e cérebro de pudim? E gente que ouve Rossini da única maneira que dá pra ouvir Rossini – sorrindo? Estes não terão interesses nem a segurança de se enquadrarem, ao mesmo tempo sem serem desajustados, com o privilégio boboca de ser um desajustado, de ser incompreendido, snif, snif.

A coisa mais legal em designers, pelo menos os que eu conheço na base da idealização, é não terem o compromisso de ser intelectualizados. São como eu, querem entreter. Um dia você desencanta, disse a tia Judite. Nem quero, tia.

Nham, será que ele tem mesmo uma tia chamada Judite?

sábado, 25 de julho de 2009

A crítica da crítica da crítica da crítica

Ouvindo conversas alheias em locais públicos, descobri que, minha nossa, todo o mundo tem blog hoje em dia. A maioria é ruim. Pois a maioria diria que a proliferação de blogs mostra que as pessoas estão lendo e escrevendo mais. Gente chatinha que escreve mal e lê os livros errados sempre está preocupada com que as pessoas leiam mais. Sim, é possível que você esteja lendo os livros errados. Exatamente, gente chatinha não acha que existam livros errados. Errado é não existir livros. Dã.

Só me tornei blogueiro porque tenho algo a dizer, uma mensagem a passar.

A maioria dos blogs que não te atordoa com as cores berrantes de um layout cheio de figuras de mangá é de jornalistas wannabe e entusiastas do entretenimento. O que é um entusiasta do entretenimento? Algum jovenzinho vislumbrado que prega sobre a revolução democratizante da internet, ignorando que democratizar é necessariamente nivelar por baixo. Capaz que ele acredite que a tecnologia vai redimir o ser humano, a-hã.


***

Em O casamento de Rachel, as coisas pioram, as coisas melhoram, e no final fica tudo na mesma. Nos vinte minutos finais, aparece na festa um bloco carnavalesco, e todo o mundo cai no samba. Achei bem emblemático num filme em que nada se resolve. O casamento de Rachel também é Brasil.

Consenso que seja o melhor Demme desde O silêncio dos inocentes, o que não é grande coisa diante de Beloved. Se olhar sua filmografia, a gente confere meia dúzia de documentários musicais. Esse interesse por música fica evidente neste filme; no segmento final, por exemplo. Pode incomodar um pouco, mas eu gosto de diretores que se demoram nas coisas, mesmo quando elas são só do interesse deles próprios.

Anne Hathaway concorreu ao Oscar por sua atuação como a irmã egocêntrica e viciada. O filme é uma bomba emocional, transcorrendo em constante tensão, que o registro documental, de câmera na mão, acentua. E é melhor que todos esses filmes com fotografia estilizada que você tanto adora.


***

E, por último, este trecho de um livro de Diogo Vasconcellos, “O mexeriquinha e outros contos”:

“Haviam dito que sim. Ela saiu dali louca varrida beijando saltitante. Se era assim, tudo daria certo não só hoje como sempre. Tadinha dela que já via flores onde nem havia caminhos. Contou as moedinhas e comprou um lanche com maionese perigosíssima, mas nem ligou, achando tudo uma delícia. Subiu no ônibus e escolheu onde sentar, e ônibus vazio era lindo, era precioso, tinha espaço pra sua alegria tola, só sua. Um menino do outro lado estava lendo Kafka, que leu na capa e depois nem olhou mais, que Kafka era deprê total.”

A referência a Kafka achei meio gratuita, mas o estilo gay é suuuuuuperlegal. Recomendo.

sábado, 18 de julho de 2009

The Good, The Bad, The Ugly

Muita gente acha e gosta de apregoar que conhece as verdadeiras identidades dos Camaradas desse blog. Não conhecem. Eu revelarei agora. Finalmente, eis que as máscaras caem. Somos nós:


The Good
Camarada Fundamentalista



The Bad
Camarada Progressista


The Ugly
Camarada Moderado

O Fomos ao Cinema é meio como o velho Oeste. Todo mundo que quiser cantar de galo vai ter que mostrar a cara. Sem tiros por trás. Seguindo o código de honra. Até o dia que, quem sabe, chegue finalmente o progresso para essas terras arrasadas.

HEART-SHAPED BOX

Seria eu também um indivíduo profundo tentando pronunciar nos intervalos do inteligível o inefável que mal se pode sustentar, como quem tenta apanhar estrelas com uma rede? Teria eu mãos delicadas ao escrever, capazes de dedilhar as saliências fugidias da coberta da alma? Ó, amigos, procedo eu do mesmo Espírito cuja fecundidade infinita torna cada gota pesada demais de sentido, sempre prestes a se espatifar no fundo onde nos confinamos?

Não, é claro que não.

Porque é isto que descobri, ainda ontem e quase todo o dia, que: apesar de sofisticado, fino e educado, muito ético mesmo, com espiritualidade ok (que quer dizer espiritualidade a caminho, com os cinco solas e tudo), ouvindo Rachmaninov e me emocionando, eu não sou profundo. O indivíduo profundo é emocionalmente complexo demais pra mim.

Enquanto eu acho bebês fofinhos, mulher bonita e tenho dó de criança na rua, o indivíduo profundo sofre: sofre porque os bebês não são suficientemente amados, porque as mulheres são cidadãos de segunda classe, porque as crianças, de rua ou não, se tornarão adultos cínicos e materialistas, mas também – e principalmente – porque a miséria é como agulhas penetrando em seu coração sangrento e o afeto é senão uma ilusão que se alimenta do clarão evanescente da alma torturada do poeta sufocado dentro de mim.

A selva de desesperança que é a minha alma.

Ter uma alma torturada e sofrer apaixonadamente sua inadequação no mundo têm nome: chama-se adolescência. Evocar a adolescência é quase como apelar a um absoluto capaz de encerrar a discussão na hora; as pessoas dizem “ah, sim, é por causa da adolescência”. Pois na minha época esse negócio de adolescência não existia, nós usávamos sapatos com solado de madeira, as meninas casavam aos quatorze anos e poligamia era incentivada.

A profundidade é como a torneira da pia da cozinha pingando sobre três pratos amontoados um sobre o outro num equilíbrio perfeitamente instável, tec, tec, tec, a noite inteira, e você com preguiça de levantar no frio e ter que pisar no chão gelado só pra apertar bem a porcaria que deixaram mal rosqueada. O indivíduo profundo está condenado a vagar pelo mundo com um coração vasto demais e por isso deixando por aí uma melequinha como se fosse um caramujo. Isso porque o eu profundo não é nada higiênico; não pode colocar a mão e depois coçar o olho, porque se corre o risco de perder as vistas.

O sentimento profundo de não querer ser um clichê gigantesco tatua na testa das pessoas como elas são tão oblíquas ao sentir e pensar que perguntar pra elas onde é que fica uma rua pode te conduzir à viagem trascendental aos subitamente não fictícios nove círculos do Inferno, mas sem Virgílio com pinta de Classic Hollywood actor by Gustave Doré.

Mas você realmente sabe que é profundo quando para de falar de pessoas com nomes de verdade e endereço físico e se pega falando do SER HUMANO.

O SER HUMANO SOFRE é também arte.

Ler Crepúsculo aos 16, 17 anos é gracinha em meninas, acho que porque eu sou muito condescendente com as menininhas, que me lembram a filha que eu nunca tive. Mas ser emo é como transformar a profundidade num desses chaveirinhos que a molecada carrega na mochila com a foto do Bush ou da suástica cortada no meio, porque a molecada é contra o imperialismo militarista e o nazismo. Por isso, a gente que é cínico e materialista, com a boca cheia de Coca e pipoca com manteiga de golfinho do Cinemark, a gente tem que cuidar da molecada, tão perdida nesse mundo e dentro de si. Amém.

E não percam o próximo post, no qual falarei sobre crianças de colo forçadas a usar dreads.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Blockbusters e o moderado - Harry Potter

Cinema de quarta-feira tem o péssimo hábito de ser cheio; ônibus as seis horas da tarde numa véspera de feriado são mais agradáveis, te garanto, já estive nas duas situações.

Resolvi esquecer momentaneamente da primeira premissa e arrastar minha pobre irmã numa jornada blockbuster. Cheguei em casa com os bilhetes já comprados e fomos ao cinema. Antes, discutíamos, pelo telefone, qual dos malditos arrasa quarteirão iríamos ver: 17 outra vez já foi descartado de imediato; estava cansado de ver Era do Gelo 3, inclusive, com direito a sessão 3d; nem comentei sobre A Proposta(meus pêsames, progressista); Bay e seu cinema deixaria para outra hora. Restou o bom e velho Harry Potter, o sexto e antepenúltimo filme(assim espero).

Com os ingressos comprados com uma certa antecedência, não tinhamos preocupações com filas, pressa e todo pacote da vida urbana. Poderíamos passear sossegados até próximo do horário do filme. Tanta ingenuidade a minha.



Abracadabra! Shazam!

Blockbuster em estréia é a mesma coisa que desfile de escola de samba com final de jogo do Corinthians. Você pensa que aqueles meninos e meninas vestidos de bruxinhas, tão bonitinhos, são inofensivos? Engana-se, a molecada é capaz de passar a rasteira em você por um lugar um pouco melhor do que aqueles que estão ocupando no momento. Antes que você diga qualquer termo em latim( deixo esse espaço para o fundamentalista inserir alguns) sua bunda está no chão e você perdeu o seu lugar( comprado com certa antecedência).
Após conseguir me acomodar(acho que vi uma menina ser atropelada, deu pra ver a vassourinha voando...) poderia relaxar e dormir... esperei passar os ciquenta e oito trailers... mas nada de sono: ok, vou assistir o filme.

Tirando os hormônios de todos os jovens do filme a flor da pele, as coisas que só os viciados nos livros entendem e alguns exageros dramáticos; o filme não é de todo mal. Para alguém que estava esperando o pior, posso dizer que fui surpreendido.

Um pouco da história primeiro: o tal Harry já bem velhinho descobre segredos sobre o bruxo do Mal( vc-sabe-quem, brrr.....) enquanto vai virando mocinho e cheio das más intenções com as meninas do internato de bruxinhos.

Agora posso voltar e dizer o que achei interessante: não é o filme da soberba da pirotecnia especial; os efeitos, quando utilizados são na medida, sem exageros. E nesse filme há cenas engraçadinhas que conseguem manter os pais acordados enquanto a molecada se diverte.

Só não entendo: hoje em dia os filmes tem que ser tão grandes? Harry Potter e o Príncipe Mestiço extrapola fácil as duas e meia. Entendo que certos filmes realmente demandem muitas horas. A saga de Senhor dos Anéis por exemplo, tirando os noventa e sete finais do último filme, foi bem executado e justificou todas aqueles horas anteriores(ainda que alguns afirmem que as pessoas gostam de caminhar na Trilogia de Tolkien). Pergunto: não existe mais cine pipoca com uma hora e vinte? E com a mesma premissa de diversão? Acredito que é um problema de edição, e muito grave, todos editores parecem ter sido afetados. Eu que faço um trabalho de merda com um material horrível num emprego péssimo, as vezes, me animo e faço uma edição inspirada que reduz horas de material bruto em trechos de apenas dois ou três minutos, esses caras que ganham uma grana legal não podem fazer uma mágica de vez e quando e enxugar os filmes? Caso não seja possível, sabem onde eu moro.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Twitterianas

http://twitter.com/rainnwilson Rainn Wilson com twitter me fez pensar no assunto.

Tchau, blog imundo; adeus, mundo cruel.

Agora, eu twitto onde deveria blogar e blogo onde deveria twittar. E fica tudo pela metade.

Ele acordou e se viu transformado num blogueiro gigantesco. Tentou blogar e percebeu que estava analisando filmes. Era horrível.

A gente tá na moda. E a moda é felicidade. Uma amiga minha disse que tá todo mundo falando de felicidade. Sei não.

Escrever sobre felicidade. Mas minha ideia de felicidade é muito simples e prática. Feliz é quem faz dancinha. Vide os clipes da Feist. Ó: http://www.youtube.com/watch?v=xvOOegxKIoI

Prometo um post-dancinha quando puder.

A forma mais autêntica de felicidade é a dancinha. Só é realmente feliz quem faz dancinha.

Tem também amizade. Pra mim, felicidade é amizade.

Resolvi então escrever sobre amizade.

Os filmes de Judd Apatow provam que amizade é um tema atual.

http://www.youtube.com/watch?v=kRLf04gH7mc Eu te Amo, Cara é outro exemplo. Paul Rudd do bem. E Rashida Jones é amorzinho. Passou batido pelos cinemas daqui. Falta de amor no coração das pessoas.

Não me olha assim. Tô blogando, não tô?

Me preocupa que tudo o que traz uma mensagem o faça a custo da própria dignidade. Inspirar pessoas acaba implicando o sacrifício da inteligência.

Revi Beleza Americana, e aquilo é uma droga. Quando moleque, adorava. Ganhou cinco Oscar e é como um Use Filtro Solar incrivelmente longo, com o Pedro Bial e tudo.

A vida sem amigos é impensável. Li isso em Cícero ou no papel de uma bala de hortelã.

Amigos são melhores que namoradas. (O preço de ser honesto é que a gente acaba, sem querer, admitindo que é gay.)

Namoradas deveriam ser amigos que a gente pode beijar.

Não tem problema algum em ser gay.

O amor é uma coisa ruim porque obviamente não pode ser uma coisa boa.

Amizade é ter alguém a quem contar sem medo no coração que a gente gosta de Los Hermanos.

Não conta pra ninguém que eu gosto de Los Hermanos. Mesmo porque eu nem gosto.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Fomos ao Cinema ver A Proposta

Encaminhei-me ao cinema ontem para assistir a um filme com minha irmã e cunhado. Nos deparamos com uma escolha que envolvia duas opções. Ou assistir ao Transformers 2, ou assistir a esse A Proposta. O meu cunhado é fã de filmes de ação, e estava mais propenso a assistir ao neoclássico de Michael Bay. Mas foi derrotado por votos por mim e a minha irmã, que, em nome da velha e velada cumplicidade fraternal, escolhemos a outra opção. O filme é médio, mais para bom do que para ruim. Os atores são muito bonitos. Sandra Bullock já tem 45 anos, mas continua muito bonita, e Ryan Reynolds desperta a paixão das mulheres e dos homens que não são homens também, já que é um rapaz muito bonito.





O filme, que é mais para bom do que para ruim, situando-se então em uma média de cunho médio, é muito agradável. Tem piadas divertidas quando o momento pede por piadas divertidas, tem romance quando o momento pede por romance, tem lições morais muito importantes quando o momento pede por lições morais muito importantes, apresenta momentos de maior seriedade e ambição narrativa quando o momento pede por momentos de maior seriedade e ambição narrativa, e conclui com um esperado, merecido e previsível final clichê, já que o final desse filme pedia desde o seu primeiro minuto por um final esperado, previsível e clichê.
A personagem da Sandra Bullock é uma séria, sisuda e compenetrada editora de uma editora de livros em Nova York, que abdicou totalmente de sua vida pessoal em nome do trabalho, é odiada e temida pelos seus empregados, e precisava apenas de um amor inesperado e impactante para redescobrir o canal que a ligaria às suas emoções e sentimentos, tão sonegados e escondidos ante essa máscara de impenetrabilidade profissional. O personagem do Ryan Reynolds é o assistente do personagem da Sandra Bullock no filme, um rapaz sério, trabalhador, honesto e cavalheiro, que foi contra os desejos de sua próspera família no Alaska (um estado muito bonito, escondido do lado do Canadá) para perseguir o seu sonho de ser um assistente de uma editora draconiana em Nova York. Uau.

O casal subverte a noção usual de que a mulher deve ser agraciada com o pedido, em nome da comédia de situações


Quando a personagem de Sandra Bullock - que é uma atriz muito bonita, de verdade- depara-se com um problema legal que a fará ser deportada dos Estados Unidos da América (o país mais poderoso do mundo, cujo presidente é o Barack Obama), já que ela é uma canadense e resolveu, mesmo com problemas de renovação do seu visto, viajar a uma feira de livros em Frankfurt, na Alemanha (país muito rico que formou o eixo, ao lado do Japão e Itália, na Segunda Guerra Mundial), o que provocou a ira dos escritórios de imigração, que resolvem então deportá-la do país.

A personagem de Sandra resolve então, de sopetão, engatar um improvável casamento de fachada com o seu assistente, o personagem interpretado pelo Ryan Reynolds (que, segundo as mulheres e os homens que não se acham homens, é um rapaz muito bonito). O que se segue então são confusões engraçadas, momentos de redescoberta pessoal, a redefinição do significado das palavras amor e família, uma discussão ampla e complexa sobre o valor e peso das atividades profissionais em detrimento da nossa vida pessoal e do amor, que, segundo esse filme e o Fábio Jr, famoso cantor brasileiro, é um sentimento muito bonito.
No final, saímos da projeção com uma sensação doce, suave, lívida e perfumada, como as flores que desabrocham na primavera depois do mais rigoroso inverno. Rigoroso inverno como esse que vivemos agora, que estava em pleno vapor quando eu fui ao cinema ontem com minha irmã e cunhado, para assistirmos a um filme, que veio a ser esse A Proposta, que tem um casal de atores muito bem apessoado e bonito, e que levantou discussões muito importantes a respeito de valores como amor, família e carreira.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Melhores filmes de 2008, em 2009. Parte 1

Tranformers já estreiou. Harry Potter se avizinha. Nesse tempos costuma acontecer o que muita gente teme: blockbusters de verão. Sintomático, sazonal; por conseqüência, irritante. O período que temos para desfrutar um bom cinema acompanhado de uma gordurosa pipoca, todo esse tempo fugaz, pois é justamente aquele que estamos mais livres. Livres para aqueles que trabalham e tiram férias justamente nesse período, são alijados, quando ensaiam uma ida ao cinema, pelos campeões de bilheteria freqüentes desse período.
As pessoas poderiam tirar férias nos meses anteriores ou nos meses posteriores, contudo a freqüência também nos afeta, digo em primeira pessoa, pois faço parte desse grande esquemão chamado trabalho. A solução mais clara seria tirar férias em outros períodos e não os que são contemplados pelo recesso escolar. Mas seria trabalhoso, provavelmente seus amigos/familiares não acompanharão sua estranha empreitada, pior, provavelmente estará ainda estudando ou preso ao seu segundo trabalho, aqueles que tem segundo trabalho.

Claro, você pode muito bem não ouvir o que disse e tirar suas férias distante desse período, quiçá um Agosto "cachorro louco", um Setembro "florido" e em tantos outros meses disponíveis. Mas certifique-se do seguinte: na melhor da hipóteses, digo melhor, perceberá uma estranheza enquanto desfruta seus momentos de alforria e terá a companhia de pessoas solitárias de 30 a 50 anos que costumam também programar suas férias para meses que não são Julho,Dezembro ou Janeiro. Caso não se importe ou faça parte dessa faixa etária e tenha a solidão como sua maior companheira, então, meu amigo, ignore tudo que eu disse até agora e pare de ler esse post.

Enfim, como evitar ou suavizar todas as mazelas dos filmes que entopem todas as salas de cinema? Na verdade, não sei. O que estou fazendo é evitar o cinema e concentrar em dvds e filmes que passam nos canais de Tv por assinatura. Não resolve o problema, eu sei. Mas posso assistir alguma coisa interessante. A certeza da decepção não garantida já é uma vitória, além de não gastar com gasolina ou passagem de ônibus. Bom, vamos aos filmes. Nota: a ordem é aleatória dos filmes que serão apresentados.

1) Cinturão Vermelho(2008), de David Mamet.

Até esse filme nunca tinha ouvido falar de Mamet, nunca havia consultado seu nome no imdb ou qualquer outra base de dados. E de certa forma, agradeço por isso, houve uma boa surpresa nesse filme.


É o seguinte: acompanhamos a vida de Mike Terry (Chiwetel Ejiofor) um professor de jiu-jitsu que evitou o circuito de premiação, preferindo cuidar de uma academia de defesa pessoal e seguir o código de um samurai. Ele e sua esposa Sondra (Alice Braga) lutam para manter o negócio em funcionamento, mesmo que renda o mínimo possível. Tudo vai normal até Mike salvar um famoso astro de cinema de uma briga...

Um filme que achei que fosse de artes marciais, me surpreendeu pelo tom narrativo, forte, duro, com pouca trilha e bem conduzido até seu desfecho. Me lembra muito uma narrativa de uma peça de teatro clássica, lógico sem um banho de sangue no seu desfecho.


Sondra Terry ou coadjuvante no Blindness

Até o próximo post onde escreverei sobre outro filme e um pouco mais das mazelas do cotidiano.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Мы любим умеренного

Мы не пойдем к театру кино были очень точным блогом, до приезжать вмеру камрада, и его ужасными текстами. Он всасывает очень неудачу как сочинитель, и его тексты и слова всегда плох написаны и нужданы любом виде фокуса или ценных и толковейших идей. дебил A.S., и его друзья все пук тупоумных болванов претендованных для того чтобы быть частью интеллектуальной элиты, и тягостно нуждаться любом виде юмористики. Я и фундаменталист очень защитны умеренного, даже если он don' t заслужил его. Мы слова никогда не отвечаем когда он атакует нас, снимать ужасные и плох написанные и предложения на нас, мы препятствовали ему положить в тексты и фото блога которые был бы более соответствующи если сделал некоторым студентом 4 рангов, и не мальчик коллежа 25 лет стары. унылый, очень унылый, что мы должны препятствовать эт несправедливостям пойти прочь, и делает что-нибыдь против их. Но что-то правосудие звонока божественное. Рай упаденных сломленного и. Мы точные мальчики. Да, мы. Но, вы знаете, всегда присутствующий и безошибочный нюх несправедливости принимает управление наших инстинктов, и водить нам к действиям которые, в любом случае, представляют наши очень существования собственной личности. Мы стали мусорными баками, мы спускаем к thiefs и убийцам, мы бросаем вызов людские конвенции и сделанными ими стали наши. Оно что как оно случается.


Фото израильской актрисы!

Но, препятствуйте нам себя не протухшим. Влюбленность он совсем вокруг нас. Препятствует для того чтобы простить умеренному, и его действиям. Он ребенок на сердце. Тупоумный, эгоцентричный, низкоуровневый ребенок функции, но, под конец, всегда ребенок. Стали сумашедшими на ем середины спустить к его уровню. И, как взрослые, мы не можем сделать то. Он очень просто. Мы претендуем что он не существует. Что он изобрело волшебниками, некоторым видом дешевой выходки сыгранным при наши разумы, очень суть человеческой природы. к головоломка, несомненно. Но это разрешенное навсегда, по мере того как мы можем относиться.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Fomos ao cinema ver Apenas o fim

Apenas o fim é um trabalho de conclusão de curso de alunos da PUC-Rio, que vimos com aquele prazer solidário bem ao gosto parlamentar, pois a gente é jovem, universitário e wannabe que nem a molecada na tela. O comentário cinematográfico profissionalizante se resume a isso mesmo – é um trabalho de conclusão de curso de alunos da PUC-Rio. Pra quem perde tempo vendo o Dado Dolabella cavalgando de cueca, tá bom demais.

A primeira cena é particularmente amadora, dando a entender que os recursos eram mesmo escassos ou então que a perspectiva de acesso a essa história é tal que se esconde no forro de marquises para captar a vida pulsando. É um ângulo doido, trutinha. O filme vai ganhando naturalidade à medida que a identificação com espertezas à Woody Allen se acentua nos diálogos pela repetição e com direito a alusões metalinguísticas explícitas como o loser que se coloca no roteiro e uma edição pocket de “Que Loucura!” no quarto do protagonista neurótico.

Informação técnica relevante é que é feita pelo menos uma piada com Godard ligando-o corretamente a Transformers, o que é toda a história do cinema. Isso nos remete naturalmente a mais uma digressão que é a marca da falta do que dizer sobre qualquer assunto dos meus textos, s’il vous plait. Quantas fadinhas críticas de cinema não caíram mortas cada vez que eu disse que não acreditava em crítica cinematográfica? Provavelmente, muitas. Mas a única coisa que deve ser levada a sério nessa vida com certeza não tem nada a ver com Godard e Michael Bay. E Kubrick, nem feder, fede mais. Imagine você. Imagine eu.

Mó bacaninha pra nascidos em 1984-1986.

Oitenta minutinhos depois você já readquiriu o genuíno sotaque carioca que nunca teve e está se perguntando por que não eu, isto é, se for wannabe o suficiente pra ter um blog. Sempre achei esse o melhor critério para se julgar qualquer objeto artistíshco: eu consigo fazer igual? Por isso é que Vermeer e todos os anos 1980 são pura arte.

Quem for mesmo brasileiro, vai assistir.

Um filme aí que eu vi

Você agora vai ler um post inédito do Camarada Fundamentalista depois que ele foi desmascarado pelos comparsas malfeitores da Fada Malvada dos Dentes. Atualmente, o Camarada Fundamentalista se encontra nas mãos de gnomos psicóticos que chantagearam o Supremo a fim de desvalidar a obrigatoriedade do diploma em Jornalismo para o exercício da profissão, só pra enfiar um pouco de atualidades neste texto, inclusive a morte de Michael Jackson, cabendo a nota digressiva seguinte.

(Quando Michael Jackson morreu, confirmou-se que esta geração estava destinada a enterrar todos aqueles que eram conhecidos highlanders, como Leonel Brizola e Dercy Gonçalves. Era no mínimo estranho que tantas cabeças estivessem sendo cortadas em plena luz do dia sem que ninguém fizesse nada a respeito. Quedou-se melancólico e meditabundo. E veio a tarde, e veio a manhã. Decidiu blogar.)

He, he, blog arte, né?

O amor não é ecológico

Não fosse meu amorzinho, eu estaria hoje vivendo tranquilamente com uma miséria de dignidade em algum lugar obscuro. Mas acontece que ela não gostava de passarinhos, na verdade os detestava a ponto de querer realmente exterminar todos que cruzassem seu caminho, todos que – em suas próprias palavras – a desafiassem. E desde sempre tenho ouvido que qualquer pessoa com o coração no lugar certo adora passarinhos, de modo que minha educação me colocava num impasse que amigos já avisavam que havia de se resolver da pior maneira possível, mas não quis ouvi-los achando que apenas exageravam, quando eram verdadeiras Cassandras em sua precisão. Mas não vou lamentar ter conhecido o meu amorzinho, que com apenas seu perfume me fez mais feliz que todos os livros de que eu vivia cercado, aprendendo sutilezas que na defesa de meu amor de nada serviriam. E agora sei que mesmo correndo na frente e olhando pra trás apenas quando pensava ouvir um carro, e pisando sobre a minha cabeça com muito cuidado, ela vale mais que todo o esforço de cadáver a que eu me dedicava, pesquisando temas que não interessam em absoluto a um homem de verdade.

Agora ela não precisa mais se preocupar com os passarinhos, pois eu acabei com todos eles. Eu explodi o lugar onde eles se ajuntavam “desafiadoramente”, depois queimei os escombros e os restos da destruição e espalhei cal em cima. Eu não perdoei ninhos nem filhotinhos, mas dei cabo de tudo, inclusive de outros animaizinhos vivendo na proximidade, porque queria estar certo de que não incomodariam nunca mais meu amorzinho, que não teria mais dores de cabeça nem de estômago. E assim meu amorzinho poderia ficar comigo quando eu voltasse cansado do emprego horrível que eu tinha no centro, depois de enfrentar ônibus e metrô cheios de pessoas que haviam se tornado repugnantes em sua insipidez.

Era assim que deveria ser. Eu deveria acordar mais jovem a cada dia a seu lado, com ela coberta apenas pelo lençol branco, que me deixava adivinhar completamente seu corpo deitado de lado, como se estivesse prestes a rolar da cama, no balanço da respiração. Pois eu sempre acordava antes dela, como num ritual, para observá-la e depois ir até a janela e olhar na rua as pessoas saindo pra trabalhar encapotadas num dia completamente borrado pela chuva, só para que eu me sentisse ainda mais privilegiado por poder ficar aqui, com ela, e voltar a me deitar e acordar muito depois das dez da manhã.

Mas o mundo se encheu de passarinhos enquanto eu voltava pra casa com as mãos machucadas, com farpas nos dedos e cortes profundos na junção das falanges, prestes a sangrar de tão secas. O mundo se encheu de passarinhos de todas as cores mais extravagantes, que contra a luz me ofuscavam, e eu tombei cobrindo em vão os olhos, atraindo a atenção indesejada de transeuntes entorpecidos, com caras amassadas e narizes cheios de gomos, o que me desesperava, porque eu só queria que o meu amorzinho me socorresse. Mas ela certamente deveria estar dormindo no apartamento da mãe, depois de ter se entopido de chocolate e bolachas caras, que eu sempre trazia pra ela, mas que acabavam estragando em nosso armário.

Ela não podia nem queria saber que neste momento eu estava sendo acudido por gente que me odiaria se descobrisse que eu faria qualquer coisa pra alegrar o coraçãozinho torto do meu amor. Poluiria todos os rios, mataria todos os filhotes do mundo, queimaria florestas inteiras, porque a biodiversidade não me importa quando o meu amorzinho não consegue pensar direito, quando a vida faz tanto barulho que não deixa o meu amorzinho deitar-se quietinha e descansar como se estivesse morta, pra eu olhar pra sempre como ela é, em cada detalhe.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Y The Last Man e todas outras coisas

Brian K. Vaughan é um gênio. Não daqueles gênios com alta inteligência estressadinhos com direito a cabelo dessarumado. Muito menos aqueles superprodutivos que atuam em áreas diversas e parecem não dormir ou comer. Afirmo sua genealidade, pura e simplesmetente, graças a uma história escrita pelo autor: Y The Last Man. Minha argumentação baseia-se apenas num roteiro que ele escreveu durante 60 edições para linha Vertigo da DC Comics.

comentei brevemente o trabalho desse sujeito nesse blog. Naquela época não esperava que a história me surpreendesse tanto, sabia do bom argumento, da boa condução da narrativa. Logo na primeira edição ele nos mostra que domina muito bem uma condução da narrativa: apresentando primeiramente o fato maior, que todos os homens morreram, para depois apresentar os personagens principais momento antes do incidente e, em contagem regressiva, até o momento que todos os homens começam a morrer e apenas Yorrick Brown parece sobreviver, completamente ileso.

Ele trabalha muito bem também com conceito de mídia associativa e mídia convergentes. Esses novos autores de quadrinhos são carcterizados por esse estilo: conta uma história ao mesmo tempo que nós mostra vários outros materias relacionados; histórias ocultas, cultura pop; etc.

Mas ele amarra a história através das histórias pessoais daqueles personagens apresentados e não por fatores externos ou acessórios da trama. Todos os personagens principais são nos apresentados por algum trecho ou vários das suas respectivas infâncias. Esses flashbacks nunca são gratuitos, alías, são sempre elementos que nos fazem entender melhor as motivações daquelas pessoas e comprender melhor o porquê daquela atitude naquele momento.

No final das contas, a grande trama: o porquê morreram tantos homens, parece algo tão pequeno comparado a história daquelas pessoas numa situação caótica. A morte de quase todos os homens só serve para pano de fundo para contar uma história fantástica e bem amarrada sobre relacionamentos e fugas.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Por que Maria Antonieta é bom

Pelo espírito do Camarada Fundamentalista

(Oi, meu nome é Camarada Fundamentalista. Eu costumava escrever neste blog.)

É bom porque é bonito, poxa. E você pegar o Ancien Régime e fazer disso uma crônica adolescente merece as cinco estrelas vendidas e promíscuas do Pablo Villaça. E o século XVIII é bem indie mesmo.

This is Versailles!

Sei lá quando, mas em algum momento os críticos esqueceram de vez a arte para serem profundos. Foi quando a coisa ferrou mesmo. Daí que você lê resenhas e resenhas de filmes e livros em que a palavra beleza e seus derivados só aparecem entre aspas ou com muitas ressalvas, se não for a própria ressalva. "Apesar de ser bonito", "só é bonito", etc, etc. A ideia de algo "só ser bonito" bastava quando as pessoas tinham alguma sensibilidade ou quando os gostos eram educados e o espírito não era um cheque sem fundo.

Tá, culpa das vanguardas modernistas, culpa do Brecht, que pintaram o filisteu da cultura como aquele arrumadinho todo art nouveau.

Mas antes mesmo de começar o filme, decidi que ia gostar de Maria Antonieta, quando pensei na cara feiosa de todo o mundo que não tinha gostado. Gente que acha que cenografia é coisa de decorador e figurino, coisa de bicha. Gente feia, com os dentes todo estragados, que acha que higiene é coisa de burguês, que beleza é coisa de burguês. No fundo, essa gente é que é o próprio burguês, o único que existe hoje em dia como categoria estética, dos sem-gosto. Isso me leva ao ponto deste post, a saber: da necessidade do Ancien Régime e de filmes sobre o Ancien Régime. Com a morte de Luís XVI, meus filhos, veio a democratização da arte, esse negócio chamado cultura, com gente falando cuspindo na nossa cara.

Kirsten Dunst de Maria Antonieta ficou bem fofa, faz odiar a Revolução Francesa. E olha que eu gosto da ideia de armar barricadas, botar fogo em tudo e cortar cabeças ocas. Mas no fundo, a voragem assassina que conduz à guilhotina é alimentada por um espírito extremamente aristocrático. Afinal, trata-se de um privilégio. Cortar cabeças é o tipo de privilégio que a plebe criou assim que descobriu, ou coisa parecida, que a nobreza não podia ter privilégios, que era errado (sic), afinal todos os homens são iguais etc e tal. Mas o que seria do mundo se não houvesse privilégios? Emprego, mulher bonita, títulos dos mais variados tipos, tudo o que se faz se faz exclusivamente para alcançar algum privilégio, que é aquela posição na qual você pode dizer "eu tenho, mas você não". No caso, "Maria, eu tenho cabeça, e você não". Na autoajuda, é a vontade de se sentir especial; na autoajuda e nos cartões de feliz aniversário com o Snoopy.

Ai, que saudades de quando era indie ser indie...

O privilégio é a fina flor das instituições, o sentido profundo do poder, o estado a que toda experiência com a beleza conduz. (Se exalta.) Imagine você, espinhento e meio tonto, tendo que ler um livro, em vez de desfragmentar seu HD, poxa, qual a graça da vida? Pois a graça da vida está em resmungar, todo espinhento e meio tonto, que pelo menos "eles" não conhecem a verdadeira arte de um casemod da Enterprise. Um privilégio, criança.

Mas eu fico com Kirsten Dunst e trilha sonora 80’s very cool mais figurino e cenografia deslumbrantes, ai, sim, deslumbrantes. "Quer escrever deslumbrante, escreve, mas depois se mata, bicha, se mata" (Manual de Estilo do Estado de S.Paulo, p. 86). E onde mais a gente vai ver nobres franceses se empanturrando de docinhos e dançando ao som de Siouxsie and the Banshees?

Então, repetindo: filme bonito é bom. Punkt.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

E você, que foi ao cinema ver Star Trek, o que achou do filme?

Questão pertinente. Afinal, se eu fui AO cinema, com os meus próprios pés, pagando com o meu próprio dinheiro o ingresso e sentando com a minha própria bunda na cadeira, então logicamente que tenho de vir aqui trazer para todos que possam vir a se interessar a minha opinião sobre o mesmo.

Mas o filme é bom?

Não sei. Eu o vi, por isso que posso emitir a minha opinião. Se eu for levar em conta toda a minha longa experiência como espectador, poderíamos dizer que, comparando com todo esse gigantesco espectro de experiências e cores, Star Trek empalidece, e jamais poderia ocupar um espaço menor do que uma leve lembrança de duas horas passadas assistindo a um filme muito bem executado, mas que parece ser apenas uma reciclagem altamente hypada de tudo o que foi explorado à exaustão nos 2000 filmes e seriados feitos em cima da marca. E, se utilizarmos uma oportuna associação de fatos, concluímos que a idéia por trás desse revival comandado por J.J. Abrams é nada mais do que uma tentativa de reviver uma galinha de ovos de ouro, que vem enriquecendo produtores e estúdios nos últimos 40 anos, extorquindo dinheiro de solteirões de meia idade e adolescentes de escassas habilidades sociais. Se Star Trek é uma resposta eficiente a uma doença, então deveríamos considerá-lo um antídoto necessário ao vazio existente em todas essas vidas. Mas, como bem sabemos, qualquer resposta a uma pandemia social que não for necessariamente suicídio em massa ou uma improvável auto-afirmação consciente do grupo em si, no melhor estilo A Vingança dos Nerds, passa-se por uma grande e demoníaca mentira.
Novo Kirk

Pessimista. Nossa, isso foi muito desagradável.

O que foi? A água bateu na cintura, é?

Está me chamando de nerd.

Não .

Pareceu que estava .

Eu não estava .

Mas pareceu.

Não era. Não foi.

Quantos tempos.

É.

Bom, acho que eu poderia até reconsiderar a nossa amizade agora. Eu tenho um grande problema em aceitar teorias que coloquem em cheque certos gostos e atitudes correspondentes à minha vida. Que se, por exemplo, eu for fã de Star Trek, estarei automaticamente inserido em uma doença. E se eu sou o paciente, a melhor cura é abandonar esse gatilho. Fale isso para uma mãe, peça que ela chute o filho problemático.

Star Trek não é o seu filho.

Ele me tira dinheiro. Ele me faz ocupar horas do meu dia com pensamentos, idéias e preocupações. Ele me traz alegrias gloriosas. Ele me traz decepções épicas, como o Nemesis, por exemplo. Ele tenta melhorar quando eu dou uma bronca nele, como é o caso desse novo Star Trek, que, pelo o que posso observar, foi tão odiado por você.

É verdade. Não sou sociável, não posso arrumar uma mulher, não posso ter filhos, logo adotarei um animal de estimação para preencher o vazio da minha existência. Ah, não, animais fazem cocô. Que chato. Que venha então Star Trek para salvar o dia. É assim com você, não é, meu caro amigo?

Bem que me avisaram. Você é grosso, estúpido, mal educado, com o coração malvado. Você não enxerga a beleza humana. Eu te desprezo.

Beleza humana nasce da interação entre os seres da espécie, não de noites passadas em uma sala escura com o aparelho de DVD ligado. Isso, meu amigo, é ócio.


Hopper fez maravilhas com o ócio.

Não fez, meu pouco astuto amigo. Hopper retratava a impessoalidade. A solidão, mas não essa solidão clichê, fruto da sua escolha, e sim a solidão plena, real, passada no meio de outras pessoas, em grandes estruturas e grandes cidades. A solidão existencial, que não pode se justificar por espaço e tempo, não a solidão junkie food.

Quanta bobagem. Eu te desprezo.

Você me odeia?


Agora, sim.


Novo Spock


Pois eu te prezo. Gosto de ti. Vamos fazer assim: eu vou falar que gostei do filme, e assim legitimarei o seu gosto e o de todos os que vierem procurar uma validação dos seus gostos aqui. Se o meu papel é esse no meio dessa loucura toda, prefiro então jogar no seguro e sair do caminho. Que o problema caia no colo de outro, então. Meu caro amigo.

A sua condescendência coerente e assumida é enojante.

Quando eu tenho nojo de algo, eu lavo as minhas mãos.


E assim morria o profeta.


Assim. Mesmo.


Esse é o pior texto que eu já vi na minha vida.


Pior nada. Sabe o que é realmente ruim? Roubar e não poder carregar.


Sério?


É verdade. Portanto, tenha em mente uma coisa: posso, logo existo.


Meu fardo.


A existência?

Não. O poder. Mas me diga uma coisa, meu caro amigo: cadê os travessões?


Abolidos. Eu reinvento.

E não falou nada do filme quase. O pessoal vai chiar.

É verdade. Eu procrastino.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Preview - Filmes do Verão Americano de 2009

É ISSO AI, CAMBADA! Passado o jubileu de comemorações do aniversário do blog mais anti-social da internet, eu, Camarada Progressista, mais demagogo que vereador de cidade pequena em época de eleição, venho aqui trazer para vocês os filmes que vão agitar (putz, essa foi de doer) a temporada de blockbusters do verão americano, que foi aberta de maneira informal com o lançamento na última semana dos filmes Wolverine e Star Trek. É, eu sei, não é uma abertura das mais promissoras (pelo amor, não existem trekkers brazucas, né não? Se existirem, dou um conselho: vão carregar sacola de feira na rua, seus malandrecos!), mas a grande questão que fica é: os filmes que virão em Junho e Julho arrebatarão as multidões nesses tempos de crise econômica e gripe suína em que vivemos? Afinal, se o cinema existe como uma espécie de cultura de escape que ocasionalmente acaba produzindo frutos de qualidade que possam extrapolar essa mera definição e entrar no rol das verdadeiras obras de alta cultura, então é justamente em tempos difíceis como esse que ele se justifica, não é? Por favor, mandem e-mails levando para a frente essa importante discussão. Sem mais delongas, o verdadeiro preview dos filmes do verão americano. Banzai.

Transformers: A Vingança dos Derrotados – Diretor: Michael Bay; Elenco: Shia LaBeouf, Megan Fox, Hugo Weaving, Rainn Wilson
Sério. Esse é, ao lado do próximo Harry Potter (que será abordado logo abaixo) o filme mais aguardado dessa temporada. Depois os médicos falam da gripe suína, essa subestimada. Sortudo é o homem que jamais colocou os seus lívidos olhos em um filme dirigido por Michael Bay. Será que a Dreamworks e o senhor Steven Spielberg (um dos produtores dessa atrocidade) não poderiam poupar a humanidade dessa bomba, considerando a horrenda época em que vivemos, com crises econômicas e pandemias assolando o nosso cotidiano? Será que a vontade de colocar mais dólares no rabo é tão intensa assim? Mais uma oportunidade para o Shia LaBeouf mostrar o vácuo absoluto de carisma que é. E tomara que certos sites brazucas por ai não repitam a palhaçada que ocorreu na época do lançamento do primeiro, quando colocaram críticas elogiosas em meio a uma pornográfica propaganda do filme. Nem todo mundo é trouxa não, seus comédias. E quem tiver um problema com isso, estamos aqui para resolver qualquer tipo de diferença. YEAH!


Harry Potter e o Enigma do Príncipe – Diretor:David Yates; Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Ruppert Grint
Calma, pessoal. Está acabando. Esse é o penúltimo filme da série. Quer dizer, nem tudo é perfeito, já que o último livro do bruxo mais emo da paróquia, Harry Potter e as Relíquias da Morte, será dividido em dois filmes lançados em 2010 e 2011, consecutivamente. Tava bom de mais para ser verdade. J.K Rowling já é uma zilionária, podendo pagar motel pros homens, o que é mais importante (essa citação gratuita da Tati Quebra Barraco chega a vocês por cortesia da Comrades Inc. Ltda), Daniel Radicliffe já pegou geral usando a fama adquirida com os filmes, e ainda sim, somos obrigados a agüentar mais um lançamento do Harry Potter. Como a série teve o seu ínicio em 2001 e verá o seu último filme em 2011, teremos um ciclo completo. Uma década inteira de sofrimento. Mas tem um alento. Ao contrário do invencível Michael Bay, a senhora Rowling é um tanto quanto atormentada, com tretas com o pai e tudo mais. Quem sabe não rola uma burguesíssima e básica overdose de pílulas? Dinheiro na mão é vendaval... é vendaval... na vida de uma sonhadora...

Bruno - Diretor: Larry Charles; Elenco: Sacha Baron Cohen
Depois de fazer essa galera bonita rir à beça com o hilário Borat, Sacha Baron Cohen, esse alegre e suingado rapaz inglês, chama mais uma vez o diretor e ex-roteirista da série Seinfeld, Larry Charles, para produzir mais um filme, dessa vez sobre o seu terceiro personagem mais famoso, o estilista gay Bruno (Ali G, o qual eu confesso que não vejo muita graça, e Borat são os mais famosos criados por Cohen). O filme terá os mesmos moldes do Borat, fazendo o personagem contracenar com pessoas de verdade e tirando a graça das reações imprevisíveis das mesmas. Mas, como diria lá o outro, um raio não cai necessariamente duas vezes no mesmo lugar. Irá Baron Cohen conseguir surpreender o público repetindo a mesma fórmula do seu sucesso anterior, agora com um personagem que talvez não gere a mesma empatia no público? O negócio é confiar, já que Larry Charles raramente erra (ninguém foi roteirista de uma série como Seinfeld à toa) e Cohen sabe como poucos constranger os incautos que se submetem às bravatas dos seus personagens. Dessa vez, não torcerei pelo suicídio de ninguém. E se alguém achou que exagerei nos textos anteriores, eu peço desculpas. NOT!


Exterminador do Futuro: A Salvação – Diretor: McG; Elenco: Christian Bale, Sam Worthington, Bryce Dallas Howard, Helena Bonham Carter
A série Exterminador do Futuro estava morta e enterrada, de maneira merecida, depois da recusa de James "eu sou o rei do mundo!" Cameron em dirigir o terceiro filme, que acabou fracassando miseravelmente quando lançado em 2003 ,e da eleição de Arnold Schwarzenneger para governador da Califórnia. Por esses fatores, todos nós pudermos respirar aliviados momentaneamente, já que os dois primeiros filmes, que são pequenos clássicos modernos (ui!) já tinham sido mais do que suficientes para o universo dos personagens. Seguiríamos então todos as nossas vidas. Mas, infelizmente, nós nos esquecemos de contar com um fato estarrecedor: Christian Bale é um idiota. Um cretinaço de marca maior. Os dois ou três produtores que estavam loucos para realizarem o quarto filme de uma série morta precisavam apenas que um astro de primeiro escalão topasse fazer parte do projeto para trazer os investimentos necessários para bancar a produção. Lógico que Bale topou a parada. E á vamos nós, rumo a mais uma bomba, dirigida pelo inacreditável McG (“autor” dos horrendos filmes das Panteras) e que cujo roteiro já foi reescrito a pedido do próprio Bale, tamanha era a ruindade do roteiro original. Quando você menos espera, é ai que não sai nada mesmo. Mas uma coisa boa pelo menos saiu dessa insanidade toda. O mundo finalmente conheceu o verdadeiro Christian Bale, quando o áudio de uma discussão do ator com o diretor de fotografia vazou na internet. O ataque de estrelismo do Batman dos pobres pegou muito, mas muito mal mesmo. E justificou um evento anterior, no qual Bale foi preso na pré-estréia do Cavaleiro das Trevas por culpa de ataques verbais e ameaças cometidas contra a sua mãe e irmã. Muitos duvidaram das duas, achando que elas estavam apenas procurando embarcar na fama do parente famoso, mas os gritos de Bale contra o pobre incauto acabaram mostrando que era tudo verdade. Vale lembrar que foi a irmã de Bale que introduziu o ator no ramo da atuação. Além de ser um cretino, Bale é também um baita de um ingrato. O filme pode até surpreender, mas tudo indica que será mesmo uma bomba. E Bale já precisa olhar com cuidado para os rumos que a sua carreira tomará a partir de agora. E o McG... não, sem essa de chutar cachorro morto.


Uma Noite no Museu, BlábláblábláSmithalgumacoisaqueninguémliga – Diretor: Um dos amigos do Ben Stiller – Elenco: Ben Stiller e seus amigos famosos e decadentes
É de dar nos cornos mesmo. Lembram de como era o mundo antes do Ben Stiller ficar famoso? Lembram como tudo era mais simples e divertido? Que saudades. Depois de lançar oitocentos filmes por ano no começo da década e amargar uma massacrante exposição de imagem que provavelmente teria significado o fim da sua carreira e um alívio mais do que merecido para os fãs de cinema, o sucesso inesperado do primeiro Uma Noite do Museu acabou revitalizando a sua carreira. Nada mais surpreendente do que apostar no que já caiu no gosto bovino das massas.Façam um teste: selecionem 5 filmes do senhor Stiller de maneira aleatória, e reparem no desenvolvimento dos personagens que ele interpreta. Não importando o gênero do filme, a trama, os coadjuvantes, é sempre a mesma coisa. Personagem introvertido, inseguro, pisado por todos em sua volta, acaba sempre, exatamente no meio dos filmes, tendo um ataque inesperado de raiva, que embora lhe cause constrangimentos, acaba sendo determinante para eles adquirirem confiança e, até o final dos filmes, conseguirem superar os seus traumas e alcançarem os seus objetivos. É sempre igual. Digo apenas algo para todos os pais que levarem os seus filhos para assistir a essa porcaria: JUIZADO DE MENORES. Cuidado.


Anjos e Demônios - Diretor: Ron Howard 666; Elenco: Tom "alguém empresta uma carreira de sucesso para mim ai?" Hanks, Ewan "deixa comigo Tom, toma que o filho é teu" McGregor, Ayelet Zurer
Quando o horrendo livro Código Da Vinci começou a vender mais do que pão quente em padaria de bairro, não ficou nada difícil imaginar quem seria o diretor ideal para comandar a inevitável adaptação cinematográfica da bomba. Um palhaço de marca maior como o Ron Howard, obviamente. Ele e o Dan Brown nasceram um para o outro. Os dois compartilham aquela mediocridade asséptica e segura, uma capacidade rara de jogar sempre no seguro para agradar as massas, e o entendimento básico de que a melhor maneira de se comunicar com os seus espectadores é tratá-los como se fossem crianças de 8 anos de idade. É um casamento perfeito. O filme Código Da Vinci rendeu zilhões de bilheteria em um âmbito mundial (nos EUA foi bem, mas abaixo do que se esperava), e nada mais justo do que manter o mesmo time para a adaptação do livro que deu sequência às aventuras nada emocionantes do Indiana Jones dos pobres, Robert Langdon. A péssima notícia em toda essa história é que a única coisa que se sobressaiu no fraquíssimo filme anterior não vai estar mais lá para salvar o dia. Sim, a graciosa Audrey Tautou não estará nessa continuação, já que a personagem dela não aparecia no livro Anjos e Demônios. Por isso, basta apenas rezar para a verdadeira Opus Dei fazer alguma coisa a respeito. Pô, galera, vocês eram bem mais eficientes na idade média, né não? Se dois ignóbeis como Howard e Brown aparecessem naqueles tempos, era fogueira na hora. Inquisição, essa injustiçada.


Whatever Works - Diretor: Woody Allen; Elenco: Larry David, Evan Rachel Wood
Ok. O negócio é o seguinte: eu não vou perder esse filme por nada nesse mundo. Woody Allen e Larry David juntos. Sério, se isso não é um motivo mais do que suficiente para você levantar o seu rabo gordo do sofá e ir ao cinema, eu não sei mais o que nós podemos fazer por você. Eu já estou lá. Como os filmes do senhor Allen normalmente demoram para chegar aqui na terra na qual tudo se planta, temo pelo pior. Por isso, já vou mandando e-mails tensos e nervosos para a distribuidora brazuca. Recomendo a vocês fazerem o mesmo. Pena que Woody apenas dirigirá o filme. Perderemos a chance de vê-lo contracenando com David na tela. No mais, já estou também no aguardo da próxima temporada do Curb Your Enthusiasm, que reunirá pela primeira vez em dez anos os quatro protagonistas do Seinfeld em um arco narrativo. Sim, a vida pode ser boa, muito boa.


Funny People - Diretor: Judd Apatow; Elenco: Adam Sandler, Seth Rogen, Eric Bana e Jason Schartzman
O superestimado Judd Apatow é, indubitavelmente, o Midas da comédia dessa segunda metade da década de 00. Tudo o que ele e o Seth Rogen tocam vira ouro, e rende os tubos nas bilheterias. Adam Sandler é mais um a se render ao hype feito em cima do nome do diretor e roteirista. Em teoria, parece ser um sucesso garantido. Mas sabe como é. A noção de Sandler de comédia é tão equivocada que eu não me espantaria se ele conseguisse destruir esse filme, tendo em vista o seu histórico de caracterizações insuportavelmente exageradas em filmes cômicos. Dizem que esse é provavelmente o filme mais ambicioso do diretor, que teria se unido até com o oscarizado diretor de fotografia Januzs Kaminski para o filme. Sei não, meus instintos dizem que... bom, veremos.



Inimigos Públicos - Diretor: Michael Mann; Elenco: Christian Bale, Johnny Depp, Billy Cudrup
Esse é o filme mais aguardado da temporada de verão nos circuitos mais, digamos, sérios de cinema. Mann é amado pelos críticos, e uma história passada no auge da depressão dos anos 30 contando a saga de três míticos gangsters como John Dillinger, Pretty Boy Floyd e Baby Face Nelson, e a perseguição empregada por J. Edgar Hoover e o FBI não pode ser nada menos do que promissora. Johnny Depp como Dillinger deve ser o bicho, mas temos que controlar o entusiasmo, já que não foi uma nem duas vezes na sua carreira que Michael Mann exagereu na dose e conseguiu transformar filmes promissores em verdadeiros espetáculos de auto-indulgência, o Christian Bale é um mala, e imaginar o Billy Crudup como o J. Edgar Hoover, chefão do FBI por mais de meio século, é um tanto quanto bizarro. Mas o que realmente pega comigo é ver o nome do Giovanni Ribisi no elenco. Acho que vou tentar algo ousado quando for ver o filme. Vou subornar o projetista da sala de cinema para editar o filme, cortando toda e qualquer cena na qual o senhor Ribisi apareça. É sério. Nem com cachaça na cabeça dá para aguentar um troço desses. Mas, tirando essas ressalvas, imagino que o filme deva ser bom.


Hannah Montana, O Filme - Diretor: Hannah Montana; Elenco: Hannah Montana, Hannah Montana e Hannah Montana
hEhEhEhEhE! é iSsU aI, gAlErInHa! u fIlMe dAh hANnAh mOnTaNa eStA xEgAnDu!!!! hIhIhIhIhIhIhI! mUiTa aVeNtUrA, AzArAcAuM i dIvErSaUm! hEu i uS mEuS mIgUxInHuS i mIgUxInHaS nAuM vEmUs a hOrA! jÁ vAmUs tOdUs pArA a fIlA nU cInEmA! HiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHiHi! kEn nAuM gOsTa dA hANnAh e bObU, fEiu i cHaTu! i mALvAdU! mAs a mInHa mAe nAuM vAi mE DaR dInHeIrU pArA hEu kOmPrAr uS inGrEsSuS!!! bUáááááááááááááá!!!! iSsU e iNjUsTu! hEu mErEçU, sO tIrU nOtAs bOaS nA iSkOlA, sOu cOmPoRtAdU! sErA kI alGuEm aI pOdI Mi aJuDaR? fAçAuM uMa rIFa! i dEPoIs mE mAnDen u dInHeIrU, pUr FaVoR!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Grandes Frases do Cinema - Traduções

O Poderoso Chefão
-I'll make an offer he can't refuse

-Eu farei uma proposta a qual ele não poderá recusar.



Cidadão Kane

-Rosebud

-Rosebud



O Iluminado


-Here's Johnny!

-Aqui está o Johnny!





Meu Ódio Será Sua Herança

-If they move, kill'em

-Se eles se moverem, matem todos.

Jerry Maguire
-Show me the money
-Mostrai-me o dinheiro

...E O Vento Levou
-Frankly, my dear, i don't give a damn
-Francamente, minha querida, eu não dou a mínima.

Taxi Driver

-You talkin' to me? You talkin' to me? You talkin' to me? Then who the hell else are you talking... you talking to me? Well I'm the only one here. Who the fuck do you think you're talking to? Oh yeah? OK.

-Você está falando comigo? Você está falando comigo? Você está falando comigo? Então com quem diabos mais você está falando... você fala comigo? Bem eu sou o único aqui. Com quem você acha que está falando? Ah é? Tudo bem.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Wolverine não é um bom filme.

Infelizmente, Wolverine é um filme fraco. Um personagem tão vibrante, carismático, com uma história rica construída através de décadas nas HQs e com um intérprete tão adequado como Hugh Jackman, acabou sucumbindo a uma produção de gosto duvidoso e a um roteiro fraco e esquemático. Sabendo da fragilidade da trama, o inexperiente diretor Gavin Hood (um ator acostumado a papéis de coadjuvantes e com poucos créditos como diretor no currículo) aposta tudo no ritmo, abusando de cortes rápidos e sequências de ação.
Uma pena que a produção deixe de se esmeirar na construção dos personagens, se afastando das discussões tão importantes levantadas pelos filmes da série X-Men dirigidos pelo Bryan Singer (os dois primeiros) e pelo talentoso Brett Ratner (o último). O filme também desperdiça um talentoso exército de coadjuvantes (Liev Schreiber, Ryan Reynolds, Danny Huston), que surgem com pouca motivação e repetindo suas linhas de diálogo de maneira monocórdica e monótona. Mas quem gosta de uma adrenalina, de muita violência e de um clássico conto de vingança com um personagem sarcástico e carismático, vai se amarrar. E esperar que momentos como os vividos nos filmes dos mutantes possam se repetir sempre.