Romola Garaisegunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
TETÉIA DA SEMANA
Romola Garaidomingo, 3 de fevereiro de 2008
Fomos ao cinema ver Onde os fracos não têm vez
Nota: abaixo, não propriamente uma resenha, mas um esboço interpretativo de Onde os fracos não têm vez, que recomendo ser lido depois que se tenha visto o filme. Spoilers? Há também esse risco.
Anton Chigurh (Javier Bardem) é um assassino profissional, contratado para recuperar 2 milhões de dólares, dinheiro de tráfico de droga que o fazendeiro Llewelyn Moss (Josh Brolin) encontra ao se deparar, ao acaso, com o cenário onde jazem os corpos dos traficantes, que aparentemente se mataram no momento de entrega e pagamento da mercadoria. No encalço dos dois, coloca-se o xerife Ed Tom (Tommy Lee Jones).
Na última cena de Onde os fracos não têm vez (No country for old men, 2007), Ed Tom, aposentado, conta à sua esposa dois sonhos que teve, num dos quais seu pai aparece guiando-o através da escuridão.
O tema favorito dos irmãos Coen, o da Velha América, articula-se numa dimensão metafísica, na qual o conceito de absurdo é destacado como fator da desagregação que resultará no que a sociedade norte-americana é atualmente.
A tese em jogo é que a razão era suficiente num mundo onde subsistiam os princípios e valores tradicionais, no declínio dos quais aquela perde sua capacidade de compreender a realidade. Esse quadro desesperador é ilustrado pela figura de Ed Tom, cuja racionalidade é convertida num instrumento cego, quando voltado a Anton Chigurh, um assassino cujas motivações escapam a uma compreensão que insista em evocar aqueles valores.
Chigurh é um sinal dos tempos, submetendo-se a uma lógica que paradoxalmente supõe o acaso. É o mesmo que responder a quem pergunta qual o sentido de um mundo sem sentido. O assassino não é, pois, irracional; apenas absorve a irracionalidade como elemento constituinte da realidade.
E, por isso, trata-se de uma figura de transição (do mundo de Ed Tom para o presente), evidenciada nos momentos aterradores em que Chigurh interage com o homem comum, propondo-lhe questões a que este simplesmente tem se furtado desde que o mundo perdeu seu sentido. “Tudo está em jogo”, diz ele naquela que considero a cena mais assustadora do filme.
O fracasso de Ed Tom em compreender Chigurh e sua trajetória é que o impede de sequer alcançá-lo. São como mundos paralelos, que podem senão tangenciar-se. Chigurh existe no mundo de Ed Tom como a escuridão de seu sonho, ou seja, como aquilo a que a razão não tem acesso. No entanto, ele caminha noite adentro, iluminado por seu pai, isto é, pela tradição na qual se estriba sua lucidez.
A tragédia da racionalidade exemplificada pelo xerife é que ela é uma lâmpada apenas para ele. Sua aposentadoria aponta o ocaso da própria lei que, forjada pela tradição, quer julgar homens e crimes que “superaram” ou “ultrapassaram” a tradição.
Não olhe diretamente, ou ele irá atrás de você.
Olhar para Javier Bardem como Anton Chigurh é como olhar para Anthony Hopkins como o dr. Hannibal Lecter, em O silêncio dos inocentes. Não ficamos menos que perplexos, já que o que os sentidos sugerem – a saber, que estamos diante de um homem – tem por objeção o nosso próprio conhecimento precedente da vida.
Compreendendo como distintivo do homem a liberdade, quando é instado pela esposa de Llewelyn a que ele, Chigurh, é que faça a escolha, e não a moeda que carrega, responde: “A moeda e eu chegamos aqui da mesma maneira”. Assim, ao conceder a possibilidade de escolha num jogo de cara-e-coroa, quer ele demonstrar como a vontade nada é diante do acaso, tornando a distinção entre homens e coisas nula. Por isso, ele executa suas vítimas com uma pistola de ar comprimido, usada para abater gado, já que, como diz a velha canção da filosofia, o mesmo é o fim de homens e animais.
A última das três figuras arquetípicas de Onde os fracos não têm vez é Llewelyn Moss, cuja fragilidade e presunção fazem dele representante da perspectiva algo leviana e ingênua com que o homem comum leva a vida. Tentando escapar de Chigurh, senão com sua esperteza e astúcia, quer simplesmente deter o inevitável. Seu sucesso é o sucesso que todos nós podemos ter diante do que nos espera, diria o pregador, ensaiando um spoiler no meio da parábola.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Fomos ao cinema ver Juno
Como uma criança gorducha, que, acompanhando seus pais, vai à casa de um desconhecido e lá vê uma vasilha cheia de um delicioso creme, que sem dúvida deve ser o mais doce dos doces, para ser comido puro, passado no pão ou de qualquer outra forma que sua imaginação e apetite dispuserem. Pois assim foi o Camarada Progressista assistir à pré-estréia de Juno, salivante, perigosamente excitado. E, no entanto, terrível anticlímax, a vasilha estava cheia de gordura hidrogenada, de banha, para ser futuramente convertida em ingrediente de um algum quitute divino: mas as mãos e o coração gordinho do camarada podiam esperá-lo, sua mente gordinha podia supô-lo?
O que é um filme? Cidadão Kane é um filme. O romance da empregada é um filme. E, bem, Juno é um filme. Um filme qualquer. Sabe-se isso quando você conclui que o poderia ter escrito. Mas os críticos têm se desmanchado pela história da garota muito cínica, sarcástica e emancipada, que tem de lidar com o fato de estar grávida aos 16 anos. A conhecida bolha se formou em torno de Juno, diante do qual todos se admiram e passivamente celebram. O senso crítico fica de lado, quando nos tornamos empáticos.
Há séculos as pessoas são cínicas e ácidas. Até na curta história do cinema, é um fenômeno antigo. No entanto, para o grande público (eufemismo da mídia pra patuléia), alguém ser cínico é ainda incrivelmente subversivo. No mínimo, capricho adolescente porque o mundo não é do que jeito que eu queria que fosse e ninguém faz a minha vontade. Tanto que quando você viu um personagem de novela sendo cínico e não morrer em queda de avião ou atropelado, porque, nossa, era o vilão?
Mas aí eles resolveram revolucionar. Colocaram uma menina de 16 anos – 16 anos – protagonizando um filme grávida e cínica. Revolucionário. Cinismo de blogueiro, sim, mas cinismo. E aí é que está a chave para Juno e para a aversão do Camarada Progressista ao filme: Juno é um blog. É o blog da Juno, no qual ela comenta, cheia de sorrisinhos, como engravidou, como foi transar com o namoradinho pouco emancipado dela, como ela está pouco se lixando pra opinião dos outros, tudo muito irônica e independentemente. E que isto fique só aqui entre nós, mas o camarada não gosta de blogs. Um choque, eu sei.
Mas Juno é uma garota. O blog dela tem muito potencial: um dia ela pode ser tão cínica que vão confundi-la com um homem. Mas não agora, porque, além de garota, ela só tem 16. Por isso, ainda é uma indie muito auto-satisfeita, muito condescendente consigo mesma e com seu mundinho. E ela está certa. Só não é certo que façam filme disso, pra gente ir correndo assistir na pré-estréia em sessão da meia-noite.
Um filme que quer ser espirituoso a cada linha do diálogo, com todo o mundo, de cara, desferindo muitas falas cortantes e ácidas, mas que esquece de contar uma história cínica e ácida. O sarcasmo da Juno (que, diga-se de passagem, nunca se aplica a ela mesma) tem, então, uma moldura bem inexpressiva e convencional, mas miguxa, aliás, aparentando uma espécie de prevenção contra conflitos reais e resolvendo uma situação complicada com uma facilidade que pode até ser possível, mas não verossímil. Contraste esse que suponho tenha sido decisivo para arrebatar as audiências. Quer dizer, exceto o Camarada Progressista.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Também fui pobre e desconhecido
Ainda estou aguardando a minha vez, pois, como você deve ter lido por aí, o filme independente do momento, Juno, foi roteirizado por uma blogueira, que nem nóis, que ficou famosa sendo blogueira. Aí, incrédulo, você me fala que isso só acontece nos EUA, mas vem cá, é... talk to the hand!
O nome da tal é Brook Busey-Hunt, ou Diablo Cody, que, se eu fosse cafajeste, mencionaria que é plenamente pegável. Mas sem sexismo por hora. E você vive falando que eu deveria escrever alguma coisa, tipo um roteiro pro Wolf Maya rodar um filme horrível com o Gianecchini.
Mas você me esnoba por que eu assisto filme na Globo; e a tecla SAP serve pra quê, então? E, além disso, só a Globo pra resgatar grandes sucessos do cinema como Por um fio, do Joel Schumacher, com o Colin Farrell dando tudo de si como ator. O filme é ele, e ele é um chorão irritante. Lembra o Alexandre, o filho de Amon cheio de biquinhos, conquistando a Ásia num chororô sem fim? Mas ali eu desculpo, porque com o Jared Leto de amante, é razão suficiente, e até pra mais, até pra cortar os pulsos. Era do personagem, então.
Joel Schumacher é mestre nessas coisas e bota o Colin Farrell numa cabine telefônica e faz disso um filme, cheio de closes. Me chamasse, e eu escrevia coisa muito melhor. Tipo: o Colin Farrell tem um caso com a Katie Holmes; o Tom Cruise fica sabendo e, em vez de pedir divórcio, mandar matar o Farrell ou puxar o chorão prum duelo, tenta convertê-lo pra cientologia, porque, diz ele, assim o problema fica resolvido, porque o adultério é uma fraqueza da mente dos três, que só precisam mentalizar que não rolou nada.
Colin Farrell não aceita porque não quer desagradar a mãe, que é metodista, então o Tom Cruise começa a vociferar, até parecer que a cabeça dele vai explodir. Nessa hora chega o Terry Gilliam, e o filme acaba inesperadamente. Esse final é bem Monty Python, eu sei.
Chora agora, ri depois.
O que mais me impressiona no Joel Schumacher, no entanto, é o moralismo dele. É, o cara tem coragem de filmar um Batman campy, mas é moralista. Por um fio e Um dia de fúria são ambos pregações sobre como as pessoas não ligam pro sentimento das outras, snif, snif. Isto é, versam sobre a alienação e individualismo da vida nos grandes centros urbanos, etc, etc. Tipo Kubrick, obcecado com o tema da desumanização, certo?
Só que enquanto o Kubrick absorveu esse processo como um elemento estético, resultando em filmes que filisteus como Stephen King simplesmente consideram frios, Schumacher bota uma mão na cintura e a outra na testa e diz, melancólico-indignada, “Vocês me dão nojo!”, ou “Que falta de amor!” e faz beicinho. Mas até o moralismo nas mãos do Schumacher fica campy, com o Jack Bauer conseguindo tornar o Colin Farrell uma pessoa melhor na base do “Pede pra sair!”. A única coisa que eu posso concluir é que o Joel Schumacher é brasileiro, e ninguém sabia.
As palavras desacompanhadas...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
TETÉIA DA SEMANA
Gabriela Spanicsexta-feira, 25 de janeiro de 2008
E aqui deixamos de ser blasé
O sol brilhou frio sobre nossas manhãs na última terça-feira. Briony Tallis correu, abraçando um maço de folhas de papel totalmente preenchidas com uma letra miúda, para me mostrar sua nova incursão literária. Eu estava do lado de fora, tentando consertar uma velha bicicleta, como se eu fosse capaz de fazê-lo. Juntamente com um sopro gelado e súbito de ar, Briony chegou. Estava visivelmente eufórica. Notando-o, fiz-me indiferente, apenas para provocá-la, e continuei com meus cálculos e movimentos inúteis sobre um mecanismo cujo nome ignorava. Muito previsível, ela me gritou. "Ora, Briony, o que foi?"
Neste momento, fomos interrompidos. Era o Camarada Progressista. Heath Ledger havia morrido. O camarada e eu éramos apaixonados por cinema, e aqui evito usar o termo “cinéfilo”, pois não quero que com ele venha o preconceito que aqueles que se denominam cinéfilos demonstram por ocorrências como a morte absurda e inesperada de Heath Ledger, por reunir elementos que a aproximam mais do mundo das celebridades que do bom cinema. E, neste sentido, um cinéfilo é muito característico, já que ele se prende a algum momento passado, como o dos musicais dos anos 1940, afirmando que ali o cinema atingira seu auge como forma e, por conseqüência, reduzindo todo o resto, principalmente a produção contemporânea, a expressões minguadas de pseudo-arte. Aqui, eu deveria dizer “eu lamento por vocês”, mas não, porque não lamento.
Eu não vou defender a arte ou pregar em nome dela. Antes, quero afirmar este fenômeno que vivemos, a cultura (de massas). Alguém irromperá na platéia e dirá “Godard disse que a cultura é inimiga da arte”. Ah, mas Godard disse tantas coisas. E não se trata disso, ainda que acima eu tenha procedido a uma espécie de auto-justificação. Heath Ledger morreu. Nenhum de seus filmes me chamava particularmente a atenção. No entanto, era um ator jovem e talentoso: a descrição mais gasta ainda vale para demonstrar que, no caso, transcendemos a discussão cinematográfica, forçados à discussão existencial.
Cogita-se suicídio. A família desmente. Como o Camarada Progressista me dizia, logo surgirão dezenas de fatos que em tudo indicavam uma personalidade errática e suicida de alguém que jamais satisfizera, com seu comportamento, ao espírito sanguinário dos paparazzi. Aliás, uma dessas explicações mirabolantes já se pronuciaram, como ainda o camarada me informava: o envolvimento com o personagem do Coringa, um de seus dois últimos trabalhos, já concluído, levaram-no a encher a mente de “pensamentos psicopáticos”. Como eu duvidaria disso?
Seja como for, um rapaz de 28 anos está morto. A tragédia disso é muito evidente para nós, que prezamos tanto a juventude; ainda mais a juventude bem-sucedida. E muito provavelmente de forma acidental, tornando tudo muito mais absurdo. Mas, enfim, agora, quando olhamos para uma foto do ator, ficamos é com uma sensação de vazio enorme, como se afinal fôssemos muito próximos dele e a nossa perda fosse real. De fato, talvez tenhamos perdido algo, que não sei bem especificar. Toda vez que morre alguém de quem soubemos mais do que o primeiro nome, acontece isso. E a sensação de vazio é real, apesar da menção a ela ser clichê.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Oscar 2008: Indicações
É, cambada, não teve jeito mesmo. A Academia ignorou o filme do moleque do Bom Retiro, e O Ano Que Os Meus Pais Saíram de Férias não foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Mas temos que manter a cabeça erguida, já que no ano que vem veremos o Tropa de Elite ser o primeiro filme não falado em inglês a ser o vencedor do Oscar de melhor filme. Viajei? É claro que não. Cês acham que os velhinhos da Academia serão loucos de contrariar o Capitão Nascimento? E como o Oscar é válido apenas para filmes lançados em circuito nos EUA, e o Tropa será lançado por lá em meados desse ano, o negócio vai ficar feio. E também tem a dor de cabeça deles não terem dado nenhum prêmio para o Cidade de Deus, considerado por muitos o melhor filme da década de 00 até agora. Como o gênero "tráfico-de-favela-carioca" está tomando o lugar das sagas de mafiosos na preferência dos críticos, então podemos esperar muito. Mesmo se o Tropa tivesse sido o representante brasileiro na categoria de filme estrangeiro, não teria tido chances, já que os eleitores dessa categoria são diferentes dos das outras, um bando de velhos babões que adoram filmes com lições de valores familiares. Um Capitão Nascimento teria sido muito para eles. Mas no ano que vem não escapa, e como diz a bela música do Tihuana, agora o bicho vai pegar.CAO HAMBURGER, PEDE PRA SAIR! PEDE!
Heath Ledger: What?
Eu estou abismado. Heath Ledger, o ator australiano indicado ao Oscar pelo Brokeback Mountain e que estará na continuação do Batman como o novo Coringa (já tinha filmado todas as cenas) morreu de overdose em Nova Iorque ontem. 29 anos, caçamba! Vai virar mito? River Phoenix 2? Veremos, mas que eu estou, digamos, chocado, eu estou. Obviamente, todos por essas bandas se lembrarão dele pelo filme que virou símbolo da "geração Orkut", 10 Coisas que Eu Odeio Em Você, versão comédia-romântica-aborrescente da peça de Shakespeare, A Megera Domada. A cena na qual ele interrompe um ensaio de cheerleaders da sua pretendente romântica no filme (a personagem da Julia Stiles) para cantar I Can't Take My Eyes Off You é antológica. Aliás, aquele filme é lembrado como tendo, ao lado do Segundas Intenções, um patamar acima das comédias românticas que infestaram o mundo no fim da década de 90 e começo dessa, muito por causa do elenco, já que o tempo provou que Heath Ledger e Julia Stiles eram atores com maiores pretensões do que os Freddies Prinzes Jrs. da vida. Pelo menos até o dia de ontem. Eu sei, bem tristão mesmo.segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
TETÉIA DA SEMANA
Oscar 2008: aviso
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Falta pouco, Moderado
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Mamãe, me ensine a dançar!

Os camaradas foram ver Encantada, pobres incautos: fiquei até feliz de não ser convidado para a sessão. Certas coisas deixo pra eles, os meninos são otimistas ainda. Vi o nome Disney e Musical inserido num mesmo filme, fico com um pouco de medo, deveras não sou muito fã de musical. Deixo os clássicos do musical para Rubens Ewald Filho, logo sobra mais dvds na prateleiras para o moço colecionar.
Até assisto uns clássicos, meio a contragosto, mas assisto. Ora são clássicos, contudo também são musicais; imagino um cara cantando e dançando, o protagonista, um tipo bonitão com queixo capaz de furar olho; na minha cabeça ele, o principal, nunca é o melhor dançarino, o melhor costuma ser um cara secundário não muito bonito. Continuando a construção, imagino o cara dançando mediocrimente, uma garoa de leve e a cidade inteira, um cenário falso, pegando fogo. Mas o cara continua dançando mal, ignorando tudo ao redor: bons tempos do oficial advertindo Gene Kelly.
Não é a questão daquilo soar fora da realidade, e sim porque sempre parece incongruente ao
contexto. Aguentar um cara que dança mal e canta pior ainda, é um pé no saco. E te digo: na maioria das vezes ele consegue atuar pior ainda, saudades de Fred Astaire, grande homem! Péssimo ator, mas sabia dançar.Espero algum dia ainda que alguém filmará o musical supremo: um filme mudo, com uma grande trilha. Enquanto isso eu fico com a escola de Dança do sr. Myagi
Wax on! Wax off!
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
TETÉIA DA SEMANA
Guta Stressersábado, 12 de janeiro de 2008
Bruce Lee vs. Gay Power
Enfim, estava em casa, numa madrugada ociosa, eu e uma amiga, assistindo o Canal Brasil, quando nós deparamos com essa pérola do cinema boca do lixo brasileira: Kung Fu Contra as Bonecas(1976), só pelo título era de se esperar uma boa diversão, pelo menos uns sorrisos amarelos. Pra quem nunca acompanhou o cinema nacional, ou conhece a história dele, o cinema boca do lixo foi um movimento dos cineastas paulistas, através de filmes de baixo orçamento e propostas inusitadas conseguiu grande apelo popular, lotando os cinemas de todo país; uma mistura arrojada de humor, pastiche e paródias inusitadas garantiram um bom momento para o cinema brasileiro e também ótimos títulos: "Senta no Meu que Entro na Tua" é um exemplo disso; os títulos são costumavam ser um resumo do que esperar, e não era coisa boa, logicamente não se levavam a sério, e aí estava o charme e a força desse cinema.
Tanto Ed Wood como Mojica são fontes e incentivadores direto desse cinema: o qual parece nunca ser pretensioso, conhecer o universo e querer dar respostas pra eles, não, longe disso, eles querem entreter e apenas isso. Que as respostas do mundo fique para as religiões, a filosofia e a ciência; aqui, no mundo da ficção, nós no divertimos e fazemos rir; tirar o público um pouco da sua vivência miserável com baixo orçamento e muita criatividade, é disso que trata, sem confabulações geniais, viradas de roteiro ou mesmo um estética maravilhosa. Mesmo assim, o filme te conquista, talvez seja isso mesmo: a honestidade, a cara limpa do filme, a cumplicidade que te leva ao um grau de admiração e compadecimento e, depois de uns minutos, você está rindo das besteiras e do clima irreal, aí você foi capturado.Voltando ao filme, Kung Fu contra as Bonecas, trata da história de um homem que volta a casa paterna e descobre que sua família foi brutalmente assasinada por um bando de cangaceiros. O protagonista, auxiliado por uma sensual lutadora de capoeira, parte em busca dos cangaceiros e acaba descobrindo que eles não são tão, digamos, espada como os cangaceiros deveriam ser. O roteiro é uma mistura da Série Kung Fu com o filme Operação Dragão, protagonizado por Bruce Lee; o filme correu o circuito internacional com o nome Bruce Lee vs. Gay Power, o título tentou aproveitar a fama do ator americano, ora, na época tudo que tinha kung fu em cinema, era atribuíodo a Lee, pelo menos o que vendia. A película recheada de humor acído e non-sense, apresenta até boas coreografias de luta , tanto para época e se tratando de um filme brasileiro, ainda mais do cinema boca do lixo. Nosso Bruce Lee do sertão diverte e o mais engraçado; um dos roteiristas é Walter Negrão, pra quem não sabe, grande responsável por série da globo, preferia que ele continuasse a escrever filmes boca do lixo, mesmo. Ironias da vida. Enfim, filme recomendado para um dia cinzento, sobretudo se for um Domingão do Faustão.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Parabéns, Camarada Fundamentalista!
Uhm, eu me lembro dessa foto de algum lugar...
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Fomos ao cinema ver Encantada
Sala Disney do Cinemark, aquela com o Mickey mandando o Pluto desligar o celular. Então, isso pra assistir Encantada. Eu afundava na poltrona toda a vez que via uma pochete se aproximando, acompanhada da esposa entediada e/ou eufórica, e a criança acima do peso. Mencionei que é um filme da Disney? Porque é. Uma coisa que vocês vão querer lembrar, assim evitarão muitos mal-entendidos e falsas expectativas.
Pois foi bem divertiduxo, em alguns momentos até espirituoso. Com exceção dos vinte minutos finais, que me deram a impressão de que o roteirista estava cheio de escrever, então amarrou vários elementos de contos de fadas, como lhe vieram à cabeça, e pronto, o negócio estava feito. Depois foi pra casa assistir Grey’s Anatomy com a mãe.
Entre outras coisas, eu sempre quis ser figurante de filme da Disney. Figurante dançarino. Vivem em conflito o meu figurante dançarino interior e o meu intelectual interior. Tento resolver o impasse por aqui, blogando. Mas vocês vêem, que prova maior da decadência cultural dos nossos dias: trinta anos atrás, alguém desejaria ser figurante de An American in Paris, Singin’ in the Rain; mas eu, eu fico com Encantada.
Ai, ratinho, você fala? Ah, mas isso é tãããããão pós-moderno!
E eu ainda estou com That’s How You Know na cabeça, Amy Adams e os backing vocals rastafaris. O que poderia comprometer o meu julgamento, se eu fosse menos cínico que a maioria das pessoas pra quem o filme foi feito: platéias que já não engolem musicais, eu acho. Tanto que estão até representadas na tela pelo Patrick Dempsey, que faz as vezes de galã cético em relação ao amor. Acho que ele devia levar um pouco desse cinismo pra Grey’s Anatomy. Atenuaria o tom boboca-vislumbrado da série.Então, você tem a Amy Adams e o Patrick Dempsey, astros de segundo escalão, num filme da Disney. Eu só não sei direito distinguir a madrasta desenho animado da Susan Sarandon. As más línguas dizem que o desenho animado faz menos careta. Seja como for, eu me diverti horrores.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
TETÉIA DA SEMANA
Ellen Pagesexta-feira, 4 de janeiro de 2008
Premier monde etc.
A França em ebulição, e eu não ia aproveitar? Alguns fatos:
Sarkozy, como Balzac, atribuiu-se a partícula: doravante, Nicolas de Sarkozy.
Proibiram o cigarro na França. Para fazer valer a lei, volta a guilhotina. Tabagismo e decapitação, sem dúvida o Brasil nunca vai ser primeiro mundo. Falta-nos radicalismo, literalidade. Literalidade que só a guilhotina pode proporcionar à consciência de um povo. Aqui, dizíamos "cabeças vão rolar", e nunca tivemos idéia do que isso significava; hoje, dizemos "democracia", que permanece tão obscuro quanto "humor inteligente". Acreditem, ser irônico é já ser antibrasileiro.
Carla Bruni era modelo, mas é difícil achar boas fotos dela no Google. Nem dela, nem da Elisha Cuthbert, que sempre posa pra fotos que um blog família como este nunca publicaria. Tá, o que é que a Elisha Cuthbert tem a ver com os franceses? Nada. Mas pior a Jenna Fischer, e é com ela que eu encerro o post:
A cada Jim Halpert sua Pam Beesly.
Idílio?
Sobremesa e verdade
As ceias de Natal e Ano Novo me levaram a reforçar certas convicções.
Vamos falar a verdade: flocos é o melhor sabor de sorvete, por suas qualidades muito sutis: especialmente pelo fino contraste das raspas de chocolate. Muito, muito sofisticado. Creme é delicioso, mas over: de vez em quando, você se permite, mas já sabendo que o risco de vexame é grande. Baunilha é mais contido, por outro lado. E chocolate, bom, chocolate é a prova cabal do filistinismo numa pessoa, é para os desprovidos de espírito. Mesmo um chocólatra, isto é, principalmente um chocólatra há de convir que se trata de uma adaptação muito pobre para sorvetes isso que a gente chama sabor chocolate. Como um bom livro que resultou num filme medíocre. Chocolate é uma coisa, e sorvete é outra.
Mas e morango? Vou dizer pra vocês o que é que eu penso de quem toma sorvete de morango por opção: tudo mulherzinha. Homem que toma sorvete de morango não fica só no sorvete de morango. Morango. Até o nome entrega. E nem me venham falar de napolitano: que grosseria! É o mesmo que celebração ecumênica, com o babalorixá e o pastor luterano de mãos dadas abençoando a multidão. Muito politicamente correto, mas burro, burro, burro.
