sexta-feira, 15 de outubro de 2010

E se eu tivesse ido ao cinema ver Tropa de Elite 2? Eu teria uma desculpa para não admitir que eu fui ao cinema ver Comer, Rezar e Amar

Tropa de Elite 2? O que eu teria achado do filme? Vejo a minha irmã, que tentou pegar uma sessão do filme na noite de Domingo, em pleno feriado, e se deparou com sessões lotadas, e foi obrigada a apelar então para o mais novo atentado de Julia Roberts contra a arte contemporânea, Comer, Beber, e Rezar, filme que, segundo ela, a deixou "sufocantemente entediada". Filme esse que eu também tinha visto dias antes, em uma situação diferente. Pensei então em categorizar o filme como "arte de asfixiação", aquele tipo de realização artística (notando o alto número de citações ao prefixo art) que procura suprimir a existência dos afortunados que colocam os seus olhos nela através de uma pensada, lenta e gradual asfixiação, como aquele maluquinho que tentou se matar sufocado pelo escapamento do próprio carro, fechando as portas e janelas e esperando o monóxido de carbono realizar o seu serviço. Não que as cópias do filme tenham essa característica (nitrato, acetado e poliéster compôem o nome do crime), mas elas também guardam um segredo tão devastador quanto aquela fumacinha que destrói cada pedacinho do seu pulmãozinho (gay innuendo). Segredo esse que versa sobre a execução dos espectadores através dos 133 minutos mais longos já experimentados pelo ser humano. Mas eu nunca duvidei da Julia Roberts, essa vaidosa estrela hollywoodiana,  que jamais fez um filme na vida que merecesse uma nota 6, considerando uma escala de 1 a 10. Nenhum filme que tentasse minimamente não ofender a sensibilidade de qualquer espectador que não considere Uma Linda Mulher o marco zero do cinema, o Kid A da sétima arte (a criança original). Em todos os filmes que essa, uhm, pensando em um adjetivo não ofensivo para descrevê-la e não chegando a nenhuma conclusão melhor que BRUACA (caixa alta usada como ênfase a um sentimento odioso e destrutivo) realiza, todos os personagens que ousam  passar em frente às câmeras e soltar uma linha de diálogo que seja existem para alimentar o ego e a existência das suas personagens, que são sempre essas deploráveis mulheres de meia-idade (algo bizarramente aplicado tanto quando Julia tinha 26 anos de idade, e agora, tendo ela já 41 anos), que, sempre decepcionadas com os homens das suas vidas (essas criaturas patéticas e infantilizadas, que empalidecem perante a sabedoria e plenitude das Lindas Mulheres de Júlia), dão uma guinada de 180º nas suas vidas e partem atrás de uma busca  ofensivamente estúpida e egótica de amor, substância e conteúdo, e que termina normalmente com ela nos braços de algum galâ internacional, podendo ser um britânico e pretenso galâ se passando por britânico e galã (Hugh Grant) ou um espanhol sem ginga se passando por um brasileiro da gema (Javier Bardem), exemplo esse tirado do filme em questão.

Julia come
 Filme esse no qual acontecem as seguintes coisas (mesmo, coisas) com a personagem Liz Gilbert, interpretada por Julia: Liz está casada - nós não nos importamos. Liz acha que o marido "irresponsável" (sendo que o ato de irresponsabilidade cometido por ele foi ousar pensar em voltar a estudar e conseguir um diploma - o que mostra que, como dito antes, nenhum personagem em um filme da Julia Roberts pode buscar um crescimento pessoal que não seja ela própria) e o casamento a oprimem e ela se divorcia - nós não nos importamos. Liz tem um caso com um jovem ator - nós não nos importamos. Liz termina com o jovem ator - nós não nos importamos. Liz vai para a Itália, onde come; para a Índia, onde "reza"; e para a Indonésia, onde "ama", realizando então os três atos que dão o título do filme - e nós, oras bolas, não nos importamos.  O auge do sucesso de Júlia, leia-se anos 90, tenebrosa e assustadora era das comédias românticas, parecia já ser uma distante e amarga lembrança. Mas Julia tem um ego do tamanho da famosa pinta que grita do seu rosto em nossa direção, toda vez que nos atentamos a ele, e não vai morrer fácil assim. Comer, Rezar e Amar é uma resposta a uma equação que remete aos efeitos de um duelo da Idade Moderna, nos quais o mero instinto de sobrevivência obrigava os homens de honra a atirarem antes que os seus oponentes, escolha essa que carecia de ângulos e possibilidades. Uma questão de segundos.

Julia reza
 No caso, Julia resolve então se colocar à frente, limpando meticulosamente o cano do seu trabuco, e soltando o tiro de misericórdia em nossa direção. Não é a carreira dessa loba empolada que morreu; é a nossa dignidade como espectadores que foi para o chão, ensopada em meio a uma poça de sangue. E com ela, morremos nós. Como havíamos morrido de pouco a pouco, a cada vez que perdíamos tempo e dinheiro com os crimes anteriores da atriz, desde o horroroso Flores de Aço, que lhe garantiu a primeira e inexplicável indicação ao Oscar, com Julia ainda uma adolescente. E aquele filme tinha a Sally Field. Que foi a Julia Roberts dos anos 80. E que pelo menos teve a decência de de se permitir ser abatida pela nossa mira, aceitando grandiosamente a queda depois de ser humilhada com o discurso mais ridículo de um ganhador do Oscar em toda a história do prêmio (o maravilhoso "VOCÊS ME AMAM, VOCÊS REALMENTE ME AMAM!", feito na ocasião da sua vitória como melhor atriz em 1985). Muitos (muitos?) dirão que esse texto ataca a feminilidade, e as expressões artísticas que procuram refletir essa feminilidade. Da qual Julia Roberts e o seu filme, que por si só é baseado em um livro que também se propunha a refletir essa feminilidade, seria um pretenso expoente.

Julia ama
Mas eu ouso dizer que nenhuma criatura em todo esse mundo que se pretenda como "feminina" (biologica e metaforicamente também), e eu incluo aí mulheres, flores e o Mikhail  Baryshnikov, não tenha discernimento o bastante para querer ver a sua imagem convenientemente e inteligentemente afastada dos estereótipos de imbecilidade abraçados por Julia Roberts em sua carreira. Pois que a mulher em si nunca foi o objetivo final dessa mulher. Foi o ego. E o ego é masculino. É o homem falando mais alto onde ele não deveria nem existir. E chega, nunca mais, eu disse, NUNCA MAIS eu me prestarei a escrever duas linhas sobre a atriz Julia Roberts. Pois -caramba, vocês prestaram atenção ou não?- eu estou morto. Bang, bang, i'm dead.
E eu? Eu já fui, rapá

sábado, 2 de outubro de 2010

THE SOCIAL NETWORK THE SOCIAL NETWORK THE SOCIAL NETWORK GOOGLE OLHA PRA MIM Por que provavelmente a gente não vai postar por um bom tempo

Porque não tem nada que preste passando nos cinemas por aqui enquanto nos EUA estreou ontem The social network, que é o filme mais hypado de todos os tempos. É uma forma de os norte-americanos nos lembrarem constantemente de que somos terceiro mundo que os filmes de lá continuem estreando por aqui com meses de atraso. Alguém vai dizer que antigamente era pior porque os filmes chegavam por aqui não com meses, mas décadas de atraso, mas, pomba, antigamente era ditadura, antigamente era o Capitão Nascimento e as pessoas iriam presas se vissem um filme do Fincher. Aliás, eu vi a entrevista do Wagner Moura no Roda Viva com Marília Gabriela no comando mostrando a força da mulher brasileira e piriripororó. Ele é burro como qualquer outro ator que tente falar a respeito das coisas que existem no mundo em vez de encená-las. Bom ator (ele é) é aquele que é melhor interpretando uma árvore do que falando sobre uma árvore.

Os críticos norte-americanos disseram que The social network capta o espírito da época (queria que tivessem usado zeitgeist pra ver se a palavrinha alemã finalmente caía na boca do povo com a mesma gratuidade que soutien, só divagando). Não é pouca coisa, e seria a segunda vez que o Fincher consegue isso, a primeira com Fight Club nos 1990, que foi a melhor época das nossas vidas. Mas a gente vai ter que esperar até dezembro pra conferir a versão psicopata à Bill Gates que o filme entrega do criador do Facebook e que o próprio naturalmente desmente aonde quer que vá tentando bancar o bom moço. Mas, por exemplo, fiquei sabendo que se você quiser ou tiver, sei lá, de bloquear o Mark Zuckerberg por não sei que motivo idiota, não dá. Nossa! Não dá pra bloquear no Facebook o criador do Facebook! Mas o mais estranho é naturalmente que Zuckerberg, tendo a grana que tem e tendo chegado aonde chegou, ainda tenha um perfil no Facebook. LOSER! No mínimo, endossa a motivação que Sorkin, roteirista do filme, dá para a criação da rede social: dor de cotovelo. Zuckerberg era simplesmente um hacker judeu querendo ascender socialmente junto à aristocracia WASP de Harvard. Mas inadaptação social tem cura: você arranja uma namorada bem bonita, casa com ela, engorda, envelhece e fica bem feio e decadente, descobrindo que esse é o destino natural de todo o mundo, inclusive do casal Jolie-Pitt, que é a realeza e tal. Enfim.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Séries do bem, para pessoas do bem

Enquanto a batalha definitiva entre o bem e o mal não acontece, vamos falar sobre dois seriados que eu ando assistindo ultimamente. Uma é bem nova, a outra nem tanto. As duas são bem violentas, e atentam contra a moral e os bons costumes. Mas a maior semelhança que elas compartilham se relaciona aos seus protagonistas, que são dois PSICOPATAS! Ui ui ui! Sangue nos zóio, muleke!

Dexter - Estados Unidos da Gringolândia - 2006-Presente
Dexter é uma série séria. Dexter é um homem que acredita não ter sentimentos. Dexter é um serial killer. Dexter mata suas vítimas de acordo com um código de ética ensinado pelo seu pai. Dexter aparenta ser para todos os outros personagens um sujeito pacato, embora sua prática de sorrir e mal disfarçar a excitação que sente em sangrentas cenas de crime (ele trabalha na perícia da Polícia de Miami) desperte a suspeita de um e outro. Dexter é uma série do bem, sobre um cara que acredita ser do mal, mas que ainda não percebeu que o mal contamina o coração, e cria rugas nas faces dos homens, ao contrário do bem, que é o arco-íris no fim das tempestades que encharcam os homens do bem e do mal.

Psicopata n° 1. Alguém me disse que o braço não era dele. E houve muito contentamento.


South Park - Estados Unidos de Cima - 1997-Presente
 Eu não gostava de South Park quando moleque. Tenho ainda grandes reservas contra os seus dois criadores, Trey Parker e Matt Stone, dois sujeitos que se acham tão acima de todas as coisas. Mas é inegável que a série melhorou com o passar do tempo, agora que vive a sua 14° temporada.. Deixou de ser um show sobre quatro garotos com problemas de flatulências, e virou um perigoso microcosmos de uma sociedade doente.  O símbolo da mudança é o gordito Cartman, que passou de uma criança mimada, boca-suja e ocasionalmente racista para um verdadeiro psicopata juvenil, capaz de armar assassinatos por vingança e de organizar ralis contra as minorias da cidade. Ah, aquele pequeno detalhe que separa crianças de Nazistas...

Psicopata n°2. Alguém me disse que a semelhança era intencional. E houve muito contentamento.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Vincere

Eu assisti Vincere, então achei que tinha que comentar alguma coisa. É um filme italiano sobre como o Mussolini tinha cabelo por causa do amor, mas então ele deixou de amar e ficou careca. Se bem que é difícil saber se ele amava mesmo Ida Dalser, que é uma personagem do filme, aliás a protagonista, tirando o próprio Mussolini, de quem se pode dizer que é e não é o protagonista do filme. Levando em conta que o título foi tirado de um discurso dele, ele é o protagonista. Mas esse discurso não é feito pelo ator que interpreta o Mussolini, mas pelo próprio Mussolini, numa imagem de arquivo, de modo que, na economia do filme, esse “Vincere”, sendo do próprio Mussolini, não é do filme, que no entanto aproveita a imagem documental, então fica mesmo difícil decidir se o Mussolini é ou não protagonista do filme. Mas o filme se chama Vincere, como eu disse.

Poster do filme, com o busto do Mussolini embaixo aparentemente derrubado, como no filme, talvez simbolicamente derrubado, não sei.

A atriz que interpreta a Ida Dalser não diz "vincere" em nenhum momento, mas na minha opinião ela meio que vincere no final, porque ela sai como que aclamada na última cena em que aparece, e eu não sei se isso foi um spoiler, espero sinceramente que não. E se o Mussolini queria ser o Duce, ela queria ser a esposa do Duce. Isso explica a devoção de pietà que ela nutria pelo ditador antes de ele vir a ser ditador. Daí que a mensagem do filme é que ela teve o que merecia. A cena do sexo acho que foi bem interessante, tirando o sexo, porque sexo só é bom com quem a gente ama, e eu não sei se ele amava mesmo a Ida Dalser. Ele era na verdade um grande amante de si mesmo porque nem olhou pra ela enquanto estavam praticando o sexo. Essa é a minha opinião.

Eu fui ver o filme no Cinesesc, que só tem uma sala, mas que agora está novo e bonito, com um saguão bem bonito, com pinturas de artistas contemporâneos e umas peças móveis, de função lúdica, que as pessoas que frequentam o cinema se sentem na obrigação de tirar de uma tela e colocar na outra, resultando nas combinações mais doidas possíveis, carinha, só vendo. Em resumo, o cinema é 10, a sala é 7, e o filme é 8, beijo pra todo o mundo.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O que eu fiz nas minhas férias

Nessas minhas férias eu fui ao zoológico e vi um leão selvagem e o tratador dele tratando dele. Era peludo e a barriga era toda peludona. O leão também era bem peludo. Só que bem menos. Eu e os meus amigos tiramos várias fotos dos vários animais que tinha lá. Minha tia Ester mandou todo mundo calar a boca, senão a gente não ia ver Eclipse. Então todo mundo calou a boca MESMO. Foi bem comovente.

Meu primo Douglas arranjou um DVD pirata da Origem e a gente se reuniu todo mundo e viu lá na casa dele porque tem uma LCD de 42 polegadas. Tinha tantas explosões que a gente acabou dormindo e o Douglas disse que a gente dormindo no meio do filme era o sexto nível. Eu não ri, não. Aí a gente foi tomar Coca e sorvete. Mas a Coca tava quente e deu vontade de morrer.

Daí eu acordei com a minha mãe dizendo que não era 1999 nem que eu estava na escola. Mas que eu era um blogueiro desempregado. Ela mandou eu pedir desculpas por ter ficado tanto tempo fora. Ela disse que vocês dependem da gente pra parecer inteligentes em mesa de boteco falando de filmes da moda. Desculpae. Vocês passaram um sufoco ae, mas a gente vai compensar.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Fomos ao Cinema ver A Origem

O filme trata sobre a possibilidade de se adentrar na mente de uma pessoa através de sonhos, e fazer modificações  neles que alterem percepções e comportamentos na vida real também. Como em determinado momento do filme vemos os personagens atravessando 3 camadas de sonhos ao mesmo tempo, farei um texto que parafraseará isso, sem se pretender como um exercício de metalinguagem, algo feito à exaustação em outros tempos no blog, ou de pós-modernismo, já que o texto jamais terá (ou ganhará) consciência do seu status como texto dentro de um blog.
Ligando e plugando o videogame
A Origem – Diretor: Christopher Nolan; Elenco: Leonardo DiCaprio, Ellen Page, Marion Cottilard, Joseph Gordon-Levitt (o moleque de 30 Rock From The Sun, agora crescido e com barba), e um monte de atores gringos, que acrescentam sotaques e exotismo à produção.

Primeira Camada – A Alegria
É a alegria de voltarmos ao nosso filho abandonado, o Fomos ao Cinema (e vocês verão depois que isso é bancado com gusto e bravado pelo nosso Paulo, A.K.A. Fundamentalista).

Segunda Camada – Descrição do Filme
Um ladrão especialista em extração (roubo de informações e segredos diretamente da mente humana) aceita a oferta de um milionário para um trabalhão de inserção (a Inception do título original), que é a inserção de informações ou comportamentos na mente. Ele junta um time de especialistas para realizar esse, que é o seu último e perigoso trabalho,e a sua chance de redenção.

Terceira Camada – Análise Subjetiva
O filme é confuso, e o roteiro é esburacado como a Fernão Dias. Pretende-se como um exercício de estilo incrementado por estudos de realidade e fantasia, mas desde que Hipócrates uniu as duas intepretações da causa dos sonhos existentes no século IV A.C. e as estudou com mais afinco, jamais se viu uma tentativa tão pretensiosa e desprovida de construção e apuro. Mas isso precisa ser melhor (o totem gira, gira, gira, gira)

Rogério L., a.k.a. Progressista

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Oscar 2010 - Indicações, Vestido e Armado com as Armas de São Jorge

Poster fodão da cerimônia, com frases famosas do cinema atrás. Pera ai, acho que eu vi algo ali no meio... sim, é ele mesmo, o nosso épico "ESSE É O FILHO DE LUIS-CARLOS-PRESTES!". Só na cuíca, cambada!


Lembrete: o Oscar é uma merda. Cague bastante antes de ver.

Respeitando a frescuraiada da Academia de dar nomes coxinhas às categorias, e as redundâncias também.

Filmes indicados a Melhor Filme do Ano (lembrando que são 10 filmes indicados agora. Achei sinceramente que eles fossem aproveitar o número maior para indicar o G.I. Joe ou o Transformers 2. Uma pena.):

Avatar - Avatar é um cocô azul e ambientalmente relevante

Amor sem Escalas - Amor sem Escalas é um cocô aéreo

Guerra ao Terror - Guerra ao Terror é um cocô bélico

Um Homem Sério - Um Homem Sério não é um cocô. No máximo um leve incômodo no estômago, mas nada que não se resolva com um bom sal de frutas. Concluo então que Um Homem Sério apenas não é um cocô também graças ao Eno, o seu sal de frutas favorito. Fabricado na Estrada dos Bandeirantes, Rio de Janeiro, e distribuido para todo Brasil. Não é sal de frutas se não for Eno. Consulte a sua farmácia de preferência.

Bastardos Inglórios - Bastardos Inglórios é um Tarantino. Tarantino = cocô.

Distrito 9 - Distrito 9 também não é um cocô, mas é uma refeição pesada demais. Bate na cloaca.

Um Sonho Possível - Um Sonho Possível é um cocô esportivo.

Up- Altas Aventuras - Up- Altas Aventuras é um cocô infantil. Soro caseiro faz-se necessário

Educação - Educação é um cocô britânico

Preciosa - Preciosa é um cocô nova iorquino

Favorito: diante de tal banquete de bosta, nós seríamos poupados de sorvir uma refeição escatológica caso Um Homem Sério ganhasse o prêmio. Mas isso não vai acontecer, e Avatar, que já é a maior cagada coletiva da história americana (ultrapassou os 600 milhões do Titanic) vai levar essa. Haja papel.

Melhor Realização em Direção (traduzindo, sem punhetagem: a velha e boa Melhor Diretor)

Quentin Tarantino - Bastardos Inglórios
Não vai levar. Chupa, Tarantino.

James Cameron - Avatar
Vai levar. Chupa, humanidade.

Kathryn Bigelow - Guerra ao Terror
A bruacona é apontada como possível favorita, podendo ser a primeira mulher a levar a estatueta. Mas perderá do ex-marido. Sim, ela foi casada com o James Cameron, de 89 a 91. Sim, isso é esquisito pra caralho. Sim, ela dirigiu o filme mais chato da história da humanidade, K-19, que afundou a carreira do Harrison Ford. Sim, mesmo com 59 anos, ela ainda bate um bolão, e deve dar bem no coro ainda. E, finalmente, sim, Guerra ao Terror é um terror. Eu sei, já tive dias melhores. Eu sei, você acha que nem isso eu tive. Mas eu sou o que ninguém nunca foi, nem mesmo eu fui o que eu sou.

Jason Reitman - Amor Sem Escalas
Porque toda geração tem o Ron Howard que merece. Chupa, Hollywood

Lee Daniels -Preciosa
Fez toda a carreira como produtor, e já com 50 anos e apenas em seu segundo filme como diretor já emplaca uma indicação. Meu querido vô tinha um bom ditado para pessoas como o Lee Daniels: "não fala, mas presta uma atenção...".

Melhor Perfomance de um Ator em um Papel Principal blá, blá, blá (Melhor Ator, pombas!)

Colin Firth - Direito de Amar
O inglês canastra conseguiu emplacar uma indicação, já batendo nos 50 anos de idade. Ainda está em tempo, Hugh Grant.

Morgan Freeman - Invictus
Morgan Freeman interpretando Nelson Mandela = indicação por osmose. Aposto que os votantes nem viram o filme. Bom, se não viram se sairam muito bem, pois o filme é chato pra boné. Mas vai vencer, pois é o Morgan Freeman interpretando o Nelson Mandela.

Jeff Bridges - Coração Louco
Favorito, segundo os críticos. Mas ouçam o ex-camarada em atividade aqui: vai perder para o Morgan Freeman. Quem mandou babar tanto? Tô falando sério, tenho dó dos companheiros de cena dos filmes do Bridges, o cidadão cospe o Rio Amazonas inteiro toda vez que abre a boca. Fecha essa matraca, maluco!

George Clooney - Amor Sem Escalas
Em um filme coxinha e sem graça, Clooney conseguiu... bem... é, não conseguiu porra nenhuma, e também saiu com uma atuação coxinha e sem graça. Mas tem trânsito na Academia, e convida todos os votantes para a sua Villa italiana. Sim, eu disse TODOS. E vocês sabem bem. Quem vai para a Itália, não vai para pescar...

Jeremy Reener - Guerra Ao Terror
Manezão que ameaça repetir o efeito Josh Brolin, que depois de passar toda a década atuando como coadjuvante dos coadjuvantes em produções de alto orçamento, consegue de uma hora para a outra emplacar em filmes hypados e premiações. Mas não se iludam: é um careteiro de primeira. Pelo menos o Brolin é um ator razoável...

Como estou sem saco para colocar fotos dos indicados, deixo aqui para vocês uma ENGRAÇADÍSSIMA foto-montagem do Seu Madruga ganhando o Oscar, que eu achei na net. Ha, ha, ha.



Melhor Perfomance de uma Atriz em um Papel Principal

Sandra Bullock - Um Sonho Possível
HUAHUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUAHUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHAUHAUAH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! CA-RA-LHO! É de soltar fanta pelo nariz mesmo. Bom, vamos à próxima, antes que eu caia da cadeira aqui.

Helen Mirren - The Last Station (sem título em português ainda)
Helen Mirren interpretando a Sofia Tolstoi, mulher de vocês sabem quem, em um filme = indicação por osmose. Guerra e Paz.

Carey Mulligan - Educação
Coisinha meiga. Em um recente acesso febril, cheguei a cogitar o retorno da sessão Teteia da Semana (aproveitando a reforma ortográfica), e com certeza a Carey Mulligan ganharia uma Segundinha de lambuja. Mas eu sou vagal pra cacete, e cansei dos punheteiros que infestavam a sessão. ESTOU FALANDO COM VOCÊ! Haja lenço. No mais, me impressionou no pouco tempo de tela que teve no Inimigos Públicos (filme superior a todos os indicados a melhor filme) e no Orgulho e Preconceito. Por mim, o prêmio iria para ela. Mas eu, tipo assim, não voto nesse bagulho não. Fudeu. Tem futuro, mesmo que ele não seja comigo.

Gabourey Sidibe - Preciosa
Indicada logo em seu primeiro longa. Preciso pesquisar depois a lista de atrizes indicadas em seu primeiro filme, mas a lista de atores impressiona: Montgomery Clift, James Dean, Paul Muni, Alan Arkin e Lawrence Tibbet. É nitidamente talentosa, mas há um exagero evidente na história toda.

Meryl Streep - Julie e Julia
Eu dei um azar da porra para a Meryl Streep. Com essa indicação, Streep atinge o já recorde número de 16. Como todos sabem, Streep ganhou apenas 2 estatuetas, a primeira como Coadjuvante em 1980 pelo Kramer Vs. Kramer (Jesus amado, batendo na madeira aqui), e a segunda na categoria principal pelo A Escolha de Sofia, em 1983. MIL NOVECENTOS E OITENTA E TRÊS, PORRA! Como eu (e os outros putos camaradas também) vim ao mundo no ano seguinte, 84, concluo, não sem uma lágrima rolar pelo meu rosto, que jamais vi a bruaca ganhar um Oscar. Essa é, de longe, a sua melhor chance. Mas preparem-se, fãs da Streep, inegavelmente uma baita atriz, que a maior humilhação ainda pode estar por vir. Ela é uma das favoritas, mas, segundo os prognósticos, tem grandes chances de sair mais uma vez de mãos abanando, já que a favorita é a... a... SANDRA BULLOCK! Na boa, sem maldade: se eu sou a véia, levo um três-oitão para a cerimônia. Mal comparando, seria como, vamos ver, se o Robert de Niro, depois de perder 2 mihões de prêmios, fosse derrotado pelo Rob Schneider. Se bem que depois dos As Duas Faces da Lei, O Enviado, Entrando numa Fria e Entrando numa Fria Maior Ainda, Showtime, Amigo Oculto, Máfia no Divã, A Máfia Volta ao Divã da vida, até que seria merecido... puxa vida, De Niro... Caminhos Perigosos, O Poderoso Chefão 2, Taxi Driver, O Franco Atirador, 1900, Touro Indomável, Era uma Vez na América, O Rei da Comédia, Os Bons Companheiros... eu não sei, mas meio que vejo ai uma pequena reputação que deveria estar sendo bem zelada, né não? Bota vergonha nessa cara, rapá! Digredi, eu sei.

Melhor blá blá blá Ator blá blá blá blá Coadjuvante

Matt Damon - Invictus
Piloto automático total. Mas ele está em um filme no qual o Morgan Freeman interpreta o Nelson Mandela, o que faz toda a diferença.

Woody Harrelson - The Messenger (provavelmente deverá sair como O Mensageiro, dãh!)
O homem, o mito. Deveria ter ganho pelo O Povo Contra Larry Flint. Deveria ganhar agora também. Mas não vai, infelizmente. A vida é uma merda. Mas ele pega de mulher em uma saída o que você não conseguirá pegar em toda a sua vida, mané. Ajoelhe-se perante o Rei.

Christopher Plummer - The Last Station
Plummer está batendo na portinha do céu, do alto dos seus 80 aninhos, e depois de cinco milhões de filmes e trezentos anos de carreira, finalmente é indicado. O que não é surpresa alguma, já que é o Christopher Plumer interpretando o Lev Tolstoi em um filme. Lembram daquela banda horrorosa brazuca, o Vulgue Tolstoi? Que fim levou Robin?

Stanley Tucci - Um Olhar do Paraíso
Quer dar boas risadas e garantir uns amassos de qualidade com a sua mina depois de um filminho? Leva ela para assistir ao involuntariamente hilário Um Olhar do Paraíso, bomba inqualificável do Senhor dos Anéis (ui!) Peter Jackson. Sério, é tão brega que faz o Xanadu parecer tão sóbrio quanto Cidadão Kane. Tucci entrega uma perfomance hilária como o pedófilo assassino. A indicação entra imediatamente no Top-5 das mais esdrúxulas da história do Oscar.

Christoph Waltz - Bastardos Inglórios
Já é o vencedor, em uma perfomance hypada e absolutamente superestimada. Em um filme hypado e absolutamente superestimado. Com um diretor hypado e desde sempre absolutamente superestimado. Bom, pelo menos eles não indicaram o Brad Pitt... shame on you, Framboesa de Ouro!

Melhor blá blá blá Atriz blá blá blá Coadjuvante

Penelope Cruz - Nine
Filme que está desapercebidamente em cartaz aqui em Sampa, e que vi sem muita expectativa em uma noite chuvosa, em um cinema fedido da Paulista. Ainda bem que vi sem muita expectativa, pois é mais um show de horrores do Bob Fosse paraguaio Rob Marshall. Cruz é a melhor coisa do filme, mas não explode a tela como fez no Vicky Cristina Barcelona. Não literalmente, obviamente, e sim uma imagem, uma metáfora, um jogo de ilusões, um carnaval perdido em uma manhã fétida...

Vera Farmiga - Amor Sem Escalas
Sem querer ser vulgar, mais... huahuahuahaua, quem eu estou enganando? Bom, devo dizer que Farmiga, desculpem os mais sensíveis, arrebenta a bunda de malandro no filmeco do Jason Reitman. Faz você amaldiçoar o Clooney por toda a eternidade. Um verdadeiro cavalo, como diziam os bocas sujas do cursinho. Ah, se fosse lá em casa... quanto à sua perfomance, QUE É O QUE REALMENTE IMPORTA, O TALENTO DELA, ELA COMO MULHER, COMO ATRIZ, E NÃO COMO UM PEDAÇO DE CARNE QUALQUER, NESSE MUNDO MACHISTA E PATRIARCAL, devo dizer que é disparada a melhor coisa do filme. Farmiga me supreendeu, achei ela muito nervosa e fraquinha no Os Infiltrados, e agora entrega a única personagem realmente complexa em um filme bêbado. É favorita, e a premiação seria justa.

Maggye Gylenhaal - Coração Louco
A raimundinha (feia de cara, mas é irmã do Jake) pegou carona no sucesso do Jeff Bridges. Mesmo caso da Marisa Tomei no ano passado, que foi indicada nas sombras da perfomance do mito Mickey Rooney.

Anna Kendrick - Amor Sem Escalas
Piada total. Kendrick esbanja canastrice no filme, e como a personagem dela é chave para a narrativa, somos torturados por 109 minutos com a sua total inaptidão para a atuação. O que espanta é saber que Jason Reitman escreveu o papel já com ela em mente, depois de vê-la no fraquíssimo Rocket Science ( que o Reitman deve ter achado MÓ COOL, MAN!). Mané que é mané bate e ainda passa o recibo.

Mo'Nique (sim, é assim que se escreve) - Preciosa
Que catzo de nome é esse? Fico imaginando o fantasma do Heath Ledger, que irá entregar o prêmio (vencedor de melhor ator coadjuvante entrega para a melhor atriz coadjuvante do ano seguinte, e vice-versa) dizendo: "and the Oscar goes to... MO APÓSTROFE NIQUE!" Porra, isso lá é coisa para se fazer com um fantasminha? É favorita, ao lado da Vera Farmiga.

E o show de obscenidades termina aqui. Se eu encher a cara por todo o Domingo do dia 7 de Março e chegar chumbadaço de noite, acabarei conseguindo ver a droga da premiação e falar sobre ela no dia seguinte. Se não, não escreverei porra nenhuma. CHUTA, QUE O SANTO É DE BARRO!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

J. D. Salinger - R.I.P.

" Franny respirou fundo, lentamente, mas continuou com o fone colado ao ouvido. O zumbido de linha livre seguiu-se, é claro, ao estalido da ligação desfeita. Franny parecia encontrar uma beleza extraordinária no zumbido contínuo, como se ele fosse o melhor substituto possível para o silêncio primordial. Mas também parecia saber quando parar de escutar, como se toda a sabedoria, seja ela muito ou pouca, que existe no mundo, lhe pertencesse de repente. Quando repôs o fone no gancho, parecia saber exatamente o que tinha também que fazer em seguida. Afastou o cinzeiro e os cigarros, depois retirou a colcha de algodão da cama onde estivera sentada, descalçou os chinelos e meteu-se na cama. Durante alguns minutos, antes de cair no sono, num profundo sono sem sonhos, ela se manteve imóvel, sorrindo para o teto."

1919-2010

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Avatar fede. Avatar stinks. Avatar puanteur. Avatar oler mal.

Boneca de pano é gente, sabugo de milho é gente, o sol nascente é tão belo... Sítio do Picapau Amarelo


James Cameron é um daqueles sujeitos que tem orgasmos a cada avanço tecnológico que cria ou presencia. Seus filmes, embora costumeiramente divertidos e extremamente bem sucedidos, são sempre elegias ao monumental ego do diretor e ao seu canibalismo tecnológico freak. Avatar era um projeto antigo seu, mas que ele acreditava jamais poder realizar em vida, por não acreditar que pudesse ser possível filmá-lo com a tecnologia existente. Mas ai ele foi assistir algum dos Senhor dos Anéis, e em um dos cinco milhões de minutos dos 3 filmes teve uma epifania: "ei, esse Gollum ai, embora com expressões faciais inexpressivas e movimentação dolorosamente artificial e inorgânica, é um avanço fantástico! Eu finalmente poderei gastar os 200 zilhões de dólares que ganhei com o Titanic no projeto dos meus sonhos!". Way to go, campeão.

O resultado é presenciado por todos nós agora. 250 milhões de dólares e 165 minutos para contar uma história que, como eu provarei ai embaixo, pode ser resumida em apenas uma folha e quatro quadros de desenhos. Sim, eu, Progressista, irei dar ao mundo a minha Director's Cut dessa bomba chamada Avatar. Esqueçam o terror psicológico do primeiro Exterminador do Futuro, a diversão desenfreada do segundo, e o clima pega-pra-capá do Alien: o Resgate. Avatar deve mais aos exageros entediantes de filmes do diretor como O Segredo do Abismo, True Lies e, oras bolas, Titanic. O autoproclamado Rei do Mundo já está colhendo as burras na gringa com a bilheteria do filme, e provavelmente tirará outros 10 anos para criar um "Avatar 2: Missão Chinatown" da vida. Bocejos. Os críticos, os mesmos que se estapearam nas cadeiras a cada "why so serious?" soltado pelo Coringa de Heath Ledger no Cavaleiro das Trevas, amaram o filme. O que mostra que, sim, ninguém mais quer se divertir nesse mundo de merda. Como provam os insuportáveis filmes da Pixar e os novos e "realistas"James Bond (Quantum of Solace e a sua "Missão Bolívia" que o diga), embalagem e pretensão é o que conta. Sede é tudo. Obedeça a sua sede. Bom, sem mais delongas, fiquem agora com a minha versão do Avatar. E se vocês não gostarem, poderão dizer isso na minha cara. SE TIVEREM CORAGEM!




quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Nosotros fuimos al cine

1 O fantástico Senhor Raposo estreou sexta passada por aqui, mas nós já tínhamos visto durante a Mostra numa sessão muito especial porque contou com a presença de Pablo Villaça. Foi preciso controlar meu acompanhante, que teve acessos de tiete. Gostamos muito. A estética e o humor de Wes Anderson encontraram seu lugar na animação. É seu melhor filme desde Os excêntricos Tenenbaums, que vocês devem imaginar que é dos meus favoritos. Uma tarde dessas, assisti o Senhor Raposo uma segunda vez com uma amiga do serviço e ela dormiu a maior parte do filme.

2 Também vi, com a amiga mencionada, Cidadão Boilesen, um filme necessário. Cidadão Boilesen, um filme necessário, é um documentário sobre Henning Boilesen, que dá seu nome a uma rua na zona Oeste da capital e foi presidente da Ultragás nos anos 1960. Era dinamarquês e se mobilizou, junto ao empresariado paulistano, para patrocinar a tortura na época do regime militar. Chegou a participar de sessões muito privativas no clube DOI-Codi, convidado especial do coronel Brilhante Ustra, que também conta sua versão da história. O nome de Sergio CAMARGO CORRÊA também é citado, além, é claro, da Folha de S.Paulo como empenhados patrocinadores da tortura. E muitos outros que não ousam dizer o nome, mas que estão por aí alegres a cantar, como afirma um militar reformado, também entrevistado. Um filme necessário.

3 E ontem mesmo vimos uma sessão tardia de Um namorado para minha esposa, espécie de Se eu fosse você argentino, sem o histrionismo e o mau-gosto que só Daniel Filho e grande elenco podem fazer por você. Noveleiro que é, Daniel Filho não está cometendo nenhum crime, mas dando o que o povo quer. Mas, como eu e você nos achamos mais que povo, fiquemos com o cinema argentino, sensível e contido, mesmo ao mostrar que nuestros hermanos son más bregas que nosostros. Inclusive endosso quem diz que espanhol é só um português ridículo. Pantalones e preguntas é que não me desmentem.

4 E falando em cinema nacional, discutimos os problemas da maior parte da produção atual (e desconfio que da passada, como também da futura) e identificamos uma causa principal, chamada Fator Clóvis Bornay. Trata-se do exagero e da pompa que marcam e que, na maioria das vezes, deformam qualquer expressão cultural no Brasil. Foi descoberto enquanto víamos, aos risos, o trailer de Ouro Negro, filme com Danton Mello sobre a fundação da Petrobras. Siiiiim. O projeto obviamente exigia uma superprodução para a qual, no entanto, faltava orçamento. Resultado: overacting, que na cabeça dos atores brasileiros compensa o déficit épico da mise-em-scène pobretona, e efeitos especiais de Trapalhões, rendendo uma grande sessão de humor involuntário. A estrear.

5 The Conversation, um Coppola de 1974, é provavelmente melhor que Apocalypse Now, mas esse é o tipo de controvérsia que não me interessa criar quando o barco já está afundando. Mas é outro FILMAÇO que assisti nesse interlúdio gostoso longe de vocês. Procurem pela internet, porque não foi lançado nem em VHS, nem em DVD, entrando numa longa lista de títulos essenciais que aguardam a boa vontade das distribuidoras, que precisam lançar antes edições comemorativas de Vovozona para aquecer o mercado, ui.

6 Li também muitos livros, porque os blogs que eu acompanho deixaram de ser atualizados. Aparentemente blogueiros entram em “crise criativa” ou “se cansam do formato”. Tudo se passa como se estivessem escrevendo Anna Karenina. São divas que perderam a hora da pedicure. Recomendo Lady Macbeth do distrito de Mtzensk, uma novela russa em que muita gente é assassinada e você sente que é o próximo. Das melhores coisas que li. E esta passagem aqui de um texto da jornalista Vanessa Barbara, porque de repente dei pra citar texto de jornalista: “O tempo corria para trás nas aulas de francês do mosteiro São Bento – como se fosse sempre à tarde e nós usássemos chapéus.” Sei lá, posso andar sentimental, mas esse “como se fosse sempre à tarde” me pareceu tão bonito quanto um haicai sem ser. Grato.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Fomos ao Cinema ver Coco Antes de Chanel

Se você for uma pessoa daquelas que jamais ouviu falar em Coco Chanel (que baita Mané você é, hein? Com todo o respeito), e colocar os seus olhos nesta produção francesa, sairá depois dos 115 minutos de projeção achando que a Senhorita Coco era uma chapeleira de quinta, daquelas que vão em lugares de alta classe empurrar as suas criações para as abastadas clientes, e que se apoiava em um punhado de ricaços para se sustentar, e que mesmo depois de se consagrar, era uma infeliz que tinha virado as costas para o que, pelo menos segundo o filme, realmente importa para as mulheres: o amor.

O filme, que deveria, caso fosse uma produção de sucesso, transmitir para o espectador o tamanho da influência da francesinha não só no mundo da moda, mas também em toda a sociedade no século XX, e o seu papel fundamental no que viria depois a ser chamado de emancipação feminina, prefere se concentrar em um dos fatos mais desinteressantes e aborrecidos da vida da estilista, partindo de uma presumpção equivocada a respeito da influência que os eventos tratados no filme tiveram ou teriam tido sobre Chanel. Mas tem dia que parece que é de noite, como diria o meu avô, e o que temos é uma produção cachorrenta, vira-lata, vagaba e safada, que desfila atuações frouxas e sem energia, que em nada são ajudadas pelo roteiro pouco flexível. Audrey Tatou, que lembra vagamente as feições de Coco, tenta trazer alguma energia ao filme, mais peca pela caracterização rígida demais. Os momentos de felicidade vividas pela estilista, principalmente quando “descobre” poder amar também, são traduzidos para a tela por Tatou com um desconforto inquietante, o que revela até uma certa preguiça por parte da nossa Amelie (será que o semblante cada vez mais rígido de Audrey nos filmes é culpa do seu descontentamento por ter sempre que ouvir comparações cretinas com a sua personagem mais famosa, de incautos como eu?), que não encarna Chanel com a mesma energia que Marion Cotillard empregou na sua Edith Piaf.

Chapeleira Louca, antes de Depp

Dizem por aí que o filme é soporífero e pouco elucidativo (termina em 1919, ainda com Coco longe do seu auge criativo, e longe das perrengas encaradas pela estilista na Segunda Guerra) por culpa da estratégia de lançamento, já que promete-se um “Coco Depois de Chanel” para os anos subseqüentes, que revelariam a segunda parte da história. Como não encontrei fatos mais substanciosos sustentando esta tese, acredito que não veremos a segunda parte, já que este filme não foi lá o maior sucesso da França para merecer mais uma produção. E se viesse, caso fosse com o mesmo time incompetente no comando, e com atuações tão esculhambadas como as vistas aqui, que não venha nunca mesmo.

A diretora do filme, Anne Fontaine, que faz aniversário 2 dias depois de mim (15 de Julho, nós poderíamos dar festas nervosas juntos, com uns videogames em rede, Nintendinhos e tudo mais, e uns hamburgeres e suco de Uva pra galera matar a sede), tem créditos ESTONTEANTES no currículo, que inclui filmes como.... e como.... e tem também aquele outro, o....er..... xápralá. Aparentemente o Luc Besson estava ocupado demais para o cargo, o que configura basicamente o cenário ideal para o fim dos tempos.

Coco Antes de Chanel é um dos filmes que mais desrespeita o seu alvo que eu jamais vi, e não por pintar a sua protagonista com cores pouco agradáveis, e sim por ser um filmeco que empalidece perante a inesgotável influência existente na vida de sua personagem. Chego a achar até que Anne Fontaine se ressente da influência de Chanel, já que praticamente joga no lixo as conquistas da mulher, e as poucas que demonstra faz questão de diminuir ao apostar conseguir interpretar a psique do mito, trazendo a estúpida questão do amor perdido à tona. Por isso que eu digo: antes ler sobre a Chanel na Wikipedia do que morrer com 20 pilas vendo essa porcaria.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Fomos ao Cinema ver Amantes, Paris, Uma Prova de Amor, Se Beber Não Case, Distrito 9, A Verdade Nua e Crua e Novidades no Amor

É sério isso, cambada. Esses foram filmes assistidos por mim nos últimos tempos. Eu deveria ter falado sobre todos eles, mas, por motivos desconhecidos e que provavelmente envolvem até pitadas sobrenaturais, eu acabei falhando em trazer aqui os textos sobre os respectivos, e vou tentar recuperar o tempo perdido. Eu sei, é um absurdo, uma falta total de respeito com vocês, blá, blá, blá. Mas se vocês me perdoarem, eu prometo mandar fotos minhas jogando tênis na última viagem que fiz. É só vocês escreverem pedindo para o seguinte e-mail: cfundamentalista@gmail.com. O nosso Camarada não se importa com o incômodo, e tem todo o tempo do mundo para responder os e-mails enviados por vocês. Opa, opa, opa, talvez role até uma comigo bebendo uma dose de Margarita. Irc! Ocaso do futuro bem marcado em cartas de tarô!


Fomos ao Cinema ver Amantes

Amantes é um filme pretensioso, um estudo de personagem lento e reflexivo. O filme peca pelo roteiro pouco inventivo e corajoso, o que acaba jogando a sua trama na vala comum dos dramas românticos, mas merece elogios por não acelerar a sua narrativa e nem descuidar do tratamento dado aos seus personagens. O diretor James Gray ( Pequena Odessa, Os Donos da Noite) merece atenção, embora já esteja no ramo faz um tempinho (Pequena Odessa foi lançado em 94, quando ele tinha apenas 21 anos). No mais, Joaquin Phoenix é um excelente ator, e deveria parar com essas micagens de querer ser rapper e tudo mais e voltar a se concentrar no que sabe fazer, embora tenha dito que esse filme seria o seu último. Deixa de ser moleque, rapá! Os rapazes podem gostar da pior cena do filme, que tenta em um forçado toque de vanguarda européia mostrar ousadia ao revelar os seios desnudos da já milf Gwyneth Platrow (juro pra vocês que eu já tinha esquecido dela), no melhor estilo O Expresso do Oriente. Juro pra vocês, a cena remete a uma das mais famosas daquele filme.


Fomos ao Cinema ver Paris

Cedric Klapish, um francês cheio de ginga e malandragem, deu ao mundo dois filmes que são venerados pelos posers e deslumbrados da cena alternativa paulistana: Albergue Espanhol e Bonecas Russas. Tendo viva na memória os momentos tediosos que passei quando assisti a esses filmes, resolvi encarar uma sessão do mais novo engodo do cineasta. Paris é mais uma dolorosa mostra do universo equivocado e pouco interessante criado pelo cineasta, que joga uma trama frouxa e sem qualquer resquício de energia em intermináveis 130 minutos. Contando diversas histórias paralelas, o filme conseguiu a proeza de não me fazer se importar com nenhuma delas. Na verdade, o personagem que mais me causou comoção no filme fui eu mesmo, e o meu sofrimento ao aguardar pacientemente o fim da projeção, com dores no joelho (torci jogando bola ai, doeu pacas, mó tristeza) e tudo mais. Mas no final das contas sai com uma impressão válida ao menos: Juliette Binoche, com gloriosos 45 anos, ainda bota muita garotinha no chinelo.


Fomos ao Cinema ver Uma Prova de Amor

Nick Cassevetes é filho do mito John Cassevetes. Só por isso, deveria ser cuidadoso e dirigir filmes que fizessem jus ao sobrenome que carrega nas costas. Mas aparentemente o pequeno Nick está pouco se lixando. Uma Prova de Amor é o filme mais manipulador que eu já vi na minha vida. Com cinco minutos de projeção já está querendo levar os seus espectadores (leia-se mulheres) às lágrimas, e segue nessa toada infernal até o seu derradeiro minuto final. A trama por si só já traz o alerta de “perigo: água com açúcar à vista” por toda ela, contando a história de uma família cuja filha mais velha tem leucemia, e que usa a irmã mais nova dela como doadora constante, uma prática absurda e que poderia gerar um interessante drama com explosivos conflitos morais, mas que bizarramente é deixado de lado em nome das lágrimas fáceis. Cameron Diaz já está pronta para a vala comum das quarentonas de Hollywood, e Abigail Breslin consegue fazer a experiência ser menos massacrante com sua graça natural. Assustadoramente, uma das melhores atuações do filme é do canastra-mor Jason Patric. Imagino o velho John, cujos filmes eram marcados por narrativas classudas e corajosas, assistindo a essa porcaria. Ia querer dar uns belos e merecidos croques na cabeça do filho. Por isso que eu digo sempre: jamais tenham filhos.

Fomos ao Cinema ver Se Beber Não Case

Hollywood está tomada pelas chamadas bromedies, comédias que mostram grupos de amigos já beirando os 40 anos e que apresentam conflitos de maturidade e dificuldade em aceitarem as responsabilidades da vida, o chamado Arrested Development. Judd Apatow é considerado o pai do gênero, embora eu, Progressista, o filho predileto de Rajneesh, considere o marco zero do gênero o filme Dias Incríveis, de 2003, que foi dirigido pelo Todd Philips e tinha o Vince Vaughn, Will Ferrel e Luke Wilson no elenco. Se Beber não Case também é dirigido por Todd, e foi o sucesso mais inesperado do verão americano, gerando inacreditáveis 250 milhões de dólares nas biheterias, além de ter causado boas impressões nos críticos. A trama é redondinha, apostando em um bem amarrado clima de mistérios e surpresas para arrancar risadas dos espectadores. O maior mérito do filme é não amenizar a sua narrativa em nenhum momento, carregando em um humor rude e corajoso em tempos politicamente corretos. Mas não sei se é uma boa coisa quando o maior mérito de um filme é ele encarar de frente a sua vulgaridade. Teria de pensar sobre isso. Vou passar um mês em um retiro espiritual pensando sobre isso, e trago no fim a resposta para vocês.


Fomos ao Cinema ver Distrito 9

Filme que causou comoção quando lançado na gringa, sendo cogitado para o Oscar e tudo mais. Feito em formato de mockumentary (se você não sabe o que é isso, ô burraldo, significa que é um documentário falso. Lembre de produções como Spinal Tap e séries como o The Office, mané), é um dos filmes mais brutalmente energéticos que vi nos últimos tempos. Apostando no climão “realidade nua e crua com favelas e violência”, popularizado pelo coisa nossa Cidade de Deus e visto até me produções como Quem Quer Ser Milionário? nos últimos tempos, é uma fábula sobre o Apartheid sul-africano, mostrando um grupo de alienígenas cuja nave-mãe acabou ficando suspensa no céu de Johannesburgo, e que é discriminado socialmente e legalmente pela sociedade sul-africana, em algo que remete à revoltante situação enfrentada pelos negros nos tristes 30 anos de Apartheid. O diretor Neill Blomkamp é nativo de Johanesburgo, e conta a história lembrando-se dos fatos por ele presenciados em sua infância na cidade, assistindo àquela realidade horrorosa como espectador privilegiado, já que era morador das chamadas zonas brancas (blergh!) da cidade. O formato do filme e a sua sufocante atmosfera (realçada ainda mais pelo formato, que capta a energia da narrativa de maneira eletrizante) são um sopro de ar no combalido universo das ficções científicas do cinema, assolada nos últimos tempos por tramas nada estimulantes e com temas cansados e batidos. Mérito também do diretor na descoberta de Sharlto Copley, amigo de infância que, a pedido do diretor, assumiu o papel principal do filme. Nenhum ator badalado traria o pulso que Copley emprega na sua atuação.


Fomos ao Cinema ver A Verdade Nua e Crua

Um dos piores filmes que eu vi em toda a minha vida. Um festival de oligofrenias, obscenidades e dubialidades morais. Se eu fosse ator e lesse um roteiro desses, eu iria me esconder embaixo da cama por meses. Mas aparentemente Gerard Butler e Katherine Heigl (que as meninotas devem conhecer da horrenda série Grey's Anatomy) não têm exatamente muita vergonha na cara, e embarcam nessa bomba com gosto. No mais, Butler achou que estava no set de 300, e atua exatamente da maneira como fez naquele filme homoerótico. Cheguei até a esperar o momento no qual ele gritaria no ouvido de Katherine o famoso “THIS IS SPARTA!”, tal o tom equivocadamente gutural que ele deu para a sua atuação. Já Katherine, que é a cara da Rachel McAdams, é obrigada a desferir alguns dos diálogos mais vulgares jamais conferidos a uma dama em uma produção mainstream hollywoodiana. Mas como eu disse antes, vergonha é pra quem tem, obviamente. Se o Framboesa de Ouro ignorar esse lixo, eu vou ficar meio que bravo.


Fomos ao Cinema ver Novidades no Amor

Filme que, de tão bom, nem foi lançado em circuito no mercado americano. Catherine Zeta-Jones precisa demitir urgentemente o seu agente, e Justin Bartha tem me perseguindo incessantemente, já que o vesguinho (que maldade!) também estava no Se Beber Não Case. Acho que, se eu fosse ele, procuraria não ficar no mesmo espaço que o Michael Douglas por muito tempo. Umas passadas de mão nervosas ai, moro? O moleque conferiu com gosto tudo o que a quarentona e ainda divina Zeta-Jones tem para oferecer. Que coisa... De resto, o filme não é engraçado, não desenvolve os seus personagens suficientemente para que nos importemos com os seus futuros, e aparentemente não sabe como resolver a sua narrativa, apostando em um final preguiçoso para juntar as pontas. Para falar a verdade, eu mal lembro qual foi a história contada pelo filme, tive que fazer um baita esforço mental para conseguir relembrar os detalhes contados pela história. Acho que ninguém envolvido nessa produção deve lembrar de muita coisa também. Se não me falha a memória, era um musical sobre um grupo de coristas na Chicago dos anos 30, que alcançavam a fama de maneira bizarra quando eram presas por algum crime que cometiam, e eram defendidas por um advogado charmoso e que dançava também. Acho que era isso.
Ufa! Só para terminar dizendo que eu vi também o Bastardos Inglórios, e pretendo fazer um texto sobre ele em breve. Texto que poderá ser o canto de cisne do.... (a sua conexão caiu, reinicie a sessão).

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

O bom, o mau e o bobo

Bastardos Inglórios é um filme do Tarantino. Não há dúvida, assim como A Prova de Morte e Kill Bill. Agora, saber se Pulp Fiction e Cães de Aluguel pertencem ao mesmo diretor, ao menos, merece uma explicação para fazer tal afirmação.

Cães de Aluguel foi pé na porta de um atendente de videolocadora no mainstream de Hollywood. A trama é simples: quando um assalto dá muito errado; a trama se desenvolve, pois e somente, num galpão velho onde vemos os diálogos transcorrerem rapidamente, como também magistralmente. Um porra de um galpão se desenrola um bom filme. Simples, sem muitos exageros e nem fala espertinhas: assim como uma boa piada: rápida e, porque não, rasteira.

Sua segunda direção foi Pulp Fiction, filme que impressiona pela montagem. Um filme pode ser definido em três elementos: roteiro, direção e montagem. Dessas diretrizes e das suas relações pode-se fazer um bom filme ou concorrer a uns prêmios Framboesa. Pulp Fiction abusa e utiliza da montagem a seu favor. Apresenta uma boa história, sim; direção de um novato bem executada e engraçadinha, sim; mas é na montagem que o filme se define e revela sua beleza, Cannes percebeu isso, assim como todos aqueles que costumam citar quando lembram de Tarantino.

Parla! Pero no mucho.

Taranta teve outras empreitadas, onde o roteiro era a peça fundamental do filme: Assassinos Por Natureza e True Romance. Assim como Cães de Aluguel histórias bem amarradas onde a trama é bem desenvolvida e o clímax bem executado.

Temos dessa forma uma mudança nos filme dele: primeiro se priorizou o roteiro; em um instante depois a montagem, qual seria a evolução? Logicamente os leitores adivinharam, a porcaria da direção e todos os seus filmes tributos oriundos dessa fase. A partir de Jack Brown, ele se apoiou em uma sólida direção que trabalha todas as suas influências misturadas em uma única embalagem.

Jack Brown foi o seu filme blackexplotation mal executado: pegou o pior de todos os filmes da década de setenta e reuniu de uma só vez, ainda acho que Jackie Brown foi dirigido por um quarto do cérebro dele, algo tão ruim, mas ruim. Kill Bill é uma mistura de kung fu com wester spaguette. Divetido, plástico. Mas fica por aí. Muito bom, mas quando comparado aos seus trabalhos iniciais ele parece um tanto regular. Não gosto de falar de A Prova de morte, filme bizarro e pronto.

Continuando sua senda, onde há valorização da direção, temos Bastardos Inglórios: tributo a Segunda Guerra e a Sergio Leone. Antes vi que todos os críticos elogiavam essa nova película, TODO lugar que li algum rascunho de crítica rasgava seda para Bastardos Inglórios. Não gosto de ser diferente, só porque todo mundo fala bem, logo eu blogueiro, vou falar mal? Resolvi assistir o filme novamente e ainda assim não me surpreendeu, não é um filme ruim, entretanto até quando Quentin Tarantino ficará preso na sua obsessão por direção, obsessão boba: Um bom roteirista que fez miséria na edição, se prende nesse tipo de direção, até quando?

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Fomos ao cinema ver Bastardos Inglórios Vol. 1

(aka The 209th Post by Camarada Fundamentalista)

Bastardos Inglórios é filme pra quem gosta mesmo de Tarantino. Gostar mesmo de Tarantino tem a ver com baixar as trilhas sonoras dos filmes dele e ser burrão de achar Kill Bill melhor que Pulp Fiction. Já não gostar mesmo de Tarantino deixa ver que Pulp Fiction nem é do Tarantino. Pulp Fiction é bom demais pra ser do Tarantino. Muita gente, inclusive eu, faz campanha pra que Pulp Fiction não seja do Tarantino. Pra que seja do Robert Zemeckis. Ou do Cameron Crowe. Ou do Robert Redford. Ou pra que volte a ser do Danny DeVito. Tudo menos do Tarantino. Pode ser até do Liev Schrieber. Só tira pelamor o nome do Tarantino dos créditos. É que Pulp Fiction criou um mito. Criar mitos é a segunda pior coisa que pode acontecer no mundo do cinema, e acho que da literatura, se eu lesse livros. Só perde pra ressuscitar carreira de astro decadente. Tipo John Travolta ressuscitado em Pulp Fiction graças ao diretor Danny DeVito pra depois produzir A Reconquista, eeeeeeeee. Esse mito se chama Quentin Tarantino.

Mas Bastardos Inglórios pode ser do Tarantino. Faço questão de que todo o mundo saiba que Bastardos Inglórios foi escrito e dirigido por Quentin Tarantino. Porque Bastardos Inglórios tem 150 minutos. Porque Bastardos Inglórios tem uma cena em que a cara do Hitler é metralhada até virar pudim. Porque eu saí do cinema mais preocupado com a cara do Hitler transformada em pudim na base do tiro que com a intertextualidade. Porque teve muito neguinho crítico de cinema que deu cinco estrelas pro filme por causa da homenagem a toda a porcaria da história do cinema. E eu acho muito bom as pessoas homenagearem toda a história do cinema. Mas o cara não pode fazer isso só porque acha que dirigiu Pulp Fiction. Porque quem dirigiu Pulp Fiction foi o Danny DeVito. Aquele gordinho baixinho e careca.

Três fãs do Tarantino me esperando na saída do metrô.

E o problema é que quem gosta mesmo de Tarantino acha que ele é tipo o Messias. A história toda do cinema convergindo nele. E o pior é que o Tarantino acha mesmo que é o Messias. Senão não fazia um filme que faz convergir em si a história toda do cinema de um jeito todo atrapalhado. E todo o mundo acha o Tarantino um cara muito doido. E deve ser mesmo. Mas fazer pudim da cara do Hitler é uma coisa que ainda me choca. Apesar de muita gente me responder na hora que, pô, é um filme do Tarantino. Então tá. Só que eu fico chocado. Mas não com todo o mundo olhando. Fico chocado e quietinho. Pode me chamar de filisteu. Pode me chamar de tonto. E eu acho que alguém devia apresentar o Tarantino a um ser humano de verdade. Não ser humano de filme de luta. Ser humano ninja. Tarantino, esse aqui é o ser humano. Ser humano, esse aqui é o Tarantino. Porque tem gente que morre em Bastardos Inglórios, e a gente não está nem aí, gente que devia morrer com a gente gritando pelamor não mata ele, não mata, ahhhhhhhhhh.

Eu não sou fã do Quentin Tarantino a ponto de achar Kill Bill, os dois volumes, o máximo. Achar Kill Bill, os dois volumes, o máximo é coisa de adolescente que quer ser cineasta quando terminar o Ensino Médio daqui a dois anos. É o sujeito que lê O Guia do Mochileiro das Galáxias hoje, aos 15, e acha o melhor livro do mundo, e vai ler O Guia do Mochileiro das Galáxias aos 45 e ainda vai achar que é o melhor livro do mundo. Porque Kill Bill é bem legal e tudo. Mas é fase. Eu tive a minha. Assobiei a musiquinha. Comprei a caixa The Box Deluxe Sweet Child of Mine Edition. Curti a Uma Thurman. Namorei uma japinha com cara de protagonista de filme de terror japonês e chamava ela de Gogo. Dei até com uma arma mortal na cabeça dela. Comprei um macacão amarelo e um tênis de alpinista amarelo. Fui pra Liberdade atrás da japonesada pra lutar e tudo. Etc, etc. Mas, sei lá, passou.

O filme é tipo meio que a história de uma menina e um cara que tipo persegue e não persegue ela, mas não é nada pessoal. Aí a menina foge, e o cara continua perseguindo outras pessoas enquanto ela não aparece, mas aí quem aparece são os Bastardos Inglórios, que tipo não têm nada a ver com a menina, porque eles nem conhecem ela, e tal, mas o cara meio que conhece os Bastardos, que também perseguem uns caras, no caso os nazistas, e, ah, a menina é judia e tudo. E tem aquela mesma estrutura em capítulos dos dois Kill Bill. Mas mais preguiçosa. Uns enquadramentos classudos. David Bowie. E eu queria que o Tarantino voltasse a ser objetivo como em Cães de Aluguel.

Bang bang, she shot me down.

Isso até me lembra de outro dia quando um amigo meu me perguntou sobre o que é que era Kill Bill, que o extraterrestre não tinha visto. Aí eu disse que era tipo meio que uma paródia, mas mais do que isso, de filmes de artes marciais. Mas aí eu vi que dizer que era tipo meio que uma paródia de filmes de artes marciais não convencia muito de assistir o filme como eu queria que ele assistisse. Mesmo que fosse mais do que isso, de filmes de artes marciais. E aí eu continuei falando que tinha uns lances de câmera que ele ia perceber de cara porque o negócio era bem filmado e tudo. E uns enquadramentos e tal por ser bem filmado e tudo. E aí ele se convenceu e disse que veria um dia. E aí eu fiquei satisfeito e aliviado. Nem sei por quê. Acho que não queria parecer burro.

Bastardos é uma sátira de guerra. Isso porque tem o Hitler falando cuspindo meio histérico. Como é uma sátira de guerra, as pessoas vão logo lembrar de Doutor Fantástico. Mas pomba! Doutor Fantástico não foi dirigido pelo Tarantino. E não é qualquer guerra. É a Segunda Guerra Mundial. Mas a verdade é que o Tarantino passa que nem um trator por cima disso. Porque podia ser sobre qualquer guerra. Qualquer coisa. Podia ser sobre a guerra da Indochina. Podia ser sobre a Escola de Sagres. Que dava na mesma. Tudo porque é um filme do Tarantino. Com um carimbo gigante na testa dos atores e nas cenas dizendo Tarantino’s movie. E tem também um gordo que nem dizem que querem que a gente ache que é o Churchill. Mas é. E o Mike Myers na mesma sala com esse gordo que deveria ser o Churchill. O que é muito inverossímil. Porque o Churchill nunca ficaria na mesma sala com alguém como o Mike Myers. O Mike Myers que é o, er, astro decadente da vez a ser ressuscitado. Mas sinceramente acho que não vai rolar. E eu acho que o Tarantino devia logo refilmar Era Uma Vez no Oeste do jeito que o Gus Van Sant refilmou Psicose. Aí ele parava de enfiar Sergio Leone goela abaixo da gente, que é bem legal e tal, mas pô.

Agora meu TOP 5 dos filmes do Danny DeVito:

5. Morra, Smoochy, Morra
4. Matilda
3. Hoffa
2. Pulp Fiction
1. Era Uma Vez no Oeste

sábado, 10 de outubro de 2009

joaquimnabuco.wordpress.com

Este post sofreu o patrocínio da Monsanto Company.

O que a sabedoria manda fazer? Nunca confessar que se gosta de Los Hermanos gostando-se de Los Hermanos. Não discordar dos amigos em pontos que envolvam paixões virulentas. Afastar-se diante de paixões virulentas. Evitar paixões virulentas. Esconder paixões virulentas.

Mas hoje estou particularmente preocupado com generosidade e com os empecilhos para sua prática. Pois, como todas as outras virtudes, ser generoso não é talento, mas ação. Direto e reto como os bons comunicadores, vou dizer o que penso. Acho que o principal obstáculo para a generosidade é o detalhe. Deter-se nos detalhes.

Em estética, isso é fundamental. Dizem que o gênio está nos detalhes. Obras de arte são invariavelmente um acúmulo absurdo de detalhes, resultado da preocupação maníaca do artista com detalhes. Pensem num quadro. Pensem num livro. Não, O estrangeiro, não. Pensem em A educação sentimental. Remeto-me ao cancioneiro popular: “Quando Deus te desenhou, ele tava namorando”. Escrevam-me suas conclusões.

Mas, moralmente, o detalhe amesquinha. Estranho, não? Não, nem um pouco. Estética e ética são dois ramos do cerumano onde o lóbulo frontal e o dianteiro diferem. Aqui tem um esquema:

Este post sofreu o patrocínio da Monsanto Company.

Woody Allen me ensinou que é possível driblar a percepção de uma pequena multidão se apelarmos para as conhecidas pretensões intelectuais. Retrospectivamente falando, foi o que fi-lo quando citei A educação sentimental em detrimento de O estrangeiro. Se tivesse dito Tolstoi, o efeito diminuiria, porque não o tendo dito supus que sabiam que foi Tolstoi que escreveu A educação sentimental. Formou-se, metaforicamente falando, um pequeno clube, e a chamada cumplicidade autor-leitor foi estabelecida. Agora piscarei meu olho esquerdo, quero que o imaginem: Flaubert, Flaubert, Flaubert.

Mas isso ainda é o detalhe. Cinematograficamente falando, volto a Woody Allen. Dizia eu que ele fez algo que, a título de ilustração, mostra que a estética se fundamenta na ética. É o liame diáfano do raciocínio. Mas ó, atenção, que dá pra entender. Sem um posicionamento ético – testa no chão, tronco num ângulo de 45º em relação ao mesmo chão, pé esquerdo tocando a base da nádega e perna direita recolhida junto ao estômago – que releve o detalhe, qualquer empreendimento estético no sentido de produzir detalhes (já que é essa a natureza estética par excellence) gorará. Sim, senhores, temo que gorará.

Por exemplo Woody Allen ter filmado Manhattan, que é lindo, com Gershwin logo de cara, fotografia p&b maravilhosa e citações eruditas a cada cinco linhas de diálogo (rate fornecido pelo AFI Crazy Nuts Quotations Index). Tudo pra dissimular o fato de que Woody Allen era um judeu baixinho de 42 anos dating uma Mariel Hemingway de 17 anos. Premissa doida do caramba.

(Anatomicamente falando, prevejo dificuldades para entender o que seja a base da nádega. Ora, nada mais que o ponto em que se encontra a dita coxa com a sobredita polpa.)

Mas a audiência vulgo nós bate palmas porque funcionou graças ao fato ético de havermos esquecido detalhes como as conveções sociais sobre beleza, atração sexual e lógica clássica e acreditado na ilusão dramática de que o amor pode tudo. Os filmes do Woody Allen são sobre isso, não são? Quase todos os filmes são. Mas há filmes que falham justamente em embasar detalhes de ordem estética com a ausência de detalhes de ordem ética, compreende? Aqui cumpriria falar de Bastardos Inglórios, que era de fato o meu objetivo. No fundo da coisa toda, estava um filme de Tarantino, este gênio contemporâneo. Convém preambulá-lo.

Muita gente se engana ao dizer que Quentin Tarantino é o exato oposto de Glória Kalil, que, conforme sua descrição pessoal no twitter, é uma “jornalista, empresária e consultora de moda brasileira”, que se dedica “à consultoria de estilo e negócios ligados ao campo da moda e do comportamento”. E, a propósito, a minha descrição é: “um colchonete entre colchonetes”, que na época achei muito espirituosa. E ainda acho. Mas, praticamente falando, Quentin Tarantino e Glória Kalil são praticamente a mesma pessoa quando percebemos que ambos são interessados em estilo. Agora uma palavra sobre estilo.

Clodovil ou Pedro Bial, talvez os dois, não sei ao certo, disse que “O estilo é o homem” ou "O estilo é homem". Se a frase é do Clodovil, tendo à segunda opção. Ora, eles estão estão certos. Porque o estilo é isso aí. Mas o estilo é também a coisa mais perigosa do mundo quando priva o homem daquilo que ele tem de mais precioso: a vontade de construir um mundo melhor. Quer dizer, escrever certo por linhas tortas. Isto é, ser feliz ao lado de quem se ama. Trocando em miúdos, ganhar muito dinheiro e namorar modelos ajudando a comunidade.

O estilo pode ser o homem, mas também pode ser o que mata. E o que mata o homem.

Um soco no estômago da mesmice do consenso.

Este post sofreu o patrocínio da Monsanto Company.

Aos 7 anos, eu já catava lixo na rua pra ter um futuro melhor, cursando Letras e me apaixonando por você (coloque o seu nome aqui:_________). A nossa trajetória é uma história de desafios. A mesma de Tarantino. Nossos pais não nos liam Baudelaire à mesa de jantar. Nós nem tínhamos uma mesa de jantar. Nem posso imaginar mamãe, com sua sensibilidade romântica, fazendo vômito ao ouvir o lirismo da carne putrefeita da amada do Poeta. O saldo de nossa (de)formação é que hoje gostamos de cantar junto. E o critério de Tarantino é um só: fazer filmes que ele gostaria de ver. (Vide lista dos filmes favoritos de Tarantino nos arquivos imundos deste blog.)

É inegável que Tarantino é um exímio. Mas será que ele tem algo a dizer? Pois será que nós mesmos temos algo a dizer e, por que não dizer, a ouvir? Encerro aqui, deixando estas perguntas aos senhores, que espero meditarem com escrúpulos redobrados na clausura de suas cabeças.

Este post sofreu o patrocínio da Monsanto Company.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Vivre sa vie

Prometem demais pra gente com esse lance todo de amor. Quando é a nossa vez, pra valer, nos decepcionamos pra vida inteira. Divórcios são só o mais comum, mesmo entre aqueles que não aprova(va)m. Trata-se de uma geração terrivelmente mal preparada para se sacrificar, para admitir que a vida não é curtição, Coca-Cola, etc e tal.

Quer dizer, na maior parte do tempo estaremos só tranquilos, depois entediados, aliás muito entediados; e se não estivermos entediados, então será um inferno e estaremos à procura de paz, porque alguém ou alguma coisa nos enche muito o saco, talvez nos atormente mesmo. É, a alternativa será essa, ou tédio, ou perturbação. Mas às vezes felicidade, pura e simples, algum sucesso, aquela sensação de triunfo, que tem de ser ocasional, e depois a morte. As vidas são assim, todas iguais, e pelo que eu sei não mata, ou quase.

Frustrar-se é inevitável, os mais sensíveis se frustram por completo, terminando amargos; e quem diz que não é frustrado, é conformista, talvez cínico, talvez conivente. “O mundo está contra nós” é papo de adolescente, mas que não colobora, isso não.

O amor é das maiores promessas jamais cumpridas. Depois vem trabalho, formando os dois eixos fundamentais da vida; realização profissional, dizem. Quer dizer, depois que você descobre que não devia se casar, porque achava que era uma coisa que não era, e inventa de ter filhos pra “preencher a vida”, volta-se pro serviço, se pode. Às vezes, antes mesmo de se casar, ou em vez de se casar. É uma tentativa válida, alguns conseguem, como sempre existe quem consiga alguma coisa, levando o resto a imaginar que também pode.


O romântico em mim diz que há uma saída, que tem a ver com os idealismos mais inconsequentes, porque desprovidos de cartão de crédito, estabilidade financeira, implicando algum tipo vago de revolução social, não socialista, mas mais puxada pra ação social, tipo aquele desejo fofinho e nem um pouco prático de “ajudar as pessoas”. Se você conseguir transformar esse slogan em algo parecido com uma vida em tempo integral, talvez seja menos frustrado e egocentricamente entediado que a maioria acima descrita. Boa sorte.

E tem que a gente só acha o mundo tão tosco por causa das pessoas nele. Isto é, não são os furacões e terremotos que nos aborrecem, ou câncer, ou crianças nascendo sem braços e outras deficiências, isso tudo a gente aceitaria muito bem. O que torna a vida eventualmente miserável são os outros, que somos nós. Por isso, a conclusão é que a maioria das pessoas está contra nós, que estamos contra as pessoas, pela razão de sempre: por nós mesmos. Yes, that same old song, chap: a tragédia do nosso egoísmo em quantos atos você queira.

Minha tendência é achar que 70% das pessoas são toscas e que as poucas pessoas legais que existem são exatamente aquelas que eu chamo de amigos, com algumas exceções, que reconheço porque sou muito razoável a ponto de saber que nem todo o mundo que presta vai gostar de mim, porque nem todo o mundo combina e então é melhor seguir cada qual o seu caminho. A tosquice das pessoas consistindo não tanto em maldade intencional, ou seja, crueldade, mas ignorância e acomodação diante do sofrimento e do mal com argumentos incrivelmente razoáveis e superficiais. Amém.

domingo, 27 de setembro de 2009

Pra coisa não esfriar

1 Descobri que todas as frases que eu escrevo são esquisitinhas, mas tudo bem, que isso é estilo. Eu, como aqueles motoristas que, obrigados pela empresa, colocam um adesivo na traseira do veículo perguntando como estão dirigindo, pergunto: como estou escrevendo? As minhas frases são esquisitinhas mesmo? Ou estou só tendo mais um surto de TOC, se é que é adequado falar em surtos, mas é o que eu sinto.

2 Aí depois eu invento um esquema e me acalmo. A frase – sim, falo como Flaubert, “na frase” – fica ok, e eu descanço até ser novamente tomado de uma desconfiança horrível até do artigo “a”, que não devia ser usado. Logo estarei como Perec, que, segundo ouvi, mergulhou tão fundo naquele experimento de escrever um romance inteiro sem usar a letra “e”, que no francês é onipresente, a ponto de começar a achar que a letra estava perseguindo-o. Sim. Mas vocês já viram a cara do Perec? Explica muita coisa.

3 Mas eu queria mesmo era me sentar e escrever algo bombástico sobre o amor. Queria escrever O Segredo do amor, O Código da Vinci do amor, A Cabana do amor, o Ninguém é de Ninguém do amor. Pessoas no metrô lendo sobre o amor segundo eu. Que contribuição. Que megalomaníaco. Mas minha, er, vida amorosa está parada desde janeiro. Isso não é bom nem ruim. Nesse meio-tempo pessoas muito próximas, que acreditavam no amor, deixaram de acreditar ou pelo menos sossegaram, e outras que não acreditavam, se não passaram a acreditar, pelo menos ficaram bem promíscuas em nome do amor. Quer dizer que todo o mundo continua tateando, literalmente ou não, nos relacionamentos. Eu vos lamento, senhores.

4 A única coisa que nos tem salvado, como sempre, é a amizade. Se em todo o resto nós somos absolutamente desastrosos, o que não chega a ser verdade, pelo menos – o que é muito – temos sido amigos. Se querem uma definição de amor honesta, é isso: amor é amizade, amizade é amor. Um amigo é a expressão do amor desinteressado e incondicional que esperamos dos relacionamentos amorosos, até agora sem sucesso, quase sempre por nossa culpa. CULPA.

5 E essa semana eu vi A Onda, um filme alemão excessivamente esquemático. É um High School Musical sobre as origens e natureza dos regimes fascistas. O problema é que é uma obra de tese. E teses são carnívoras: comprometem desde complexidade psicológica até desenvolvimento dramático. Os personagens não são pessoas, de carne e osso, mas ideias. Eles ilustram pontos. Em vez de se expressar, eles argumentam. Todas as suas palavras e atos são silogismos. Tudo se curva ao esquema. É a única forma de comunicação da tese. E é raso demais. Mas aprendi que é fácil ser Führer. Semana que vem, tento.